A apresentar mensagens correspondentes à consulta heikkinen ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta heikkinen ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 4 de maio de 2017

TEMPORA MUTANTUR @ Lisboa até dia 4 de Maio / Porto 5 e 6 de Maio


Em 2015 o estúdio / colectivo finlandês KutiKuti comemorou 10 anos de existência e editaram um livro de tiragem limitada intitulado Tempora Mutantur. Este álbum foi impresso em offset com tintas fluorescentes e participam 38 artistas finlandeses que fazem ou fizeram parte deste grupo, entre eles Benjamin Bergman, Terhi Ekebom, Roope Eronen, Jyrki Heikkinen, Jarno Latva-Nikkola, Tiina Lehikoinen, Aapo Rapi, Kati Rapia, Tommi Musturi, Jyrki Heikkinen, Amanda Vähämäki, Katja Tukiainen, Matti Hagelberg,... autores alguns deles conhecidos dos portugueses devido às suas presenças no Salão Lisboa 2005, na exposição Glömp X (2009) ou pelos livros publicados em Portugal - nomeadamente os de Musturi.

Do livro surgiram cartazes em serigrafia, aos quais foram acrescidos mais oito autores, tornando-se numa exposição itinerante pela mundo fora - a Rússia, Alemanha, Suiça foram algumas das muitas paragens.

A exposição chegou a Lisboa no dia 22 de Abril no âmbito do evento Singular - Uma Festa para os 21 anos da Bedeteca de Lisboa. São 46 cartazes em serigrafia do colectivo Kuti que invadiram (literalmente) as três salas de leitura da Bedeteca de Lisboa!

Ficarão lá até 4 de Maio se não forem todos vendidos!

Os que sobrarem seguem para o Porto para o Free Comic Book Day e Mini Zine Fest Pt nos dias 5 e 6 de Maio na Mundo Fantasma.

O último número do jornal Kuti - agora com uma mudança de formato que lhe dar mais ar de revista - foi oferecido aos visitantes de dia 22 à Bedeteca! ESGOTOU!

Esta “visita” escandinava é da cortesia da Chili Com Carne, associação que inaugurou a colecção de novos autores da Bedeteca, a Lx Comics, em 1998 e que assim relembra os tempos de boa programação desta instituição.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Çuta Kebab & Party / ESGOTADO / SOLD OUT / digital download only


Çuta Kebab & Party é um projecto devoto à música popular e "fast-food" euroasiáticas, protagonizado por três produtores portugueses que se deixaram seduzir pela colisão entre antiguidade, modernidade, tradição e imediatismo que ambas propõem. Durante uma semana a fluxo de Falaffel, Kebabs e Narguilé, foi produzido um EP que homenageia esta cultura híbrida, evocando-a a partir de uma perspectiva ocidental, com o uso de "found tapes" oriundas de bairros turcos de cidades europeias, gravações feitas em "kebab shops" e ritmos da música tradicional turca e curda.
O disco de 10" de estreia deste projecto é uma co-edição Chili Com Carne e Faca Monstro. Edição limitada a 300 exemplares, a capa é em serigrafia e inclui um encarte-poster com ilustrações das músicas por André Lemos, Bruno Borges, João Chambel, Jucifer, Marcos Farrajota, Margarida Borges e Ricardo Martins.
Porquê é que nos pusemos a editar um disco em vinil? Porque achamos este projecto de suma importância cultural para o nosso país cinzento e rural. Negámos África até há pouco tempo ficarmos de Kuduru. E o nosso lado sarraceno? Aquele que nós absorvemos de tal forma que já nem sabemos que somos mais mouros que celtas? Çuta Kebab & Party será um marco na História como o regresso do espírito árabe à cultura portuguesa mesmo que seja IDM com "found-tapes" turcas.
De resto, até prova contrária, não nos interessa editar mais nenhum outro disco.
...
FIRST VYNIL RECORD at CHILI COM CARNE
(and maybe the last one, we like only this music to make a physical record!)
Çuta Kebab & Party it's project devoted to popular music and Euro-asian fast-food, made by three Portuguese producers seduced by the clash of Ancient, Modern, Tradition and Contemporary.
During one week consuming Falaffel, Kebabs and Narguilé, they produced this EP, true homage to hybrid culture in an Occidental perspective using "found tapes" from Turkish neighborhood in European cities, recordings in Kebab shops and Turkish and Curd traditional rhythms.
It's an edition of 300 copies, silkscreened with poster and 6 different illustrations by Ricardo Martins, João Chambel, André Lemos, Margarida Borges, Marcos Farrajota, Jucifer and Bruno Borges.
credits: released 25 June 2011 at Feira Laica / Trem Azul, all tracks produced by Pedro What, HHY and Ghuna X. Mixed by HHY. Mastered by Ghuna X at The Environment. Released by Faca Monstro and Chili Com Carne
.
...

