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sábado, 23 de março de 2013

Kuti Kuti



Participei no último número do famoso jornal finlandês de BD Kuti com um artigo já conhecido neste blogue. Por causa disso chegou-me um caixote cheio de exemplares desta publicação - mais o Specter (2012), que foi o primeiro livro dos autores que integram o atelier Kuti Kuti (em Helsínquia). Apadrinham o tema da Ficção Científica / Fantástico mas os 14 finlandeses mais o dinamarquês Soren Mosdal e a norte-americana Juliacks cagaram bem de alto para entrar nos seus típicos esquemas ácido-gráficos que tornam este objecto A3 cheio de cores em mais um estonteante objecto de culto. Para além de que estão cá todos os que interessam: o Tommi Musturi com um novo estilo gráfico, o tarado do Jarno Latva-Nikkola, os manipuladores Amanda Vähämäki e Roope Eronen, etc... Pedidos para aqui.

Quem quiser o jornal Kuti, há umas quantas hipóteses de o apanhar grátis: uma visita à Bedeteca de Lisboa (deixei lá alguns exemplares), comprando livros à Chili Com Carne que tenham autores finlandeses - não se esqueçam desta ENORME novidade!!! - ou indo a eventos em que a CCC esteja presente. Quem não foi ontem ao lançamento do Kassumai poderá apanhar amanhã na inauguração da NAVE... Aproveitem!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Seis Espinhos



A Opuntia Books completa este mês (dia desconhecido) seis anos de actividade!!
Apesar de atravessar um momento de não-edição, ela está activa e
com projectos... adiados até haver dinheiro, material técnico ou
um mecenas caridoso! Eu não desisto!
Para comemorar, aqui em cima, novo poster desta vez
desenhado por Tommi Musturi.

ass: Dr. Lemos

sábado, 5 de novembro de 2011

O mundo é finlandês!


Para quem pensa que a BD ou os belos livros acontecem nos EUA, França ou Japão... A Huuda Huuda garante que não! É impressionante a vitalidade da bd finlandesa como provam alguns livros (que não conhecia) do Marko Turunen e Jirky Heikkinen. Bem que podem comemorar os 100 anos da bd finlandesa!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Very Important Publishers


O húngaro Daniel Csordás foi ao Festival de Helsínquia e fez uma bd "reportagem" do evento - numa língua pouco acessível ao português médio - em que vamos encontrar algumas caras conhecidas como o David Schilter (da Estónia), Tommi Musturi - editor da Huuda Huuda e autor de Caminhando com Samuel -, Marcos Farrajota (de Futuro Primitivo na mão!) e Nuno Neves (participante no Mutate & Survive mas mais conhecido pelo projecto Serrote)... O Farrajota parece um "turku"...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Antes de morrer...

Têm de ler os livros Caminhando Com Samuel do finlandês Tommi Musturi - editado em Portugal pela MMMNNNRRRG - e o Diário de K. do nosso associado Filipe Abranches editado pela Polvo em 2001... Pelo menos é o que diz o novo livro sobre BD coordenado por Paul Gravett, 1001 Comics you must read before you die, sendo que o livro do Abranches é a única entrada portuguesa nesta enorme listagem.

O que se passa com os ingleses? Em 2005 também referiram a Chili Com Carne num livro sobre bd mundial... Na realidade, no caso dos 1001 Comics a "sardinha puxada à nossa brasa" foi colocada pelos investigadores e críticos portugueses Pedro Moura e Domingos Isabelinho, e no caso do Samuel pelo jornalista finlandês Harri Römpötti, gente intelectualmente mais do que capaz para não entrar em bairrismos bacocos.
Fora a questão do orçamento para arranjar todos estes 1001 títulos (as bibliotecas portuguesas ainda têm orçamento para aquisição de livros?) it'a a go!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

MASSIVE... ESGOTADO!



