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sábado, 24 de março de 2012

Que a Bolha não rebente...



A Bolha é uma loja de Rio Janeiro e uma editora de poesia e banda desenhada. Uma frase destas simplifica todo um enorme projecto dirigido por Rachel Gontijo que abriu uma loja de BD e outros grafismos num terraço de um prédio. E para complicar ainda deciciu editar poesia contemporânea norte-americana no Brasil, para além de livros de BD. Deve ser louca! Mas, muito provavelmente, alguém o tinha de fazer...
A selecção dos livros de BD é no mínimo peculiar e revela uma editora atenta às movimentações da BD pelo globo fora. Na primeira fornada de livros vamos encontrar séries norte-americanas como 0-800-Ratos #1, um comic-book serializado de Matthew Thurber, entretanto já concluído e compilado pela Picturebox. A história mete "ratos-telegramas", punks, psicadelismo, grupos ecológicos radicais, tramas políticos,... feito num estilo livre mas virtuoso para quem fuma charros todos os dias. A coisa têm piada ao início, depois torna-se uma confusão narrativa e as personagens não nos absorvem, o que da dada altura dá pouca pica para ler, como acontece com Richard Sala, por exemplo. Chega um ponto que todas as personagens podem morrer que o que nos iria preocupar era se ainda temos batatas fritas para trincar. Powr Mastrs, vol. 1 de C.F. pode estar nesta categoria também, afinal somos levados para um mundo de "Senhor dos Aneís" digerido com cogumelos mágicos mas a sua narração é mais consistente e o desenho mais naturalista, o que nos faz pensar que ainda podemos vir a gostar da série. A legendação da edição está muito grossa e estraga o grafismo das pranchas. A julgar pelo cuidado do design das edições d'A Bolha, acredito que esse erro (de ínicio de actividade) deverá ser corrigido no anunciado segundo volume.
A Celebração é o primeiro livro de Rui Tenreiro e que finalmente vê uma edição em língua portuguesa. "Filho da Aldeia Global", o autor nasceu em Moçambique, tem nacionalidade portuguesa mas tem vivido na África do Sul, Noruega e Suécia. Foi na Noruega que publicou este livro - Høytiden (Jippi; 2008) - baseado na cultura Shinto, o que justifica um grafismo limpo e uma narrativa circular-karmático. É sobretudo um livro elegante...
Vai para o Diabo do argentino Federico Lamas é daqueles livrinhos de desenho que toda a gente adora por causa da piada do livro ser um 3D menos 2D. Explicando melhor, o livrinho A6 é impresso a duas cores, azul e vermelho, e é acompanhado por apenas uma "lente" vermelha dos clássicos óculos 3D. Invés de fazer a ilusão tridimensional, o "óculo" vermelho esconde a informação vermelha (deixamos de a ver) e ficamos a ver apenas o que está a azul... É aí que vemos um mundo de gente zangada - o termo mesmo é fodida - que nos manda para o Diabo o tempo todo. Hilariante!!! E engenhoso para quem se fartou da moda dos livros em 3D.
Um excelente trabalho do outro lado do Atlântico que também vai editar o Caminhando Com Samuel do finlandês Tommi Musturi. A Bolha tem bom olho!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

RONDA BREVE DE SÃO PAULO


Não encontrareis, ó aficionados da ilustração e da banda desenhada, especiais motivos de assombro no Rio de Janeiro, posto que haja boas livrarias e se possam descobrir preciosidades independentes na Blooks do cinema Arteplex, a Botafogo, na La Cucaracha de Ipanema e ainda mais n’A Bolha, para os lados de Santo Cristo. Já os colecionadores de raridades visando algum Zé Carioca vintage, a revista Crás ou A Guerra dos Farrapos, de Colin, terão de depositar esperança noutras paragens, confirmada a desactualização das moradas de sebos cariocas especializados em quadrinhos retiradas da Internet dias antes da partida. O que havia de interessante, já fechou. São Paulo é, pois, o destino a seguir. A imensa e industriosa e rica metrópole decerto não defraudará. Os relatos prometem avenidas repletas de alfarrábios e lojas totalmente consagradas aos gibis. A ver vamos…



