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terça-feira, 1 de julho de 2014

Desde Abajo

Don Rogelio J
Libros Calamidad; 2014

O camarada Rogélio meteu-se em fazer um "comic-book"... Mas assim à séria, não é só o formato da brochura mas também o facto de ter uma BD única no número e ainda por cima de continuação!
Vai-lhe sair do pelo mas para já temos um número! A BD é retro-futurista, suja com "aquele" estilo underground já mastigado, com mutantes por todo o lado e claro um Estado Big Brother. Por isso, é como se passasse nos nossos dias, ou daqui algumas semanas.
O ponto original do universo desta BD, é que Rogélio "prevê" que toda a cultura editada em objectos físicos será proíbida. Uma ideia interessante, se toda a cultura for digital, esta não será mais fácil de editar conforme os caprichos do Poder? E a que não interessa? Não será mais fácil bloquear ou adulterar - lembram-se daquele "forward" em que comparava a palavra "Tiananmen" num Google "normal" e num Google chinês?
Esta BD parece seguir obras anarco-cyber-punk como Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo de Pedro Franz ou Piracy is Liberation de Mattias Elftorp mas mais Rocker... (continua em analógico)

terça-feira, 25 de junho de 2013

Agarrados ao crack!!


"ils sont fous ces romains"

Curiosamente eu e o Zé Burnay conhecemo-nos já no aeroporto de lisboa, já um pouco atrasados para o check–in… aterrámos no aeroporto Fiumicino e apanhámos um autocarro até ao Termini… No Termini todos os postos de informação tinham um papel na afixado que dizia: “no tram questions!” algo que nos complicou a vida e fez-nos andar pelo menos hora e meia perdidos,  com 2 malas com 20 kilos cada uma de livros… depois descobrimos que o tram 5 que queríamos apanhar era logo ali ao lado.  encontrámos o nosso tram e como bons turistas comprámos um bilhete cada um. Pode até ser paranóia minha mas assim que picámos o bilhete quase  todas as pessoas no interior do tram lançaram-nos um olhar reprovador por  picarmos o bilhete… No caminho do eléctrico até ao Forte Prenestino reparámos que ninguém picava bilhete, decidimos então daí em diante  adoptar essa tradição com orgulho, pois  nenhum de nós queria desrespeitar os bons  costumes locais!!!


FORTE PRENESTINO

Acho que nada nos prepara para o Forte Prenestino, além de ser o maior okupa que já vi, é pelos vistos também  o mais organizado… e ainda por cima é um FORTE!!! Temos que passar uma ponte e tudo!!! À entrada do Forte simpatizei logo com a primeira estátua  que vi...

FOTO ROUBADA NA NET

Depois de poisar a malas (alívio),estávamos nós a beber umas Peronis… Três individuos chegaram perto de nós e perguntaram ao Zé: "your name is Zé Burnay?" Os seus nomes eram Robert Galvish, Tron e Jackob e tinham chegado ontem da Letónia, o Zé já tinha colaborado com eles para a revista que representavam, a Popper Magazine!!

Bebemos umas, e ficámos logo amigos. Ao fim de uma hora tínhamos decidido ir morar todos juntos para uma tenda que a organização tinha arranjado para eles. Poisámos as malas e passámos o resto do dia a comer massas, pizzas, a beber vinho e Peronis e a falar de cócó, desenhos animados, vídeos do youtube e a  fazer  piadas gays acerca de mais logo voltar-mos para a tenda! Robert, Tron e Jackob foram uns bacanos e levaram-nos a visitar pela primeira vez as antigas celas do forte onde iriam estar as bancas… celas cheias de história e fantasmas e um silêncio atordoador, por outro lado nas paredes do exterior do forte  encontrava-mos outro tipo de fantasmas que por lá também tinham passado e deixado a sua marcas, tais como: Blu ou Aleksander Zograf entre milhares de outros…o Crack é um festim para os olhos…

FOTO DA PRIMEIRA NOITE, CEDIDA POR ROBERT GALVISH O AUTOR PILINHAS
    

 9º Festival Crack - Fumetti di Rompenti

Acordámos a fazer sauna na tenda por volta das 8 horas da manhã, tomámos duche de água fria e fomos os conco tomar pequeno-almoço. o pessoal da Popper é muito criativo e passavam  o tempo a criar historias absurdas que dariam BDs brutais… para nos entretermos Tron sacou do seu diário gráfico e ensinou-nos um jogo muito simples que costumavam jogar entre eles.  Escolhe-se uma letra do alfabeto, escreve-se a letra no cimo da página, e de seguida cada um desenha algo que comece com essa letra, pode-se fazer um desenho de raiz ou acrescentar qualquer outra coisa no desenho de outro  sempre respeitando a regra da letra escolhida. Embora só tenha feito uns rabiscos bem toscos, foi bem fixe ter participado, curti bastante do resultado e do clima descontraído da brincadeira. Assim que as catacumbas abriram, desempacotámos os livros das malas e montámos a banca da Chili Com Carne, mas por uma questão de logística acabámos por ter de dividir o nosso espaço com uns suecos de Estocolmo, a sua editora chamava-se Hockey Rawk, o cabecilha da banca chamava-se Peter Larsson e juntamente com ele estavam três suecas, que vinham tocar ao vivo no festival , no primeiro dia  o livro AcontorcionistA foi o que mais fez furor, os casais de italianos eram os primeiros a ficar  entusiasmados  com o conteúdo do livro e do calendário, fiquei até com a sensação que alguém na Chili terá mergulhado os livros em pau de cabinda…