Este volume 8 da Colecção CCC mantêm as regras que têm pautado as edições da Chili Com Carne: um programa orgânico pela publicação de obras fragmentadas e o gosto entesado pelo Apocalipse.
O objecto refinado e luxuoso enfrenta, no entanto, vários perigos - não tem um editorial nem uma carta de intenções, os mais de 60 desenhadores europeus e americanos são dispostos em 100 páginas coloridas sem os podermos identificar... O "maciço" é Peso-Médio de desenho "non-stop" em sequência que nos transportam para leituras narrativas. É bruto mas com diversidade estética. Se quiser saber do que se trata este livro é preciso tirar a (sobre)capa e aceder às "letras" do mesmo, é lá que encontrará a ficha técnica e o índice dos trabalhos.
Mas e se perder a sobrecapa? Sendo a sobrecapa possível de se transformar num póster irá colocá-la numa parede? Se o colocar na parede, deixará no conforto do seu lar um livro descarnado e protegido apenas em cartolinas pretas? E quando a parede cair depois da onda de choque da bomba atómica que explodiu a 12 km da sua casa? Acha que os sobreviventes (se houver) irão entender as autorias deste artefecto cultural anónimo?
«Quem desenhou isto?» irão perguntar... Talvez não, talvez a radiação tenha comido a língua e a fala. Talvez o desenho venha a ser a única linguagem depois do Fim! - Axima Bruta dixit
...
Projecto dirigido por Margarida Borges, Marcos Farrajota, Jucifer e Ricardo Martins, e Ideia original: Hülülülü; Design / Capa: Bráulio Amado; Edição: Associação Chili Com Carne. Apoio: Instituto Português de Juventude. ISBN: 978-989-95447-7-2; 104 p. em papel colorido, sobrecapa desdobrável a cores; 500 exemplares
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participantes: Adrien Fregosi, João Sequeira, Anna Ehrlemark, Daniel Moreira, André Lemos, Craig Atkinson, Fábio Santos, Gaiihin Gobulgœme, Jean Pierre, Serge Onnen, Stephane Prigent, Carletti L. Traviesa, Jaan Maldur, Alex Gozblau, Alex Vieira, João Maio Pinto, Arturas Rozkovas, Alberto Corradi, Marta Monteiro, Tommi Musturi, Marco Moreira, Stevz, Ludmilla Bartscht, Zeke Clough, Afonso Ferreira, Lili Loge, Anna Bas Backer, Braulio Amado, João Fazenda, Warren Craghead III, Pepedelrey, Bruno Escoval, Daniel Lima, António Jorge Gonçalves, Tanxxx, Claudia Guerreiro, Margarida Borges, Ricardo Martins, Massimiliano Bomba, Manuel Donada, José Feitor, Chanic, Rita Hermínio, Pedro Franz, Marion Balac, MP5, Nevada Hill, Ilan Manouach, Rui Vitorino Santos, João Chambel, Filipe Abranches, Cátia Serrão, Manu Grinon, Milos, Remi Cram, Natalia Umpiérrez, Marto, Ward Zwart, André Coelho, Haz, Jucifer, Sofia Mestre e Pilas
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Historial: lançado na inauguração da exposição O Último Fósforo ... o livro da CCC que esgotou em tempo recorde (Jan'10/ Jul'11) ... Nomeado para Melhor Publicação Técnica (!?) para os Troféus Central Comics 2011
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Feedback : the MASSIVE book is a amazing collection!!! And you did a very good choreography. Ulli Lust ... Like especially that you printed it on colorful paper and the cover is super beautiful! Great Job!!! Kuš! estive com o vosso MASSIVE nas mãos, está mesmo fantástico, foi das melhores coisas que vi nos últimos tempos. Parabéns pelo grande trabalho. Plana Press Mais de 60 artistas de todo o mundo responderam ao desafio: desenhar. Fazê-lo sem tema, de olhos vendados, sem direcção - pelo menos aparente - ou tomando como mote o Apocalipse, temática já por si aberta e abrangente. O fim como princípio para um livro cuja única carta para a sua navegação, o verso da fantástica sobrecapa, é um híbrido que poderá tomar a forma de um poster. Restam-nos 104 páginas de desenho nonstop, bloco denso dividido em cadernos coloridos, explosão gráfica diversificada na abordagem, estranhamente coesa e homogénea no resultado final. Flur Massive recorda também outro tipo de referências musicais, o dub... como ele, a remistura, a fragmentariedade, a devolução alterada parece presidir a este junção Ler BD Sem querer pensas em Hyeronimus Bosch do longe passádo século XVI: os psicadélicos jardins paradisíacos dele, cheios de seres, vindos de algures das profundezas do subconsciente. Apocalipse, claro! Inundação do Universo, fim do mundo! O caos não precisa da lógica, as páginas constroem uma sequência narrativa sem o começo e sem o fim. Não precisa deles. E da maneira como seguimos as páginas, nas próprias páginas seguimos os pormenores: as pequenas apocalipses constrõem um grande Bum. Kaja Avberšek in Stripburger Una de las cosas que más agrada al encontrar fanzines y otras publicaciones autoeditadas, es sorprenderse con la creatividad a la hora de diseñar el artefacto. Con MASSIVE, una antología de ilustración de Chili Com Carne, tenemos un ejemplo claro de que no es necesario demasiados recursos si se tiene ingenio para editar y criterio para seleccionar el contenido. ¡Buen gusto! (...) Todo este color contrasta completamente con el contenido de la publicación: una ilustración oscura que hace culto a la carne, y que va del trash y el brutart al expresionismo y a un naif perverso y malintensionado. Martin in Bolido de Fuego


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

soutien

Quando esteve cá no Salão Lisboa 2005, Pakino Bolino (o mentor do Le Dernier Cri) jurava que não voltaria ao Festival de Angoulême. Foi com surpresa que a dada altura, através do finlandês Tommi Musturi, soube que ele ia ficar com o LDC, uma vez que também ele tinha perdido mesa no espaço "Novos Mundos".
Bom... o Pakito não brinca, voltou sim senhor, mas fazendo um "off" ao festival - aliás, um "fuck-off" à Angou-Merde. Algo que o festival perdeu nos últimos anos e que realmente é essêncial ao mongolismo comercial do evento. Num bar caquético no centro residencial da cidade, o Minage, montou o que era preciso montar: cartazes em serigrafia por todo o lado, recebeu também as produções do Mike Goes West, as edições finlandesas e ainda o MASSIVE - curiosamente um dos desenhos do "Fuck-Off" é do Tommi Musturi e está no MASSIVE. Houve concertos marados, copos que acabaram (os velhotes do bar não deviam estar à espera disto) e um verdadeiro ponto de encontro da cena alternativa internacional. Imagens da cena toda aqui.
Entretanto saiu o novo Hôpital Brut, um monstro de 7k de serigrafia num conjunto de três livros (mais um cartaz) e inclui colaborações de meio-mundo que é visionário-bruto como os portugueses André Lemos e Miguel Carneiro. Ainda temos muitos e bons livros LDC na nossa "shop". Allez!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Caminhando com Samuel, livro de bd de Tommi Musturi, a sair pela MMMNNNRRRG comercialmente para a semana!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A Norte tudo de novo...


