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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Filipe Felizardo + (Rudolfo * Molly) - à vista = El Pep até 21 de Agosto

Até 21 de AGOSTO na El Pep está patente uma mostra de originais de dois novos autores nacionais de BD bastante diferentes - a música seria o seu único elo de ligação mas até nisso são equidistantes os seus trabalhos. O que lhes une, foram os lançamentos do segundo número da Molly de Rudolfo e O Subtraído da Vista, livro de estreia de Filipe Felizardo. Venham conhecer estes autores e publicações que ficam entre o mundano do dia-a-dia e a cosmogonia, estão convidados e não serão lambidos!




Filipe Felizardo (Lisboa, 1985) é músico e artista visual. Dedicou-se a instalações ópticas e investigações patafísicas ao longo de uma residência prolongada na Galeria Zé dos Bois, de 2009 a 2013, o que culminou no livro de cópia única O Olho Ôco, um trabalho de pesquisa pessoal sobre as presunções da percepção. Está neste momento a preparar o seu próximo disco, Volume IV - The Invading Past and other Dissolutions a sair na editora suiça three:four records, e uma nova publicação em banda desenhada, sobre pedras e sombras, resultado da residência Contra o Dia no Moinho da Fonte Santa.

Na exposição: Os trabalhos expostos são originais de Filipe Felizardo que pertencem ao corpo do livro O Subtraído à Vista. Com esta pequena mostra pretende-se mostrar como o livro que agora é editado pela Chili Com Carne surgiu de diversos retalhos e explorações, tanto de texto como de desenho. O miolo foi trabalhado intermitentemente ao longo de 9 meses, tempo durante o qual a técnica mudou de maneira acentuada - daí que se mostrem as primeiras e últimas versões das páginas iniciais. Sem grandes aventuras no medium da BD, este trabalho serviu para arrumar ideias e uma metafísica muito pessoal.

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Rudolfo é um mestre de todos os ofícios e mais algum. Faz bonecos desde sempre, mas foi em 2007, quando tinha 16 anos, que começou a editar os seus fanzines de BD que entretanto se viram misturados com toda a sua raiva emocional através dos seus discos carregados de Hate Beat e concertos cheios de espasmos, caos, fritaria e bastante rabetice... Do seu pequeno percurso hiperactivo contam-se uma série de fanzines próprios (ninguém quer saber de fanzines!), participação em várias antologias de BD da Chili Com Carne ou oriundas de outros países/continentes, ilustrações para aqui e para acolá (fez imenso lixo para a Vice) e também alguns discos em formato CD-R/MP3. No entanto, os seus feitos mais importantes podem ser reduzidos a uma lista: a criação e morte da antologia de BD trimestral e internacional Lodaçal Comix, entre 2011 e 2013 através do selo Ruru Comix; ter sido a primeira e talvez a única pessoa a ser expulsa do Milhões de Festa; ter criado o bootleg mais másculo de sempre daquele rato amarelo que dá choques (Musclechoo); e, mais recentemente, do seu trabalho contínuo a ilustrar Negative Dad, uma BD escrita pelo Nathan Williams (Wavves) e o seu amigo, Matt Barajas (Heavy Hawaii). Ah, também tem andado a fazer bimestralmente a sua nova revista de bd, Molly!

Na exposição: Molly é uma antologia de autor, uma revista de banda-desenhada que faz lembrar os bons anos 90 onde títulos como Eightball (de Daniel Clowes) ou Dirty Plotte (de Julie Docet) reinavam supremos. Mas esses anos já lá vão, e Molly é um reflexo da contemporaneidade e do universo de Rudolfo. Estarão expostos originais do segundo número que explora ainda mais a psique do autor e das suas obsessões, com a ocasional dose de escatologia, claro.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

O Subtraído à Vista / That Which is Subtracted from Sight [ESGOTADO / SOLD OUT]




O Subtraído à vista é o livro de estreia para as massas do músico e artista visual Filipe Felizardo, composto por prosa, banda desenhada e recortes de investigação patafísica.

É um livro que estuda a natureza das imagens visuais e as presunções da percepção - do ponto de vista particular de um homem cego, uma criança albina presa numa caverna com uma avestruz, e uma colecção de outros animais cujo olhar nos ensina algo sobre o que não se vê.

O livro inclui a participação de Carlos Gaspar (ilustrações) no primeiro capítulo.
 Edição bilingue com legendas em inglês.

Comprising prose, comics and entries of pataphysical investigation, That which is Subtracted from Sight, this first book of Filipe Felizardo studies the nature of visual images and the presumptions of perception - from the exquisite points of view of a blind man, an albino child stuck in a cave with an ostrich, and a collection of other animals whose sight teaches us something about what is not seen.

The book includes English subtitles.


500 ex.; 72p. 21x27cm p/b / ISBN: 978-989-8363-37-4

Este é o segundo livro publicado no âmbito do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! embora não seja um trabalho vencedor, é sem dúvida merecedor de publicação.

ESGOTADO
ainda se podem encontrar exemplares na BdMania, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, Lx), Tasca Mastai, Matéria Prima, Mundo Fantasma, Stet, LAC, Linha de Sombra, FNAC, Bertrand, Le Bal des Ardents e Utopia.

Historial:

Lançamento com exposição de originais na El Pep no dia 8 de Agosto 2015 e Festa no Damas ...

exemplos de páginas:


Feedback: 

formes assez radicales de composition hybride entre photographies, textes typographiés et bandes dessinées, expériences qui mériteraient un meilleur traitement et une meilleure destinée que ce.
The artwork in O Subtraido A Vista was very appealing, too - quite a stark publication, definitely suited to black and white. A truly beautiful and somewhat strange book!
pStan (Pumf) by email

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

4º Concurso interno de Banda Desenhada da Chili Com Carne § 16 trabalhos recebidos!

