terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Meter uma lança em África

Sektor 304 : Soul Cleasing (Malignant; 2009)

2009 pode ter sido um ano em que a música que consumi for quase exclusivamente nacional - o que não quer dizer que foi propriamente mau - mas o mais engraçado foi graças ao projecto semi-falhado Destruição ter descoberto o Rudolfo e o André Coelho, gajos do Porto que desenham pra caramba e que têm pancada para música extrema, em quer as músicas e desenhos (e bd's já agora!) que executam são caricaturais (no primeiro caso) e negras no segundo caso.
Para quem não percebeu, a metade dos Sektor 304 é o Coelho, que entretanto participou no MASSIVE e que assina a capa deste álbum de estreia (no sentido clássico, uma vez que houve CD-R's anteriores) editado pela norte-americana Malignant, perita em Darkismos neo-industriais. E é o que temos na mão, um disco brutal de Industrial "à antiga", para quem gosta dos primeiros dois discos de SPK, ou seja, temos aqui muito Noise misturado com batidas tribais (africanas? influência dos desenhos da embalagem dos disco?) feitas de instrumentos de restos urbanos o que os coloca fora da estática sonora e física "zero" do digital - embora também usem material digital nas músicas.
Sente-se o poder do "berbequim e da placa de zinco" num contínuo apocalíptico que só peca por não ter outras abordagens para além da revisão mítica das bandas seminais do género. O que não é necessáriamente verdade quando escutamos a faixa The Beast em que entra Hhy e dá uma nova dimensão (Dub) à coisa, lembrando os caminhos de Scorn. Lição aprendida, ela terá efeitos na última faixa do disco (Final Transmission) e também no futuro do grupo. Até lá é um grande disco de Industrial, de meter inveja a muitos meninos que andam por aí...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Le French touch braiquecoeur


Um livro ou um disco? Um zine ou um CD-R? São as dúvidas quando se pega em Bloodjob - grande título! - (Le Dernier Cri, 2008) de Vida Loco. Mesmo com o autolante na capa do livro a dizer que há um CD dentro é quase impossível não ficar a dúvida de quem acompanha quem... Já agora a "banda" do Vida Loco são os The Asthma Beat Clinic e o álbum intitula-se Please, girls, save the world (Byteburger; 2004?). Os resultados quer da música são os mesmos - estranho, não é? Mas é verdade, quer a música quer as imagens têm o mesmo ponto de partida, ou seja, retalhos de cyber-vintage, pornografia, cultura Pop, excertos de cultura infantil e Noise, tudo cozinhado em "cut'n'paste" chegando ao mesmo ponto de chegada: cacofonia e agressão dos sentidos como se o mundo tivesse explodido e algum Deus tarado tivesse voltado a colá-lo com uma lógica nada fácil de julgar... De repente fica-se a pensar se o mundo realmente já não acabou...

Sobre o Purée Noire #11 (Purée Noire, 200_) não há muito mais a acrescentar ao que já foi escrito anteriormente. O que se pode escrever o que tem este zine de menos em comparação ao número anterior e o posterior : tem menos páginas, menos bd, menos leitura - é assumidamente graphzine - e o CD-R que o acompanha (ou é o zine que o acompanha?) é menos barulhento com as participações de La Confederation du Bricolage (Post-Noise-Rock), Lilea Narrative (Electro Hip Hop), Princesse Rotative (Breakcore), Swinging Skeletor (Hip Hop / Breakbeat), Rimaki (Darktronics), Gherrak (Glitch Prog) e Elvis vs my Computer (experimental).

estes zines podem ser pedidos à Chili Com Carne (descontos de 20% para sócios)

domingo, 17 de janeiro de 2010

The Split of Duos


The Sound of Typewriters / Lobster (Rock it / Sleep City; 2009)


Um single, dois lados, uma banda instrumental para cada lado. O Som da Máquina de Escrever (baixo e bateria) em estado de melancolia plana com um tique nervoso algures, os Lagostas (guitarra e bateria) voltam à vida num loop de maniaco-depressivo, começa agressivo entra quase em "drone-calmaria" para voltar à mesma agressividade. É um exercício curioso e uma boa faixa, faz render o vinil cor-de-rosa choque.

à venda na Chili Com Carne tal como o álbum de estreia dos Lobster (descontos para sócios CCC)

sábado, 16 de janeiro de 2010

E o MASSIVE saiu...

prá semana começamos a promovê-lo, a enviar exemplares aos participantes que não apareceram no lançamento e tudo o mais que um novo livro obriga!