Como já tinha referido aqui, a autora alemã Anke Feuchtenberger criou com o seu marido Stefano Ricci uma editora, a Mami, onde têm publicado trabalhos seus e também de alunos da Faculdade de Hamburgo onde Anke ministra um curso de ilustração e bd. Sem grande informação na Internet - e sem tempo para grandes discursos - escrevo apenas que chegaram Ich weiß de Birgit Weyhe e CandieColouredClown de Jul Gordon, belas edições: boas encadernações, boa escolha de papel e trabalhos de bd com impacto à primeira vista. O problema é que é preciso saber alemão para poder apreciar a primeira e 50% da segunda (algumas bd's estão em inglês)...


S! (com uma "coisa-acento" no "s") é uma mini-revista que era o Kus (que também tinha algo no "s"), novo conceito para tempos de crise, ou seja, reduziu-se para um formato A5 super-simpático completamente a cores onde convivem autores nacionais (continuando a Anete Melece a ser a autora mais interessante) e estrangeiros como Emilie Östergren (Suécia), Henning Wagenbreth (Alemanha - alguém se lembra do Salão Lisboa 2003?), Bendik Kaltenborn (Noruega) ou Nicolene Louw (África do Sul)... Sairam dois números entre Outubro 2008 e Fevereiro 2009.



Passados 10 números e 12 anos de actividade editorial, Tommi Musturi - um dos muitos autores de bd da Finlândia com talento e voz própria - cansou-se de editar o Glömp, projecto que começou como zine e passou a antologia. Como explicou quando esteve , para se despedir do projecto tinha de fazer algo de especial daí que GlömpX (Huuda Huuda; 2009) seja um livro saudávelmente pretensioso, querendo ser um marco na história das antologias de bd - o editorial do livro não deixa dúvidas em relação a isso fazendo um breve resumo dessa história. Apresenta-se em capa dura, todo a cores, com um CD banda sonora (Fricara Pacchu, Amon Düde & The Hoppo, Kiiskinen e Nuslux), e sobretudo e o que importa, um conceito de querer publicar e expor "narrativas em três dimensões". Ou seja, fugindo do tradicional "lápis + caneta sobre papel" (embora também haja situações dessas em alguns trabalhos), criaram-se bd's plasticamente diferentes do tradicional. Por exemplo, Hanneriina Moisseinen fez uma bd em bordados. Na exposição é preciso entrar numa tenda para poder ler a dita cuja - como poderam ver os que visiram a exposição que esteve patente na Bedeteca de Lisboa. Katri Sipiläinen criou um ambiente-escultura com alguns bonecos, esse ambiente fotografado tem uma carga cinematográfica e dramática fortíssima depois de composto em páginas de bd. Outras bd's são interactivas como a de Roope Eronen cujas tiras de bd podem ser lidas de formas diferentes com um sistema rotativo de paralelepipedos numa caixa - no livro, o autor (e o editor) oferece a hipótese (remota) de destruirmos o livro para recriarmos esses paralelepidos. Talvez nem tudo o que é apresentado na exposição seja competente - claro que não poderia ser - mas comparando com um projecto idêntico do passado, o Zalão de Danda Besenhada, os finlandeses sobretudo não se esqueceram de uma coisa, a bd no final é sempre transmitida via livro ou papel. E é aqui que não há falhas, o GlömpX merece um glorioso epitáfio na História da BD.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Feira Laica 2009

na
dias 27 e 28 de Junho
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Estão confirmadas presenças dos autores/ editores Benjamin Bergman, Jarno Latva-Nikkola e Tommi Musturi (que desenhou o cartaz da Feira) do colectivo finlandês Boing Being (com ligações ao jornal Kuti e à antologia Glömp), Kaja Avbersek e Gasper Rus do colectivo esloveno da revista Stripburger
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De Portugal:
revista Acto, Alexandre Esgaio, Averno, Bela Trampa, Chili Com Carne, colectivo Pinopaco, El Pep, discos F.Leote, FlorCaveira, zine O Hábito Faz O Monstro, Hülülülü, Imprensa Canalha, Lemur, Mike Goes West, MMMNNNRRRG, Opuntia Books, Piggy, Reject Zine (com All*Girlz zine, Doczine, Shock e Terminal), Skinpin Records, Sleep City, Thisco, Zona Zero e zine Znok
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novidades editoriais:
Crack On (Chili Com Carne + Forte Pressa), antologia de bd
Cult Pump (Opuntia Books), grafzine de Zven Balslev
Derby (Imprensa Canalha + Mike Goes West), grafzine colectivo
Dry and Free From Grease (Opuntia Books), grafzine de André Lemos
É fartar vilanagem!! #2, zine bd de Alexandre Esgaio
Kuti #12 (Kuti Kuti), jornal finlandês de bd
Le Sketch #7 (P. Patrício), mini de Craig Atkinson
As Raças Humanas (Imprensa Canalha), grafzine de José Feitor
serigrafia de Alberto Corradi (Mike Goes West)
Shock #29, fanzine bd de Estrompa
T-shirt CCC #3 (O Hábito Faz O Monstro), de João Chambel
Zona Zero, antologia de bd
Znok #2, zine bd de Filipe Duarte
Time Life Life Time (Opuntia Books), grafzine de Luís Henriques
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outras atracções:
- exposição GlömpX - narrativas em três dimensões vindas da Finlândia

- exibições de filmes no auditório:
Sábado, a partir das 14h30: CTRL+ALT+TOONS : A collection of independent cartoon by Inguine.net (66m, Itália, 2006) do colectivo Inguine ; Carbage Goma (26m, EUA, 2009) de David Lee Price (do disco Journey Into Amazing Caves dos Zanzibar Snails) ; 20 ans de Fanzino (49m, França, 2009) de Marika Boutou e Karel Pairemaure ; Doczine, vol. 1 e 2 (2h, Portugal, 2004/09) de José Lopes, com a presença do autor para questões após visionamento
Domingo, a partir das 14h30: filmes da Animanostra (2h total, Portugal, 2000/09) - Histórias de Molero de Afonso Cruz, Januário e a Guerra de André Ruivo, Pássaros de Filipe Abranches, Algo importante de João Fazenda, Diário de uma inspectora do livro de recordes de Tiago Albuquerque, Um degrau pode ser um mundo de Daniel Lima, O Paciente, Sem respirar e Sem dúvida, amanhã de Pedro Brito.

