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quinta-feira, 8 de maio de 2008

abrindo as malas da viagem...

É o regresso do SPX 2008 (Estocolmo) e serve este "post" para dar as novidades:

_Temos para oferta alguns exemplares do último número do jornal finlandês de bd, Kuti - já várias vezes divulgado neste blogue. É um número especial SPX, com trabalhos de autores finlandeses e suecos. Os textos estão em sueco mas com legendas em inglês.
Esta oferta é exclusiva aos sócios da CCC e que comprem qualquer artigo que seja da Finlândia ou da Suécia (Boing Being, Napa, Daada) ou que tenha participação de autores finlandeses ou suecos (Chili Bean, Mesinha de Cabeceira Popular #200, Mutate & Survive, Canicola).

_Já é uma revista que se tem escrito com alguma regularidade (o #5 e o #1) e que número para número vai crescendo em forma e conteúdo: C'est bon anthology do colectivo sueco C'est Bon, com quem a CCC partilhou mesas na SPX. Trouxemos para venda os quatro volumes da terceira série (#17/20; Ago'06/Dez'07) que marcam a distribuição mundial desta publicação através do catálogo Previews (que distribui todos os comics norte-americanos para as lojas especializadas). A revista continua a sua redacção em inglês e está com um aspecto luxuosa, gordinha e brilhante devido ao papel couché. Tem mais colaborações de autores internacionais (ou seja, "não-suecos") e mais trabalhos arrojados - uma lista de nomes explica por si só a qualidade que a revista atingiu: os alemães Martin tom Dieck (que estará este fim-de-semana no Festival de BD de Beja!) e Arne Bellstorf, o sérvio Danijel Savovic (vol.1), o português Pedro Nora, o sueco Knut Larsson, os finlandeses (que estiveram no Salão Lisboa 2005) Marko Turunen e Jyrki Heikkinen (vol.2), o francês Yvan Alagbé, os italianos Andrea Bruno e Stefano Ricci (vol.3), ou ainda a finlandesa Amanda Vähämäki ou a israelita Rutu Modan (vo.4).

_Um dos editores desta revista é Mattias Elftorp que também é autor de bd. A série Piracy is Liberation é o seu trabalho mais conhecido, que já se encontra num quarto volume editado pelo colectivo desde 2006.
Graficamente próximo de (ou demasiado influenciado por) Brian Wood e Ben Templesmith, Elftorp é menos elegante em questões de anatomia, domina as lutas do preto e branco e dá bom uso de tramas e texturas.
Cada volume apresenta entre 64 a 72 páginas, o que mostra o enorme trabalho com que o autor está lançado. A trama de um futuro não longe do nosso, passado numa megalopólis sem memória, onde piratas informáticos procuram destruir o sistema de dominio dos padres capitalistas, poderá lembrar Matrix ou a bd Invisibles de Grant Morrison (este último menos conhecido mas mais copiado - os criadores do Matrix que o digam) mas não deixa de ter ideias próprias que estão em gestação - gosto particularmente de uma cena em que duas personagens Hackers que fazem "copy'n'paste" deles próprios do mundo virtual para o real. De certa forma as cerca de 240 páginas ainda não pareceram suficientes para perceber o que se passa por aqui - lógica de Manga? À primeira vista, poderá haver uma excessiva exploração de lugares-comuns de "anarco-glamour" mas uma leitura mais atenta revelará mais inteligência do que a visão superficial. Esperando por mais volumes até 2012?

_Nesta edição do SPX assisti, de certa forma, a saída do armário da bd sueca alternativa... enquanto os finlandeses há anos que traduzem as suas bd's para terem feedback internacional, os idiotas dos suecos sempre tiveram fechados no casulo editando livros na língua que nem os ABBA usavam para ganhar o Eurovisão. Resultado, tirando o Max Andersson e o Lars Sjunnesson (este último participou no Mutate & Survive), que vivem em Berlim, e o Gunnar Lundkvist e Joakim Pirinen (editado em Portugal pela Azul BD3), todos eles da "velha guarda" nada mais se conhece da bd sueca. Aliás, as minhas duas visitas ao país - e à SPX - não se traduziram em regressos com malas cheias de novas bd's, livros e zines... justamente o oposto do que aconteceu quando vou ao festival de bd de Helsinquía.
Saiu a antologia From the shadow of the northern lights : an anthology of Swedish alternative comics : vol. 1 (Galago; 2008), uma antologia em inglês (yeah!) que terá distribuição pela norte-americana Top Shelf. Podemos chegar à conclusão do que se passa por lá: há a "velha guarda" (já referida) mais gráfica e experimental, depois há a autobiografia chata dos anos 90 - daquela que ninguém têm nada para contar ou que saiba contar de forma interessante, havendo montes de históras sobre homossexualidade (um sucesso no mercado da bd, creio) - e por fim, o regresso do grafismo e bizarria bruta com nomes novos como Marcus Ivarsson, Marcus Nyblom (autor da capa), Knut Larsson e Kolbeinn Karlsson. Apesar das lamechices de alguns autores, vale a pena ler estas 200 páginas a preto e branco.

