sábado, 30 de julho de 2016

FACTORY : The Story Behind "Made in Taiwan"

Yang Yu-chi
Slowork; 2014

Fui a Varsóvia em Maio de 2014 mas não comprei nada da Polónia - mentira, comprei um volume da BD infantil Tytus dos anos 70 (creio) que não percebendo nada do polaco não deixa de ser uma peça curiosa de BD psicadélica e a adivinhar a música Industrial! - mas comprei um livro de Hong Kong numa livraria!

É o lado espectacular da Aldeia Global mas que este livro dá-nos o "outro lado", aquele que faz as pessoas com cabeça serem Anti-Globalização. Yu-Chi conta a história laboral da sua mãe e que é a história laboral do "milagre" económico da Formosa, um dos "quatro tigres asiáticos". As pessoas são metamorfoseadas de pinguins (o texto final explica o porquê desta escolha antropomórfica) nesta BD e são mostrados os sacrifícios de uma geração de trabalhadores que deram toda a sua vida no trabalho das fábricas (neste caso para uma fábrica de brinquedos para o Ocidente) e que tudo perdem quando estas mudam-se para outros países com mão-de-obra mais barata ou quando mudam o seu modelo de produção - por exemplo, quando a Formosa optou em investir em produção de tecnologia de ponta, um fabrico que exige outro tipo de mão-de-obra mais especializada...

Edição cuidada com uma sobre-capa em serigrafia, este é o primeiro livro da Slowork, editora que pretende lançar mais "documentários gráficos" sobre daquela parte oriental do mundo. É uma BD estranha pela sua falta de "pureza" autobiográfica, "real", documental ou jornalística para quem espera algo na linha de Joe Sacco, Emmanuel Guilbert ou Aleksandar Zograf. Se calhar está mais próximo do Ivan Brun ou do QCDI #3000 por usar metáforas ou ficção para descrever os horrores do Capitalismo.

Ontem na loja El Pep entre uma cerimónia qualquer que envolve chá tradicional daquelas bandas, inaugurou a exposição desta editora da Formosa, com originais e serigrafias que vale a pena visitar! Creio que estará patente duas semanas, atenção não se esqueçam!!!!

Na loja estão todas as edições da Slowork, algumas delas em serigrafia, versões das edições em offset. O mais curioso destas edições são os tipos de papeis e tipos de tinta que imprimem. São realmente diferentes aquilo que estamos habituados, ou seja, a lógica atravessa o planeta para Oriente sem dúvida,  é impossível ficar indiferente às edições, uma delas como 4/28 AM 4:00 de Chen Che é impressa em papel vegetal a duas cores e protegida por uma cartolina grossa que faz lembrar quase plástico. A BD está integrada na versão offset de Frontline Z.A. (2015), uma antologia com pinta de panfleto sobre movimentos sociais na Formosa. As BDs querem oferecer uma faceta humana para estes movimentos geralmente conotados como subversivos ou "do contra" (ei! estúpidos, esta gente está a lutar por vocês!) pelos meios de informação. Acaba por matar dois coelhos de uma cajadada só porque cumpre o seu objectivo e ainda denuncia mais podres do Capitalismo Global e os governos corruptos - como a RCA que matou milhares de pessoas através da poluição que as suas fábricas produziram.

Outro livro que achei interessante é Halo-Halo Manila (2016?) de Jimmeh Aitch, um autor filipino que ficou fascinado (quem não fica?) com Robert Crumb, Joe Sacco e Harvey Pekar - e sente-se as influências deles. Muito menos talentoso que estes três "Monstros da BD" (Monsters of Rock?) Aitch tenta mostrar um país, que assim à distância, parece ser um caos demográfico, político, ecológico e tudo mais. São várias BDs que vivem mais das boas intenções do autor do que o talento e técnica. Não deixa de ter bons momentos, claro, quando desmonta o que é o nacionalismo ou pelo facto dos bófias serem representados por porcos - é incrível como o polícia é um animal universal!

ccc é por cerveja, cães e chacras, vamos lá afinal!


terça-feira, 26 de julho de 2016

Chili do Inferno ou Clube Com Carne?

Eis a parceria diabólica entre a Chili Com Carne e o Clube do Inferno em 2015!!!
A Maga já estava prometida à muito tempo, é uma antologia de textos ou como se sub-intitula: Colecção de Ensaios sobre Banda Desenhada e afins

Inclui textos de Tiago Baptista (entrevista), Marcos Farrajota, João Machado, João Sobral (que realizou o design da publicação) e Ana Matilde Sousa, e ainda umas BDs de Tiago de Bernarda, que nos oferecem artigos sobre BD, Indíos, Depressão, Manga, Cultura Pop, Anime, Zines, Comix e DIY a rodos...