- animação infantil (máquina de desenhar, BD é fixe!, mini-laica,...)

- concertos
Sábado, a partir das 19h: Amon Düde (da Finlândia e ligado aos Avarus!)
Domingo, às 17h: Goran Titol (no auditório com projecções das suas animações)

- Festa pós-Laica, Sábado, dia 27, no Scandy Bar, com DJ's Filho Único

flyer: Jucifer

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Trans Europe Zine

Com os desenvolvimentos das tecnologias de tratamento digital de imagens e impressão, e da Internet, os tradicionais fanzines ou zines tem vindo a desaparecer, ficando no “mundo material” publicações com aspecto profissional – aliás, com cuidados gráficos ainda melhores que as revistas profissionais. Este texto é um mini-guia cartográfico bastante imcompleto para quem procura aventuras gráficas.


Partindo de Portugal temos os Opuntia Books já referido na Umbigo (Dez’07) e já agora investiguem também a Imprensa Canalha mas vamos imediatamente para aquela sempre foi e sempre será a capital da bd em Espanha, ou seja Barcelona, a sanita de Turistas anglo-saxónicos. Desde os anos 40 do século passado que se implantaram as editoras, grandes lojas de bd e o maior festival espanhol de bd. Claro que há muita boa gente no resto de Espanha mas é em Barcelona que aparecem projectos como a ARGH! que já vai no quarto número! E porquê a euforia? Simples... É que a ARGH! mostra que afinal os espanhóis não sabem apenas copiar como até fazem coisas boas - menos na música! Nas páginas da ARGH! vamos encontrar escatologia da grossa, bonecada "guilty-pleasure" e monstros nojentitos, piadas parvas de cócó-xixi & humor "serial-killer". As páginas são preto e branco mais uma cor extra que muda de número para número, permitindo aos autores explorarem temas – o “número amarelo” ligava-se à doença, por exemplo – ou potenciando grafismos mais adequados a cada cor, como aconteceu com o português residente em Madrid, Richard Câmara que participou no último número (verde) com uma versão colorida da bd publicada na colecção Lx Comics. Jorge Parras e Félix Diaz são os responsáveis pela publicação depois de terem feitos das suas no Fanzine Enfermo. Ambos são autores com estilos bastantes diferentes, o primeiro mais humorístico, o segundo mais “abonecado” na veia de Underground Pop. Cada vez que lançam um novo número refazem o sítio arghcomic.com.
Quando subimos para França é inevitável referir o colectivo Le Dernier Cri, sediado em Marselha no centro artístico Friche La Belle de Mai onde máquinas de serigrafia vomitam livros, cartazes e discos pelas mãos do casal Paquito Bolino e Caroline Sury. Nascido em 1993 das cinzas do movimento “undergráfico” francês dos anos 80, o colectivo publicou em 15 anos mais de 200 títulos, maioritariamente em serigrafia. Produção exorbitante para uma estrutura artesanal, que ainda edita a revista anual Hôpital Brut, produziu mais de 50 exposições (uma no Salão Lisboa 2005), discos e filmes de animação. Como afirma Bolino: «As edições do Dernier Cri consistem em artistas a editar outros artistas, artistas que vêm fazer residências, ateliers, ou simplesmente desejam fazer livros connosco, ao contrário de uma vontade de um editor em seguir conceitos pré-estabelecidos e colecções precisas. Isso permite-nos partir em qualquer direcção». A produção, toda ela assegurada pelo casal e colaboradores, é imparável e dispara para sentidos inesperados, por exemplo, num recente lote de edições quase todos livros incluíam música tão violenta como os desenhos: Evil Moisture (single 7" vermelho de Noise, co-editado com o colectivo dinamarquês Smittekilde), Le moindre doute de Guillaume Soulatges (que esteve numa Feira Laica) com desenhos seus Pop nostálgicos e música quase-que-relaxante, Judex (nome do autor e do livro + CD-R de Rock Noise na linha Fort Thunder / Load Records), Placenta Popeye (livro complicado de folhear + CD-R de Frenchy Noise Rock tão marado que parece uma banda de Black Metal que não sabe tocar), Vida Loco (Breakcore visual e sonoro!) e o “best of” do misógino Costes, Pot Pourri, acompanhado pelos desenhos da sua mulher Vanderlinden - se está casado ainda é misógino?

