segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Uma viagem pela Galiza

Pois sim. Esta post so tem fim de dar a conhecer, os sites, as experiencias, e mais as lojas loucas (sempre das vezes frikis) que há na vosa vecinha: A Galiza.

Nesta viagem percorreremos mundos moito fixes.
Bem para os tripeiros ou para os metropolitanos da Lisboa, para já, aquí, uma guía da vida por e para a banda desenhada na Galiza, e da boa.

Pido desculpas se o meu portugues é arcaico, mais um so gozou de um ano a olhar ás ribeiras do Porto. (saudades).

A viagem pela Galiza vai por etapas. Se voce quer ir a:

Ourense, no interior, o melhor prato que pode probar é na capital, degustar a loja do Sindicato del Cómic, uma livraría com muitos fanzines trazidos doutras partes do territorio espanhol. Asim como gran quantidade de banda desenhada, galega e espanhola. E tamben jogos de taboleiro. Os lojistas sao moito porreiros. E aproveitem voces para tomar as aguas quemtes famosas em Ourense, um luxo.
Pronto, em Allariz, ha uma livraría chamada Aira das Letras, tamben tem banda desenhada e muito livro em galego.

Plena festa no 2º aniversario da loja: El Sindicato del Comic. Sao porreiros de mais!!!

Pontevedra. Vaise encomtrar voce com a livraría Paz, muita banda desenhada ao fundo, comic americano, manga xapones, merchandaising, etc. no centro de Pontevedra. Tamben actividades de presemtaçon de livros, coloquios, charlas, etc. Hasta um vermú entre livros.


O vermú que tao bem sabem preparar na livraría Paz.




Vigo amanhece com duas lojas como dois soles. Uma é A banda desenhada livraría com blogue incluido, pequena mais acolhedora. Tambem cunta como jogos de tabuleiro (eurogames e tal). E a outra é De Dados. Esta última nao contem banda desenhada pero sím é uma loja espezializada em jogos de tabuleiro e o que é mais importante: wargames. É fixe!



Jogo de tabuleiro: Leader One. Na loja De Dados em Vigo.

Santiago tem duas livrarias as que nao se pode faltar. A gata tola, livraria pequeninha mas muito porreira, com muito material e moi bom. Banda desenhada e merchandaising, tambem jogos de tabuleiro. Fanzines espanhois, tambem o TMEO o mais importante dos magazines underground. A outra é Komic, pequena e coqueta, sobre tudo bd europeia, moito bom.

Os gajos da Gata Tola em Compostela.




Lugo tem a sua TOTEM livraría. Acredito que é uma referencia na cidade das muralhas romanas. Moito boa. Figurinhas, frikazos de star wars... vamos, a tua loja em Lugo.


Livraría Totem em Lugo. Frikis, frikis, frikis...

A Coruña. Temos a loja por antonomasia na "cascarilla", é a Alita Comics. Grandíssima loja que voçe pode atopar na Ronda de Nelle. Moito delicatessen, caviar do mar preto.

Alita Comics. Muito merchandaising. A grande loja da Corunha.

Em fim, acho que puiden aportar algo dentro dos potenciais leitores destas humildes paginas.

Obrigado gaj@s!

O Pirandárgallo

existe ou nao existe deus?

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Toma lá os 500 paus!

Os cinco membros da Direcção da Associação Chili Com Carne que são o Juri do concurso interno da CCC, Toma lá 500 paus e faz uma BD  já decidiram sobre o projecto vencedor!

E o vencedor é o trabalho The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros de autoria de Francisco Sousa Lobo, romance gráfico de 150 páginas que deverá ser publicado em 2014 na Colecção CCC e cujas primeiras 39 páginas (algumas em esboço) já podem ser vistas aqui:



Foram entregues oito propostas para este concurso, o que pode parecer pouco mas sendo objectivo fazer um livro, o que obriga a uma maior organização e trabalho do que apenas fazer 4 páginas (como é normal noutros concursos de BD em Portugal e no estrangeiro), na realidade o saldo é bastante positivo, havendo até algumas das propostas que tentaremos publicar no futuro.

A escolha foi complicada dada a qualidade das propostas mas o trabalho de Francisco Sousa Lobo sobressaiu pela qualidade do texto, argumento, capacidade de narração e desenho, bem como a forma exemplar como apresentou o projecto.

