sábado, 30 de janeiro de 2016

domingo, 24 de janeiro de 2016

Segura o tchan


Não me digam que Alfarroba (Upset! The Rhythm; 2015) das Pega Monstro foi o segundo e difícil disco - esse mito do Pop/Rock? Demorou três anos para sair e se foi complicado sacá-lo, ninguém diria. A banda das duas irmãs continua a soar fresca tal como um Calippo de limão num verão de amorzinhos despachados a pontapé. Destaca-se neste país encravado entre Garage e Stoner redundantes e o cantautorismo piroso -  no meio é que está a virtude, diz-se. Só os Plus Ultra é que lhe pode dar baile mas isso seria injusto e criminoso! Meterem duas miúdas a lutarem contra três brutos do Porto? Xungaria! Até porque as Pega Monstro tem inclinações mais Pop...
Para quem ouve só negritudes e pica-miolos esta é a única banda solarenga que vale a pena ouvir, garanto-vos!

sábado, 23 de janeiro de 2016

Freddo Freddo Freddo Caldo

Foram realmente tantas as coisas boas que trouxe de Valência que não dava para escrever tudo num único "post". E a Canicola dada a sua forte identidade merece um "post" à parte ainda por cima pela quantidade títulos novos de 2015 que lançaram. No entanto, algo paira no ar de estranho neste projecto italiano...

Começou como uma revista de um colectivo de seis autores que colocaram a Itália outra vez no mapa da BD de vanguarda, isto em 2005. Ao longo destes 10 anos a revista foi-se abrindo para novas colaborações (da Europa, América e Ásia) e à medida que o colectivo ia-se dispersando, ficaram alguns elementos que transformaram-se numa casa editorial com um catálogo irrepreensível. Há alturas que projectos como estes, que primam pela independência também podem ser levados por alguma decadência ou crise existencial.
Ou até pode ser só considerada de mais abertura editorial em que que velhos rezingões ficam aborrecidos com isso e então toca a escrever um "post" má-onda a denunciar o desagrado pela a edição italiana de um livro do polaco Maciej Sieńczyk ou então este número 12 (Germania) da revista dedicada à BD Alemã. Não é que este número esteja mau, pelo contrário, há trabalhos com interesse, embora muitos também sejam aquela fórmula "hipster" de uma ilustração por página. É o excesso de cor burguesa que mina o projecto, é que para mim a Canicola é identificável, mesmo quando os grafismo diferem muito, pelas suas narrativas que nos fazem perder o raciocínio nos labirintos sufocantes do preto e branco - como a "série" nova de Andrea Bruno. As BDs de Jul Gordon e Maria Sulymenko são as que fogem ao registo "Poppy" e entrem nesse clima desesperado da Canicola, as outras BDs deviam estar publicadas noutra editora qualquer, não?

Solitudine de Josephin Ritschel, autora que também colaborou neste número germânico, é uma BD que namora a "estética Canicola" mas ainda assim consegue ser demasiada limpa, linear e clara nas intenções - os alemães só se sujam quando são freaks no Alentejo?
A autora tem um sentido "softcore" para as extravagâncias nas sua exploração da "série B" - em 2011 ela deu nas vistas por ter feito um novo episódio dos X Files em BD. Esta tem uma narrativa que junta uma mulher tecnocrata com fobias, uma lagarta mutante gigante e um cão com cara de Zé Manel da Esquina. Não envergonha o catálogo italiano mas sei que vai ser algo que irei apagar da memória daqui... uns... minutos... Já foi!


L'estate scorsa de Paolo Cattaneo também não convence apesar da primeira vista pareça estar enquadrado nessa Canicola idealizada que costuma oferecer detalhados desenhos a grafite e as densas florestações dos cenários (o maior pavor do Homem). Desagrada-me as caras demasiada alongadas das personagens, a exploração da memória de "teenager" em Itália nos anos 90 mais perto do Verão Azul do que as malandrices de Andrea Pazienza (1956-88) e a tradução de toda a santa onomatopeia e escrito nas paredes da BD (WTF!?). A capa brilhante e a "quatro cores" também sai da linha de produção desta editora que sempre teve a escolha de uma cartolina "quente" para as suas capas bicolores. Todo o livro remete para alguma frieza inesperada que começa na capa e vai até ao fim da leitura da história.

