terça-feira, 15 de março de 2011

Restos mortais do livro "Boring Europa" (lançamento dia 27)

é Oficial e Finalmente!
vai ser lançado o livro Boring Europa, resultado dos "diários de viagem" dos participantes da Tour europeia da Chili Com Carne realizada em Setembro do ano passado. o lançamento está previsto em duas datas (não conseguimos deixar o jargão roqueiro on the the road!), uma em Lisboa e outra no Porto.
Em Lisboa será na MapDesign, nova galeria de Arte Urbana, dia 27 de Março, às 17h com a presença de autores da Chili Com Carne, boa música e copos. este lançamento insere-se no âmbito da exposição de diários gráficos Os Desenhos e as Suas Viagens (com Eduardo Salavisa entre outros) que estará patente na galeria entre 17 e 31 de Março.
No Porto, será lançado no dia 2 de Abril na Feira do Jeco que está inserida nas comemorações dos 10 anos do espaço Maus Hábitos.
ambas iniciativas terão a presença do infame CABAZ UNDERGROUND (na realidade um tupperware) cheio de recuerdos da tour que será oferecido com vendas de rifas! Para breve informações sobre este "cabaz".
Pimba!
...
deixamos algumas imagens que não entraram no livro. esboços de Marcos Farrajota e Ana Ribeiro, um gozo do esloveno Jakob Klemencic, uma ilustração da alemã Karolina Pyrcik (sobre as drogas que não se devem comprar na baixa lisboeta) e umas fotos de uma casa abandonada em Pancevo com desenhos de pessoal da cena da bd sérvia - aliás, a ideia que o livro iria ter uma secção "street art" das cidades que passamos foi abandonada assim que o livro começou a engrossar... bem, depois vocês poderão ver prá semana!



ah! e este será o primeiro volume de uma nova colecção de livros de viagens da CCC. a colecção chama-se LowCCCost e a próxima pagagem é Guiné e Senegal!

terça-feira, 8 de março de 2011

Anacrónico internacional para contemporâneo português


Lost Gorbachevs : Rolling Stones Live Tape (Murder+ Degradagem; 2010)
Tiago Sousa & João Correia : Insónia (Humming Conch; 2009)


Dois projectos equidistantes no ruído. Do Porto faz-se barulho do bom, e os Lost Gorbachevs é mais um caso em que o Grind e o Free Jazz juntam-se como se alguma vez tivessem sido coisas diferentes. É uma gravação ao vivo, a 19 de Janeiro 2009 no Porto Rio, em que os temas Cadáver Canibal, Cona Anal ou Morte por Napalm não deixam dúvidas a quem se dedicam. Só é pena que a gravação da k7 (sim foi editada em k7!) seja uma merda, e que o lado A esteja ainda mais mal gravado que o Lado B. Em suma não se percebe um caralho e fico a pensar porque raios um gajo quer isto!? Se era pela piada de cada lado ter 6'66" de tempo mais valia editar em single em vinil. Esta edição é uma ofensa para a k7, sem dúvida o meio de reprodução de áudio mais fixe e plástico até hoje inventado (Fuck CD-Rs! Fuck mp3s!)... E claro também é cuspir nesta boa música e nesta banda que inclui pessoal dos lendários Genocide - bem como o omnipresente e hiperactivo Gustavo Costa.
Em Lisboa, o pessoal é mesmo calmo... calmo demais que até custa ouvir o disco de Tiago Sousa (mentor da extinta netlabel Merzbau) que ao piano prega-nos uma seca tal... É injusto, a culpa não é dele, nós é que temos na vida rotineira e apressada da cidade uma aptidão cada vez mais reduzida para o "minimalismo" ou para o "acústico"... Só pedimos mais e mais barulho e mais e mais batidas para conseguir anular o vazio da vida urbana e para conseguirmos abafar os outros barulhos que nos agridem. Não admira que o Noise tenha sido tão "popular" nos últimos anos. Como anular o Techno nojento a bombar do vizinho de cima? Com mais barulho... com um Merzbow, por exemplo. Não conseguimos parar (em qualquer sentido) para ouvir isto com a atenção que merece e escrevemos estas barbaridades.
Graças ao fim-de-semana prolongado houve vida para ouvir as peças delicadas do disco - já agora editado num simples LP com uma capa ilustrada de Pedro Lourenço. Nada mais calmo e oposto aos Lost Gorbachevs portanto, em que se vai descobrindo partículas sonoras pelo espaço da (nossa) casa - a escolha do vinil não será inteiramente inocente, em CD / digital, de certeza que o piano de Sousa iria soar plano e sem alma. Eis um caso que o casamento do conteúdo com a forma (editorial) é feliz que se aconselha. Curiosamente as notas de gravação do disco falam que foi feita num pequeno quarto no Barreiro, estamos perante uma "capicua musical"? Em que o som do criador nessa intimidade caseira na impossibilidade de ser assitida publicamante regressa aos ouvintes também nesse abrigo chamado casa? Interessante...