É o volume -5 da colecção THISCOvery CCChannel, parceria da Chili Com Carne e Thisco para a edição de livros sobre "Ocultura" onde a BD se insere facilmente. São 122 páginas que se encontram na loja em linha da CCC e na Mundo FantasmaMatéria-Prima, Artes & Letras, El Pep, Linha de Sombra, BdManiaLetra LivreTasca Mastai e Pó dos Livros.

Melhor Publicação Relacionada pela Central Comics 2016



O QCDI não se deveria chamar QCDA!? Será gralha da rapaziada? 
Não não não! 
É que estes chaval@s são do Inferno e não do aPOPcalipse! Apesar de André Pereira, Astromanta, Hetamoé e Mao disfarçarem a sua "chavalice" com barbas", sorrisos e pactos de sangue!

Fear of a Capitalist Planet
Tamanho A3! 16 páginas impressas em azul petróleo! Capa a cores!
à venda AQUI e na Artes & Letras, Matéria-Prima, El Pep, Ediciones Valientes (Espanha), Black MambaLinha de Sombra, BdMania, Letra LivreTasca Mastai, B Shop (CCB) e Pó dos Livros...





QCDI #3000, integrado na colecção de banda desenhada QCDA da Chili Com Carne. Alguns de dos membros do Clube do Inferno já tinham participado nos números anteriores — o André Pereira no 1000, a Hetamoé no 2000 —, mas este novo volume é Clube do Inferno de uma ponta à outra.

Com o subtítulo "Fear of a Capitalist Planet", as quatro histórias operam em diferentes matizes, entre o fantástico, o político, e o onírico. Dragões, polícias e pizzas deformadas fazem parte da iconografia deste projecto em que continuam uma ideia já presente na exposição Lightning Riding Waves of Fire (na El Pep em 2014): a de que vivemos depois da catástrofe. Colocam-se de fora, no futuro, na realidade paralela, para obter tangentes que se querem alienígenas mas não alienantes.

Feedback: 
Parece haver um princípio comum, indicado pelo título e por uma nota final. Uma reflexão sobre o tardo-capitalismo actual, cujo prometido estertor tem sido sentido pela forma como se tem imiscuído em esferas várias (começando pelo da política, como temos testemunhado na Europa, não nos escusando de sentir as vibrações em Portugal). O título baseia-se num ensaio [os autores garantem "estar lá tudo"], mas se o medo é sobre algo que ainda não sucedeu, aqui é infundado, pois estamos já nele. O título parece ser já uma citação em segundo grau de um famoso álbum dos Public Enemy. Pedro Moura / Ler BD 
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"Quatro Chavalos do Inferno" (...) colectivo que tem desenvolvido um trabalho relevante e renovador na cena portuguesa de BD (...) questionam, desmontam, apoucam e ironizam o presente com cheiro a fim de civilização que vivemos. Sara Figueiredo Costa / Expresso 
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Nomeado Melhor Fanzine na BD Amadora 2015 
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Lista dos Melhores Livros de 2015 no Expresso 
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uma história de André Pereira que podia figurar igualmente numa qualquer publicação da editora britânica 2000AD. Já em Fantastic Proliferation seguimos de perto (demasiado perto) o abuso do poder por parte de Cosimo, uma personagem digna de um qualquer filme de Pasolini, cuja história, da autoria de Mao, prima não só pelo conteúdo, mas por todo o experimentalismo Melhores de 2015 pela Deus Me livro
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Nomeado para Melhor BD Alternativa 2015 nos Prémios do Festival de Angoulême 
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Best Portuguese Graphic Novels por Pedro Moura no sítio de Paul Gravett: QCDI 3000 is actually the third volume of an ongoing project to highlight new, young comics artists who are willing to push the envelope of the art of comics-making. This particular issue is concentrated on a collective called Círculo do Inferno, a little like the Hellfire Club, and they’re no gentlemen either. The authors are Astromanta, Hetamoé, Mao and André Pereira (...). This oversized, tabloid-like anthology presents four-page pieces by each artist, not necessarily narrative: Astromanta presents a sort of science fiction essay on precariousness; Hetamoé crunches shojo manga with post-Marxist politics via high fantasy tropes; André Pereira creates a seemingly light story that actually focuses on the current political-economic crises of Portuguese society (with absolutely brilliant page compositions); and Mao brings together two distinct narrative tracks, an unclear palace intrigue and the slow progress of an oozing pizza-monster (but also an exercise in experimental composition). Weird, creative, dynamic, indeterminate in their moral but surefire in their humour and politics, this collective has not only produced top-notch contemporary comics that go well beyond classic genres and forms, but also provide much food for thought, and not only about comics themselves. 
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Nomeadas BDs de Mao e André Pereira para Melhor Obra Curta no Central Comics 2016

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Metal

Se calhar já não se sabe o que quer dizer metaleiro há muito tempo. E quando se vê estas publicações fica-se ainda mais à toa... Aquilo que era uma tribo urbana muito bem definida até aos anos 90 deixou-o de o ser porque, tal como todos os géneros musicais, fragmentou-se em mil sub-géneros. Metal, será a guitarra em distorção e temática obscura? Música à abrir e espírito Rock do excesso? Música para 10 000 cabeças tocado num palco gigante ou uma k7 limitada a 10 noruegueses broncos? Tudo isto ou nada disso?