Fósforo aceso...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Enciclopédia de esqueletos



Chegou à Chili Com Carne os números 8 e 9 da Encyclopedia de Bongoût, intituladas de Skull Skool, Royal! (Ago'08) e Im Dunklen Wald (Set'08) ambos do desenhador Antoine Bernhart. Hum... não perceberam a importância da coisa, pois não?
Para começar a Bongout é um casal que trabalha em serigrafia e grafismo, tendo aberto uma galeria de arte em Berlim. A Encyclopedia de Bongoût é sempre uma boa/ bela edição, e por fim o francês Antoine Bernhart é uma referência na ilustração francesa e mundial. Nos finais dos anos 70 entre França e Londres fez muita capa e cartaz para bandas Psychobilly - como os famosos Meteors - tal mostra o primeiro livro que reproduz centenas de esboços de Elvis, Betty Page, Cramps e outros Rockers geralmente em estado de decomposição e de caveira descoberta. Encontra-se também algumas cenas de Bondage e Fetiche bem como ainda reproduções pequeninas de capas de discos e cartazes de concertos de bandas como Nine Inch Nails, Unsane, Dwarfes, Melvins... Convencidos a importância do autor?
Seguindo em frente, o segundo título reproduz as suas ilustrações / pinturas mais recentes, desde que foi para o Japão nos anos 90 estando em contacto com a cena Bondage do clube Kinbiken -, clube esse que lhe foi apresentado nada mais nada menos pelo mestre do Japanoise Masami Akita (Merzbow). Esses trabalhos são teatros de situações de tortura, S/M e insanidade psico-sexual em que a violência representa-se em pícaros infernais. As personagens tem expressões tão alienadas psicológicamente que nos dão a entender que estão encenar situações dantescas. Estas imagens imprimem-nos mistérios... curiosos agora?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O último fósforo em Lisboa

Lisboa recebe da Letónia O Último Fósforo (The Last Match), uma exposição de ilustração e banda desenhada de 200 autores de todo o mundo e que cabe em sete caixas de fósforos! Como disse? Mas está tudo doido?

Não propriamente! A crise, a famosa crise, fez e continua a fazer estragos, e por isso a revista Kuš! e o Latvian Center for Contemporary Art, entre 12 e 19 de Setembro, em Riga, criaram no âmbito do projecto Survival Kit, a maior pequena exposição de ilustração e banda desenhada com participantes de toda a parte do mundo – de Hong Kong à Finlândia, de Portugal aos EUA, do Líbano à Estónia – e que cabe em sete caixas de fósforos. Com nomes conhecidos como os do polémico Mike Diana, passando pelos famosos Jeffrey Brown, Roberta Gregory e Tom Gauld ou ainda pelo reconhecido japonês Daisuke Ichiba, a Associação Chili Com Carne tinha de trazer esta mostra para Lisboa!!!
E é o que acontece entre 16 de Janeiro e 8 de Fevereiro no novo espaço de Arte Urbana lisboeta, a Artside, que inaugura as suas paredes com 200 fósforos a segurarem 200 trabalhos minúsculos e minuciosos com um porto de honra às 16h30, gentilmente cedido pela Embaixada da Letónia, sendo o evento aberto com a presença do Sr. Embaixador Artis Bertulis.
E no meio deste frenesim visual ainda aproveitamos para lançar a antologia MASSIVE, que reúne ilustração de vários autores espalhados pela Europa e Américas, muitos deles coincidentes na exposição como Ilan Manouach ou André Lemos. São cerca de 100 páginas em papéis coloridos editados pela Chili Com Carne em colaboração com o colectivo Hülülülü. Espera-se a presença de todos os autores nacionais que participaram nesta orgia de desenho.

Por aqui não há crise criativa, obrigado!

