terça-feira, 1 de dezembro de 2015

As gémeas marotas

Brick Duna
edição anónima, 1975 [2012]

Pensava eu que os portugueses não tinham muito perfil para "partidas" mas se formos a ver bem depois dos narizes vermelhos aos políticos palhaços (em 2005), o Walt Thisney, Black Taiga ou a promoção nacional feita ao Tintin Akei Kongo nos últimos anos... até dá no que pensar, que afinal existe apetência para esta gentil arte do "détournement" e do "rip off" à cultura oficial. Mais ainda quando se encontra um mini-álbum com ar de literatura prá infância e lá dentro é só coelhinhas, meninas e meninos a comerem-se como se tivessem acabado de ler os primeiros capítulos da História do Olho do Bataille.
O rapinanço é óbvio, é a coelhinha Miffy do holandês Drick Buna, que já nos anos 70 tinha sido copiada pelos 'nocas da Hello Kittie mas isto noutro campeonato. E como sabemos que é uma brincadeira 'tuga? Vão as duas prá banheira, onde lavam as mamocas. Lá por serem asseadas, são também duas badalhocas. parece que deixa poucas dúvidas que os textos foram feitos a pensar para rimar em português mas quem sabe? Se calhar isto pode ter sido mesmo editado em 1975 com acedência da editora Een Kat in de Zak Kopen (lol). Tal como as Tijuana Bibles (leiam este artigo, sff!) estas Gémeas são uma versão Hardcore de personagens Pop que geralmente ao abrigo da propriedade intelectual dos seus criadores ou detentores dos direitos de exploração comercial, são obrigadas a serem assexuadas e capadas pelos seus próprios criadores armados em Deus antes do cabrão expulsar-nos do Paraíso. Livros como este vem repor a verdade biológica das personagens. É uma questão de justiça no seio do conservadorismo capitalista. Era mesmo necessário ver a Miffy a levar no traseiro pelo pénis do Ribeiro. Dank u, pá!
E onde se arranja esta depravação? No submundo, claro...

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