Bolonha, é outra capital da bd… em Itália. E é por lá que surgem projectos de uma qualidade irrepreensível como o Canicola, colectivo de oito autores e uma administrativa. A colar o grupo está uma vontade abrasadora de contar histórias sobre "coisinhas da vida" - no melhor estilo de Raymond Carver - mesmo quando a acção se passa em 2012 (Giacomo Monti) ou em universos oníricos de Amanda Vähämäki – a única autora do grupo, a finlandesa que estudou nesta cidade e que já regressou a Helsínquia. Na Canicola os desenhos são todos díspares embora se possa encontrar alguns pontos em comum com alguns autores que seguem uma estética "free" em que usam a seu favor, o facto da impressão dos dias de hoje conseguir apanhar tão bem os cinzentos do lápis - relembro que a bd sempre teve um processo de produção que obrigava os autores a "passarem a preto" (ou a tinta) os desenhos para serem reproduzidos. Nos dias de hoje, os autores ignoram essa técnica e caminham pelo "lápis directo".
Para além do grupo duro já passaram pelas suas páginas gente importante como Anders Nilsen (EUA), Chi Hoi (Hong Kong), Marko Turunen (Finlândia) e a alemã Anke Feuchtenberger, autora bastante influente na cena europeia, sobretudo nos últimos anos com a renovação do seu trabalho a grafite (que foi visto no Salão Lisboa 2003) e como professora de ilustração na universidade de Hamburgo – onde aliás ajudou a por de pé a revista Orang.
Justamente em Hamburgo que também encontramos o dice industries - já publicado em Portugal e participante na exposição åbroïderij! HA! que passou pela Bedeteca de Lisboa, Maus Hábitos, Casa da Animação e segue para a Biblioteca de Abrantes no mês de Abril. dice industries é DJ, designer, autor de bd, ex-homem do graffiti e recentemente abriu a galeria Linda. Qwert é o seu “zine de vida” que vai no 13º número onde tanto publica bd - Wien, ein mensch stirbt (2005) - como catálogos de exposições de artes plásticas: Low Density (2005) e Low Frenquency (2008) onde ele (ab)usa imagens dos «tios patinhas» (a font do Low Density não deixa dúvidas) e outras imagens populares, manipula-as ao ponto de ruptura sendo recriadas em ruído abstracto. A deformação é impressionante, um cruzamento histérico de Lynch com Lichtenstein.
Por alguma razão misteriosa, os finlandeses estão a descobrir o "ácido" na bd e ilustração. Fora do já conhecido desengonçado crumbiano ou da crueza non-sense ratada de Gary Panter, os finlandeses andam a borrar cores a torto e a direito nos seus desenhos. Prova concreta disso é o jornal Kuti editado pelo atelier Kuti Kuti, onde seja qual for o estilo gráfico das bd's, o que se vai destacar são as cores berrantes aplicadas ora com as canetas de feltro ora com o Photoshop. Outro ponto comum entre vários autores finlandeses é o imaginário sacado aos universos Pop da infância em que são revistos sob um prisma da decadência: ODNI (objectos Disney não identificados), Masters of the Universe destruídos e distorções da bonecada de plástico, da bd ou de desenhos animados xungas.
Do grupo destaca-se os livros de esboços de Tommi Musturi, a saber: Stand Alone and Smile rendido à arte psicadélica - a lembrar até o Moebius quando este tripava nos anos 70; Concrete Floor em formato A4 impresso em páginas verdes tem desenhos de dignos de manicómio visual; e Death to Most com desenhos feitos entre 1986 e 1992, quando o autor era um puto metálico “skater” a viver na província finlandesa e desenhava caveiras, demónios e "damas de ferro", foram-lhes acrescentadas as cores berrantes dando uma nova dimensão visual aos desenhos “teen”.

Texto publicado na Umbigo

terça-feira, 28 de outubro de 2008

tão rápido que é lento...

O Verão foi lixado... Um gajo até quer fazer serviço público e divulgar estas coisas da "independência" mas o ca-lor tor-na tu-do len-to... Quando foi o Crack? Porra, que depressão! Já foi em Junho... E Angoulême? É-pá! Foi em Janeiro! que vergonha, tanta coisa atrasada para escrever... E depois quando dei por mim, já chove e estamos no fim de Outubro. Fuck! Vamos lá:

O Ponti / Bridges, vol.1 (Forte Prenestino + Galago; 2008) é uma antologia sueca e italiana que serve para comemorar a equidistante amizade, cumplicidade e parceria entre italianos e suecos que, pelo menos, fizeram este ano o maravilhoso festival Crack (em Roma). O livro não foge muito de do formato de antologia que tem sido editados desde os anos 90 (tipo Mutate e afins - e claro com o pé na segunda série da Raw). Nas suas 96 páginas a preto e branco cheias de bd's os textos estão em italiano - mas há uma tradução em inglês no fim do livro. Destaque para o trabalho de Markus Nyblom (bonecada Dark), Marco Corona (surrelismo à italiana) e Valério Bindi que adapta um texto estranho de como sobreviver a uma guerra civil - é intrigante porque não percebi até que ponto é a sério...
À venda no site da CCC (50% desconto para sócios).

Nalle Uhh (ed. de autor; 2007) do finlandês Aleksi Jalonen é um atraente livro de bd num formato quase quadrado (15x16cm) a preto e branco - adquirido em Angoulême na banca divida com os finlandeses.
A bd é muda (sem palavras) e usa criaturas antropomorfizadas para contar um conto urbano existencialista num registo pictórico minimal que lembra Lewis Trondheim ou Nicholas Mahler mas mais cru e "free" como Fábio Zimbres. As páginas são divididas em quatro vinhetas que tem um ritmo heterogéneo mostrando que o autor domina as técnicas de narração - nem sempre fáceis quando se faz "bd muda". A única coisa que não percebi foi se o personagem principal é um porco ou um cão ou... a única coisa que sei é que tem um aspecto blasé e que está sempre a fumar. Mais um finlandês cheio de qualidades...
O livro está disponível na CCC (20% desconto para sócios)