O livro Viaggio a Tokyo de Vincenzo Filosa - autor que já publicamos na antologia Crack On - indicava que ia pelo mesmo caminho também pelas escolhas de impressão/papel/capa. Mas não! O conteúdo é quentinho como um "caldo"! Eis um "original" apesar do autor ter entrado muito mais tarde no projecto.
Romance gráfico que se lê no sentido oriental (como os Mangas, perdão, Gekigas) sobre as experiências da viagem e estadia de Filosa em Tóquio, é um trabalho em que a memória é esticada para 10 anos atrás. Claro que a física quântica explica que é preciso ser mais rápido que a luz para se viajar no tempo, logo, este relato de viagem é de longe "certo" em acontecimentos tirando o facto que todas as Sextas-feiras à tarde há uma linha de Metro na capital japonesa onde acontecem suicídios que atrasam os encontros sociais de fim-de-semana. Zeus!
Esta autobiografia (?) de uma memória impossível de controlar criou auto-ficções e um "alter-ego"? Se sim, temos aqui um "nerd" (um Otaku Ocidental!), com problemas de dependência de analgésicos, já para não falar que se representa como um Gótico da Velha Escola. Apesar destas características repulsivas (sobretudo por parecer um Gótico, arf arf arf) sente-se empatia pela personagem que se expõe mesmo que não se saiba o que é "verdade" ou o que é "inventado". Entre as duas possibilidades, o leitor perde-se tanto como o autor/personagem nos sakes dos karaokes, comprimidos pela goela abaixo, fascínio pelos autores Gekigas (que na altura quase nenhum ocidental conhecia), flirts emocionalmente azarados com uma japonesa e o medo constante de ser deportado por causa da drogaria. Este é o melhor exemplo de como a "literatura de viagem" por países industrializados ainda faz sentido em 2015.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O Gato Mariano Não fez Listas em 2015 : Antologia de B.D.

O Gato Mariano é um "hipster" mentiroso nato, diz que não faz listas mas depois faz! As listas é esta colectânea-zine-A5-clássico de críticas (felinas) a discos do Pop/Rock português que o Mariano no seu onírico incoerente universo cartunesco curtiu ou não.

GNR nem pensar, Vae Solis yup!, We Trust vão morrer para bem longe, AtilA rules! Tape Junk não se percebe mas Allen Haloween respect! Plus Ultra? YEAH!!!

Muitos dos grupos ou álbuns não conheço ou não ouvi e este zine poderá servir para ir ouvir esses discos porque como está em papel, um gajo não se pode esquivar de olhar prás páginas impressas e não pensar nisso - enquanto que a informação da 'net, já ninguém se lembra do bandcamp que ouviu há dois minutos atrás.

Um esforço válido que dá vontade que pró ano o guloso Mariano (o gajo só fala de pizzas ou é impressão minha!?) FAÇA listas de 2016! E coma mais peixe como qualquer outro gato que se preze! Faster, Pussycat! Kill! Kill!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Planta anarquista


Ainda à pouco tempo queixava-me que não havia imprensa libertária em Portugal. Penso sempre nos idos tempos do Coice de Mula ou da Crise Luxuosa e esqueço-me sempre e estupidamente do Mapa - Jornal de Informação Crítica que ainda por cima até publica BDs de dois conhecidos nossos: o galego Jano (Mesinha de Cabeceira Popular #2000) e José Smith Vargas... Este esquecimento passa porque nem sempre se encontra em quiosques ou tabacarias "normais", é preciso procurá-lo e ir aos pontos de venda "de sempre" como a Letra Livre ou a Utopia... mas compensa pela oxigenação que oferece sobre as "notícias" do mundo.
Já agora neste último número (o 11!) escrevem sobre o falecido Vitor Silva Tavares (da &etc) e uma resenha pertinente ao livro Aos nossos amigos do Comité Invisivel (Edições Antipáticas; 2015), um dos poucos livros que explica com romantismo q.b. as insurreições desta década. As Antipáticas juntamente com os Textos Subterrâneos parecem ser a únicas fontes de pensamento contemporâneo libertário fora do "loop" do catálogo clássico da Antígona (ainda em actividade) ou da Frenesi que já não publica. Faltam mais editoras destas para combater a estupidez que nos oferece as Leyas, "ghostwriters", direitinhas disfarçados de enfant-terribles e outras bestas iletradas mas faça-se justiça e engulo o erro: há matéria impressa!!! A todos que lêem este blogue desejo: boas pesquisas literárias!

sábado, 16 de janeiro de 2016

Valência é o centro do mundo...

