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terça-feira, 25 de junho de 2013

Bosque singular

O David e o Zé voltaram todos agarrados ao Crack mas pelo menos não venderam pelo caminho coisas que eram prá Chili Com Carne.

E são duas, o novo número da revista sueca C'est Bon Anthology (#22, Mai'13?) mas redigida em inglês, cujo tema deste número é a "singularidade" (técnológica). Tema interessante e que serve para várias discussões mas que infelizmente aqui ficou alguns furos abaixo dessas possibilidades. Algumas participações chegam a ser retrógadas a lembrar revistas espanholas dos anos 80 - aliás, até pior que isso porque nessas revistas encontravam-se coisas muito boas! A engraçada capa aliás diz-nos tudo: técnica analógica (grattage), imagem de aspectro retro (robots à anos 50) e cor a preto e branco (péssimismo); de certa forma, um novo "mal du siècle" que atinge-nos a todos, incapazes de sonhar com um Futuro brilhante e com novas maravilhas. Pelo muito pelo contrário até...


Menos pessimista será o livro 3 Boschi (ed. de autor; 2013) do italiano Roberto Grossi que compila três BDs cujo elemento unificador serão as florestas, seja para um Japão contemporâneo, uma Itália na segunda grande guerra ou uma Amazónia nos anos 90. Temas que coincidem com Fujisan (Casterman; 2005) de Akira Sasô, e claro a nível de ambientes e grafismos com Charles Burns e João Maio Pinto. A tónica é optimista e contra-corrente à Utopia pós-humano ou tecno-humana que vivemos - e aborada no C'est Bon neste "post" - muito pelo contrário o autor através das suas personagens quer abraçar a floresta de alguma forma. Mas eu desconfio que o Homem inventou as cidades para fugir dessa enorme porra cheio de barulhos e perigos vários, cheio de sombras e desafios escondidos. Nós odiamos o verde e a Natureza, apredemos a afastarmo-nos dela e agora é tarde demais. Que entre o Exterminador! Grossi acha o contrário provavelmente...
O livro inclui legendas em inglês - como já tão normal em edições de BD pelo mundo fora. A edição é um bocado simples demais mas funciona para o que se quer, boa BD!

Temos ainda alguns números antigos da C'est Bon - mais interessantes. Desconto 20% para sócios. Contactar via ccc@chilicomcarne.com

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Feira Laica de Dezembro

cartaz de Bruno Borges


A Feira Laica irá acontecer entre 10 a 12 de Dezembro no Mercado do Forno do Tijolo, nos Anjos.


A Chili Com Carne convidou editores independentes portugueses e estrangeiros, a saber, o francês Albert Foolmoon e o sueco Mattias Elftorp.
O primeiro, Foolmoon, é um verdadeiro activista da cena independente: é ilustrador (ver resenha de um livro seu aqui), editor sob o nome Lézard Actif, promove as acções do DIY internacional através do site DIYzines, o evento Salon Fai-le Toi-même e a livraria / galeria Super Cagibi. Para completar este ramalhete, Foolmoon adora Lisboa, tanto que em 2008 quando nos visitou pela primeira vez até fez um livro sobre a street-art portuguesa (ver aqui).
Elftorp é o artista / escritor anarquista da série pós-apocalíptica e cyberpunk Piracy is Liberation e parte do duo Wormgod. Faz exposições sobre os horrores da sociedade capitalista, foi um dos fundadores e editores da revista / colectivo C'est Bon Anthology, sendo responsável actualmente pela colecção Dystopia. Recentemente organizou o festival de bd Alt Com, em Malmö, dedicado ao tema "Sexo & Guerra".

Ambos terão exposições individuais!

