A apresentar mensagens correspondentes à consulta MASSIVE ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta MASSIVE ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

MASSIVE... ESGOTADO!



Este volume 8 da Colecção CCC mantêm as regras que têm pautado as edições da Chili Com Carne: um programa orgânico pela publicação de obras fragmentadas e o gosto entesado pelo Apocalipse.
O objecto refinado e luxuoso enfrenta, no entanto, vários perigos - não tem um editorial nem uma carta de intenções, os mais de 60 desenhadores europeus e americanos são dispostos em 100 páginas coloridas sem os podermos identificar... O "maciço" é Peso-Médio de desenho "non-stop" em sequência que nos transportam para leituras narrativas. É bruto mas com diversidade estética. Se quiser saber do que se trata este livro é preciso tirar a (sobre)capa e aceder às "letras" do mesmo, é lá que encontrará a ficha técnica e o índice dos trabalhos.
Mas e se perder a sobrecapa? Sendo a sobrecapa possível de se transformar num póster irá colocá-la numa parede? Se o colocar na parede, deixará no conforto do seu lar um livro descarnado e protegido apenas em cartolinas pretas? E quando a parede cair depois da onda de choque da bomba atómica que explodiu a 12 km da sua casa? Acha que os sobreviventes (se houver) irão entender as autorias deste artefecto cultural anónimo?
«Quem desenhou isto?» irão perguntar... Talvez não, talvez a radiação tenha comido a língua e a fala. Talvez o desenho venha a ser a única linguagem depois do Fim! - Axima Bruta dixit
...
Projecto dirigido por Margarida Borges, Marcos Farrajota, Jucifer e Ricardo Martins, e Ideia original: Hülülülü; Design / Capa: Bráulio Amado; Edição: Associação Chili Com Carne. Apoio: Instituto Português de Juventude. ISBN: 978-989-95447-7-2; 104 p. em papel colorido, sobrecapa desdobrável a cores; 500 exemplares
.
participantes: Adrien Fregosi, João Sequeira, Anna Ehrlemark, Daniel Moreira, André Lemos, Craig Atkinson, Fábio Santos, Gaiihin Gobulgœme, Jean Pierre, Serge Onnen, Stephane Prigent, Carletti L. Traviesa, Jaan Maldur, Alex Gozblau, Alex Vieira, João Maio Pinto, Arturas Rozkovas, Alberto Corradi, Marta Monteiro, Tommi Musturi, Marco Moreira, Stevz, Ludmilla Bartscht, Zeke Clough, Afonso Ferreira, Lili Loge, Anna Bas Backer, Braulio Amado, João Fazenda, Warren Craghead III, Pepedelrey, Bruno Escoval, Daniel Lima, António Jorge Gonçalves, Tanxxx, Claudia Guerreiro, Margarida Borges, Ricardo Martins, Massimiliano Bomba, Manuel Donada, José Feitor, Chanic, Rita Hermínio, Pedro Franz, Marion Balac, MP5, Nevada Hill, Ilan Manouach, Rui Vitorino Santos, João Chambel, Filipe Abranches, Cátia Serrão, Manu Grinon, Milos, Remi Cram, Natalia Umpiérrez, Marto, Ward Zwart, André Coelho, Haz, Jucifer, Sofia Mestre e Pilas
.
Historial: lançado na inauguração da exposição O Último Fósforo ... o livro da CCC que esgotou em tempo recorde (Jan'10/ Jul'11) ... Nomeado para Melhor Publicação Técnica (!?) para os Troféus Central Comics 2011
.
Feedback : the MASSIVE book is a amazing collection!!! And you did a very good choreography. Ulli Lust ... Like especially that you printed it on colorful paper and the cover is super beautiful! Great Job!!! Kuš! estive com o vosso MASSIVE nas mãos, está mesmo fantástico, foi das melhores coisas que vi nos últimos tempos. Parabéns pelo grande trabalho. Plana Press Mais de 60 artistas de todo o mundo responderam ao desafio: desenhar. Fazê-lo sem tema, de olhos vendados, sem direcção - pelo menos aparente - ou tomando como mote o Apocalipse, temática já por si aberta e abrangente. O fim como princípio para um livro cuja única carta para a sua navegação, o verso da fantástica sobrecapa, é um híbrido que poderá tomar a forma de um poster. Restam-nos 104 páginas de desenho nonstop, bloco denso dividido em cadernos coloridos, explosão gráfica diversificada na abordagem, estranhamente coesa e homogénea no resultado final. Flur Massive recorda também outro tipo de referências musicais, o dub... como ele, a remistura, a fragmentariedade, a devolução alterada parece presidir a este junção Ler BD Sem querer pensas em Hyeronimus Bosch do longe passádo século XVI: os psicadélicos jardins paradisíacos dele, cheios de seres, vindos de algures das profundezas do subconsciente. Apocalipse, claro! Inundação do Universo, fim do mundo! O caos não precisa da lógica, as páginas constroem uma sequência narrativa sem o começo e sem o fim. Não precisa deles. E da maneira como seguimos as páginas, nas próprias páginas seguimos os pormenores: as pequenas apocalipses constrõem um grande Bum. Kaja Avberšek in Stripburger Una de las cosas que más agrada al encontrar fanzines y otras publicaciones autoeditadas, es sorprenderse con la creatividad a la hora de diseñar el artefacto. Con MASSIVE, una antología de ilustración de Chili Com Carne, tenemos un ejemplo claro de que no es necesario demasiados recursos si se tiene ingenio para editar y criterio para seleccionar el contenido. ¡Buen gusto! (...) Todo este color contrasta completamente con el contenido de la publicación: una ilustración oscura que hace culto a la carne, y que va del trash y el brutart al expresionismo y a un naif perverso y malintensionado. Martin in Bolido de Fuego


terça-feira, 24 de setembro de 2013

ORIGINAIS na SHOP da CCC


Finalmente avançamos com uma ideia antiga!!! A de incluir a venda de originais de desenho e BD na nossa shop online. A primeira autora da Chili Com Carne a alinhar nisto foi a Jucifer que nos disponibilizou seis desenhos relativos às suas participações na Chili Com Carne, nomeadamente, as ilustrações que fez para a Colecção CCC: a capa do Crack OnMASSIVE (imagem), desenhos vários para o livro A Segunda Vida de Djon de Nha Bia escrito por Nuno Rebocho, e uma prancha de BD do Futuro Primitivo; e ainda, o cartaz do concerto dos Fritos (onde tocava Filipe Leote, o Presidente Drógado).