No segundo dia de Crack, acho que conseguimos dormir até por volta das 10 da manhã, a partir das 7 da manhã começámos a fazer sauna e aos poucos o pessoal começou a gemer e a arrastar-se para fora da tenda com o respectivo saco-cama afim de achar uma sombra que não fosse apenas temporária… é sempre chato encontrar uma sombra que só dura 5 ou 10 minutos… o people da Letónia foi ver o mar e dar uns mergulhos, e eu e o Zé ficámos pelas redondezas do Crack, e tomámos pela primeira vez pizza ao pequeno almoço…assim que as celas reabriram organizámos os livros na bancada, o Zé pintou um Chili Com Carne sâtanico na parede e eu espetei com as provas do livro Kassumai numa das paredes.


Por volta das 21h fui ver o concerto das nossas vizinhas suecas artisticamente conhecidas como Hi Says Mole, que tocaram no subsolo... Fiquei curioso porque uma delas tinha-me dito que faziam Pop experimental. No palco estavam três meninas meio Lolitas e com vozes bipolares que variavam entre a extrema doçura de uma criança que pede alguma coisa e uma criança com a birra. Balões de ar foram tocados como se fossem violinos, muitos órgãos de brincar e alguns beats minimais a surgir… curti!! Até porque houve algumas ambiências mais perto do Hip Hop um tanto ou quanto  Beastie… girlz…  De regresso à banca da Chili o pessoal curtiu bué do Love Hole, do Aspiração Horrífica, do Mesinha-de-Cabeceira 23 e claro mais uma vez da AcontorcionistA… O Doom Mountain e as serigrafias do Zé também brilharam. Muita gente passou pela nossa banca na Sexta. Nunca falei tantas línguas… finalmente as Peronis fizeram efeito, o Zé foi pra tenda e fui acabar a noite a beber copos com o Peter Larson e com a Ingrid, uma das miúdas dos Hi Says Mole… Tipos bem porreiros que ao fim da noite já bebiam shots, dos restos das bebidas que outros deixavam nas mesas de esplanada. Foi bem divertido, a merda é que fui pra tenda já de dia…

3ºdia  de crack!!!

FOTO DE DESPEDIDA DOS NOSSOS COMPANHEIROS DE TENDA
De manhã decidimos ir passear por Roma ao calhas, mais os nossos companheiros Robert, Tron e Jackob… Apanhamos um Tram afim de visitar outro okupa ali bem perto, mas estava fechado, decidimos então ir visitar uns parques, comemos melancia, bebemos muita água, rimo-nos e até estivemos a observar um casal de italianos a discutir como se fosse uma peça de teatro, enquanto comíamos um kebab super picante. Às 18h voltámos para as catacumbas, o Crack transbordava de gente, foi a loucura. Directamente da nossa banca pude assistir a um espectáculo de t-shirt molhada masculina, um tipo julgo eu do Dernier Cri encharcava outro com cerveja e perguntava lhe: "you're my friend?"

Nesse mesmo dia também passou pela nossa banca, uma italiana chamada Sheela que têm um trabalho muito interessante, ela adorou e comprou o Love Hole! Pela nossa banca passou também o Roberto Grossi que ofereceu o seu último livro para a Chili.

À meia-noite o people da Popper vieram se despedir de nós troquei um Kassumai por uma serigrafia do Robert , outro Kassumai com uma Poppermag. Do Tron e ofereci um Kassumai ao Jackob porque lhe estava constantemente a nascer ganzas da  barba!!! A sério… ainda assisti a um concerto que afinal não era um concerto mas sim uma peça de teatro disfarçada de concerto, vendemos bastantes livros e fomos para a tenda um pouco mais tristes que nos outros dias (embora houvesse duas fanfarras animadamente a tocar pelo festival..) pois estava quase na hora de regressarmos também.
POPPER Nº4 (TROQUEI PORUM KASSUMAI)

Eu e o Zé acordamos, fizemos a mala e despedimo-nos da nossa tenda. Pizza foi novamente o nosso pequeno-almoço, curiosamente juntou-se a nós um inglês muito simpático chamado Joe Furlong. Estivemos na conversa e ficámos a saber que pertence a um colectivo chamado Minesweeper pelo que percebi,  Joe e o seu colectivo ocuparam um barco e fizeram dele uma residência artística.

Por volta da 16 horas montámos a banca pela última vez, escrevemos num papel "super discount" e vendemos tudo por metade do preço!!! O Mattias Elftorp foi ter connosco para trocar os dois primeiros mega-volumes compilados do Piracy is liberation.

Esgotámos os Mesinhas 23, o Love Hole e os calendários…Por volta das 21h, o Valerio Bindi apareceu na nossa banca e restituiu-nos o dinheiro da viagem, foi pena não ter conversado mais tempo com este homem  grande, uma vez que andava sempre de um lado para o outro…

Por volta das 23h começámos a desmontar a banca despedimo-nos dos nossos vizinhos e lá fomos nós apanhar o tram… Acabamos por passar pelo Termini sem reparar e só demos por isso quando já estávamos a voltar para trás há uns bons 20 minutos… Mais uma vez andámos perdidos,  carregados e stressados.  Acabámos por apanhar um táxi para o Termini, o que foi mal jogado porque já não haviam autocarros à uma da matina e tivemos que gastar 50 euros noutro táxi que não era um táxi, para  ficar umas 4 horas à espera do check-in, e sem tabaco!! Imaginem dois barbudos a dar uma de crava 'tuga à porta do aeroporto a ressacar por cigarros...

