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sexta-feira, 25 de julho de 2025

Outside with the cuties /// last copies



Reading Pita's work is like having one of those dreams where everything is totally normal and completely surreal at the same time. Secretive and sweet, the comics shift with uncertainty driven by the movement of the drawing. A mysterious force is at work! 
Disa Wallander

Mariana Pita turns the ordinary into the extraordinary. Her stories are about small adventures and days at the beach where familiar situations and characters get mixed up with strange and unexpected details. Outside with the Cuties is like a dream that twists memories from past summers. 
Joana Estrela 

Mariana Pita makes drawings, paintings, comics, music, and animation. She has been developing some incredible work in the last few years, followed by a small but enthusiastic group of people. Her comics may look cheerful and lighthearted at first sight but her characters and narratives are often quite deep and odd, sometimes even dark. 

OUTSIDE WITH THE CUTIES is an attempt to present Mariana Pita's best work to a bigger audience. It collects comics produced from 2013 to 2017 originally published in various outlets as well as several unpublished works.

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Co-published with O Panda Gordo and support of IPDJ. 



  • 112 pages, 
  • 17,30x24,3 cm 
  • offset printing, 
  • hardcover, 
  • all content in English and Portuguese

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    Buy at Chili Com Carne online shop, O Panda Gordo (UK), Quimby's (USA), Neurotitan (Germany), Desert Island (New York), Le Bal des Ardents (Lyon), Good Press (Glasgow), Modo (Bologna), Eventual (Spain) ...





    FEEDBACK:

    (...) Pita’s drawing is fascinating, an attractive warbling woolly mess. (...) the whole comic feels spontaneous and alive. (...) In “A Day” we see two young people spend time at the beach before going off to do a job that defies explanation. Both comics are imaginative and wistfully fun, setting the stage for a book that is cute and weird. (...) her work exudes a sense of mystery and unfamiliarity. Outside With The Cuties is an odd physical object (...) The effect is like finding a zine wedged inside of a larger book, an effect I found charmingly appropriate. (...) Overall I am enchanted by Mariana Pita and her work. These comics are joyful and strange, like a flower blooming at night. (...) introduces English-speaking readers to a cartoonist whose work feels essential and timely; I recommend this initial collection to you wholeheartedly. 

    sexta-feira, 10 de julho de 2026

    LÁ FORA COM OS FOFINHOS de Marina Pita / últimos 5 exemplares!!!



    Mariana Pita transforma o ordinário em extraordinário. As suas histórias são sobre pequenas aventuras e dias de praia onde situações e personagens familiares se misturam com pormenores estranhos e inesperados. Lá Fora com os Fofinhos é como um sonho que distorce memórias de verões passados. 
    - Joana Estrela

    Ler o trabalho de Pita é como ter um daqueles sonhos em que tudo é perfeitamente normal e completamente surreal ao mesmo tempo. Enigmáticas e doces, estas bandas desenhadas vão avançando de forma incerta conduzidas pelo movimento do desenho. Uma força misteriosa em acção! 

    - Disa Wallander

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    Co-edição Chili Com Carne + O Panda Gordo 
    com o apoio do IPDJ

    112p. a cores, em papel Inaset de 100 g/m2. (48p com menos 1 cm de largura no miolo), capa a cores em papel Inaset de 250 g/m2

    Lá fora com os fofinhos compila várias BDs de Mariana Pita - como música também é conhecida por Moxila - entre 2013 e 2017, algumas publicadas em vários fanzines e na Internet, outras não...

    Algumas BDs estão em inglês com legendas em português e vice-versa

    —

    à venda na loja virtual da Chili Com Carne, BdMania, Linha de Sombra, Utopia, Matéria Prima, Tigre de Papel, Kingpin Books, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão, Lx), Greta, ZDB e Tinta nos Nervos.







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    Historial: 

    lançamento na PEQUENA NOTÁVEL a dia 15 de Dezembro 2017, iniciativa D'arraste 
    ... 
    nomeado como Melhor Fanzine (!?) na BD Amadora 2018 como "improvized zine 1.5." (we shit you not!) 
    ...
     obra incluída na exposição És meu amigo ou meu fã?, colectiva CCC#5 na BD Amadora 2019 
    ...


    ... 





    Feedback

     Num primeiro plano, e até devida à própria estratégia do título, parecerá estarmos perante um universo de variadas criaturas “fofinhas”, queridas, inócuas, que nos seduzirão de imediato pela sua natureza delicodoce e linda e infantil. Mas rapidamente nos aperceberemos estar mais próximos de usos tão distintos quanto aqueles de Jolies Ténèbres ou Madoka Machina, isto é, em que uma superfície cute e estilizada serve antes para explorar territórios mais incómodos, angustiantes ou mesmo tenebrosos. (...) Pita agrega trechos que poderão ser devedores, possivelmente, da autobiografia, dos apontamentos diários de trabalhos e funções sociais, das relações humanas (casais, familiares, de amizade, etc.) para criar estes pequenos mundos distintos. (...) Mas se essas criaturas nos parecem queridas, “fofinhas”, afinal de contas, a autora não parece ter qualquer interesse em nos ofertar universos narrativos seguros e inócuos, e antes a revelar as fragilidades dessas mesmas fantasias, ou até a sua incapacidade em responder ao desconsolo da vida mortal.
    Pedro Moura in Ler BD

    (...) Pita’s drawing is fascinating, an attractive warbling woolly mess. (...) the whole comic feels spontaneous and alive. (...) In “A Day” we see two young people spend time at the beach before going off to do a job that defies explanation. Both comics are imaginative and wistfully fun, setting the stage for a book that is cute and weird. (...) her work exudes a sense of mystery and unfamiliarity. Outside With The Cuties is an odd physical object (...) The effect is like finding a zine wedged inside of a larger book, an effect I found charmingly appropriate. (...) Overall I am enchanted by Mariana Pita and her work. These comics are joyful and strange, like a flower blooming at night. (...) introduces English-speaking readers to a cartoonist whose work feels essential and timely; I recommend this initial collection to you wholeheartedly. 
    Sequential State


    terça-feira, 20 de novembro de 2018

    Amadora é o nosso Brasil? (uma carta aberta)

    7/11/18

    Ex.mos. Dra Carla Tavares, Dr. José Marques e Dr. Nelson Dona:

    A Associação Chili Com Carne vem por este meio apresentar uma reclamação pela forma como os seus autores foram maltratados nos pretensos Prémios Nacionais de BD deste ano. Sucederam-se as seguintes situações:
    1. Como é tradição em todos os eventos do Festival de BD da Amadora, o Júri dos ditos prémios é constituído por cinco elementos, sendo um deles o autor que tenha recebido o prémio principal – Melhor Álbum - do ano anterior. Este ano, o autor Francisco Sousa Lobo (vencedor de três prémios do ano passado: Melhor Álbum, Melhor Argumento e Melhor Álbum em Língua Estrangeira), deveria estar incluído no Júri. No entanto, foi afastado, substituído por outro autor (vencedor do Melhor Álbum de Humor), sem que Sousa Lobo tenha sido avisado do seu afastamento e substituição. Segundo o mesmo nos transmitiu: Na primeira reunião que tive com a Amadora disseram-me que eu seria parte integrante do júri. Que depois logo se veria a logística de me fazer chegar livros, etc. Perguntei ao Nelson Dona se sempre faria parte do júri, dias antes do festival começar, por email, e o Nelson não respondeu. Tinham mudado de ideias mas sem me avisar…
    2. O livro Lá fora com os Fofinhos / Outside with the cuties de Mariana Pita, co-editado por nós e pelo O Panda Gordo foi colocado nas nomeações de Melhor Fanzine com a seguinte designação: “Improvized Zine 1.5”, editado por Marcos Farrajota, Chili com Carne (in https://pt-pt.facebook.com/amadorabd, post de 2 Novembro, 19:51). Até hoje ainda não percebemos como foram buscar esta informação ao livro! Lá fora com os fofinhos é nitidamente um livro que compila BDs várias da autora impressas em fanzines e outros suportes, é um título da mesma colecção que o Festival já premiou no passado, a saber: Revisão: Bandas Desenhadas dos anos 70 (há 2 anos – Melhor Clássico) e Bruma (no ano passado – Melhor Desenho) de Amanda Baeza. Assim sendo, o Júri (ou quem faz a pré-selecção: uma caixa negra de informação sem acesso público) descrimina uma autora e o seu trabalho, impedindo que este pudesse concorrer com os outros livros e autores.
    3. O mesmo acontece com a revista Pentângulo #1, editado por nós e a escola Ar.Co., também colocado na nomeação de Melhor Fanzine, quando se trata de uma antologia profissionalmente editada com trabalhos de alunos, ex-alunos e professores desta instituição – entre eles: Francisco Sousa Lobo e Amanda Baeza que premiaram no ano passado. Outra vez podemos falar de descriminação aos participantes deste projecto.
    4. Na nomeação do Melhor Argumento não é referido Pato Bravo que é co-autor com Xavier Almeida do livro Santa Camarão. Um desleixo de quem não lê o que nomeia? Talvez mas o facto é que no Sábado de manhã, do dia 3 de Novembro, às 11h, veio ao nosso stand o sr. Hugo Valente perguntar para eu verificar erros nas nomeações – e cito de memória: para não acontecer como o ano passado em que a autora Amanda Baeza apareceu como “Amando” Baeza. Emendei os erros e chamei a atenção para nada…
    5. De forma desinteressada este ano oferecemos uma série de fanzines para que o Júri (ou a organização do Festival) tomasse conhecimento destas publicações amadoras de difícil acesso. Pelo que percebemos, foram completamente ignoradas e colocadas nas vitrines da exposição “Ano Editorial” sem que tenham podido ter apreciadas pelo Júri, mais uma vez discriminando novos autores e editores – os mesmo que se queixam que a BD Amadora não liga às novas gerações e tendências. Para contrariar esse pensamento oferecemos várias publicações mas de nada serviu…
    Depois descobrimos de onde vinha o estranho título! Vem da legenda em inglês de o nome da BD "Zone ao Improvizo 1.5" (inédita) de Pita no livro Lá fora com os fofinhos

    Que fique claro que estas reclamações não se devem ao facto de não termos ganho nenhum prémio deste ano. Só concorremos uma vez na nossa existência, em 1997, aos prémios da BD Amadora. O resultado desgostoso e injusto fez-nos ignorar os vossos prémios durante décadas. Até que em 2014 começaram-nos a premiar por sugestão do Júri. Nunca concorremos mas insistiram em dar-nos prémios, que pessoalmente nunca os fui levantar na vossa sessão de entrega. Agradecemos pelo eco que os prémios trazem a nível comercial e mediático. No entanto, não podemos permitir que nos usem de forma negativa como aconteceu este ano:

    1 – segregando os autores, como o caso da Mariana Pita e dezenas de autores do Pentângulo. No primeiro caso, o mais grave, o seu livro nem foi descrito como deve ser,nem foi nomeado na categoria correcta, perdendo a oportunidade de concorrer com os outros autores e obras. No segundo caso também não nomeando em nenhuma categoria correcta - o que não impediu de colocar um trabalho de uma outra antologia (termo com que identificamos a Pentângulo #1) nos prémios e que acabou por vencer (Melhor Argumento);
    2 - instrumentalizando os prémios por motivos de programação do ano seguinte. Esta acusação não será injusta porque nem o processo de selecção das obras nem do próprio Júri é transparente – como aconteceu com Francisco Sousa Lobo, que até hoje não obteve resposta quando perguntou quando iria votar. Que aconteça em iniciativas privadas pode ser infeliz. Grave é quando a origem provém de uma instituição pública que oferece “prémios nacionais”.

    Lamentamos ter achado que nestes últimos quatro anos que a BD Amadora tivesse evoluído ao sabor dos novos tempos e tendências. Os resultados deste ano mostram que não. Isto será sempre discutível e podemos ser tomados de arrogantes com estas afirmações. Que seja. Até poderíamos respeitar que o Júri vote em anacronismos. O problema é vosso… Mas se insistem em atribuir prémios “nacionais” tendo no vosso Júri o próprio programador e director do festival, que não está isento dos seus próprios interesses de programação do ano seguinte, então tenham a dignidade de voltarem a chamarem os prémios de “Zé Pacóvio e Grilinho”, designação mais adequado a uma iniciativa municipal.

    Queremos que
    1. O título do livro da Mariana Pita seja colocado de forma correcta nos vossos meios oficiais, advertindo que a Organização do Festival e o Júri erraram no título, nome da autoria, da edição e na nomeação de categoria;
    2. Pedido de desculpas público aos prejudicados: nomeadamente à autora Mariana Pita, ao autor Pato Bravo, aos autores participantes da Pentângulo #1 e aos editores Ar.Co., Chili Com Carne e O Panda Gordo;
    3. E que seja justificada publicamente o afastamento silencioso de Francisco Sousa Lobo, o vosso autor principal deste ano, tão premiado no ano passado e tão ignorado pela vossa organização.
    E por falar nisso, já reclamamos ao Dr. Nelson Dona e algumas pessoas que integraram o Júri (o autor Álvaro e a jornalista Sílvia Silva) e Comissários da exposição “Ano Editorial” (Pedro Moura e Sílvia Silva) dos quais não nos chegou nenhuma resposta satisfatória. Da BD Amadora, houve silêncio total. Do Júri, uma resposta vaga de Sílvia Silva. Dos comissários, a concordância de Pedro Moura de que não faz sentido as nomeações que deram ao Melhor Fanzine, havendo outro material disponível. Não chega, Pedro Moura foi apenas comissário da exposição “Ano Editorial”. Por desespero restou-nos enviar esta carta e fazer estes pedidos razoáveis, dado aos erros que cometeram, à vossa falta de rigor e sobretudo ao silêncio obscuro da vossa organização.