A quarta edição do concurso 500 paus recebeu 16 propostas de livros de BD - a maior recepção de trabalhos desde a criação deste concurso interno. 

Destes foram aceites 13 trabalhos que o Júri está a avaliar e que anunciará o vencedor no dia 14 de FEVEREIRO de 2017



 A Associação Chili Com Carne lançou a ideia de um concurso para fazer um livro em Banda Desenhada para matar a modorra na cena portuguesa, tendo sido publicados já vários livros como Askar o General de Dileydi Florez e O Subtraído à vista de Filipe Felizardo, trabalhos que participaram no concurso. Em Outubro de 2015 saiu a primeira obra vencedora (do primeiro concurso, de 2013) ou seja, The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros de Francisco Sousa Lobo, que terá uma edição espanhola em 2017.

O último resultado deste concurso foi lançado no dia 6 de Outubro de 2016, ou seja o romance gráfico Acedia de André Coelho, obra vencedora do concurso do ano passado.


Cá estamos de novo à espera de novas aventuras editoriais!






Instruções (não muito complicadas):
Para quem? 
Para Sócios da CCC com as quotas em dia - não é sócio? então é clicar neste LINK.

O prémio é monetário? 
É sim! 500 paus! 500 Euros!
Para além de que o trabalho será publicado!
E, para a próxima edição, o vencedor é convidado a fazer o cartaz e a integrar o júri!

Quem decide o vencedor?
Uma parte da actual Direcção da Associação Chili Com Carne, o vencedor da edição passada e alguns associados, a saber: André Coelho, Filipe Felizardo, Hetamoé, Marcos Farrajota e Ondina Pires.
O Júri reserva-se o direito de não atribuir o prémio caso não encontre qualidade nos trabalhos propostos.

Datas?
5 de Fevereiro 2017 é a entrega dos projectos!
14 de Fevereiro 2017 é anunciado o vencedor!
O livro é publicado em 2018!?

 Regras de apresentação dos trabalhos
- O livro não tem limite de páginas e de formato mas porque desejamos inseri-lo nas nossas colecções já existentes - Colecção CCC, QCDA, LowCCCost, THISCOvery CCChannel - o projecto terá mais hipóteses de ganhar se for apresentado num formato das colecções.
- Preferimos o preto e branco mas a cor não está totalmente afastada!
- Envio do seguinte material:
a) texto de apresentação do(s) autor(es),
b) sinopse do projecto
c) planeamento por fases (com datas)
d) envio de 20% do total da BD, sendo que o mínimo serão 4 páginas seguidas e acabadas e 16 planeadas.
- Todos estes elementos devem ser entregues em PDF, em serviço de descarga em linha (sendspace ou wetransfer) cujo endereço deve ser enviado para o e-mail ccc@chilicomcarne.com

Que projecto pode ser apresentado? 
- Uma BD longa de um autor ou com parceiros
- Um livro com várias BDs do mesmo autor (desde que tenham uma ligação estética ou de conteúdo)
- Uma antologia de vários autores com um tema comum

Boa sorte!
CCC
Este projecto têm o apoio do IPDJ

quinta-feira, 18 de junho de 2015

QCDI #3000 : DAMAS : 18 JUNHO c/ Filipe Felizardo e unDJ MMMNNNRRRG


Esta QUINTA-FEIRA, dia 18, a partir das 22h, irá acontecer o primeiro lançamento de um livro de BD no espaço Damas (Graça, Lx): QCDI #3000!!!

É o terceiro volume de uma série de livros de BD que publica as excitantes propostas de novas gerações de autores nacionais e que desta vez materializa uma parceria diabólica entre a Associação Chili Com Carne e o Clube do Inferno!!! 


André Pereira, Astromanta, Hetamoé e Mao são os quatro autores deste número sub-intitulado Fear of a Capitalist Planet com quatro histórias que operam em diferentes matizes, entre o fantástico, o político e o onírico. Dragões, polícias e pizzas deformadas fazem parte da iconografia deste projecto que continua a ideia do Clube do Inferno de que vivemos depois da catástrofe. O colectivo coloca-se de fora, no futuro, na realidade paralela, para obter tangentes que se querem alienígenas mas não alienantes.

Filipe Felizardo foi o músico convidado para criar o ambiente apropriado para as narrativas pós-apocalípticas que o QCDI #3000 nos oferece. Guitarrista de música exploratória tem discos pelas muito recomendáveis editoras Shhpuma, Wasser Bassin e Three:Four (da Suiça). Espera-se pura aridez amplificada! 