O Juri deste concurso e a Direcção da Associação Chili Com Carne agradece a todos os sócios que participaram nesta primeira experiência a explorar de forma mais sistemática e organizada no futuro. O impacto desta iniciativa poderá até de mudar a nossa de futuro. Para já, podemos adiantar que dado ao saldo positivo iremos repetir o concurso em 2014.

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Sobre o autor vencedor deste primeiro concurso:


Francisco Sousa Lobo nasceu em 1973 e vive em Londres desde 2005. Faz BD desde 1980 mas a sua estreia em livro foi em 2003 num número da Lx Comics, colecção de novos autores da Bedeteca de Lisboa. Estudou e praticou arquitectura durante dez anos. Agora trabalha em artes plásticas e banda desenhada, e não distingue já bem entre as duas coisas. Expõe em Inglaterra e Portugal - presentemente podem ser vistos alguns originais seus no Museu do Chiado. Estuda a nível de doutoramento (arte) em Goldsmiths College. Participou em vários jornais universitários e no Público. Também publica nas áreas da crítica artística e estética.

Na Chili Com Carne participou no zine Mesinha de Cabeceira / CapitãoCrica Ilustrada e no Zona de Desconforto, este último a sair este ano. Entretanto o seu novo livro The Dying Draughtsman – O Desenhador Defunto está para sair esta semana da gráfica para ser lançado em Berlim.

domingo, 20 de outubro de 2013

À sombra de Deus



Sacred SinThe Shades Behind (Glam-O-Rama + Chaosphere + Raging Planet ; 2013)

O bom trabalho de recuperar o património Metal nacional continua nas mãos de Luis Lamelas, agora chegou a primeira demo (de 1991) e primeiro EP (de 1992) dos Sacred Sin a serem reeditadas em vinil na série The Kult Series. Acompanhado com fotografias da altura e um texto sobre a banda e a sua influência nesses tempos pioneiros de Metal realmente pesado e da edição underground nos anos 90, o disco reproduz justamente esses objectos raros do Metal em Portugal. Os Sacred Sin são Trash pesado já no caminho do Death sem marcar muito musicalmente, só que numa altura que há mais bandas per capita em Portugal perfeitamente inócuas e fáceis de esquecer passados poucos minutos, seja de que género ou sub-género for, recordar uma banda nacional que seja seminal não é um acto tão absurdo como isso. Neste caso até muito antes pelo contrário porque como banda portuguesa foi das que teve mais momentos de glória antes do fenómeno Moonspell. Que venham assim mais discos de culto!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Edições da CCC e MNRG no LAC



É tanta coisa a acontecer que nos esquecemos de algumas... Para quem está no Algarve e não descobre as nossas edições (e dos nossos associados) então a solução é ir ao LAC em Lagos! Já que nunca mais fazemos Bunny Weekends ao menos estamos presentes com livros! E sim o resto do Algarve é um deserto!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

TOMA LÁ 500 PAUS e FAZ UMA BD!!! última semana!!!

flyer de Sílvia Rodrigues
A BD portuguesa queixa-se mas o que falta é iniciativa, como aliás, tudo neste país de deprimidos! A Associação Chili Com Carne é cosmopolita e extremamente saudável para saber o que fazer!

Vamos organizar um concurso interno para se fazer uma BD! Um livro de BD! Um livro com BD's! Um livro de BD's de um autor! Um livro de BD's de vários autores!!! Afinal não sabemos o que queremos fazer...


Para quem?
Para Sócios da CCC com as quotas em dia - não é sócio? então é de tocar neste LINK.

O prémio monetário?
É sim! 500 paus! 500 Euros!

Quem decide o vencedor?
Uma parte da actual Direcção da Associação Chili Com Carne - a saber: Marcos Farrajota, Joana Pires, Sílvia Rodrigues, Ricardo Martins e Rudolfo. Sendo que em caso de algum elemento do juri decida concorrer com algum projecto iremos convocar outros elementos da Direcção para avaliação.

Datas?
7 de Outubro é a entrega dos projectos!
21 de Outubro é anunciado o vencedor!
Dezembro 2013 ou em 2014 é publicado o livro!

