sábado, 28 de março de 2015

Morgue - um caixão de zines para troca!




Na Feira Morta que acontece neste fim-de-semana eis que vai haver um CAIXÃO de troca de zines!
Diz quem teve a ideia - a 1359: troca-troca > troca-troca > troca-troca > troca-troca > troca-troca > leva tua publicação velha, ou nova, mas que não quer mais e troca por outra...

A Chili Com Carne vai lá deixar algumas edições...

ccc@feira.morta.smup

cartaz de André Pereira
O que é preciso dizer mais? 
É a FEIRA MORTA
E é na SMUP
Vai ser bom!
Venham!
Go!
!

sexta-feira, 27 de março de 2015

4 fabulosos mini-kus!


O título deste "post" soa pessimamente a sexista, ainda mais quando são quatro autoras! Ah, e não! Não estou a lamber o "ku" a esta malta por terem feito o número especial Portugal / "Desassossego"! Como é normal em qualquer colecção nem sempre tudo o que é editado poderá ser do agrado do público e convenhamos, nem tudo terá a mesma qualidade mesmo que o editor tenha seleccionado as obras segundo um programa que ele ache coerente. Com a mini kuš! já aconteceu isso, números menos bons do que outros, outros geniais (muito poucos) e muitos outros sem graça nenhuma. A colecção para quem não sabe é de formato A6 impresso a cores e com uma BD completa de um autor.
Nesta nova leva de quatro títulos temos um pico de qualidade incrível, os quatro números / as quatro BD's / as quatro autoras são do melhor! A começar por duas finlandesas "veteranas", a Amanda Vähämäki e Terhi Ekebom, a primeira com o seu habitual registo sobre o quotidiano quase-mágico em It's Tuesday mas colorido (o desenho) fugindo à técnica do registo natural a grafite. Ekebom, autora que já esteve presente no saudoso Salão Lisboa 2005, neste Logbook faz uma parábola sobre a dor e doença (e morte?) bastante poderosa e num estilo gráfico diferente do que estava habituado - na verdade há imenso tempo que nada via desta autora e sem dúvida que este mini-livro é um grande regresso. A norte-americana Lala Albert e a francesa Marie Jacotey são uma surpresa como mostram o que são as relações humanas em 2015 com os seus grafismos sujos e desagradáveis (para muitos). Em R.A.T. o "Big Brother" está em grande, mostra um software em que podemos espiar o computador com câmara de outras pessoas - quem espiona, é para eles um passatempo aliás, e é conhecido por ser um "rato". No final a questão quem é que não é "rato" no mundo dos agarrados ao mundo digital. Um mini-livro que deixa em aberto questões de ética. BFF é um triângulo amoroso tão frio que deixa o voyerismo do pecado desarmado, as figuras humanas de Jacotey são tão parecidas com aqueles andróides parvos (vulgo, modelos) das revistas Umbigo ou Dif que nada interessa se andam ou não a comer o cu uns dos outros. Mas com isto não quero deixar a impressão que BFF é fútil, não, é o Ocidente que chegou a este ponto letárgico, e este mini-livro regista isso com perfeição tal como acontece com as BDs de Ruppert & Mulot.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Nuno Metal

André Trindade
Dogma; 2011

Dada à absoulta mediocridade dos documentos sobre o Punk português lembrei-me que tinha este zine perdido em casa para fazer uma resenha! Nuno Metal Rocker é um duplo relato sobre a vida de um punk português dos anos 90. Duplo relato porque a primeira parte do zine é a transcrição de uma entrevista ao dito cujo pelo seu amigo André Trindade numa residência artística na ZDB em 2010; e numa segunda parte é feita um relato visual desse mesmo texto. A segunda parte é bastante curiosa porque funciona pela capacidade do leitor ter absorvido o texto anteriormente e terá de descodificar elementos tão díspares como fotos de Iron Maiden, G.B.H., Doom, Censurados, bófias, um tijolo, o logotipo do PS, concertos em Okupas, X-Acto, skates, mapas, drogas, Festa do Avante, Tédio Boys, prisão, entre muito mais.
O relato oral na primeira pessoa é bastante interessante porque faz um percurso dos dramas de quem cresceu nos subúrbios (sim, este é mesmo "vida suburbana"!) e envolveu-se na cultura Punk a um nível mais de rua e de marginalização social. As histórias são fortes, cheio de dramalhões urbanos (a violência dos skins, os abusos dos porcos dos bófias, as drogices, os squats, etc...) e mostra como algumas pessoas sobreviveram "aquela loucura" - como a geração pré-Morangos Com Açúcar costuma dizer por aí. O realismo é tão potente neste texto e como ainda cruza com algumas informações da "cena" daquela altura (a Bimotor, a Feira da Ladra, a Okupa de Cascais, concertos em Torres Vedras, etc...) que dificilmente alguém poderá bater este documento se quiser estudar o tema. Este sim é o derradeiro testemunho humano sobre o Punk português, o resto são paneleirices assépticas que não interessam a ninguém.