Lá estivemos em mais uma edição do Tenderete e voltamos sempre de mão cheias tal é a bibliodiversidade que vai parara este evento, que entretanto cresceu imenso ao ponto da "última Laica" - num espaço institucional, "clean", para "toda a família", cheio de gente... E havia de tudo para todos!


Até lá havia fanzines para "garajeros" como Me Gusta Más Que Desayunar Un Herpe que já vai no número 17 dedicado a "homens das cavernas". O "primitivo" faz parte dos ingredientes de quem gosta de guitarras com urros animalescos à procura da inocência perdida do Rock dos anos 50 e 60, aliás o primitivo faz parte dessa era do nascimento da cultura Pop se pensarmos no ícone que são os "Flintstones". Com uma capa em capa em serigrafia, este fanzine mostra desenhos e artigos em volta do tema e "oferece" ainda um CD com treze bandas espanholas retro-primitivas. Para quem gosta deste género anacrónico esta é a referência, da minha parte gostei de ouvir Pedrito Diablo y los Cadáveres e Islas Marshall por serem justamente as mais "modernitas"...

Para "metaleros" mas com costela punk e power-violence estava lá a Industrias Doc que reduz a vida industrializada a cancro, gentrificação e rotinas desumanas. Com um aspecto brutista podemos fazer algum paralelo ao "nosso" Rodolfo Mariano mas Doc é directo enquanto Rodolfo é labiríntico. Oscure : Comic compilation vol. 1 (2014) é curioso como o "underground" no século XXI é super-burguês, longe vão os dias das fotocópias mal-amanhadas e sujas... Nos dias de hoje em que tudo é barato fazer, com um bom aspecto concorrente a qualquer publicação profissional, os zines aparecem com toques de luxo como uma capa em serigrafia, com tinta dourada e umas rodela prateadas a fazer de olhos prá "calavera" da capa. "Ser rebelde é um luxo?" O paradoxo não é novo bastando lembrar como Guy Debord exigia que os livros da Internacional Situacionista tivessem um ar vistoso como provocação gráfica à sociedade burguesa e vaidosa... Será que há esse mesmo pensamento por aqui e noutras edições de "arte grotesca"? Ou é apenas porque a Morte mete respeitinho?

Quem curte programas de culinária e Gore - não sei, deve haver alguém assim! - Mortal Chef (ed. de autor; 2014?) do sempre hilariante Jorge Parras é a solução de leitura!
Lembra a saudosa Arght! pelo aspecto geral da publicação... mas só publica uma BD (não está assinada sabe-se lá porquê) que se constrói como uma simulação dos concursos de TV de chefes cozinheiros só que refogado com um bocado de Carcass, Cannibal Corpse e Mike Diana tal o nível de violência estúpida que os concorrentes infligem sobre eles próprios.
É uma crítica à sociedade Big Brother e do Narcisismo a três cores... Ou será antes um ataque a quem elegeu a Culinária como um novo Deus?

E para verem que não estou a brincar com o facto que Valência é o centro do mundo, até o Clube do Inferno lançou lá um zine novo do Mao. Um regresso aos temas "eco-biológicos" que estão bem assentes na obra deste autor - Radiation lembram-se? - e outra vez visíveis nesta Bd que relata uma metamorfose de uma colónia de abelhas graças ao "Pop trash" humano. Colony Collapse Disorder como título já nos conta tudo, só falta é verem as imagens. Muito boas!

Bravo Champion (Jean Guichon; 2013) de Antoine Erre é a razão porque mais vale ir ao Tenderete do que a Angoulême. Este zine é preçado conforme o preço da cerveja no evento em que se encontra à venda. Ora como uma "cerveja" é mais barata que uma "bière" e já andava a namorar este título, em Valência foi logo sem pensar... Trata-se de uma BD desenhada com caracteres em "word" ou processador de texto num computador, em que as imagens são substituídas por palavras como por exemplo, o céu invés de desenhado é preenchido por várias palavras "céu" (ou melhor, "ciel") ao longo do seu espaço. Um chapéu tem a silhueta de um chapéu mas novamente toda ela está escrita com essa palavra ("chapeau").
Na poesia visual isto não é uma novidade mas um gajo tem sempre de esperar uns anitos para estas novidades gráficas cheguem a ela. A história mete deficientes motores e é melhor que aquela BD xunga para cegos.
Por falar nisso, o Ilan Manouach vai apresentar o seu projecto Shapereader em Angoulême. Merde! Se calhar Angoulême ainda vale a pensa visitar...