Os associados terão desconto de 20% na aquisição dos originais. 
Para ver todos os originais clique AQUI
...

At last we're selling original art in our online shop. Our first Chili Com Carne artist is Jucifer that gave us five drawings related to our books: the Crack On anthology cover (for the Italian Crack Festival), MASSIVE international anthology (image above), A Segunda Vida de Djon de Nha Bia written by Nuno Rebocho, one Futuro Primitivo comix page and punk rock Fritos gig poster for Feira Laica. 

Free posting for EU countries, see all the drawings HERE.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Cancelem o Apocalipse!

Foram meses muito agitados estes últimos dois de Maio e Junho: montes de convidados estrangeiros a visitar-nos por causa de eventos como o Festival de BD de Beja ou a Feira Laica, livros a sairem, exposições e eventos vários a organizar! Ufa ufa!

Ainda nem tivemos tempo de assimilar tudo, como por exemplo, esta resenha à antologia MASSIVE na importante revista eslovena de bd Stripburger. Recebemos a sua tradução e escolhemos este excerto:

«Sem querer pensas em Hyeronimus Bosch do longe passádo século XVI: os psicadélicos jardins paradisíacos dele, cheios de seres, vindos de algures das profundezas do subconsciente. Apocalipse, claro! Inundação do Universo, fim do mundo! O caos não precisa da lógica, as páginas constroem uma sequência narrativa sem o começo e sem o fim. Não precisa deles. E da maneira como seguimos as páginas, nas próprias páginas seguimos os pormenores: as pequenas apocalipses constrõem um grande Bum» - Kaja Avberšek

Entretanto já devem ter percebido que este livro está quase esgotado por várias razões, pelas ofertas de exemplares aos seus 66 colaboradores (isso ajuda a esgotar sem dúvida!), as vendas habituais que se foram fazendo desde que saiu em Janeiro em lojas, site e eventos (e que para dizer a verdade foram bastante boas) e que colidiram com o facto da Associação Chili Com Carne ter voltado a ter uma distribuídora profissional - uma empresa que deixa os nossos livros pelas mesas dos oligopólios do mercado livreiro: Fnac, Bertrand, Bulhosa, Almedina e afins. Inesperadamente o pedido do MASSIVE foi grande o suficiente para ficarmos com a tiragem de 500 exemplares quase esgotada nos fabulosos armazéns da CCC. Sabemos que as vendas nestas lojas estão a correr bem e por isso prevê-se que não haverá devoluções - ou então serão muito residuais, fazendo que o título esgote (na mesma) ainda este ano.

Nunca tinha acontecido algo assim no catálogo da CCC ou associados, será o nosso "livro-record", que em menos de um ano desaparece - relembro que o livro saiu atrasado em Janeiro - o que nos deixa perplexos mas também a pensar que estamos num bom caminho quando não fazemos promoções de marketing, nenhuma publicidade poluente mas pior, não destruímos livros... Ops! Espera lá! O Estado mudou o IVA dos livros de forma que as editoras possam oferecer as suas sobras a instituições sociais, educacionais e prisionais... Um livro falhado para cada escola e prisão! Upa upa!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

soutien

Quando esteve cá no Salão Lisboa 2005, Pakino Bolino (o mentor do Le Dernier Cri) jurava que não voltaria ao Festival de Angoulême. Foi com surpresa que a dada altura, através do finlandês Tommi Musturi, soube que ele ia ficar com o LDC, uma vez que também ele tinha perdido mesa no espaço "Novos Mundos".
Bom... o Pakito não brinca, voltou sim senhor, mas fazendo um "off" ao festival - aliás, um "fuck-off" à Angou-Merde. Algo que o festival perdeu nos últimos anos e que realmente é essêncial ao mongolismo comercial do evento. Num bar caquético no centro residencial da cidade, o Minage, montou o que era preciso montar: cartazes em serigrafia por todo o lado, recebeu também as produções do Mike Goes West, as edições finlandesas e ainda o MASSIVE - curiosamente um dos desenhos do "Fuck-Off" é do Tommi Musturi e está no MASSIVE. Houve concertos marados, copos que acabaram (os velhotes do bar não deviam estar à espera disto) e um verdadeiro ponto de encontro da cena alternativa internacional. Imagens da cena toda aqui.
Entretanto saiu o novo Hôpital Brut, um monstro de 7k de serigrafia num conjunto de três livros (mais um cartaz) e inclui colaborações de meio-mundo que é visionário-bruto como os portugueses André Lemos e Miguel Carneiro. Ainda temos muitos e bons livros LDC na nossa "shop". Allez!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Não é fácil ler o MASSIVE...


Alguém no Último Fósforo (+ fotos aqui) a tentar perceber o MASSIVE...

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Tommi Musturi e Benjamin Bergman confirmados para BD Amadora 2019



Dois autores finlandeses irão à BD Amadora nos dias 1, 2 e 3 de Novembro.
Apoiada pela FILI e a o Festival de BD da Amadora
+ infos para breve

Tommi Musturi nasceu em 1975, é um dos autores mais excitantes num país onde onde surgem dezenas de autores excitantes! Desde miúdo que é um activista, começou por editar nos anos 90 singles de Noise Rock e zines de BD sob a chancela Boing Being, em que se destaca a antologia Glömp cujo último número explorou narrativas em três dimensões - número experimental, luxuoso e basilar que teve direito a uma exposição que passou pela Bedeteca de Lisboa em 2009.