    Com os melhores cumprimentos,

    Marcos Farrajota
    Presidente da Direcção da Associação Chili Com Carne

    sábado, 21 de outubro de 2017

    Exposição "Lá fora com os fofinhos" de Mariana Pita @ RAIA, este fim-de-semana

    vinheta da BD EDPEOD

    Este fim-de-semana da RAIA teremos uma exposição de originais de Mariana Pita (aka Moxila) do livro a publicar Lá fora com os fofinhos. Será o 11º volume da colecção Mercantologia, dedicada à recuperação de material perdido do mundos dos fanzines. Meio esse onde Pita tem espalhado várias BDs da vida ordinária misturada com momentos encantados.

    A co-edição com O Panda Gordo não estará pronta para a Raia mas estará na BD Amadora deste ano. Beware!

    domingo, 3 de novembro de 2019

    ccc@bd.amadora.2019

    cartaz de Jorge Coelho


    A Chili Com Carne volta à BD Amadora com um stand cheio de edições independentes e com neurónios... este ano teremos lá uma exposição de originais de banda desenhada intitulada És meu amigo ou meu fã?, colectiva CCC#5 com Mariana Pita, Tiago Baptista e Xavier Almeida
    ... 
    será apresentado também o livro que venceu este ano o concurso interno Toma lá 500 paus e faz uma BD! 
    ... 
    eis o programa:

    1 Novembro 
    sessão de autógrafos de Tiago Baptista
    às 15h

    sessão de autógrafos de Tommi Musturi e Benjamin Bergman
    às 16h

    2 Novembro 
    apresentação do trabalho de Tommi Musturi
    às 15h30
    sessão de autógrafos de Tommi Musturi e Benjamin Bergman
    às 16h
    apresentação de All Watched Over by Machines of Loving Grace (vencedor do concurso 500 Paus deste ano) com a presença dos autores João Carola, Dois Vês, Félix Rodrigues, Cláudia Salgueiro, André Pereira e André Santos,
    às 18h15

    3 Novembro
    sessão de autógrafos de Mariana Pita
    às 15h
    apresentação do trabalho de Benjamin Bergman
    às 16h30
    sessão de autógrafos de Benjamin Bergman
    às 17h

    quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

    Chili com Yuzin 2022



    A parceria de construir "BD-cadáveres-esquisitos" entre a Chili Com Carne a a agenda cultural açoreana Yuzin continuou o ano passado. Infelizmente a especulação com o papel atingiu as ilhas e a impressão mensal das BDs foi cancelada, passando para as redes sociais da Yuzin como o Fezesbook e o Instagrana! Enfim o digital domina MAS no fim faremos um livro como aconteceu há dois anos! Yeah!!!

    O ritmo destas BDs de continuação foi mensal, começando pela Mariana Pita que há dois anos teve "o azar" de ter de acabar com o caos narrativo daquela BD. Para a compensar pusemos a começar uma nova BD. Ah! Para além de cada participante ter de continuar a BD do artista anterior, ainda tem um tema especial para explorar. Eis a listagem dos artistas e respectivos "temas" para quem estiver curioso: Junho: Mariana Pita - Fotossíntese; Julho: Inês Louro - Divino; 


    Agosto: Daniela Viçoso - Folia;  



    Setembro: Carlos Carcassa - Réplica; 


    Outubro: Mário Roberto, que é o convidado açoriano deste ano - Eclipse; 



    Novembro: Rudolfo - Conflito; 



    e em Dezembro: Rui Moura - Monumento.


    Done!

    terça-feira, 31 de dezembro de 2019

    Pretty Good Year


    2019 was a Pretty Good Year for Chili Com Carne collective. 
    We're fighting against all Portuguese garbage market and winning international recognition!
    Here they go:

    1) José Smith Vargas long awaited graphic novel about Lisbon gentrification had one chapter published in the important Italian Internazionale magazine - a special issue about Lisbon. Published full color it discuss about Martim Moniz plaza, built on public shame & corruption!

    2) Short story A Day by Mariana Pita is the first Portuguese comix ever published in the Very Important Fantagraphics Books - taken from Outside with the cuties (co-published with O Panda Gordo, in 2017), it was published in their "zeitgeisted" magazine Now #6!!

    3) Canadian TRIP anthology made a special Portuguese issue (number 10) that included brand new comix by some of our best artists, that is: Gonçalo Duarte, Francisco Sousa Lobo, Cátia Serrão, Mariana Pita, Tiago Baptista, Hétamoé, Daniel Lima, Bruno Borges and Xavier Almeida. Cover was done by José Feitor and an introduction text was written by Sara Figueiredo Costa. DGLAB gave support for this fat book!

    4) Graphic Novel The Care of Birds by Francisco Sousa Lobo was finally published in Spain by Reservoir Books (Penguin Random House) after such good critic reviews by the likes such as Paul Gravett. Synopsis: "Peter Hickey is to paedophiles what birdwatchers are to hunters". Peter Hickey dixit. What is meant by this oblique statement is the crux of this graphic novel. Peter Hickey is a godless catholic perv. Peter hickey has a saint syndrome.

    5 + 6) ПИКАЧОК: Истории из жизни. Козырь means Musclechoo - Side Story File 001 - Trump Card in Russian! Bloody fucking Rambo and Pikachu mash-up creation by Rudolfo saw Cyrillic second life with a regular edition and one special edition! How the hell this happens!? Crazy Comfed crew done it! Eat shit, Bob!

    Also The Care of Birds will be published in France by Rackham and we're dealing with Kassumai by David Campos - about his Guinea Bissau NGO experience - for Poland. AND, our sister-label-soon-to-die MMMNNNRRRG will have W.C. by Marriette Tosel in Colombia. But all this will be in 2020! We'll have to wait!!

    Thank you to all that help us to make this possible, you know who you are!

    domingo, 12 de dezembro de 2021

    O belga e a monstra

     

    A grande Parangona - graças ao Tasco do Natxo - pariu um rato de público. Infelizmente e que fazer quando a razão do evento é a que sofre por causa da sua animação paralela? Triste...

