quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

lusos

aqui falámos da exposição Cent pour cent no Museu de BD de Angoulême, só faltava mostrar algumas fotos da participação portuguesa que contava com António Jorge Gonçalves (num registo igual à sua contribuição no MASSIVE), Filipe Abranches e Luís Henriques.

A prancha escolhida pelo Abranches, é uma da série/ personagem Adèle Blanc-Sec, criada pelo francês Tardi.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

cristãos

Ao contrário do que contece sempre que venho de um festival, desta vez quase não trouxe nenhuma música de "Angoulême". Nem sei bem porquê, acho que não encontrei ou não tive tempo para isso. A única aquisição foi um split-single dos franceses The Last Rapes of Mr. Teach com os ingleses Sex Beet.



Trata-se do Christmas split (PRT Disques; 2009) e admito que comprei pela embalagem super-panilas (pelas fotos já percebram onde isto vai, certo?) porque não seria pelo género Garage Punk. Não são maus de todo e o engraçado (depois da piadinha 'nilas da embalagem) é que os lados dos vinil branco não tem impresso os nomes das bandas, o que obriga a descobrir quem é que está a tocar através das letras o que dá um "suícidio" para os Last Rapes e uma "trip" prós Sex Beet. A edição é a cargo de um colectivo (ou dupla) de desenhadores PRT que nem prestei muita atenção aos seus zines tal é o "information overload" que o festival transmite - como alías dá para perceber por estes "posts". Seja como for não me parece que os desenhos dos tipos tenham muito haver com a música... Bof!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

cossacos

A Rússia foi o país convidado deste ano no Festival de Angoulême e como acontece acontece com os "países-convidados" vai para o simpático Museu do Papel - como já aconteceu a Portugal em 1998 com a exposição Perdidos no Oceano. Quem organizou a exposição foram os mesmo do Festival Boom, em S. Peterburgo e que lançaram um livro em francês intitulado Nés en URSS (Boomkniga; 2010) que compila as novas vozes da bd russa - ou as únicas vozes sendo que o Grande Urso é nulo em qualquer tradição desta arte narrativa.
Ainda assim em cerca de 10 autores, a média é interessante sendo Vicoria Lomasko & Anton Nikolaïev e Polina Petrouchina os autores mais maduros graficamente e seguros para contarem boas estórias, os outros autores estão demasiados próximos da ilustração para a infância. Nota ainda para Edik Katikhin que usa bonecos em volume feitos em plasticina para contar situações sexuais bastante brejeiras mas ainda assim... ehm... divertidas... Parecem fotogramas de cinema de animação. É bem capaz que numa cena tão embrionária que os "moldes" venham de outras áreas que não a bd. De realçar que esta é a "cena de S.Peterburgo" que é mais artística comparando com a "cena de Moscovo" que é marcadamente comercial, como constastámos há alguns anos ao concerto um russo do Goa Transe que gritava e bebia muito (no Chat Noir) acompanhado por uma bruta-russa e um catálogo de um concurso de bd em Moscovo onde se encontra uns 200 autores russos na onda "acção-aventura-super-herói-bonecada" de assustar qualquer desenhador comercial na Aldeia Global. Неизвестно, что теперь будет.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

casacos


Acabaram-se os livros que trouxemos do Festival de Angoulême ficam os últimos comentários às exposições e os "restos" de fotografias, a começar pela foto de turista de três Chilis que foram ao maior evento de bd (pelo menos na Europa): João Maio Pinto, Ricardo Martins e Marcos Farrajota. A outra é do stand dos italianos The Passenger Press que bem representou a MMMNNNRRRG e o MASSIVE na recta final.

Estas fotografias são no novo Museu da Banda Desenhada, novo equipamento em Angoulême que por sua vez faz parte do novo conceito que engloba toda a cidade que é a Cidade Internacional da BD, que inclui a Escola de BD, a Casa dos Autores, a Bedeteca e o Museu.
Ao contrário da tradição francesa de lixar as exposições de bd com cenografias rídiculas, pesadas e muita das vezes "kitsch", o Museu mostra a bd como "Arte pela Arte", num ambiente "clean" e sóbrio. A exposição permanente é uma viagem à História da BD com originais do século XIX aos dias de hoje. Os franceses amam a bd? Sem menor sombra de dúvida!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

calças

No Museu da BD de Angoulême (num futuro "post" será melhor descrito) encontrámos a exposição "Cent pour Cent" que assenta numa selecção de 700 pranchas de bd do espólio do Museu em que depois foi pedido a 100 autores internacionais para fazerem a sua homenagem a essas pranchas "patrimoniais" de bd. Foi lá que encontramos Igor Hofbauer (autor de Prison Stories) a homenagear os Estrunfes - ou nem por isso...