Não sei como podem encontrar esta publicação mas sei que o André Trindade irá estar presente na próxima Feira Morta

terça-feira, 10 de março de 2015

No papel e em três vias! O Relatório 2014 à antiga!

Amanda Baeza, Sofia Neto e Hetamoé a apresentarem o QCDA #2000 no Alt Com, Malmö

O mundo dá voltas e voltas para ir parar ao mesmo sítio... Desde 2012 neste blogue que escrevo um relatório sobre edição independente e fanzines de BD em Portugal para manter a chama acesa de uma tradição que começou em 2000 pela Bedeteca de Lisboa no seu boletim Contador-Mor e mais tarde para o seu sítio oficial bedeteca.com (desactivado ou desactualizado desde 2011) em que se fazia um resumo do ano em volta das várias áreas da BD em Portugal: fanzines, crítica, autores, edições, festivais, investigação e movimentos.

Entretanto, foi-me desafiado por João Machado, do Clube do Inferno, para publicar o artigo anual relativo ao ano de 2014 numa publicação intitulada de Maga. Voltar ao papel impresso faz todo o sentido... afinal para além do Contador-Mor, houve também os relatórios das discussões de 1996 e 1999 promovidas pela Bedeteca de Lisboa e a Associação do Salão Internacional de BD do Porto, recolhidos no Hoje, a BD  1996/1999 (Bedeteca de Lisboa; 2000) - um "livro branco" sobre o "estado da nação" e dos poucos registos sobre a BD portuguesa contemporânea em livro.

A verdade é que 2014 foi um ano de expansão da BD em geral no seu diminuto mercado, e o que passou "em cima" (no mundo comercial) também foi acompanhado "em baixo" (no "underground"). Corre-se o risco de fazer listagens fúteis porque quase todos os pontos que costumo focar nestes relatórios - o número de edições e de eventos, a publicação no estrangeiro de autores portugueses, as visitas de estrangeiros ao nosso país, etc... - revelaram aumento, não só em quantidade mas em qualidade.

Se o "underground" sempre foi uma cena de resiliência - seja na BD seja música ou noutra área criativa qualquer - também é o sítio de pensamento crítico e de atitude e de actos de ruptura. Desde dia 7 de Janeiro que vivemos noutro mundo e publicar o relatório em papel invés de colocar imediatamente em linha parece-me um bom obituário para um mundo passado e muito diferente deste que vivemos agora, com o Futuro mais "incerto" do que nunca.

No que toca à edição independente de BD em Portugal - ou à BD em geral - até parece um futuro risonho. "Risonho?  Deves estar a brincar!?" dirão... Meus caros, depois de tanta miséria franciscana nos últimos 10 ou mais anos, o que está acontecer, com a crise (oficialmente extinta segundo o nosso Governo!) e tudo o que isso significa, 2014 foi uma alegria de edições e acontecimentos. Seguindo a lógica, 2015 vai ser uma galhofa!!!

O artigo já está escrito e intitulado O teu smart-phone ‘tá manchado de sangue! [relatório de fanzines e edição independente de BD em Portugal 2014] deverá sair na próxima Feira Morta (dias 28 e 29 de Março na SMUP, Parede) num livro que colmata 10 anos de ausência de qualquer tipo de publicação de crítica ou ensaio sobre BD em Portugal - com algumas excepções - desde o fim das revistas Quadrado e Satélite Internacional.

Será uma edição entre o Clube do Inferno e a parceria Chili Com Carne / Thisco - colecção THISCOvery CCChannel.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Variações Sobre o Anjo da História/ Ensaio de Walter Benjamin/ Inspirado por “Angelus Novus” (um Desenho de Paul Klee) na Linha de Sombra



Projecto do artista grego Ilan Manouach e do escritor português Pedro Moura, VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL), ou Variações Sobre o Anjo da História/ Ensaio de Walter Benjamin/ Inspirado por “Angelus Novus” (um Desenho de Paul Klee), é uma colecção de quarenta e oito poemas em prosa baseados - mas em permanente fuga - na possivelmente mais famosa imagem de Walter Benjamin, acompanhados por desenhos que exploram tensões quase insuportáveis entre texto e imagem.