ESGOTADO / SOLD OUT [maybe there's still some copiesStaalplaatDigelius, Urgence Disk or Neurotitan] 

Digital download @ facamonstro.bandcamp.com

...
Feedback: lançado dia 25 de Junho 2011 na Trem Azul, no âmbito da Festa da Feira Laica ... lançamento portuense no dia 5 de Agosto 2011 no Café au Lait ... Yes Kebab rules. I like it a lot as a vegetarian. I must find my dancing shoes. Jyrki Heikkinen ... the Kebab mix, I really like first song on A side and the “Halhat” on B side, perfect for LSD kebab fiesta!!!! its a good LP for my collection of “strange vyniles” Bertoyas ... Kebab 10" is a great record. Our boss, Stephane, really liked it! VP / Ici d'Ailleurs

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A sul, a centro e a norte...

Recolha de resenhas rápidas de zines e livros adquiridos nos últimos tempos...


- Espanha: Entroñable (2012) - zine de BD de El Rucio que faz juz à estética satânica do selo da Petit Comité del Terror. Em 36 páginas A5 há espaço para serial-killers, mass-murderers, onanismo inter-dimensional, artsy-fartsies, metaleiros, zombies, barcelona bashing... O que é preciso mais? Nada! É mesmo isto!


- Itália: Mais duas experiências de "remix narrativo": Bio Edificio 421 (Lök; 2012) e o número 3 de Giuda : Geographical Institute of unconvencional Drawings Arts (Mirada; 2011). A primeira é um jogo narrativo composto por três tiras por página que podem ser folheadas cada uma à sua vez, criando várias hipóteses de ler histórias. Interessante. A segunda é uma revista de psico-geografia por onde passa o futuro da BD, em que Milwaukee é nova paisagem escolhida para recolher material gráfico e narrativo para criar um só texto. Quem está por detrás disto são alguns conhecidos nossos: Gianluca Costantini (Mutate & Survive), Elettra Stamboulis e cia. A seguir com muita atenção!!!
Ruggero passou por Lisboa e dedicou-lhe uma serigrafia impressa no Atelier Mike Goes West... Além de ilustrador também edita uns mini-zines, na essência uma colecção de A3 dobrados de forma a criar graphzines ou pequenas narrativas com imagens. Participa gente que cola, desenha e pinta. Giro! Nada de novo até o Geral & Derradé fizeram isso nos anos 90! Ah! o projecto chama-se Muservola Edizioni é de contactar ou fazer igual!

Passamos agora para a Europa Central:



Bélgica: Da parte flamenga, com uma actividade singular nos últimos anos, surge um jornal de desenho dirigido por Ward Zwart (que participou no esgotadíssimo MASSIVE). A preto e branco talvez porque se intitula Sans Soleil, este primeiro número é dedicado a desenhadores belgas / flamengos por causa do convite da Bélgica para o Festival de BD de Helsínquia... Era bom que os jornais fossem assim! OFERTA de exemplar a quem adquirir algo "belga" da nossa loja virtual - dicas: Mesinha de Cabeceira Popular #200!, Lointain, Rotkop,...




- Holanda: Já não é segredo nenhum que a MMMNNNRRRG irá editar um livro de Marcel Ruijters... Mas não será o Sine Qua Non (Forlaens; 2011) nem Colare Humanum Est (Le Garage L; 2011) será melhor... claro! O primeiro livro é uma edição dinamarquesa do livro que mudou o estilo de BD a Ruijters - alguns devem-se lembrar de alguns livros editados em Portugal pela Polvo, não? - originalmente editada pela prestigiada francesa L'An 2, apresenta-nos Marcel fascinado pelo imaginário medieval cheio d emonstros mitológicos e freiras borregas - como aliás, são todas as freiras... O segundo livro é um livro de colorir desse novo estilo gráfico de Marcel. Quem tiver preguiça para riscar livros que espere pelas serigrafias que serão impressas no atelier Mike Goes West (para sairem em Dezembro na próxima Laica e exposição do autor na Mundo Fantasma) que estas terão muita cor!


- Alemanha: A Bon Gout (para quem não se apercebeu mas era uma atelier de serigrafia, editora e galeria bastante reconhecida) mudou de nome e agora é chama-se Re:Surgo! e já começou a mostrar o que vale com o novo livro de Atak intitulado de Targets for the modern home. Trata-se de uma catálogo das centenas de desenhos de placas de alvos que Atak fez. Primeiro Atak fez uma pesquisa à iconografia destes objectos (algo que pode ser absurdo mas só o atak para descobrir uma grande história sobre estes objectos mundanos) e depois começou a produzir os seus próprios alvos que são certeiros à decadência do mundo moderno. Simples. Danke Lars Henkel

Por fim, o norte da Europa:



- Dinamarca ainda, Regression (Cult Pump; 2012) é um livro em serigrafia de Zven Balslev - autor já publicado em Portugal via Opuntia Books. Inclue BDs cuja ausência de figuras humanas lembra Kai Pfeiffer ou uma experiência oubapiana de Ilan Manouach - uma BD do Petzi-sem-o-Petzi... Um graphzine cheio de ectoplasma!



- Noruega: Embora Martin Ernstsen seja norueguês vive em Berlim mas acho que não há problemas em colocá-lo aqui, até porque o rapaz não pára quieto e viaja para montes de sítios. Este zine, You're talking with the wrong person #3 (2012), é uma compilação de BDs autobiográficas de Martin, nelas podemos encontrar episódios fabulosos como uma tipa que lhe compra uma t-shirt durante a SPX de Estocolmo, despe a velha (não tem soutien!) e veste a nova t-shirt em frente dele e no meio do evento... Só por isso vale o zine! HRMF! (2010) e Pfft! (2012) ambos pela Dongery com BDs de Sindre Goksøyr são mini-zines que o universo Disney é abusado para contar histórias mal-humoradas de caminho à andropausa, como se o Tio Patinhas invés de ser um porco capitalista fosse apenas um mitra de classe média. A miséria humana antropomorfizada em patos é linda!