Por fim unDJ MMMNNNRRRG conclue uma noite com Tangos finlandeses, Drones e Hip Hop, que são as músicas favoritas do Grande Cabrão.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Ant Vag

Filipe Felizardo
Marieta Filmproduktion, 2007

É giro ver destas coisas, dos putos a crescerem... eu explico, o Filipe foi um aluno meu nos cursos de bd e pelos vistos não o consegui convencer da superioridade da bd (como todos sabem, a melhor das artes!)... pelos vistos o Filipe está mais interesado em Cinema (oh!) mas pelo menos os ideais DIY e zinistas ficaram. Daí que passado alguns anos, o Filipe aparece numa Feira Laica com este DVD com uma embalagem toda feita à mão... o que suponho que não seja normal num país em que Cinema ou Vídeo signifique apenas subsídio estatal ou trabalho na TV.
A atitude é das melhores embora o trabalho não seja da minha preferência pois achei-o demasiado juvenil: solidão + depressão + macacos do nariz... mas o que se pode esperar do Filipe que tem 20 anos? como o tempo passa... snif, snif... Mas vagueio... eh... Há uma preocupação estética e há algumas cenas engraçadas semi-estranhas quando Filipe veste um fato de fantasia muito fixe de um pínguim mas ele acaba por não explorar muito mais as potencialidades trágico-cómicas do fato... A sensação que ficamos depois de ver esta "Antologia do Vagar" é que apesar do Manoel de Oliveira, infelizmente, ainda não ter morrido já é um fantasma no cinema português. Boa banda sonora e boa embalagem! - Marcos, o stór

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Eu quero que o Fado se foda! (mas os portugueses são mesmo uns deprimidos)

Recentemente a Clean Feed reeditou Estilhaços de Steve Lacy (1934-2004), primeiro disco de Jazz editado em Portugal. O quinteto do saxofonista norte-americano inclui Irene Aebi que toca violoncelo e manipula um rádio. É Fevereiro de 1972 Ano do Senhor e a primeira coisa que Aebi apanha é logo um programa religioso do espectro radiofónico nacional, o que mostra muito o que era o nosso país - ou aquilo que ele ainda é passadas xxx gerações após o 25 de Abril. Tenho eu 38 anos e continuo sem perceber porque este país é tão parado em quer que seja... Nas artes é sintomático: o cinema de animação que não se mexe, o cinema do Oliveira paradinho, idem idem aspas aspas prá dança, rock e BD... Tudo sempre estático, como se houvesse uma preguiça genética de 500 anos de exploração colonial. Ou então é porque ainda temos medo da PIDE (hoje, da ASAE) nos caia em cima por acelararmos demasiado o passo.

Não que as edições que daqui escrevo mais abaixo sejam más por serem "paradas" - na verdade estão cheio de dinâmicas - mas na essência são projectos experimentais, e experimental em Portugal significa "calmo", sem fazer "barulho" ou agredir o ouvinte. Até na Pop/Rock isto acontece, daí que os géneros preferidos em Portugal sempre foram as chachadas dos Indie Rock, Post-Rock, Goth Metal e agora Post Metal, Drone Metal,... tudo muito triste e calmo de preferência, mostrando que Salazar-depois-de-Salazar conseguiu que o Fado fosse o melhor exemplo do nosso fascismo triunfante...

O mês passado apareceu uma nova editora de música experimental, a Shhpuma, orientada pelo fantástico Sr. Travassos e impulsionada pela Clean Feed / Trem Azul. A estratégia é editar discos que não cabiam nas balizas do Free / Jazz da Clean Feed, assegurando que toda uma nova geração de músicos (sobretudo improvisadores) portugueses não ficassem esquecidos por falta de registos fonográficos - como aliás, é bastante vulgar neste canto europeu. O nome não deixa ficar dúvidas que será uma catálogo de música sem "beats" e movimento, claro está! Shh... nada de levantar a voz!

A primeira edição - são CDs meus senhores, são CDs - é Guitar Soli for the Moa and the Frog de Filipe Felizardo, terceiro disco deste jovem guitarrista que não tenho dúvidas que foi umas das muitas vítimas que sucumbiram a ouvir o regresso dos Earth com Hex; Or Printing in the Infernal Method (Southern Lord; 2005). Felizardo cria uma paisagem Americana que foi extremamente bem gravada numa peça (história?) de 46 minutos. Para além de Earth somos também levados para Dead Man Walking de Neil Young (a musicar o filme de Jim Jarmusch) sem que estas comparações feitas sejam maléficas ou castradoras. Felizardo livrou-se de pedais de "loops" e vozes telúricas e exigiu mais à guitarra enquanto instrumento. Com esta exigência Felizardo provou que terá muitas cartas (de Saloon?) para dar no futuro. Um músico para observar os seus próximos passos!

O segundo disco é a estreia dos Pão, encontro improvável de três músicos: Travassos (que organiza o Festival Rescaldo), Tiago Sousa e Pedro Sousa - sem relações familiares conhecidas. O primeiro usa maquinaria (circuit-bending, fitas magnéticas, etc...), o segundo tecla e o terceiro sopra sax. Nada que junte isto a nenhuma formação clássica de Jazz ou outro género. Improvisam, montam estruturas melódicas (dentro do que se pode considerar melódico para quem usa sons ásperos e ruídosos numa veia ambiental "pós-industrial"), sempre à beira do silêncio e contenção como bons portugueses que são. Aqui nunca há explosões e euforias como acontece sempre na cena Improv / Free. Há desabrochares imprevistos como é normal no crescimento biológico das plantas trepadeiras - a capa é ilustrativa do som. Só não se percebe porque raios arranjaram um nome tão estúpido como Pão... Se fosse "Desabrochar" soaria muito melhor.

Claro quando chegamos a ao disco de Heu{s-k}ach & Pedro Sousa, intitulado I know not what tomorrow will bring (Resting Bell; 2011), em que é quase impossível não comparar a Pão - porque o Pedro Sousa também participa com o seus sax sussurado, porque também é um trio e porque há semelhanças no som. Só que a diferença é que nesta parceria, uma das partes é estrangeira (um duo suiço), logo é mais barulhenta que os portugueses. Não que haja aqui situações espásmicas e estriónicas, pelo contrário continuamos tal como em Pão na experimentação improvisada criadora mais de ambientes do que funções físicas mas é verdade é que esta gente estrangeira toca uma "beca" mais alto que os Pão de Portugal, ponto final. Não que isso seja um ponto em favor mas mostra como nós somos...