Participam na exposição os seguintes autores (em “bold” os mais conhecidos pelo público português): Afra Katastrofa (CH), Aistė Mo (LT), Aivars Baranovs (LV), Aleksandar Zograf (SRB), Alex Baladi (CH), Allison Cole (USA), Amanda Vähämäki (FI), Ana Albero (D), André Lemos (P), Andrej Štular (SI), Andy Leuenberger (CH), Anete Melece (LV), Anna Anjos (BR), Anna Maria Łuczak (PL), Anna Sailamaa (FI), Ben Katchor (USA), Brecht Vandenbroucke (B), Chihoi (HK), Dace Sietiņa (LV), Daisuke Ichiba (J), Daniel Cantrell (UK), Daniela Witzel (D), David Collier (CA), David Sandlin (UK), diceindustries (D), Dunja Janković (HR), Edda Strobl (A), Eikantas (LT), Emelie Östergren (S), Ernests Kļaviņš (LV), Fahad Faizal (IND), Fede Pazos (AR), Filipe Abranches (P), Frau Franz (D), Gabriella Giandelli (I), Gatis Šļūka (LV), Gašper Rus (SI), Geneviève Castrée (CA), Giacomo Nanni (I), Gorand (MK), Gustė Poc (LT), HAZ (E), Helmut Kaplan (A), Henriette Vogtherr (D), Hironori Kikuchi (J), Ilan Katin (USA/H), Ilan Manouach (GR), Ines Christine Geißer (D), Ingrīda Pičukāne (LV), Isabel Seliger (D), Itzik Rennert (IL), Jan Solheim (DK), Janek Koza (PL), Jari Vaara (FI), Jeffrey Brown (USA), João Chambel (P), Jochen Schievink (D), Jorge Perez-Ruibal (PE), Juanita (D), Jucifer (P), Juhyun Choi (ROK), Kai Pfeiffer (D), Kaja Avberšek (SI), Kaspars Groševs (LV), Katja Tukiainen (FIN), Kavi (LV), König Lü. Q. (CH), Keisei Kanamachi (J), Kerascoët (F), Klungel (NL), Knut Larsson (S), Kolbeinn Karlsson (S), Lai Tat Tat Wing (HK), Laura Jurt (CH), Laura Kenins (CA), Laurent Cilluffo (F), Léo Quiévreux (F), Liesbeth De Stercke (B), Lilli Carré (USA), Lisa Röper (D), Lorcan White (ZA), Lovatto (BR), Luis Henriques (P), Luka (LT), Līga Koklače (LV), Maija Kurševa (LV), Maija Līduma (LV), Malin Biller (S), Marcos Farrajota (P), Margarida Borges (P), Mark Newgarden (USA), Marko Turunen (FIN), Markus Häfliger (CH), Martin Ernstsen (N), Massimo Milano (CH), Matey Lavrencic (SI), Matthew Thurber (USA), Matti Hagelberg (FIN), Max Andersson (S), Michael Jordan (D), Michael Meier (D), Mike Diana (USA), Milorad Krstić (H), Milva Stutz (CH), Minoru Sugiyama (J), Miriam Katin (USA), Māris Bišofs (LV), Mārtiņš Zutis (LV), Nick Abadzis (UK), Nicolas Mahler (A), Nicolas Robel (CH), Nicolene Louw (ZA), Olegti (RUS), Olislaeger (B), Olive Booger (F), Oskars Pavlovskis (LV), Paul Paetzel (D), Peggy Adam (F), Rajiv Eipe (IND), Reinis Pētersons (LV), Remo Keller (CH), Ricardo Martins (P), Rita Fürstenau (D), Roberta Gregory (USA), Rokudai Tanaka (J), Roman Maeder (CH), Roni Fahima (IL), Ruedi Schorno (CH), Rui Tenreiro (MOC), Rutu Modan (IL), Rūta Briede (LV), Sara Varon (USA), Sekhar Mukherjee (IND), Sergio Ponchione (I), Shaun Tan (AUS), Shintaro Kago (J), Shinya Komatsu (J), Silvia Rodrigues (P), Takeshi Tadatsu (J), TeER (D), Tetsu Kayama (J), The Stamm (D), Tiemo Wydler (CH), Till D. Thomas (D), Till Hafenbrak (D), Tinet Elmgren (S), Tom Gauld (UK), Ulli Lust (A), Vladan Nikolić (SRB), Yoshi (LT/UK) e Zeina Abirached (RL).

E ainda: Aleks Deurloo (NL), Boris Peeters (NL), Christian G. Marra (I), Fermín Solís (E), Gregor Hinz (D), Irkus M. Zeberio (E), Jeroen Funke (NL), Kriebaum (A), Matt Broersma (USA), Oskars Weilands (LV), Pascal Girard (CA), Polina Petrouchina (RUS), Sam Peeters (NL) e Sunaina Coelho (I).