    Positivo só algumas compras feitas no evento como este El Hoebrelobo & La Momia (Mamá Press; 2021) do brasileiro Eduardo Belga. Um "split-book" de pura escatologia e auto-mutilação Gore de quem sabe desenhar o que lhe apetece incluíndo humilhações sexuais e um atropelamento violento contra um carro, por exemplo. Impressiona à primeira vista e à segunda.

    A distribuição está a cargo do nosso amigo Prego. Perguntem-lhe por este título editado em Espanha e redigido em castelhano



    Outra que impressiona é o primeiro número de Incandescente (2021) de Mariana Pita. Por duas razões, a primeira porque ela revela um estilo de desenho que poderia (pode!) desafiar a qualidade de qualquer "comic-book" americano - Image bullshit, etc... - e porque por isso mesmo, habituados ao estilo "fofinho" e naive de Pita, de repente somos confrontados com um estilo "realista" de uns X-Men do século XXI - só falta o estúdio de cor digital para ficar tal e qual.

    Deve-se a mudança - não é mudança! - de estilo porque como já escreveu o Tommi Musturi a forma ou estilo deve acompanhar a mensagem / conteúdo da ideia. Como Pita quer fazer uma BD de uma "Magical Girl" então desenhou de forma mais naturalista. 

    Nota negativa apenas são as poucas páginas que deixam saliva no leitor e se a Pita não concluir a "série" toda tenho a certeza que vai haver revoltas nas ruas, quedas de governo e carros incendiados! A sério!

    quinta-feira, 26 de junho de 2014

    XYZ

    Nunca me tinha acontecido comprar um zine no bandcamp mas há sempre uma primeira vez na vida para tudo. Foi o Astromanta que me indicou que a Moxila (aka de Mariana Pita) não é só a estrelinha do azeite lo fi pós-Cafetra mas que também fez uma BD num zine intitulado Zine ao Improvizo #1, que é um mimo, diga-se!
    Fácilmente pode-se enquadrar a BD nos grafismos degenerativos Pop da Hetamoé ou da Patrícia Almeida (curiosamente todas elas jovens autoras de BD portuguesa) e da genial "a-inocência-é-bela" de Lençóis Felizes do Van Ayres, com a vantagem de ter um dos melhores diálogos da mais recente BD portuguesa:
    - Emprestas-me estes?
    - Não me lembro de ti. És meu amigo ou meu fã?
    - Não, eu não te conheço...
    Quem resiste a monstros fofinhos e coloridos a dizerem estes belos disparates? Eu não resisto e acho que temos um bom zine fantástico contra marés e tecnocratas!
    O único senão é que a Pita mete "z" nas palavras erradas mas como dizia alguém "são fanzines, senhor, são fanzines!" e esta BD vale por todos os erros do mundo. Aliás, a questão dos erros ortográficos tornou-se relativa! Se deixámos o Governo foder a nossa língua porque não podemos fazer o mesmo? No outro dia lia num livro sobre Rock a banda "X-Ato", mais deprimente do que isto não será uma pita de Braga a escrever "improvizo" com certeza.
    E como é? Vaiaver #2?

    segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

    Massa crítica?




    Nestes anos estranhos de Covid só percebi em Junho deste ano que a antologia de BD Opposights pela Silent Army finalmente saiu. Junta nas suas páginas autores portugueses e australianos a tratarem das suas experiências com o meio da BD. Da parte portuguesa estão artistas fantásticos como a Amanda Baeza (que fez também a capa) ou a Hetamoé - hilariante a sua BD, parte com tudo!!!!!!!

    Entretanto o editor e artista gráfico Michael Fikaris teve uma exposição inaugurada este Sábado na Tinta nos Nervos e tivemos uma conversa... e... foi o "high five" de missão cumprida!




    Da minha parte ajudei o Fikaris na selecção e pelos vistos fui recompensado aparecendo nas BDs do Rui Moura e da Mariana Pita.



    Se o Rui mostra uma homenagem porque lhe foi parar uma CriCa nos tempos do saudoso Milhões de Festa, já a Pita trata-me como se fosse um maluquinho. É merecido! Mas o melhor dela é algures na BD que mete o fofinho a dizer isto: Curators for a zine fair? What the f**k is this? Talvez a cena mais brilhante alguma vez escrita na BD portuguesa!!! Quem achasse que a Pita era só fofuras, fiquem então a saber que ela sabe dar uma doses de realidade crítica assim nas entrelinhas.

    Por fim, mandar vir este livro da Austrália é uma dor de cabeça de guita e de burocracia - as alfândegas portuguesas deveriam entrar numa BD da Cátia Serrão ou do Pedro Burgos, por exemplo... Se calhar fazia-se uma edição portuguesa disto, não?



    sexta-feira, 3 de maio de 2019

    "A Day" in NOW #6

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    Mariana Pita é a primeira autora de banda desenhada portuguesa a entrar na mais importante editora norte-americana de BD Fantagraphics Books.

    Aconteceu com a banda desenhada A Day e foi publicada AGORA na revista / antologia NOW,

    Esta BD já tinha tido uma menção honrosa no concurso patrocinado pelo autor norte-americano Frank Santoro, em 2015. Mais tarde foi publicada em formato zine pelo O Panda Gordo e compilada no livro Lá Fora com os Fofinhos / Outside with the Cuties - co-editado pela Chili Com Carne e O Panda Gordo.

    Justiça seja feita, afinal de contas esta mesma autora (e respectivo trabalho) foi bastante mal tratada na última edição do Festival "BD Amadora" e AGORA mostra que merece "apenas" ser publicada por uma das mais importantes editoras do mundo.

    Parabéns Pita!

    sexta-feira, 13 de setembro de 2019

    Pita Diplomatique




    Como tem acontecido, de dois em dois meses desde Janeiro, eis na edição deste mês a participação de João Marcelo (o Éme da Cafetra) e Mariana Pita no Le Monde Diplomatique com uma banda desenhada segundo a seguinte premissa: Será a caneta mais poderosa do que a espada? Nestes tempos assanhados, desafiamos autores de Banda Desenhada a reagirem a esta pergunta. Nos próximos meses, a edição portuguesa do Le Monde Diplomatique vai publicar as suas respostas...