O que dizer sobre Metal do Olho do Cú? Para além de começar mal como frase, este zine "old school" é mesmo "old" porque é feita por velhotes quarentões que se calhar não fizeram um fanzine assim quando tinham 16 anos. Seria a idade certa para fazer esta javardeira... e no entanto... Torna-se realmente divertido em 2016 ter em papel meia-dúzia de fotocópias A5 um humor de ir ao cuzinho S/M. O gesto é completamente anacrónico, a lembrar outras situações como o Bom Apetite de João Marçal e Miguel Carneiro. Tem graça de tão deslocado de tudo, seja do mundo da BD seja do comércio, é lançado nos festivais de Metal que abundam pelo país, daí que a maior parte das BDs e cartoons sejam ligados ao Metal e alguns dos seus cromos - como um dos irmãos Veiga, organizadores de Barroselas que aparece como "Ramboselas", herói de todo o metaleiro em perigo. De forma geral, este zine encaixa-se na nova tendência do Metal ter deixado o lado político ou sério, para entrar numa onda de curte non-sense, ao nível de Enapá 2000, como são as bandas Grind Vizir ou Serrabulho. Talvez porque alguns dos sub-géneros do Metal chegaram a um limite estético onde pouco poderão avançar, então decidiram voltar atrás, à parvoíce da juventude mesmo sendo muitos cotinhas - no #3 até lhes enviei um desenho rejeitado por uma banda punk. Síndroma de Peter Pan escarrapachado mas o que se pode fazer com música Pop/Rock? Sempre foi juvenil... Ainda assim, o Metal como festa pagã e de idolatria, quando não está alinhado à cultura "normal", é de salutar pois acredito que cada um de nós deve inventar o seu próprio Carnaval, os seus próprios rituais, media e tudo mais. É disto do que se trata quando se fala do Olho do Cú. Muito sinceramente, quem quer saber dos Gatos Fedorentos (essa cambada de vendidos)?

Iconolatry (Universal Tongue; 2016) de André Coelho saiu num festival de Metal em Junho e trata-se de um portfólio de imagens de Coelho feitas para bandas e os seus discos ou eventos de Metal - e algum para o Punk e o Industrial. As ilustrações foram libertas do espartilho do design dos produtos a que se destinavam, deixado-as assim respirar com mais força e evitando o livro de se tornar num catálogo de vendas.
Não deixa de mostrar que existe todo um mercado - um nicho, como os merdas dos tecnocratas chamam - em que até há um artista português que preenche os requisitos, ao ponto de estarmos perante até de uma profissionalização do mesmo nesse "nicho". Mesmo quando se vê muito imaginário que lembra Barry Windsor-Smith (o primeiro desenhador do Conan nos anos 70) para além de muitos bodes 666, bárbaros vikings, caveiras & machados & bigornas, gajas podres de boas (muitas vezes só podres), repteis sebosos (e não falamos das escaramuças públicas do PCPT/MRPP), simbologia alquímica e esotérica para quem nunca viu o palhaçito do Crowley, não deixa de haver força e energia nas imagens (zeus, é isso que define o Metal?). Ou seja, lá porque Coelho trabalhe muito não quer dizer que o material não passe a esmorecer e a vulgarizar. O que o livro mostra é que o Coelho tem garra - resta saber que tipo de garra de águia ou de grifo?

sábado, 23 de julho de 2016

necro.666.milhões

cartaz de Kimkiduk

 co-organizada pela
Chili Com Carne e a Signal Rex,
 regressa às origens: 

Atenção bêbados do caralho:
o Taina este ano mudou de localização 
- peçam direcções a alguém com melhor aspecto de que vocês... 

23 e 24 de JULHO, 
Sábado e Domingo
naqueles dias quando já estiveres cheio de chatos e pedras nos rins, 
vem masé relaxar e comprar edições cheias de vida e frescura intelectual. 
entre as 15h e as 20h...

Os melhores zines, BD, discos, livros, k7's do underground!
Vindos das seguintes entidades:
Chili Com Carne, Gato MarianoMMMNNNRRRG, Signal Rex e Xavier Almeida
...
Não, não são banhadas! 
Isso é nos outros festivais...
E levem guito porque não há Multibanco nem se aceita paypal ou cheques mesmo visados.
...
Haja paciência!

