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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Milhões de Pilas

Correu bem melhor do que se estava à espera... ou então, não! O público do Milhões de Festa não é o mesmo público-escumalha da Zambujeira ou o público-pseudo-alternativo dos outros festivais grandes de Rock. E compraram montes de livros, zines e discos,... A aposta foi ganha, se calhar nem havia uma aposta para fazer!

Chegamos na Sexta-Feira e ainda vimos esse monstro dançante Otto Von Schirach que compensou tudo antes e depois do festival. Quem não o conhece e dança a música deste tipo é parvo e merece morrer!!! Ainda houve nessa noite bandas revivalistas para todos os gostos sendo o melhor momento no meio disso o encontro em palco das duas bandas míticas lá da terra de Barcelos, os La La La Resonance (ex-membros dos The Astonishing Urbana Fall, uma das poucas boas coisas que aconteceram em Portugal nos anos 90) e os Black Bombaim. Foi uma espécie de "jam ensaiado" intergeracional porreiro que ao menos não soava a mofo ou a retro. Otto arrasou e não haverá mais nada de memorável dessa noite.

No Sábado à tarde, montamos as mesas perto do palco Taina, gerido pela Dedos Biónicos, e obtivemos um excelente contacto com o público. Um público que era pendular entre o Taina e o palco da Piscina - que não visitamos porque não podiamos deixar o posto,  perdendo assim o grande "ex-libris" do Milhões e pior ainda, os Surya Exp Duo. A música no Taina pareceu a mais coerente do Festival porque focava em Rock e em Rock apenas, algum mais prá esquerda do cérebro outro mais convencional. Por exemplo, foi fixe ver que os Quartet of Woath são bons ao vivo apesar de serem insuportavelmente limpinhos em disco.

Barcelos pareceu ser uma cidade simpático e realmente o Milhões merece o estatuto do festival mais "cool" do país. O nível de stress é zero mesmo quando nos recintos estamos cercados por seguranças com pinta de militares frustrados - eles queriam era estar a defender-nos de Espanha ou de Marrocos (ou da Alemanha Nazi-Kapital) mas não... têm de ficar ali a aturar malta e a ouvir a batucada voodoo dos HHY & The Macumbas! Pobres diabos!

Por falar nisso, esta banda do Porto foi o melhor que aconteceu na programação mal enjorcada de Sábado, em que o pior de tudo foi a quebra total que um tal Dam Mantle trouxe. Man! Ibiza às 22h? Enganei-me no festival? Onde estão as gajas de saltos-altos bêbadas prontas para serem violadas por gajos de camisas brancas de alças? Vai haver "racing" daqui um bocado? Fuck!!! Que enorme monte de esterco! Felizmente houve EyeHateGod nessa noite, os seminais Sludgers! Embora, novamente essa noite tenha sido um suplício para passá-la, incluíndo a banda do camarada João Maio Pinto, baixista nos Loosers - banda que mais uma vez mudou de estilo e forma e tudo mais. Além do nosso querido ilustrador, parece que fazem parte da banda uma figurinha negra mítica qualquer (falaram-me que esteve metido com os Funkadelic?) e o Fernando Cunha dos Relfins e Desistência (?). Tudo chato nessa noite, sabe-se lá porquê... Acho que foi mesmo falta de tomates para colocar os nacionais Macumbas a tocarem à noite e não às 20h com quase ninguém no recinto. Os Macumbas estavam bem oleados, com pica para bater em congas e afins e teriam dado boas alucinações a quem já estivesse nos estados narco-qualquer-coisa habituais nesta vida de festivais de verão. Teriamos tido fantásticos pesadelos com os tipos se tivesse acabado a noite com as batucadas e Dub deste colectivo de simpáticos "weirdos".

Por causa de nulidades como Octa Push tivemos de beber imenso para ir prá tenda para encontrar um Domingo cinzento, chuvoso, que insistia no mau-tempo e que não nos deixou montar a banca porque, como bem sabem, livros e água não combinam em nada. E com isto nem livros nem Jibóia Experience que prometia ser algo nessa noite. Voltamos para casa, a pensar que Deus ficou chateado com os EyeHateGod...


O mercado de edições independentes que organizamos até teve novidades editoriais. O primeiro e simultaneamente era lançado na inauguração da excelente exposição Lixo Futuro, é o Musclechoo, vol. 1 (Ruru Comix; 2013) do Rudolfo. Quem se lembra do primeiro número desta coisa? E porque não é o número dois? Deve ser cena de putos... E é mesmo, a personagem é um misto teenage-wet-dream de Rambo e Picatchu - quem adulto gostaria de ver os dois num só? Diversão pura de javardar com a cultura Pop, Muschechoo é feito em cima do joelho embora a lambideza de Rudolfo comece a aparecer a meio deste novo volume. Excelente produção esta edição! E adivinhem porque chamei este "post" de "milhões de pilas"? Só lendo!  Encomendem antes que esgote!