_E é este último grupo de autores referidos que faço um destaque porque como já escrevi, raramente há razões para comprar edições suecas por causa dos grafismos pobres e pela barreira da linguagem. As excepções são as seguintes: o livro Skissbok (Kartago; 2007) do Marcus Nyblom e os zines de Kolbeinn Karlsson: Benny Bjorn will never return e Rules of animation (com Hanna Petersson; 2007) e Harvar Vilda Vastern (2007?).
No primeiro caso coloca-se a questão se "skissbok" poderá mesmo significar "livro de esboços"... apesar da estrutura do livro apontar para isso porque os trabalhos publicados não parecem ter ligação aparente. Ora são desenhos soltos, alguns sim com aspecto de "esboço", ora são bd's mudas e insólitas como "Alice no País das Maravilhas". São as bd's que têm um ar mais esboço porque o estilo gráfico que Nyblom usa é "realista" e "certinho" bem longe das suas ilustrações que têm aquele aspecto derretido e degradado de quem está em sintonia com a ilustração deste milénio - embora as raízes deste tipo de desenho e imaginário estejam na Raw e no Fort Thunder, dos anos 80 e 90 respectivamente. É um livro "fifty/fifty".

Quanto a Kolbeinn (várias vezes pensei que ele chamava-se Cobain como o vocalista dos Nirvana ou Kobaïan, a língua inventada pelos prog-rockers franceses Magma) também está em sintonia com o tempo: degradação material e moral, fascínio pelo Pop (o Benny Bjorn para quem ainda não está bem a ver, é um dos tipos dos ABBA), monstros peludos e outras criaturas de série B. Zines fotocopiados em formato A5 com capas a cores, os dois primeiros são de ilustração em parceria com uma tal Hanna Petersson em que as autorias não são identificadas (embora as suspeitas sobre a autoria dos desenhos de Kolbeinn recaiam para os que têm mais texturas); o último é o único de bd - que está também publicada na antologia From the Shadow (...) - com uma estória violenta homoerótica do oeste norte-americano - acho.

_Por fim, material dos inteligentes finlandeses - é a segunda vez que fico com a sensação que a Suécia, ou pelo menos Estocolmo é dominada por campónios e novos-ricos.
Novidade absoluta: Supernormal (Daada; 2008) de Marko Turunen, um dos muitos autores de bd peculiares da Finlândia e também dono da editora Daada. Não é novidade mas é importante na mesma para qualquer português ignorante da cena bedéfila da Fenoscândia: Mystic sessions Vol.I (auto-edição; 2006) de Pauliina Mäkelä.
No primeiro caso são reedições de bd's de zines antigos ou ainda algumas bd's fora do padrão do universo do autor - que nos visitou no Salão Lisboa 2005. Aqui vamos encontrar bd's parvas de super-heróis criadas pelo Turunen de 1984 (de 11 anos) e redesenhadas pelo Turunen de 1998 (de 25 anos) que dão um sentimento estranho para qualquer apreciador de "nerd culture", há fotonovelas nervosas das aventuras do Sr. Pinguim (um boneco azul feito por Turunen) a interagir com patos e com um cão (hilariante!), algumas bd's "minimalistas" de coelhos ninjas ou de contos tradicionais sobre ursos broncos,... enfim, mais de 400 páginas A6 de Arte e pura diversão.
O segundo caso é um livro agrafado A3 de 16 páginas a preto e branco que foi criado pelos - e serve para quem quiser ilustrar - distúrbios e desvaneios psico-acústicos de projectos musicais como sunn0))), Earth, Burzum, Wolf Eyes, Melvins entre outros "dronemeisters".
Existe uma narração feita de imagens de uma figura feminina (uma menina) a tocar um tambor intercaladas com outras imagens de dimensões bizarras e psicadélicas, daquelas que podiámos chamar de "zona negativa" ou algo assim - quem leu os desvaneios de um tal de Kirby sabe do que falo.
Cada batida, um novo universo?

aviso: irá demorar a colocação destes artigos na nossa loja virtual, por isso quem quiser entretanto comprar poderá fazê-lo pedindo pelo e-mail ccc@chilicomcarne.com. cada número da C'est bon custa 15€ e cada volume de Piracy is Liberation custa 10€ (c/ desconto de 20% aos sócios da CCC)

domingo, 10 de maio de 2009

pós-pós-SPX: Portugal

Provavelmente foi na SPX que o catálogo da exposição Divide et Impera (Montesinos; 2009) foi comercializado pela primeira vez sem ser na Galeria Second Street onde esteve patente a exposição. A edição inclui um texto do comissário Pedro Moura e várias bd's de Fábio Zimbres, André Lemos, Frédéric Coché, Warren Craghead III, Aerim Lee, Ilan Manouach e Andrei Molotiu.