Por fim Forever & One Day (ed. de autor; 2012) de Jorge Amador é um exercício de 24h editado em CD-R. 24h para tocar e gravar (para além de realizar as imagens do livrinho do disco) no espírito da improvisação sem acrescentos ou diminuições de edição e pós-produção.
Loops e electrónicas longe de serem lineares acompanham uma guitarra lunar... Mais conhecido como ilustrador, este "amador da música" mostra uma face oculta sem envergonhar. Com toques de psicadelismo e "dronice" que se entrelaçam bem, acabam por provocar algum cansaço por ser demasiado extenso - não fazemos as 24 horas com o Jorge nos cerca de 70m de disco mas é quase... Missão cumprida?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Mucomorphia #1


Se tivesse de fazer as listas dos melhores do ano, este primeiro número do zine de Filipe Felizardo merecia estar no Top 3 de Melhores Fanzines de BD ao lado do Outro Mundo Ultra Tumba de Rudolfo Mariano e A Day de Mariana Pita... Com a ligeira vantagem de que editorialmente Mucomorphia é um desafio como poucos nos dias de hoje. Tal como o Gato Mariano (raios, o Mariano #1 devia estar também nesse Top 5 e o catano!) também eu não faço listas de zines no final de ano...
Pretende-se serializado, tiragem ilimitada (yes! é d'omem!!!) e é uma publicação smörgåsbord do output desta área de criação de Felizardo, não esquecendo que ele é mais conhecido por músico mas também como artista plástico e fotógrafo. Nestas páginas também está incluído a construção do seu próximo romance gráfico, A Conference of Stones and Things Previous. Muito mais solto do que em O Subtraído à Vista não deixa de estar também muito mais rigoroso no plano técnico. De resto tal como na música e outras áreas de intervenção de Felizardo, há processos de pesquisa que se vão metamorfoseando num plano cosmogónico que nem toda a gente está a fim de lá entrar. Azar! Título a acompanhar esperando o seu editor cartas à antiga [R. dos Douradores, 202, 5ºD, 1100-208 Lisboa] para uma secção de leitores (ó que belo gesto anacrónico que desejo que corra bem!) e encomendas à séc. XXI [ardo.zilef@gmail.com].

sábado, 8 de agosto de 2015

ÚLTIMA HORA: Farrajota vs Felizardo @ Damas


Marcos Farrajota e Filipe Felizardo vão fazer uma batalha de unDJ só com vinil -mesmo à pró, meu! - no Damas após o lançamento de O Subtraído à Vista na El Pep, numa festa má-onda... Mas primeiro há concertos freaks organizados pela Nariz Entupido. Apareçam!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

- modus VS split LP +


Acho que foi numa entrevista com o camararada REP que ele disse que as duas estratégias contra a poluição sonora que nos atinge a todos, passa pela música Noise ou pelo seu oposto a reducionista. Eis dois casos que não sendo tão extremistas aproximam-se destas ideias, e mais do que isso estão unidos num formato comum, o split-LP, ou seja um dico vinil em que cada projecto fica com um lado para lá meter som. Um "versus", portanto...


Balinese Beast com Fusiller juntam-se para Les Géométries Souterraines (Tanz Procesz; 2013) e mostram electrónica Noise e Glitch, sendo que no primeiro caso há um saxofone de um grego já nosso conhecido que torna isto tudo num Spike Jones do Youtube. Lembra os velhos tempos da V/VM Test Records ou ainda Vomit Lunchs sem a fúria e o esplendor power-electronics. Fusiller também se fica pelos meados dos anos 90 mas pela dimensão plana dos Drones e dessas secas habituais do Noise civilizado. Bela capa / grafismo!

Sem querer irritar ninguém temos My Life on Weekends com o nosso ilustre Filipe Felizardo com o disco Words Move, Music Moves / Vol. III: O Water - O Excrement - O Dissolution - Before the Day of the Last Beginning (Wasser Basin; 2013). A estratégia da editora é excelente para não surgirem fenómenos absurdos com vinis de um só lado gravado, fazendo até agora, sempre belos split-LP's agrupando "estilos" idênticos em cada edição. Desta vez temos dois projectos de "falsa Americana", ou seja, guitarras acústicas intimistas. No primeiro caso acompanhado por samples que nos levam para um Dark Folk à anos 80. De Felizardo, nada a acrescentar ao que desenvolveu no seu último trabalho editado profissionalmente.

Enfim, dá que pensar que se calhar está na hora de procurar novas estratégias, não?

terça-feira, 25 de março de 2014

Ao acaso...

Random Pages (Zine Arcade; 2014) é um mini-zine inglês com um "remix" de várias páginas da produção de banda desenhada de Amanda Baeza que produz desde 2011. Em formato A6 várias páginas de Baeza são misturadas em novas sequências, excepto a mais velha, uma BD feita em lógica e estética de jogo de computador, "Tomás : Myth and Videogames", e que aqui se encontra também completa, ao contrário de todas as outras que se apresentam fragmentadas como Our Library, Nubes de Talco e das participações na antologia de BD do Panda Gordo e Zona de Desconforto (a sair a 5 de Abril!). É um estranho objecto editorial este, por um lado não acrescenta nada de novo na possível releitura (remix?) das BDs de Baeza, por outro, serve como uma espécie de catálogo do seu trabalho, dando até a possibilidade de ver as páginas de Our Library a preto e branco (que foi uma das surpresas da exposição da autora no Festival Rescaldo / Trem Azul). Ao que parece a editora inglesa, a Zine Arcade, quer é divulgar o trabalho dos autores que gostam - até oferecem a bibliotecas que o peçam. Uma generosidade pouco britânica mas nada como o mundo dos fanzines para mudar as regras da cultura da mitragem inglesa.