E se o Rudolfo estava no Porto, apareceu-nos o Artur Escarlate com dois mini-zines seus, o Portátil / Volátil (cheio de vaginas) e o Segredo (cheio de... pilas!)... Porquê? Não faço mínima ideia, e tenho "mix fellings" sobre isto... Por um lado desenhos de orgãos genitais parece nos dias de hoje um tema tão chocante ou importante como desenhar elefantes ou ganchos de cabelos mas sobretudo é que sabe a pouco, duas ou três páginas A4 dobradas a fazerem A6, presas com elásticos fazem os zines. Truque engenhoso que nos obriga a abrir cada folha para descobrir cartazes pouco interessantes. Aliás, graficamente, os zines são podres (sujos) a dar uma ar amador de virgem embora Escarlate (é o verdadeiro nome do autor?) dê a entender que é um garanhão da tinta, a julgar pelos seus sítios em linha. O resultado é xoninhas com ou sem xoxotas. Porquê? (porquê? tudo)

 Por fim é de referir a K7 - desculpem, split-k7!!! - de Cangarra e dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS. Edição deste ano pela A Giant Fern, apesar de estar anunciado a um ano prá Feira Laica, só agora saiu em Julho. São 15 minutos para cada lado, para cada uma destas duas bandas mais activas do Noise Rock português. É curioso que são duas bandas bastante diferentes, em parte por causa do seu número de elementos. Os 2sci são mutantes, acho que só há dois elementos que estão "sempre lá" (nos milhares de concertos e nos registos áudio) mas nesta k7 aparecem com mais cinco músicos. A banda toda ela é nervosinha e volátil, quase nipónica e perto da demência, ao contrário de Cangarra que é um duo estável e racional, guitarra e bateria (a cargo do nosso Ricardo Martins) que preferem um psicadélico paisagistico cheio de detalhes para descobrir. Duas bandas, uma prá orgia, outra prá nicotina pós-coito, pelos vistos. Ah! o "artwork" da K7 foi feito pelo Ricardo e pela Margarida Borges, e impresso em risografia, a impressão que molha os designers dos dias de hoje com menos de 30 anos...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

It's the sound of the beast!

Foi divertida - modéstia à parte - a Festa dos 10 anos da MMMNNNRRRG. Boas bandas a tocar para o delírio colectivo e tudo o mais... Infelizmente só não acabou tudo à porrada como sugere a capa de Patine (JOPRec; 2010), último álbum de Ghuna X. Isso é que era, hein?
Depois da euforia vem a ressaca metafísica e os restos de comida psíquica - para mim, são uma série de discos trocados durante o Mercado do Livro realizado no Sábado à tarde que comecei a ouvir durante a semana passada... É tanta coisa que só agora dá para divulgar!

Começando pelo referido Ghuna X, antes demais, deve-se dizer que o disco é "online" e não físico. Por isso começo pela excepção à regra. Muitos destes temas foram tocados na Festa e revelam um trabalho funcional de Ghuna X pelo Dubstep - ao contrário do seu álbum anterior. Este "disco" mostra que não é preciso estar em Londres para fazer-se bem ou melhor que as compilações Steppa's Delight. E a provar isso, o destaque vai para a malha k7 (m7 remix) que junta a voz rapada & durona de M7 (das Sygyzy). O formato não será novo - basta lembrar Ladybug - mas os resultados são diferentes. Aqui junta-se a má-onda rapada da tipa com a maldade sonora do Ghuna X. Sendo uma colaboração furtiva dá vontade logo em questionar duas coisas, uma era saber quando tocarão o tema ao vivo (isso é que era!) e dois quando é que as gaijas Sygyzy deixam de fazer "mix-tapes" manhosas - os vossos DJ's são uns pussies, caragu! - e avançam para o som do século XXI?

Indo para o físico, eis um disco bastante físico mesmo!!! Live at Adolf 666 (Soopa; 2010) de John Hegre & Marcelo Aguirre & Die Polizei é um documento ao vivo de um concerto de dois crominhos no domínio Improv e Noise - Hegre é dos Jazkamer! Ao que parece uma bateria e guitarra podem ser bastante barulhentas e trazer problemas com a polícia. Aqui ficamos a saber que sim. Primeiro ficamos ouvimos realmente que havia razões de queixa - a música é lixada de se ouvir não tenhamos dúvidas, na sua desconstrução sónica em que eventualmente ainda podemos chamar de Rock e de Jazz, vai a coisa em crescendo até aos 21m quando uma voz autoritária da Polícia interrompe o concerto. Até ao final do CD-R ficam 10m de som improvisado pelos dois músicos mas... baixinho e atmosférico. Muito mais simpático assim, será que os artistas aprenderam a lição?