Lançamento português pela terra sueca foi Heavy Metal (Bela Trampa; 2009) de Jucifer, zine A5 cheio de bd's e desenhos marados que não sei se homenageia o Metal ou não... está prometido um último exemplar para Portugal na CHILI mas até agora nada - talvez aja uma reedição... De resto, o zine não inclui o cinzeiro e o título é pintado à mão com cor assim a dar para o dourado...

Também para a SPX, Marcos Farrajota levou um sarcástico postal - a bd sobre SPX do ano anterior. O que vêem é a parte detrás, por isso quando ele vos escrever, não se admirem de apanhar com essa bd impressa... está à venda na CCC.

Voltando a Portugal, apanhei logo com coisas novas...  curiosamente com pontos em comum. O primeiro é mais um livro editado pela Plana Press: Egg & Ham in Rotterdam (2009) de Ana Carvalho e Ricardo Lafuente, que recolhe 22 estórias escritas e ilustradas em 2006, quando os autores habitaram na Holanda. Os contos são secos, pretensiosamente humorísticos mas sem sal quer no ovo quer no presunto. As ilustrações idem aspas aspas. Safa-se a edição pelo formato sempre-porreiro que é o A5, pela boa impressão bem e também pelo uso de uma "font" de texto interessante. À primeira vista é "cute", depois de lido deixa de o ser, infelizmente.
Algumas destas características podiam ir para quatro volumes da colecção Há Água em Marte (2008/09) - chama-se Caderno de Insecto? Não se percebe - editados pela Associação Cultural Lemur. Livros em formato A5 mucho sexy mas com contos que se esquecem a maior parte do tempo e ilustrações pouco expressivas. De uma colecção já relativamente grande, li quatro volumes e destaco Tipler Café de Augusto Lima (texto) e Renato Seixas (ilustrações), um conto "cyber-qualquer-coisa" divertido, as ilustrações demasiado digitais para o meu gosto funcionam como apontamentos gráficos. Porreiro!... O projecto e este livrinho em particular.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

ccc@spx.2009

Chili Com Carne will be present in Stockholm SPX 2009 (23rd/26th April) with a table selling the best "indie" Portuguese comix and you'll find Marcos Farrajota (editor) and Joana Figueiredo (author) there.


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The CHILI COM CARNE association is a non-lucrative young artist's organization, who's functioning is established upon the free and spontaneous cooperation of its members. Since it's foundation in 1995, we have promoted and developed a series of events in the field of the arts, such as the organization of exhibitions and publications. We favour a line of action that privileges the independence of the artist, in the context of the diversity in form and content that shapes the contemporary cultural and artistic scene.
Since 2000, CCC is working mainly in edition:

1. Editing their members work in collective or individual books or zines. CCC publishes literature, comix, illustration and essays, in the following collections: Colecção CCC, dedicated to fragmented books, poetry, (anti)romance, comix (like the Mutate & Survive anthology that published 77 authors from 16 countries), illustration (like João Cabaço scretchbook); Mesinha de Cabeceira ("bedside table" in English), mainly comics, a zine that exist since 1992 with 20 issues published in a permanent mutant change of formats, have published early Portuguese authors, infamous American Mike Diana and other international artists like dice industries (ger), Claudio Parentela (it), Tommi Musturi (fin), Aleksandar Opacic (ser)...; Mercantologia, lost zine reprint collection, comics only until now; THISCOvery CCChannel, Occultural collection - essays, interview and fiction - non-comics - co-edited with Thisco electronic label, with contributions of Hakim Bey, Critical Art Ensemble, Aesthetic Meat Front, Boyd Rice...

2. Supporting other members editorial projects in promotion and distribution like El Pep (Trash comics project of Pepedelrey), Imprensa Canalha (graphzines and illustration books run by José Feitor), MMMNNNRRG (Art Brut comix run by Marcos Farrajota), Opuntia Books (chap books directed by André Lemos), and other zines of our members.