Obrigado ao Rudolfo que me arranjou a k7, e ao Tiago pela troca de disco por livro...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Dossiê 2010 : Fanzines

Não sei se o sítio www.bedeteca.com terá futuro, para já é verdade que o habitual Dossiê anual do Estado na Nação da BD Portuguesa nem está funcionar mais... Como a papa já estava feita, vêm para aqui a publicação deste "relatório" sobre os Fanzines de BD de 2010. Podem (re)ler este outro texto que repete algumas coisas e acrescenta outras.

Talvez já tenha mostrado o optimismo no blogue da Chili Com Carne, numa onda de “Mensagem do Presidente para 2011”. Aqui a análise é retroactiva, menos ampla, mais focada e isenta mas os sintomas de optimismo sentem-se – por ter sido escrita pela mesma pessoa, claro está. Aliás, é preciso mesmo olhar para o passado, neste acaso, em 12 meses para perceber que aconteceu muita coisa, tanta que a cabeça ficou tão cheia e insensível que se esqueceu da actividade dinâmica. Foi bom rever o que aconteceu em 2010 ao fazer a pesquisa para este Dossiê.

Com a decadência das grandes estruturas comerciais e institucionais são os “pequenos” que suportam e criam novas estruturas. Este ano faço questão até de fazer uma listagem em vertical para mostrar a força da coisa.

Lista a) Começamos pelo básico! Continuaram a editar:
- Reject’zine (de Andreia Rechena)
- Opuntia Books
- Imprensa Canalha
- Gambuzine
- MMMNNNRRRG
- Associação Chili Com Carne
- El Pep
- Zona BD
- Le Sketch
- Plana Press
- Boletim CPBD
- Kingpin Books
- É Fartar Vilanagem! (de Alexandre Esgaio)
- autora Jucifer (Techno Allah)
- Pedranocharco
- Venham +5
- Toupeira Comix
- colecção Filme da minha vida
- autor Rudolfo (vários títulos)
- Tertúlia BD’zine
- Cleópatra (De Tiago Baptista)
- Znok (de Filipe Duarte)

Lista b) Regressaram:
- Polvo
- Kzine

Lista c) Agora sim, o importante (já explico). Apareceram novos projectos:
- Yoshi, o puto dragão (edição de autor e reedição profissional pela Raging Planet)
- Apupópapa
- Soft Porn Coloring Book
- B74
- Thou the Latrina spoken
- Sou daquelas (de Sílvia Rodrigues)
- Fígado da República (de José Smith)
- dois zines de David Campos
- dois zines de João Ortega
- Intro Espectro (de Tiago Araújo)