Editores que estarão presentes:

A Mula + Arara
Associação Chili Com Carne
Contraprova
Leote Records
Lézard Actif (França)
zine Znok

Novidades editoriais:
- An Intrusive Black Circle, de André Lemos (Opuntia Books)
- Cleópatra #5, zine de Tiago Baptista
- É o Diabo!, serigrafia de Miguel Carneiro (Arara)
- Iceberg, de José Feitor (Imprensa Canalha)
- Jungle Machine, de Dayana Lucas (Arara)
- Mike Goes North, portfólio com André Cruz, Ana Torrie, Célia Esteves, Júlio Dolbeth, Marco Mendes, Nuno Sousa e Rui Vitorino Santos (Mike Goes West)
- More Songs About: Melómanos Arquivistas e Rouxinois, CD-R de Presidente Drógado (Leote Records)
- O Morto foi ao Baile - compilação de capas da colecção Grandes Mistérios, Grandes Aventuras : 1940-1960 (Imprensa Canalha)
- Oficina do Cego #2, v/a
- Talento Local, de Marcos Farrajota (Chili Com Carne)
- Znok #5 (nova versão), de Filipe Duarte

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Guerra estrangeira




Continuando o relato do Alt Com, ficam agora alguma divulgação de autores estrangeiros que por lá passaram exoticamente numa cidade que ainda há algumas semanas tinha um "serial-killer" a matar estrangeiros com armas de fogo.
Sobretudo havia muitos dinamarqueses - afinal em 20 minutos consegue-se apanhar um comboio Copenhaga para Mälmo que passa pelo meio do mar numa ponte. A cena dinamarquesa é tímida mas tem vindo a ser divulgado ao mundo através da revista sueca C'est Bon, e nota-se uma peculiar fusão entre o desenho realista e alguma experimentação.

E claro, mais experimentais e vizenhos, estavam lá os finlandeses. Alguns já conhecia como Tiitu Takalo, Tehrie Ekebom e Jyrki Heikkinen (que participou no Greetings from Cartoonia). Entretanto conheci outra autora, o que faz da Finlândia e da Suécia os países mais equalitários no que toca à criação bedéfila. Trata-se de Aino Sutinen que lançou o ano passado pela Asema, o livro Taksi Kurdistaniin : Reppumatkasarjakuvia Lähi-idästä, que trata da sua viagem solitária pela Túrquia, Síria, Iraque, Irão e Azerbaijão. Num simpático formato A5 com inclusão de algumas fotografias, Sutinen conta as duas (des)aventuras por aquelas terras de forma um tanto ou quanto "naíf" e distante não deixando de ser curiosa saber que uma mulher ocidental avançou por ali a fora.

O brasileiro Nik Neves estava presente com o seu trabalho Inútil (auto-edição), o zine Picabu (do seu colectivo Bestiário) e ainda com o Prego. O primeiro é um livro que colecciona trabalhos seus que se divide em dois tipos, um do tipo "mudo" e movimentado que podemos meter Chris Ware ao barulho e outro mais "retro-sud-américa" que podia lembrar algo de Hernandez bros. Bom tratamento gráfico do livro! A "questão brasileira" que se tem reflectido neste blogue emerge sempre mas ao encontrar mais um artista gráfico como Neves vamos juntando um massa de autores que se deslocam do "besteirol" e do humor para outros campos mais artísticos e experimentais mas sem nunca abandonar essa tradição "cartoonesca". É o caso do zine Picabu, regressado 17 anos depois do último número, mostra autores que se expressam, sem papas na língua, em vários estilos gráficos (do mais "podre" ao mais hiper-realista) mas que piscam sempre para a "sacanagem". Felizmente a maior parte das bd's tem piada q.b. e são bem feitas para não irritar.

Depois de estar uma tarde de Sábado toda na venda de livros, a um ritmo lento, houve festa à noite com várias bandas, que quase não vi e a que queria ver, os palestinianos Team Darg mais conhecidos por "Da Arabian Revolutionary Guys", perdi-os. Comprei o CD-R na onda de apoiar a causa - a banda encontra-se retida na Suécia porque perdeu os bilhetes de regresso (?).
O Hip-Hop tornou-se há muito tempo o género predilecto para recuperar a língua e origens musicais misturando com uma roupagem urbana. Tal como o Hip Hop português passou no final dos anos 90 como a única música urbana que cantava em português (enquanto meia-dúzia de parolos tentavam a internacionalização cantando em inglês), estes Team Darg cantam em árabe(-palestiniano?) que soa bem, com samples de música árabe que soam bem, e tudo isto podia soar a uma fabulosa bomba musical caso os tiques do Hip Hop & R'n'B e outras manhosices-lamechices não dessem sinal de vida, arruinando as músicas e o respeito pelos músicos. Em seis músicas consegue-se ouvir umas duas (ou três se formos menos exigentes) e felizmente, não sei árabe para ouvir o que eles dizem porque receio que no final se descubra que fossem mais umas tretas moralistas como acontece com o Hip Hop aborrecido pelo mundo fora (com raras e poucas excepções).