Bomba #1 (La Chose; 2004) de Naz é um comic-book francês (a nivel de formato até é estranho na cena "indie" francesa) que trata das aventuras de uma equipa soviética que viaja (cladestinamente) pelos EUA num disco voador, vestidos de marcianos (ou marxianos!) e que incitam o proletariado a tomarem os meios de produção para si: «o povo de Marte (que é marxista como o filme Aelita já tinha mostrado em 1924) está furioso com o povo da Terra e irá destruir o planeta se não se tornar comunista, etc...». Fabuloso! Os desenhos ficam entre o Paul Pope e o Emmanuel Gilbert (no Le Photographe e se fosse a preto e branco). Infelizmente, parece que a série nunca saiu do primeiro número, o que é lamentável dado os bons minutos de entertenimento burguês que oferecia às massas exploradas da Europa. Escrevam à editora para pedir mais como eu já fiz!
Continuando na França com a antologia Week-end (Stratégie Alimentaire; 2007) que marca o fim do projecto editorial que fazia parte Guillaume Soulatges - autor presente na åbroïderij! HA! – International Graphic Arts Exhibition. Sendo a edição já impossível de encontrar valerá falar nela? Talvez sim nem que seja para documentar a participação de André Lemos, e já agora, do finlandês Tommi Musturi. Tal como deverei falar de L'Usine Nouvelle, livro de Soulatges também editado pelo mesmo colectivo francês? Não sei... Com tanta coisa a empilhar por estes lados mais vale o usar as vantagens da 'net e passar a "hipertexto" - e como o Pedro Moura já escreveu aqui, «I rest my case».
Para breve coisas antigas (ainda resultado da Feira do Livro Anarquista, do Crack, da Feira Laica e Festival de Helsínquia) mas que são sempre novas para estas bandas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Vieram todos do frio: Finlândia, Noruega, Lisboa... Lisboa?

Eis uma fornada de novos zines/livros que vieram da visita da CCC ao Festival de BD de Helsínquia, curiosamente todos eles pautados pela revisitação à infância e juventude.

A mais óbvia ou de relação mais directa é Death to Most (Boing Being) do Tommi Musturi que mostra que quando era puto já desenhava bizarrias virtuosas. Musturi resgata desenhos feitos entre 1986 e 1992 quando era um puto metálico e skater a viver na província finlandesa. Como é óbvio só poderia desenhar caveiras, demónios e "damas de ferro". A cor berrante - tão típica nas produções finlandesas - foi acrescentada para a edição deste mini-livro A6 de poucas páginas. Queriamos mais já que este ano não saiu a Glömp - a propósito o número 10 desta antologia sairá ainda este ano e servirá de catálogo para uma exposição de bd em três dimensões... Promessa feita de trazê-la a Lisboa para 2009. Cruzem os dedos!

Anna Sailamaa com Ollaan nätisti (Huuda Huuda) a infância é revisitada - por acaso é um tema do qual não tenho nenhum interesse seja em bd, literatura ou cinema. Apesar de tudo gostei de ver as distorções gráficas que a autora aplica no espaço e nas personagens criando um efeito "nostálgico" quando olhávamos para os adultos ou para os nossos pais e achávamos que eles eram enormes - as pessoas mais poderosas do mundo. Tirando as bd's de Chester Brown nunca tive interesse em bd's sobre a infãncia - acho que revelam fraqueza e falta de inspiração por parte do autor - mesmo assim este livro é interessante, novamente mais pela parte gráfica... Está escrito em finlandês mas com as legendas em inglês.

E se o finlandês consumiu demasiados desenhos animados pela TV, os noruegueses Kristoffer Kjolberg e Sindre Goksoyr leram demasiados "Tio Patinhas". E a piorar ainda tem uma obsessão doentia e inexplicável por Lisboa como se pode perceber pelo quatro zine dedicado a "Lisboa" em que o Gavião e o Prof. Pardal andam à bulha com a nossa capital como pano de fundo - um pano de fundo farçola e minimalista como as bd's Disney. Safety on Board (Dongery; 2008?) é um split-zine em que as bd's que se desenvolvem de um lado e do outro vai colidir nas páginas centrais. De um lado assistimos às acções do Gavião e do outro do Prof. Pardal, apesar de estarmos a assistir a uma bd de "continuação" pode-se ler com a independência sã de um oubapo. Escrito em inglês.

Experimental é o Jyrki Heikkinen com o seu novo livro (um deles, sairam mais mas só este é acessível para além dos 5 milhões de finlandeses e mais alguns conhecedores da língua suomi) Paparoad (Boing Being). Um livro horizontal que por pouco não se "parece com uma bd". Sem palavras, com desenhos que mudam de estilo/material de desenho/pintura, sem vinhetas clássicas podemos ser enganados a pensar que se trata antes de um livro de desenhos. O engano é tão legítimo como a qualidade e maturidade do trabalho.


E enquanto as fotos não são descarregadas, contas feitas e aquisições editoriais totalmente revisitadas (faltam dezenas de zines do Dongery e do Rui Tenreiro) podemos anunciar que já temos à venda o livro Nalle Uhh e que trouxemos também os últimos dois números do jornal "psico-berante-marado" Kuti que pode adquirido gratuitamente na compra de qualquer artigo finlandês ou com autores finlandeses no site da Chili Com Carne - a oferta é limitada ao stock existente - ou no caso do número 8 (imagem) por ser dedicada ao Trash, poderá ser oferecido na compra de qualquer bd Trash - as ofertas são acumulativas!

Para mais informações sobre o Kuti é só clicar aqui.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Glömp #9

Boing Being; 2007

Um mamote com 308 páginasa cores de bd e ilustração psicadélica de porte global: da Coreia do Sul a Portugal (com André Lemos), da Grécia ao Canadá, e claro pela Escandinávia fora - ver aqui pormenores mas atenção à baba que vos escorrer pela boca não atingir o teclado.
Esta antologia finlandesa organizada por Tommi Musturi mostra o melhor que se faz em bd de autor neste novo milênio. E se todo este texto parece histérico é porque o conteúdo não deixa outra opção tal é a quantidade de material marado (e "marado" é mesmo a melhor expressão) que aparece nas páginas deste livro.
É de aproveitar enquanto existem exemplares porque quando esgotar ficarão a chuchar no dedo como já aconteceu com muita boa gente em relação ao número anterior - que já preparava o terreno para o que vinha a seguir.
Neste momento só há 5 exemplares em posse da editora (que para a semana conta esgotá-los participando numa feira do livro) e 3 exemplares à venda no site da CCC. Estão mais do que avisados...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

hANGOUver

Pepedelrey a conduzir. km 156 em Espanha
tableta a identificar a Chili Con Carne

foto-fdd-tlm do stand da Chili Com Carne com o Boing Being. + fotos do stand aqui.


foto-fdd-tlm de casal finlandês vip (very important punk): Tommi e Tiina

foto-fdd-tlm de vips dos balcãs: Miss Ivanini & Mr. Zograf

Angoulême adora suar a bd


Yin/Yang: amigo Benoit / camarada Farrajota pelas ruas da cidade da bd...