- Suécia : Novo volume de Piracy Is Liberation : Book 011 : Demockracy (Wormgod; 2012) de Mattias Elftorp - que deve voltar à Feira Laica este ano! - começa um novo ciclo desta série anarco-cyberpunk, desta vez fazendo um raíde à Democracia numa altura que em Portugal as chamas já chegaram à Assembleia... Oportuna leitura! Dois novos zines impressos em risografia do novo e activo colectivo Peow!: Nava de Mikael Lopez (a) e Olle Forsslöf (d) é o ínício de uma série com laivos místicos, parece mais um preview que outra coisa... e Sex Frog de Patrick Crotty apresenta duas histórias de terror - o título da publicação ajuda a lubrificar a líbido, não? - que consegue ter uns contornos de Ero Guro não tão selvagens como os do Suehiro Maruo ou do Aaron $hunga mas com uma abordagem própria - como se a treta da escola sueca autobiográfica went wrong! 



- Finlândia: Finalmente um livro de Jyrki Heikkinen com legendas em inglês para percebermos alguma coisa! Leijonan Veri Velvoittaa (Asema; 2012) é um pequeno livro que Jyrki sempre em forma. Escultor e Poeta por formação, faz BD por desvio mas os três "mediuns" fundem-se sem problemas para contar percursos de arrependidos, anjos e milagres. Essêncial para quem perdeu esperança na poesia e na BD! Outro ponto alto das novidades finlandesas é Offices & Humans : Road to Customex (Huuda Huuda; 2012) de Roope Eronen, que inverte os papeis no jogo de personagem (RPG) Dungeons & Dragons... Invés de de "nerds" a jogarem em mundo de fantasia, são os dragões que encarnam as personagens dos humanos em escritórios com toda a decadência mundana que tal implica: fotocopiar CVs às escondidas na empresa, ver pornografia na 'net, etc... Mais do que hilariante é mesmo preocupante! Thingie (Daada Books; 2012) de Marko Turunen (entretanto com originais patentes na exposição da "autobiografia" na BD Amadora) e Tea Tauriainen (entretanto publicada no recém lançado Mesinha de Cabeceira #23) é a continuação estética das "Tijuanas Bibles" ou dos Air Pirates que gozam com as personagens da Disney pondo-os a foder como uns animais - espera, as personagens Disney já são animais... -  a cagarem-se todos e toda a escalologia que os porcos capitalistas da empresa nunca nos deixarão ver oficialmente. Por isso, é aqui que se pode concretizar muitos sonhos de criança e de "nerd"...

sábado, 5 de novembro de 2011

O mundo é finlandês!


Para quem pensa que a BD ou os belos livros acontecem nos EUA, França ou Japão... A Huuda Huuda garante que não! É impressionante a vitalidade da bd finlandesa como provam alguns livros (que não conhecia) do Marko Turunen e Jirky Heikkinen. Bem que podem comemorar os 100 anos da bd finlandesa!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Como se faz bd?


É sempre um desatino quando alguém pergunta como se faz bd. É constragedor quando se vê nos manuais escolares ou noutras situações com aquela coisa do "primeiro escreve-se o argumento, depois planifica-se a página, blá-blá-blá". Basta lembrar exemplos de "escrita automática" como as bd's de Jucifer ou ainda o Paris Morreu em que começou com 6 páginas desenhadas por Pepedelrey em que depois é foi colocado texto pelo Nuno Duarte, para dar conta de que há 1001 maneiras de cozinhar a bd. Estes dois números da colecção Dystopia (Wormgod + Sociedade Sueca de BD; 2010) - da Suécia e dirigida por Mattias Elftorp que esteve na última Feira Laica - são exemplos da fuga dessas ideias fordianas de como fazer bd.
No primeiro caso, trata-se do finlandês Jyrki Heikkinen (Salão Lisboa 2005, Greetings from Cartoonia,...) que desenlaça uma estória passada num mundo pós-apocalíptico em que tudo se confunde: a falta de ética, mutantes e animais falantes, a morte sob o aspecto de uma caveira falante e um grupo de rastafaris, e uma promessa de New Age qualquer. O estilo gráfico solto de Jyrki bem como a composição irregular das páginas (em que as vinhetas certinhas são completamente abandonadas) devem-se à sua carreira como poeta (intercalada com a de autor de bd), em que sentimos que a bd não está a ser "desenhada" mas a ser "escrita". E quando digo escrita não é num processador de texto mas sim à "velha guarda", ou seja caneta ou lápis em folhas de apontamentos, logo sem arrumação e cheios de urgência. As bd's de Jyrki são um caderno de apontamentos à primeira vista mas com rigor gráfico e narrativo apurado. O que parece é que quando "passou a limpo" deixou a mesma composição de página tal quando a escreveu/ desenhou em esboço e só assim se explica porque o frenesi deste The Moonboy!
Zombies dos suecos Mattias Elftorp e Susanne Johansson foi feito primeiro como uma exposição durante o Alt Com, ou seja era uma enorme pintura sobre os mortos-vivos e que percorria as paredes todas de uma sala (no bar de uma sala de cinema) e para vê-la era necessário entrar com um foco de luz (na cabeça) porque a sala estava à escuras. Esta pintura entretanto foi fotografada, montada para o formato desta colecção (uma espécie de A5) e acrescentado um texto que resulta numa bd. Engenhoso, não?