Alguns destes títulos podem ser adquiridos à CCC pelo e-mail ccc@chilicomcarne.com. Descontos de 20% para sócios.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

capacete


São 1200 km de Lx a Angou... Nos últimos anos vários autores e elementos da CCC
têm alugado um carro para poder levar os livros à vontade, sem os constrangimentos dos pesos dos aviões e esforço físico - os livros podem ser amigos mas dão cabo das costas!
Mesmo sem stand decidimos ir mais um ano ao Festival e deixamos livros nossos aqui e acolá. no caso da MMMNNNRRRG (atenção ao blogue em preparação) ficou muito bem com os camaradas italianos Passenger Press. Alguma relação com a canção do Iggy Pop? Não sabemos... nem a versão dos Siouxie & the Banshees tínhamos - em compensação tínhamos os Puppetmastaz a bombar!



Bom... voltando ao The Passenger, o segundo número (o terceiro porque fizeram o "clássico" número zero) saiu o ano passado e é dedicado ao Cinema em que o editor Christian G. Marra conseguiu juntar realizadores de culto como Bruce LaBruce (também conhecido por ter instigado a cena zine e musical Queercore nos EUA) ou Lloyd Kaufman (das produções Troma!) com autores de bd como Ralph Niese e o "nosso" Pepedelrey... os resultados variam. Outra publicação que gostariamos de divulgar é a colecção Passenger Cahier, caderno de esboços em que o segundo volume (2009) dedicado ao venezuelano Alexis Ziritt é um virtuoso nos temas "Lucha libre", zombies e outros clichés da série B. Bons desenhos e excelente produção gráfica do caderno (impresso em papel amarelo e arrendondado nas pontas). No fundo a Passenger segue a mesma lógica da sueca C'est Bon, ou seja "nós seremos o próximo mainstream", seja lá o que isso quer dizer... edições da Passenger Press são distribuídos em Portugal pela El Pep

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

cuecas

Vamos começar neste blogue a descarrega de material e memórias de Angoulême... não serão muitos "posts" porque este ano não fizemos muitas compras ou trocas porque a organização perdeu o nosso formulário para termos uma mesa no evento. Assim sendo fomos mais como "turistas" e aproveitamos mais para ver as "coisas" - até porque fez sempre "bom tempo" excepto no Domingo de manhã que nevou um bocadinho (imagem). E a propósito disso aproveitamos para divulgar o material nórdico, finlandês e sueco. Bom, para dizer a verdade também eles andavam sem stand por isso trouxemos quase nada.

Da Finlândia querida, trouxemos apenas 25 pósteres do Caminhando Com Samuel e vários exemplares do último Kuti (o número 14, ver aqui) que serão oferecidos na compra de qualquer edição em que participe autores finlandeses à venda na "shop" da CCC - e já que o Pakito Bolino e a Emelie Östergren participam neste psico-jornal então também esta oferta alarga-se para os livros do Le Dernier Cri e para Evil Dress. Aproveitem que não são assim muitos exemplares que temos, e como temos a mania de oferecer coisas por tudo e por nada...