Apesar de viver em Tampere é um dos elementos mais activos do atelier Kuti Kuti (de Helsinquia) que edita o muy psicadélico jornal de BD Kuti - um caso único no mundo, diga-se de passagem. No caso português participou nas antologias Quadrado (3ª série, Bedeteca de Lisboa), Mesinha de Cabeceira Popular #200 e no MASSIVE - ambas da Chili Com Carne - como ainda com um artigo para o jornal A Batalha.

Foram também publicado os livros To a stranger (Opuntia Books; 2010), Beating (MMMNNNRRRG; 2013) e O.O.M. (MMMNNNRRRG + Mundo Fantasma; 2017) dedicados à sua obra gráfica. Já nos visitou várias vezes entre elas na Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009), Festival de BD de Beja (2014) e ZineFest.Pt (2017). 

Os livros Caminhando Com Samuel e Simplesmente Samuel, com edição em nove países, têm lhe granjeado fama internacional, sendo que o primeiro título foi uma das obras seleccionadas para o livro de referência 1001 Comics you must read before you dieEm 2018 a MMMNNNRRRG editou Antologia da Mente, uma selecção de BDs curtas deste incrível autor!

||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||o||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||


Benjamin Bergman quando era puto deve ter absorvido demasiado desenhados animados e bonecada em PVC, daí ser um autor do famoso atelier de Helsínquia Kutikuti. 

Já nos visitou em 2009 numa Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009) e até sobreviveu até hoje um mural seu na entrada da biblioteca, feita colectivamente com Tommi Musturi, Jarno Latva-Nikkola e Tiina Lehikoinen.


O Maximum Troll-On foi editado pela MMMNNNRRG em 2018.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Pornografia para intelectuais na Oficina (CIAJG)



Uma antologia sob a curadoria de microworkers

 HARVESTED de Ilan Manouach é baseado em conteúdos encontrados, uma selecção arbitrária de filmes adultos. Foi inteiramente criado por um conjunto orquestrado e bem afinado de rotinas planeadas, scripts da web e tarefas baseadas na inteligência de enxame. O material deste livro foi reunido por um grupo descentralizado de parceiros e foi filtrado por uma população anónima de “microworkers”.

O livro naturalmente tornou-se numa co-produção com vários editores, a saber: MMMNNNRRRG (Portugal), Forlaens (Dinamarca), Hálice Hálas (Suiça), La Cinquième Couche (Bélgica), Topovoros (Grécia), Fortepressa (Itália), Ediciones Valientes (Espanha), Pachiclon (México) e Bitterkomix (África do Sul).

Mais de dois mil filmes adultos foram colhidos em grandes quantidades de sítios em linha p2p directamente para um servidor. Seguindo dois scripts diferentes, os primeiros 10 minutos dos vídeos foram despedaçados em milhares de imagens de baixa resolução no formato JPG à espera de serem filtradas. Este lote de imagens foi submetido a serviços de crowdsourcing que permitem coordenar inteligência humana aplicada a tarefas que os computadores ainda não conseguem fazer. Um grupo seleccionado de “microworkers” foram recrutados para filtrarem estas milhares de imagens de acordo com uma instrução conscientemente vaga: se nelas apresentavam ou não arte contemporânea.

Esta “Colheita” mostra-nos à superfície quinhentas obras de arte encontradas em casas, estúdios, cenários de filme e outras heterotopias da indústria de filmes adultos. Se esta antologia dá importância a um contexto de história da arte de uma indústria específica, ela também se posiciona simbolicamente na necessidade em activar uma visão periférica no que toca às práticas escopofílicas.

Se as pinturas do IKEA são penetrantemente dominantes, podem-se encontrar trabalhos de mestres modernos como um rapinanço de Fernand Leger, um desconhecido Joan Miró, Castelo e Sol de Paul Klee mas também obras contemporâneas como Quote, 1964, uma impressão de Robert Rauschenberg, uma série de pinturas de Mark Rothko, School of Fontainebleau de Cy Twombly e até algumas réplicas de Frank Stella e Lucio Fontana.







à venda na "shop" da Chili Com Carne e nas lojas ZDB, Linha de Sombra (Cinemateca), XYZ Books, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Nova Livraria Francesa, Tigre de PapelUtopiaStet, Tasca Mastai, LAR / LAC (Lagos), Oficina (CIAJG) e FNAC.


Feedback: 

A pornografia normalmente é uma coisa aborrecida e repetitiva - apoiada pelo Vaticano. Neste caso ao procurar a "arte contemporânea" nas fotografias tudo se transforma, cada fotografia acaba por se transformar em arte, que belas composições com mamas e pilas, mas onde as mamas e as pilas não são mais do que um dos elementos destas belas composições! 
Goran Titol (via e-mail) 
... 
um interessante livro, cínico q/b no seu ponto de partida. Espero que esgote para continuares a encheres as nossas prateleiras de livros. 
Paulo Mendes (via e-mail)
... 
Altamente! 
Benjamin Brejon dos Mécanosphère (via e-mail)
...
Livre tout d’arrière-plan, livre d’art dissimulé dans un livre de cul. La fameuse idée qui devient livre. Pour la faire exister. Et une fois chose faite, du livre, que vit-on? toujours la même perplexité. Ni vraiment bon ni vraiment nul, une expérience éditoriale de plus pour Ilan dont je me prends quand même à rêver qu’il revienne à la bande dessinée, discipline dans laquelle il est infiniment plus singulier que dans celui dit de l’art contemporain (typologies évidemment purement sociales : la bande dessinée EST un art contemporain). En gros: je suis perplexe.
DU9


Acabei há poucos dias de ver o Harvested - é muito fixe, acho que peca apenas por algumas (muitas talvez) páginas não terem "arte contemporânea" mas antes porcarias emolduradas tipo Ikea. Mas talvez fosse mesmo essa a ideia do autor - pôr tudo no mesmo saco. De qualquer forma é muito fixe, porque é um passatempo andar em cada página à procura da "arte" ao mesmo tempo que levas com tudo o resto que é bastante diversificado e por isso bastante rico também.
Sara e André (Claim to fame)


Sobre o autor:


Artista complexo e activista underground, o grego Ilan Manouach (1980) licenciou-se em Bruxelas em Belas Artes tendo feito até hoje uma carreira diversificada em conteúdos e conceitos, a começar pela sua extensa bibliografia e discografia - para além disso é músico caso a imagem ainda deixe dúvidas...