Já não temos estes volumes mas ainda existem outros disponíveis.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Guerra estrangeira




Continuando o relato do Alt Com, ficam agora alguma divulgação de autores estrangeiros que por lá passaram exoticamente numa cidade que ainda há algumas semanas tinha um "serial-killer" a matar estrangeiros com armas de fogo.
Sobretudo havia muitos dinamarqueses - afinal em 20 minutos consegue-se apanhar um comboio Copenhaga para Mälmo que passa pelo meio do mar numa ponte. A cena dinamarquesa é tímida mas tem vindo a ser divulgado ao mundo através da revista sueca C'est Bon, e nota-se uma peculiar fusão entre o desenho realista e alguma experimentação.

E claro, mais experimentais e vizenhos, estavam lá os finlandeses. Alguns já conhecia como Tiitu Takalo, Tehrie Ekebom e Jyrki Heikkinen (que participou no Greetings from Cartoonia). Entretanto conheci outra autora, o que faz da Finlândia e da Suécia os países mais equalitários no que toca à criação bedéfila. Trata-se de Aino Sutinen que lançou o ano passado pela Asema, o livro Taksi Kurdistaniin : Reppumatkasarjakuvia Lähi-idästä, que trata da sua viagem solitária pela Túrquia, Síria, Iraque, Irão e Azerbaijão. Num simpático formato A5 com inclusão de algumas fotografias, Sutinen conta as duas (des)aventuras por aquelas terras de forma um tanto ou quanto "naíf" e distante não deixando de ser curiosa saber que uma mulher ocidental avançou por ali a fora.

O brasileiro Nik Neves estava presente com o seu trabalho Inútil (auto-edição), o zine Picabu (do seu colectivo Bestiário) e ainda com o Prego. O primeiro é um livro que colecciona trabalhos seus que se divide em dois tipos, um do tipo "mudo" e movimentado que podemos meter Chris Ware ao barulho e outro mais "retro-sud-américa" que podia lembrar algo de Hernandez bros. Bom tratamento gráfico do livro! A "questão brasileira" que se tem reflectido neste blogue emerge sempre mas ao encontrar mais um artista gráfico como Neves vamos juntando um massa de autores que se deslocam do "besteirol" e do humor para outros campos mais artísticos e experimentais mas sem nunca abandonar essa tradição "cartoonesca". É o caso do zine Picabu, regressado 17 anos depois do último número, mostra autores que se expressam, sem papas na língua, em vários estilos gráficos (do mais "podre" ao mais hiper-realista) mas que piscam sempre para a "sacanagem". Felizmente a maior parte das bd's tem piada q.b. e são bem feitas para não irritar.

Depois de estar uma tarde de Sábado toda na venda de livros, a um ritmo lento, houve festa à noite com várias bandas, que quase não vi e a que queria ver, os palestinianos Team Darg mais conhecidos por "Da Arabian Revolutionary Guys", perdi-os. Comprei o CD-R na onda de apoiar a causa - a banda encontra-se retida na Suécia porque perdeu os bilhetes de regresso (?).
O Hip-Hop tornou-se há muito tempo o género predilecto para recuperar a língua e origens musicais misturando com uma roupagem urbana. Tal como o Hip Hop português passou no final dos anos 90 como a única música urbana que cantava em português (enquanto meia-dúzia de parolos tentavam a internacionalização cantando em inglês), estes Team Darg cantam em árabe(-palestiniano?) que soa bem, com samples de música árabe que soam bem, e tudo isto podia soar a uma fabulosa bomba musical caso os tiques do Hip Hop & R'n'B e outras manhosices-lamechices não dessem sinal de vida, arruinando as músicas e o respeito pelos músicos. Em seis músicas consegue-se ouvir umas duas (ou três se formos menos exigentes) e felizmente, não sei árabe para ouvir o que eles dizem porque receio que no final se descubra que fossem mais umas tretas moralistas como acontece com o Hip Hop aborrecido pelo mundo fora (com raras e poucas excepções).

Alguns destes títulos podem ser adquiridos à CCC pelo e-mail ccc@chilicomcarne.com. Descontos de 20% para sócios.

sábado, 17 de julho de 2010

Greetings from Cartoonia : The Essential Guide of the Land of Comics

Em Outubro 2009 estivemos na Eslovénia e trouxemos exemplares de Greetings from Cartoonia, projecto organizado pelo colectivo Stripcore - responsáveis pela revista Stripburger - que teve o nosso apoio e de outros colectivos europeus de bd, numa gloriosa iniciativa turística pan-europeia.