Lourinhã indie


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Fezesbook


Apesar da bíblia fatalista (redundância, qualquer texto sagrado é fatalista) Retromania de Simon Reynolds insistir na impossibilidade de novas revoluções na música e que assistimos a mera combinações e fusões de estilos de música devido à enorme mediateca que o século XX e XXI criou. Pode ser até verdade mas talvez fosse altura de assumir o "mutant dancefloor" (cito DJ Balli) como o denominador comum e/ou unificador que pode trazer à baila projectos tão diferentes em coordenadas geográficas, estéticas, sonoras e logísticas como Putan Club, Sly & Familly Drone, The Ex com Getachew Mekuria, Golden Teacher, Älforjs, 10 000 Russos, Albatre, Kufuki, Bernardo Devlin, HHY & Macumbas, Sektor 304 / Le Syndicat (o disco), Jazz Iguanas, DJ V/A, Lace Bows...
Ontem apareceu mais um grupo para meter neste saco de incongruências, apareceu é como quem diz, vi eu ontem um concerto dos noruegueses Ich Bin N!ntendo - e que vão tocar nos próximo 3 dias pelo país, Milhões incluído. Imaginem uns putos a lembrar The Fall mas com a segurança técnica de quem veio do Free/Noise/Improv, ou seja, fazem um post-punk tão certeiro mesmo quando passaram o tempo inteiro a improvisar... Vê-los a tocar é o "must", cheios de trejeitos do Rock mas com a energia necessária para não deixar ninguém indiferente - o baixo deles é letal! Em disco parece mais histérico e rápido do que ao vivo mas admito que ainda não tive tempo para respirar e pensar muito no assunto. Ah! falo de Lykke lançado pela portuguesa Shhpuma. Mas ide aos concertos primeiro... depois falamos.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Falta de visão...

Uma BD de Isabel Lobinho na Revisão
Esquecimento pequeno, nada de grave, mas que merece rectificação: esqueci-me nos "Chaimites de pensamento" (o editorial do livro Revisão) de referir que não foi só os álbuns de BD dos anos 70, Wanya e Eternus 9 que tiveram reedições no Novo Milénio. Como sabem reeditar BD em Portugal é um caso raro para um mercado livreiro que não quer saber da BD para nada... Também aconteceu, e antes dos citados, com o Mário e Isabel, um álbum de 1975 editado pela Forja para uma colecção Erótica mas que só teve este volume. Este álbum é uma leitura em BD de Isabel Lobinho dos textos surreais de Mário-Henrique Leiria. A reedição nos Cadernos Moura BD (#3) em 2002, infelizmente tinha uma má impressão apesar da boa-vontade dos seus responsáveis.
Por fim resta dizer que a Chili Com Carne chegou a ter, durante este último ano, algumas cópias deste livro, aliás, a edição original em excelente estado - qual máquina do tempo! - assinados e numerados pela autora.

domingo, 17 de julho de 2016

Pior que as drogas duras é o Santana Lopes

Fortopìa : Storie D'amore e d'autogestione
v/a
Forte Pressa; 2016

Há 30 anos que existe o Forte Prenestino CSOA em Roma. Desde 1 de Maio de 1986 que este forte militar do século XIX, situado nos subúrbios de Roma, foi "okupado" e transformado num centro cultural único na Europa. Não é brincadeira, merecia comemoração à séria e foi o que fizeram, montaram um livrão com centenas de testemunhos de pessoas que viveram e fizeram lá coisas - como o famoso Festival Crack.
Redigido em italiano e com 440 páginas merece uma leitura atenta para perceber como foi possível sobreviver estas três décadas. Ao contrário de Portugal cujas últimas casas "okupadas" foram destruídas maioritariamente por governos autárquicos PSD - Casa da Praça de Espanha / Santana Lopes (já para não falar dos Artistas Unidos no Bairro Alto...), Es.Col.A / Rui "fdp" Rio e a S.P.C.C. / António Costa (com Sócrates também com culpa indirecta). Falo daquelas que tinham um programa sério, não das "okupas" para simples habitação (o que não é nada uma situação desprezível!) em que infelizmente transformavam-se rapidamente em antros de drogaria pesada - inevitável, afinal os poucos punks portugueses que existiam com ganas para acções deste tipo eram poucos e os seus aliados mais próximos, os punks de rua, estavam ser dizimados pela heroína nos anos 90.
"Okupa e resiste" é a máxima de quem pega num prédio abandonado, o Forte Prenestino é uma resistência ao Capitalismo selvagem. Por lá já passaram milhares de gerações de pessoas, ora para procurar um abrigo, para tocar ou fazer algo que não seja exploratório, racista e sexista. Se a Utopia foi originalmente descrita como uma ilha, em 2016 ela poderia ser pensada como um Forte. Bravissimo, amichi!

sábado, 16 de julho de 2016

Zás-trás!