Depois ainda houve uma escala de três horas em Zurique onde um expresso chegava a custar cinco Euros e não serviam copos de água sem consumo… Acabámos por não comprar tabaco de novo, e adormecer à porta de entrada, acordámos em cima da hora de embarque. Não estava ninguém nas redondezas, tinham mudado o nosso vôo para outra porta de embarque e lá tivemos de correr para a outra ponta do aeroporto…


 

terça-feira, 19 de março de 2013

Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo (3 volumes)



Pedro Franz
ed. de autor; 2009-12

Este nem meto nas discussões da bd brasileira porque é mesmo um OVNI à escala global. Franz, que participou no MASSIVE, elaborou uma BD distópica nada longe da nossa realidade, ou seja, uma sociedade pseudo-democrática manipulada pelos media e por um estado policial sofisticadamente repressivo, em que a esperança aparece de um grupo de anarquistas / piratas intitulados de "Jolly Roger" - cujo discurso político segue os ideais Zapatistas e do Sub-comandante Marcos.
O traço pode ser reconhecido pelas influências de Paul Pope ou de Taiyo Matsumoto, o universo ao ser uma amalgama de referências fantásticas lembra o Malus e estas Promessas (...) situam-se no mesmo campo temático da "revolta dos escravos" de Piracy is Liberation. Posicionamentos estes que não invalidam uma voz singular, antes pelo contrário. Tanto que Franz ainda introduz alguma inovações à forma como publica o seu trabalho. A começar por disponibilizar todos os conteúdos para descarga grátis em linha (ide ao sítio sacar o material, ide!!!) mas também porque cada livro tem formatos diferentes de publicação física.
O primeiro volume, Limbo, sendo mais tradicional na forma de bd é publicada numa espécie de "comic-book" impresso em papel jornal como se fosse uma produção popular. O segundo volume, Underground, são 55 láminas soltas (folhas soltas) em que o próprio autor incentiva a serem colocadas em ordens diferentes (ao gosto de cada um) enfiadas num envelope - e que dará em breve a uma referência na segunda parte deste artigo. Serão estas láminas soltas um simulacro das folhas volantes - outra forma popular de desseminação cultural? Serão estes formatos formas de homenagem aos media dos últimos dois séculos? Se for, impõe-se uma diferença ao Piracy (...) que trata da revolta pelos meios electrónicos, na tradição do romance cyberpunk.
Por fim, apareceu o terceiro e último volume, Potlatch, um álbum agrafado a cores com uma dimensão superior ao A4, perfeito para quem explora gestos bruscos e expressivos a pastel e lápis de cera. Como último volume da série transmite uma sensação de vazio dada à "inconclusão linear" da história até agora narrada. É certo que se esperava algum "classicismo" de história de aventura / acção como mostrava o primeiro volume, em que o segundo volume seria apenas um desvio experimental e como tal a "trama" se retomaria agora no terceiro volume para completar a "série". Felizmente isso não acontece (mas lá bem no fundo o "nerd" dentro de mim acha que não!) e o trabalho deixa as revoltas populares, as violências policiais e as paixões em aberto. Tão aberto que como o mundo que vivemos...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A sul, a centro e a norte...

Recolha de resenhas rápidas de zines e livros adquiridos nos últimos tempos...


- Espanha: Entroñable (2012) - zine de BD de El Rucio que faz juz à estética satânica do selo da Petit Comité del Terror. Em 36 páginas A5 há espaço para serial-killers, mass-murderers, onanismo inter-dimensional, artsy-fartsies, metaleiros, zombies, barcelona bashing... O que é preciso mais? Nada! É mesmo isto!


- Itália: Mais duas experiências de "remix narrativo": Bio Edificio 421 (Lök; 2012) e o número 3 de Giuda : Geographical Institute of unconvencional Drawings Arts (Mirada; 2011). A primeira é um jogo narrativo composto por três tiras por página que podem ser folheadas cada uma à sua vez, criando várias hipóteses de ler histórias. Interessante. A segunda é uma revista de psico-geografia por onde passa o futuro da BD, em que Milwaukee é nova paisagem escolhida para recolher material gráfico e narrativo para criar um só texto. Quem está por detrás disto são alguns conhecidos nossos: Gianluca Costantini (Mutate & Survive), Elettra Stamboulis e cia. A seguir com muita atenção!!!
Ruggero passou por Lisboa e dedicou-lhe uma serigrafia impressa no Atelier Mike Goes West... Além de ilustrador também edita uns mini-zines, na essência uma colecção de A3 dobrados de forma a criar graphzines ou pequenas narrativas com imagens. Participa gente que cola, desenha e pinta. Giro! Nada de novo até o Geral & Derradé fizeram isso nos anos 90! Ah! o projecto chama-se Muservola Edizioni é de contactar ou fazer igual!