Saindo na estação de metro de Clínicas e virando costas ao muro do Cemitério do Araçá, iniciamos a descida da Rua Teodoro Sampaio, marcada pela alternância de sebos e casas de instrumentos musicais, até desembocarmos na recatada Praça Benedito Calixto, onde se podem descobrir, por entre as árvores, algumas lojas de charme e cultura, incluindo aquela que aqui nos trouxe, dita Gibiteria, sita no primeiro andar do número 158. Uma sala relativamente ampla e bem iluminada onde se podem encontrar boas amostras da produção brasileira contemporânea. Cachalote, de Daniel Galera e Rafael Coutinho, e Campo em Branco, de Emilio Fraia e DW Ribatski (ambos resultando da colaboração entre ilustradores e escritores) constituem assinaláveis exercícios de fragmentação narrativa dentro do campo da banda desenhada, ao passo que Morro da Favela, ilustrado por André Diniz, prima sobretudo pelo conteúdo biográfico e fotográfico de Maurício Hora. Do lado das publicações independentes, as capas enormes e ultra-coloridas d’A Bolha destacam-se nos escaparates, com boa parte das edições consagradas a autores estrangeiros (nomeadamente europeus e norte-americanos, incluindo notáveis como Gary Panter, Seth ou Tommi Musturi), uma vez mais lembrando as limitações de amostras condicionadas por fronteiras nacionais. Em Se a Vida Fosse como a Internet (Beleléu), Pablo Carranza segue os passos dos seus conterrâneos paulistas Angeli, Laerte e Glauco, exibindo um humor rejuvenescido que Iturrusgarai parece incapaz de alcançar. Na mesma editora, Tiago “Elcerdo” Lacerda sobressai pelo traço impetuoso e rasgado dando vida a histórias sem texto (veja-se «O Pianista Maldito» no Friquinique #3), ao passo que Stêvz e Biu nos servem uma convincente mistura de registos narrativos e gráficos em Aparecida Blues.


Cachalote (Companhia das Letras, 2010)

Campo em Branco: Lembrança de 1987 (Companhia das Letras, 2013)

Morro na Favela (Barba Negra, 2011)

Se a Vida Fosse como a Internet (Beleléu, 2012)

«O Pianista Maldito», Friquinique Zineteaser #3 (Beleléu, 2014)

Aparecida Blues (Beleléu, 2011)

Quanto a alfarrábios, não os há na Gibiteria. Mas recomendam-nos a Rika Comic Shop, situada na relativamente próxima Rua Augusta, que cruza a Avenida Paulista: é voltar a apanhar o metro em Clínicas e sair na estação seguinte, Consolação. Passando diante de algumas galerias comerciais dedicadas à venda de artesanato, vestuário e livros de arte, chegados ao número 1371, é subir as escadas até à sobreloja 10/11. Vista do exterior, a Rika faz jus à legendária tradição sebenteira do Brasil, com as suas prateleiras lotadas de fascículos amarelecidos pelo tempo, a que se juntam enormes colunas de volumes empilhados à entrada. A impressão de felicidade é, porém, passageira. No interior, o visitante esbarra com um balcão onde lhe pedem que indique o título da obra que procura, a qual, verificada a sua disponibilidade no computador, poderá ser-lhe entregue para consulta. Na falta desta informação, de pouco adianta fornecer o nome de um autor — a busca informática só funciona mesmo por títulos. Fica assim posta de parte qualquer possibilidade de vaguear pelo espólio e descobrir coisas inesperadas. A Rika assume-se como uma anti-livraria, e o próprio cartão-de-visita, anunciando «Gibis de todas as épocas para todas as idades», logo acrescenta, autoritário, que se «COMPRE TUDO PELA INTERNET» — opção decepcionante para quem vem de fora e com disposição para sentir os sítios por onde passa. É, pois, questão de dar meia-volta e sair de São Paulo.

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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Simplesmente Samuel ---- últimos 66 exemplares


As novas caminhadas existênciais de Samuel

Simplesmente Samuel de Tommi Musturi

160p. 20x20cm a cores em papel Orla Cream 140g
capa dura a cores, marcador de fita

à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdMania, ZDB, Linha de Sombra, Mundo Fantasma, Tigre de Papel, Matéria Prima, Snob, Tinta nos Nervos, Universal Tongue e Kingpin Books.

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Simplesmente Samuel é uma narrativa visual silenciosa, uma homenagem à vida e à existência humana. Samuel é uma figura fantasmagórica que caminha por um mundo colorido (muito parecido com o nosso) praticamente invisível para o que está ao seu redor, como um verdadeiro herói da nossa vida quotidiana e mundana. As vinhetas sem palavras de Simplesmente Samuel lidam com o individualismo e o conceito de liberdade, ponderando nossas atitudes diárias, escolhas e os valores por trás delas - tudo isso através das acções e expressões de Samuel.

Simplesmente Samuel é a continuação de Caminhando Com Samuel (2009), primeiro trabalho de Tommi Musturi com este "pequeno fantasma que caminha", e escolhido pelo jornalista Paul Gravett para o livro de referência 1001 Comics You Must Read Before You Die.

O traço de Musturi exprime uma narrativa contundente, combinando psicadelismo dos seus mundos interiores com uma precisão matemática no acabamento e no design. O universo rico em cores e formas funciona como uma parte da narrativa ecléctica que continua a surpreender o leitor página a página.