O que tem o single Legba/ Houmfort de HHY & The Macumbas e H e x a c o s i o i h e x e c o n t a h e x a f o b i a dos Besta Bode em comum? Três coisas, ambos são singles em vinil editados pela Soopa, as capas são ilustradas e serigrafadas (a de Besta Bode é do José Feitor) e ambos projectos tem Jonathan Uliel Saldanha nas fileiras - e que também lançou em nome próprio o CD The Earth as a Floating Egg (Balleteatro + Soopa; 2010). Os três projectos antes de estar aqui com descrições dos géneros de música (ou as suas contaminações), o mais importante ainda é o facto de todas elas terem uma sofisticação, originalidade e produção fora do comum em Portugal, quer na música propriamente dita, quer na produção (gravação) e os objectos fonográficos.
HHY & Macumbas é Dub com música Voodoo, uma verdadeira valsa estilizada de percurssão analógica e digital, quem devido ao pouco tempo do single não levantará os espíritos convocados - para isso seria necessário Kuduro e usar os 80 minutos da tecnologia CD. Curte-se mais do que se transa mas creio que poderá depender das drogas a consumir.
Besta Bode é uma mixórdia simpática de Grindcore com Electrónica atrofiada, que fãs de Locust poderão gostar apesar de não atingirem os seus excessos olímpicos. Ou então lembra algum Industrial Metal (Skrew? Fetish 69?) mas idealizado pelo Stockhausen depois de fazer um pacto com o Diabo. Se meterem o disco em formol como fazem nos museus regionais com as aberrações da terra - o porco com 5 patas, o cavalo de 2 cabeças, esse tipo de coisas - daqui uns anos os Besta Bode poderão vir a ser um case-study...
Por fim, o The Earth (...) é um trabalho para uma peça de dança em que todos os clichés de Improv, Experimental, Electrónica, Contemporânea, Ambiental, soundscape, concreta são triturados num trabalho de grande nível em que ainda Jonathan consegue impor um excerto de Metal ou vocalizações de "ópera digital". É um disco "slow food"... Há que se ouvir com atenção e não enquanto se faz o pequeno-almoço ou se está a esfaquear um ministro. É um disco tão bom que acho que vou fazer uma limpeza étnica a uma série de discos em casa - este disco substitui muitos como a Fake Mistress, Brian Reitzell, KK Null e sei lá o quê... AH!
Não sei porquê mas de alguma forma este disco complementa-se com as ideias do Most People Have Been Trained To Be Bored e como tal são dois que vão escapar às limpezas étnico-fonográficas!

Mudando de sector: Legião de St. Combadão e o único registo possível: Tempo em que havia respeito (Roilnoise, 2009?) que para quem gosta de Industrial Noise e Ranchos Folclóricos Lusos - melhor que futebol e Noise, não?
Não sei se o casal Ti'Micas (ela, gritos e serras) e o Ti'Tó (ele, pilhagem sonora) estão a gozar com todos nós mas já ouvi dizer que já ganharam ódio pela Direita e pela Esquerda no melhor estilo "Laibach de Mirandela".
Há pormenores curiosos de samplagem e até dos textos - cantados, gritados, distorcidos - mas é tão sujo, violento e claustrofóbico que nem se percebe se é ao vivo ou se é uma javardeira de gravação à True Black Metal. Portanto, será que isto foi feita às "três pancadas" ou é para ficar mesmo assim - completamente oposto aos Diabo na Cruz?
O cariz popular e pagão desta Legião nada tem de fascismos New Age manhosos do Dark Folk - ponto positivo. Outro ponto positivo, também não há aqui Fado! Ou seja, há bom gosto no meio deste estrumeira sonora. é ponto acente, isto é para quem gosta de SPK e de túbaros! O resto que vá ler a Happy!

E por falar em gastronomia popular portuguesa que tal agora uma Cabidela? Outra banda com onda bizarra embora o som seja o típico Black Metal manhoso em que o é original são os barulhos de galinha e letras humorísticas como Rojões de Cristo ou Negra Degolação Galinácea. Não estou a gozar, Of Blood and Rice (Armagedão + Latrina do Chifrudo; 2009?) é um livro de receitas para qualquer pagão da província misantropo, ou então para qualquer urbanita com sentido de humor e ouvidos sujos. Duas criaturas cuidam deste projecto Galuh Desekrathor (gritos) e Rei dos Frangos (cordas e bateria), existem CD-R e não em k7 sabe-se lá porquê... mas se é por isso eis uma:

Josué, o Salvador em busca da Perdição / Profan (Bubonic + Enough; 2009?), split-k7 de uma banda meia Rock Psicadélico e banda Psy-Doom com uma sofisticação ao nível das bandas da Prophecy Productions... A primeira irrita um bocado pela sujidade e algum "retro", a segunda impressiona pela a dimensão épica e monstruosa. A capa é de André Coelho (MASSIVE, Destruição) e a sua versão a cores (e para CD) pode ser vista aqui.

Por fim, foi reunido numa edição única os dois primeiros CD-R's de Sektor 304, Primary Interface (2007) e Transmissions (2008), o primeiro é de estúdio e o segundo é uma improvisação. Qualquer um dos casos não muda o que escrevi anteriormente: SPK duramente puro e puramente duro. Lixado para ouvidos sensíveis e incultos. Não oiçam! É demasiado bom para depois dizerem que é só barulho!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Freaks Lx

Älforjs: Jengi (Silent Water + BurroDiscos; 2016)