Há sempre uma coisa fixe nos putos - duas! A primeira é que mesmo quando "tudo já foi inventado" eles arranjam sempre algo de novo para irritar os mais velhos e graças a isso mostram que o mundo não está morto.
Simão Simões (come on!? é mesmo o teu nome?) é desses casos. O seu primeiro disco Za! (auto-edição; 2015) é uma verdadeira aventura nos seus poucos 22 minutos de duração. Começa por samplar uma criança a "chorar", o que é logo um indício que isto vai ser um terror sonoro - tal como acontece quando Dave Phillips sampla os seus cães raivosos - e avança em nove andamentos (que pretensão!) numa mutação progressiva e excitante. Entre a música Drone, Pop estragada e Improv de caloiro, SS elabora distorção inteligente com um estilo descomprometido - é natural, acho que ele deve ter menos de 18 anos... Só peca pela embalagem do CD-R que é das coisas menos inspiradas que já vi!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

ccc@walk&punk



Temos livros nos Açores pelo Festival Walk & Talk (gracias Pedro Moura) e no Porto no KISMIF (gracias Esgar Acelerado)... não estaremos em nenhum dos eventos em pessoa, infelizmente.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

QUADRADINHOS : Sguardi sul fumetto portoghese / Looks on Portuguese Comics : ESGOTADO / SOLD OUT



Treviso Comic Book Festival is the third most biggest Comics Festival in Italy but still is a relaxed event and most important it has a good eye on comics made outside of Italy! Blame Alberto Corradi for this, as curator he already made exhibitions about Sweden, New Zealand, Denmark and this year... Portugal!

And for the first time there's a catalogue thanks to the effort of Treviso Fest, Mimisol and Chili Com Carne with the important support of Portuguese government - DGLAB and IPDJ institutions.

This catalogue is a comics anthology made by the artists invited for the festival's exhibition and includes a preface by Marcos Farrajota and a small History of Portuguese comics by Corradi. Most of the comics have been published in Portugal but then... have you seen them?

So you can enjoy 88 pages of comics (most are full colour) of a wide range of authors, coming from the underground to the international mainstream and from the new breed to older artists: João Fazenda, André Coelho with Manuel João Neto (same team of Terminal Tower), José Smith Vargas, Ana Biscaia (Best Portuguese Illustration Prize 2013) with João Pedro Mésseder, Nuno Saraiva, Francisco Sousa Lobo (The Dying Draughtsman, Art Review), Afonso Ferreira (Love Hole), Pedro Burgos, Filipe Abranches, Miguel Rocha with Susana Marques, Joana Afonso with André Oliveira, Jorge Coelho (Image, Marvel) with Paul Allor (from USA), Pepedelrey and Rudolfo (Negative Dad).

Book written in Italian and English.

Last copies at Mundo Fantasma, Matéria PrimaLACUtopiaQuimby's (Chicago) and BdMania.





Feedback: in Ler BD blog in Portuguese here ... one of best Portuguese "graphic novels" by Pedro Moura / Paul Gravett ... Nominated for Best Comics Related Publication and Short Story (by Rudolfo) for the Central Comics 2015 Prizes ... Presentation in Modo Infoshop (Bologna) on the 6th Juin 2015 ... se da una mezcla de estilos e influencias lógica, dado el espíritu de la publicación. Así, nos movemos del cómic de raíz más comercial, representado por Paul Allor y Jorge Coelho —ambos experimentados en el mercado estadounidense— hasta el experimentalismo radical de la historia de Filipe Abranches, excelente. (...) Afonso Ferreira, uno de los más jóvenes, es un representante del nutrido grupo de dibujantes profundamente influidos por la animación contemporánea del tipo Hora de aventuras y por Michael DeForge, y por eso recuerda también a lo que está haciendo Cristian Robles en España. Y por último, hay que destacar la contribución de Francisco Sousa Lobo, quizás el más interesante y personal de los autores portugueses que conozco.  Luego volveremos sobre él. Geraldo Vilches in The Watcher and the Tower

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Underground


Burnt to a crisp (Black Blood Press; 2015) é um fanzine de arte maldita, suja e obscura. Não é para malta da moda e outros betos, não senhor! Gajos como Eduardo Pécurto, Manuel Pereira, André Coelho ou Romain Perrot não fazem isto porque é "cool" ou para engatar gajas ou porque vai render "likes". Esta gente baralha factos biológicos, pós-colonialismo, miséria humana, perversão sexual, ruído visual com os seus desenhos e colagens para nos agoniar as entranhas e meter-nos em estado de alerta, pensa, negros humilhados, caveiras medievais, gajas escravizadas, dinheiro e escombros... Século XXI é mais civilizado porque tens um smartphone? Estes bárbaros (que até devem ter smartphones e aquecedores em casa) mostram que não...


O instigador do fanzine acima é o Manuel Pereira que teve direito a um título a solo, o Tricofilia (Black Horizons; 2015) - termo para excitação sexual por cabelos. Lançado por uma editora norte-americana de Noise e afins, o zine é metido num saco preto que arrepia. Admito que tive medo de o abrir e tirar de lá a publicação - sabe-se se esta gente não escondeu uma seringa de um agarrado qualquer de San Francisco dentro da embalagem? Iá, iá, fia-te na virgem e não corras...O enfoque sobre a questão sexual-capilar ficou aquém das expectativas embora tecnicamente Pereira cada vez mais pulverize as colagens em pequenos fragmentos, fazendo delas mais texturizadas do que figurativas. O resultado final é que parece que encontramos na lixeira um álbum de recordações de um tarado sexual que violou bifas no Algarve. Creepy shit...