    Para além disso, nesta edição também é publicado um artigo de opinião de Manuel João Neto - que entre muitas coisas, é co-autor de Terminal Tower e tradutor de tijolos Vollmann.

    quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

    Banqueiro 00001 - Zé Povinho 26117* [um relatório atrasado sobre fanzines e edição independente 2020/21]

    *John Hopkins Hospital (contagem portuguesa de mortes por covi19 a 17/02/23)


    Depois de dois anos de pandemia covid-19 e o encarceramento das populações e das suas economias, ninguém aprendeu nada. Foram anos de oportunidades perdidas. Por isso, não vale a pena ser simpático com nada nem ninguém. Não, não quero a normalidade antiga. Não quero a poluição do mundo Antes do Confinamento (A.C.), não quero o esterco do turismo massificado, da especulação imobiliária, uma cidade (re)criada para os seus não-residentes - o que significa uma reestruturação social e económica, desde os transportes públicos às lojas ou até a forma de realização dos mercados de edição independente, como planeava uma Raia fazer no 25 de Abril de 2020 para apanhar a estrangeirada e que não aconteceu pelo óbvio.

    Foram anos de quase pureza e expurgo. Ou talvez não, ninguém aprendeu nada ao continuar a comprar "bens essenciais" à Amazon ou por ser preguiçoso demais para cozinhar, preferindo mandar vir MacMerda pelos Ubers da vida. Antigos saberes estão sempre a perder-se, diz-se, o mais simples deles todos é que "o barato sai caro". Esse "barato" que já nos está a sair dos nossos bolsos incluindo para aqueles que não usam voos "lowcost", "air'n'b" ou ubers. Aliás, agradeçam ao turismo lowcost pela pandemia se ter propagado pelo mundo. Agradeçam ao consumismo desenfreado por desencadear estas doenças - ninguém quer assumir que é isto que cria estas desgraças e não uma conspiração do reptiliano chinês que nos quer matar a todos e ganhar guito comercializando vacinas logo a seguir. 

    E sobretudo agradeçam aos ricos para terem trazido a doença para Portugal. Ainda havia a esperança, o dado público que o segundo morto por covid em Portugal tinha sido o Presidente do Santander - que foi esquiar para o norte de Itália - e que o bicho só batesse no patriarcado branco velho com pasta. Nada mais errado...


    Cerca sanitária

    Não podíamos sair de casa ou se quer do concelho mas turistas manhosos passaram pelos aeroportos sem um único teste ou quarentena...Seja como for não foram anos de viagens a certames estrangeiros. 

    A.C. a Imprensa Canalha e Gonçalo Duarte estiveram no Tenderete (Espanha) e a Chili Com Carne no Festival de BD de Angoulême (França). "Ponto final" para dois anos, embora não seja de ignorar a Jornada de Banda Desenhada em Português na Maison des Sciences de l'Homme, em Clermont-Ferrand (França), evento académico com uma comitiva grande de portugueses e o Filipe Abranches que esteve no Festival de BD de Varsóvia, isto só em 2021, claro.

    Em compensação a norte-americana Aidan Koch (A.C.) e o francês Edmond Baudoin passaram por Lisboa, cortesia da galeria / livraria Tinta nos Nervos, que manteve uma programação audaz de exposições - não esquecendo o regresso de André Lemos a estas lides. Em 2021 trouxeram o finlandês Tommi Musturi.

    Num ano em que não houve o festival de BD de Beja e da Amadora, o que aconteceu? Nada! Ninguém deixou de aprender mais sobre BD por eles não terem feito as suas exposições promotoras de "loureados", melosos e betos. O Festival de Beja, em 2021, trouxe o espanhol Bartolomé Seguí e o francês Vincent Vanoli, o Festival da Amadora nada de jeito, só uma cambada de mercenários franco-belgas sem interesse, já para não falar da fábrica das sessões de autógrafos deste certame que era uma verdadeira festa da mangueira. Do que vale de muito ter mulheres como directoras deste festival? Lembrando que o covid em 2020 salvou o festival de passar a vergonha de ter um "date-rape" com as exposições dedicadas ao Drácula, Druuna e Luís Louro... Em 2021 a "nossa" Ana Margarida Matos safou este festival de não parecer um anacronismo dos anos 80, ainda assim a organização apresentava-a como "uma miúda e a sua primeira exposição". Espero que se tenham engasgado quando a "miúda" começou a aparecer em tudo o que era jornais, rádio e TV.


    Internacional

    Se a consequência maior que trouxe o covid foi este cancelamento dos eventos, o que não é propriamente mau se pensarmos nos certames de "bedófilia", mais grave terá sido para os editores independentes e os seus mercados. Sendo que as edições que produzem a maior parte das vezes não estão em sítios oficiais - como livrarias - criou-se este padrão de produção e consumo: os artistas só (auto)editam publicações para estes eventos e sem eles não faz sentido sequer produzi-los. O problema vem de trás, do sucesso da Laica (2004-12) seguido pela Morta, Raia, etc... que criaram este vício. A maior parte dos editores de zines e afins foram incapazes de alargar o campo de leitores e da distribuição nestas últimas décadas sem ser por estes "grandes" eventos. Talvez tenham esquecido de que os fanzines eram internet "avant-la-lettre" quando apareceram nos anos 30 do século passado. O seu sistema colaborativo incluía contactos de outros fanzines ou nos envelopes dos zines em que caíam à barda "flyers" e outra papelada efémera sobre os zines ou bandas ou distros. É certo que o que escrevo já não faz muito sentido (embora ainda hajam subculturas que o façam) mas também não sei qual seria a alternativa. Só acho estranho que apesar das redes sociais permitirem uma difusão muito maior do que o clássico "papel", parece que tudo bloqueou sem nenhum rasgo de génio ou um pensamento alternativo.

    O que não é de estranhar é que muita da produção nacional passou pela edição estrangeira, provando que há mais estruturas funcionais lá fora do que cá. Desde a edição em polaco de livros como Kassumai de David Campos e Salazar : Agora na Hora da Sua Morte de João Paulo Cotrim e Miguel Rocha, História de Lisboa de A.H. Oliveira Marques e Filipe Abranches e Selva!! de Abranches, Tu és a mulher da minha vida, ela é a mulher dos meus sonhos de Pedro Brito e João Fazenda (na verdade uma reedição na Polónia, caso inédito!), O Amor Infinito que te tenho de Paulo Monteiro na Turquia, O Cuidado dos Pássaros de Francisco Sousa Lobo em França, tudo isto em 2021; livrinhos inéditos de Hetamoé, Joana Estrela (2020), Ema Gaspar e Dileydi Florez (2021) na colecção mini kus, cuja "antologia-mãe", š!, publicou Ana Maçã, André Lemos, Cátia Serrão, Daniel Lima, Francisco Sousa Lobo e Joana Mosi (2020) e ainda Ivo Puiupo (2021). Lobo também publicou na revista C'est Bon (Suécia), Patrícia Guimarães na eslovena Stripburger - com direito a um ensaio sobre a sua bd, outro facto inédito! - e Rui Moura participou na Wobby (Holanda) e na croata Komikaze (2021). Bruno Borges, em 2021, tanto lançou um inédito na Austrália - Comics to the end of the world - como viu A Abolição do Trabalho, de Bob Black, editado no Brasil. Também participou em Opposights, colectânea de artistas australianos e portugueses a reflectirem sobre a BD, em que incluia ainda Pedro Burgos, Rui Moura, Hetamoé, Gonçalo Duarte, Amanda Baeza, Cátia Serrão e Mariana Pita. Borges, Serrão e ainda Diniz Conefrey, Sara Frágil, Carolina Martins com João Carola e Pedro Moura com João Sequeira, participaram em Autofagia, uma antologia do Brasil de BD abstracta...