E por falar na Croácia, encontramos algumas novidades, um novo volume da antolgia Komikaze (2009), que mantêm a fórmula "antologia de bd tipo Mutate & Survive", ou seja uma compilação de cerca de 150 páginas a preto e branco com autores dos Balcãs e outros fora como o japonês Norihiro Sekitani (que fez a capa e uma bd) ou o (único) português Rui Vitorino Santos. Grafismos agressivos com uma tradução das bd's sérvio-croatas num suplemento. Mais surpreendente é Firma : livro de esboços 2004 - 2009 (Firma + Kik Melone + Turbo Comix; 2010) é uma edição limitada de 666 exemplares tripartida entre editores de Portugal, Croácia e França, em que cada projecto fica com uma capa diferente. O autor é o Hofbauer e os desenhos (muito bons e sem mais comentários parciais) são esboços de cartazes para bandas (Ratos de Porão, Liars, Mogwai, Shellac), para clubes (como o Menza), bd's (Prison Stories), capas de livros, etc... assim mesmo sem ordem impressos em cadernos alguns a preto e branco, outros a duas cores e outros a quatro cores. Já temos um exemplar da versão portuguesa para venda. Brevemente serão pedidos um lote de exemplares - para sabermos quantos vamos pedir, façam reservas via e-mail: ccc@chilicomcarne.com

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

chapéu

Voltando às peças de roupa - sim estes "posts" não são peças jornalísticas! - sobre Angoulême deste ano... A CCC sem mesa este ano esteve (mal) representada na do zine inglês Last Hours por manifesta falta de espaço porque ela estava dividida com outros zines ingleses, na desesperada tentativa de recuperar o barco alternativo do continente - desse bando só ficámos com o contacto de um tal Jimi Gherkin que organiza as "feiras laicas" daquelas bandas. 
Com as pressas todas nem vimos bem o que se passava naquela mesa mas viemos com as duas grandes bombas (cof-cof) da Ilha: Diary of a Miscreant – A Morgenmuffel zine anthology de Isy Morgenmuffel e a antologia Excessive Force – Police everywhere, justice nowhere, ambas do ano passado. A primeira também é uma antologia mas de várias bd's da mesma autora, a Isy, filha de pais alemães e sul-coreanos e que muito nova tornou-se uma activista anarca em Inglaterra, onde criou entre várias outros projectos cooperativistas a casa social Cowley Club - que inclui uma fanzinoteca. Desde 1997 que edita zines, sendo esta compilação o "best of" dessa actividade autodidacta. Graficamente sendo um desenho naíf, Isy acaba por ter bastante piada porque consegue aliar a funcionalidade do desenho próximo de um certo grafismo insular britânico. Olhar para os seus desenhos passa-nos uma forte tradição realista britânica de ilustração, que pelos vistos tanto pode (por tradição) servir para ilustrar aventuras de escuteiros como (neste caso) mostrar as (des)aventuras de manifestantes contra a G8. Narrativamente Isy é confusa, tradicional e pouco dinâmica mas a leitura deste volume torna-se agradável porque documenta um estilo de vida diferente - realmente alternativo - e oposto à máquina capitalista. E seria injusto não dizer que não se aprende nada aqui, um exemplo simples: um carrinho das compras do super-mercado serve para muitas coisas como para crianças brincarem às corridas, para transporte de calhaus e barricadas rápidas contra a Polícia... o que nos leva para o próximo livro, editado por Edd Baldry - que também organiza o London Zine Symposium.
A segunda antologia junta várias bd's sobre a Polícia, alguns relatos biográficos outros de pura ficção de autores (e autoras) vindos da Inglaterra, EUA, Canadá, Suécia, Brasil e França. Só relatando os trabalhos dos autores que conheço há logo uma riqueza de propostas para um tema que poderia ser chato: Mathias Elftorp expõe uma situação de violência, Eric Bräun (Mutate & Survive) desenvolve tiras humorísticas envolta do tema usando as suas personagens habituais, Nevada Hill ácido-biografia e Chico Fêlix (Seitan Seitan Scum) entra no non-sense político. Mas são os contos ingleses os mais duros e puros mesmo que graficamente sejam os mais débeis pois os relatos são de pessoas que já foram humilhadas, agredidas e perseguidas por polícias. Destaques para as bd's de Baldry bastante inspirada (talvez porque seja o instigador do tema?) e ainda Ken Dahl, cujo pragmatismo norte-americano do seu texto impressiona - o será o pragmatismo do regime policial que nos impressiona?
A edição é complementada com textos interessantes sobre o tema da repressão policial e uma cronologia dos seus abusos na ilha da Suja Majestade. Os lucros desta antologia vão para organizações/ observatórios contra abusos de autoridade: FITwatch e LDMG.
Resta dizer que "apesar" dos livros seram "punks" as edições são muito cuidadas, aquela ilha pode estar toda minada de repressão moral e física mas se há uma coisa que os ingleses sempre souberam fazer é bom Design para discos e livros!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