Foi a colagem da capa que me fez pegar em Als Tier ist der Mensch nichts (Monotonstudio; 2016) dos Unru... senão teria cagado completamente. Tocam Black Metal contemporâneo, ou seja, são uns rapazes com ar de beto alternativo e que fazem uma barulheira incrível, muitas vezes pisando os terrenos imundos do Sludge que podem ser tão insuportáveis como os BM. Já agora, o artwork do disco é de B.D. Graft que parece que poderia estar mais numa revista de "novas tendências" do que a fazer algo para metaleiros... Safou-se muito bem e conseguiu pelo menos uma venda de uma k7!


Já cá tinha escrito sobre quanto tinha adorado a actuação ao vivo da Jejuno, e até andei a ver se ela queria lançar uma k7 pela MMMNNNRRRG. Preferiu um Urubu (soa mal assim, hahaha) e a MNRG lançou a Bleid invés, mostrando que são as mulheres a fazerem as criações mais interessantes em Portugal nos últimos tempos - olhem no caso da BD a Hetamoé, Sofia Neto e Amanda Baeza para destacar os melhores exemplos... Não consigo deixar de a comparar a AtilA como alguém que faz uma electrónica pós-industrial, negra e com batidas duras. Mas enquanto AtilA é calculista e técnico (no bom sentido), Jejuno é intuitiva e imprevisível, duramente desprogramada e suja. Ou seja, um dos melhores discos portugueses de 2016. Maldito Urubu!


O francês Albert Foolmoon ama Lisboa e faz questão de vir às "nossas" feiras de edição independente. Esteve na última Morta onde vendeu um exemplar da antologia de desenho Terreur Nocturne (Lézard Actif; 2014). "Queixou-se" de que quem a comprou disse-lhe que ia retalhar o livro para colocar as páginas em molduras... Convenhamos, com 24 páginas A3 serigrafadas a várias cores, estava à espera do quê? Não venha com tretas que os 'tugas são bárbaros! Ainda mais com desenhos da turminha da má-onda como Sam Rictus, Don Rogelio Jr., Dav Guedin, Martin Lopez Lam, Alkbazz, Victor Dvnkel... Assim sim, o crime compensa, ao menos as pessoas compram estes livros porque curtem e não por coleccionismo de obras anacrónicas em serigrafia que andam por aí...

Mystery Park ::: ÚLTIMOS exemplares / LAST copies




Mystery Park, de André Ruivo é o 14º volume da Colecção CCC, edição em parceria com The Inspector Cheese Adventures e com o apoio do Instituto Português de Juventude e Desporto.
ISBN: 978-989-8363-14-5
96p. p/b 16x23cm, capa preta sobre cartolina Pop pistachio 240gr.
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À VENDA na loja online da Chili Com CarneBolido de Fuego (Espanha), Matéria PrimaFábrica FeaturesLetra LivreMundo Fantasma, Staalplaat (Berlim), La Central (Espanha), McNally Jackson (EUA), Orbital Comics (Inglaterra), Neurotitan (Berlim), Artes & LetrasRastilho, Objectos Misturados e LAC (Lagos).
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sobre o livro: pianistas bêbados, patinadores, cães e donos, pássaros, carros, leitores de jornais, polícias-crianças, chá, guitarristas, peixes, rádio a pilhas, fumadores, táxis, mergulhadores, fotógrafos, walkman, robots, índios, gémeos, gatos, namorados, casais, bichos de estimação, semáforos, sem-abrigo, detectives.

Historial: lançamento no dia 1 de Abril nas seguintes coordenadas de GPS: +38° 41' 46.11", -9° 12' 13.04" (Pavilhão Tailandês, Jardim Vasco da Gama em Belém, Lisboa) ...

Feedback: (...) personagens desproporcionadas e pelas linhas mirabolantes do contorno, carateriza-se também por um singular gesto de humor e ironia. “Mystery Park”, que reúne esquissos e desenhos produzidos pelo autor durante o ano de 2006, em Londres (...) são marca de um longo período de trabalho do autor, mas o traço define-lhe um estilo próprio. Este é um livro com histórias alucinadas em imagens e figuras do quotidiano: ora temos carros aerodinâmicos conduzidos por senhores engravatados e homens com múltiplos chapéus replicados, ora temos músicos, crianças-polícias, patinadores, todos com mãos disformes, muitos com semblantes carrancudos e geometricamente narigudos. Gatos e cães e pássaros, detetives e robôs e outras figuras do nosso imaginário partilham páginas com pianistas amargurados e alguns subliminares e provocantes jogos de palavras. Simples, divertido e muito inteligente, “Mystery Park” é um bom exemplo da qualidade da ilustração que se faz no nosso país e também uma boa oportunidade para introduzir um público mais juvenil a este tipo de desenho menos convencional. - Op Doodles ... Sublinhemos a ideia de “passeio”, e atente-se à forma como quase todas estas personagens, viaturas ou outras criaturas parecem ser captadas a meio de um qualquer movimento, acção, como se interessasse transmitir acima de tudo algo que apenas vislumbramos mas se distende num tempo impossível de capturar. Talvez seja parte do mistério anunciado no título. - Pedro Moura / Ler BD 