Co-publicado por La Cinquième Couche, uma editora de banda desenhada experimental belga, e a Montesinos, a chancela editorial de Moura, com textos em francês e português, VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL) é também um objecto que desenha habitar a zona desmilitarizada e densa que existe entre os domínios da ilustração, da banda desenhada, dos livros de artista, das colaborações, das artes do livro, da reprodutibilidade e de um misticismo impoluto pós-tecnológico.

PVP: 18 euros (20% desconto para associados) à venda na loja online da CCC, Matéria Prima, Artes & Letras, Fábrica Features, Letra LivreNouvelle Librarie Française, Kingpin Books, Mundo FantasmaPó dos Livros, XYZ BooksUtopiaEl Pep e Linha de Sombra.

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Um movimento contraditório de dissolução e acreção de um processo de mitificação do mundo. As ruínas da História, tais como descritas por Walter Benjamin, assumem muitas formas, e muitos são os gestos que procuram restaurá-las, deslocá-las ou então abandoná-las de vez.

As configurações são por isso inúmeras, e as metamorfoses incessantes. VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL) não é mais do que uma sucessão de capturas das formas que se molda nessa tempestade caleidoscópica. As palavras de Pedro Moura apresentam uma paisagem a um só tempo desolada e vibrante populada por personagens dantescas, descritas ora vaga ora meticulosamente, emprestando vozes diferentes a ensejos diferentes, todas detectáveis na mesma localização. Os desenhos de Ilan Manouach, através de várias estruturas e fontes, moldam as proporções exactas destes fragmentos em ruína.

Manouach e Moura já haviam colaborado, mas como comissário e artista. Todavia, as afinidades de ambos foram imediatamente instigadas, encontrando um campo comum electrificado nos seus interesses pelas ruínas da tessitura da realidade, pela natureza efémera da beleza (e a beleza do efémero), pela falibilidade do monumental e a monumentalidade dos dejectos, pelos umbrais entre a vida e a morte, e por execuções precisas e automáticas dos gestos de desenhar e escrever com fim à evasão das costumeiras mistificações da arte, procurando antes concretas fantasmagorias que acabam de despontar.

O filósofo alemão Walter Benjamin - com a sua imagem potente do crítico como aquele que mortifica a obra de arte, que a despoja e desnuda, para transformar o objecto prístino em ruínas e, no seio delas, procurar libertar o seu fogo interior - tornar-se-ia o condutor desta colaboração. O fragmento do “Anjo da História” é um enigma. Tratar-se-á de um desenho de Paul Klee que espoletou um conceito em Walter Benjamin? Ou um ensaio descritivo-criativo sobre uma figura previamente existente? Existirá noutras paragens? Faz sentido falar de exisrência, seja ela actual ou virtual, neste caso?

VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL) tenta revisitar esse lugar de encontros para instigar outros tantos.


Ilan Manouach é o criador de uma mão-cheia de livros que redefiniram a forma da banda desenhada, tais como Le lieu et les choses e Frag, tal como a relação entre texto e imagens com Limbo. Muitos dos seus projectos artísticos exploram “encontros fortuitos” lautreamontianos entre arte site-specific, a instalação, a apropriação, artes gráficas e música, área na qual ele é igualmente um virtuoso saxofonista e manipulador de electrónica.

Este é o primeiro livro de Pedro Moura enquanto escritor, embora tenha publicado contos, poemas e literários objectos não-identificados noutros locais (inclusive uma opereta). Ele é sobretudo um crítico de banda desenhada, escrevendo para o blog lerbd. No domínio da banda desenhada, ilustração e animação, já trabalhou como professor, tradutor, comissário, escritor, documentarista e editor.


Norberto à chuva

Margarida Esteves
La Pie qui aime les livres; 2014

Já tinha escrito sobre o Norberto aqui, esse lamechas que é uma fofura de pessoa senão fosse um urso polar. Adquiri este zine na última Feira das Almas e bem que a autora bem avisou que este volume das "aventuras do Norberto" era diferente.
Fiquei a pensar se isto tinha chegado a uma dimensão tipo "Tijuana Bibles" em o que ia apanhar era um "Norberto vai ao Strip" mas não! Ele continua calminho e "kiduxo", realmente desta vez não "há aventuras" e todo o zine descreve apenas o amor do "urso-pessoa" pela chuva - ao ponto de coleccionar essa água vinda dos céus. Quem disse que os ursos não podem ser "zen"?
Deliciosamente Pop (ou será "Indie-Pop"?) o "Norbas" dá-nos alguns bons minutos de leitura "para toda a família" mas precisamente por causa disso, que venham mais zines do Norberto porque os meses são curtos!