A Lista a) mostra uma continuidade de trabalho que insinua uma “profissionalização” dos projectos como é o caso da MMMNNNRRRG, El Pep, Zona BD, Plana Press e Kingpin Books – esta última nitidamente é uma casa comercial que coloca problemas em estar aqui a ser metida mas tendo em conta a pequena expressão no mercado faz sentido estar aqui.
No meio da lista a biblio-biodiversidade domina em objectos e objectivos: do carácter mais coleccionista do Boletim CPBD ao lúdico Le Sketch, do fetichismo dos Opuntias Books à necessidade de exteriorização artística de Andreia Rechena, do conteúdo programático da colecção Filme da minha vida (da Associação Ao Norte) ao institucional de Venham +5 (editado pela Bedeteca de Beja)... Há de tudo para todos neste universo de edição independente em que misturo aqui fanzines, zines, livros de autor, livros impressos em tipografia ou em digital, colecções organizadas, números únicos, etc… Ao acrescentarmos os debutantes da Lista c) ficamos ainda mais ricos: zine/CD contra o Papa, Manga Cosplay-Metal, pornografia para colorir ou bds de continuação a seguir (mesmo!) com atenção.
Duas notas para a lista b) a Polvo que em tempos foi uma editora “média” (para a “média portuguesa”) e detentora de um catálogo histórico, inclui-se nesta análise porque suspeito que o capital da empresa, as tiragens dos livros e a sua projecção comercial está reduzida actualmente a quase qualquer outra iniciativa privada de “edição independente”. O Kzine é um fanzine dedicado à Manga (bd japonesa comercial).
Como repararam a Lista c) além de aplicar novidades em termos de conteúdo também mostra pujança em quantidade, isto se comparamos em relação com os últimos anos – a queixa mais bem registada está no Dossiê de 2007.
Durante os últimos anos, os zines em papel desapareceram gradualmente – ou melhor perderam a força ou foram substituídos pela febre “graphzine”. Em 2010 num “zeitgeist” qualquer apareceram não só novos títulos e novos autores, em que modéstia à parte, deve-se juntar o esforço da antologia Destruição (Chili Com Carne) que reuniu 15 novos talentos da bd portuguesa. Esta lufada de ar fresco há muita que era esperada dada ao fim do ciclo produtivo da geração dos anos 90. A questão que se colocava era se a bd de autor tinha desaparecido de completo? Que não havia novas pessoas a criarem bd de autor?
Talvez até tenha acontecido isso mas estão aqui as novas raízes que esperamos ver florescer em 2011 e para a frente. Quem sabe talvez do panorama desolador dos últimos anos venha a dar frutos como aconteceu há 20 anos atrás quando só havia Meribérica-Liber, Jim Del Monaco e o Clube Português de BD.

Internacional:
+ do mesmo, isto é a Aldeia Global já é uma Cidade em que não estranha os estrangeiros que entram nos seus terrenos… Miguel Carneiro e Marco Mendes publicados na revista eslovena Stripburger (Mendes duas vezes!), André Lemos no Lazer Art’zine (Bélgica), no ZI-NE (Roménia), na antologia Gazeta (EUA) e provavelmente em muitos mais sítios mas que não conseguimos seguir todos; José Feitor, Marcos Farrajota, Pedro Zamith e Pepedelrey no calendário brasileiro Pindura 2011, vários autores da Chili Com Carne no zine espanhol Combate (Ediciones Valientes), Teresa Câmara Pestana na La Bouche du Monde (França) e ainda um livro de autor de Marta Monteiro pela Café Royal (Inglaterra). Também houve presenças em festivais internacionais como o Crack (Itália) e Alt Com (Suécia), para além de participação de André Lemos nas exposições “Leaf and Signal” e “Not Tex Not Mex #1” (ambas nos EUA). Seis criativos da Chili Com Carne fizeram uma “tour” pela Europa fora, iniciativa inédita que passou por Espanha, Itália, Eslovénia, Sérvia, Áustria, Alemanha e França. Estas “férias peculiares” irão gerar um livro de viagens até agora no prelo.
Mais autores estrangeiros das veias alternativas que visitaram Portugal: o esloveno Jakob Klemencic no Festival de BD de Beja com o projecto europeu Greetings from Cartoonia, o croata Igor Hofbauer para duas exposições de sucesso em Lisboa e Beja, o texano Nevada Hill para a Feira Laica de Verão, e o sueco Mattias Elftorp, o francês Albert Foolmoon e o espanhol Martin Lopez Lam na Feira Laica de Natal. E claro, ainda tivemos um ícone da bd alternativa, a Dame Darcy que passou por Beja e por várias datas nortenhas.