3. Promoting DIY ethos and pathos through our blog chilicomcarne.blogspot.com and co-organizing Feira Laica, a fair that unites the most important independent publishers in Portugal. Most of the time it homage the soviet she-dog blown in space but also the separation of the Church from the State - the first fair was made during the Christmas consumerism frenzy.

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Joana Figueiredo (1982, Lisbon) does zines since the late 90's and have works of drawing, illustration and comics published in several books and magazines: Stereoscomics Special SPX (France), Milk+Wodka (Swizerland), Mutate & Survive, Mesinha de Cabeceira, Cabeça de Ferro, Modern Spleen (France) and many others, such as her own publications. She's a member of Association Chili Com Carne and the founder of the extinguished art collective Crime Creme. She is now working on animation movies, fimo toys and comics on a studio in Lisbon shared with another four artists.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Kristiina Kolehmainen (1956–2012)

foto tirada no Festival de Helsínquia 2006

Faleceu ontem, vítima de cancro, Kristiina Kolehmainen, fundadora e directora da Bedeteca de Estocolmo.

Mulher de armas, bem que instigou os suecos do seu conforto e calmaria para a banda desenhada, ora com a manutenção de uma excelente biblioteca de BD no centro da capital, ora organizando um relaxado festival de edição independente, o SPX de Estocolmo, onde convidava autores ou outros agentes de referência mundial na BD. Por lá visitaram como convidados da organização os portugueses Luís Lázaro (que teve direito a uma exposição), Marcos Farrajota (na imagem), Rosa Barreto (da Bedeteca de Lisboa) e a Jucifer.

De origem finlandesa, Kristiina dizia que os suecos tinham os polegares enfiados no rabo, e provava isso todos os dias com a sua alegria, capacidade de comunicação com o exterior e vontade de agir contra a timidez sueca, o snobismo de Estocolmo e a burocracia das instituições públicas - quem pensa que só em Portugal existe tal coisa, engane-se... Nos últimos anos a Bedeteca de Estocolmo mudou de sítio, para desagrado de Kolehmainen, no interior do edifício da Kulturhuset (Casa da Cultura). Dada a forma lenta e burocrática que funciona a Kulturhuset, para além de não entender o meio da BD e das suas potencialidades, esperamos que o seu falecimento não signifique o fim da Bedeteca nem da SPX para gaúdio dos burocratas e outros parvalhões.

Conheci-a num Festival de Angoulême, apresentada pelo Igor Prassel (então da Stripburger), e rapidamente tornamo-nos amigos devido ao seu humor e pouco vontade de entreter os idiotas da BD. Kristiina, tal como muitas mulheres ligadas à BD, não tinha as mesmas referências da cultura "nerd" e "bedófila" que a BD é infestada, por isso sempre teve um posicionamento adulto, contemporâneo e artístico em relação à BD que divulgava.

Soube hoje desta triste notícia através de um amigo comum sueco. A última vez que estive com ela foi em Setembro do ano passado, na Finlândia, num divertido fim-de-semana que incluiu a visita ao ITE. Supreendeu-me quando disse que na "sua" Bedeteca tinha feito assinatura da Raw Vision porque achava que a BD e a "arte bruta" tinham enormes relações. Estava sempre um passo ou dois à frente! Foi-se uma amiga e uma lutadora contra a estupidez no mundo da BD.

domingo, 13 de setembro de 2009

still spx stockholm...


Depois de alguns meses eis que descubro que o Christian da Reprodukt apanhou-me outra vez em fotografia, pelo menos desta vez não estou com ar de Domingo de manhã como da outra vez. Foi na SPX de Estocolmo e por acaso também era Domingo mas como não se curte em Estocolmo estou com um aspecto energético! + fotos e reportagem alemã aquiDankes very muchas!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

pós-SPX: Itália



Alberto Corradi, autor de bd (que participou no Mutate & Survive) e editor da Black Velvet, só levou livros de "bd muda" - ou seja sem palavras - para a SPX. E aproveitando que são bd's que qualquer um no universo poderá ler trouxemos alguns desses livros! Dois do suiço Thomas Ott que são umas das mais belas edições que já vi deste autor. É um autor obrigatório de conhecer não só pela sua capacidade narrativa como pela técnica que usa - grattage ou scratch board, ou seja um cartão com uma película preta que é raspada, ou que implica tirar o negro para desenhar (ao contrário da tradicional "tinta-da-china sobre papel"). Outro livro foi Odi's Blog 1.0 dos espanhoís Sergio Garcia e Lola Moral, uma onda "todo público" de desvaneios quotidianos. São bons exercícios sobre o aproveitamento da página como espaço narrativo.
Infelizmente ainda não temos a nova Canicola para Portugal - encomendas aceitam-se porque estaremos no Crack deste ano! A "nova fórmula" da revista significa redução de formato, aumento (brutal) de páginas, dois editores (antes era um colectivo) mas que mantem a mesma base de colaboradores abrasivos. Tenho pena pelo formato, não só porque o formato "livro" é vulgar (da Raw à Lapin, do Quadrado a...) como os desenhos que se publicam merecem um formato grande para queimar as pestanas e o cérebro.