Da Suécia, os últimos dois números (de 2009) da revista C'est Bon Anthology, que mantêm a sua qualidade de sempre, quer nas colaborações das bd's quer dos textos - no #8 é transcrito a enorme intervenção do Mike Diana no último SPX de Estocolmo sobre o seu caso judicial. A revista só varia em autores mais conservadores e outros mais experimentais, daqui destacamos Allan Haverholm no #9 - e que inclui uma entrevista - e cuja bd é um verdadeiro vendaval de ritmo e euforia jazzistica! Cada número custa 10,50€ (20% desconto para sócios CCC)


Saídos da revista/ colectivo C'est Bon, Mattias Elftorp e Susanne Johansson, fundaram um novo projecto editorial, Wormgod, onde saiu o novo volume (o sétimo) da série "cyberpunk" Piracy is Liberation de Elftorp, e que entra num novo ciclo da estória. Para além disso ainda lançaram uma colecção de zines intitulado Dystopia em colaboração com a Sociedade Sueca de BD. Trouxemos os primeiros dois números que inclui um "split" da inglesa Carol Swain (já editada em Portugal nos anos 90 pela Azul BD3) e o esloveno/ americano Danijel Zezelj (o trabalho dele já foi exposto em Portugal na Honey Talks) que ambos num ambiente de Ficção Científica levam a sério o "tema-título" da colecção. Já o segundo número a cargo do lituano Artùras Rozkovas é mais difícil situá-lo em bd (parece antes uma galeria de desenhos) ou distopia (existe narrativa?) tal é o Freak Dreaming que apresenta. Lembra Teresa Câmara Pestana mas mais tribal e onírico. De todos, o mais interessante. Piracy custa 10€ e os Dystopias 4€ cada (20% desconto para sócios CCC)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

pós-SPX: Suécia

Vieram muitas "coisas" da SPX de Estocolmo, afinal este foi o ano mais internacional deste evento com participações de norte-americanos, italianos, finlandeses, noruegueses e portugueses... iremos por partes nos próximos dias mas começamos pelos "anfitriões", ou seja pelos suecos:



Os sextos volumes de Piracy is liberation (C'est Bon; 2009) de Mattias Elftorp e da revista C'est Bon Anthology (2008), provavelmente os melhores até à data. No primeiro caso porque começa atingir novos picos de drama nesta odisseia ciber-anarquista, no segundo porque a recolha do material é bastante bizarra em especial a bd de Johan Jergner-Ekervik que é um verdadeiro épico bacteriológico mostrando que a bd ainda é uma arte visual-narrativa com temas inéditos para explorar.


A autora Emelie Östergren foi uma surpresa este ano porque lançou dois títulos: um grosso e impecávelmente bem feito volume dos seus trabalhos anteriores pela editora Sanatorium (que edita belos livros, diga-se) intitulado Evil Dress - é bilingue sueco/inglês. Palavras chave: corpo feminino, nostalgia/infância, vestidos, fogo,... O outro é um zine XL (12 páginas A3) com um título tão comprido que me deverei enganar a escrever: Mexikask Granso / Spar lost Forsvumen. Feito a meias com Clara Johansson - ou seja, uma bd para cada uma e um desenho no meio da edição (agrafada) a meias. Mais nostalgia e cinzentismo humano por aqui.


Por fim, Agnosis #1 (ed. de autor; 2004) de Li Österberg é um zine típico de zine como quase já não há no mundo: A5, preto e branco, catita, com bd's da autora (felizmente escritas em inglês) que graficamente lembra muita bd alternativa anglo-saxónica dos anos 90. As três bd's tratam da espiritualidade do ocidental novo milénio. Duas das bd's são autobiográficas e também as mais conseguidas a nível de estória. Uma delas a autora explica como ficou desiludida com a cena New Age - não posso contar mas é hilariante - e na segunda revela porque gosta de Hard Rock - é possível encontrar esperitualidade nos Gamma Ray? Sim, é doa a quem doer... desculpem estragar o final!
Ei! Os pirosos dos Gamma Ray são Power Metal e não Hard Rock!!! Que se lixe isso, podia ser pior, podia ser que a autora ainda ouvisse flautas de pã! Para além que este foi o melhor "zine-zine" ou "zine old school" que encontrei na cena sueca, longe das parvoíces de Mangakas e humor tótó...