Um projecto bastante divertido em que cada autor teve de enviar e receber objectos (bizarros ou típicos ou nem por isso) do seu país para servirem de inspirações para as 12 bd's a preto e branco. Da Eslovénia participaram Kaja Avberšek, Jakob Klemencic, Marko Kociper, Matej Lavrencic, Gašper Rus e Matej Stupica (quase todos visitaram a Feira Laica ou foram publicados pela Bedeteca de Lisboa, Chili Com Carne e Polvo), Bendik Kaltenborn (do grupo norueguês Dongery), Mateusz Skutnik (Polónia), Matei Branea (Roménia, do colectivo Hardcomics), o finlandês Jyrki Heikkinen (Salão Lisboa 2005), Andrea Bruno (do colectivo italiano Canicola, que participou no Boring Europa e que recentemente esteve no Festival de Beja) e de Portugal e da Chili Com Carne, o Filipe Abranches
.

Feedback: As edições especiais da Stripburger têm-se revelado objectos essenciais no traçar de um mapa europeu da banda desenhada. Sara Figueiredo Costa / Beco das Imagens O livro serve como diário de viagem, passaporte de brincadeira, e retrato dos imaginários em roda livre. Cria-se a ideia fantasma unificadora de todos estes diversos gestos, compõe-se uma família, ou aquela comunidade que Kant entendia ser a única possível entre os homens, a comunidade estética.... Pedro Moura / Ler BD ... obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

.

A exposição esteve patente no 6º Festival de BD de Beja (entre 29 de Maio a 13 de Junho de 2010) por isso quem esteve lá viu quem não esteve vê agora umas fotos manhosas aqui ou compra o grosso livro de 220 páginas (17x23,5 cm, capa a cores) à Stripcore porque já esgotamos os nossos exemplares.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Saudades da Cartoonia

Eis algumas "tele-fotos" da visita à Eslovénia, mais concretamente ao evento Greetings from Cartoonia que decorreu na semana passada em Ljubjana, que incluiu uma exposição (a trazer para Portugal), um livro e ainda serigrafias que foram assinadas pelos autores presentes no evento.


Na primeira foto, o impressor explica o que se deve assinar. Jakob Klemencic, Matej Stupica e Filipe Abranches (por detrás de Stupica, mal dá para vê-lo!) estão atentos ao contrário do Matei Branea - é sempre assim com os romenos ;)
Segunda foto com resultados serigrafados...


Uma apresentação sobre bd em Portugal descambou numa instalação de livros no chão cortesia do romeno!


Igor Hofbauer estava em Ljubjana e assim finalmente conheci-o pessoalmente. Espera-se a sua visita para 2010 a Portugal. Seguido do finlandês Jyrki Heikkinen (que já nos tinha visitado no Salão Lisboa 2005) e o romeno sempre "mucho cool"...


Uma "comic-jam" no Kinovdor, Jakob do lado esquerdo, Marko Kociper ao meio, seguido pela "boss" da Stripcore Katerina Mirovic, Kaja Avbersek (que nos visitou na última Feira Laica) e o norueguês Bendik Kaltenborn.


Os escritórios da Stripburger muito limpinhos... aliás, a Eslovénia NÃO é "Balcãs & Kusturica", o sangue germano/aústriaco corre nas veias e na cuidada organização.

Bom... esta será a estante menos organizada, e por acaso é a que tem as edições portuguesas e espanholas - um destino latino inevitável?

Esta semana deveremos disponibilizar os 30 exemplares do livro que vieram para Portugal, alguns números recentes da revista Stripburger e uns discos antigos da Stripcore (ver mais tarde no blogue OSAMAsecretLOVERS as resenhas críticas).

Sendo impossível escrever (ou dizer) "obrigado" em esloveno, fica em português para os organizadores, autores do projecto e em especial para a Embaixadora Maria do Carmo Magalhães, pessoa bastante afável e curiosa, que permitiu, via Instituto Camões, a nossa representação onde "acaba a Europa".

terça-feira, 20 de outubro de 2009

porquê é que os cães lambem os genitais? porque podem...

Enquanto o pessoal vai ver o mesmo de sempre à "BD Porcalhota", Filipe Abranches (a imagem ao lado é de sua autoria) e Marcos Farrajota vão a Ljubjana participar no projecto Greetings from Cartoonia de onde trarão exemplares do livro (co-edição com a Stripburger) para Portugal - por isso, se quiserem reservar já o podem fazer escrevendo para o nosso e-mail.

Participam da Eslovénia Kaja Avberšek, Jakob Klemenčič, Marko Kociper, Matej Lavrenčič, Gašper Rus e Matej Stupica (quase todos visitaram a Feira Laica e Bedeteca de Lisboa ou foram publicados pela Bedeteca de Lisboa, Chili Com Carne e Polvo), Bendik Kaltenborn (do grupo norueguês Dongery), Mateusz Skutnik (Polónia), Matei Branea (Roménia, do colectivo Hardcomics), o finlandês Jyrki Heikkinen (Salão Lisboa 2005), Andrea Bruno (do colectivo italiano Canicola) e o já referido Filipe Abranches. Mais detalhes sobre o livro para breve!

...