soutien

Quando esteve cá no Salão Lisboa 2005, Pakino Bolino (o mentor do Le Dernier Cri) jurava que não voltaria ao Festival de Angoulême. Foi com surpresa que a dada altura, através do finlandês Tommi Musturi, soube que ele ia ficar com o LDC, uma vez que também ele tinha perdido mesa no espaço "Novos Mundos".
Bom... o Pakito não brinca, voltou sim senhor, mas fazendo um "off" ao festival - aliás, um "fuck-off" à Angou-Merde. Algo que o festival perdeu nos últimos anos e que realmente é essêncial ao mongolismo comercial do evento. Num bar caquético no centro residencial da cidade, o Minage, montou o que era preciso montar: cartazes em serigrafia por todo o lado, recebeu também as produções do Mike Goes West, as edições finlandesas e ainda o MASSIVE - curiosamente um dos desenhos do "Fuck-Off" é do Tommi Musturi e está no MASSIVE. Houve concertos marados, copos que acabaram (os velhotes do bar não deviam estar à espera disto) e um verdadeiro ponto de encontro da cena alternativa internacional. Imagens da cena toda aqui.
Entretanto saiu o novo Hôpital Brut, um monstro de 7k de serigrafia num conjunto de três livros (mais um cartaz) e inclui colaborações de meio-mundo que é visionário-bruto como os portugueses André Lemos e Miguel Carneiro. Ainda temos muitos e bons livros LDC na nossa "shop". Allez!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

capacete


São 1200 km de Lx a Angou... Nos últimos anos vários autores e elementos da CCC
têm alugado um carro para poder levar os livros à vontade, sem os constrangimentos dos pesos dos aviões e esforço físico - os livros podem ser amigos mas dão cabo das costas!
Mesmo sem stand decidimos ir mais um ano ao Festival e deixamos livros nossos aqui e acolá. no caso da MMMNNNRRRG (atenção ao blogue em preparação) ficou muito bem com os camaradas italianos Passenger Press. Alguma relação com a canção do Iggy Pop? Não sabemos... nem a versão dos Siouxie & the Banshees tínhamos - em compensação tínhamos os Puppetmastaz a bombar!



Bom... voltando ao The Passenger, o segundo número (o terceiro porque fizeram o "clássico" número zero) saiu o ano passado e é dedicado ao Cinema em que o editor Christian G. Marra conseguiu juntar realizadores de culto como Bruce LaBruce (também conhecido por ter instigado a cena zine e musical Queercore nos EUA) ou Lloyd Kaufman (das produções Troma!) com autores de bd como Ralph Niese e o "nosso" Pepedelrey... os resultados variam. Outra publicação que gostariamos de divulgar é a colecção Passenger Cahier, caderno de esboços em que o segundo volume (2009) dedicado ao venezuelano Alexis Ziritt é um virtuoso nos temas "Lucha libre", zombies e outros clichés da série B. Bons desenhos e excelente produção gráfica do caderno (impresso em papel amarelo e arrendondado nas pontas). No fundo a Passenger segue a mesma lógica da sueca C'est Bon, ou seja "nós seremos o próximo mainstream", seja lá o que isso quer dizer... edições da Passenger Press são distribuídos em Portugal pela El Pep

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

cachecol

Como sempre nas tendas do Festival de Angoulême, no Sábado, é impossível andar e ver as coisas com olhos de se ver. Até na tenda "Novos Mundos", onde se encontram as editoras alternativas e zines, a maré de gente é brutal. Houve umas trocas com o colectivo italiano Canicola. E as vendas deles deveriam estar a correr bem porque só conseguimos trazer um exemplar do último número (#8) da revista homónima, que para além dos seus habituais colaboradores neste número participam vários autores do extremo Oriente como Chihoi (Hong Kong) ou Yuichi Yokoyama (Japão)... Ainda não lê-mos para comentar mas talvez nem seja necessário tal a qualidade que esta revista já nos habituou.