(Só não percebo porque este texto tem o meu "record" de aspas)

sábado, 7 de março de 2015

terça-feira, 3 de março de 2015

Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing

O Cosmos escolhe as coincidências que quer e quando quer. Quis desta vez que em poucas semanas arranja-se uma série de discos com dois características comuns: improvisação e ao vivo!

A começar por uma colecção de discos do guitarrista Luís Lopes (a maior parte deles pela Cleanfeed) que mostra que o seu trabalho tem várias facetas, umas mais terra-a-terra dentro do espírito do Free-Jazz e outras mais radicais como o seu "Metal Machine music" Noise Solo @ ZDB, Lisbon (ed. de autor; 2014). De todos o que mais gostei, admito que deverá ser o mais "careta" deles todos mas a razão é que é também o mais poderoso e com presença. É o Live at Madison (Ayler; 2013) onde toca com Humanization 4tet, um quarteto Free Jazz constituído por Lopes, o saxofonista Rodrigo Amado e os irmãos norte-americanos González - estes últimos uma verdadeira máquina rítmica e amigos do nosso Camarada Hill. Para além disso, a edição inclui um livrinho de 12 páginas com fotografias que testemunham o evento, que curiosamente tem aspecto mais de bar "roskof" de okupa do que um sítio pipi tipo "Hot Club". Assim sim, gosta-se de Jazz!

Quanto a este CD-R daqui do lado apareceu-me pouco depois deste "post" em que indicava a falta de registos editoriais dos anos dourados da Feira Laica. O ano mais forte foi sem dúvida 2006 com a iniciativa de Laica no Espaço em que o Espaço - Centro de Desastres durante 3 meses foi programado pela Laica com concertos, murais, exposições e mercado de edição independente. Ao vivo no Espaço - Centro de Desastres (Dromos; 2010) de Manuel Mota / Afonso Simões é posterior à "programação Laica" mas o que é importante saber é que o Espaço depois da Laica continuou mais uns meses com a "casa feita", isto é, com o nome a rodar pelo underground lisboeta como um espaço cultural louco e aberto a tudo. E era, os donos eram uma cambada de agarrados que não precisaram de fazer nada pelo seu estabelecimento a não ser anotar num caderno quem ia lá tocar nos próximos dias ou semanas. Um sistema de "não-curadoria muito melhor do que a seca que a ZDB se transformou por volta dessa altura, barrando a criatividade e necessidade de espaços para os músicos tocarem. Por isso fosse Punk, New Folk (muito em voga naquela altura) ou Improv foi lá tudo tocar ao Centro de Desastres entre 2006 e 2007. Este CD-R de poucos 25 minutos por pior que seja a gravação apanha o ambiente do sítio e do seu público junkie a apoiar os dois músicos que fazem aquelas barulheiras fixes (?) Free/Improv - aliás, quantas vezes isso realmente acontece (aquele grito "yeah!") nos sítios onde se toca este tipo de música?

Outro registo ao vivo é o do MIA 2012 - 3º Encontro de Música Improvisada de Atouguia da Baleia. É um dos eventos musicais mais interessantes deste país nem porque seja porque é dos poucos que não cansa. Lá porque é música Improvada não quer dizer que não tenha também os seus defeitos e vícios tal como noutros géneros musicais e quem esteja calejado não se aborreça com este tipo de música mas felizmente no MIA, de 15 em 15 minutos (ou menos) há um grupo de músicos que são sorteados para tocarem de improviso no palco formando-se trios ou quartetos que provavelmente nunca tocaram antes. O que dá sempre uma vivacidade ao evento todo e alguma curiosidade (não foi isso que matou o gato?) ao que se irá passar. A atmosfera é relaxada e assiste-se a performances que tanto resultam como não - o texto de Rui Eduardo Paes neste CD-duplo levanta algumas questões nesse sentido - mas pouco importa, a sensação é única e sabemos que o que se ouve e se vê ali dificilmente se irá repetir, excepto se houver gravações das peças elaboradas, claro!

segunda-feira, 2 de março de 2015

Bestiário Ilustríssimo 2 : Bala @ Blitz


É Março de 2015 mas o Blitz parece que estamos em 1995: Kurt Cobain, Björk, Led Zep... e vá lá, uma notícia ao Bestiário Ilustríssimo 2... vá lá vá lá...