sábado, 30 de abril de 2016

ccc@morta_ZDB


A Zé Dos Bois que achava que feiras de fanzines era uma freakalhada vai ter uma finalmente uma, 12 anos depois da última! 
Lá estaremos!

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Cascais é demais!



Booze Abuser : Noise for the Drunk (Dog City; 2016)

Tirando os Serrabulho o Festival de Barroselas estava cheio de bandas que se levam a sério em demasia. Ouvir este EP é um ar fresco neste meio underground da música pesada portuguesa cheia de velhinhos Peter Pans! Booze Abuser é Trash Metal directo ao assunto na facção Beer Metal (Heil Tankard!), tem o melhor logótipo de sempre para banda ou seja o que for (quem me dera ter um zine com esse logo!) e a capa reflecte a banda na plenitude - as suas letras e capacidade técnica. Editado na editora mais xunga de 'tuga. Isto é que é!

Gracias Camarada Fom-Fom!

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Mundos em Segunda mão, vol.1 ... últimos exemplares!!!



Mundos em Segunda Mão
por Aleksandar Zograf
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bds-crónicas publicadas na revista Vreme, na Sérvia, e depois um pouco por todo o lado. Em português. várias páginas AQUI
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68p. 17,6x22,5cm a cores ... ISBN : 978-989-97304-0-3 ... Traduções por Dejan Stankovic e Sara Figueiredo Costa ... legendagem DTP por Marcos Farrajota ... Design por Joana Pires.
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PVP: 13€, à venda na Shop da CCC, Fábrica FeaturesMundo FantasmaObjectos MisturadosLetra LivrePalavra de Viajante e Pó dos Livros.

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Historial: Lançamento no VII Festival de Beja com a presença do autor
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Feedback: recomenda-se (...) vale a pena conhecer o universo único deste autor, da arqueologia da cultura popular a entrevistas com artistas contemporâneos, passando pela análise de estranhos (mas reveladores) objetos encontrados em feiras da ladra e alfarrabistas por toda a Europa. JL ...
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Aleksandar Zograf (1963, Pancevo) é um autor sérvio de banda desenhada que não deveria ser um nome estranho ao público português porque já cá esteve presente três vezes – uma, no Salão Lisboa 2003 e as outras no Festival de BD da Amadora. Dessas visitas, pelo menos duas incluíam uma exposição de originais seus e para além disso já foi publicado nas revistas Satélite Internacional, Quadrado, Underworld / Entulho Informativo, mais recentemente em antologias da Chili Com Carne: Crack On (2009), Talento Local (colectânea de bd's autobiográficas de Marcos Farrajota, em 2010) e Boring Europa (2011).
Nos últimos anos, têm havido um esforço ou interesse de completar a obra do autor. Nos EUA, foi publicado o volume Regards from Serbia (Top Shelf; 2007) que resume toda a "segunda" fase da carreira de Zograf e que (infelizmente) cruza-se com a auto-estrada monstruosa da História, mais especificamente com o desmembramento da Jugoslávia e dos conflitos dos Balcãs dos anos 90. Esta é a melhor e mais completa edição da vida em guerra do autor, incluído relatos em bd dos primeiros conflitos na ex-Jugoslávia até à queda do regime de Milosevic. Zograf e a sua mulher Gordana Basta vivem em Pancevo, alvo militar dos bombardeamentos da NATO em 1999 por ser uma cidade industrial e suburbana de Belgrado. O livro inclui bds desses períodos bem como ainda e-mails escritos, que Zograf enviava para a sua vasta lista de contactos da comunidade artística internacional atravessando as “linhas inimigas”. Essas bds, bem como os textos dos e-mails, foram editadas em várias antologias ou livros monográficos longe do controlo de ambas partes do conflito - creio até que será das primeiras guerras em que se perdeu o controlo de informação devido ao advento da Internet.
Zograf criou um documento único sobre (um)a Guerra, para além de ter mantido alguma sanidade mental graças ao apoio moral que recebia dos seus amigos e conhecidos estrangeiros. Estes contactos apareceram na "primeira" fase da sua carreira, em que se especializou em fazer bds e desenhos em estado hipnagógico - estado transitório entre o sono e o acordado. O trabalho desta fase é reconhecido pela lógica gráfica de "cartoons" desengonçados e grotescos provavelmente influenciada pelo seu trabalho num estúdio de animação. Publicou em fanzines editados por si (os primeiros na Jugoslávia?) e eles serviram para fazer intercâmbio internacional - afinal de contas não são os zines uma Internet avant la lettre?
A dada altura passou a ser mais publicado fora da Jugoslávia que no seu próprio país de origem, tendo uma projecção global graças aos livros ou aos "comic-books" editados pela Fantagraphics Books nos anos 90. Desde 2003 que Zograf passou a escrever e desenhar duas páginas de bd a cores para o semanário Vreme - uma revista de informação independente que sobreviveu os embargos económicos, as guerras e Milosevic - como o Zograf afirma «se aguentaram isto, aguentam tudo». Esta colaboração têm constituído a sua obra desde então, e curiosamente é o regresso de Zograf à sua língua materna, talvez por isso que é fácil de reparar um certo gosto pelos blocos pesados de escrita nestas bds. Bds que continuam a ser crónicas como o autor nos habituou com Regards from Serbia, mas agora afastada dos conflitos militares e viradas para três vectores de conteúdo. O primeiro, é a adaptação de textos do século XX cheios visões estranhas (ou cómicas para os nossos dias) graças a uma peculiar investigação de campo nos alfarrabistas e Feiras da Ladra do mundo. Segundo, relatos das suas experiências de viagens, a maioria realizadas graças aos convites de festivais de bd pelo mundo inteiro, aproveitando para encontrar detalhes bizarros ou choques culturais. E terceiro, entrevistas a autores, sejam de bd como o mestre Will Eisner (1917-2005) ou músicos Rock como Jonathan Richman (publicada na Underworld). No fundo, há uma espécie de arqueologia cultural “sub-pop” porque quase sempre incide em artefactos encontrados pelas "feiras da ladra" e que voltam à superfície pela mão do autor.