É o autor responsável pelo livro Harvested, editado em Portugal pela MMMNNNRRRG, que lançou para o mundo o conceito de "pornografia para intelectuais". A maioria dos livros tem sido publicados pela editora belga 5e Couche, desde 2003 com Les lieux et les choses qui entouraient les gens désormais que não passou despercebido logo pela crítica. A lógica dos seus livros é uma simbiose entre a BD e a Arte Contemporânea, não faltando le scandale e as polémicas sendo que a mais conhecida será a impressão "pirata" de Katz - livro que substitui as cabeças de todas as personagens de Maus de Art Spiegelman por gatos, tendo como desenlace a destruição física do livro por ordem judicial.

No último Festival de BD de Angoulême apresentou o Shapereader, uma BD baseada em impressão tridimensional para leitores cegos.

Participou em exposições colectivas na Bedeteca de Lisboa e no Festival de BD da Amadora, para além de ter sido publicado os livros A vara do açucar da meia noite e nos bordos dos peixes (Opuntia books; 2008) e Variações sobre o anjo da história : ensaio de Walter Benjamin inspirado por Angelus Novus (um desenho de Paul Klee) (Montesinos; 2012), este último com texto de Pedro Moura. Também participou na antologia de desenho MASSIVE (Chili Com Carne; 2010).

Em Portugal Manouach já nos visitou várias vezes como músico e artista - da última vez no Festival de BD de Beja mas em Maio de 2016 veio como músico para concertos em parceria com Jonas Kocher, com o projecto Exhaustion, desenvolvido com o objectivo de explorar as possibilidades de permutações seguindo a estratégia da exaustão como necessidade de validação. O seu jogo instrumental é construído numa arquitectura mental onde são exploradas as relações horizontais / verticais, densidades / drones, tensão / aborrecimento, numa relação bi-polar elástica que expande a linguagem da livre improvisação até ao limite.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Simplesmente Samuel


As novas caminhadas existênciais de Samuel

Simplesmente Samuel de Tommi Musturi

160p. 20x20cm a cores em papel Orla Cream 140g
capa dura a cores, marcador de fita

PVP: 20€ - à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdMania, ZDB, Tasca Mastai, Linha de Sombra, Mundo FantasmaTigre de Papel, Blau (Fac. Arquitectura de Lx), MOB, Bertrand, FNAC, Bar Irreal, Utopia, Matéria PrimaA Ilha / XYZLAC (Lagos), Black Mamba e Kingpin Books.

...

Simplesmente Samuel é uma narrativa visual silenciosa, uma homenagem à vida e à existência humana. Samuel é uma figura fantasmagórica que caminha por um mundo colorido (muito parecido com o nosso) praticamente invisível para o que está ao seu redor, como um verdadeiro herói da nossa vida quotidiana e mundana. As vinhetas sem palavras de Simplesmente Samuel lidam com o individualismo e o conceito de liberdade, ponderando nossas atitudes diárias, escolhas e os valores por trás delas - tudo isso através das acções e expressões de Samuel.

Simplesmente Samuel é a continuação de Caminhando Com Samuel (2009), primeiro trabalho de Tommi Musturi com este "pequeno fantasma que caminha", e escolhido pelo jornalista Paul Gravett para o livro de referência 1001 Comics You Must Read Before You Die.

O traço de Musturi exprime uma narrativa contundente, combinando psicadelismo dos seus mundos interiores com uma precisão matemática no acabamento e no design. O universo rico em cores e formas funciona como uma parte da narrativa ecléctica que continua a surpreender o leitor página a página.

Simplesmente Samuel é um romance gráfico peculiar, que induz o leitor a ver e experimentar a arte impressa a um novo nível.

Simplesmente Samuel foi lançado simultaneamente em nove países diferentes - a edição portuguesa foi em parceria com a brasileira A Bolha - e foi agora lançado nos EUA pela Fantagraphics Books. Foi nomeado para Melhor Álbum Estrangeiro pela BD Amadora 2017.

...

Sobre o Caminhando Com Samuelum dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos. Sara Figueiredo Costa / Expresso (...) 


Sobre o novo título:

(...) o mesmo tempo entrega-nos instrumentos de interpretação que poderiam permitir-nos ler Simplesmente Samuel como uma imagem de algo para além da aparente simplicidade prometida. O livro é, portanto, uma pequena máquina que tanto permitirá uma leitura de consulta rápida, em que nos deleitamos nas cenas isoladas, nas anedotas por si mesmas, mas também uma mais aturada e ponderada consideração do seu significado holístico (...) Pedro Moura in Ler BD. 

I just had Sam for lunch today, such a visionary guy, childish but in a twisted way, I like him for now, but I have to get to know him better DJ Balli (email)

Samuel es un personaje vacío, sin personalidad, un conducto para que la aventura gráfica se desarrolle. Sin embargo, al mismo tiempo es lo mismo y otra cosa diferente, una recopilación de páginas más experimentales y profundas, donde Musturi ha logrado dar un salto al vacío y llegar un territorio nuevo. The Watcher (em relação à edição espanhola)

Nunca tínhamos visto os colhões ao Sapo Cocas, obrigado Tommi Musturi. Clube do Inferno

Melhores Livros de BD de 2016 no Deus Me Livro

A viagem de Samuel através das páginas transforma-se pois numa estranha meditação sem palavras, contada apenas com desenhos. (...) há inúmeras descobertas a fazer neste belo livro. João Ramalho Santos in Jornal de Letras













...



Tommi Musturi nasceu em 1975, é um dos autores mais excitantes num país onde onde surgem dezenas de autores excitantes!