Mais terror, ou pelo menos uma tentativa: Obscuro : 4 Relatos de Terror para El Mañana (Inefable Tebeos; 2014), uma antologia com quatro autores que prometem mais do que dão em relação ao tema... Victor Puchalski é o mais bizarro com a sua estética "mash-up" Charles Burns & Jack Kirby & King Diamond sobre os planos interdimensionais da cultura VHS mas é Adrián Bago González o que dá mais gozo ler com o seu texto em que aplica o materialismo dialéctico sobre a condição de autor de BD. No mínimo, muito divertido e pouco aterrador! Mas a surpresa maior é que este colectivo de bons artistas gráficos é que são na realidade editores de "puta-madre" sobretudo quando se metem a apostar (uma aposta de loucos porque toda a gente se está a cagar) em publicar Clássicos da BD. "Clássicos" aqui significa BDs antes ou paralelas à maldita História oficial da BD que dá primazia aos Heróis norte-americanos da imprensa, vejam o catálogo da El Nadir para perceber que eles publicam BDs do Caran d'Ache, Töpffer, Doré, etc... São loucos estes valencianos!

E o que não faltam é projectos! Nimio é uma "revista" de BD para putos teenagers... claro que tem um aspecto de fanzine velha-guarda, assim mesmo em formato A5, fotocopiado em papel reciclado, quentinho e fofo, onde poderia lá caber os "nossos" André Pereira ou Afonso Ferreira devido aos universos "cool" pós-Adventure Times. Também lembra muita BD francesa pós-Lewis Trondheim e cia. Será que este colectivo irá crescer como modelo editorial e profissional para chegar ao seu público-alvo? Espero que sim! A energia está lá...




A Apa Apa é uma editora de Barcelona que tem em catálogo alguns nomes "pesos-pesados" da BD anglo-saxónica (Tom Gauld, James Kochalka, Dash Shaw, Ron Regé Jr., John Porcellino,...) mas também edita autores espanhóis dos quais destaco os autores do livro Dictadores: Francisco y Leopoldo (2013) de  Sergi Puyol e Irkus E. Zeberio. A nossa Direita, Leopoldo II, esse grande cabrão belga que cortava mãos aos congoleses (tema explorado cá através do Vumbi e o Papá em África) e ainda mais à Direita o filho-da-puta do Franco, fascista espanhol. Um "split-book" combate de boxe com duas ficções gráficas usando as figuras destes monstros que dominaram povos. A "spread" final e central do livro, onde se cruzam os dois livros, deixa um bocado a desejar onde se quer chegar com ambas BDs apesar de mostrarem a crueldade das criaturas. no caso de Franco até aparece como um salvador de uma invasão alienígena no futuro, uma metáfora ao seu conservadorismo. Graficamente faz lembrar a estética que a No Brow impingiu nos últimos anos, em que ilustradores muito coloridos fazem umas BDs sem conteúdo. Estas BDs parecem estar no limite disso mas parecem que com o tempo são capazes de nos dar mais leituras sobre elas... Assim espero!

E vou fechar isto aqui... falta ainda escrever sobre as últimas edições da Canicola, o Mangaro do Le Dernier Cri e o último livro do Camarada Martin Lopez Lam (um dos fundadores do Tenderete)... todos merecem "posts" à parte. Vamos!

Joe Kessler faz parte da nova fornada de autores que apareceram naquela ilha nojenta chamada Inglaterra mas a sua abordagem à BD parece-me empenhada e séria - longe de fazer Bd porque está na moda por lá. Windowpane (Breakdown Press) é a sua publicação que já sairam três números (entre 2012 e 2015) em que vai juntando vários trabalhos curtos seus. Com boas bases literárias, narrativas bem pensadas e um desenho merdoso (já foi apelidado como o "pior artista da ilha") mas sem-medos (tal como Frank Santoro) e sem pudor de rapinar (é um gajo inglês, piratear está no sangue real!) e usando as práticas erráticas da risografia, Kessler é uma boa leitura e a ter atenção.

Alguns destes títulos vão estar disponíveis na próxima Feira Morta no final do mês na SMUP (Parede), apareçam...

este é que é o verdadeiro INFERNO / metade da edição esgotada!


A Divina Comédia de Dante Alighieri (1265–1321) é daqueles livros que toda a gente já ouviu falar mas terão sido poucos os que realmente o leram.