“Profissional”
Apareceram duas novas associações, a Oficina do Cego dedicada à arte de bem imprimir – tendo já lançado dois números do jornal homónimo – e a Tentáculo que se dedica à publicação da antologia Zona BD. São obviamente associações sem fins lucrativos mas que dão um cunho mais profissional e de continuidade a projectos de edição. São mesmo bem-vindas!
A MMMNNNRRRG comemorou 10 anos, uma longevidade a respeitar para o tipo de material que edita e pelo ódio que lhe é alvo pelos agentes da “cena”. Talvez por isso tenha ido para o Porto lançar o Pénis Assassino, trabalho Janus feito em 2001 mas que só em 2010 alguém teve os “tomates” para o editar. Aliás, para uma editora odiada até houve “amor” logo no início do ano quando lhe foi atribuído o Prémio Titan para o livro Já não há maçãs no Paraíso (2007) de Max Tilmann (Tiago Manuel).
A Chili Com Carne e a El Pep ganharam um prémio em Itália para melhor fanzine (3º prémio) com o Seitan Seitan Scum (Mesinha de Cabeceira #22) no evento Slow Comics. Só o Festival da Amadora é que o fenómeno da edição independente é que lhe passa ao lado, não admira que este ano tenha estado às moscas…

Exposições
Em compensação, apesar da filosofia “easy come, easy go” que afecta as galerias / lojas / espaços lisboetas, as exposições “O Último Fósforo” (colectiva internacional vinda da Estónia), Mike Diana (recriação da exposição de 2008) e Igor Hofbauer (cartazes) na Artside estiveram cheias. A galeria de artes urbanas já fechou entretanto… Ao contrário das galerias portuenses Dama Aflita (ilustração) e Mundo Fantasma (bd) que são estáveis e mantêm uma programação exemplar. Que durem todos os anos que quiserem! Voltando a Lisboa. Porque sou lisboeta e tenho sempre Esperança que esta cidade melhore, as lojas de música Matéria Prima e Trem Azul deram o ano passado os primeiros passos no sentido de terem patentes exposição gráficas nas suas instalações. Se fosse cristão até acendia duas velinhas…

Extras
Na falta de espaços para divulgação da edição independente, a Associação Chili com Carne promoveu várias sessões sobre o assunto na Casa da Achada. O PEQUENO é bom! tratou de lançamentos, discussões sobre zines, música e animação DIY. Acabou o verão e teve se retirar, talvez volte em 2011.
Nem tudo o que vem da ‘net é mau – pelo menos ao que diz respeito à bd – como se provou este ano quando Simples Alquimia entrou em linha em http://spiraltap.net/simplesalquimia, aplicando as teorias que Scott McCloud apresentou em Reinventing Comics (2000) sobre a expansão da forma narrativa da bd pelo espaço infinito das páginas Web. Demorou 10 anos até alguém fazer a coisa com o deve ser. Parabéns ao Diogo Barros.