Desde miúdo que é um activista, começou por editar nos anos 90 singles de Noise Rock e zines de BD sob a chancela Boing Being, em que se destaca a antologia Glömp cujo último número explorou narrativas em três dimensões - número experimental, luxuoso e basilar que teve direito a uma exposição que passou pela Bedeteca de Lisboa em 2009. Apesar de viver em Tampere é um dos elementos mais activos do atelier Kuti Kuti (de Helsinquia) que edita o muy psicadélico jornal de BD Kuti - um caso único no mundo, diga-se de passagem.

As bandas desenhadas de Musturi são quase sempre mudas (sem texto) e de uma comicidade camuflada. Acima de tudo é um humanista que apresenta o seu mundo e as suas personagens de todos ângulos de forma a girá-los num círculo em que a verdade apresenta-se sempre em mutação. No ano de 2011 ganhou o prémio principal da BD finlandesa, Puupäähattu, pela Sociedade Finlandesa de BD. Os seus trabalhos tem sido exibidos e publicados em mais de 10 países - como o The Books of Hope editado pela importante Fantagraphic Books.

No caso português participou nas antologias Quadrado (3ª série, Bedeteca de Lisboa), Mesinha de Cabeceira Popular #200 e no MASSIVE - ambas da Chili Com Carne. Foram também publicado os livros To a stranger (Opuntia Books; 2010) e Beating (MMMNNNRRRG; 2013) dedicados à sua obra gráfica. Este autor já nos visitou várias vezes entre elas na Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009) e no Festival de BD de Beja (2014).

Os livros Caminhando Com Samuel e Simplesmente Samuel, com edição em nove países, têm lhe granjeado fama internacional, sendo que o primeiro título foi uma das obras seleccionadas para o livro de referência 1001 Comics you must read before you die.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Nódoa Negra na Ugra Press (Brasil)


Projecto vencedor da edição deste ano do concurso interno, Toma lá 500 paus e faz uma BD, a antologia Nódoa Negra reúne as participações de doze autoras: Bárbara Lopes, Cecília SilveiraDileydi FlorezHetamoé, Inês Caria, Inês Cóias, Marta Monteiro, Mosi, Patrícia Guimarães, Sara Figueiredo Costa, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro.

No nosso imaginário a Dor pertence ao campo físico, neste pensamento associamos sempre o nosso corpo a um estado de dor físico e facilmente nós esquecemos que existem vários níveis de dor, entre eles, a dor emocional/ psicológica, que por sua vez, ocupa o mesmo peso que a dor sentida fisicamente. Assim, partindo da vontade de trabalhar a plasticidade da temática da dor e de querer perceber os vários entendimentos ao seu respeito, foram convidadas onze artistas e uma escritora, que partilham a paixão pelo desenho, a banda desenhada e a ilustração, para que através do seu olhar e desenho/ escrita, reflectissem sobre a dor. Ao longo da antologia, será perceptível que cada artista tento tido como ponto de partida a temática geral da dor, escolheu desenvolver graficamente uma dor específica: do parto, do confronto com o outro, dor menstrual, de amar, da solidão, de esconder a dor, da ausência, do luto, do crescimento, de alma...

NN

Curiosamente e historicamente esta poderá ser a primeira antologia de autoras coordenado exclusivamente por autoras. Isto é, apesar de alguns números especiais de revistas, fanzines ou livros de "BDs no feminino" que apareceram nos anos 90 (G.A.S.P. ou Azul BD3) e no novo milénio (Quadrado #3 / 3ª série, Allgirl'zine e QCDA #2000) estas publicações não foram organizadas pelas próprias autoras como acontece no presente projecto vencedor.

NN

19º volume da Colecção CCC. 138p. p/b, 16x23cm, capa a cores, edição brochada. Coordenação, design e capa por Dileydi Florez. Contra-capa: Marta Monteiro. Projecto apoiado pelo IPDJ
In Portuguese with English translation. 

NN

Historial: 
lançamento no dia 18 de Outubro 2018 na ZDB com exposição de originais e apresentação por Catarina Cardoso (Portuguese Small Press Yearbook) ... Apresentação na BD Amadora 2018 dia 10 de Novembro, com presença de algumas das autoras seguido de sessão de autógrafos... nomeado para Prémio de BD Alternativa no Festival de BD de Angoulême 2019 ... artigo de Pedro Moura na Mundo Crítico com BD sobre o livro por Dileydi Florez ... exposição no Festival de BD de Beja de 29 Maio a 16 Junho 2019 ...

O livro está disponível na loja em linha da Chili Com Carne e na Tigre de Papel, Linha de Sombra, Sirigaita, BdMania, Tasca Mastai, Matéria Prima, Utopia, Black Mamba, ZDB, Cotovia, Mundo Fantasma, Kingpin BooksLAC, Stet, Bertrand, Snob, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), A Banca e Letra Livre.
BUY @ Le Mont-en-L'air (Paris), Neurotitan (Berlin) & Ugra Press (Brazil)

NN

Feedback:

um livro-barómetro no feminino sobre a dor
Amanda Ribeiro in P3 / Público

O título é duro (...)
João Morales in Time Out (Lisboa)

ontem li o Nódoa Negra. é tão bonito que até dói, meu. a história da Patrícia Guimarães é incrível. parabéns! 
Francisco C. (por e-mail)

São testemunhos no feminino, são força, são ruído, são rasgos de agitação num panorama - ainda - pouco dado a movimentos bruscos. A primeira antologia totalmente construída por autoras em Portugal é muito mais do que uma afirmação, é a casa de uma intimidade que fende tabus e nos mostra que a existência inevitavelmente dói.
Tiago Neto in Vogue Portugal

Um livro sobre dores que desenham e escrevem num mais difíceis exercícios...
Inês Fonseca Santos in Todas as Palavras (RTP)