Estação de serviço vindo de Vilar Formoso, Pepedelrey entre a k7 do DJ Bobo e o CD das Doce.


A não perder também uma reportagem fotográfica da croata Ivana Armanini em jedinstvo.hr/pmwiki/pmwiki.php?n=Komikaze.Angouleme2008. Ela deixou a antologia Komikaze para a CCC vender, em breve na shop online na secção de livros / vários.
"Kiitos" ao Tommi / Boing Being pela partilha de stand.

E já agora, já todos sabem que o(s) presidente(s) do festival vai ser a dupla Dupuy-Berberian... A "cara-metade" Charles Berberian tem um desenho no livro Malus (MMMNNNRRRG; 2005) onde retrata o seu autor, Christopher Webster. Na realidade trata-se de um pormenor retirado de um desenho maior de Berberian numa noite "bairro-autista" com vários autores de bd, durante a sua visita ao saudoso Salão Lisboa 2000.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Asterixin Persreiät


Chili Com Carne and associates labels (El Pep, MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha and Opuntia Books) will be dividing a booth with Boing Being crew from Finland in the Comics Festival of Angoulême next week between 24th and 27th January.

We'll be selling the best Indie Portuguese editions in the NEW YORK Bulle while dancing Finn Death Core Tango. You've been warned!

sábado, 24 de novembro de 2007

europagraphics ii

Moving Plastic Castles
Sketchbooks, vol. 2: Stand alone and smile ; vol.3: Concrete Floor
(Boing Being; 2006-07) de Tommi Musturi
Kuti #1/5
Uusi Pulmis
(Kuti Kuti; Set'06-Set'07)

Por alguma razão misteriosa, os finlandeses estão a descobrir o "ácido" na bd e ilustração. Fora do já conhecido desengonçado crumbiano ou da crueza non-sense ratada de Panter, os finlandeses andam a borrar cores a torto e a direito nos seus desenhos.
Prova concreta disso é o jornal Kuti editado pelo atelier Kuti Kuti, onde seja qual for o estilo gráfico das bd's a dada altura o que se vai destacar são as cores berrantes aplicadas ora com as canetas de feltro mais básicas até ao Photoshop. Outro ponto comum entre vários autores finlandeses (ou os artistas do atelier Kuti Kuti) é o imaginário sacado aos universos Pop da infância em que são revistos sob um prisma da decadência: ODNI (objectos Disney não identificados), Masters of the Universe desconstruídos, distorções da bonecada fosse ela vindo do brinquedo de plástico ou da bd impressa ou desenhos animados. O último número mudou o rumo exclusivo da bd nas folhas do jornal e começaram a aparecer alguns artigos e entrevistas... Sim, letras e texto - desilusão dirão, mas não projecto está ainda melhor mostrando que a bd finlandesa continua com a força toda.
Musturi (que faz parte desse atelier) tem publicado sketchbooks, o segundo, Stand Alone and Smile está rendido à arte psicadélica - a lembrar até o Moebius mas sobretudo à arte tripada dos anos 60. O mais recente, Concrete Floor, aumentou para o formato A4 e as páginas estão todas verdes - o melhor é tomar alguma coisa antes de fohear o manicómio visual que se apresenta. Há ainda mais um livrinho quadrado daquele que é o resultado (em imagens) de um sonho sobre "Moving Plastic Castles". Mais confusão mental marcado a cores fortes e forte componente iconoclasta.
Por fim, Uusi Pulmis é um mini-zine A6 de lixo do atelier, ou seja, feito espontâneamente de desenhos rejeitados e deitados para o lixo, recuperados pelo gozo apenas de fazer uma experiência "zinista". O lixo de uns é o luxo de outros? A ideia de reciclagem ultrapassa o resultado final, claro está.


à venda na CCC (20% desconto para sócios)

domingo, 18 de novembro de 2007

Glömp #7

Boing Being; 2005

Antologia finlandesa (mas com apenas um autor finlandês desta vez) que edita o melhor que se faz de bd no Ocidente pelas novas gerações gráfico-narrativas.
Os nomes não enganam: Tom Gauld, Helge Reumann (o Elvis Studio no Salão Lisboa 2005), Till D. Thomas (na última CriCa), Giacomo Nanni (Canicola), Fréderic Poincelet, ... e ainda bd's inéditas de Isabel Carvalho e Pedro Nora!!! Mais não é preciso escrever, creio.
A impressão do miolo é feita a cores diferentes de caderno a caderno mas sempre a uma cor (azul, verde,etc...).
Um bom livro!
Está escrito em finlandês mas tem legendas em inglês no fim de cada prancha.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

(depois de) CCC@Helsinki.Comics.Festival

Nos dias 23 e 24 de Setembro ocorre o 21º Festival de BD de Helsinquia. A CCC estará lá presente com uma banca de títulos seus e dos seus associados MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha e Opuntia Books
...
Chili Com Carne editions and other Portuguese best kept secrets (like MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha and Opuntia Books) will be represented in the 21st Helsinki Comics Festival to be held on the 23rd and 24th of September 2006.