Simplesmente Samuel é um romance gráfico peculiar, que induz o leitor a ver e experimentar a arte impressa a um novo nível.

Simplesmente Samuel foi lançado simultaneamente em nove países diferentes - a edição portuguesa foi em parceria com a brasileira A Bolha - incluindo nos EUA pela Fantagraphics Books. Foi nomeado para Melhor Álbum Estrangeiro pela BD Amadora 2017.

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Sobre o Caminhando Com Samuel: um dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos. - Sara Figueiredo Costa / Expresso (...) 


Sobre o novo título:

(...) o mesmo tempo entrega-nos instrumentos de interpretação que poderiam permitir-nos ler Simplesmente Samuel como uma imagem de algo para além da aparente simplicidade prometida. O livro é, portanto, uma pequena máquina que tanto permitirá uma leitura de consulta rápida, em que nos deleitamos nas cenas isoladas, nas anedotas por si mesmas, mas também uma mais aturada e ponderada consideração do seu significado holístico (...) Pedro Moura in Ler BD. 

I just had Sam for lunch today, such a visionary guy, childish but in a twisted way, I like him for now, but I have to get to know him better DJ Balli (email)

Samuel es un personaje vacío, sin personalidad, un conducto para que la aventura gráfica se desarrolle. Sin embargo, al mismo tiempo es lo mismo y otra cosa diferente, una recopilación de páginas más experimentales y profundas, donde Musturi ha logrado dar un salto al vacío y llegar un territorio nuevo. The Watcher (em relação à edição espanhola)

Nunca tínhamos visto os colhões ao Sapo Cocas, obrigado Tommi Musturi. Clube do Inferno

Melhores Livros de BD de 2016 no Deus Me Livro

A viagem de Samuel através das páginas transforma-se pois numa estranha meditação sem palavras, contada apenas com desenhos. (...) há inúmeras descobertas a fazer neste belo livro. João Ramalho Santos in Jornal de Letras

Livro seleccionado para prémio pacóvio de 2019 (o livro é de 2016!) pela BD Amadora e FNAC - nem editora ou autor foram avisados de tal!!















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Tommi Musturi nasceu em 1975, é um dos autores mais excitantes num país onde onde surgem dezenas de autores excitantes!

Desde miúdo que é um activista, começou por editar nos anos 90 singles de Noise Rock e zines de BD sob a chancela Boing Being, em que se destaca a antologia Glömp cujo último número explorou narrativas em três dimensões - número experimental, luxuoso e basilar que teve direito a uma exposição que passou pela Bedeteca de Lisboa em 2009. Apesar de viver em Tampere é um dos elementos mais activos do atelier Kuti Kuti (de Helsinquia) que edita o muy psicadélico jornal de BD Kuti - um caso único no mundo, diga-se de passagem.

As bandas desenhadas de Musturi são quase sempre mudas (sem texto) e de uma comicidade camuflada. Acima de tudo é um humanista que apresenta o seu mundo e as suas personagens de todos ângulos de forma a girá-los num círculo em que a verdade apresenta-se sempre em mutação. No ano de 2011 ganhou o prémio principal da BD finlandesa, Puupäähattu, pela Sociedade Finlandesa de BD. Os seus trabalhos tem sido exibidos e publicados em mais de 10 países - como o The Books of Hope editado pela importante Fantagraphic Books.

No caso português participou nas antologias Quadrado (3ª série, Bedeteca de Lisboa), Mesinha de Cabeceira Popular #200 e no MASSIVE - ambas da Chili Com Carne. Foram também publicado os livros To a stranger (Opuntia Books; 2010) e Beating (MMMNNNRRRG; 2013) dedicados à sua obra gráfica. Este autor já nos visitou várias vezes entre elas na Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009) e no Festival de BD de Beja (2014).

Os livros Caminhando Com Samuel e Simplesmente Samuel, com edição em nove países, têm lhe granjeado fama internacional, sendo que o primeiro título foi uma das obras seleccionadas para o livro de referência 1001 Comics you must read before you die.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

O Tempo da Geração Espontânea / últimos 29 exemplares




O Tempo da Geração Espontânea
[novo romance]
de Rafael Dionísio

Sinopse : Este livro Atravessa o arco temporal de fins do século XIX até aos anos oitenta do século XX. No entrelaçar da vida de algumas personagens estalam as contradições do colonialismo, da esquerda, da revolução e da vida depois disso. É um retrato de uma certa geração que nasceu em Angola e que cresceu dentro do regime, na posição de estarem contra ele, e das dificuldades e adaptações que sofreram para se manterem à tona, cada um à sua maneira. É uma obra de um maior fôlego narratológico, sendo, simultaneamente um romance histórico e uma reflexão sobre Portugal. Mas tudo isto a la Dionísio, como é evidente.