...

imagens das participações portuguesas:



Artside, Art Gallery / Urban Art Shop
Rua São João da Mata Nr. 53
Santos-o-Velho
1200-846 Lisboa
Horário: 2ª/6ª das 14h às 20h, Sáb das 14h às 18h

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Os Fósforos foram montados e haverá novidades!!!

depois de chegarem a Lisboa, os "fósforos" começaram a ser montados criando uma verdadeira piromania na Artside - ao ponto de comprarem outros fósforos não sabemos ainda bem porquê...

a montagem que aconteceu hoje correu bem, a exposição está muito bem organizada - a ordem dos desenhos, a identificação de cada autor, etc...
Na realidade não foi preciso nada deste material mas impressiona numa foto, certo? Depois de dia 8 de Fevereiro, a exposição irá para a Aústria, Alemanha e outras partes do mundo - sim, Lisboa é a primeira a recebê-la! - sendo que irá com mais trabalhos portugueses: Pedro Zamith, João Maio Pinto, Kastro, Charles Sang Noir, Meireles de Pinho, Lucas Almeida,...
Apareçam no Sábado para a inauguração!!!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Como é possível?

v/a : Metropolis Club 79-89 (Chaosphere + Metropolis Club + Raging Planet; 2009)

Porque odeio tantos os 80's? Simples... porque há 30 anos que oiço os 80's e parece que ninguém tem juízo para achar que em qualquer discoteca ou festa ainda há razões para ouvir a pior música dessa década. Se soubesse nunca tinha começado as Xungas Partys quando os meus pais deixavam-me em casa nos meados dos anos 90. Por alguma razão absurda - e esta colectânea colabora nisso - instituiu-se que os 80's não foram uma década rica em sons. Que não houve grandes evoluções no Punk, no Dub, no Metal (Slayer? por favor!!!), Hip Hop, Industrial (ninguém conhece Foetus?), Indie... Ou seja, querem uma visão limitada de que nesses tempos só houve Pop Xunga (Kim Wilde, Europe, etc...) ou Rock Dark (Cult, Sisters of Mercy, etc...).
Se o projecto até tem a sua piada ao pedirem a bandas nacionais para versionarem o que quiserem do período de 1979 a 1989, a verdade é que fica tudo a fazer a versão tró-ló-ró que nada acrescenta (CineMuerte, Mofo, Secrecy, Tarantula) ou a versão javardada óbvia (Twenty Inch Burial acelera bem o rabo e as mamas à Samantha Fox!), começando pelos Moonspell que dão um tiro nos pés ao fazerem de Love Will Tear Us Apart (Joy Division) - música que já mete nojo porque até nos supermercados Continente se ouve - uma versão tão asquerosa que parece um ensaio de uma banda de liceu. E quando disse começando, é porque o CD abre com os Moonspell... depois disso é o bordel cheio de gonorréia de mediocridade e putedo "kitsch" do pior.
Safam-se os Darks, curiosamente... Os [f.e.v.e.r.] com uma complexa versão de Cure, os góticos Phantom Vision repescam Lene Lovich (quem? exacto! seja quem for não é óbvio e a versão é solida!), N3xu5 que reduz os Sisters of Mercy a Techno Gó-Gó (é nestas alturas que é verdadeira a afirmação: "mais vale ser estúpido do que não ter tomates") e La Chanson Noire que transforma Hollow Hills (Bauhaus) num piano mais voz a caminho do cabaret - interessante, resta saber o que poderá reservar mais esta "Canção Negra" de futuro...
Com este disco é de chegar à conclusão que pior que a "música dos anos 80" só mesmo a da década passada porque apresenta-se sem imaginação, cheia de tiques e profissionalismos que só a levarão ao grandioso buraco do esquecimento. Um buraco imundo e profundo tão funcional como da mesma forma que nos impingem que os 80's foram os Frankie Goes to Hollywood*!
Por fim, resta dizer que o grafismo do CD está ao nível do "Fido Dido Apresenta Mega Remixes'97". Estamos mesmo na discoteca da província portanto...

*Por acaso um versão Doom do Power of Love feita por uns Desire teria ficado giro mas enfim...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Os fósforos já chegaram a Lisboa


E muito bem recebidos com cházinho e biscoitos na Embaixada da Letónia. A exposição O Último Fósforo, a inaugurar prá semana afinal cabe em 8 caixas de fósforos (porque anda a crescer!) e inclui os fósforos! É uma pequena loucura a exposição! Vai ser divertida montá-la de certeza...