É caso para escrever com orgulho e expectativa o clássico “(continua…)”.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CCC not Tex not Mex Shows (2) Bruno Borges

second Chili Com Carne show in Texas, this time with Bruno Borges

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Inverter a cruz invertida! (Cristianismo 2 - Paganismo 0)



B Fachada : Há festa na Moradia (Mbari; 2010)
Tiago Lacrau : O Inverno Desinspirado do Rapaz do Sul do Céu (Um Disco Pronto e Sincero; 2011)

Não importa se és marxista ou de Marte, se és Punk ou Designer... é preciso ter pica e não ter medo de arriscar para fazer "coisas". Eis dois exemplos de pessoas que não conseguem estar quietas, dividindo um historial mais ou menos comum estão agora em pontos equidistantes.
Ambos fizeram parte da euforia FlorCaveira e na descoberta mediática e pública dos “cantautores” dos últimos anos. B Fachada começou pela estrutura FlorCaveira, não era cristão, era aliás o "primeiro pagão" nas fileiras da editora / colectivo. Fazia parte da estratégia da FlorCaveira em apostar na linha do "cantautorismo" abandonando lentamente os projectos Punk e Grindcore do passado. "B" fez/faz furor e há muito que edita por outros lados. As suas letras de puto blasé e a voz de sub-Zappa meio canino irritam pessoas sábias como eu. Tiago Lacrau (ou Guillul ou Cavaco) foi a peça principal da FlorCaveira e da incontornável popularidade destes "cantautorismos", tendo desenterrado criaturas como o Jorge Cruz, aproximado este tipo de artistas à estrutura para dar força a um movimento que conseguiu temporariamente expurgar-nos a lembrança de atentados nacionais como David Fonseca ou Old Jerusalem. Para além de militante e activista, mostrou ser um exímio produtor “lo-fi”, alguém com uma natural apetência para gravar Pop seja no quarto seja num estúdio luxuoso. Admite que não tem perfil para ser artista Pop, desistiu o ano passado de dar concertos e até da FlorCaveira que criou e desenvolveu.
O "Pagão B" quer viver da música e vive para ela, editando e dando concertos com regularidade. O "Protestante T" tem mais que fazer do que lidar com o mundo parvo da "indústria da música Pop" mas também vive de forma epidérmica para a música, tanto que dogmaticamente o seu “panque” e o seu cristianismo (que se intersectam ou se completam mesmo que sejam ideologicamente opostos) não o deixam ficar pelas regras do jogo instituído. “T” precisa de fazer coisas sempre com novas regras - as suas regras - e isso é que faz dele um artista, mesmo que nos arrepie o seu relacionamento espiritual com o cristianismo. Um artista concretiza a sua visão sobre o mundo, mesmo que tenha de pagar por essas escolhas, podendo ter como consequências o vedamento da difusão da obra, irritações no seio da comunidade, constrangimentos económicos, etc...
"B" e "T" tem usado as potencialidades de misturar música realmente tocada (por instrumentos e voz) com “loops” / “samplers” sacados aqui e acolá, e estes dois discos são novos frutos dessas explorações. No caso do "B" ainda não percebi o que se passa, são várias pessoas a acharem este disco um dos mais importantes da MMP dos últimos anos (?!). Se for então também pode levar o título da Pior Capa de Sempre bem como a pior "Font" Possível de Escolher. Eu que adoro vinis de 10" tenho vergonha de ter este disco na minha colecção - mantenho-o por respeito ao Camarada Fom-Fom que me o ofereceu no Natal. Porque