356 p. 21x14,5 cm, edição brochada, capa a cores
ISBN: 978-989-8363-26-8
Capa de David Campos
Design de Rudolfo

à venda na nossa loja em linha e na Linha de Sombra, Matéria Prima, Trama e Utopia.

Historial: lançamento brasileiro e universal n'A Bolha (Rio de Janeiro) ... lançamento lisboeta na IV Feira Morta por Pedro Madeira, nos Estúdios Adamastor ...

Feedback: pretexto para reflectir sobre colonialismo, esquerda e revolução e pós-revolução I

Errata online aqui







Sobre o autor: nasceu em 1971 e é sobretudo escritor. Presente desde a primeira hora na Chili Com Carne publicou seis livros nesta Associação. Começou a publicar pequenos textos no já há que tempos extinto DN Jovem. Durante os anos 90 participou com textos em publicações alternativas como a Ópio, Número, Utopia, Bíblia,... Participou em diversas exposições de artes plásticas e durante um pequeno período escreveu recensões na revista Os meus livros. Auto-editou dois fanzines de poesia, refúgios e alguns slides, numa altura em que se ainda não tinha decidido definitivamente pela narrativa. Continua a publicar textos em publicações como Nicotina ou Flanzine.
Andou a estudar para engenheiro no Técnico e, depois, para arquitecto na Faculdade de Arquitectura de Lisboa tendo desistido a meio dos dois cursos. Também estudou Desenho no Ar.Co e houve uma época em que quis ser artista plástico, tendo pintado bastantes quadros e destruído muitos deles. Entretanto atinou com os estudos e enveredou por Estudos Portugueses, na Nova, onde tirou sucessivamente, licenciatura, mestrado e doutoramento em Crítica Textual estando aos papéis do Ernesto de Sousa.
É monitor de cursos de Escrita Criativa, especialmente vocacionados para a narrativa. Em 2014, com os Stealing Orchestra fez um EP que foi recebido com boas criticas pela imprensa.

domingo, 16 de junho de 2013

Sermão de Domingo

Rui Miguel Abreu, respeitado agente e jornalista do meio musical português comprou-nos os livros do Rui Eduardo Paes... Ele achou que o desconto de jornalista que lhe fizemos foi tal que até ficou envergonhado.

Pois é Abreu e qualquer outro que estiver a ler isto, a Chili Com Carne não é uma empresa mas sim uma associação sem fins lucrativos, e como tal estamos mesmo a borrifar para lucro e afins. Recebemos dinheiro dos associados que pagam as quotas quando querem (não há forma de os forçar para dizer a verdade), recebemos uns míseros subsídios por ano (e são mesmo miseráveis, sem entrarmos em discurso de choramingas) e claro das vendas que conseguimos. Felizmente temos uma dura disciplina da militância e que criou uma estrutura forte para fazermos o que nos bem apetecer sem prestar contas a ninguém e muito menos cair no facilitismo das publicações oficiais. A Chili Com Carne é uma bolha de oxigénio para os criadores que não encontram mais espaço para respirar nessas ditas publicações. O que não é nada de novo, é também para isto que qualquer estrutura realmente independente serve...

Claro que seria bom que tu e os outros que estão a ver este "post" tivessem presente que toda a ajuda que vier do vosso lado é uma mais-valia para nós, pagando preço total ou a meio-preço, ou ainda em troca directa de produtos ou serviços; fazendo-se sócios da CCC, comprando os nossos livros directamente a nós ou às lojas de forma que elas sintam que há leitores para os nossos livros; escrevendo em blogues e afins, espalhando a palavra, etc...

Agradecemos imenso! E sem vergonhas! Gracias!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Brasil XVI


Mickey Speed #_01 (A Bolha; 2013) de O Divino é um belo livro pouco maior que o A4 com uma BD que não tem linearidade precisa. Gerlach, Franz e a malta do Samba não estão sozinhos lá no Brasil na exploração de uma "nova BD" brasileira em específico mas também das novas narrativas da BD que se passam à escala global.
A primeira lembrança que este Mickey Speed faz é do Diabolik de Yvan Alagbé por ambos serem fragmentados e usarem o estilo de BD "criminal" ou de policial negro como estética. Mas as diferenças deparam-se logo depois porque Alagbé usa esse material com textos políticos e pessoais, enquanto que Divino coloca vinhetas sem fim, sem palavras e sem sentido para criar um ambiente bizarro, negro e teoricamente mais próximo do "policial". Tal como na capa do livro em que repete o título "Mickey Speed" de forma derretida, é essa mesma sensação que temos ao ler esta BD, alguém deitou ácido na iconografia Spillane & cia.Mais uma surpresa do Brasil que deixa curiosidade sobre o que irá acontecer a seguir...