Completamente oposto ao zine da Baeza está Purga de Heitor Joshua (7 números; Abr'13-Fev'14) de André Pacheco, com BD e desenho tradicionais deste autor, numa onda mista de realista com bonecada. O zine não tem quase nenhuma selecção e edição sobre os trabalhos a publicar, mesmo quando existem números dedicados só a BD (#1, 5 e 6) outros dedicados a um tipo de desenho (#3 e 4), a sensação é que é publicado "tudo ao molho e fé em Deus", fazendo destes zines uma duplicação total do trabalho metido no blogue do autor. Receber os 7 números de enchurrada ainda assim impressiona pela energia que eles transmitem mas infelizmente vai desiludindo por essa falta de coerência nos trabalhos e nas edições. Desconfio que Macedo será alguém a seguir na BD (mais convencional) no futuro de certeza, quando começar a orientar melhor o que quer fazer e sobretudo o que quer mostrar. Gostei mais do #1 porque era repleto de BD (falta-me a paciência para graphzines como já sabem) e mostrava um trabalho mais pessoal - ao contrário de outros de BD que são resultados para os concursos de "BD amadora" - e as melhores capas são do 4, 6 e 7 por serem mais orgánicas, isto porque como todos sabemos um zine é para ser à mão! Fuck DTP!

Para este fim-de-semana que passou, o Filipe Felizardo lançou um mini-zine na Feira Bastarda. Além da proeza de conseguir ter feito uma publicação de apenas 6 páginas, A Pérola! E o Olho! é das poucas BDs portuguesas em 2014 que é "leftfield" - enquanto esperamos por mais obras de Van Ayres, Baeza e pouco mais. Realmente é preciso não ser um autor de BD para se fazer alguma BD de jeito! Como sabem o autor é mais conhecido por ser (fantástico) músico, para além de algumas incursões em vídeo e desenho. Obrigado Filipe! Espero que o regresso à BD seja mais que esta miserável publicação!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O Presidente Drógado apresenta Quatro Dramas de Faca e Alguidar



Este Sábado que passou, finalmente saiu um disco - um vinilo 12" gravado de um só lado - que marca não só o regresso da saudosa Imprensa Canalha como o do Presidente Drógado a edições decentes, isto para quem tem feito uma carreira fonográfica de CD-Rs pobrezitos (excepção prá edição da Burning Desire). Escrevi "edições decentes"? Meus caros, esta edição é a razão porque se compra discos em vinilo.
'Tá Top! É bem capaz de ser a melhor edição em vinilo em Portugal nesta década ou milénio, já não digo melhor edição fonográfica porque ninguém até hoje bateu as edições da Matarroa desenhadas pelo designer Chemega. Capa em serigrafia, textos explicativos da enorme saga de três anos que demorou para sair o disco - o problema principal, é que com a moda do vinilo, as fábricas de discos estão a ignorar os pedidos de editoras mais pequenas.
Baseado num caderno antigo do século XIX descoberto pelo João Bragança (Succedâneo) que contava uma estória de drama e crime, foi dado o mote para uma pequena recolha im-popular de "murder ballads" em que o Drógado é perito. As gravações vão de 2008 a 2015 e inclui excelentes participações de Patrícia Filipe (com quem partilham o projecto Come-se a Pele), Filipe Felizardo e Rita Braga - que várias vezes apareceu marciana em concertos e gravações do Drógado.
Advertência aos fãs agarrados: as músicas do Drógado neste disco são "dark" e mais trágicas que cómicas, o que poderá fazer algum choque a quem espera apanhar letras irónicas sobre o consumo de estupefacientes ou os clichés da vida contida de Rock'n'Roll deste Lou Reed de Linda-A-Velha. Há um tom de seriedade que casa com o grafismo do disco em perfeição. O simples facto de se colocar o disco na aparelhagem e ouví-lo à medida que se consulta os textos percebe-se que estamos num mundo Pop em estado de "slow food", há que apreciar isto com calma e gosto. Há o espectro "trash" que paira no disco, claro, afinal falamos de baladas populares e que até são descobertas literalmente no lixo mas é daquele "trash" que foi transformado em luxuo e será guardado para sempre nas prateleiras dos doze polegadas...
Parabéns Zé!

sábado, 28 de setembro de 2013

ccc@jeaux.sans.frontieres



O Filipe Felizardo estará a representar as edições da Chili Com Carne e associadas.

(o sítio é este para quem não sabe, perto da Feira da Ladra)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ccc@rescaldo.2011


lá estaremos com uma mesa cheia de edições da CCC e outras nacionais e internacionais - e Sábado, o unDJ MMMNNNRRRG vai assustar a malta do Jazz...