Passamos agora para a Europa Central:



Bélgica: Da parte flamenga, com uma actividade singular nos últimos anos, surge um jornal de desenho dirigido por Ward Zwart (que participou no esgotadíssimo MASSIVE). A preto e branco talvez porque se intitula Sans Soleil, este primeiro número é dedicado a desenhadores belgas / flamengos por causa do convite da Bélgica para o Festival de BD de Helsínquia... Era bom que os jornais fossem assim! OFERTA de exemplar a quem adquirir algo "belga" da nossa loja virtual - dicas: Mesinha de Cabeceira Popular #200!, Lointain, Rotkop,...




- Holanda: Já não é segredo nenhum que a MMMNNNRRRG irá editar um livro de Marcel Ruijters... Mas não será o Sine Qua Non (Forlaens; 2011) nem Colare Humanum Est (Le Garage L; 2011) será melhor... claro! O primeiro livro é uma edição dinamarquesa do livro que mudou o estilo de BD a Ruijters - alguns devem-se lembrar de alguns livros editados em Portugal pela Polvo, não? - originalmente editada pela prestigiada francesa L'An 2, apresenta-nos Marcel fascinado pelo imaginário medieval cheio d emonstros mitológicos e freiras borregas - como aliás, são todas as freiras... O segundo livro é um livro de colorir desse novo estilo gráfico de Marcel. Quem tiver preguiça para riscar livros que espere pelas serigrafias que serão impressas no atelier Mike Goes West (para sairem em Dezembro na próxima Laica e exposição do autor na Mundo Fantasma) que estas terão muita cor!


- Alemanha: A Bon Gout (para quem não se apercebeu mas era uma atelier de serigrafia, editora e galeria bastante reconhecida) mudou de nome e agora é chama-se Re:Surgo! e já começou a mostrar o que vale com o novo livro de Atak intitulado de Targets for the modern home. Trata-se de uma catálogo das centenas de desenhos de placas de alvos que Atak fez. Primeiro Atak fez uma pesquisa à iconografia destes objectos (algo que pode ser absurdo mas só o atak para descobrir uma grande história sobre estes objectos mundanos) e depois começou a produzir os seus próprios alvos que são certeiros à decadência do mundo moderno. Simples. Danke Lars Henkel

Por fim, o norte da Europa:



- Dinamarca ainda, Regression (Cult Pump; 2012) é um livro em serigrafia de Zven Balslev - autor já publicado em Portugal via Opuntia Books. Inclue BDs cuja ausência de figuras humanas lembra Kai Pfeiffer ou uma experiência oubapiana de Ilan Manouach - uma BD do Petzi-sem-o-Petzi... Um graphzine cheio de ectoplasma!



- Noruega: Embora Martin Ernstsen seja norueguês vive em Berlim mas acho que não há problemas em colocá-lo aqui, até porque o rapaz não pára quieto e viaja para montes de sítios. Este zine, You're talking with the wrong person #3 (2012), é uma compilação de BDs autobiográficas de Martin, nelas podemos encontrar episódios fabulosos como uma tipa que lhe compra uma t-shirt durante a SPX de Estocolmo, despe a velha (não tem soutien!) e veste a nova t-shirt em frente dele e no meio do evento... Só por isso vale o zine! HRMF! (2010) e Pfft! (2012) ambos pela Dongery com BDs de Sindre Goksøyr são mini-zines que o universo Disney é abusado para contar histórias mal-humoradas de caminho à andropausa, como se o Tio Patinhas invés de ser um porco capitalista fosse apenas um mitra de classe média. A miséria humana antropomorfizada em patos é linda!



- Suécia : Novo volume de Piracy Is Liberation : Book 011 : Demockracy (Wormgod; 2012) de Mattias Elftorp - que deve voltar à Feira Laica este ano! - começa um novo ciclo desta série anarco-cyberpunk, desta vez fazendo um raíde à Democracia numa altura que em Portugal as chamas já chegaram à Assembleia... Oportuna leitura! Dois novos zines impressos em risografia do novo e activo colectivo Peow!: Nava de Mikael Lopez (a) e Olle Forsslöf (d) é o ínício de uma série com laivos místicos, parece mais um preview que outra coisa... e Sex Frog de Patrick Crotty apresenta duas histórias de terror - o título da publicação ajuda a lubrificar a líbido, não? - que consegue ter uns contornos de Ero Guro não tão selvagens como os do Suehiro Maruo ou do Aaron $hunga mas com uma abordagem própria - como se a treta da escola sueca autobiográfica went wrong! 



- Finlândia: Finalmente um livro de Jyrki Heikkinen com legendas em inglês para percebermos alguma coisa! Leijonan Veri Velvoittaa (Asema; 2012) é um pequeno livro que Jyrki sempre em forma. Escultor e Poeta por formação, faz BD por desvio mas os três "mediuns" fundem-se sem problemas para contar percursos de arrependidos, anjos e milagres. Essêncial para quem perdeu esperança na poesia e na BD! Outro ponto alto das novidades finlandesas é Offices & Humans : Road to Customex (Huuda Huuda; 2012) de Roope Eronen, que inverte os papeis no jogo de personagem (RPG) Dungeons & Dragons... Invés de de "nerds" a jogarem em mundo de fantasia, são os dragões que encarnam as personagens dos humanos em escritórios com toda a decadência mundana que tal implica: fotocopiar CVs às escondidas na empresa, ver pornografia na 'net, etc... Mais do que hilariante é mesmo preocupante! Thingie (Daada Books; 2012) de Marko Turunen (entretanto com originais patentes na exposição da "autobiografia" na BD Amadora) e Tea Tauriainen (entretanto publicada no recém lançado Mesinha de Cabeceira #23) é a continuação estética das "Tijuanas Bibles" ou dos Air Pirates que gozam com as personagens da Disney pondo-os a foder como uns animais - espera, as personagens Disney já são animais... -  a cagarem-se todos e toda a escalologia que os porcos capitalistas da empresa nunca nos deixarão ver oficialmente. Por isso, é aqui que se pode concretizar muitos sonhos de criança e de "nerd"...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Feira Laica de Dezembro

