sábado, 23 de julho de 2011

segunda F.E.I.A.



23 Julho ::: Segunda F.E.I.A. @ Hey Joe
15H_20H-FEIRA DE EDIÇÃO INDEPENDENTE E DE AUTOR
21H concerto LIKE SWALLOWS
23H- unDJ_mmmnnnrrrg
autores e editores confirmados_ Chili Com Carne, Paracetamol, Propaganda13, MMMNNNRRRG, Aliböbö
(Zé Burnay/ Sónia Margarido/ Mike Miguel), Maria João Pinheiro, João Rodrigues, Fritz, Mike Goes West,...

sábado, 16 de julho de 2011

Pixel Parts 000001

Afonso Ferreira
edição de autor; 2011

Nas últimas edições da Feira Laica tem surgido uma série de novos autores, criadores e editores que mostra que este importante evento (inter)nacional de edição independente não é sempre de / para os mesmos - creio, que nunca surgiu esta crítica em lado nenhum mas é fácil para quem faz parte da organização sentir alguma repetição de modelos, participantes, etc... - mas dizia, nestas últimas duas edições têm-se mostrado uma nova geração de criadores que óbviamente usam "velhas" formas de edição: zines, livros de autor, serigrafia, etc... como também há os espertinhos que fazem coisas novas.
Neste caso, o espertinho Afonso Ferreira fez uma coisinha pequena, um livrinho (?) feito de várias folhas de acetato ligadas com uma molda de roupa high-tech de forma que o "leitor" possa fazer junções de partes da cabeça de um boneco. Pode-se juntar a caveira com a cabeleira + óculos, ou o cérebro com os músculos faciais, ou ainda juntar tudo. Os desenhos são pixelizados lembrando os velhos computadores. É uma "coisa" (haverá nome para este tipo de livros?) que se compra sem pensar duas vezes, um miminho! Assim vale a pena fazer/ ir à Laica!
à venda na CCC aqui.

fala o martelo

quinta-feira, 14 de julho de 2011

MÁ ONDA E SUJIDADE #5

No contexto de algumas novas editoras de noise vindas da Suécia, surge a Jartecknet, que edita exclusivamente cassetes e que vem revelado, com particular consistência e bom gosto, uma série de projectos recentes, a imensa maioria provenientes do seu país de origem (a excepção à regra até à data é "The Vanity Set", dos dinamarqueses com ligações à Posh Isolation, Damien Dubrovnik)

Originária de Gotemburgo, é conduzida por Viktor Ottosson (Street Drinkers / Attestupa) que é também metade da editora de vinil Nattamaran que partilha com Dan Johansson (Sewer Election / White / Dog Holocaust / Heinz Hopf, entre outros) que depois da lendária Harsh Head Rituals, aponta agora energias (ao nível da edição) para a Ljud & Bild Produktion.

A Jartecknet é maioritariamente focada em projectos novos ou mais obscuros mesmo no contexto em questão, não especialmente ruidosos mas carregando uma particular atmosfera de doença e negrume, encarnando direcções novas (e mais interessantes?) no seguimento do que, de alguma forma, se iniciou com um Sewer Election pós-"The Killing Sessions".

Agora que a editora / espaço Utmarken encerra após 3 anos (para a despedida há um lançamento que reúne alguns dos mais activos intervenientes da Gotenburgo contemporânea do ruído) será curioso entender como irá evoluir a cena local a partir da ausência deste pólo aglutinador.

Pela Menstrual Recordings temos "SPLAT-TV", uma reedição particularmente relevante para compreender e reavaliar a cena italiana do death industrial / post mortem iniciada nos anos 90 e que se tornou vestigial depois do vazio deixado pela morte de Marco Corbelli (Atrax Morgue / Slaughter Productions)

O lançamento em questão reune os vídeos , a maioria dos quais editados originalmente em quantidades incrivelmente reduzidas, do projecto de Moreno Daldosso, Murder Corporation, provavelmente o único em Itália a conseguir perpetuar o legado sanguinário dos Mauthausen Orchestra no seu pico - entenda-se, a fase de 1982 a 1986.

Como documento histórico, e para os seguidores obsessivos da ultra-violência italiana, é incontornável. Como objecto "fílmico", tem evidentemente os seus momentos altos e baixos, a realçar pela positiva "Nacht und Nebel" e "Criminal Inside", e a apontar como algo menores, a maioria dos vídeos do final da década.
Nada de novo quanto ao imaginário e às fórmulas exploradas, como seria de esperar, mas dificilmente igualável em termos de intensidade e desconforto, mesmo que algo datado por vezes. Como bónus, mesmo para quem já pudesse ter visto alguns dos vídeos na sua versão original, temos um inédito, "Des Morts" de Mortar, um projecto paralelo, menos explosivo mas nem por isso menos visceral, e que é provavelmente a mais perfeita tradução visual do que é o post mortem industrial.

Lançado em duas versões, uma em DVD-R, e uma outra edição especial em VHS e com uma cassete áudio que contém a banda sonora completa.