Tive conhecimento desta edição enquanto folheava um dos últimos números da Vogue. Como a recepção do livro na imprensa também passava pelo P3, Time Out e por um programa de TV apresentado por uma das tipas do Câmara Clara, tudo indicava que se tratava de mais um livro do ano. São só autoras a fazer este livro e ao que parece esta ideia surgiu da Dileydi Florez, que há uns anos tinha desenhado o Askar, o General, em tempos em que a associação Chili Com Carne estava imbuída por um espírito de masculinidade militar. Mas isso foi lá atrás, agora a associação pugna diariamente pelos direitos dos mais fragilizados pela ideologia dominante no tardo-capitalismo: entre essas figuras encontra-se a mulher. A premissa para o livro é interessante e tem um importante significado político: não há espaço na edição de banda desenhada para mulheres, por isso é preciso arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Quando estamos à espera que a bd da organizadora deste volume seja, então, um grande manifesto feminista, eis que termina com dois enormes paradoxos: primeiro, ao escrever que se alguém tiver uma vida mais consciente está a dar um passo para sofrer menos, Florez parece estar a preparar uma sólida carreira como autora de manuais de auto-ajuda; segundo, a bd termina com o salvamento da mulher frágil pelo seu príncipe encantado, desvirtuando a ideia da autonomia feminina. No entanto levanta um problema importante que será transversal a todo o livro: o corpo e a sua vulnerabilidade. (...) Mas o sofrimento também se revela de outras formas e é aqui que o livro se transcende (...) é também o sufoco provocado pelo assédio doméstico que acompanha o crescimento da futura «dona-de-casa» - eufemismo para «escrava da família patriarcal», se puxar do meu jargão a transbordar de ideologia. É este o tema dos «Bons costumes», de Sílvia Rodrigues. A Nódoa negra beneficia ainda de uma multiplicidade de linguagens gráficas, destacando-se a manga da Hetamoé e a arte bruta da Inez Caria (...) há ainda a contribuição da Susa Monteiro, que me parece estar cheia de referências eruditas à arte contemporânea, ou então mostra apenas a tristeza profunda de um tenista que não consegue jogar ténis contra um cavalo. A fechar o livro, a Patrícia Guimarães colabora com a melhor bd do volume, não só porque ataca o importantíssimo tema da apatia provocada pela rotina quotidiana, como estiliza a narrativa num daqueles puzzles de deslizar peças, como que a dizer que a efemeridade da arrumação é mera ilusão e que o próprio caos é só mais um episódio da organização da vidinha. Mas a vida é só pathos? Não: a Cecília Silveira diz que também há espaço para minetes e para fisting com luvas de boxe, como que a lembrar que o sexo falocêntrico é também uma forma de violência e de exercício de poder sobre o corpo feminino.
Russo in A Batalha

NN

Ficam aqui algumas páginas:

Bibliografia das autoras na Chili Com Carne: 
MASSIVE (2009) c/ Marta Monteiro
Destruição ou BDs sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010 (2010) c/ Sílvia Rodrigues
Boring Europa (2011) c/ Sílvia Rodrigues
Futuro Primitivo (2011) c/ Inês Cóias, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro
Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno (2012) c/ Sílvia Rodrigues
QCDA #2000 (2014) c/ Hetamoé e Sílvia Rodrigues
- Askar, o General (2015) de Dileydi Florez
Malmö Kebab Party (2015) c/ Hetamoé
QCDI #3000 (2015) c/ Hetamoé
Maga : Colecção de ensaios sobre Banda Desenhada e afins (2015) c/ Hetamoé
Lisboa é very very Typical (2015) c/ Dileydi Florez
- Anarco-Queer? Queercore! (2016) de Rui Eduardo Paes, c/ Hetamoé
- Pentângulo #1 (2018) c/ Cecília Silveira e Dileydi Florez

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Feliz Natalixo! Porque o Natalixo é quando um homem quer! MAS HOJE É LIVRO DO DIA NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA



Mesinha de Cabeceira #27 : Special XXXmas : Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno de Nunsky

Publicado pela MMMNNNRRRG ... 44 páginas a cores 16x23cm

à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdMania, Mundo Fantasma, Matéria Prima, Quimby's (Chicago), Linha de Sombra, Purple Rose, Dead Head Comics (Edimburgo), Seite Books (Los Angeles), Universal Tongue, UtopiaRastilhoLAC (Lagos), Ugra Press, Desert Island (New York) e Black Mamba.


Nunsky (1972) é um criador nortenho que só participou neste zine, o Mesinha de Cabeceira. Assina o número treze por inteiro, um número comemorativo dos 5 anos de existência do zine e editado pela Associação Chili Com Carne. Essa banda desenhada intitulada 88 pode ser considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD underground portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...

Em 2014 o regresso deste autor foi feito com o romance gráfico Erzsébet (Chili Com Carne), 144 páginas que regista a brutalidade da Erzsébet Bathory, a infame condessa húngara que assassinou centenas de jovens na demanda da eterna juventude. O livro venceu o Melhor Desenho do Festival de BD da Amadora em 2015 e terá uma edição no Brasil pela Zarabatana Books.

Em 2015 Nunsky apresenta-nos este Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno... verdadeiro deboche gráfico anti-cristão para quem curte bandas de Hair Metal de Los Angeles dos 80, fãs distópicos do RanXerox e revivalistas da heroína. A MMMNNNRRRG nunca deseja "Feliz Natal" aos seus amigos mas com a Nadja até... ehhh





Historial: lançado no dia 17 de Dezembro 2015 no Lounge Bar com o concerto da banda canadiana Nadja, organizado pela Associação Terapêutica do Ruído.