cartaz de Bruno Borges


A Feira Laica irá acontecer entre 10 a 12 de Dezembro no Mercado do Forno do Tijolo, nos Anjos.


A Chili Com Carne convidou editores independentes portugueses e estrangeiros, a saber, o francês Albert Foolmoon e o sueco Mattias Elftorp.
O primeiro, Foolmoon, é um verdadeiro activista da cena independente: é ilustrador (ver resenha de um livro seu aqui), editor sob o nome Lézard Actif, promove as acções do DIY internacional através do site DIYzines, o evento Salon Fai-le Toi-même e a livraria / galeria Super Cagibi. Para completar este ramalhete, Foolmoon adora Lisboa, tanto que em 2008 quando nos visitou pela primeira vez até fez um livro sobre a street-art portuguesa (ver aqui).
Elftorp é o artista / escritor anarquista da série pós-apocalíptica e cyberpunk Piracy is Liberation e parte do duo Wormgod. Faz exposições sobre os horrores da sociedade capitalista, foi um dos fundadores e editores da revista / colectivo C'est Bon Anthology, sendo responsável actualmente pela colecção Dystopia. Recentemente organizou o festival de bd Alt Com, em Malmö, dedicado ao tema "Sexo & Guerra".

Ambos terão exposições individuais!

Editores que estarão presentes:

A Mula + Arara
Associação Chili Com Carne
Contraprova
Leote Records
Lézard Actif (França)
zine Znok

Novidades editoriais:
- An Intrusive Black Circle, de André Lemos (Opuntia Books)
- Cleópatra #5, zine de Tiago Baptista
- É o Diabo!, serigrafia de Miguel Carneiro (Arara)
- Iceberg, de José Feitor (Imprensa Canalha)
- Jungle Machine, de Dayana Lucas (Arara)
- Mike Goes North, portfólio com André Cruz, Ana Torrie, Célia Esteves, Júlio Dolbeth, Marco Mendes, Nuno Sousa e Rui Vitorino Santos (Mike Goes West)
- More Songs About: Melómanos Arquivistas e Rouxinois, CD-R de Presidente Drógado (Leote Records)
- O Morto foi ao Baile - compilação de capas da colecção Grandes Mistérios, Grandes Aventuras : 1940-1960 (Imprensa Canalha)
- Oficina do Cego #2, v/a
- Talento Local, de Marcos Farrajota (Chili Com Carne)
- Znok #5 (nova versão), de Filipe Duarte

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sexo Sueco



A Suécia tem pouco mais habitantes que nós mas com uma educação exemplar, o povo sueco gosta de livros. Ainda não sabe bem o que é boa bd mas pelo menos um livro de bd de autor vende 5000 exemplares, um valor suficiente para sustentar minimamente o negócio das editoras e a vida profissional dos autores. Não sei qual a origem deste fenómeno, como ele se desenvolveu, talvez tenha sido como em Portugal ou noutros países ocidentais, os autores e editoras de bd de autor (antigamente chamadas de "alternativa") começaram a produzir trabalho e livros, só que em países onde a massa alfabetizada e com hábitos de leitura o movimento consolidou-se, ao contrário em que este desapareceu. Na Suécia, as bd's dos anos 90 têm se pautado pela autobiografia, quase sempre tosca graficamente e eventualmente lamechas em conteúdo. Até poucos anos era uma cena fechada em si mesma mas que começou a mudar gradualmente com a edição de autores suecos nos EUA e uma aproximação artística aos vizinhos finlandeses. Mas de uma forma geral sente-se que a produção sueca pós-80 sabe a algo "sem sal" em quase todos os autores que tenho visto provando as acusações (externas) de que os suecos são uns chatos e matemáticos.

Creio que a Globalização irá mudá-los (como a todos nós) e o evento Alt Com mostra esses primeiros passos de mudança. O evento em si é uma fórmula do festival europeu com pouco dinheiro que não opta pelas festival hiper-cenografado europeu nem pela convenção ultra-comercial norte-americano. Uma ou duas exposições, as mesas de venda com editores, convidados estrangeiros (do Canada, Brasil, Portugal, Dinamarca, Finlândia e França), conversas com o público e umas festas fazem o evento - como acontece com o SPX em Estocolmo ou a Feira Laica em Lisboa, embora esta última não seja exclusiva de bd.