Alto! Afinal a Chili Com Carne este ano vai estar na BD Porcalhota!!!
- "Mas como se escreveram isto o ano passado?"
Porque a loja Central Comics convidou-nos a ter as nossas edições no seu stand...
- "Mas como se escreveram isto o ano passado?"
Realmente... temos uma espinha dorsal de uma vulgar cobra, não?

Vamos por partes, a Central Comics apesar de incentivar uma cultura "teen" e bedófila da bd, sempre foi simpática com a CCC (ou pelo menos de algum tempo para trás). Convidaram-nos e prometeram dar destaque às nossas edições - ao contrário ao que acontecia nos stands de outras editoras e livrarias que nos representaram no passado. Sendo, que se for verdade os vários rumores que ouvimos, que um stand no Festival Internacional de BD da Amadora (um momento sóbrio!) está estimado em 500 euros (ou mais, rumor do ano passado: 1000 eur!) não nos importamos de ajudar a Central Comics, que é uma pequena empresa privada, estilo familiar.

A CCC já esteve presente com mesas e stands em países nórdicos, na Itália e no maior festival de bd da Europa (Angoulême) sendo que nesses eventos ou nunca pagou ou pagou-se um quinto do que a Amadora pede, isto para eventos em que apesar de sermos "só mais uns" entre mil editores HÁ um público curioso, interessado e consumidor. Sem nunca termos saído milionários destes eventos, as vendas sempre cobriram custos de viagem (avião ou carro) e gastos do quotidiano (alimentação). No final das contas apareceu alguns cobres e outras recompensas: material trocado, contactos e satisfação de ter atingido algum público que parece não existir em Portugal.

Sabendo que o mercado de bd está em baixo (tão mal como antes de 1996, embora já ninguém se lembre desse tempo) isso pelos vistos não impede de um organismo público peça um valor absurdo a privados por seis dias de vendas - contamos apenas os fins-de-semanas porque nos outros dias o festival está às moscas. Como é possível?
É possível porque as editoras e lojas afinal sempre conseguem vender para pagar os stands? Porque afinal ainda há mercado de bd em Portugal e ele concentrasse na BD Amadora?

Há quem diga que não há capitalistas mais convictos que os comunas, é capaz de não ser uma frase tão reaccionária como isso se os valores destes rumores se confirmarem.

Bom, com sorte, pode ser que não vendemos nada e assim não teremos de por os pés ao Festival para repor exemplares.
...

Com ou sem Amadoras, o mundo continua a girar e a única novidade desta semana é que temos uma nova moldura no nosso site - chilicomcarne.com - feita pelo associado Marco Moreira. Para quem nunca reparou mas desde que remodelamos o site todos os meses mudamos a pele... de cobra!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Vieram todos do frio: Finlândia, Noruega, Lisboa... Lisboa?

Eis uma fornada de novos zines/livros que vieram da visita da CCC ao Festival de BD de Helsínquia, curiosamente todos eles pautados pela revisitação à infância e juventude.

A mais óbvia ou de relação mais directa é Death to Most (Boing Being) do Tommi Musturi que mostra que quando era puto já desenhava bizarrias virtuosas. Musturi resgata desenhos feitos entre 1986 e 1992 quando era um puto metálico e skater a viver na província finlandesa. Como é óbvio só poderia desenhar caveiras, demónios e "damas de ferro". A cor berrante - tão típica nas produções finlandesas - foi acrescentada para a edição deste mini-livro A6 de poucas páginas. Queriamos mais já que este ano não saiu a Glömp - a propósito o número 10 desta antologia sairá ainda este ano e servirá de catálogo para uma exposição de bd em três dimensões... Promessa feita de trazê-la a Lisboa para 2009. Cruzem os dedos!

Anna Sailamaa com Ollaan nätisti (Huuda Huuda) a infância é revisitada - por acaso é um tema do qual não tenho nenhum interesse seja em bd, literatura ou cinema. Apesar de tudo gostei de ver as distorções gráficas que a autora aplica no espaço e nas personagens criando um efeito "nostálgico" quando olhávamos para os adultos ou para os nossos pais e achávamos que eles eram enormes - as pessoas mais poderosas do mundo. Tirando as bd's de Chester Brown nunca tive interesse em bd's sobre a infãncia - acho que revelam fraqueza e falta de inspiração por parte do autor - mesmo assim este livro é interessante, novamente mais pela parte gráfica... Está escrito em finlandês mas com as legendas em inglês.

E se o finlandês consumiu demasiados desenhos animados pela TV, os noruegueses Kristoffer Kjolberg e Sindre Goksoyr leram demasiados "Tio Patinhas". E a piorar ainda tem uma obsessão doentia e inexplicável por Lisboa como se pode perceber pelo quatro zine dedicado a "Lisboa" em que o Gavião e o Prof. Pardal andam à bulha com a nossa capital como pano de fundo - um pano de fundo farçola e minimalista como as bd's Disney. Safety on Board (Dongery; 2008?) é um split-zine em que as bd's que se desenvolvem de um lado e do outro vai colidir nas páginas centrais. De um lado assistimos às acções do Gavião e do outro do Prof. Pardal, apesar de estarmos a assistir a uma bd de "continuação" pode-se ler com a independência sã de um oubapo. Escrito em inglês.