raios gastaram tanto dinheiro num objecto tão feio? E depois o som está todo lixado, juro que pela primeira vez que acho que a versão digital de uma música é melhor que em vinil. Também não percebo porque nos vários sites se fala em "música de intervenção" de "B". Que eu saiba na minha terra, "crítica de costumes" não é "música de intervenção", e é isso que "B" sabe fazer (e bem): crítica de costumes tal como toda a Pop portuguesa está bem recheada disso (António Variações, G.N.R. ou Repórter Estrábico, para dar os melhores exemplos). O "Loop Pop" de "B" tem interesse, é um bocado repetitivo mas bem seleccionado o rapinanço sonoro. É também uma boa forma de sair do saco do "cantautorismo" que já ninguém aguenta.
"T" seja Guillul seja Lacrau já andava a fazer umas brincadeiras giras com "loops" de músicas evangélicas mas agora foi “samplar” o «satanismo soft-teen» dos Slayer!!! Isto poderá ser um choque para quem o vê como um Pastor Pop catita e esqueceu-se dos seus momentos agressivos de Borboletas Borbulhas, verdadeiro Hardcore de Jesus! Para fãs do “cultural jamming” (aqui invertido) há muito que esperava este regresso paradoxal de cristandade com xungaria metaleira, criando mais um exótico produto cultural. “T” decidiu deixar a promissora carreira de Estrela Pop para voltar com um CD-R em verdadeiro espírito DIY, com aquele prazer de fazer as coisas com as mãos e com o coração virado para o mundo: gravação caseira, sem masterização (acho bem, masterização é para pussies!), 333 exemplares de CD-R's gravados e numerados, capa em fotocópia a preto e branco,... como um verdadeiro punk ou metaleiro dos anos 90! Samplou um álbum inteiro dos seminais Slayer, South of Heaven (Def Jam; 1988), recriando-o faixa a faixa com novas adendas cristãs porque ele não percebe porque os Satânicos têm direito a melhor música que os Cristãos – a resposta é simples mas pelos visto “T” não sabe. O disco é um álbum conceptual em que emerge um enorme Sermão Pop-Metal desvairado. No futuro (ou agora no presente) ainda vão perguntar se estamos perante um génio ou um doido varrido! “T” até pode pregar o Nazismo que eu nem quero saber, qualquer gajo que consegue misturar Slayer com Raul Indipwo merece "respect bro!" - ainda o convido para pôr música numa sessão de unDJ MMMNNNRRRG!
"T" pode pregar as suas ofensas ao Grande Bode e os seus seguidores, que nós o perdoamos pela forma baralhada como o artista se encontra! Há uma percentagem de gajos assim, são poucos mesmo quando se chamam Horde, que pensam que estão a usar o Metal para converter os ímpios. Mas estes valiosos guerreiros de Cristo já estão perdidos nas garras manhosas e musicais de Lúcifer - Diabolus in musica. Tal como o disco de “B” este disco de “T” é um disco falhado mas por outras razões, tenta ser programático («este disco não é sobre música mas sobre o evangelho») mas o humor vai aparecendo e subvertendo o disco como um Eminem – e claro, Satananás ri-se lá nas adegas do Inferno! Humor é inteligência, inteligência é a luz de Lúcifer, será que o “T” agora percebe porque a música “satânica” é melhor? Baralhado com esse humor / inteligência / luz ainda goza na última faixa com a treta da cena Mod lisboeta – o que é uma cereja no topo deste bolo oferecido aos amigos do artista no passado Dia de S. Valetim. Assim sim, vale a pena ter amigos artistas!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Scorpio voting