domingo, 24 de abril de 2016

Necromancia Editorial - photoreport














Fotografias por André Henriques




Fotografias por Pedro Roque

ccc@swr.2016

Satanismo light, moino-mutantes e anarqueer eram as propostas da CCC para os metaleiros, ao nosso lado o murciano Magius tinha o seu livro Black Metal Comix que foi sucesso de vendas!

Joana, Catarina e Marcos: os anti-metaleiros presentes neste grande festival!

André Coelho, o boss da Signal Rex e o Farrajota, poseurs do caralho!
 

De resto, trouxe de lá duas pérolas pequenitas, porreiritas e cromas, a saber: The Beast Brigade (Deathstar; 2008), segundo álbum dos Theriomorphic que praticam Death Metal old-school fixolas... E El Mago (FOG Comix; 2016?) novo zine do espanhol Magius que explica tudo sobre magia, sim isso é possível! I believe!

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Cadernos de Fausto : ÚLTIMOS EXEMPLARES


Cadernos de Fausto
de Rafael Dionísio
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Trata-se de um livro que orbita recursivamente em torno dessa personagem tentando defini-la de uma maneira obsessiva. São pequenos textos que funcionam simultaneamente ou como capítulos de uma biografia sem factos ou como capítulos de um romance que não existe. Assim temos que o livro é de um género híbrido, algures entre a ficção e a poesia, num lugar não determinado. Uma das características do livro é ter algum grau de experimentação sintáctica e semântica. É um livro, literariamente, encorpado, denso e profundo.
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volume 7 da Colecção CCC
164p. 21x14,5 cm, edição brochada
ISBN: 978-989-95447-0-3
Capa ilustrada por João Maio Pinto, paginação por João Cunha / Ecletricks
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excerto:
fausto na floresta observava a matéria viva como se esta o observasse. se ele tinha consciência da aragem e do minotauro de troncos também tinha consciência que a floresta era tudo de si próprio. assim sentia-se observado observando.
como se houvesse perigo por estar no centro da floresta, como se pudesse ser fagocitado como uma célula estranha a um organismo.
por vezes fausto chamava floresta à floresta, com o seu chão de musgo, com as folhas ecossistema caídas com todos aqueles riscos e mais riscos, tracejados de troncos, tramas, e tinha sonhado que estava a aprender a desenhar florestas.
por vezes fausto chamava à floresta "o inconsciente" ou "o meu esquecimento".
e deixava a sua mão deslizar na caruma. e sentia-se bem portanto.
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PVP: 15€ (50% desconto para sócios, jornalistas e lojas) - à venda no site da CCCFábrica Features, Matéria PrimaLetra LivreArtes & Letras e Pó dos Livros. Versão e-book na Todoebook
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Historial: Lançado no dia 14 de Junho 2008, na Almedina Atrium Saldanha, com apresentação de David Soares e presença do autor ... livro lançado no âmbito dos 10 anos da Chili Com Carne - "comemoração 8" ...
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Feedback: ler aqui crítica de Pedro Moura in Cadeirão de Voltaire

