terça-feira, 30 de agosto de 2011

E antes de partir deixo (literalmente) grande música para ouvir...



Gazormass : FuckFranceGermany (Wwilko; 2005)
Langsuyar & Euthymia : Apocalypse Cancelled : A memorial to Anton Szandor La Vey : 1930 - 1997 (Helloutro; 2007)
Traumático Desmame : Electro-mártires (Tapes She Said; 2010)
v/a : Putos Qui a Ta Cria (Laços da Rua; 2006)

De malas para fora do país e claro que nestas últimas semanas de teórica silly-season apareceram-me discos para ouvir sem tempo para tal. Pelo menos são coisas boas q.b. para facilitarem as resenhas críticas... aqui vão rapidinhas!
A começar pelos franceses Gazormass, cujo único registo é um real "FodeFrançaAlemanha" de Grindcore Digital, Power Electronics, Breakcore em velocidade alucinante, extrema e violenta. Imaginem três canais de som a bombarem a altos berros e simultaneamente os mais alucinantes desenhos animados Bugs Bunny, o Techno mais violento e as faixas mais curtas de Napalm Death embora haja coordenação no meio do caos. Uma bela encomenda vinda da loja Staalplaat, ThanksFranceGermany!
Continuando no vinil, finalmente arranjei uma peça editada pelos tótós da Associação Portuguesa de Satanismo (o braço editorial chama-se Helloutro) que existe por 666 exemplares assinados pelo Fernando Ribeiro dos Moonspell (aqui como Longsugar ou algo assim) e Luis Lamelas dos [f.e.v.e.r.] como Euthymia - que ainda recentemente gravou uma poderosa faixa pró vinil da Thisco. Feito para comemorar a morte do palhacito do La Vey, o tratamento é luxuoso sendo o vinil prateado e de 10". Textos de La Vey são recitados em português e em inglês por Ribeiro em cada lado do disco. A parte instrumental é a mesma em ambos lados, sendo ela na linha dos ambientes Dark pós-industriais como Deutsch Nepal e outros apocalípticos - tem força marcial. A grande vantagem do disco é que sempre se pode colocar em rotações mais aceleradas e divertirmo-nos muito mais que os outros 665 pseudo-satânicos.
Os Traumático Desmame "venderam-se" pela segunda vez. Primeiro foi com um engenhoso split-DVD editado em 2008, agora com uma k7 foleira. Em teoria, esta banda sludgecore dizia que nunca iria gravar nada... e pelos vistos não resistiram e aparecem aqui com um concerto gravado no Teatro Passos Manuel em Abril de 2010 - o concerto nº13 intitulado Perturbação Global de Desenvolvimento sem Outra Perturbação. Porque não optaram este título para a edição? A edição é manhosa, k7 branca (um bocado foleira!), impressão da capa em cartão demasiado grosso e burguês, "font" do pior DTP, não tem um lado B... Não é um objecto lo-fi como eram as k7s do Metal / Punk / Hardcore / Noise dos anos 80 e 90 (e que ainda existem nos dias que correm) nem é um objecto de luxo, parece apenas que alguém tinha dinheiro para gastar. De resto, a música do Traumático é aquele slow de final de baile metaleiro em que o vocalista Gamão faz catarse de "primal scream". Não é som para almas sensíveis e o melhor é ver a banda ao vivo. Entretanto gravei uma faixa de Neptune Towers no lado B para não ficar com uma k7 100% estúpida!
O Sócio nº69 ofereceu-me um duplo CD que mo vendeu como um "CD de Hip Hop com putos de bairro"... Pensei que seria um resultado de um workshop com putos tipo sub-16 ou ainda menos. Estava muito curioso... desilusão, a malta que participa tem mais de 20 anos e alguns creio que já são conhecidos na cena Hip hop como Dama Bete e Kromo di Ghetto (!). No fundo não percebo o que metodologia foi aplicada para este disco ou de que forma as comunidades foram envolvidas. De repente parece-me uma coisa "seleccionada" e sem relação com as bases populares, em que juntaram jovens rappers de vários bairros degradados da zona de Lisboa (Marianas, Bairro das Fontainhas, Cova da Moura, Damaia, Alapraia, e Queluz) para dar um exemplo de união às comunidades desfavorecidas do Vale do Tejo. Passado essa desilusão, só posso depois dizer que o CD é muito bom mesmo! Os "beats" e a parte instrumental está longe da fatelada do "Hip Hop Tuga" (Ex-Peão dixit) e as vozes têm força ao ponto que mesmo o horror R'n'N torna-se suportável. Raramente há discos Hip Hop portugueses que dão vontade de dançar e curtir porque andam sempre a centrar-se na voz e nas letras redundantes. Aqui as letras são "positivas" para agradar as instituições camarárias para que os "putos" (negros) não arranjem "problemas" nas suas comunidades marginalizadas mas também não são estúpidas nem tão doces. Só não conseguem é dar a volta aos clichés de quando se fala de SIDA, prostituição, repressão policial, desilusão política, drogas, preconceito racial. Felizmente são rimadas em crioulo "F da vida", não se percebendo toda a moral da mensagem. Há faixas que poderiam ser bandas sonoras épicas de motins de rua. Mas não, a ideia é ter consciência e atinar. Felizmente a edição deste CD não impede que um dia a Baixa de Lisboa ou de Cascais acabe num frenesi de carros incendiados, MacMerdas destruídos (um sonho molhado meu, admito) e outros vandalismos saudáveis como aconteceram em Paris e Londres neste novo milénio à beira da ruptura... Por falar nisso, se considerarmos que este disco é de 2006 e nesse mesmo ano saíram discos portugueses de música urbana que roçam entre o Genial e a Obra-Prima como Limb shop dos Mécanosphère, Máscara (uma obra-prima!) do Ex-peão, a colectânea seminal da FlorCaveira, as estreias de Most People Have Been Trained To Be Bored e Buraka Som Sistema e ainda Resistentes dos Niggapoison, é para dizer "onde estavas tu em 2006?" (Claro que ainda está para vir algo que suplante a melhor gravação portuguesa de sempre, Ke ki Rapasis Kré dos Nigga Poison em 2004). Associação Laços de Rua: Bairro das Marianas, 546, 2775-000 Parede.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

animarne del carne... Why, Chiba?