«Um festival que retoma os nomes e projectos que tiveram relevância no decorrer do ano anterior, ao mesmo tempo permitindo uma perspectiva do que dos mesmos se poderá ouvir futuramente. Focado nas movimentações emergentes da electrónica, da improvisação, do rock e do jazz, o Rescaldo enfatiza ou dá a conhecer as linguagens e os músicos que merecem destaque devido ao contributo que vêm dando à vitalidade criativa das músicas feitas em Portugal.» + info AQUI

PROGRAMAQUI. 20 JANEIRO
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SUBTERMINAL // TEATRO A BARRACA // 23h00
JOANA SÁ / MARCO FRANCO // TEATRO A BARRACA // 00h00

SEX. 21 JANEIRO
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NUNO TORRES // SOL E PESCA // 19h30
PÃO // TEATRO A BARRACA // 23h00
PEDRO GOMES / GABRIEL FERRANDINI // TEATRO A BARRACA // 23h00

SÁB. 22 JANEIRO
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DAVID MARANHA / MANUEL MOTA // TREM AZUL JAZZ STORE // 22h00
FILIPE FELIZARDO // TREM AZUL JAZZ STORE // 23h00
SUNFLARE // TREM AZUL JAZZ STORE // 00h00
unDJ MMMNNNRRRG (DJ SET) // TREM AZUL JAZZ STORE // 01h00

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Vencedor 500 paus 2024 - "Dias a Fio" de Alexandre Piçarra



Foram entregues 18 propostas e os cinco membros do Júri desta edição do concurso interno da CCC Toma lá 500 paus e faz uma BD decidiram por maioria como projecto vencedor:

Dias a Fio
de 
Alexandre Piçarra

Será um livro de cerca de 60 páginas a sair este ano - provavelmente na colecção Mesinha de Cabeceira... ou talvez não, poderá sair como um título sem colecção! O Futuro é sempre incerto!


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Segundo a sinopse do projecto:

É um livro com várias Banda Desenhadas curtas, cerca de 10 histórias de caráter social que reflete experiências de vida maioritariamente passadas numa Lisboa ficcional por volta dos anos 2000. Apresenta uma coleção de situações e histórias, inspiradas em factos verídicos, ou testemunhados, que procuram provocar um subtil sentido de incredulidade. São vivências que coexistem entre o imaginário e a realidade. As diferentes histórias, separadas por capítulos, expõem o mundo interno de diferentes personagens através das suas vivências, explorando algumas questões morais ou de confronto entre ideais e a realidade. Há chungas, punks, betinhos e também outras personagens e situações reconhecíveis. O formato temporal das bandas desenhadas é semi-rizomático, em que todas as histórias são fechadas mas interligam-se através das personagens cujo caráter se vai desenvolvendo à medida que surgem em diferentes situações, deixando o mais possível em aberto para o leitor a sugestão de conexão entre narrativas.


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Comentários do Júri:

"(...) a onda urbana e desenho "feio" é um bom casamento!"

"(...) uma excelente comunhão entre desenho e o texto, tanto em forma como conteúdo."

"(...) a proposta mais honesta e hábil."


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Ficam aqui algumas páginas:






A Associação Chili Com Carne agradece a todos os sócios que participaram nesta iniciativa, em especial aos que pagaram a sua quota anual e permitiram o prémio monetário
- há mais de oito anos que as quotas anuais dos sócios têm como objectivo financiar o concurso "Toma lá 500 paus!" ao invés de serem apenas um mero "investimento" para o consumo das nossas publicações.


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Esta iniciativa tem ainda o apoio da Tinta nos Nervos e relembramos que graças a este concurso foram já publicados 11 livros:

O Cuidado dos Pássaros / The Care of Birds (vencedor 2013, com edição espanhola pela Penguin-Random House e francesa pela Rackham) de Francisco Sousa Lobo
Askar, o General de Dileydi Florez
 O Subtraído à Vista de Filipe Felizardo
 Acedia (vencedor 2015) de André Coelho
 Nódoa Negra (vencedor 2018) de várias autoras
All Watched Over By The Machines of The Loving Grace (vencedor 2019) de vários autores.
Bottoms Up (vencedor 2020) de Rodolfo Mariano
Hoje não (vencedor 2021) de Ana Margarida Matos
Sinapses (vencedor 2022) de Ivo Puipo
Vale dos Vencidos (baseado no trabalho vencedor 2014) de José Smith Vargas com segunda edição para breve
Partir a Loiça (toda) (vencedor 2023) de Luís Barreto


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Sobre o autor: 

Alexandre Piçarra nascido em 1990 vive em Lisboa, formado em Escultura, tem um part-time e desenha nos tempos livres. Já fez exposições e teve múltiplos ateliers. Sofre de dislexia persistente, e por isso usa o mínimo de escrita e balões possíveis. Participou no fanzine Invasão.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

ACEDIA de ANDRÉ COELHO - ESGOTADO



Acedia é um livro de André Coelho e na realidade o seu verdadeiro primeiro livro a solo - os outros livros foram colaborações como, por exemplo, o caso de Terminal Tower com Manuel João Neto...

Acedia é um romance gráfico que foi o vencedor do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD de 2015 e juntou-se, na altura, a uma série de livros da Chili Com Carne que resultam dos resultados desse concurso onde vamos encontrar O Cuidado dos Pássaros / The Care of Birds (vencedor de 2013) de Francisco Sousa Lobo, Askar, O General de Dileydi Florez e O Subtraído à Vista de Filipe Felizardo.

Um livro que consegue estabelecer um equilíbrio entre experimentação e tradição na banda desenhada estabelecendo um paradoxo entre a sua energia criativa com o ambiente mórbido da narrativa. Especulamos que a personagem do livro seja um alter-ego do autor e que alguns episódios sejam autobiográficos mas na essência estamos no domínio da ficção - ou da auto-ficção?

Sinopse: Um homem, Daniel, sofre de distorções na sua percepção visual devido a um corpo estranho alojado algures na cavidade ocular. Apesar da insistência das notificações hospitalares para dar início aos seus tratamentos, ele vê-se confrontado com a hipótese das suas alucinações estarem a proporcionar-lhe uma fuga para uma nova percepção da realidade. Daniel terá que optar entre encarar a sua doença como um sinal evidente da sua mortalidade ou como uma intensificação da vida.