todas estas publicações estão à venda no site da Chili Com Carne

terça-feira, 5 de agosto de 2008

descarregando o SPX


retrato meu feito por MP5 (do Crack e participante no åbroïderij! HA!) enquanto estava na banca - e por falar nela:




Estava ao lado do colectivo C'est Bon representados pelos camaradas Patrick e Mattias Elftorp (o tipo cyber-punk). Quando um de nós precisava um shot de nicotina, os outros olhavam pelas bancas. Graças a este simpático sistema pude ver a democracia em funcionamento:


Na praça onde está a Kulturhuset (e a Bedeteca de Estocolmo) estavam chineses a manifestar-se a favor dos Jogos Olímpicos de Pequim - realmente ninguém protestou contra os Jogos Olímpicos de Los Angeles quando sabemos que os EUA não são melhores que a China... Acabado o cigarro, lá voltei para o SPX:


Que este ano era numa sala interior - e não nos corredores da Kulturhuset como tinha visto à 2 anos atrás. Senti que havia menos público por causa disso.


Ninjas no metro de Estocolmo: os convidados Stan Sakai (da série Usagi Yojimbo) e Ulli Lust, autora alemã que participa na exposição åbroïderij! HA! e que fez uma foto-reportagem no site Electrocomics onde me considera um "veterano" da bd portuguesa - Mein Got! Já me sinto um José Ruy! E por falar em veteranos:

Também no metro, Edmond Baudoin, talvez o autor mais simpático de sempre... Apreciou e comprou o Já não há maçãs no Paraíso... quem sabe sabe!
...
brevemente: no blogue dos OSAMAsecretLOVERS uma bd sobre as músicas por lá...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

abrindo as malas da viagem...

É o regresso do SPX 2008 (Estocolmo) e serve este "post" para dar as novidades:

_Temos para oferta alguns exemplares do último número do jornal finlandês de bd, Kuti - já várias vezes divulgado neste blogue. É um número especial SPX, com trabalhos de autores finlandeses e suecos. Os textos estão em sueco mas com legendas em inglês.
Esta oferta é exclusiva aos sócios da CCC e que comprem qualquer artigo que seja da Finlândia ou da Suécia (Boing Being, Napa, Daada) ou que tenha participação de autores finlandeses ou suecos (Chili Bean, Mesinha de Cabeceira Popular #200, Mutate & Survive, Canicola).

_Já é uma revista que se tem escrito com alguma regularidade (o #5 e o #1) e que número para número vai crescendo em forma e conteúdo: C'est bon anthology do colectivo sueco C'est Bon, com quem a CCC partilhou mesas na SPX. Trouxemos para venda os quatro volumes da terceira série (#17/20; Ago'06/Dez'07) que marcam a distribuição mundial desta publicação através do catálogo Previews (que distribui todos os comics norte-americanos para as lojas especializadas). A revista continua a sua redacção em inglês e está com um aspecto luxuosa, gordinha e brilhante devido ao papel couché. Tem mais colaborações de autores internacionais (ou seja, "não-suecos") e mais trabalhos arrojados - uma lista de nomes explica por si só a qualidade que a revista atingiu: os alemães Martin tom Dieck (que estará este fim-de-semana no Festival de BD de Beja!) e Arne Bellstorf, o sérvio Danijel Savovic (vol.1), o português Pedro Nora, o sueco Knut Larsson, os finlandeses (que estiveram no Salão Lisboa 2005) Marko Turunen e Jyrki Heikkinen (vol.2), o francês Yvan Alagbé, os italianos Andrea Bruno e Stefano Ricci (vol.3), ou ainda a finlandesa Amanda Vähämäki ou a israelita Rutu Modan (vo.4).