domingo, 3 de maio de 2009

pós-SPX: outros nórdicos



Da Noruega: Martin Ernstsen mas que vive em Estocolmo (sabe-se lá porquê!) temos quatro zines, dois números por dois títulos, a saber, Owls (2009) e Seldon Plan (2007/08). Ambos são casos curiosos como o zine ainda é uma publicação alternativa mesmo quando um autor já é profissional. Owls é a versão em inglês de comics já editados na Noruega - por isso em norueguês, população: 4 milhões e meio? - pela Jippi. No fim de contas é uma forma de promoção do trabalho para outras culturas. Trata de estórias da puberdade/juventude e de relações amorosas, algumas homossexuais - mais precisamente femininas. A narração e os desenhos são bons, mostrando que Ernstsen domina a linguagem na perfeição ao ponto que para o tema que é consegue ser mais humano e comovente que as militantes do género. O que não é nada de novo porque estórias de mulheres tem vêm do uma tradição rica com nomes como os irmãos Hernandez ou o Daniel Clowes. Seldon Plan é o "refugo" do autor, aquilo que não publicou profissionalmente: bd's autobiográficas curtas (algumas sobre a SPX do ano passado), desenhos marados, bd's parvas e experiências prestes a falhar. Mas na realidade corre tudo bem e é bem divertido! Martin Ernstsen eis um nome a reter...

Da Dinamarca: também um zine, Mixtape (ed. de autor; 200) que é que o caderno de desenhos mas que está metido numa caixa de k7 (sim, aquela tecnologia desactualizada e analógico de onde se podia gravar músicas, regravar até, e sim, ouvir música num leitor de cassetes). A capa é um desenho de uma k7 e como é normal nesta tecnologia, existe um lado A e B – é preciso virar o caderninho ao contrário para aceder a mais desenhos e páginas… Os desenhos de Allan Haverholm são essêncialmente realistas e parece o que procura no que ”capta” ou ”imagina” um enquadramento cinematográfico. Objecto giro!

Da Finlândia: Treasure Hunt #1 : Lisboa (Hyeena Kustannus + Princesa Pirata; 2009) é um zine que faz uma recolha fotográfica de street-art em Lisboa feita por Anna Kaisa Laine que à primeira vista lembra The Walls are the Publishers of the Poor - logo a começar por usar essa mesma imagem / capa do zine francês. As diferenças residem no formato quadrado e no uso de fotos de azulejos na composição das páginas. Bem... um francês e uma finlandesa a pegarem na nossa street-art... será que somos assim tão bons? Resta dizer que existe um segundo número deste zine "caça ao tesouro" dedicado a Dublin.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

pós-SPX: Suécia

Vieram muitas "coisas" da SPX de Estocolmo, afinal este foi o ano mais internacional deste evento com participações de norte-americanos, italianos, finlandeses, noruegueses e portugueses... iremos por partes nos próximos dias mas começamos pelos "anfitriões", ou seja pelos suecos:



Os sextos volumes de Piracy is liberation (C'est Bon; 2009) de Mattias Elftorp e da revista C'est Bon Anthology (2008), provavelmente os melhores até à data. No primeiro caso porque começa atingir novos picos de drama nesta odisseia ciber-anarquista, no segundo porque a recolha do material é bastante bizarra em especial a bd de Johan Jergner-Ekervik que é um verdadeiro épico bacteriológico mostrando que a bd ainda é uma arte visual-narrativa com temas inéditos para explorar.


A autora Emelie Östergren foi uma surpresa este ano porque lançou dois títulos: um grosso e impecávelmente bem feito volume dos seus trabalhos anteriores pela editora Sanatorium (que edita belos livros, diga-se) intitulado Evil Dress - é bilingue sueco/inglês. Palavras chave: corpo feminino, nostalgia/infância, vestidos, fogo,... O outro é um zine XL (12 páginas A3) com um título tão comprido que me deverei enganar a escrever: Mexikask Granso / Spar lost Forsvumen. Feito a meias com Clara Johansson - ou seja, uma bd para cada uma e um desenho no meio da edição (agrafada) a meias. Mais nostalgia e cinzentismo humano por aqui.