Este trio de freaks limpinhos foi uma das surpresas deste ano, quer dizer, vi-os ao vivo e já fazem parte das boas recordações de concertos de 2016 que achei surpreendentes. Isto num ano que ainda nem vai a meio e já ofereceu prestações maravilhosas de Plus Ultra, HHY & Macumbas, Putan Club, Jucifer ou Sly & Family Drone... O difícil é bater o som ao vivo numa audição domiciliaria senão é que é impossível. Acho que em Portugal falta sempre aquele "oomph" que os bifes e gringos conseguem fazer nas suas produções fonográficas e basta ouvir Cut Hands dentro do mesmo universo de "voodoo-noisers" para perceber as diferenças.
O projecto também pode ser comparado aos Macumbas, só que estes bons selvagens dos Älforjs não querem o pessoal de tanga feita de cânhamo lá em casa a derrubar cinzeiros. Propõem levar-nos mais para o sofá fumar a tanga (já que é de cânhamo) e ver um canal de cabo com uma paisagem exótica no ecrã. Disco composto por dois temas, um para cada lado no vinil, é de referir que o primeiro, Natura Ruidosa, tem quatro momentos dedicados a personagens literárias que discutem as relações entre civilização e o selvagem: Papalagi (os leitores deste blogue devem de certeza conhecer a edição ilustrada por Joos Swarte, certo?), Próspero, Crusoé e Marlow (d'O Coração das Trevas de Joseph Conrad). Será em jeito de homenagem ou são apenas referências de coordenadas culturais para estes neo-nativos da capital portuguesa?
Os nativos são Bernardo Álvares (de Zarabatana, ao qual se pode fazer também comparações entre as bandas), o Mestre André (o gajo da loja!?) e Raphael Soares (The Sound of Typewriters e Sunflare) que prometem outro álbum dia destes. Até lá aproveitem que este mês eles andam na estrada a promover este Jengi, ide lá vê-los!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Fezesbook


Apesar da bíblia fatalista (redundância, qualquer texto sagrado é fatalista) Retromania de Simon Reynolds insistir na impossibilidade de novas revoluções na música e que assistimos a mera combinações e fusões de estilos de música devido à enorme mediateca que o século XX e XXI criou. Pode ser até verdade mas talvez fosse altura de assumir o "mutant dancefloor" (cito DJ Balli) como o denominador comum e/ou unificador que pode trazer à baila projectos tão diferentes em coordenadas geográficas, estéticas, sonoras e logísticas como Putan Club, Sly & Familly Drone, The Ex com Getachew Mekuria, Golden Teacher, Älforjs, 10 000 Russos, Albatre, Kufuki, Bernardo Devlin, HHY & Macumbas, Sektor 304 / Le Syndicat (o disco), Jazz Iguanas, DJ V/A, Lace Bows...
Ontem apareceu mais um grupo para meter neste saco de incongruências, apareceu é como quem diz, vi eu ontem um concerto dos noruegueses Ich Bin N!ntendo - e que vão tocar nos próximo 3 dias pelo país, Milhões incluído. Imaginem uns putos a lembrar The Fall mas com a segurança técnica de quem veio do Free/Noise/Improv, ou seja, fazem um post-punk tão certeiro mesmo quando passaram o tempo inteiro a improvisar... Vê-los a tocar é o "must", cheios de trejeitos do Rock mas com a energia necessária para não deixar ninguém indiferente - o baixo deles é letal! Em disco parece mais histérico e rápido do que ao vivo mas admito que ainda não tive tempo para respirar e pensar muito no assunto. Ah! falo de Lykke lançado pela portuguesa Shhpuma. Mas ide aos concertos primeiro... depois falamos.

domingo, 5 de julho de 2015

Baron Dimanche



HHY & The Macumbas : Throat Permission Cut (Silo Rumor; 2014)

Uma banda destas não é para meninos. Mesmo que sejam adultos mutantes, levar a bom porto música primitivo-ritualista num país que em "música alternativa" significa mais uma banda Stoner ou um marmelo a dedilhar uma guitarra muito a solo e muito melancólico. Juntar graúdos para tocarem voodoo falsificado com dubs e aguentarem-se este tempo todo (5 anos pelo menos de existência) para fazerem um single 7" e dezenas de concertos é uma improbabilidade neste negócio da música em que tudo tem de ser rentável ($$$) ou acabas logo com a piadinha (da banda).
Sobreviventes neste território inóspito chegam finalmente ao LP de estreia com tudo aprumado para um ritual vinilico. Um bocado limpos demais mas eis um disco para colocar realmente no máximo do volume da aparelhagem, despir as calças (podem deixar as peúgas) e dançar pela casa a beber os restos da festa de Sábado à noite. Isto se quiserem continuar em transe ao Domingo, dia em que não há aulinhas de Yoga... Cuidado com os cacos!

PS - Yo! Eles vão tocar outra vez ao Milhões de Festas, espero que desta vez seja a fechar a noite pró pessoal bater mal!