NeCROmanCIA ediTOrial IV @ Barroselas Metal Fest

cartaz de André Coelho

Tal como acontecendo no Milhões de Festa, a Necromancia Editorial vai para o vizinho e fantástico Festival SWRYeah, deboche visual em Barroselas com André CoelhoMarcos Farrajota e o convidado especial Magius (de Espanha), autor do poderoso livro Black Metal! Domingo há conversa com os autores no SWR café!
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Co-organização Chili Com Carne e Signal Rex com o SWR

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Um arco-íris da sarjeta à barragem

As compilações nunca são perfeitas e ainda bem, senão o mundo seria impossível de aturar depois de uma antologia sem falhas! Seria uma Utopia!
Ventos Acinzentados é o regresso de uma editora de k7s dos anos 90, a Anti.Demos-Cracia, agora com novo fôlego ao ponto de fazer uma k7 com hora e meia de música!
Ouvi-la é como ouvir uma rádio em que não se sabe o que vamos ouvir a seguir (lembram-se da rádio quando era assim?) com todos os altos e baixos que isso implica. O lado A é demasiado dado a Gótico que se vomita de tanta parolice anacrónica mas salva-se logo com a participação de John Cooper Clarke, um ícone Punk que aqui debita o British Old Fart que é mas como se fosse buddy dos The Last Poets. É sem dúvida um dos momentos altos da k7, obrigado Manifestis Probatum!
Em termos globais o que impera mais por aqui é electrónica pós-industrial que lembra os saudosos tempos das colectâneas da Thisco - alguns nomes coincidem como os dos nossos camaradas Hist e Rasalasad. Alguns projectos enchem-se de funcionalidade dançável outros vão pelo Dark Ambient e pelo experimental. É este último grupo que torna a audição estimulante como Hesskhé Yadalanah, Flare, Teatro Grotesco (aquela onda old-school de bater em chapas), Resíduo, Vendaval Art Project e Hyaena Fierling (Iana Reis) revelando-se uma grande misturada de projectos antigos e defuntos, renascidos a soro e novas glórias. Que importa? A música não deveria ser intemporal? Não é para responder basta pensar numa mixtape para um amigo onde se pode gravar Ramones mortos e pitas novinhas em folha Pega Monstro...
Por fim é impossível não referir os Erros Alternados que não sei se é falta de talento ou mongolismo agudo mas é sem dúvida algo que não deixa ninguém indiferente... boa sorte!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Anarco-Queer@Time.Out

a ilustração é da Hetamoé

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Limbos


Acho que foi na semana passada que li que houve um romance escrito por um computador que quase ganhou um prémio literário no Japão. Em Viana do Castelo os Vircator já são essa realidade criativa, quatro marmanjos programam algoritmos Post-Metal tão certeiros que enchem tanto o CD de riffs certinhos e batidas certinhas que já não cabe originalidade nenhuma. O texto do computador nipónico seria melhor? Não sei... mas pelo menos a capa do disco auto-editado At the Void's Edge é dentro de um género pictórico Pop sci-fi das melhores coisas feitas neste país. Os desenhos - há mais um dentro do digipack - são assinados por Hanna Baer (o site é velhinho não faz jus a este "artwork") e é por ela que escrevi sobre o disco...


Limbo de Filipe Felizardo e Margarida Garcia foi editado em k7 (a melhor música nos dias de hoje é editada em k7 sabe-se-lá-porquê) pela suiça Dead Vox (a melhor música portuguesa nos dias de hoje é lançada lá fora sabe-se-lá-porquê). Guitarra e baixo definem esse espaço escatológico chamado de "limbo" onde vão parar os inocentes que não foram baptizados - este sítio foi entretanto "cancelado" pelo "Papa Rato" em 2007. O duo em forma de improvisação eléctrica consegue dimensionar esse mito religioso com feedback controlado, Blues estragado e sujidade sonora. Lento e físico, o trabalho é etéreo ou infernal? Qual o valor maniqueísta do Limbo? Aqui é bom...