Por fim, Agnosis #1 (ed. de autor; 2004) de Li Österberg é um zine típico de zine como quase já não há no mundo: A5, preto e branco, catita, com bd's da autora (felizmente escritas em inglês) que graficamente lembra muita bd alternativa anglo-saxónica dos anos 90. As três bd's tratam da espiritualidade do ocidental novo milénio. Duas das bd's são autobiográficas e também as mais conseguidas a nível de estória. Uma delas a autora explica como ficou desiludida com a cena New Age - não posso contar mas é hilariante - e na segunda revela porque gosta de Hard Rock - é possível encontrar esperitualidade nos Gamma Ray? Sim, é doa a quem doer... desculpem estragar o final!
Ei! Os pirosos dos Gamma Ray são Power Metal e não Hard Rock!!! Que se lixe isso, podia ser pior, podia ser que a autora ainda ouvisse flautas de pã! Para além que este foi o melhor "zine-zine" ou "zine old school" que encontrei na cena sueca, longe das parvoíces de Mangakas e humor tótó...

todas estas publicações estão à venda no site da Chili Com Carne

terça-feira, 5 de agosto de 2008

descarregando o SPX


retrato meu feito por MP5 (do Crack e participante no åbroïderij! HA!) enquanto estava na banca - e por falar nela:




Estava ao lado do colectivo C'est Bon representados pelos camaradas Patrick e Mattias Elftorp (o tipo cyber-punk). Quando um de nós precisava um shot de nicotina, os outros olhavam pelas bancas. Graças a este simpático sistema pude ver a democracia em funcionamento:


Na praça onde está a Kulturhuset (e a Bedeteca de Estocolmo) estavam chineses a manifestar-se a favor dos Jogos Olímpicos de Pequim - realmente ninguém protestou contra os Jogos Olímpicos de Los Angeles quando sabemos que os EUA não são melhores que a China... Acabado o cigarro, lá voltei para o SPX:


Que este ano era numa sala interior - e não nos corredores da Kulturhuset como tinha visto à 2 anos atrás. Senti que havia menos público por causa disso.


Ninjas no metro de Estocolmo: os convidados Stan Sakai (da série Usagi Yojimbo) e Ulli Lust, autora alemã que participa na exposição åbroïderij! HA! e que fez uma foto-reportagem no site Electrocomics onde me considera um "veterano" da bd portuguesa - Mein Got! Já me sinto um José Ruy! E por falar em veteranos:

Também no metro, Edmond Baudoin, talvez o autor mais simpático de sempre... Apreciou e comprou o Já não há maçãs no Paraíso... quem sabe sabe!
...
brevemente: no blogue dos OSAMAsecretLOVERS uma bd sobre as músicas por lá...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

ccc@spx.08

Chili Com Carne is going to SPX 2008, in Kulturhuset / Serietek of Stockholm.

We'll be spliting table with Swedish friends, the collective/ label/ magazine C'est Bon - puns like "C'est bon Chili Com Carne" will not be tolerate!

As usual we'll bring the best of the Portuguese "indie" edition: zines and books of Imprensa Canalha, MMMNNNRRRG and Opuntia Books.


Poster by Diana Jakobsson

sábado, 9 de junho de 2018

Talento local ###### ESGOTADO


Para quem queria ler mais depois do Noitadas e É sempre tarde demais (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998) e perdeu zines, revistas, jornais e exposições com trabalhos do Farrajota: My Precious Things, BoDe, Bíblia, Inside, Cru, Publish or Perish, Zalão de Danda Besenhada, Amo-te, Osso da Pilinha, V_Ludo, Stereocomics Special SPX (França), Milk+Wodka (Suiça), LxComicsZine, Mistério da Cultura, Crack On e Combate... agora fica tudo compilado!

Mais uns inéditos, poucos!

Este livro fecha um ciclo de produção em que toda a BD autobiográfica de Farrajota se encontra em 3 livros! O quotidiano suburbano desinteressante fica para a posterioridade! Que venha uma bomba atómica para cima da Biblioteca Nacional para que se perca o rastro deste infeliz ser humano!

Há ironia com um título como "Talento Local". Mais quando se junta o pastor protestante estrela roque do Senhor Tiago Guillul no prefácio - um bom livro de um escritor de Domingo tem sempre alguém da paróquia para prefaciar! E ainda mais quando o autor de bd sérvio Aleksandar Zograf se junta para uma bd a meias (inédita).