Regras de apresentação dos trabalhos?
- O livro não tem limite de páginas e (eventualmente) de formato mas porque desejamos inserí-lo nas nossas colecções já existentes - Colecção CCC, LowCCCost (de viagens), THISCOvery CCChannel (de ensaio, embora ainda não tenhamos editado nada em BD nesta colecção), ... - o vencedor terá mais hipóteses de ganhar se o apresentar num formato das colecções.
- Preferimos o preto e branco mas a cor não está afastada de ser abordada!
- Envio do seguinte material:
a) texto de apresentação do(s) autor(es),
b) pequeno portfolio de 5 imagens,
c) sinopse do projecto
d) planeamento por fases (com datas)
e) envio de 20% do total da BD, sendo que o minímo serão 4 páginas seguidas e 16 planeadas.
- Todos estes elementos devem ser entregues em PDF, em serviço de descarga em linha (sendspace, wetransfer,...) cujo endereço deve ser enviado para o e-mail ccc@chilicomcarne.com

"Mas afinal sempre sabem o que o que querem?"
Sabemos que podem ser estas hipóteses:
- Uma BD longa de um autor ou com parceiros
- Um livro com várias BDs do mesmo autor (desde que tenham uma ligação estética ou de conteúdo)
- Uma antologia de vários autores com um tema comum

Boa sorte!
CCC

sábado, 5 de outubro de 2013

Crack em Paris

O Crack comemora 10 anos e vai mostrar que é o melhor festival do mundo aos arrogantes dos parisienses. Infelizmente por causa das férias não vamos participar - só com livros à venda - mas pelo menos estamos no mapa e no coração da organização romana! Grazie!

Amar como Jesus mamou...



Mandíbula : Sacrificial Metal of Death (ed. de autor; 2010)
Não havia melhor coisa do mundo do que ir ao antigo apartado dos correios (endereço da CCC, MMMNNNRRRG e afins) e apanhar com coisas fascinantes como este CD-R dos Mandíbula, banda Black/ Doom Metal portuense cujo o excelente artwork foi feito pelo ilustrador André Coelho. O livrinho do CD reproduz desenhos de inspiração metaleira, a capa é impressa em papel vermelho candidatando-se ao melhor artwork de disco de Metal em Portugal de sempre - o que não desmerecendo em nada este trabalho, a concorrência também não é muita uma vez que os discos de Metal portugueses são horrorosos com as McKeanadas do costume.

Quanto ao som, admito que o riff da primeira música misturada com metralhadoras e aviões bombardeiros deixaram-me logo de queixo caído da potência da coisa! Cantam em português sem cair no rídiculo dos Dawnrider mas passado um pouco tudo cansa/ irrita porque há que ser fã de Satyricon, Candlemass, Venom e outras extremidades sangrentas. Ter um machado também ajuda... e ser anti-cristão...

Não, não isto não é para meninos!

Entretanto a Ethereal Sound Works e a Caverna Abismal reeditam este pedaço de degeneração cultural e ainda o Ossarium em CD todos pro e bonitinhos. Temos alguns exemplares para oferecer a quem adquirir algum livro em que o André Coelho participe (ver Colecção CCC e Mesinha de Cabeceira). Stock limitado, prioridade para sócios metaleiros!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Negative Dad #1

Nathan Williams, Matt Barrajas e Rudolfo
Set'13; Weed Demon Inc.

Eis um fruto da Aldeia Global quando os "nerds" se encontram. Um gajo norte-americano de uma banda "indie" chamada Wavves conheceu o português Rudolfo, e fizeram uma BD em conjunto. Williams escreveu com ajuda de um tal Barrajas (não sabemos quem é mas tudo bem) e Rudolfo passou nove meses a desenhar o primeiro número desta saga de ficção científica. É uma espécie de Alien Nation (ou NM puxando a brasa à minha moino-sardinha) meets Quarteto Fantástico à Kirby, em que mutantes vivem num mundo como o nosso, com as mesmas coisas de sempre, os cromos são os renegados e os betos reinam na realidade alienada das escolas secundárias dos EUA.
Graças ao formato quase-A4 e os desenhos lambidões parece mais uma BD europeia drogada dos anos 70 do que um comix indie norte-americano. O que têm bastante piada como híbrido cultural. Alguma da narração é bastante pesada e enganadora, parte por excesso de desenho detalhado de Rudolfo (isso é que foi bulir!) e outra parte pela inexperência dos argumentistas nas técnicas da BD. Paradoxalmente os momentos narrativos mais fluídos são nas partes ligadas a umas alucinações (!) que as personagens têm a dada altura. Também a estética "jogos de computador" funcionam de uma forma "errada", ou antes, maquinal. Se o Rudolfo acha que isso faz parte do seu estilo gráfico, acho que deveria aplicar isso aos seus trabalhos a solo e não este que é em parceria. Mas seria injusto não dizer que os desenhos não estão fixes, muito pelo contrário. Os problemas surgem nas estruturas de páginas e vinhetas, cujo peso dos desenhos tornam ainda mais difíceis de leitura.
Seja como for, isto é um começo de uma história e deixa alguma excitação no ar ou pura e simplesmente "weird shit"... Queremos mais! Man, vamos ter de esperar mais nove meses para o próximo número?