Experimental é o Jyrki Heikkinen com o seu novo livro (um deles, sairam mais mas só este é acessível para além dos 5 milhões de finlandeses e mais alguns conhecedores da língua suomi) Paparoad (Boing Being). Um livro horizontal que por pouco não se "parece com uma bd". Sem palavras, com desenhos que mudam de estilo/material de desenho/pintura, sem vinhetas clássicas podemos ser enganados a pensar que se trata antes de um livro de desenhos. O engano é tão legítimo como a qualidade e maturidade do trabalho.


E enquanto as fotos não são descarregadas, contas feitas e aquisições editoriais totalmente revisitadas (faltam dezenas de zines do Dongery e do Rui Tenreiro) podemos anunciar que já temos à venda o livro Nalle Uhh e que trouxemos também os últimos dois números do jornal "psico-berante-marado" Kuti que pode adquirido gratuitamente na compra de qualquer artigo finlandês ou com autores finlandeses no site da Chili Com Carne - a oferta é limitada ao stock existente - ou no caso do número 8 (imagem) por ser dedicada ao Trash, poderá ser oferecido na compra de qualquer bd Trash - as ofertas são acumulativas!

Para mais informações sobre o Kuti é só clicar aqui.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

abrindo as malas da viagem...

É o regresso do SPX 2008 (Estocolmo) e serve este "post" para dar as novidades:

_Temos para oferta alguns exemplares do último número do jornal finlandês de bd, Kuti - já várias vezes divulgado neste blogue. É um número especial SPX, com trabalhos de autores finlandeses e suecos. Os textos estão em sueco mas com legendas em inglês.
Esta oferta é exclusiva aos sócios da CCC e que comprem qualquer artigo que seja da Finlândia ou da Suécia (Boing Being, Napa, Daada) ou que tenha participação de autores finlandeses ou suecos (Chili Bean, Mesinha de Cabeceira Popular #200, Mutate & Survive, Canicola).

_Já é uma revista que se tem escrito com alguma regularidade (o #5 e o #1) e que número para número vai crescendo em forma e conteúdo: C'est bon anthology do colectivo sueco C'est Bon, com quem a CCC partilhou mesas na SPX. Trouxemos para venda os quatro volumes da terceira série (#17/20; Ago'06/Dez'07) que marcam a distribuição mundial desta publicação através do catálogo Previews (que distribui todos os comics norte-americanos para as lojas especializadas). A revista continua a sua redacção em inglês e está com um aspecto luxuosa, gordinha e brilhante devido ao papel couché. Tem mais colaborações de autores internacionais (ou seja, "não-suecos") e mais trabalhos arrojados - uma lista de nomes explica por si só a qualidade que a revista atingiu: os alemães Martin tom Dieck (que estará este fim-de-semana no Festival de BD de Beja!) e Arne Bellstorf, o sérvio Danijel Savovic (vol.1), o português Pedro Nora, o sueco Knut Larsson, os finlandeses (que estiveram no Salão Lisboa 2005) Marko Turunen e Jyrki Heikkinen (vol.2), o francês Yvan Alagbé, os italianos Andrea Bruno e Stefano Ricci (vol.3), ou ainda a finlandesa Amanda Vähämäki ou a israelita Rutu Modan (vo.4).

_Um dos editores desta revista é Mattias Elftorp que também é autor de bd. A série Piracy is Liberation é o seu trabalho mais conhecido, que já se encontra num quarto volume editado pelo colectivo desde 2006.
Graficamente próximo de (ou demasiado influenciado por) Brian Wood e Ben Templesmith, Elftorp é menos elegante em questões de anatomia, domina as lutas do preto e branco e dá bom uso de tramas e texturas.
Cada volume apresenta entre 64 a 72 páginas, o que mostra o enorme trabalho com que o autor está lançado. A trama de um futuro não longe do nosso, passado numa megalopólis sem memória, onde piratas informáticos procuram destruir o sistema de dominio dos padres capitalistas, poderá lembrar Matrix ou a bd Invisibles de Grant Morrison (este último menos conhecido mas mais copiado - os criadores do Matrix que o digam) mas não deixa de ter ideias próprias que estão em gestação - gosto particularmente de uma cena em que duas personagens Hackers que fazem "copy'n'paste" deles próprios do mundo virtual para o real. De certa forma as cerca de 240 páginas ainda não pareceram suficientes para perceber o que se passa por aqui - lógica de Manga? À primeira vista, poderá haver uma excessiva exploração de lugares-comuns de "anarco-glamour" mas uma leitura mais atenta revelará mais inteligência do que a visão superficial. Esperando por mais volumes até 2012?