O Inferno tem nove círculos nos quais as almas dos condenados são punidas de forma burocrática. Entre elas vamos encontrar alguns dos inimigos de Dante – entre muitas coisas, esta obra também é uma sátira política. Dante viu o nascimento do Capitalismo tal como o conhecemos e criticou os novos ricos do seu tempo.

Quando Marcel Ruijters trabalhava neste livro, havia cada vez mais conversas nos media sobre a morte do capitalismo. A edição original holandesa saiu meses antes da queda dos mercados de 2008.

Esta adaptação que é feita num estilo de “gozo medieval” é a forma que Ruijters encontrou de criar interesse pelo texto original.

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edição MMMNNNRRRG
120p. p/b, capa 3 cores, 165x230mm
500 exemplares impressos em Dezembro 2012 
ISBN: 978-989-97304-5-8
tradução: Ondina Pires --- arranjo gráfico: Joana Pires

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PVP: 15 Euros 

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Feedback:
Inferno é o melhor trabalho de Marcel Ruijters, um dos livros mais hilariantes nos tempos recentes. A versão de Ruijters do La Divina Commedia de Dante é uma pastiche grotesca com belos desenhos (…) cheia de trocadilhos visuais à Tex Avery, que deixa os leitores em risinhos. Relatório do Júri VPRO para melhor BD holandesa de 2008
Inferno é cheio de horror e humor. As surpresas e piadas aparecem sobretudo nos detalhes dos seus robustos desenhos. De Groene Amsterdammer [jornal holandês]
Quando se compara com a arte, obrigatóriamente romântica, de Doré, os desenhos de Ruijters são fixes e excitantes. Ele alterou uma obra clássica com aprazível malícia. Elsevier Weekblad [jornal holandês]
Já tenho um exemplar; e está uma maravilha!!! :D Mr. Esgar [e-mail 19/12/12]
André Coelho também curtiu mas disse palavras profanas que nos impede a reprodução [19/12/12]
diálogo intenso com Dante (...) não se poupam as críticas ao poder temporal, à mesquinhez quotidiana e aos expedientes comuns de corrupção, na ascensão social e no enriquecimento fácil. (...) uma releitura pertinente à luz do presente. Sara Figueiredo Costa / Atual / Expresso  [4 estrelas em 5]
Ruijters alcança aqui um acto alquímico Pedro Moura / Ler BD
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Historial:
- Melhor BD Holandesa 2008 
- edição portuguesa lançada na última Feira Laica (Lisboa) e na Mundo Fantasma (Porto) com exposição de originais e serigrafia impressa pelo atelier Mike Goes West em Dezembro 2012
- edição francesa pela The Hoochie Coochie em 2013
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algumas páginas aqui:




foto: Paul Gravett, em Ravenna (2007)
Marcel Ruijters nasceu em 1966, cresceu no sul da Holanda e frequentou durante alguns anos uma escola de arte nos anos 80. Desde os 7 anos que fazia BD. Com ao advento das fotocopiadoras que tornavam a auto-edição possível para toda uma geração e Marcel viveu esses tempos fazendo títulos como Onbegrijpelijke Verhalen, Mandragoora, Dr. Molotow, Fun&Games, Thank God it’s Ugly e vários monográficos raros, sendo que algumas destas publicações eram antologias com colaborações de vários artistas que Marcel descobriu em vários países como Matthias Giesen, Daniel W. Core, Chris Crielaard, Jakob Klemencic, Prof. Bad Trip, Karen Platt, Mike Diana, Berend Vonk, Kapreles, Matthias Lehmann, Olle Berg – tudo isto nos tempos antes da Internet, claro!

Actualmente é editor da revista Zone 5300 (de Roterdão, onde o autor reside), escreve crítica a BD no jornal Dagblad De Limburger, faz ilustrações, traduções e tudo o mais que é preciso fazer neste mundo da edição. O seu livro mais conhecido será Trogloditas, que teve edição holandesa (pela Oog & Blik), norte-americana (Top Shelf Comix) e portuguesa (Polvo).

Com Sine Qua Non mudou de estilo gráfico e começou a explorar o imaginário medieval, tendo o livro sido editado pela prestigiada Les Editions de l’An 2. A continuação deste novo estilo é Inferno, livro ganhou o melhor álbum de BD na Holanda em 2008 e que chega a Portugal pela MMMNNNRRRG.

Apesar de já ter participado em várias exposições colectivas em Portugal – como a celebre Honey Talks na Bedeteca de Lisboa, organizada pelo colectivo esloveno Stripburger – Ruijters terá a sua primeira exposição a solo na galeria da Mundo Fantasma em Dezembro 2012, sendo feito para a ocasião uma serigrafia pelo Atelier Mike Goes West.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

É um país de lobos...