Eis algumas páginas da obra:


104p. (muito) preto e branco 18x24,5cm, 500 exemplares

O concurso 500 paus tem o apoio IPDJ e de todos os associados da Chili Com Carne.

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ESGOTADO, tentem BdMania, Mundo Fantasma, ZDB, Linha de Sombra, Tigre de Papel, Utopia, Snob, Tinta nos Nervos e Rastilho.

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Historial 

Lançado no dia 6 de Outubro 2016 no Lounge Lisboa com actuações dos Smell & Quim e Rasalasad vs shhh... 
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entrevista ao autor e editor na revista Umbigo 
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 apresentação no North Dissonant Voices 2017 no Black Mamba 
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André Coelho nasceu em 1984 em Vila Nova de Gaia, onde reside. Tem vindo a desenvolver o seu trabalho como ilustrador no âmbito do Rock, Punk, Metal e música experimental, criando capas de discos, merchandising e cartazes.

Paralelamente faz edições de pouco ou nenhum sucesso através da Latrina do Chifrudo, editora que mantém com Sara Gomes, na qual edita fanzines e discos. Tem vindo a trabalhar regularmente com a Witchcraft Hardware e com a Malignant Records. Entre várias bandas que fez parte destacam-se os Sektor 304 e Profan. Têm participado nas várias antologias da Chili Com Carne com desenho, BD e textos e em exposições pelo Reino Unido, Finlândia, Suécia, EUA, Espanha, Itália, Portugal e Brasil.

A sua estreia monográfica foi com Terminal Tower, em 2014, em parceria com Manuel João Neto. Neste mesmo ano, os originais do livro foram mostrados no Festival de BD de Beja, Amplifest (Porto) e no Treviso Comics Fest.

Bibliografia: SWR Chronicles (SWR; 2014), Terminal Tower c/ Manuel João Neto (Chili Com Carne; 2014), Sepultura dos Pais c/ David Soares (Kingpin; 2014) e Evan Parker - X Jazz (c/ prefácio de Rui Eduardo Paes, Chili Com Carne + Thisco; 2015) Colectivos: MASSIVE (Chili Com Carne; 2010), Destruição (Chili Com Carne; 2010), Subsídios para MMMNNNRRRG #1 (MMMNNNRRRG, 2010), Futuro Primitivo (Chili Com Carne; 2011), É de noite que faço as perguntas c/ David Soares et al. (Saída de Emergência, 2011), Inverno (Mesinha de Cabeceira #23, Chili Com Carne; 2012), Antibothis, vol.4 (Chili Com Carne + Thisco; 2012), "a" maiúsculo com círculo à volta c/ Rui Eduardo Paes et al (Chili Com Carne + Thisco; 2013), Zona de Desconforto (Chili Com Carne; 2014), PostApokalyps (AltCom, Suécia; 2014), Quadradinhos : Looks in Portuguese Comics (Treviso Comics Fest + MiMiSol + Chili Com Carne, Itália; 2014) e Altar Mutante #3 (Espanha, 2015).


Feedback:

Livro curto, Acédia é o primeiro trabalho de longo fôlego a solo de André Coelho que se apresenta como uma narrativa coerente, e não colecção de desenhos ou improviso em torno de um tema. Novela concentrada, negra, lacónica, a escrita de Coelho espelha-se em todos os elementos que compõem a narrativa e é necessário ler a sua forma e superfície para libertar os seus significados. Tal qual o tema proposto, há uma realidade que nos é apresentada mas cujo desvendamento se associa à percepção do leitor e poderá mesmo ser intransmissível. 

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Os livros de André Coelho lêem-se como murros no estômago, e este não é excepção. Obra a solo, o poder narrativo de Coelho não é diluído pelos argumentos de outros autores. O murro é mais forte. O carácter duro do grafismo, entre o experimental e o clássico, com um traço ao mesmo tempo rude e elegante, misturando estéticas, recorrendo à mistura de iconografias entre imagética técnica e desenho Intergalatic Robot 

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recomendado pela Vice Portugal 

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Nomeado para Melhor Publicação Nacional e Desenho nos Troféus Central Comics 2017


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Os 500 paus de 2016


Os cinco membros do Juri desta edição do concurso interno da CCC, Toma lá 500 paus e faz uma BD já decidiram sobre o projecto vencedor! 

O vencedor é Pinheiro-Bravo (título provisório) de autoria de Tiago Baptista, futuro livro de 50 páginas a publicar no final do ano na Colecção CCC, que trata da Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934.

Uma sinopse possível segundo as palavras do autor:
Cresci numa aldeia perto de Leiria e quando era criança para irmos à praia passávamos geralmente pela Marinha Grande. O meu pai costumava contar, quando parávamos nos semáforos, que ali naquelas ruas tinha sido a primeira vez que tinha visto mulheres a conduzir bicicletas, ou pelo menos várias ao mesmo tempo. 

Eu era uma criança sem noção de que a Marinha Grande era um forte centro da Esquerda em Portugal devido ao grande número de operários naquela zona, sobretudo da industria vidreira. Só mais tarde me apercebi disso e a partir daí vejo a cidade com outros olhos, com respeito, talvez. Bem, as mulheres que o meu pai via, iam para as fábricas trabalhar. Eu imaginava-as vigorosas, cheias de energia, decididas. Emancipadas. Sei eu agora que era isso que pensava, mas não conhecia a palavra nem o seu significado. 