Mas trouxemos monografias editadas pelo grupo, e justamente um livro de Chihoi, Il treno (2008) adapta um conto de Hung Hung e ainda Sabato Tregua (2009) de Andrea Bruno. Livros de bd que parecem equidistantes, o de Chihoi é um livro A5 de traço minimalista feito a carvão, o de Andrea é um grandioso A3 com os ambientes sobrecarregados de tinta negra decadente mas não, ambos inserem-se numa corrente de "pós-realismo" (existe tal termo?) que a bd começou a escavar neste milénio. Esta corrente onde sobretudo encontramos autores italianos da Canicola e alguns finlandeses e alemães, sintetiza o surrealismo da "escrita automática" dos anos 60 (protagonizada pelas drogas tomadas por Robert Crumb e Moebius, passe a ironia) e a crueza da autobiografia popularizada nos anos 90. São estórias passadas em cenários bizarros e anacrónicos - no sentido de serem quase parábolas - onde o que para nós é estranho, nesse universo é normal. A estória deixa-se de se centrar na exploração das características desse universo e busca os dramas de foro pessoal. Seja as personagens burgueses de Chihoi que vivem em comboios alucinantes, seja na miséria urbana dos deliquentes de Bruno, o ponto comum é a riqueza humana das personagens, das suas angústias e falhas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

cuecas

Vamos começar neste blogue a descarrega de material e memórias de Angoulême... não serão muitos "posts" porque este ano não fizemos muitas compras ou trocas porque a organização perdeu o nosso formulário para termos uma mesa no evento. Assim sendo fomos mais como "turistas" e aproveitamos mais para ver as "coisas" - até porque fez sempre "bom tempo" excepto no Domingo de manhã que nevou um bocadinho (imagem). E a propósito disso aproveitamos para divulgar o material nórdico, finlandês e sueco. Bom, para dizer a verdade também eles andavam sem stand por isso trouxemos quase nada.

Da Finlândia querida, trouxemos apenas 25 pósteres do Caminhando Com Samuel e vários exemplares do último Kuti (o número 14, ver aqui) que serão oferecidos na compra de qualquer edição em que participe autores finlandeses à venda na "shop" da CCC - e já que o Pakito Bolino e a Emelie Östergren participam neste psico-jornal então também esta oferta alarga-se para os livros do Le Dernier Cri e para Evil Dress. Aproveitem que não são assim muitos exemplares que temos, e como temos a mania de oferecer coisas por tudo e por nada...



Da Suécia, os últimos dois números (de 2009) da revista C'est Bon Anthology, que mantêm a sua qualidade de sempre, quer nas colaborações das bd's quer dos textos - no #8 é transcrito a enorme intervenção do Mike Diana no último SPX de Estocolmo sobre o seu caso judicial. A revista só varia em autores mais conservadores e outros mais experimentais, daqui destacamos Allan Haverholm no #9 - e que inclui uma entrevista - e cuja bd é um verdadeiro vendaval de ritmo e euforia jazzistica! Cada número custa 10,50€ (20% desconto para sócios CCC)


Saídos da revista/ colectivo C'est Bon, Mattias Elftorp e Susanne Johansson, fundaram um novo projecto editorial, Wormgod, onde saiu o novo volume (o sétimo) da série "cyberpunk" Piracy is Liberation de Elftorp, e que entra num novo ciclo da estória. Para além disso ainda lançaram uma colecção de zines intitulado Dystopia em colaboração com a Sociedade Sueca de BD. Trouxemos os primeiros dois números que inclui um "split" da inglesa Carol Swain (já editada em Portugal nos anos 90 pela Azul BD3) e o esloveno/ americano Danijel Zezelj (o trabalho dele já foi exposto em Portugal na Honey Talks) que ambos num ambiente de Ficção Científica levam a sério o "tema-título" da colecção. Já o segundo número a cargo do lituano Artùras Rozkovas é mais difícil situá-lo em bd (parece antes uma galeria de desenhos) ou distopia (existe narrativa?) tal é o Freak Dreaming que apresenta. Lembra Teresa Câmara Pestana mas mais tribal e onírico. De todos, o mais interessante. Piracy custa 10€ e os Dystopias 4€ cada (20% desconto para sócios CCC)