_Nesta edição do SPX assisti, de certa forma, a saída do armário da bd sueca alternativa... enquanto os finlandeses há anos que traduzem as suas bd's para terem feedback internacional, os idiotas dos suecos sempre tiveram fechados no casulo editando livros na língua que nem os ABBA usavam para ganhar o Eurovisão. Resultado, tirando o Max Andersson e o Lars Sjunnesson (este último participou no Mutate & Survive), que vivem em Berlim, e o Gunnar Lundkvist e Joakim Pirinen (editado em Portugal pela Azul BD3), todos eles da "velha guarda" nada mais se conhece da bd sueca. Aliás, as minhas duas visitas ao país - e à SPX - não se traduziram em regressos com malas cheias de novas bd's, livros e zines... justamente o oposto do que aconteceu quando vou ao festival de bd de Helsinquía.
Saiu a antologia From the shadow of the northern lights : an anthology of Swedish alternative comics : vol. 1 (Galago; 2008), uma antologia em inglês (yeah!) que terá distribuição pela norte-americana Top Shelf. Podemos chegar à conclusão do que se passa por lá: há a "velha guarda" (já referida) mais gráfica e experimental, depois há a autobiografia chata dos anos 90 - daquela que ninguém têm nada para contar ou que saiba contar de forma interessante, havendo montes de históras sobre homossexualidade (um sucesso no mercado da bd, creio) - e por fim, o regresso do grafismo e bizarria bruta com nomes novos como Marcus Ivarsson, Marcus Nyblom (autor da capa), Knut Larsson e Kolbeinn Karlsson. Apesar das lamechices de alguns autores, vale a pena ler estas 200 páginas a preto e branco.

_E é este último grupo de autores referidos que faço um destaque porque como já escrevi, raramente há razões para comprar edições suecas por causa dos grafismos pobres e pela barreira da linguagem. As excepções são as seguintes: o livro Skissbok (Kartago; 2007) do Marcus Nyblom e os zines de Kolbeinn Karlsson: Benny Bjorn will never return e Rules of animation (com Hanna Petersson; 2007) e Harvar Vilda Vastern (2007?).
No primeiro caso coloca-se a questão se "skissbok" poderá mesmo significar "livro de esboços"... apesar da estrutura do livro apontar para isso porque os trabalhos publicados não parecem ter ligação aparente. Ora são desenhos soltos, alguns sim com aspecto de "esboço", ora são bd's mudas e insólitas como "Alice no País das Maravilhas". São as bd's que têm um ar mais esboço porque o estilo gráfico que Nyblom usa é "realista" e "certinho" bem longe das suas ilustrações que têm aquele aspecto derretido e degradado de quem está em sintonia com a ilustração deste milénio - embora as raízes deste tipo de desenho e imaginário estejam na Raw e no Fort Thunder, dos anos 80 e 90 respectivamente. É um livro "fifty/fifty".

Quanto a Kolbeinn (várias vezes pensei que ele chamava-se Cobain como o vocalista dos Nirvana ou Kobaïan, a língua inventada pelos prog-rockers franceses Magma) também está em sintonia com o tempo: degradação material e moral, fascínio pelo Pop (o Benny Bjorn para quem ainda não está bem a ver, é um dos tipos dos ABBA), monstros peludos e outras criaturas de série B. Zines fotocopiados em formato A5 com capas a cores, os dois primeiros são de ilustração em parceria com uma tal Hanna Petersson em que as autorias não são identificadas (embora as suspeitas sobre a autoria dos desenhos de Kolbeinn recaiam para os que têm mais texturas); o último é o único de bd - que está também publicada na antologia From the Shadow (...) - com uma estória violenta homoerótica do oeste norte-americano - acho.

_Por fim, material dos inteligentes finlandeses - é a segunda vez que fico com a sensação que a Suécia, ou pelo menos Estocolmo é dominada por campónios e novos-ricos.
Novidade absoluta: Supernormal (Daada; 2008) de Marko Turunen, um dos muitos autores de bd peculiares da Finlândia e também dono da editora Daada. Não é novidade mas é importante na mesma para qualquer português ignorante da cena bedéfila da Fenoscândia: Mystic sessions Vol.I (auto-edição; 2006) de Pauliina Mäkelä.
No primeiro caso são reedições de bd's de zines antigos ou ainda algumas bd's fora do padrão do universo do autor - que nos visitou no Salão Lisboa 2005. Aqui vamos encontrar bd's parvas de super-heróis criadas pelo Turunen de 1984 (de 11 anos) e redesenhadas pelo Turunen de 1998 (de 25 anos) que dão um sentimento estranho para qualquer apreciador de "nerd culture", há fotonovelas nervosas das aventuras do Sr. Pinguim (um boneco azul feito por Turunen) a interagir com patos e com um cão (hilariante!), algumas bd's "minimalistas" de coelhos ninjas ou de contos tradicionais sobre ursos broncos,... enfim, mais de 400 páginas A6 de Arte e pura diversão.
O segundo caso é um livro agrafado A3 de 16 páginas a preto e branco que foi criado pelos - e serve para quem quiser ilustrar - distúrbios e desvaneios psico-acústicos de projectos musicais como sunn0))), Earth, Burzum, Wolf Eyes, Melvins entre outros "dronemeisters".
Existe uma narração feita de imagens de uma figura feminina (uma menina) a tocar um tambor intercaladas com outras imagens de dimensões bizarras e psicadélicas, daquelas que podiámos chamar de "zona negativa" ou algo assim - quem leu os desvaneios de um tal de Kirby sabe do que falo.
Cada batida, um novo universo?

aviso: irá demorar a colocação destes artigos na nossa loja virtual, por isso quem quiser entretanto comprar poderá fazê-lo pedindo pelo e-mail ccc@chilicomcarne.com. cada número da C'est bon custa 15€ e cada volume de Piracy is Liberation custa 10€ (c/ desconto de 20% aos sócios da CCC)