terça-feira, 1 de outubro de 2013

The Abolition of Work - part 1

Bruno Borges
(Buraco / Oficina Arara; 2013)

Eis um livro impresso em serigrafia que adapta para BD o texto A abolição do trabalho de Bob Black - muito bem editado em Portugal pela extinta Crise Luxuosa no ano de 1998 - que é um ensaio anarquista bastante sóbrio sobre porque o trabalho deve ser abolido, sendo que a razão mais simples e importante é que o trabalho mata-nos, pura e simplesmente!
Robert Anton Wilson (também editado cá em Portugal) já nos avisou que não nos devemos preocupar com o desemprego, que este aliás é inevitável com a robotização do trabalho, e que deviamos aproveitar o tempo em mãos para fazermos coisas mais interessantes. Talvez seja por isso que fico feliz em ver os "boys" do meu bairro, um "white trash" tuga que só falam de futebol, sentados todo dia e a beber desde as 11 da manhã, porque vejo neles a vanguarda social deste futuro magnífico que nos espera em que deixaremos de trabalhar de forma coerciva. Claro que me enerva um bocado saber que eles passam o dia a mamar cerveja enquanto eu bulo das 9 às 5 mas o mundo é assim mesmo, há pessoas que estão sempre um bocado mais à frente e isso não quer dizer que tenham de ser sempre os burguesitos convencidos pseudo-intelectualóides como eu a estar na linha da frente... Hélas!
Junto a esta ligeira incompreensão do mundo com mais uma outra, que é esta edição, que apesar de porreira, é um pequeno objecto de luxo. Umas quantas páginas impressas a duas cores que custam uns 15 euros... baseadas num texto de teor libertário. E em inglês que é para todos perceberem!
Já sabia que um dia no futuro haveriam de colocar um anarquista em formol num museu de antropologia mas parece que antes disso, os textos anarquistas irão-se transformar em livros de artistas para as elites puderem admirar as suas colecções de obras subversivas. Lembra a escandaleira desta "silly season" em que uma tiazeca qualquer disse era giro tirar "férias a brincar aos pobrezitos". Que paranoia a minha! Realmente acordar de manhã para ir para o escritório faz mal à cabeça!
Graficamente este livro prova que Borges é um dos artistas gráficos portugueses mais fabulosos, o seu traço é tão apurado que tanto resulta em formatos pequenos (como o A6 do Mesinha de Cabeceira #23) como em formatos grandes (como este livro maior que A4) ou ainda realmente em grandes formatos como cartazes ou murais. O uso de serigrafia para fazer manchas amarelas resulta muito bem no trabalho "minimalista" de Borges. A vontade de adaptar o texto de Black na totalidade parece um exercício desnecessário - e até mau - que acaba por resultar em algumas páginas inundadas de texto que por acaso até se lêm bem porque o texto de Black é inteligente e a letra de Borges é arrejada e bonita.
O Buraco, colectivo editorial que pretendia fazer publicações politizadas têm se transformado em mais uns "artsy-fartsys" como milhares de outros pelo mundo fora. Se no inicio o formato de jornal a preço simbólico fazia todo o sentido, as suas últimas edições (incluindo esta) mostram que afinal o que querem é edições artísticas que não serão acessíveis aos... desempregados. Podem afirmar que a serigrafia é cara porque ultimamente tem estado associada a cartazes de edições limitadas (Mike Goes West) ou livros de artistas (Oficina do Cego) mas neste caso até parece-me falacioso a julgar pelo objecto em si, de poucas páginas e sem agrafos... Na cena Punk a serigrafia é considerada uma forma de impressão DIY barata, perfeita para militância e propaganda, mas prontossss... give the anarchist a cigarette!