A diferença é que desta vez a bd era focada em algo mais social do que genérico da bd independente. Assim, a programação passava pelos trabalhos chocantes de Ivan Brun, o glamour violento de Ho Che Anderson, apresentação de Mangás pornográficas para mulheres, colectivos feministas ou o livro sobre a relação da bd e a propaganda, escrito pelo professor / investigador Fredrik Strömberg - ah! esqueci-me, em Mälmo, a cidade do evento, existe um curso universitário de bd e ilustração.
De certo forma as parvoíces mangakas estavam afastadas deste evento - não impedindo de haver uma gótica loura desesperada numa banca (ver desenho) - e uma sensação que as pessoas que iam ao evento eram as mesmas que iam a Estocolmo... Não falo dos editores e autores mas do público!
Para completar o evento, foi feita uma antologia internacional, com capa de Ho Che Anderson (primeira imagem) que era oferecido aos visitantes, sim... falo de um livro de 100 páginas menores que A5 100% gratís!!! Os suecos podem ser matemáticos mas deverão chegar lá, ao contrário dos portugueses que apesar de terem sido convidados para a antologia nada fizeram...

Resta dizer que a programação deste vento foi feita por Mattias Elftorp, autor/ editor que através do seu selo Wormgod publica na Suécia e contra o normal do que se passa lá, bd's polítizadas e cyberpunks, como a colecção Dystopia e a sua série Piracy is liberation.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

cuecas

Vamos começar neste blogue a descarrega de material e memórias de Angoulême... não serão muitos "posts" porque este ano não fizemos muitas compras ou trocas porque a organização perdeu o nosso formulário para termos uma mesa no evento. Assim sendo fomos mais como "turistas" e aproveitamos mais para ver as "coisas" - até porque fez sempre "bom tempo" excepto no Domingo de manhã que nevou um bocadinho (imagem). E a propósito disso aproveitamos para divulgar o material nórdico, finlandês e sueco. Bom, para dizer a verdade também eles andavam sem stand por isso trouxemos quase nada.

Da Finlândia querida, trouxemos apenas 25 pósteres do Caminhando Com Samuel e vários exemplares do último Kuti (o número 14, ver aqui) que serão oferecidos na compra de qualquer edição em que participe autores finlandeses à venda na "shop" da CCC - e já que o Pakito Bolino e a Emelie Östergren participam neste psico-jornal então também esta oferta alarga-se para os livros do Le Dernier Cri e para Evil Dress. Aproveitem que não são assim muitos exemplares que temos, e como temos a mania de oferecer coisas por tudo e por nada...



Da Suécia, os últimos dois números (de 2009) da revista C'est Bon Anthology, que mantêm a sua qualidade de sempre, quer nas colaborações das bd's quer dos textos - no #8 é transcrito a enorme intervenção do Mike Diana no último SPX de Estocolmo sobre o seu caso judicial. A revista só varia em autores mais conservadores e outros mais experimentais, daqui destacamos Allan Haverholm no #9 - e que inclui uma entrevista - e cuja bd é um verdadeiro vendaval de ritmo e euforia jazzistica! Cada número custa 10,50€ (20% desconto para sócios CCC)


Saídos da revista/ colectivo C'est Bon, Mattias Elftorp e Susanne Johansson, fundaram um novo projecto editorial, Wormgod, onde saiu o novo volume (o sétimo) da série "cyberpunk" Piracy is Liberation de Elftorp, e que entra num novo ciclo da estória. Para além disso ainda lançaram uma colecção de zines intitulado Dystopia em colaboração com a Sociedade Sueca de BD. Trouxemos os primeiros dois números que inclui um "split" da inglesa Carol Swain (já editada em Portugal nos anos 90 pela Azul BD3) e o esloveno/ americano Danijel Zezelj (o trabalho dele já foi exposto em Portugal na Honey Talks) que ambos num ambiente de Ficção Científica levam a sério o "tema-título" da colecção. Já o segundo número a cargo do lituano Artùras Rozkovas é mais difícil situá-lo em bd (parece antes uma galeria de desenhos) ou distopia (existe narrativa?) tal é o Freak Dreaming que apresenta. Lembra Teresa Câmara Pestana mas mais tribal e onírico. De todos, o mais interessante. Piracy custa 10€ e os Dystopias 4€ cada (20% desconto para sócios CCC)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

pós-SPX: Suécia

Vieram muitas "coisas" da SPX de Estocolmo, afinal este foi o ano mais internacional deste evento com participações de norte-americanos, italianos, finlandeses, noruegueses e portugueses... iremos por partes nos próximos dias mas começamos pelos "anfitriões", ou seja pelos suecos:



Os sextos volumes de Piracy is liberation (C'est Bon; 2009) de Mattias Elftorp e da revista C'est Bon Anthology (2008), provavelmente os melhores até à data. No primeiro caso porque começa atingir novos picos de drama nesta odisseia ciber-anarquista, no segundo porque a recolha do material é bastante bizarra em especial a bd de Johan Jergner-Ekervik que é um verdadeiro épico bacteriológico mostrando que a bd ainda é uma arte visual-narrativa com temas inéditos para explorar.


A autora Emelie Östergren foi uma surpresa este ano porque lançou dois títulos: um grosso e impecávelmente bem feito volume dos seus trabalhos anteriores pela editora Sanatorium (que edita belos livros, diga-se) intitulado Evil Dress - é bilingue sueco/inglês. Palavras chave: corpo feminino, nostalgia/infância, vestidos, fogo,... O outro é um zine XL (12 páginas A3) com um título tão comprido que me deverei enganar a escrever: Mexikask Granso / Spar lost Forsvumen. Feito a meias com Clara Johansson - ou seja, uma bd para cada uma e um desenho no meio da edição (agrafada) a meias. Mais nostalgia e cinzentismo humano por aqui.