O Metal está morto, enterrado e cheira mal. Se parecer um exagero pelo menos pode-se dizer que se tornou conservador e vive de revivalismos e reanimações estranhas - há sempre excepções como os Spektr. Que eu saiba já há metaleiros que se parecem com os garageiros, afirmam só ouvir Metal até 1990 e tal, depois disso não interessa o que vem para a frente. Talvez para acarinhar esses velhos (de idade e cabeça) o mercado deste género musical confirma o "Simon says" sobre a "retromania da Pop" e o Metal actualmente faz recombinações de estilos e sub-géneros antigos sem puxar a carroça prá frente. Quanto mais para trás melhor e quanto mais tradicional mais suor fraternal oferece - "como deveria ser" diz a publicidade de uma das edições que aqui escrevo.
Este limbo existencial é bem visível nas duas recentes edições da Chaosphere, uma reedita Vast dos Disaffected e outra lança o novo disco dos Extreme Unction, 20 anos depois do primeiro álbum. Reactivados, se calhar, com um sonho daquilo que não fizeram quando gravaram o seu único disco, os Extreme Unction repetem o que os Disaffected fizeram também em 2012, passados 17 anos depois do único álbum - Vast - lançaram um disco novo pela alemã Massacre. Ambos casos, por muito que os discos estejam muito bem produzidos, a verdade é que as bandas construíram máquinas do tempo ao ponto de não desvirtuarem as origens dos projectos. O problema é que a sujidade e a selvajaria de quando se é puto cheio de sangue nas guelras foram sugadas por essa mesma máquina. The Last Sacrament é Doom / Death balançando-se entre o "minimal headbanging" dos My Dying Bride e o "groove" de Malevolent Creation. Tal como os Vircator está lá tudo perfeitinho mas não bate. Falta o desempenho descontraído da juventude. E quando se envelhece mal num género de sub-cultura juvenil, a coisa fica azeda...
O mesmo aconteceu aos Disaffected quando voltaram com Rebirth. Em 1995 estrearam-se com Vast, uma obra-prima Death-Prog. Com guturais omnipresentes, é uma viagem hermética que ombreia os grandes deste sub-género: Meshuggah, os seminais Atheist (os inesperados bongos de Dead in my dreams não enganam a influência), Cynic (ambos partilham uma cena cósmica setenteira) ou Theory in Practice. Ganhou esse estatuto e passados estes anos todos continua intocável. Até ao nível visual! A capa faz ainda sentido em 2016 mesmo "em miniatura"... no pequeno formato de um CD. Isto em LP é que era! É raro tudo correr bem com um disco português, este é dos casos completamente harmonioso. Até a nova versão comemorativa está bem feita, a Chaosphere não brinca em serviço, incluindo na edição mais uma versão de Slayer e brincadeiras gráficas, uma delas é o CD que salta como um "pop-up" ao abrir-se o Digipack - o designer Chemega fez igual com os Crewcial há uns bons anos atrás. E ainda são incluídos os temas de uma demo-tape de 1994 para quem sofre de obsessão anal de coleccionismo. Zeus! As editoras escolhiam mesmo quem contratavam ouvindo esta podridão!? Outros tempos, sem dúvida, bem representados por esta edição que é uma cápsula do tempo que deveria estar em casa de qualquer um. Metaleiro ou não, sofredor de síndroma de Peter Pan ou não.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Algumas pessoas depois ::: últimos 10 exemplares!


novo romance de Rafael Dionísio
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capa e desenhos de André Ruivo
design de João Cunha / Ecletricks
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204 p. 21 x 14,5 cm, capa a cores
ISBN: 978-989-8363-09-1
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11º volume da Colecção CCC
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PVP: 15 eur. (50% para sócios, lojas e jornalistas)
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sinopse:
trata-se de uma história sobre a perda, sobre a psicologia profunda das personagens, sobre o ciúme, a perda afectiva, a perda do controle emocional. Retrata no seu modo de narrar diferente o começo e a derrocada psíquica de um indivíduo. É também a história de um triângulo amoroso e de um homem que tentar resistir a afundar-se. Pelo meio vão ter lugar alguns acontecimentos imprevisíveis, desde salvamentos de pessoas até festas em casa do carismático (e perigoso?) padrinho. A narrativa desenrola-se irreversivelmente para um ponto de não-retorno.
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historial: lançado no dia 20 de Março 2011 na Sociedade Guilherme Cossoul ...
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feedback : O que es­creve é um hí­brido de ro­mance e po­e­sia (chama-lhe «anti-romance») em que as con­ven­ções de gé­nero são cons­ci­ente e in­ten­ci­o­nal­mente des­res­pei­ta­das. Se bem que deixe in­tacto, e até ex­plore até ao li­mite das pos­si­bi­li­da­des, um fa­tor que al­guma li­te­ra­tura por­tu­guesa pa­rece ter es­que­cido: a nar­ra­tiva. O Dionísio conta mesmo his­tó­rias. O Dionísio CONTA. Rui Eduardo Paes

sábado, 9 de abril de 2016

Foi mais freak que queer... "Anarco-Queer? Queercore!" na SMUP


fotos de Afonso Cortez
Marcos Farrajota, Rui Eduardo Paes e Daniel Lourenço
apresentação do chão do sotão da SMUP
(o underground português é complicado)

                                                             



Concerto de Vaiaàpraia...