    Nunca houve tanta internacionalização, mostrando que é mais fácil publicar lá fora do que nas miseráveis editoras portuguesas ou deve-se interpretar que a qualidade destes autores cresce a nível internacional? A verdade é que Hetamoé teve direito a estar incluída nos "melhores do ano" no The Comics Journal, a "Bíblia da BD", outro facto inédito!


    Diários do Corona

    As edições em Portugal previstas para serem repartidas durante o ano inteiro tiveram atrasos, claro, passando-se quase oito meses sem novidades, tirando publicações que já estavam a ser impressas apanhando o fecho da vidinha em Março. Foi o caso da antologia Pentângulo #3, da Ar.Co. e Chili Com Carne mas o "pior" terá sido para o impressionante número dois da revista cultural Bestiário - que incluia uma BD de André Coelho que em si já seria um livro de BD! O "Monstro" (tema desse número) tinha 656 páginas superiores ao A4, imaginem a loucura de ter este "monstro" cá fora com tudo fechado. Em 2021, saiu pela editora Bestiário um álbum luxuoso de Coelho, Mnemosina.

    Antes de tudo fechar a Chili Com Carne editou o livro/ disco eye18 dos Krypto (melhor banda portuguesa se pudessem ter incendiado os palcos em 202) com BD de Rui Moura e Paricutin de Gonçalo Duarte. Depois quando o país reabriu avançou com livros de Rodolfo Mariano, Tiago Manuel, Ana Margarida Matos e Francisco Sousa Lobo - este último lançou a sua publicação Palácio. Mantiveram-se a lançar novos números, os zines Shock em eterna homenagem ao Estrompa (1942-2014), Olho do Cu (e com um especial Salteador de Caralhos de Carlos Carcassa), Rodolfo Mariano com o MALS #00 (número 2), Lucas Almeida com O Hábito faz o Monstro e Planeta Satélite de Ricardo Baptista e a revista Umbra. Saiu O Filme da Minha Vida com Joana Mosi, Venham +5 e colecção Toupeira, da Bedeteca de Beja, em 2021. O Mesinha de Cabeceira voltou com André Ferreira e numa atitude "back to the basics", ou seja, zine de poucos exemplares. Melhor ainda foi o regresso do Opuntia Books de André Lemos, com tiragens menores mas com um rigor de qualidade que sempre teve. O mesmo foi publicado pela Antumbramucomorphia (de Filipe Felizardo) com o vitaminado Sasquatch. De referir também o desenhos compilados em Defects do norte-americano Thomas Grant Stetson pela Black Blood Press.

    Inevitavelmente surgiu o fenómeno de registrar as aventuras com o bicho, indo desde o humorzinho em tirinhas de Gente confinada é Outra coisa de Zépestana ao burgesso islamofóbico do Luís Louro compensado pelos espertos Nuno Saraiva e André Ruivo (na onda de cartoon ou desenho), o experimental Hoje Não de Ana Margarida Matos e os dois volumes de Diários do Corona de Bruno Borges, co-editado entre O Gorila (de Borges) e a nova Fojo (de Pedro Nora), os dois volumes abarcam o início desta loucura pandémica incluindo os problemas laborais, as responsabilidades paternais, o absurdo da 'net, a casa com ratos e finalmente voltar a uma normalidade no Norte de Portugal, seja lá o que isso quer dizer. O desleixo de Borges é algo irritante, sabendo que ele poderia ser mais "comunicativo". Mas vale a pena ser mais formal num ausência de mercado A.C. ou Depois Covid? Quem liga a bonecada?

    Ninguém liga! Dois projectos morreram em 2020, sem festas nem homenagens, foi-se a editora "só para gente bruta" MMMNNRRRG que desde 2018 já tinha anunciado a sua morte e a "não-binária" Sapata Press. Apesar da radicalidade de ambos os projectos (ou justamente por isso mesmo) ninguém se importou com os falecimentos, tirando uma entrevista à MNRG pelo sítio em linha Bandas Desenhadas. 

    Dois nascimentos em 2021 para compensar estas perdas: a Magma Bruta com edições em risografias de meter inveja a qualquer produção mundial, João Silvestre e a sua parceira emigraram para Hamburgo e de lá fizeram um projecto de sonho - porque é que nunca o realizaram cá? Eu não sei...; e claro, a Sendai, editora especializada em Gekiga para nos salvar da modorra Manga para crianças que se edita neste país, talvez pelo responsável ser brasileiro que só assim que foi publicado Hideshi Hino ou Imiri Sakabashira.

    O Clube do Inferno passou a ser MASSACRE, é o mesmo núcleo de artistas sem o Astromanta, mas já lá iremos... Desde já pode-se dizer que lançaram três maravilhosos livros, dois deles da autoria de Mao.


    Digital sickness

    Foram anos de consumo digital - fosse pela compra digital de bens e serviços com o fecho das lojas, incluindo o crime de não considerar as livrarias como fornecedoras de "bens essenciais" apesar de termos um Presidente da República que ganhou eleições à pala de ser um dito ávido consumidor de livros. Esse fecho de estabelecimentos fez com que se pensasse novas formas de organização para resistir aos grandes (Wook, por exemplo) tendo nascido RELI  - Rede de Livrarias Independentes Portuguesas. 

    O consumo de cultura por Internet foi um fartote mas pouca coisa será de lembrar como "arte" (pelo menos na BD), a única surpresa digna de nota da BD portuguesa no mundo virtual foi Forceps de Ricardo Paião Oliveira, no já referido sítio Bandas desenhadas. 