Por fim, Agnosis #1 (ed. de autor; 2004) de Li Österberg é um zine típico de zine como quase já não há no mundo: A5, preto e branco, catita, com bd's da autora (felizmente escritas em inglês) que graficamente lembra muita bd alternativa anglo-saxónica dos anos 90. As três bd's tratam da espiritualidade do ocidental novo milénio. Duas das bd's são autobiográficas e também as mais conseguidas a nível de estória. Uma delas a autora explica como ficou desiludida com a cena New Age - não posso contar mas é hilariante - e na segunda revela porque gosta de Hard Rock - é possível encontrar esperitualidade nos Gamma Ray? Sim, é doa a quem doer... desculpem estragar o final!
Ei! Os pirosos dos Gamma Ray são Power Metal e não Hard Rock!!! Que se lixe isso, podia ser pior, podia ser que a autora ainda ouvisse flautas de pã! Para além que este foi o melhor "zine-zine" ou "zine old school" que encontrei na cena sueca, longe das parvoíces de Mangakas e humor tótó...

todas estas publicações estão à venda no site da Chili Com Carne

quinta-feira, 8 de maio de 2008

abrindo as malas da viagem...

É o regresso do SPX 2008 (Estocolmo) e serve este "post" para dar as novidades:

_Temos para oferta alguns exemplares do último número do jornal finlandês de bd, Kuti - já várias vezes divulgado neste blogue. É um número especial SPX, com trabalhos de autores finlandeses e suecos. Os textos estão em sueco mas com legendas em inglês.
Esta oferta é exclusiva aos sócios da CCC e que comprem qualquer artigo que seja da Finlândia ou da Suécia (Boing Being, Napa, Daada) ou que tenha participação de autores finlandeses ou suecos (Chili Bean, Mesinha de Cabeceira Popular #200, Mutate & Survive, Canicola).

_Já é uma revista que se tem escrito com alguma regularidade (o #5 e o #1) e que número para número vai crescendo em forma e conteúdo: C'est bon anthology do colectivo sueco C'est Bon, com quem a CCC partilhou mesas na SPX. Trouxemos para venda os quatro volumes da terceira série (#17/20; Ago'06/Dez'07) que marcam a distribuição mundial desta publicação através do catálogo Previews (que distribui todos os comics norte-americanos para as lojas especializadas). A revista continua a sua redacção em inglês e está com um aspecto luxuosa, gordinha e brilhante devido ao papel couché. Tem mais colaborações de autores internacionais (ou seja, "não-suecos") e mais trabalhos arrojados - uma lista de nomes explica por si só a qualidade que a revista atingiu: os alemães Martin tom Dieck (que estará este fim-de-semana no Festival de BD de Beja!) e Arne Bellstorf, o sérvio Danijel Savovic (vol.1), o português Pedro Nora, o sueco Knut Larsson, os finlandeses (que estiveram no Salão Lisboa 2005) Marko Turunen e Jyrki Heikkinen (vol.2), o francês Yvan Alagbé, os italianos Andrea Bruno e Stefano Ricci (vol.3), ou ainda a finlandesa Amanda Vähämäki ou a israelita Rutu Modan (vo.4).

_Um dos editores desta revista é Mattias Elftorp que também é autor de bd. A série Piracy is Liberation é o seu trabalho mais conhecido, que já se encontra num quarto volume editado pelo colectivo desde 2006.
Graficamente próximo de (ou demasiado influenciado por) Brian Wood e Ben Templesmith, Elftorp é menos elegante em questões de anatomia, domina as lutas do preto e branco e dá bom uso de tramas e texturas.
Cada volume apresenta entre 64 a 72 páginas, o que mostra o enorme trabalho com que o autor está lançado. A trama de um futuro não longe do nosso, passado numa megalopólis sem memória, onde piratas informáticos procuram destruir o sistema de dominio dos padres capitalistas, poderá lembrar Matrix ou a bd Invisibles de Grant Morrison (este último menos conhecido mas mais copiado - os criadores do Matrix que o digam) mas não deixa de ter ideias próprias que estão em gestação - gosto particularmente de uma cena em que duas personagens Hackers que fazem "copy'n'paste" deles próprios do mundo virtual para o real. De certa forma as cerca de 240 páginas ainda não pareceram suficientes para perceber o que se passa por aqui - lógica de Manga? À primeira vista, poderá haver uma excessiva exploração de lugares-comuns de "anarco-glamour" mas uma leitura mais atenta revelará mais inteligência do que a visão superficial. Esperando por mais volumes até 2012?