sábado, 14 de abril de 2018

Paelha


A Lovers & Lollypops anda pela k7 e pelo "jazz"... Depois da recente k7 de Julius Gabriel eis outra, Paisiel, que junta o alemão saxofonista com o baterista português João Pais Filipe (ex-Sektor 304, Macumbas e mil outros projectos) numa invenção sonora que poderia ser descrita como tribal caucasiano para sunset urbano. Além do nome do projecto ser nitidamente tribal - lembram-se quando as papelarias ou pastelarias chamavam-se "Xandré" porque os filhos dos donos chamavam-se "Xana" e "André"? - este disco é mesmo necessário para quem vive numa Europa Fortaleza parva que precisa de inventar um novo folclore para deixarmos de ser fachos. É música que mete a nós, branquelas feiotes, nus à volta da fogueira (elas com "strap-ons") a dançar e beber vinho verde de pressão para que tenhamos descargas sexuais e convulsões dionisíacas. O objectivo é deixar de ser um robot engravatado e/ou tatuado a comprar merda na Amazon (e no processo destruindo a floresta homónima). 
Paisiel poderá ser a solução para este mundo que precisa de expelir a xenofobia, digo com convicção porque Filipe é o mestre ritualista que impõe a cadência e ordem rítmica necessária para que Gabriel ofereça paletas de sons para criar êxtase, sobretudo quando já ninguém fica realmente dopado com álcool e drogas - já ouviram falar em narco-resistência? - nem a música de dança nos tira da realidade. Fuck u blazée babies! Dancem, dancem ao som de Paisiel!!! E ao cheiro de marshmallows queimados!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Inteligent Dance Jazz Music


Lisbon Underground Music Ensemble (Jacc; 2010)

No Rescaldo recebemos o catálogo inteiro da Jacc Records - entidade discográfica da estrutura de promoção de música Jazz, responsável por festivais e a revista Jazz.pt - e ui-ui... que valente seca! Já não gostando de Jazz ou não sendo minha música de eleição, ainda ter que ouvir todos os clichés da coisa é mesmo do mais penoso. Mas no meio de coisas que nem consigo imaginar porque é gravado e editado (o CD do espectáculo dos putos é para fugir!) aparece estes L.U.M.E. que é de um "groove" feroz que raramente se encontra em Portugal. Relembramos que tudo que é criação artística em Portugal é sempre tudo muito paradinho, quietinho e calminho, mesmo que seja cinema de animação ou dança - o que parece paradoxal, não é? Mas estes L.U.M.E. abanam-se todos e explodem em rasgos de IDM misturado com uma Big Band sempre a dar em sopros foliões. Não sei se será inédito esta fórmula, de repente até me lembro do Matthew Herbert, produtor de música electrónica que saiu com uma Big Band em tempos. Nunca ouvi o Herbert Big Band não sei se é sequer comparável... no máximo lembra Mr. Bungle pelo caos-sample + cornetas em festa!
Num ano nada mau no que diz respeito a discos nacionais (Rudolfo, Red Trio, Yoshi o puto dragão, Tiago Guillul, Ghuna X, Besta Bode, HHY & The Macumbas, Apupópapa, ...) eis outro para juntar à festa. Estou mesmo a ver-me a por isso em sessões de unDJ, pá! Finalmente soltaram a franga!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Eu não quero ver o Porto a arder!


Foi um fim-de-semana brutal no Porto a da Feira do Jeco... Ainda estou a recuperar da cidade que têm mais arte por metro quadrado e a melhor música do país - bastou o concerto de HHY & The Macumbas na noite de Sábado para perceber isso.  Finalmente  consegui ouvir / ler as edições que trouxe de lá depois de tanta animação e festa como se pode ver pelas fotos tiradas pelo Ghuna X. Só o Jeco é que não entrou...

Para uma feira tão pequena teve até muitas novidades editoriais, alguns lançamentos ou pelo menos resumiu bem a cena independente do momento com especial enfoque no Norte, claro. Começamos pelos mais velhos, já lá vão quatro números da «revista de poesia» Piolho (Ed. Mortas + Black Sun; Mai'10-Mar'11) que na realidade é um fanzine fotocopiado A5 que ou sofre de falta de modéstia ou não quer criar ruído de comunicação à população (quantos sabem o que é um fanzine?). É uma reacção à ausência de publicações que publiquem poesia - género literário desdenhado pelo mercado - em que assume o papel da falência da Poesia sem pejo ao publicar num formato económico. Atitude lógica, o contrário seria o "zero" ou o "fim". Não sendo eu fã de Poesia é-me difícil considerar sobre os trabalhos publicados mas uma coisa é certa, sente-se energia por aqui!

Já é chavão que "a revolução não ser passada na televisão" - o que não é bem verdade, vide a "Primavera dos Países Árabes" - mas se dependermos de publicações como a EVUSP (Las Cucarachas) que no segundo número (Jan'11) é o mais certo que "Revolução vai passar nas revistas de novas tendências" de tão "clean" e "design" que é. Este zine é todo ele "esquerda" - contra o Capitalismo selvagem, contra a alienação,... - mas é tão "fashion" a nível de aspecto gráfico e sonoro - ah! sim, é acompanhado por um CD de "spoken-work" e poesia musicada - que acaba por nada trazer de novo para qualquer mente sabida. No fundo, tal como milhares de bandas de Death Metal ou de Hip Hop, é mais um grito de revolta mas que nada altera o estado das coisas. E eles próprios sabem o que está mal quando Chullage (muito à Saul Williams) diz/ escreve «não só pensamos com computadores, também pensamos como computadores». Exacto, esta "Expansão Violenta de Um Sentimento ou Paixão" precisa de carne, ossos, nervos, vómito, tudo ao natural sem corantes e conservantes, PVC, PC e mp3. No fundo, sendo este colectivo capaz de se esforçar para um objectivo comum - uma publicação que junta ilustração, poesia/literatura e som, e dentro do género (qual?) com pernas para andar - deveria era partir cabeça de como se parte o sistema. Invés de poesia revolucionária preferia saber se é possível arranjar um advogado que conseguisse acabar com os outdoors nas ruas, por exemplo. Ou que fizessem um workshop com putos para danificar cartazes publicitários. Isso sim seria um soco na besta capitalista!