domingo, 10 de julho de 2016

Forrobodó Visionário - Fotos de António Pilar

Filipe Abranches, Pedro Massano, Carlos "Zíngaro" e Marcos Farrajota

Carlos Barradas e Nuno Amorim 
António Pilar, Barradas, Amorim e Abranches

Marcos Farrajota - lançamento de Revisão

Barradas, Massano, "Zíngaro" e Amorim
Fotografias do lançamento de Revisão : Bandas Desenhadas dos anos 70 na Feira Morta (jardins da Biblioteca dos Olivais / Bedeteca de Lisboa, dia 9 de Julho)...

Break Dance [English press-release]



Break Dance
by
André Ruivo

28th volume of MMMNNNRRRG, co-published with The Inspector Cheese Adventures
Design: Jorge Silva / Silva Designers
120p A4 full color, 18,5x28,5cm
ISBN: 978-972-8515-31-7

supported by Delta Cafés

cover price: 18€ at Chili Com Carne online shopDesert Island (NY), Le Monte en L'Air (Paris), Neurotitan (Berlin), Quimby's (Chicago), La Central (Spain), Seite Books (Los Angeles), Just Indie Comics (Italy),...

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André Ruivo is back with a third drawing book – if we ignore several more modest volumes in fanzines and author’s editions – this time with MMMNNNRRRG publishing house. The partnership with this publishing house “for rough people only” seems obvious; Ruivo’s drawings explore uncompromised and spontaneous sketches that you find only in Art Brut

In this thick volume, you find dozens of drawings that stumble on Ruivo’s flânerie in London’s streets as well as Ruivo’s aesthetic pleasure with the Yellow Submarine and the mundane Tati-like gestures. That is the reason why every extravagance and absurd finds its place in Ruivo’s checkered and ruled notebooks; from dog-man-dressed-like-it-is-going-to-rain and burkas-for-smokers, to not-really-convincing-swingers, and suspicious-people-pretending-to-cuddle: a multitude of anonymous characters that no one would –ever! – want to meet. 

It might look like a “cool” book but it isn’t! MMMNNNRRRG publishing house only publishes books with bad vibes… maybe this could be our second slogan!


Feedback: I like it a lot. a true/false sketchbook Jean-Christophe Menu (L'Association) ... 

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PREVIEW:
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about the author: 



André Ruivo (1977) lives in Lisbon and works in Illustration and Animation - with a master degree by the Royal College of Art (London). Contributed to Ilustração Portuguesa (Bedeteca de Lisboa; 1998-2004), Mis primeras 80.000 palabras (Media Vaca; 2002) and Futuro Primitivo (Chili Com Carne; 2011). Sometimes he also makes music, his most known project was Rollana Beat.
Ruivo makes zines since 1993 and has three drawings books published so far: Bug (Bedeteca de Lisboa; 2001), Mystery Park (Chili Com Carne + The Inspector Cheese Adventures; 2012), Breakdance (MMMNNNRRRG + The Inspector Cheese Adventures; 2015).

Recuerdos de Revisiones (fotos de Paulo Mendes - obrigado!)

Apresentação na Feira Morta - Bedeteca de Lisboa, 9 de Julho

Carlos Barradas e Carloz "Zíngaro" na risota, Duarte vs Marcos Farrajota, Hetamoé e Mao sentados

António Pilar a declarar que a Visão foi dos poucos momentos altos na vida dele...

Mao e Hetamoé assistem Duarte e Farrajota em sintonia...

Revisão : Bandas Desenhadas dos anos 70 à venda aqui

sábado, 9 de julho de 2016

ccc@Feira.Morta

cartaz de Sallim
MORTA na Bedeteca de Lisboa (blogue não oficial mas é o que há deste equipamento ignorado pela CML)...

sexta-feira, 8 de julho de 2016

AcontorcionistA / primeiro volume: MANIFESTO @ Just Indie Comics

Para os que desde há muito anseiam por conhecer os princípios constitutivos da boa vida, e para todos os demais, que se pretendem desinteressados de tais assuntos, aqui os damos à estampa; e são bem simples, esses princípios, como podereis constatar e, se o acaso vos dispuser a isso, experimentar.
 