Em jeito de relatório...
Foi a segunda vez que me aconteceu tal coisa e com a mesma viagem! Segunda vez em HELLsinki e foi a segunda vez que me perdem a bagagem numa viagem de avião. Tal como há 2 anos do transbordo de Paris, desta vez foi no de Amsterdão. Se da primeira vez não havia grande drama, desta vez a coisa era grave porque a mala perdida tinha os livros da CCC e dos associados para serem vendidos no Festival de BD. E ao contrário da primeira vez que logo de manhã já tinha a minha bagagem recuperada desta vez só chegou depois das 18h - justamente quando o primeiro dia comercial do Festival terminava.

Ainda assim não me posso queixar: quase todo o material (seleccionado do catálogo da CCC e associados, que estivesse em inglês ou fosse meramente visual) foi vendido - e o que não foi, foi trocado por outro material ou deixado em lojas na Finlândia. Mais, o retorno monetário foi grande o suficiente para pagar 70% da viagem. Sendo que esta viagem era um misto de negócios e férias, a questão do lucro relativisa-se bastante.

Por isso posso dizer que valeu a pena. Manter ou fazer novos contactos, despachar exemplares de livros que em Portugal são ignorados pelo mercado e pelos críticos, receber feedback do público - elogiando ou não mas sempre reagindo. Diferente da letargia portuguesa, de um público que mais parece ter medo dos livros. Aliás, tão ricas que eram as reacções que as conclusões são impossíveis. O que posso dizer é o que me parecia que seria mais óbvio vender não vendeu tanto, e vice-versa. O público também era bastante diferenciado e misturado, desde dos nostálgicos e cromos maluquinhos aos os nerds dos nerds (os fãs de Manga e em regime cosplay - valia ter tirado fotografias!), dos góticos e góticas lamacentos (fãs dos 69 Eyes - o vocalista tinha sido autor de bd nos anos 90 e era reeditado o seu livro Helsinki Zombie Vampire Love ou algo parecido), aos estudantes de artes e similares, e gente normal, ... O que facilitava algumas aproximações - os CD's de música que levei que tinham Moonspell foram todos despachados prós vampiritos!

Não tenho fotografias do evento - a máquina estava na mala e no Domingo, último dia comercial do Festival, queria era vender e despachar material, dai a pobre reportagem fotográfica que se resume a duas fotos da banca e da mascote do Festival, ambas desmontadas...


Das trocas realizadas eis a lista (a actualizar nos próximos dias):

-
Canicola #2
- Canicola #3
a melhor revista italiana de bd do momento, em italiano c/ legendagem em inglês, 10€ cada / 8€ cada para associados
- C'est bon Anthology #1 (3ª série)
revista sueca de bd, em inglês, 14€
/ 11,2€
- Nazi Knife #2
graphzine do mesmo grupo do Rotkop, 10€
/ 8€
- Moving Plastic Castles
livro de arte do finlandês
Tommi Musturi, 6€ / 4,8€
- Madonreikä
zine de ilustração do mesmo autor de Kylmä Liha, 4€ / 3,2€
- Glömp #8
antologia finlandesa de bd, todo a cores!!!, em finlandês c/ legendagem em inglês, 20€ / 16€

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Fenoscândia III

Da Suécia, já tinha aqui falado da C'est Bon Anthology, em Setembro 2004. O último número, o cinco, participam Tommi Musturi (da Finlândia e já publicado no Quadrado #6), Sara Granér, Django Mikalacki & Igor Kordey (uma bd de 1986!) e Carol Swain (autora já publicada no Azul BD3). A tal bd de 1986 foi a que me chamou a atenção. Desenho naturalista faz uns saltos quânticos entre uma familía moderna e uma primitiva, coisa bem anos 80 mas bem feita em todos os aspectos. Esta revista tem evoluído de uma revista de colectivo para uma revista de colectivo mais convidados especiais, ao ponto que está a "engordar" o número de páginas a julgar pela maquete do #6 que vi na SPX'06. O próximo número terá distribuição mundial via catálogo Previews. Dará que falar?



Quem não fala muito é o gato Klas nem o seu simpático criador Gunnar Lundkvist. Klas Katt Gar Till Sjöss (Ordfront; 2003) é mais um volume de estórias minimalistas e misteriosas. Álbum impresso a preto e branco e algumas páginas a cores, mesmo que eu percebesse sueco, as bd's deste autor / série (quem é alter-ego de quem?) são tão estáticas e deprimentes, e sobretudo, metafóricas, que nunca saberemos o que se passa aqui... Podem apanhar as bd's existencialistas republicadas neste volume em várias antologias internacionais (Lapin, Stripburger, etc...) que sempre é melhor.



Um livro que mesmo não percebendo nada de nada mas tive de comprar (estava em saldos e o livro estava com o miolo de pernas para ar - ficou em 2€!? Deve ter sido isso, 20 Coroas, a Suécia ainda não tem o Euro) foi Den Universella Bristen På Respekt (Ordfront; 2000) de Joakim Pirinen. Em Portugal creio que ele foi publicado umas duas bd's no Azul BD3. Eram as bd's mais escatológicas... O autor é de um traço minucioso e fluído, de um humor negro estranho (nórdico?). O que não sabia era que o tipo sabia desenhar mais do que ursos de que vomitam & vomitam & vomitam bílis, pêlo e entranhas. O livro mostra a versatilidade de traços (e de temas!) de Pirinen. A compra foi bem merecida mesmo sabendo que nunca irei "ler" este álbum que reúne várias bd's de Pirinen.