    Claro que ninguém irá esquecer-se das videochamadas em que pessoas não conseguiam retirar filtros/máscaras de gato virtuais ou de serem apanhadas a baterem punhetas em reuniões porque tinham a câmara ligada. Por cá, houve a galhofa total da Feira Gráfica e os seus vídeos de scandales de galeria. Sobre a Gráfica, digo apenas como um representante da cena editorial "indie" de que não precisamos deles para ter inspiração ou motivação no ano fora do normal de 2020. E muito menos precisamos de um slogan de merda (olha a pérola: Continua a publicar!) que só diz que quem organizou o evento mais risível do ano não fez um mínimo esforço de discutir ou solucionar o problema principal da edição "indie". Não é a publicação per se que corre risco de "morrer" por causa do covid19 mas é a distribuição dela que era preciso "resolver". Os intermediários NUNCA ajudaram este meio. Quem nunca percebeu que curadores, merchants, lojistas ou galeristas NUNCA fizeram parte da equação de quem luta como editor independente, aliás, sempre fizeram parte do problema. Também ninguém percebeu um caralho o que foi a Feira Laica e outros eventos idênticos em que a horizontalidade definia os eventos e não uma selecção vertical. Tudo ainda pior, quando mete uma Câmara Municipal de Lisboa que nada oferece de cultura aos seus munícipes desde que apareceu o rentável turismo de massas. Esta meteu dinheiro nos "curadores" para salvarem a "cena", ofereceu um espaço digno para dar nas vistas sem sujar as mãos e o streaming fez o espectáculo imundo que os aficionados da 'net querem. Foi demais! Em 2021 os "curadores" chatearam-se mais uma vez e morreu a Gráfica. Ámen!

    De forma dissimulada, na BD de Mariana Pita publicada no já referido Opposights, uns "fofinhos" dizem tudo:


    O Tiago Baptista é que foi esperto, lançou o seu fanzine de Skate num parque abandonado da EMEL. Assim ao ar livre, com uma toalha para piquenique pôs à venda o Skate Snake Zine e mostrou documentos seus ligados ao Skate. Um evento underground que fugia às paranóias higiénicas e à licença comercial - novamente era num espaço ao ar livre que permitiu o encontro de várias comunidades: malta da edição, malta do desenho e malta do desporto radical - e sim, havia skates para iniciados darem tombos. Como escrevi anteriormente, os zines e afins não podem estar apenas ligados "comercialmente" (distribuição) a "eventos grandes". Não é só por causa de uma catástrofe como foi da pandemia que se perde o canal de distribuição. Não pode haver um canal apenas mas vários, é a sua obrigação assumir-se uma figura de propagandista, de procurar novas pessoas que ignoram que os novos autores de BD são interessantes ou melhores que o lixo das editoras comerciais. Se cada editor "indie" não procurar novas formas de distribuir ou divulgar o seu trabalho (e por consequência de outros colegas seus) irá pregar apenas para os convertidos e colocar o termo tecnocrata na sua produção: "nicho". Palavra que anormais por aí adoram empregar para desprezar a produção deste mundo editorial cheio de Arte. Obrigado ao Tiago por esta lição de humildade.

    A incapacidade de adaptar às mutações legais-higiénicas do Covid, em que dia para dia mudavam regras de acesso aos estabelecimentos comerciais atrapalhou a Raia que só em 2021 conseguiu fazer uma feira de manhã até às 15h30, em Junho. Em Dezembro foi o fiasco Parangona na ZDB, desta vez porque a galeria aceitou ter um mercado de editores mas não prescindiu de ser clube ou casa de espetáculos, obrigando ao público a testes de detecção do vírus, numa altura que se demoravam horas de espera nos centros de testes. O público retraiu-se, as vendas dos editores foram quase zero!!! A ZDB pareceu uma criança que ganhou um brinquedo mas que não quis partilhar com as outras crianças. Triste. 

    Houve o regresso da Necromancia Editorial em Guimarães, o primeiro evento de edição independente depois do isolamento de 2020. A vida realmente voltou aos poucos no ano seguinte e destaco o que aconteceu no Porto, a gente esperta de lá soube contornar as confusões legais usando vários espaços no Perímetro. E também de referir a Feira Anarquista do Livro em Setembro num descampado lisboeta - onde se encontrava uma BD em português sobre as prisões pelo italiano Zerocalcare; e o MAL, Mercado Aberto do Livro, uma reação aos excessos de cartazes de ilustração em serigrafia ou risografia das outras feiras, e portanto apostou com sucesso no formato... livro!

    Por fim, voltando à questão da falta de eventos em 2020, não havendo Amadora nem Beja, não deixou de haver boa programação e uma distância às organizações "bedófilas" que são as que menos arriscam em artistas novos ou ideias novas. Assim ainda A.C. nascia o colectivo MASSACRE com uma exposição intitulada Loot Box que era inaugurada em Janeiro na Biblioteca da FCT NOVA (Monte de Caparica), longe das pranchas nas paredes, os três artistas, André Pereira, Hetamoé e Mao preparam instalações, desenhos e vídeos que transpunham a ideia a ideia de "narrativa gráfica", a lembrar esforços do passado como o Zalão de Danda Besenhada (2000). Adiada com a pandemia, surpresa incrível a exposição de Rudolfo com uma retrospectiva na Galeria Municipal do Porto e o seu belo catálogo. Se pode parecer estranho uma retrospectiva de alguém tão novo, digo só que a quantidade da produção - sempre ignorada pelos festivais "bedófilos" - é superior em quantidade e qualidade até do que alguns "cromos" que são defendidos nesses festivais "especializados". Houve também o VAST/O de Carolina Martins e João Carola no Banco das Artes em Leiria e seguiu-se outras retrospectiva desta vez do Quarto de Jade, do duo Diniz Conefrey e Maria João Worm, no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa. E claro, relembro as muitas exposições já referidas da Tinta nos Nervos, suficientes para substituir qualquer programação dos Festivais. 

    De repente até parece que a BD ganhou um estatuto de arte séria. Foram coincidências apenas, bem sei, estas exposições em museus e galerias. É pena termos de voltar a ir aos festivais de BD para ver exposições, sobretudo quando o que vemos é a papinha fornecida pelas editoras profissionais portuguesas e não produções vindas dos artistas, o elemento que mais sofre no meio disto tudo. Esta subversão comercial afecta a cultura da BD em Portugal, minimizando a ideia de BD a monstrinhos com machados & violações mutantes do corpo feminino, já para não falar da BD "light". Tudo isto tem regredido o gosto nacional aos níveis piores que infantis e juvenis dos anos 90. 

    Voltem os confinamentos se só assim é que veremos BD em galerias e museus! Embora, convém dizer: foda-se a Gulbenkian com a sua exposição higiénica do Hergé! Estamos num novo milénio, não há melhor para expor? Os vizinhos espanhóis por exemplo preferiram o norte-americano Victor Moscoso, um dos heróis do underground comix, nos seus museus nacionais. É só esta a grande diferença entre betalhada tuga e nostros hermanos...