Porque raios o Johnny Chiba fez esta animação da serigrafia do Futuro Primitivo Remix André Coelho para nós? Não temos mínima ideia mas obrigado... ehm...

Grandas bolas de fogo!

Pelos vistos a Chili Com Carne ou os criadores portugueses em geral ainda podem provocar impressões novas aos estrangeiros! Admiramos o trabalho de Martin Lam López e as suas Ediciones Valientes, ponto. O que nunca esperavámos é que a CCC ou a nossa tour europeia ou a Feira Laica viessem a influenciar eventos valencianos - como o Tenderete - e que publicamente viéssemos a ser apontados e glorificados. Talvez ainda haja esperança para esta cauda da Europa.
Entretanto, Martin criou uma distro, a Bólido de Fuego, que promove as edições da CCC e associados por Espanha. Muchas gracias, tío!

domingo, 21 de agosto de 2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

edições de Crack



Crack 3D Revolution, v/a ; Va Tutto Bene / Everything is ok (Deriva #3), Henrik Bromander (a) e Hanna Petersson (d)
(Forte Pressa; 2011)

O Festival Crack deste ano teve como tema "3D Revolution", por influência do colectivo Le Dernier Cri. Imagino a orgia que deve ter sido, os italianos, povo por si mesmo já alucinado, todos com aqueles óculos de lentes vermelha e azul a triparem pelo Forte - até grávidas que deviam ter juízo andaram com os óculosinhos marados! Com esta "revolução" a habitual antologia de bd, Ponti (que a Chili Com Carne teve o prazer de produzir na edição de 2009) sofreu metamorfoses não tivesse o Dernier Cri sido o co-editor deste ano. O que salta menos à vista? A bd foi à vida e o formato esticou-se para o horizontal (o formato italiano, passe a ironia) e a edição foi reduzida a 400 exemplares (esgotados?). O salta à vista é que todo o livro é a 3D e já que não consegui ir ao evento participar na orgia visual, parte dela chegou-me esta semana. O livro têm menos escatologia que é normal das edições do Dernier Cri, em parte por causa das colaborações que fogem ao circuito de arte gráfica do colectivo francês, e espera... Em compensação vemos desenhos num espectáculo da ilusão óptica-anáglifica orquestrado por Dave 2000. É curioso o uso desta tecnologia para a temática de autor invés das habituais patranhas comerciais, existe uma sensação de frescura ao ver os desenhos tratados desta maneira.
Tal como no ano passado, sem a antologia Ponti a funcionar "normalmente", a organização aproveita para alimentar uma outra coleccão, a Deriva. Este terceiro volume é um monográfico feito por autores suecos. Ao contrário que a organização dclara, não acho que a cena bedéfila sueca seja interessante mas está a mudar e este é um exemplo disso. A história é de uma crueldade que só me lembra comparar a cineastas nórdicos como Igmar Bergman ou Lars von Trier pela forma melodramática que manipulam o espectador - neste caso, o leitor. O livro é pequeno em formato daí que poderia sair dali uma estória simples mas trágica de uma violoncelista que fica para tetraplégica (só consegue mexer dois dedos). Graficamente lembra uma linha francesa de bd "alternativa" que remonta a Blanquet. Talvez o desenho seja um bocado frio mas pelo menos é bem feito no plano técnico. Em inglês e tradução em italiano.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Random Screener #0, 1 (2010)


Associado ao espaço colectivo Amalgama (em Vigo, ver Boring Europa), o artista galego Tayone decidiu unir-se à grande consciência cósmica zinesca universal e por isso editou um graphzine. Este "ecrã aleatório" é mais um zine de A5 com colaborações internacionais de quem anda a fazer este tipo de publicações. De Portugal participam André Lemos, Rudolfo, Miguel Carneiro e Pepedelrey mas há mais gente do Mundo Ocidental que cuspa ácido-arco-íris, kitsch metal, geo-porno e radioactividade animal. Nada de outro mundo para quem fizer parte deste mundo.

à venda na CCC por 2 euros cada, via ccc@chilicomcarne.com. poucos exemplares, prioridade para sócios CCC.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

mensagem telepática nº1


Esquecido no meio da tralha...


FAT32 : Hard Drive (Gaffer; 2011)


Não vi este duo francês na primeira parte da visita dos Secret Chiefs 3 à ZDB mas desde o Boring Europa que tenho esta compaixão pelas bandas que andam pela estrada, e compro qualquer coisa cada vez que vou ver um concerto. Desta vez foi um vinil de 7" bem pesadinho de Noise Rock. Imaginem Lightning Bolt ou Lobster em comunhão de duo dinámico só que invés de se ser a bateria + guitarra é bateria + teclados. Se o Jean Michel Jarre fosse Punk era mais ou menos assim que iria soar - mas sem raios Lazer. O disco tem a mesma música dos dois lados, uma versão mais Rock outra mais Electrónica. A editora tem ligações aos Don Vito recentemente comentados aqui.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011