Feedback: 

A 32.ª publicação da MMMNNNRRRG é a mutável Mesinha de Cabeceira #27, desta vez subintitulada XXXmas Special. Na verdade, é uma obra a solo de Nunsky, intitulada Nadja – Ninfeta Virgem do Inferno. Esta trindade é transposta no design de Joana Pires, com a capa a evocar duplamente o fanzine com 24 anos de existência e a banda desenhada de Nadja (...) Após o registo a preto e branco de Erzsébet, que galardoou Nunsky com o Prémio Nacional de Banda Desenhada Amadora BD 2015 de Melhor Desenho para Álbum Português, o autor regressa a uma temática demoníaca – desta feita mais expressa que evocada – mas com uma palete de cores, cujos tons saturarão a visão dos mais incautos. Nuno Sousa 
... 
a um só tempo, pesada e leve, séria e cómica, fresca e desesperante. (...) Existem traços de alguma soberba crença na mundividência católica e a associada crença no Demo. Tratar-se-á este Nadja de um tortuoso panfleto de um Católico atormentado por gostar dos discos dos Slayer e Iron Maiden e querer ver realizadas as suas capas? Uma homenagem a todo um historial de comics de séries Z? (...) Nadja é um bafejo de hálito quente e cerveja quente. Pedro Moura
...
O especial de Natal assinado por Nunsky não terá estado entre as oferendas mais populares da quadra, mas vale a pena não o perder mesmo depois disso. Numa banda desenhada onde se cruzam o hardrock metálico-meloso dos anos 90, um fascínio adolescente por satanismos e uma estética onde a sexualidade explícita e o kitsch se misturam sem remorso, Nunsky volta a confirmar por que é que o seu trabalho há-de ser sempre uma surpresa renovada. Blimunda 
...
Merci pour ton envoi satanique Bertoyas 
... 
es una marcianada muy divertida. Cuando Marcos Farrajota me explicó su contenido, me dijo que se parecía a la obra de Benjamin Marra, y en cierta forma estoy de acuerdo con él: se trata de una apropiación del material de serie Z más casposo, del terror barato y descerebrado que mezcla erotismo soft con invocaciones a Satán, grupos heavies e internados para niñas. (...) Nadja, una cría de doce años, se mete una droga chunga con su novio, Franz, y acaba en el infierno, donde Satán le ofrece un pacto: la enviará de vuelta a la Tierra con «supernatural satanic powers», y por cada alma que lleve a la perdición, podrá pasar un día con su amado Franz. The Watcher and the Tower
...
Grazie mille por los comics [Najda Eh eh] Arte Tetra
...
Nadja - Virgin Teenie from Hell, the artwork in that was stunning. I'm not a massive comic fan, so haven't seen a large number of comics with which to compare it, but I'm positive that I've seen many mainstream comics with far inferior artwork. Great storyline, too! pStan Pumf




|
|
---
|

Brouhaha do Erzsébet:

Muito boa BD, me inspira para criar logotipos - Lord of The Logos

Erzsébet, o livro, é o relato implícito, emudecido, de um receio: o de que a morte escape definitivamente ao controlo masculino. Afinal, é a morte que conduz cada um e todos os passos da humanidade, tal e qual como vem anunciando a estética gótica em todas as suas formas. Nunsky recorda-nos isso mesmo com esta edição… - Rui Eduardo Paes

Consegue ter aquele espírito dos filmes do Jess Franco e afins, em que por vezes é mais importante a iconografia e a imposição de elementos simbólicos / esotéricos ou fragmentos de actos violentos e ritualizados (como as mãos nas facas ou as perfurações e golpes) do que termos uma continuidade explicita e lógica da narrativa, o que cria toda uma tensão e insanidade ao longo do livro e de que há forças maiores do que a nossas a operar naquele espaço. André Coelho

o romântico está presente antes na sua dimensão histórica e o trágico se aproxima do monstruoso. - Pedro Moura





quarta-feira, 13 de março de 2019

manual prático de uso da CCC (6/6) : projectos

Desenhos de André Ruivo in CapitãoCriCa Ilustrada (2005)
Sendo uma associação sem fins lucrativos e perfeitamente legalizada, a Chili Com Carne de dois em dois anos elege uma nova Direcção que põe em marcha os planos que são apresentados na Assembleia Geral - ou seja segundo a vontade dos associados que se apresentam nesta reunião.

Geralmente a Chili Com Carne publica projectos de novos autores mas sobretudo de trabalhos que desafiam a modorra literária e artística. Procuramos a hibridação de estilos e talvez por isso que dá prioridade a livros colectivos como aliás está tão bem registado desde 2001 com o seminal Mutate & Survive, passando pelo extremamente bem-sucedido MASSIVE (2010), pelo "omnívoro" Futuro Primitivo, e ainda em projectos especiais como a digressão europeia Boring Europa ou a antologia Lisboa é very very typical. O que não impede de publicar livros "a solo" de autores que temos muito orgulho como Nunsky, Rafael Dionísio, Marcos Farrajota, André Ruivo, Ondina Pires, Francisco Sousa Lobo, Rui Eduardo Paes, Nuno Rebocho, Mariana Pita, Xavier Almeida, Filipe Felizardo, André Coelho, Tiago Baptista...

Não sendo a Chili Com Carne uma editora profissional ou comercial, como é óbvio não nadamos em dinheiro mas quando fazemos livros é porque queremos e inventamos formas de financiar o projecto! Dependemos das quotas dos associados, subsídios do estado mitra e das vendas, tudo isto permite ir trabalhando com algum desafogo mesmo que implique sacrifícios pessoais para fazer livros quase a custo zero - tirando a gráfica, raramente os autores, designers, tradutores e editores são remunerados nos projectos. Tentamos fazer parcerias com outros editores para amortizar custos de impressão, armazenagem e partilhar know-how tal como já fizemos com a Bicicleta, Faca Monstro, MMMNNNRRRG, The Inspector Cheese Adventures, Thisco, You Are Not Stealing Records e a nível internacional com os festivais Alt Com (Suécia) e Crack (Itália) e o colectivo Stripburger (Eslovénia).

Actualmente a Direcção é oficialmente composta por Amanda Baeza, João Carola, Dois Vês, Marcos Farrajota e Rudolfo, havendo mais seis elementos da Associação que funcionam como consultores nas decisões da Direcção.