O Rey fez o melhor vídeo de Hip Hop de sempre... mas também o álbum que mais me desiludiu... A sua estreia com Sua Alteza o Vagabundo (ed. de autor; 2011) é um álbum de Hip Hop igual a cem álbuns de Hip Hop Tuga (percebo agora o que o Ex-Peão queria dizer com isso). Talvez algumas frases sejam mais fortes mas o "blá-blá-blá" autofágico e paranoíco é de sempre - pergunto, mas quem são os gajos xungas da cena? porque têm eles tanta importância para estarem sempre a ser denunciados mas sem nomes explícitos? -, uma faixa com vozinha de ir ao cu R'n'B, uma falta de coragem em sair do normalizado beat (já para não falar das orquestrações dramáticas xungas ou a guitarra acústica "sensível"),... Inexplicável! Um tipo que faz o vídeo mais antagónico aos clichés do Hip Hop acaba por não conseguir sair da caixa. Só há "bring da noize" em Rua, verdadeiro hino ao graffiti, que chega às formas sonoras mais contemporâneas, que dá o power e o groove que as palavras de Rey precisam. Correm rumores sobre a participação do Rey com o Ghuna X talvez aí finalmente teremos algo "dread" à séria tal como o Ghuna conseguiu traduzir a M7 em algo decente. Já agora, ela e a Capicua, são as Sygyzy, dupla feminina que participam neste disco, e tal como Rey, apesar das letras cortantes não conseguem fugir às palas do Hip Hop convencional. Parece que há muito que o Hip Hop falha como linguagem plástica, o que não é de admirar, nascida quase ao mesmo tempo do Punk e do Industrial, ambas há muito que se tornaram caricaturas de si mesmo (Eminem, Rammstein ou Green Day). Viva o Breakcore!

E por falar nisso... o Rudolfo têm novo álbum! Só os panilas ainda não compraram esta joia de 8(hate)bit nacional, intitulado Vampiro do Gueto que apresenta um Rudolfo que já não tem 17 anos a dizer xixi cócó mas um rapazola a mudar a voz e a escrever letras semiópticas. A estupidez da juventude continua mas está em metamorfose, as borbulhas desapareceram mas nada indica que vai sair daqui uma borboleta. As letras parecem mais Dark (Teen Angst?) e correm o risco de ficarem "intelectuais", o que não é um problema mas o Rudolfo já não é Rudolfo. Já é o Rudeman ou o Rudolfão. A mudança ainda não é total porque ainda há aqui muitas músicas muito parvas, divertidas, "nerds" e porcas como Poder Lunar, que fala da série de anime Sailor Moon. Todos irão desejar que o Rudolfo fosse conservado em formol e que não crescesse mas infelizmente não é o que vai acontecer. Seria fixe ele arranjar um puto, em jeito de franchising, que fizesse de Rudolfo-de-há-um-ano para continuarmos a ter acesso a esse Rudolfo que já não existe - se os Devo fizeram isso porque não pode fazer o Rudolfo? Os valores de produção sonora elevaram - está mais clean, sem dúvida - enquanto os da embalagem mantêm-se grandes como sempre - quase pensamos que estamos a comprar um single em vinilo no primeiro contacto com o objecto.

Vale a pena ouvir este puto que já 'tá na universidade! Até porque isso não o impede de ser um hiper-activo na cena underground, quer na música quer na bd. Ainda há poucas semanas lançou o primeiro número do zine Lodaçal (Rurucomix). Iniciativa de se louvar que pretende ser uma antologia trimestral de bd. Em 36 páginas A5 reúne um misto de autores novos (Natália Andrade, Maré Odomo), novos mas activos (o próprio Rudolfo, Afonso Ferreira, Tiago Araújo), uns velhotes (Marco Mendes, Christina Casnellie,...) e o Ricardo Martins que não sei em que saco colocá-lo - porque raramente saí trabalho dele cá para fora, e que aqui participa com uma bd toda bem feitinha e isso tudo. É uma mistura estranha mas que mostra um panorama diversificado de estilos e de vontades. Estaremos perante um "great comix zine revival" com iniciativas tão sincopadas como alguns títulos do ínicio de milénio? Espero bem que sim! Próximo número já está programado para Junho!