_Um dos editores desta revista é Mattias Elftorp que também é autor de bd. A série Piracy is Liberation é o seu trabalho mais conhecido, que já se encontra num quarto volume editado pelo colectivo desde 2006.
Graficamente próximo de (ou demasiado influenciado por) Brian Wood e Ben Templesmith, Elftorp é menos elegante em questões de anatomia, domina as lutas do preto e branco e dá bom uso de tramas e texturas.
Cada volume apresenta entre 64 a 72 páginas, o que mostra o enorme trabalho com que o autor está lançado. A trama de um futuro não longe do nosso, passado numa megalopólis sem memória, onde piratas informáticos procuram destruir o sistema de dominio dos padres capitalistas, poderá lembrar Matrix ou a bd Invisibles de Grant Morrison (este último menos conhecido mas mais copiado - os criadores do Matrix que o digam) mas não deixa de ter ideias próprias que estão em gestação - gosto particularmente de uma cena em que duas personagens Hackers que fazem "copy'n'paste" deles próprios do mundo virtual para o real. De certa forma as cerca de 240 páginas ainda não pareceram suficientes para perceber o que se passa por aqui - lógica de Manga? À primeira vista, poderá haver uma excessiva exploração de lugares-comuns de "anarco-glamour" mas uma leitura mais atenta revelará mais inteligência do que a visão superficial. Esperando por mais volumes até 2012?

_Nesta edição do SPX assisti, de certa forma, a saída do armário da bd sueca alternativa... enquanto os finlandeses há anos que traduzem as suas bd's para terem feedback internacional, os idiotas dos suecos sempre tiveram fechados no casulo editando livros na língua que nem os ABBA usavam para ganhar o Eurovisão. Resultado, tirando o Max Andersson e o Lars Sjunnesson (este último participou no Mutate & Survive), que vivem em Berlim, e o Gunnar Lundkvist e Joakim Pirinen (editado em Portugal pela Azul BD3), todos eles da "velha guarda" nada mais se conhece da bd sueca. Aliás, as minhas duas visitas ao país - e à SPX - não se traduziram em regressos com malas cheias de novas bd's, livros e zines... justamente o oposto do que aconteceu quando vou ao festival de bd de Helsinquía.
Saiu a antologia From the shadow of the northern lights : an anthology of Swedish alternative comics : vol. 1 (Galago; 2008), uma antologia em inglês (yeah!) que terá distribuição pela norte-americana Top Shelf. Podemos chegar à conclusão do que se passa por lá: há a "velha guarda" (já referida) mais gráfica e experimental, depois há a autobiografia chata dos anos 90 - daquela que ninguém têm nada para contar ou que saiba contar de forma interessante, havendo montes de históras sobre homossexualidade (um sucesso no mercado da bd, creio) - e por fim, o regresso do grafismo e bizarria bruta com nomes novos como Marcus Ivarsson, Marcus Nyblom (autor da capa), Knut Larsson e Kolbeinn Karlsson. Apesar das lamechices de alguns autores, vale a pena ler estas 200 páginas a preto e branco.

_E é este último grupo de autores referidos que faço um destaque porque como já escrevi, raramente há razões para comprar edições suecas por causa dos grafismos pobres e pela barreira da linguagem. As excepções são as seguintes: o livro Skissbok (Kartago; 2007) do Marcus Nyblom e os zines de Kolbeinn Karlsson: Benny Bjorn will never return e Rules of animation (com Hanna Petersson; 2007) e Harvar Vilda Vastern (2007?).
No primeiro caso coloca-se a questão se "skissbok" poderá mesmo significar "livro de esboços"... apesar da estrutura do livro apontar para isso porque os trabalhos publicados não parecem ter ligação aparente. Ora são desenhos soltos, alguns sim com aspecto de "esboço", ora são bd's mudas e insólitas como "Alice no País das Maravilhas". São as bd's que têm um ar mais esboço porque o estilo gráfico que Nyblom usa é "realista" e "certinho" bem longe das suas ilustrações que têm aquele aspecto derretido e degradado de quem está em sintonia com a ilustração deste milénio - embora as raízes deste tipo de desenho e imaginário estejam na Raw e no Fort Thunder, dos anos 80 e 90 respectivamente. É um livro "fifty/fifty".