...
quarto volume da Mercantologia, colecção dedicada à reedição de material perdido do mundo dos zines. 80p. 15 x 21 cm. 500 exemplares. ISBN: 978-989-8363-08-4. Lançado na 17ª Feira Laica (Dez'10)
...
alguns últimos exemplares ainda na Fábrica Features, Matéria Prima, Mundo FantasmaNeurotitanArtes & LetrasUgra Press (Brasil), RastilhoTigre de Papel e nas Bertrands.
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Feedback: 
é bom rever alguns conceitos famosos dos 90’s: em Londres é que se faz teatro 
... 
Tenho dúvidas que se possa dizer (querendo ser retórico) o Marcos não desenha nada. O desenho é uma escrita e a escrita implica reflexão, inteligência entre outras coisas mais subtis. 
... 
Ainda estou a ler o teu último trabalho (onde estás bem) e, por exemplo, o pénis cansado será um exemplo maior 
A. de Silva O. 
... 
Genial! 
Dr. Gamão (Traumático Desmame)
 ... 
curti a onda 90's da coisa
Boris (dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS) 
... 
Gostei da história de tentares partir a garrafa na cabeça dum espanhol. Todos devíamos ter essa oportunidade, pelo menos, uma vez na vida. 
... 
Niiice!
 ...
Estive a ler o livro, está muito fixe!
Orlando Cohen (Peste&Sida, Censurados,...) ...

exemplos de bd's:


originalmente publicadas no Inside (1998), Cru (1999), Stereoscomic (2001) e Milk+Wodka (2003)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A sul, a centro e a norte...

Recolha de resenhas rápidas de zines e livros adquiridos nos últimos tempos...


- Espanha: Entroñable (2012) - zine de BD de El Rucio que faz juz à estética satânica do selo da Petit Comité del Terror. Em 36 páginas A5 há espaço para serial-killers, mass-murderers, onanismo inter-dimensional, artsy-fartsies, metaleiros, zombies, barcelona bashing... O que é preciso mais? Nada! É mesmo isto!


- Itália: Mais duas experiências de "remix narrativo": Bio Edificio 421 (Lök; 2012) e o número 3 de Giuda : Geographical Institute of unconvencional Drawings Arts (Mirada; 2011). A primeira é um jogo narrativo composto por três tiras por página que podem ser folheadas cada uma à sua vez, criando várias hipóteses de ler histórias. Interessante. A segunda é uma revista de psico-geografia por onde passa o futuro da BD, em que Milwaukee é nova paisagem escolhida para recolher material gráfico e narrativo para criar um só texto. Quem está por detrás disto são alguns conhecidos nossos: Gianluca Costantini (Mutate & Survive), Elettra Stamboulis e cia. A seguir com muita atenção!!!
Ruggero passou por Lisboa e dedicou-lhe uma serigrafia impressa no Atelier Mike Goes West... Além de ilustrador também edita uns mini-zines, na essência uma colecção de A3 dobrados de forma a criar graphzines ou pequenas narrativas com imagens. Participa gente que cola, desenha e pinta. Giro! Nada de novo até o Geral & Derradé fizeram isso nos anos 90! Ah! o projecto chama-se Muservola Edizioni é de contactar ou fazer igual!

Passamos agora para a Europa Central:



Bélgica: Da parte flamenga, com uma actividade singular nos últimos anos, surge um jornal de desenho dirigido por Ward Zwart (que participou no esgotadíssimo MASSIVE). A preto e branco talvez porque se intitula Sans Soleil, este primeiro número é dedicado a desenhadores belgas / flamengos por causa do convite da Bélgica para o Festival de BD de Helsínquia... Era bom que os jornais fossem assim! OFERTA de exemplar a quem adquirir algo "belga" da nossa loja virtual - dicas: Mesinha de Cabeceira Popular #200!, Lointain, Rotkop,...




- Holanda: Já não é segredo nenhum que a MMMNNNRRRG irá editar um livro de Marcel Ruijters... Mas não será o Sine Qua Non (Forlaens; 2011) nem Colare Humanum Est (Le Garage L; 2011) será melhor... claro! O primeiro livro é uma edição dinamarquesa do livro que mudou o estilo de BD a Ruijters - alguns devem-se lembrar de alguns livros editados em Portugal pela Polvo, não? - originalmente editada pela prestigiada francesa L'An 2, apresenta-nos Marcel fascinado pelo imaginário medieval cheio d emonstros mitológicos e freiras borregas - como aliás, são todas as freiras... O segundo livro é um livro de colorir desse novo estilo gráfico de Marcel. Quem tiver preguiça para riscar livros que espere pelas serigrafias que serão impressas no atelier Mike Goes West (para sairem em Dezembro na próxima Laica e exposição do autor na Mundo Fantasma) que estas terão muita cor!