Outra novidade do Jeco, uma recuperação de baú industrial, cortesia chifruda, de um split'CD-R de Derrame Sanguíneo e Sektor 304 cujas primeiras 50 cópias contem um fanzine de 20 paginas com textos de André Coelho e Gustavo Costa, assim como artwork exclusivo de Coelho e uma capa serigrafada nas Oficinas Arara. «Derrame Sanguíneo foi um projecto de Gustavo Costa (infame baterista de diversos projectos como Motornoise, Most People Have Been Trained To Be Bored or Lost Gorbachves) e Iur, um visionário / doido devoto ao Industrial. As faixas apresentadas neste projecto são as únicas gravações deste projecto e são um bom exemplo do Industrial feito em Portugal durante o final dos anos 90 e inícios do século XXI. Industrial do virar do século, repleto de vocalizações ásperas, palavras duras e batidas programadas odiosas.
A segunda metade deste split pertence a Sektor 304, um projecto bem mais recente que apresenta aqui 3 faixas exclusivas dos seus inícios, incluindo uma remistura da única gravação de Intonarumori, a banda imediatamente anterior a Sektor que continha nas suas fileiras membros como Tshueda (ex-Hospital Psiquiátrico) e J.A. (Wolfskin, Karnnos). Sucata, batidas tribais e ruído.» Press-realease dixit. E diz muito bem, ao ouvir estas peças do passado vamos mesmo de máquina do tempo para sons de "junk" a sério, imaginário Dark, sem tampões nos ouvidos... nada a declarar! Já agora podiam reeditar as gravações de Hospital Psiquiátrico que também merecem uma edição tão ilustre como esta!

Por fim, saiu mais um baralho de cartas de Ricardo Castro, Monstruário, continuando a adaptação de Maldoror. As minhas dúvidas persistem em relação ao projecto e à obra literária. O que posso dizer é que gostei mais deste baralho porque o desenho é mais desenho orgánico e menos "design". Acho que está muito melhor...

sábado, 21 de maio de 2016

NECROmancia EDiTORIAl 5 @ Feira das Almas Late Market

cartaz de Xavier Almeida

Barulho? Comics? Discos? Sim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A NECROMANCIA EDITORIAL está de volta!

Após a sua mais recente passagem pelo Barroselas Steel Warriors Rebellion 2016, estamos de volta com a NECROMANCIA EDITORIAL na Taberna das Almas (Anjos) para celebrar a 5ª edição desta feira itinerante onde juntamos os discos e artistas às edições e publicações de autor.

Juntamente com o Late Market já no próximo Sábado, dia 21, prometemos “live act's” de referência, “djiing” sónico, exposições fotográficas e ainda um vasto mercado de discos e comics, cuidadosamente seleccionados. A entrada é livre!

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Horários:

17h - MMMOOONNNOOO + OWWK
https://www.youtube.com/watch?v=yxPBGNpFSxg
Duo de dynamic-drone imprevisível e preenchido, MMMMOOOONNNNOOOO + OWWK é a extensão criativa dos projectos a solo de Daniel Neves e André Hencleeday a um espaço sonoro comum composto por sonoridades e visões distintas. Tão fascinante - ou ocasional - como a própria existência, avança lenta e progressivamente pelas brechas da realidade, deixando indeléveis marcas de ruído que se dissolvem sequencialmente. Guiados pelo instinto puro, não interessa onde vai, como soa ou quando acaba.

18h - DISSOCIATED RECORDS DJs (Pedro Roque + Urbanvyrus)

22h - SINTER

Das cinzas de Sektor 304 nasce Sinter, a nova matéria fundida com os mesmos elementos primordiais dessa entidade industrial. Composto por André Coelho (Iurta / Mécanosphère) e João Pais Filipe (HHY & the Macumbas / Mécanosphère), Sinter assenta na estética do desperdício industrial, processos mecanizados, repetição e percussão tribalizada. Um corpo torpe e disfuncional em colisão com o seu mundo distópico.

Exposição fotográfica: Eyes of Madness de Pedro Roque

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ccc@matanças.3

depois da laicidade seguimos para o satanismo!
as edições profanas da ccc e da mnrg vão estar à venda no Matanças!
já agora, é só malta da boa: o Ghuna X, Mandíbula e HHY & the Macumbas, os outros não conhecemos mas também devem ser bons, caragu!
perder isto é pior que não perder a virgindade!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Milhões de Índios Cocaleros





Mais um Milhões de Festa! Ou talvez o melhor ou o mais equilibrado que já assisti em que houve todos os dias e noites bandas com alta energia. Este festival distingue-se dos outros porque é feito por quem gosta de música e é por isso que os Drunk in Hell na noite de Sábado invés de andarem à porrada num pub como devem fazer sempre foram convidados a saírem de Inglaterra pela primeira vez para tocarem o seu Sludge autista com saxofone ruidoso num dos palcos principais e à noite. Não haverá outro festival que se arrisque a tal, ou seja, a trazer uma banda estrangeira desconhecida até na sua própria terra para um "horário nobre". Logo a seguir foi o velho Michael Rother que deu uma lição de Rock instrumental em que espero que as 60% das bandas que costumam ir tocar ao Milhões aprenderam de vez como se faz um espectáculo deste tipo de som para deixarem de ser redundantes...  E se o Islam Chipsy tivesse tocado teria sido um BILHÃO de Festas, mesmo! Mas os egípcios cancelaram por problemas no aeroporto de Cairo. Raios!