Quanto a Kolbeinn (várias vezes pensei que ele chamava-se Cobain como o vocalista dos Nirvana ou Kobaïan, a língua inventada pelos prog-rockers franceses Magma) também está em sintonia com o tempo: degradação material e moral, fascínio pelo Pop (o Benny Bjorn para quem ainda não está bem a ver, é um dos tipos dos ABBA), monstros peludos e outras criaturas de série B. Zines fotocopiados em formato A5 com capas a cores, os dois primeiros são de ilustração em parceria com uma tal Hanna Petersson em que as autorias não são identificadas (embora as suspeitas sobre a autoria dos desenhos de Kolbeinn recaiam para os que têm mais texturas); o último é o único de bd - que está também publicada na antologia From the Shadow (...) - com uma estória violenta homoerótica do oeste norte-americano - acho.

_Por fim, material dos inteligentes finlandeses - é a segunda vez que fico com a sensação que a Suécia, ou pelo menos Estocolmo é dominada por campónios e novos-ricos.
Novidade absoluta: Supernormal (Daada; 2008) de Marko Turunen, um dos muitos autores de bd peculiares da Finlândia e também dono da editora Daada. Não é novidade mas é importante na mesma para qualquer português ignorante da cena bedéfila da Fenoscândia: Mystic sessions Vol.I (auto-edição; 2006) de Pauliina Mäkelä.
No primeiro caso são reedições de bd's de zines antigos ou ainda algumas bd's fora do padrão do universo do autor - que nos visitou no Salão Lisboa 2005. Aqui vamos encontrar bd's parvas de super-heróis criadas pelo Turunen de 1984 (de 11 anos) e redesenhadas pelo Turunen de 1998 (de 25 anos) que dão um sentimento estranho para qualquer apreciador de "nerd culture", há fotonovelas nervosas das aventuras do Sr. Pinguim (um boneco azul feito por Turunen) a interagir com patos e com um cão (hilariante!), algumas bd's "minimalistas" de coelhos ninjas ou de contos tradicionais sobre ursos broncos,... enfim, mais de 400 páginas A6 de Arte e pura diversão.
O segundo caso é um livro agrafado A3 de 16 páginas a preto e branco que foi criado pelos - e serve para quem quiser ilustrar - distúrbios e desvaneios psico-acústicos de projectos musicais como sunn0))), Earth, Burzum, Wolf Eyes, Melvins entre outros "dronemeisters".
Existe uma narração feita de imagens de uma figura feminina (uma menina) a tocar um tambor intercaladas com outras imagens de dimensões bizarras e psicadélicas, daquelas que podiámos chamar de "zona negativa" ou algo assim - quem leu os desvaneios de um tal de Kirby sabe do que falo.
Cada batida, um novo universo?

aviso: irá demorar a colocação destes artigos na nossa loja virtual, por isso quem quiser entretanto comprar poderá fazê-lo pedindo pelo e-mail ccc@chilicomcarne.com. cada número da C'est bon custa 15€ e cada volume de Piracy is Liberation custa 10€ (c/ desconto de 20% aos sócios da CCC)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

ccc@spx.08

Chili Com Carne is going to SPX 2008, in Kulturhuset / Serietek of Stockholm.

We'll be spliting table with Swedish friends, the collective/ label/ magazine C'est Bon - puns like "C'est bon Chili Com Carne" will not be tolerate!

As usual we'll bring the best of the Portuguese "indie" edition: zines and books of Imprensa Canalha, MMMNNNRRRG and Opuntia Books.


Poster by Diana Jakobsson

domingo, 17 de dezembro de 2006

CCC na 5ª Feira Laica

cartaz por José Feitor

A CCC está a dividir mesa com a Imprensa Canalha e disponibiliza todo o seu catálogo bem como de alguns dos seus associados (MMMNNNRRRG, Opuntia Books, ...) e ainda várias edições nacionais e estrangeiras (Stripburger, Glomp, C'est Bon, L'employ du moi).

O Mesinha de Cabeceira Popular #200 é a novidade editorial da CCC.