Gostamos de ser desafiados no entanto nem vale a pena tentar se não tiver capacidade de autocrítica, perceber em que mundo é que está (dica grátis, espreite a Internet no seu melhor e no seu pior!) e se não conhecer bem o nosso catálogo, não vale a pena tentar meter o seu trabalho à força. Já agora, se encontrarem o nosso nome em directórios de editoras (o que permite pessoas enviarem propostas ridículas sem verem para onde estão a enviar), façam um favor, tentem apagar o nosso nome, não queremos ser massacrados por desesperados!

manual prático de uso da CCC (2/6) : edições esgotadas

Ilustração de Nunsky para o esgotado Chili Bean
E quando um livro da Chili Com Carne esgota porque fica tão caro? É para ser mitra ganancioso como aquela gente dos livros de artista!?

Nope!

É verdade que aumentamos sempre o preço de uma edição prestes a esgotar a partir dos últimos 10 ou 20 exemplares mas a razão é que queremos que esses últimos exemplares sejam adquiridos por quem quer mesmo e não para um consumidor tarado qualquer que nem sabe o que está a comprar... E é verdade que também é para capitalizar um pouco mais com esses últimos exemplares porque os nossos livros se pagam as despesas de impressão, raramente fazem muito lucro - já para não falar da falta de remuneração dos autores e editores...

Mas se venderam tudo não era de reeditar? O que acontece é que sendo uma estrutura pequena como a nossa não temos capacidade para reedição porque significa voltar a investir dinheiro num projecto em deterioramento de outros novos. Significa também ter que arranjar mais tempo e espaço para armazenar livros. O que poderiam perguntar é porque uma editora profissional não pega nos nossos livros esgotados e nesses autores que deram provas de sucesso?

O que sobra depois de acabar uma tiragem? Tentamos que o livro ainda assim não "morra" totalmente e colocamos em formato digital (PDF) grátis para ser descarregado ou lido no nosso site ou na plataforma issuu.com e claro há sempre os arquivos públicos ou privados que tiveram o cuidado em nos dar guarida: a Biblioteca Nacional é obrigada a tal (é por isso que existe a figura do Depósito Legal, não é à toa que eles tem o super-raro MASSIVE!!!) mas podem encontrar a maior parte do nosso catálogo nas Bedetecas da Amadora, Beja e Cascais e nas BLX (são 15 bibliotecas de Lisboa em que destacamos o acervo da Bedeteca de Lisboa por questões óbvias!), em bibliotecas de faculdades como o ISMAT (Portimão), a Faculdade de Belas Artes do PortoFaculdade de Letras do Porto, em galerias como a Perve (Casa da Liberdade) ou projectos sociais como uma biblioteca em Oeiras promovida pela SANEST. E claro, como os estrangeiros não são nada parvos, também estamos na Fanzinoteca de Poitiers (França) ou na Bedeteca de Estocolmo, por exemplo...

Há sempre hipóteses de encontrar ainda em algumas lojas os títulos esgotados, ou porque há um cuidado extremo em ter sempre tudo acessível como faz a inacreditável Mundo Fantasma, ou porque os exemplares são metidos em catacumbas-caixotes-máquinas-do-tempo como acontece com a BdMania. É de ir lá perguntar se ainda têm o Sourball Prodigy!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Acedia @ Le Mont-en-L'Air (Paris)



Acedia it's the new graphic novel by André Coelho actually his true first solo book - Terminal Tower was a collaboration with Manuel João Neto... This book manages to strike a balance between experimentation and tradition in the "comics" field by establishing a paradox between the creative energy and the morbid atmosphere of the narrative. It can be speculated that the main character is an alter ego of the author or that some episodes should be autobiographical... but let's establish that we are in the realm of selffiction.

Acedia is this year the winner project of a graphic novel contest - Toma lá 500 paus e faz uma BD - promoted by Chili Com Carne. Other titles resulting from this contest includes The Care of Birds (2013 winner) by Francisco Sousa Lobo to be published in Spain next year, Askar, O General by Dileydi Florez and That which is Subtracted from Sight by Filipe Felizardo.





Sinopsis: Due to a strange body housed somewhere in his eye socket, Daniel suffers from perceptual deformations. Although the insistance on the urgency of medical treatments, he becomes confronted with the chance given by these hallucinations to escape towards a new perception of reality. Daniel will have to choose between facing his illness as a sign of his own mortality or accept it as life intensifier. 




Some pages:


104p., black and white, 18x24,5cm, 500 copies

Contest supported by IPDJ and all Chili Com Carne members.

Buy at Chili Com Carne online storeFatbottom Books (Barcelona), Neurotitan (Berlin), Quimby's (Chicago), Floating World (Portland), Le Mont-en-L'air (Paris)...

History Released October 2016 at Lounge Lisboa with live-acts of Smell & Quim and Rasalasad vs shhh... ...


André Coelho (b.1984, Portugal) is an Oporto based illustrator and comic book author. For 10 years he has developed fanzines, short stories and four graphic novels to date, as well as posters, record covers, merchandising and other graphics for different music scenes. This includes Amplifest, SWR Barroselas Metalfest, Lovers & Lollypops, Witchcraft Hardware and the American Industrial label Malignant Records, among many others. 

In 2016 he was awarded with the first prize of “Toma lá 500 Paus” comic book competition and was part of the Amadora Comics Festival 2014 award winning anthology Zona de Desconforto. His work ranges from traditional drawing or painting techniques and mediums to collage and digital manipulation. 

Besides Portugal, his work has been exhibited in several countries such as Brazil, Sweden, United Kingdom, United States of America, Italy or Spain.

Selected English bibliography: SWR Chronicles (SWR; 2014), Terminal Tower w/ Manuel João Neto (Chili Com Carne; 2014), Evan Parker - X Jazz (c/ prefácio de Rui Eduardo Paes, Chili Com Carne + Thisco; 2015) Colective books: MASSIVE (Chili Com Carne; 2010), Destruição (Chili Com Carne; 2010), Futuro Primitivo (Chili Com Carne; 2011), Inverno (Mesinha de Cabeceira #23, Chili Com Carne; 2012), Antibothis, vol.4 (Chili Com Carne + Thisco; 2012), PostApokalyps (AltCom, Suécia; 2014), Quadradinhos : Looks in Portuguese Comics (Treviso Comics Fest + MiMiSol + Chili Com Carne, Itália; 2014).