    A Batalha

    Lembram-se na greve de fome dos donos de restaurantes? Sim alguém cuspiu numa das mais radicais formas de combate politico nesta nossa sociedade do espectáculo. Idiotas e fachos também os há na BD portuguesa. Mas muitos mais existem os que não o são! Nestes anos de luta social, alguns estiveram em cozinhas comunitárias a servir refeições para os marginalizados da sociedade, outros em manifestações contra o racismo e outros a defender a Seara – Centro de Apoio Mútuo de Santa Bárbara - podem ler sobre o assunto em BD n'A Batalha #288/289, autoria de Gonçalo Duarte, sobre mais um episódio de destruição capitalista em Lisboa.

    Nesse mesmo número publicou-se ainda uma BD do mestre espanhol Max com uma obra nova sobre este Manifestamente Anormal curso dos governos na gestão da pandemia. Todo esse número deveria ser obrigatório estar nas casas das pessoas pela sua lucidez. No #292 outra jóia de BD, desta vez do polaco residente nos EUA Tom Kacznski sobre a farsa do empreendorismo. Um dos autores mais inteligentes do momento com uma tradução em português. Obrigado Batalha! 

    Foi o único jornal que pensou invés de ter notícias sobre como fazer pão e aturar a puta da família que ajudaste a criar, fucking breeder, que desmontou o jogo dos governos. Na grande imprensa só se apanhou modorra burguesa, onde não havia pensamento dos sem-abrigos, vendedores, artistas e músicos de rua ou dos emigrantes em casas sobrelotadas. O enfado mórbido da classe média em que o trabalho é vida e vice-versa, foi emocionante. Tiveram de comprar livros e discos como nunca, alguns até aprenderam a ler se calhar... As vendas em linha subiram com as lojas fechadas. Tudo ficou à espera de reaberturas, e no meio deste fogo a Snob mudava de morada e continua a ser aquela livraria "generalista" que apoia a edição independente com unhas e dentes. Obrigado a eles por venderem bons livros.

    Pelo Monde Diplomatique foram dois anos de BDs publicadas de alto nível artístico com trabalhos de Hetamoé, Sara Boiça, Tiago da Bernarda, Ana Biscaia, Rodolfo Mariano, André Lemos, Cátia Serrão, André Pereira, Alexandra Saldanha, Mao, André Ferreira e Rudolfo.


    Digital outra vez, pá!

    É sabido que a cultura sobre BD não é dieta dos portugueses, até mesmo por aqueles que a consomem. Longe vão os anos 90 quando a revista Quadrado + distribuidora Neuromanso + Salão do Porto divulgaram a Fantagraphics ou Drawn & Quarterly. Ou se pensava na BD no fanzine Nemo ou na década seguinte, na revista Satélite Internacional ou no livro Sobre BD de David Soares. O espaço de divulgação aumentou com a 'net mas diminuiu quem divulgue de forma crítica, informada, adulta e reflexiva. Terreno vago em que transitam badalhoquices e tentativas bacocas de "influencers". Nada que faça abrir mundos. Com bicho covid ou sem ele, quase nada mudou neste panorama da referência ou crítica. Só meia-dúzia de curiosidades e apontamentos:

    - a revista polaca Zeszyty Komiksowe, sobre BD e que dedicou um número especial à BD portuguesa e brasileira em 2021. Não sabemos o que dizem da cena portuguesa mas topámos o artigo inesperado de Pedro Réquio intitulado A Banda Desenhada enquanto produto das mudanças sociais e políticas em Portugal durante a década de 1970 a ser publicado em português na Revista Libertária um dia destes;

    - duas participações portuguesas no sítio de referência norte-americano Solfad com três artigos de Joana Mosi e uma entrevista a Tânia A. Cardoso;

    - uma entrevista antiga mas inédita a Carlos "Zíngaro" publicada na Pentângulo #4,

    - com o jornal A Batalha parado durante o confinamento, voltei a escrever e a promover alguns livros  de BD neste blogue - houve quem ficasse feliz, nunca pensei... Eu é que fiquei feliz pelo regresso, embora nostálgico, de Domingos Isabelinho ao seu blogue; 

    - Hugo Almeida escreve um brilhante ensaio sobre Yuichi Yokoyama numa brochura que acompanha, a maior parte das vezes, o livro Viagem;

    - surgiu (e desapareceu) uma revista de música, Pista, que fez um artigo sobre o Rudolfo enquanto músico, tornando este ano de merda no "ano do Rudolfo", uma vez que toda sua breve vida já ficou toda registada com este artigo na revista e com o seu catálogo da exposição da Galeria do Porto acima referido;

    - nos campos gráficos para quem gosta de BD é de referir VelvetNirvana, exposição da colecção particular de António Neto Alves (um cromo?) que aconteceu no Pavilhão Branco do Museu da Cidade de Lisboa onde se viu cartazes do melhor grafismo punk: Gary Panter, John Holmstrom e Raymond Pettibon; 

    - também pela via museu, focado na pintura houve a exposição de Eduardo Batarda, Great Moments na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva;

    - o mais importante foi a reedição de No Lazareto do Rafael Bordalo Pinheiro, não era a primeira vez que tenha havido uma reedição desta obra importante de 1881 - em 2003 foi a Frenesi que o fez num gesto de coragem que nenhuma editora "bedófila" seria capaz de  o fazer. É um diário de viajem, autobiografia, comentário social e político para quem ficou em quarentena vindo do Brasil, isto tudo umas décadas antes do Crumb ou Pekar! Edição da Pim! e Museu Bordalo Pinheiro.


    FIM

    Entre toda a mortandade neste mundo, houve várias mortes de autores e artistas de BD. Pareceu que estávamos no fim de uma Era dada a importância de nomes como Uderzo, Quino, Sokal, José Garcês e Juan Gimenez - este último, o único falecido com relação directa com o vírus. 

    De referir também o falecimento do editor Jorge Machado-Dias da Pedranocharco e do BD Jornal. 

    Mas sobretudo a tristeza chamou-nos por aqueles que nos fizeram crescer artisticamente e intelectualmente como Claire Bretécher, Gene Deitch, Richard Sala, Gary Leib, Ron Cobb e S. Clay Wilson.

    Noutra dimensão surreal foi desaparecimento daqueles que publicámos ou que nos eram amigos, Henriette Valium, Ward Zwart, João Paulo Cotrim e Isabel Lobinho. 

    Neste final de relatório sobre a cena portuguesa, as nacionalidades pouco valem, só os sentimentos íntimos.