Norberto Lobo - João Lobo : Oba Loba (Shhpuma; 2015)

Admito que gosto do que ouvi do Norberto Lobo até hoje, longe mim ouvir gajinhos com guitarras acústicas no dia-a-dia. A verdade que gostei da sua estreia, o resto da sua discografia nem ouvi por preguiça e fugindo aos "hypes". Os Lobos todos juntos gostei imenso de Norman... Agora aparece um outro OVNI musical (cada vez há mais discos voadores em Portugal) que é este Oba Loba, uma música de câmara para uma banda sonora de um filme italiano que já não pode existir.

Há um cheiro a "clássico" como se o disco tivesse sido tirado de uma prateleira das freakalhices Prog e afins dos anos 70, daquelas que metem folk, jazz, improv e algo mais numa viagem sonora. Cheira mas não fede a mofo... Enganem-se quem procura um modelo temporal e de género, a capa é aliás excelente para descrever a música, os frescos revelam o tal "clássico" ou a música para kotas que já não abanam nem a cabeça nem as ancas mas o "flash" da fotografia é uma metáfora para os estilhaços que se ouvem, um erro de amador que só jovens compositores (ou fotógrafos) podiam trazer para a música continuar fresca e justificável no século XXI. Um dos álbuns de 2015 sem dúvida, para colocar ao lado de outros álbuns mas de BD de um outro Lobo...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Serigrafia LOVE HOLE - último exemplar


Desenho de Afonso Ferreira, inspirado no livro Love Hole.
Impressão de Lucas Almeida. 50x70cm, duas cores, 20 exemplares assinados e numerados.
Lançado na mostra Love Hole na Purple Rose Erotic Shop em 2013.

Último exemplar aqui.


domingo, 3 de janeiro de 2016

Venga Boys'reunion conference press


Tenderete depois de 12 horas de carro... tudo aqui

ccc@tenderete.XI


Bamos amigos al Tenderete, coño!
Y levamos con nosotros el Clube Del Inferno, qui miedo!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

International working in progress press

É injusto não referir alguns projectos editoriais por falta de tempo nem que escreva dez linhas apenas. Um dos injustiçados é Cinema Zenit (Canicola; 2014-15) de Andrea Bruno - autor de Bolonha publicado no Boring Europa e que nos visitou várias vezes (Feira Laica, Festival de Beja, BD Amadora). "Zenit" é uma série que ainda está em construção, tem sido publicada em álbuns A3 de 32 páginas e já sairam dois volumes, o último em 2015. Sinto que entrei num filme degradado de Fellini pois há um ambiente de sonho que lembra os rodopios narrativos de Amarcord ou Oito e Meio. O formato gigante dos livros dá uma sensação de esmagamento pelo monolítico preto e branco de Bruno. O tema principal é a identidade nacional de um indíviduo que pode-se transportar à própria questão da nacionalidade italiana (uma manta de retalhos costurada por Garibaldi) mas também aos conflitos dos Balcãs nos anos 90 e às crises recentes envolvendo a Ucránia e a Rússia. Em "Zenit" vive-se um estado de ansiedade com um estado de sítio. Talvez esteja seja a obra mais nervosa de Bruno...

A revista eslovénia Stripburger é capaz de ser a publicação de BD mais velha na Europa no activo depois da suiça Strapazin. Mas enquanto os piços dos suiços ficam-se pela língua alemã, os renos dos eslovenos publicam em inglês - ou com tradução inglesa. Depois de alguns anos de alguma decadência da rotina do formato, nos últimos três anos tem dado provas de um novo fôlego e em especial nos últimos dois números (65 e 66) com a edição de uma nova geração de autores interessantes - especialmente franceses, flamengos e alemães. Eslovenos ou dos Balcãs é que não há quase nada a vir de lá - tão paradoxal como um concerto de Laibach...
Uma revista é para se ir acompanhando número a número, a Stripburger é aquele "lembrete" para os tarados da web 0.2 que se esqueceram o que são revistas. Ela têm cumprido a sua parte... e vocês?  Assim aproveito para relembrar que a Chili Com Carne tem um número desta revista para venda na sua loja em linha. Quem procurar mais números antigos (em Portugal) deve investigar as lojas lisboetas 1359 e El Pep e creio que também há na Mundo Fantasma.

Cari amici soldati
Srečno novo leto!