Uma Rapsódia Erótica de autoria do Grupo Empíreo, Sociedade Anónima de Recreio e Prazer, publicada pela MMMNNNRRRG e promovida e comercializada pela Associação Chili Com Carne em Portugal e pela Bolido de Fuego em Espanha.
Foram feitos 500 exemplares, no mês de Junho de 2011, impressos em Almeirim segundo o ISBN 978-989-97304-1-0. São 44 páginas 16x23cm impressas a duas cores que nos transportam simultâneamente para climas de Nostalgia e de Luxúria.
AcontorcionistA

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Exemplos destas fabulosas páginas aqui

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Esta brochura só já se encontram 200 exemplares na loja em linha da Chili Com Carne, na glamorosa Purple Rose, na elegante 1359, na engenhosa Fábrica Features, na melhor livraria portuguesa de banda desenhada Mundo Fantasma, na cosmopolita Staalplaat, na ex-bicéfala Matéria-Prima, na minhota Objectos Misturados, na minúscula Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, 18), na neuro-digital Neurotitan, no sub-mundo brasileiro via Ugra Press, na recuperada Artes & Letras, na franco-nipónica Timeless Shop, no centro do Império Orbital, na fotohigiénica Stet, na venareante LAC, na friorenta Quimby's, de viagem com Putan Club, na croma Dead Head Comics e na selecta Just Indie Comics.
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Sempre ao valor unitário de 10 Euros, tal quantia pode ser descontada a 30% para Associados da Chili Com Carne, Valentes Lojistas e Temerosos Jornalistas.

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Vejamos o que nos comenta sobre a Obra, o nosso parceiro ibérico de negócios, Bolido de Fuego: No nos engañemos ¿quién no ha deseado en algún momento de su existencia una buena vida? Pero una buena vida lejos de la mojigatería cristiana, claro. Abandonarse a la carne y al hedonismo. MMMNNNRRRG, sello hermanado con Chili Com Carne y dirigido por Marcos Farrajota, edita esta obra (rapsodia erótica) del Grupo Empíreo, Sociedade Anónima de Recreio e Prazer, quienes nos recuerdan algunos de los principios necesarios para abandonarse en el culto mundano del placer en una edición exquisita en bitono, que conjuga literatura e ilustración por partes iguales.

Um autor da mesma casa editorial, Aaron $hunga, comentou o seguinte: (...) I was immediately drawn to its effective use of artistic sensibilities that referenced ancient Greek imagery in an Art Deco/Nouveau context; probably Aubrey Beardsley. There is however a modernist simplification of those styles, the hatching and meticulous rendering are traded for minimalist washes of pink and careful line work, which evoke at times Japanese Ukiyo-e or the pop art of Roy Lichtenstein. (...) That visual style, old and new, tasteful and reductive, is a good way to describe the content of this book, which is indeed a manifesto, a documentation of a group's beliefs and ideals. In 2012 it's quite absurd to write a manifesto, especially in a world in which dubstep exists, but there's something charming about a group which decides to stick it out against the wave of progress. Since their stylistic choices speak of nothing past 1980, they are indeed artists who have strong ties to tradition. That European sincerity can be refreshing. (...) Though the manifesto discusses sexuality as its main focus, it does not often go into any graphic depiction either visually or in wording. Most of the book appears neutral; so this work is genuinely philosophical while being sexually oriented. Of course their are a few explicit images but the majority of the illustrations feature empty rooms and scenery. Its main points are to seek out sex as an abstract concept and to undermine the limitations imposed by mainstream society. The unhealthy conventions such as gender identity, marriage, and gender inequality are questioned here. Sex is also viewed as a liberating, spiritual experience rather than a biological or soulless act. (texto completo aqui)

Marcel Ruijters que também deverá ser editado pela MNRG comentou num e-mail privado: I haven't gotten around reading everything from the festival [de BD de Helsínquia], but the Manifesto is intriguing to say the least...

E o nosso camarada Miguel Caldas comentou o seguinte: Isto é dum gajo, duma gaja, o manifesto de um clube de swing, de quem? Gostei bastante. Não é que seja realmente necessário para a “fruição da obra”, mas fiquei com curiosidade. Só houve uma coisa que irritou, quando fala(m) do pagamento de sexo. Parece-me que se estão a esquecer que o pagamento é um elemento de dominação e este é parte essencial de, muitos, muitos, jogos sexuais. Isto também me incomodou porque deixa um cheirinho a uma espécie de libertinismo “doutrinário”, com coisas que fazem parte dessa liberdade e outras que não… mas acabei de descrever um manifesto. Os desenhos são bonitos mas estão naquela escola de “tão subtilmente evocativos” que poderiam ilustrar a Anteprojeto de Revisão do IRC com o mesmo sucesso com que o fazem para a “AcontorcionistA”.

Da Grécia, por e-mail, Ilan Manouach declarou como sempre de forma intempestiva: Loved acontorcionista

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