... as Rainhas do Baile!

A SMUP é um miminho! E a Cultura no Muro também! Muchas gracias!

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Queercore @ MOB

Daniel Lourenço, Rui Eduardo Paes e João Rolo


quinta-feira, 7 de abril de 2016

domingo, 3 de abril de 2016

sábado, 2 de abril de 2016

ccc@FeiraDonaEdite







ccc@Viseu_cult.urb@Carmo'81


Temos lá mostra de edições nossas e algumas estão à venda, ide lá viriatos!
de 2 a 30 de Abril no Carmo 81

sexta-feira, 1 de abril de 2016

A Sagrada Família na Pó dos Livros

Colecção CCC #3

Rafael Dionísio

192 págs 21x14,5 cm, edição brochada
ISBN: 972-98177-4-X
Edição apoiada pela Junta de Freguesia de Cascais e o Instituto Português de Juventude

PVP: €10 (50% desconto para sócios, jornalistas e lojas) à venda na FNAC, Bertrand, Letra Livre, Matéria Prima e Pó dos Livros.

O livro: 2002 é o ano em que Espanha faz a festa de anos de Antoni Gaúdi, arquitecto barcelonês que entre outras gracinhas fez a sua Sagrada Família. Cada um faz a Sagrada Família que quer.
Rafael Dionísio fez a sua. Arquitectou-a em livro. A Sagrada Família é um livro escrito numa prosa labiríntica, obcecada e por vezes orgulhosamente alucinada. Mas sem fio de Ariadne.
É um livro complexo mas acessível a vários terrestres. É um livro em que várias personagens familiares e outras menos familiares chapinham num caldo de ácido sulfúrico. Com humor corrosivo, faz-se uma obra heterodoxa.
O gozo de escrever um texto que dança sobre si próprio, em rodopios e cambalhotas, e outras acrobacias literárias. Tecendo referências explícitas e implícitas a vários assuntos culturais, desde a história, a literatura até à cibercultura. Desorbitando em torno de algumas personagens que interagem, autistas, umas em relação às outras.
É provável que o leitor sinta alguma perplexidade mas também algum gozo, se não se sentir ofendido na sua idiossincrasia de cidadão votante. Um livro politicamente insurrecto, disparando em todas as direcções inclusive nos próprios pés.

Excerto:- sabes quem morreu? - pergunta a mamã com aquele ar oficialmente espantado. foi a tua tia nhónhó. que horror.
- e o que é que eu tenho a ver com isso?
- que insensível.
- isso de ela morrer é lá com ela.
- assim não te casas, com esse feitio. assim ninguém te quer. assim ninguém vai querer fazer família contigo. a tia nhónhó gostava muito de ti, como é possível seres assim tão insensível?
(para quem não sabe a tia nhónhó era um monte de fezes amontoadas com uns olhinhos castanhos e que de vez em quando, na sua voz de merda, dizia, quando é que te casas meu querido sobrinho? quando é que arranjas uma noiva? diz lá minha jóia. meu tesoiro. os meus sobrinhos são a minha riqueza. quando é que casas?)

Historial: lançamento a 3 de Outubro 2002, na FNAC Chiado com apresentação do livro por Dinis Guarda e exibição de video-art de António Pedro Nobre e Nuno Pereira ... seguido de festa no bar Agito [Rua da Rosa 261, Bairro Alto] com DJ Lazer Squid e Feira de Fanzines ...

Feedback:

Um desafio literário a seguir com atenção
Número Magazine
fica-se, de facto, um pouco baralhado com a escrita circular
Mondo Bizarre
as aparentes “facilidades” e “concessões” mais não são que outras faces de um salutar sarcasmo, a aliviar-nos de crises de fígado que esta sociedade (de yuppies amancebados com velhas nobrezas sem eira) suscita no corpo de noveis gerações que se rebelam contra os poderes.
Nuno Rebocho in O Arquivo de Renato Suttana
revela sobretudo uma dimensão satírica rara e interessante, por vezes de uma inteligência precisa, livro a ler, um autor a seguir - pelo que de novo pode trazer.
Pedro Sena-Lino in Canal de Livros