Com consciência que o Rock é uma expressão cosmopolita e que isso já não significa vir de Londres e Nova Iorque, o Milhões explora todas as contaminações globais mesmo que os projectos estejam mesmo ao lado de Barcelos como os portuenses HHY & The Macumbas que na noite anterior cumpriram o tripanço necessário num festival de Verão, cada vez mais densos e demolidores no seu Dub Voodoo. O Porto por ser uma cidade toda fodida criou esta escola de bandas de destruição maciça como os Plus Ultra onde está Gon - o vocalista dos extintos e saudosos Zen e um verdadeiro arruaceiro em palco. Foi para mim a melhor banda do festival, um power-trio super-oleado, pesadelo para o técnico que cuida do palco e com um som que soa a tudo mas consegue de alguma forma ser novo. Com breaks e composições sofisticadas, tudo isso sai ao vivo como se fosse tocado pela primeira vez, como se fosse improvisado mas o mais provável é que foi ensaiado mil vezes. O que quer dizer que em Portugal se confirma que só os Zen e agora estes Plus Ultra perceberam que o Rock e o Blues são músicas de libido e libertação, que é música para ser vivida como se não houvesse amanhã! Só posso chegar à conclusão que é esta a única banda de Rock portuguesa, e que tudo o resto que anda por aí são trapaças do Fado. Propunha pró ano, o Milhões anunciar os Death Grips como cabeça de cartaz, depois avisavam que eles cancelaram a vinda (o que não seria de admirar como bem se sabe, os Death Grips fartam-se de fazer isso) e colocavam os Plus Ultra como substitutos, ninguém iria ficar chateado... Existe uma k7 da banda lançada pela Tapes, She Said que é de aproveitar enquanto há! Objecto curioso pela embalagem (um livro com as laterais coladas e o interior cortado para caber a k7) e que sabe a pouco, mesmo muito pouco (4 temas, 14 minutos apenas!)...

Mas o que se deve dizer deste festival é que pouco interessa se conhecemos as bandas ou não que vamos lá ver / ouvir, muitas vezes mais vale a pena nem saber de nada! É verdade que podemos encontrar uns padeiros do Doom como os Hey Colossus (seca!!!) mas somos compensados pela festa "transgender" dos Golden Preacher ou o bafo sonoro de The Bug ou os outros exemplos acima destacados. Convém ir de coração aberto para um mundo de sons sem fim e livre de preconceitos. Esta é a razão porque que a Chili Com Carne - e agora acompanhado pelo Xavier Almeida e a Signal Rex - meteu-se mais um ano a vender livros, no palco Taina. O Milhões é um "melting-pot" de estéticas tal como a Chili também o é. Daí a parceria, para quem tinha dúvidas...

capa do CD-EP M'boi Mirim dos TEST
Por fim, no palco Taina, o destaque deste ano foi para as bandas brasileiras de Grind D.E.R. e TEST, que fizeram a proeza de no final de TEST tocarem as duas juntas ao mesmo tempo e no mesmo palco usando o mesmo baterista no meio delas. Uma banda tocava para as colunas esquerdas, outras para as da direita, o barulho de uma abafava a outra enquanto o publico ia de um lado para o outro ouvir uma banda ou a outra. Cara, o "metáu está ficando conceptáu! 

sábado, 23 de setembro de 2017

Não pula



O Terceiro Corno (A Giant Fern; 2017) é a segunda k7 dos Zarabatana, onde a surpresa diluí-se e a entidade se mistura com outro projecto - culpa de Bernardo Alves que abriu a boca com neo-primitivismos que se conheceram em Alförjs. Estes lançaram antes de Zarabatana, também o seu segundo registo, em CD, Demons I pela Shhpuma - mais uma vez, há editora portuguesa mais atenta que esta? Não deveria ter começado por escrever sobre Alförjs então? Não sei, andei a adiar estas resenhas porque não estou inteiramente feliz com estes "segundos difíceis discos" comparando com os de estreias.
O Corno parece manso e os "Demónios" muito curtos, há repetições de territórios mapeados nos primeiros discos e basta o Alves abrir a boca em Zarabatana para achar que me enganei no disco. Que tal fazer uma super-banda? O Quinteto Zarabörjs?
Apesar desse pormenor irritante é de destacar a gravação ao ar livre nas matas de Sintra pelos Zarabatana, sentindo-se algo realmente "free" no registo. Sei que fui contaminado pelo video "making of" mas desde que comecei a ouvir o "disco" em "download" (invés da k7) sabia que havia algo de estranho no som da gravação. O som límpido do digital permite perceber de que se trata de uma bela de uma bofetada para muita gente que perde tempo e dinheiro em estúdios! Muito bom!
O tema Ajuba do Demons I quase que faz o disco, é totalmente voodoo crazy, uma bomba! Acho que vou meter o LP dos Macumbas à venda que não bate tanto como estes demónios do Sul... De resto, soa a pouco o CD mas o pior é o artwork do CD que é uma valente cagada, nem percebo porque raios o Travassos deixou isto passar... Estavam a pensar para o formato grande de um LP!? Pois, pois, erros destes havia nos anos 90! Estamos em 2017, pessoal, por favor...
Quanto a Zarabatana houve uma mudança visual da capa da primeira k7 prá esta segunda com uma imagem mais identificável com a África negra. É bem sacada mas prefiro o aspecto mais "abstracto" da primeira k7 justamente para não colocar a música em continente algum. Entretanto no bandcamp mudaram a capa da primeira k7, muito parecida com a segunda, temos Estalinismo a limpar o passado!?
Apesar dos pecadilhos de quem não sabe a bela arte de editar (oh oh oh), ainda assim estas bandas são da melhor música que se faz em Lisboa.