A capa desenhada por João Maio Pinto para Scorpio Rising - livro escrito por Ondina Pires - esteve a votação popular nos Prémios de Edição LER / Booktailors 2010 na categoria de Prémio de Melhor Ilustração Original (capa) e... ganhou!
Esta votação tem influência em cerca de 20% sobre a decisão final do Júri. Teme-se o pior...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mini filme sobre o SPCC (okupa em lisboa entretanto demolida)

Acts change facts - Ten days at SPCC from Brussels_commons on Vimeo.



durante poucos meses o SPCC/A Casa Amarela foi ponto de encontro de pessoas de todo o mundo, escondido algures numa zona rica Lisboa. um dos visitantes fez um mini documentário sobre o que se passou por lá. é interessante especialmente para quem não conheceu o espaço enquanto esteve vivo e apenas o viu já decadente, quando fomos celebrar a demolição. ficam os testemunhos. o filme é (CC) e o autor fornece o vídeo em maior qualidade a quem quiser editar/adulterar/remisturar.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dada dada dada


A Daada Books é a "label" do finlandês Marko Turunen, inicialmente criada para publicar trabalhos seus, tendo pouco a pouco investido em outros autores como Katja Tukiainen ou os alemães Anke Feuchtenberger e Martin tom Dieck.
Em 2009, Turunen desistiu na sua editora, em parte desiludido com as vendas fracas destes autores fortes mas "difíceis". Tanto que o terceiro volume da série Ufoja Lahdessa já era publicado por outra editora. Passado um ano, a Daada volta e regressa aos trabalhos de Turunen com dois volumes de Der Round e o quarto volume de Ufoja (no prelo). Der Round são livrinhos A6 que dão a entender duas continuações do trabalho de Turunen, por um lado a exploração autobiográfica e iconoclasta que nos habituou com as desaventuras de "Alien" (seu alter-ego), só que desta vez Turunen usa "Der Round", o polícia do futuro que parece saído das bd's de Kevin O'Neill; por outro, explora bd's parvitas com animais ou seres antropomorfizados em situações mundanas, ou seja, temas que também já explorou no passado e que poderão ser vistos na antologia Supernormal. Nada de novo excepto pelo facto que o trabalho continua a ser único e atraente.
Entretanto o regresso da Daada também significa a publicação de trabalhos de alunos de Turunen. São livrinhos de putos com pouco mais de 20 anos cheios de vícios da idade: Manga, humor, animalitos e afins... Tudo muito verde e com pouco sumo, excepto Slaagi de Mikko Luostarinen, verdadeira ofensa visual e mental que parece um mau-híbrido entre o Mike Diana (o naíf, a violência) e Tommi Musturi (o virtuosimo, o psicadelismo). É uma antologia de trabalhos em que a melhor estória passa-se quando um grupo de skinheads ao cair num vórtice espacio-temporal vão parar algures a África subsariana...




Apesar do interesse muito relativo destes livros, são sobretudo uma forma simpática de publicar novos autores e de os lançar à praça pública. Seria bom ver o mesmo a acontecer com os alunos dos cursos de bd em Portugal, ao menos saberiamos que existem autores a sairem desses sítios... mas se calhar não existem autores novos nesses cursos. A sensação que tenho, especialmente depois de sair o Destruição é que na bd portuguesa não serve de nada haver cursos de bd, os autores continuam a construir-se nas margens do(s) sistema(s). Se a bd é marginal em relação às outras artes, é curioso reparar que é nessa mesma marginalidade que reside a sua maior força criativa. O que aliás, não é novidade nenhuma, são sempre nas margens que se encontram as obras interessantes e originais - seja na música, seja no cinema, etc... porque razão haveria de ser diferente na bd?

estes títulos podem ser adquiridos através do e-mail ccc@chilicomcarne.com - desconto de 20% para sócios da CCC.

ccc@rescaldo.2011


fotos de Nuno Martins + fotos de unDJ MMMNNNRRRG aqui

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Brasil X

Gefangene / Sem Saída
Koostella
(Zarabatana; 2010)

Este álbum a cores compila 31 bd's - algumas são de uma página só, as maiores de 4 páginas - em que o tema comum é a prisão, ou as prisões metafóricas da vida. Feitas num estilo alegre, sem palavras, num desenho simples e claro, estas bd's mantêm a tradição brasileira do Humor, com mais cinismo e crueldade que o habitual, ou pelo menos com uma crítica social e poliítica mais evidente em que podemos colocar numa linha que vem de Willem chegando a Ivan Brun. As cores e o movimento lembram Nik Neves, também ele brasileiro e actualmente a morar na Europa, tal como Kostella.

Este álbum custa 15 eur (20% desconto para sócios CCC), encomenda via ccc@chilicomcarne.com. Aproveitamos para anunciar que temos mais exemplares do excelente Vida Boa do grande Zimbres!