Esta imagem ficou marcada na minha cabeça! Há poucos anos tropecei, por acaso, num livro sobre uma Greve Geral que houve, ou que foi convocada em Portugal, durante o Estado Novo, a 18 de Janeiro de 1934. Em 1933 há uma "salarização" dos sindicatos que passam para o domínio do estado, face a isto é convocada uma Greve Geral. Essa Greve foi um fracasso, a maior parte dos dirigentes sindicais, anarquistas e comunistas são presos e alguns deles vão inclusive estrear o Campo de Concentração para presos políticos no Tarrafal em Cabo Verde. 

 A partir daqui tento desenvolver, uma estória do que aconteceu na Marinha Grande, contando com alguns documentos e teses do que se passou. Não se assegura a realidade dos facto. Este não será um documento válido para estudo catedrático. É uma pequena homenagem.





Foram entregues dezasseis propostas, a maior participação de sempre desde que começamos a promover este concurso em 2013, sendo que o nível médio da qualidade das propostas é bastante aceitável.

A maioria do Júri inclinou-se para o trabalho de Baptista por tantas razões que tornaria este acto de oficialização do vencedor deste concurso num ensaio! Invés dos argumentos fúteis (forte documentação e pesquisa, percurso do autor e a sua qualidade gráfica e narrativa, obra inédita e tema político) preferimos dois aspectos que são mais sólidos como a abordagem poética do autor sobre um tipo de trabalho que normalmente se insere na categoria de "BD Histórica" e pela ousadia do autor em querer reavivar episódios revolucionários nacionais que vão sendo saneados com as ideias tolas de que as revoluções em Portugal devem ser pacíficas ou feitas nas redes sociais.

A Associação Chili Com Carne agradece a todos os sócios que participaram nesta iniciativa, em especial aos que pagaram a sua quota anual e permitiram o prémio monetário - relembramos que actualmente as quotas anuais dos sócios tem como objectivo financiar o concurso "Toma lá 500 paus!" invés de serem apenas um mero pequeno investimento para o consumo com descontos das nossas publicações.

Esta iniciativa tem o apoio do IPDJ e relembramos que graças a este concurso foram publicados quatro livros, a saber: O Cuidado dos Pássaros / The Care of Birds (vencedor de 2013) de Francisco Sousa Lobo, Askar, O General de Dileydi Florez, O Subtraído à Vista de Filipe Felizardo e Acedia (vencedor de 2015) de André Coelho.


foto: Catarina Domingues
Tiago Baptista (1986, Leiria) licenciou-se em 2008 em Artes Plásticas na ESAD nas Caldas da Rainha onde começou a publicar fanzines em 2005. Em 2006 fundou a editora Façam Fanzines e Cuspam Martelos onde publica trabalhos seus no fanzine Cleópatra, e na forma de colectivo no fanzine Preto no Branco.
Vencedor do Prémio Aquisição Amadeo de Souza-Cardoso 2015 e do Prémio Fidelidade Mundial Jovens Pintores em 2009. Das suas exposições destacam-se em 2016 Obscuro ver, Edifício do Banco de Portugal, Leiria e Questionamentos, Palácio Vila Flor em Guimarães e na Sala de Arte Joven em Madrid; em 2015 A pequena realidade, Galeria 3+1, Lisboa; em 2013 Prémio EDP Novos Artistas, Fundação EDP e Casa da Música, Porto, Under the influence of, João Cocteau, Berlim; em 2012 Tem calma, o teu país está a desaparecer, Galeria Zé dos Bois, Lisboa; em 2011 Guimarães Arte Contemporânea 2011, Palácio Vila Flor e Laboratório das Artes, Guimarães; em 2010 A culpa não é minha - Obras da Colecção António Cachola, Museu Colecção Berardo.
Em 2013 participou na residência artística da Culturia em Berlim e desde 2010 está em residência artística na Galeria Zé Dos Bois.
Em 2012 a publicação Fábricas, baldios, fé e pedras tiradas à lama co-editada pela Oficina do Cego e pelo colectivo a9)))) ganhou o Prémio de Melhor fanzine do Festival Amadora BD, que compilava bandas desenhadas suas feitas entre 2008 e 2012. Participou na antologia Zona de Desconforto da Chili Com Carne.

Bibliografia
- Fábricas, baldios, fé e pedras tiradas à lama (Oficina do Cego + a9)))); 2012)
- Stalker (col. O Filme da Minha Vida, Ao Norte; 2015)
- Imagem Viagem (col. Toupeira, Bedeteca de Beja; 2016)
colectivos: 
- Zona de Desconforto (Chili com Carne; 2014)
- Maga (entrevista, Chili Com Carne + Clube do Inferno + Thisco; 2015)

domingo, 17 de setembro de 2017

ccc@feira.do.livro.do.porto.2017


A Chili Com Carne está presente na Feira do Livro do Porto.

Este ano não estamos com a Matéria Prima como tem acontecido nos últimos anos mas a dividir um stand com a gentil Blau, uma livraria e editora de arquitectura. Uma parceria improvável mas que irá permitir uma maior exposição das nossas edições neste importante evento cultural desta amada cidade!

até 17 de Setembro encontrarão os nossos livros com promoções / livros do dia, etc... - no stand número 15 e ainda haverá sessões de autógrafos nas traseiras do stand, sempre às 18h. Eis os autores que estarão presentes:


Dia 2: RUDOLFO






dia 9: TIAGO MANUEL (com Max Tilmann, Mariette Tossel e Marcos Trindade)