- Alemanha: A Bon Gout (para quem não se apercebeu mas era uma atelier de serigrafia, editora e galeria bastante reconhecida) mudou de nome e agora é chama-se Re:Surgo! e já começou a mostrar o que vale com o novo livro de Atak intitulado de Targets for the modern home. Trata-se de uma catálogo das centenas de desenhos de placas de alvos que Atak fez. Primeiro Atak fez uma pesquisa à iconografia destes objectos (algo que pode ser absurdo mas só o atak para descobrir uma grande história sobre estes objectos mundanos) e depois começou a produzir os seus próprios alvos que são certeiros à decadência do mundo moderno. Simples. Danke Lars Henkel

Por fim, o norte da Europa:



- Dinamarca ainda, Regression (Cult Pump; 2012) é um livro em serigrafia de Zven Balslev - autor já publicado em Portugal via Opuntia Books. Inclue BDs cuja ausência de figuras humanas lembra Kai Pfeiffer ou uma experiência oubapiana de Ilan Manouach - uma BD do Petzi-sem-o-Petzi... Um graphzine cheio de ectoplasma!



- Noruega: Embora Martin Ernstsen seja norueguês vive em Berlim mas acho que não há problemas em colocá-lo aqui, até porque o rapaz não pára quieto e viaja para montes de sítios. Este zine, You're talking with the wrong person #3 (2012), é uma compilação de BDs autobiográficas de Martin, nelas podemos encontrar episódios fabulosos como uma tipa que lhe compra uma t-shirt durante a SPX de Estocolmo, despe a velha (não tem soutien!) e veste a nova t-shirt em frente dele e no meio do evento... Só por isso vale o zine! HRMF! (2010) e Pfft! (2012) ambos pela Dongery com BDs de Sindre Goksøyr são mini-zines que o universo Disney é abusado para contar histórias mal-humoradas de caminho à andropausa, como se o Tio Patinhas invés de ser um porco capitalista fosse apenas um mitra de classe média. A miséria humana antropomorfizada em patos é linda!



- Suécia : Novo volume de Piracy Is Liberation : Book 011 : Demockracy (Wormgod; 2012) de Mattias Elftorp - que deve voltar à Feira Laica este ano! - começa um novo ciclo desta série anarco-cyberpunk, desta vez fazendo um raíde à Democracia numa altura que em Portugal as chamas já chegaram à Assembleia... Oportuna leitura! Dois novos zines impressos em risografia do novo e activo colectivo Peow!: Nava de Mikael Lopez (a) e Olle Forsslöf (d) é o ínício de uma série com laivos místicos, parece mais um preview que outra coisa... e Sex Frog de Patrick Crotty apresenta duas histórias de terror - o título da publicação ajuda a lubrificar a líbido, não? - que consegue ter uns contornos de Ero Guro não tão selvagens como os do Suehiro Maruo ou do Aaron $hunga mas com uma abordagem própria - como se a treta da escola sueca autobiográfica went wrong! 



- Finlândia: Finalmente um livro de Jyrki Heikkinen com legendas em inglês para percebermos alguma coisa! Leijonan Veri Velvoittaa (Asema; 2012) é um pequeno livro que Jyrki sempre em forma. Escultor e Poeta por formação, faz BD por desvio mas os três "mediuns" fundem-se sem problemas para contar percursos de arrependidos, anjos e milagres. Essêncial para quem perdeu esperança na poesia e na BD! Outro ponto alto das novidades finlandesas é Offices & Humans : Road to Customex (Huuda Huuda; 2012) de Roope Eronen, que inverte os papeis no jogo de personagem (RPG) Dungeons & Dragons... Invés de de "nerds" a jogarem em mundo de fantasia, são os dragões que encarnam as personagens dos humanos em escritórios com toda a decadência mundana que tal implica: fotocopiar CVs às escondidas na empresa, ver pornografia na 'net, etc... Mais do que hilariante é mesmo preocupante! Thingie (Daada Books; 2012) de Marko Turunen (entretanto com originais patentes na exposição da "autobiografia" na BD Amadora) e Tea Tauriainen (entretanto publicada no recém lançado Mesinha de Cabeceira #23) é a continuação estética das "Tijuanas Bibles" ou dos Air Pirates que gozam com as personagens da Disney pondo-os a foder como uns animais - espera, as personagens Disney já são animais... -  a cagarem-se todos e toda a escalologia que os porcos capitalistas da empresa nunca nos deixarão ver oficialmente. Por isso, é aqui que se pode concretizar muitos sonhos de criança e de "nerd"...