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Samizdata Club / especial Espaço After-hours

No Espaço - Centro de Desastres: rua Maria Andrade nº5:: (aos Anjos) Lisboa::: Sábado 16 de Dezembro:::: 00h-02h

TatsuMaki vs. Sci Fi Industries - hardware machines warfare!
Para o lançamento oficial do split CD Seek and Thistroy! de TatsuMaki, Devhour e City of Industry, o "Ciclone de Braga" e SFI repetem duelo travado anteriormente, usando exclusivamente maquinaria, desta vez em Lisboa e no contexto da 5ª Feira Laica (ver + informação abaixo).

terça-feira, 10 de outubro de 2006

(depois de) CCC@Helsinki.Comics.Festival

Nos dias 23 e 24 de Setembro ocorre o 21º Festival de BD de Helsinquia. A CCC estará lá presente com uma banca de títulos seus e dos seus associados MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha e Opuntia Books
...
Chili Com Carne editions and other Portuguese best kept secrets (like MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha and Opuntia Books) will be represented in the 21st Helsinki Comics Festival to be held on the 23rd and 24th of September 2006.



Em jeito de relatório...
Foi a segunda vez que me aconteceu tal coisa e com a mesma viagem! Segunda vez em HELLsinki e foi a segunda vez que me perdem a bagagem numa viagem de avião. Tal como há 2 anos do transbordo de Paris, desta vez foi no de Amsterdão. Se da primeira vez não havia grande drama, desta vez a coisa era grave porque a mala perdida tinha os livros da CCC e dos associados para serem vendidos no Festival de BD. E ao contrário da primeira vez que logo de manhã já tinha a minha bagagem recuperada desta vez só chegou depois das 18h - justamente quando o primeiro dia comercial do Festival terminava.

Ainda assim não me posso queixar: quase todo o material (seleccionado do catálogo da CCC e associados, que estivesse em inglês ou fosse meramente visual) foi vendido - e o que não foi, foi trocado por outro material ou deixado em lojas na Finlândia. Mais, o retorno monetário foi grande o suficiente para pagar 70% da viagem. Sendo que esta viagem era um misto de negócios e férias, a questão do lucro relativisa-se bastante.

Por isso posso dizer que valeu a pena. Manter ou fazer novos contactos, despachar exemplares de livros que em Portugal são ignorados pelo mercado e pelos críticos, receber feedback do público - elogiando ou não mas sempre reagindo. Diferente da letargia portuguesa, de um público que mais parece ter medo dos livros. Aliás, tão ricas que eram as reacções que as conclusões são impossíveis. O que posso dizer é o que me parecia que seria mais óbvio vender não vendeu tanto, e vice-versa. O público também era bastante diferenciado e misturado, desde dos nostálgicos e cromos maluquinhos aos os nerds dos nerds (os fãs de Manga e em regime cosplay - valia ter tirado fotografias!), dos góticos e góticas lamacentos (fãs dos 69 Eyes - o vocalista tinha sido autor de bd nos anos 90 e era reeditado o seu livro Helsinki Zombie Vampire Love ou algo parecido), aos estudantes de artes e similares, e gente normal, ... O que facilitava algumas aproximações - os CD's de música que levei que tinham Moonspell foram todos despachados prós vampiritos!

Não tenho fotografias do evento - a máquina estava na mala e no Domingo, último dia comercial do Festival, queria era vender e despachar material, dai a pobre reportagem fotográfica que se resume a duas fotos da banca e da mascote do Festival, ambas desmontadas...


Das trocas realizadas eis a lista (a actualizar nos próximos dias):

-
Canicola #2
- Canicola #3
a melhor revista italiana de bd do momento, em italiano c/ legendagem em inglês, 10€ cada / 8€ cada para associados
- C'est bon Anthology #1 (3ª série)
revista sueca de bd, em inglês, 14€
/ 11,2€
- Nazi Knife #2
graphzine do mesmo grupo do Rotkop, 10€
/ 8€
- Moving Plastic Castles
livro de arte do finlandês
Tommi Musturi, 6€ / 4,8€
- Madonreikä
zine de ilustração do mesmo autor de Kylmä Liha, 4€ / 3,2€
- Glömp #8
antologia finlandesa de bd, todo a cores!!!, em finlandês c/ legendagem em inglês, 20€ / 16€