_Nesta edição do SPX assisti, de certa forma, a saída do armário da bd sueca alternativa... enquanto os finlandeses há anos que traduzem as suas bd's para terem feedback internacional, os idiotas dos suecos sempre tiveram fechados no casulo editando livros na língua que nem os ABBA usavam para ganhar o Eurovisão. Resultado, tirando o Max Andersson e o Lars Sjunnesson (este último participou no Mutate & Survive), que vivem em Berlim, e o Gunnar Lundkvist e Joakim Pirinen (editado em Portugal pela Azul BD3), todos eles da "velha guarda" nada mais se conhece da bd sueca. Aliás, as minhas duas visitas ao país - e à SPX - não se traduziram em regressos com malas cheias de novas bd's, livros e zines... justamente o oposto do que aconteceu quando vou ao festival de bd de Helsinquía.
Saiu a antologia From the shadow of the northern lights : an anthology of Swedish alternative comics : vol. 1 (Galago; 2008), uma antologia em inglês (yeah!) que terá distribuição pela norte-americana Top Shelf. Podemos chegar à conclusão do que se passa por lá: há a "velha guarda" (já referida) mais gráfica e experimental, depois há a autobiografia chata dos anos 90 - daquela que ninguém têm nada para contar ou que saiba contar de forma interessante, havendo montes de históras sobre homossexualidade (um sucesso no mercado da bd, creio) - e por fim, o regresso do grafismo e bizarria bruta com nomes novos como Marcus Ivarsson, Marcus Nyblom (autor da capa), Knut Larsson e Kolbeinn Karlsson. Apesar das lamechices de alguns autores, vale a pena ler estas 200 páginas a preto e branco.

_E é este último grupo de autores referidos que faço um destaque porque como já escrevi, raramente há razões para comprar edições suecas por causa dos grafismos pobres e pela barreira da linguagem. As excepções são as seguintes: o livro Skissbok (Kartago; 2007) do Marcus Nyblom e os zines de Kolbeinn Karlsson: Benny Bjorn will never return e Rules of animation (com Hanna Petersson; 2007) e Harvar Vilda Vastern (2007?).
No primeiro caso coloca-se a questão se "skissbok" poderá mesmo significar "livro de esboços"... apesar da estrutura do livro apontar para isso porque os trabalhos publicados não parecem ter ligação aparente. Ora são desenhos soltos, alguns sim com aspecto de "esboço", ora são bd's mudas e insólitas como "Alice no País das Maravilhas". São as bd's que têm um ar mais esboço porque o estilo gráfico que Nyblom usa é "realista" e "certinho" bem longe das suas ilustrações que têm aquele aspecto derretido e degradado de quem está em sintonia com a ilustração deste milénio - embora as raízes deste tipo de desenho e imaginário estejam na Raw e no Fort Thunder, dos anos 80 e 90 respectivamente. É um livro "fifty/fifty".

Quanto a Kolbeinn (várias vezes pensei que ele chamava-se Cobain como o vocalista dos Nirvana ou Kobaïan, a língua inventada pelos prog-rockers franceses Magma) também está em sintonia com o tempo: degradação material e moral, fascínio pelo Pop (o Benny Bjorn para quem ainda não está bem a ver, é um dos tipos dos ABBA), monstros peludos e outras criaturas de série B. Zines fotocopiados em formato A5 com capas a cores, os dois primeiros são de ilustração em parceria com uma tal Hanna Petersson em que as autorias não são identificadas (embora as suspeitas sobre a autoria dos desenhos de Kolbeinn recaiam para os que têm mais texturas); o último é o único de bd - que está também publicada na antologia From the Shadow (...) - com uma estória violenta homoerótica do oeste norte-americano - acho.

_Por fim, material dos inteligentes finlandeses - é a segunda vez que fico com a sensação que a Suécia, ou pelo menos Estocolmo é dominada por campónios e novos-ricos.
Novidade absoluta: Supernormal (Daada; 2008) de Marko Turunen, um dos muitos autores de bd peculiares da Finlândia e também dono da editora Daada. Não é novidade mas é importante na mesma para qualquer português ignorante da cena bedéfila da Fenoscândia: Mystic sessions Vol.I (auto-edição; 2006) de Pauliina Mäkelä.
No primeiro caso são reedições de bd's de zines antigos ou ainda algumas bd's fora do padrão do universo do autor - que nos visitou no Salão Lisboa 2005. Aqui vamos encontrar bd's parvas de super-heróis criadas pelo Turunen de 1984 (de 11 anos) e redesenhadas pelo Turunen de 1998 (de 25 anos) que dão um sentimento estranho para qualquer apreciador de "nerd culture", há fotonovelas nervosas das aventuras do Sr. Pinguim (um boneco azul feito por Turunen) a interagir com patos e com um cão (hilariante!), algumas bd's "minimalistas" de coelhos ninjas ou de contos tradicionais sobre ursos broncos,... enfim, mais de 400 páginas A6 de Arte e pura diversão.
O segundo caso é um livro agrafado A3 de 16 páginas a preto e branco que foi criado pelos - e serve para quem quiser ilustrar - distúrbios e desvaneios psico-acústicos de projectos musicais como sunn0))), Earth, Burzum, Wolf Eyes, Melvins entre outros "dronemeisters".
Existe uma narração feita de imagens de uma figura feminina (uma menina) a tocar um tambor intercaladas com outras imagens de dimensões bizarras e psicadélicas, daquelas que podiámos chamar de "zona negativa" ou algo assim - quem leu os desvaneios de um tal de Kirby sabe do que falo.
Cada batida, um novo universo?

aviso: irá demorar a colocação destes artigos na nossa loja virtual, por isso quem quiser entretanto comprar poderá fazê-lo pedindo pelo e-mail ccc@chilicomcarne.com. cada número da C'est bon custa 15€ e cada volume de Piracy is Liberation custa 10€ (c/ desconto de 20% aos sócios da CCC)