A par da Corpse Without Soul, e de bandas como Horrid Cross e Divisions (que teve também recentemente editado um belíssimo documento final) , Evan Dawson edita ainda a zine Irradiated Corpse, transversal em termos de género - do black metal ao noise, percorrendo os despojos entre ambos - e de estética cuidada, na continuidade do que tem feito com as suas edições musicais. As entrevistas revelam conhecimento aprofundado das bandas sobre as quais se focam e muitas vezes apontam para reflexões pertinentes relativas às possibilidades da criação e edição subterrânea nos dias de hoje, e as críticas são especialmente interessantes, pelo seu desapego a certas fórmulas recorrentes, na escrita e na análise. É ainda um documento visual que acompanha de forma exemplar o trabalho já realizado com os artworks na editora e alguns cartazes para concertos.

A antecipar com particular expectativa o terceiro número desta publicação, assim como os primeiros lançamentos em vinil, que serão editados em parceria com a Fallow Field (editora de Jason Wood - Order of Nine Angels / Grinning Death´s Head) surgida depois da Satan´s Din, aquela que foi sem dúvida uma das melhores editoras de HNW, e que deixou um legado exemplar durante a sua curta existência.

Mais um foco de interesse no black metal contemporâneo, e mais uma vez, navegando e operando por coordenadas limítrofes.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Publish or Perish


La Escena Alternativa : Actas de los Encuentros Internacionales de Editores Independientes, Punta Umbría, Huelva 1994/1999, v/a (Ayuntamiento de Punta Umbría; 2000) ; Soopa, v/a (Soopa; 2011)
Dois livros bastante diferentes tendo apenas em ponto de comum a vontade de registrar as suas actividades. No primeiro caso é um apanhado de apresentações ao longo dos primeiros 5 anos de actividades da Edita, encontro internacional de editores independentes cuja edição deste ano a Chili Com Carne e a MMMNNNRRRG estiveram presentes. Os textos são de vários editores participantes, alguns mais intelectuais outros mais rebarbados mas juntos conseguem transmitir várias mensagens úteis sobre edição independente - apesar destes editores e os próprios encontros estarem "dominados" por editores de Poesia. Mas os dados são comuns, seja para interessados em edições gráficas ou literárias, sejam de Espanha ou de Portugal. Desde que passamos a ser "europeus" de primeira (ultrapassados as décadas dos fascismos) a literatura (ou a edição) passou a ser um mercado como outro produto qualquer, onde "best-sellers" ofuscam as obras realmente importantes, onde a imprensa cultural serve de cão-de-guarda para grupos empresariais, etc... A resistência à estupidez e continuação de uma biblio-diversidade passa por editores independentes que por razões anti-económicas aplicam o seu capital e tempo para mostrar que nem tudo o que se publica é vazio e bem-comportado com o sistema capitalista. Neste livro encontra-se inspiração para continuar a fazer-se livros diferentes mesmo que ninguém queira saber deles.
Apesar de ninguém querer saber deles, aliás, precisamente por ninguém querer saber da Soopa, importante comunidade musical do Porto e Além-Mar, que provavelmente decidiram fazer um livro sobre as suas actividades. Um livro-objecto, luxuoso e bonito, em que textos, fotos e fotomontagens vão juntando um complicado puzzle de actividades, projectos e eventos que vão do Porto a Berlim, de Nova Iorque a Bragança, do electro-acústico ao Metal, do Dub ao Voodoo, da música de câmara à fanfarra de rua, do José Cid ao Carlos Zíngaro, do Sputnik aos túneis subterrâneos de Arca d'Água. O livro dá uma direcção para quem se desorienta nas pistas que esta comunidade têm largado por aí. Já o DVD / filme que acompanha o livro infelizmente de pouco serve. Não têm o mesmo élan do livro, não consegue ser um documentário nem um "objecto" artístico. Talvez falte um "argumento", não necessariamente numa linha narrativa mas algo que lhe desse um propósito estético ou uma mensagem concreta. Apesar disso, este é um dos livros mais bonitos feitos sobre música em Portugal. Fará História e irá oferecer muitos sapos a engolir no futuro.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Em Viseu é que se curte esta música!


Foi no Porto mas o fã afoito disse que este som é buéda grande em Viseu! Verdade absoluta ou mentira visionária, o disco anda por aqui!

domingo, 10 de julho de 2011

Just in case you didn't feel like showing up...



disco físico e digital aqui

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Uma Hecatombe!


Ontem "caiu" a primeira exposição vinda da programação da 18ª Feira Laica. Era uma do colectivo suiço Hécatombe que estava patente na Matéria-Prima (do Bairro Alto) que mostrava o seu trabalho relativo a cartazes em serigrafia. Quanto ao trabalho editoral devem lá ter ficado uns quantos exemplares do Un Fanzine Carée que trás consigo várias questões a colocar sobre a produção contemporânea de bd e que poderão ser reflectidas para Portugal.
O projecto deste zine é mutante, começou com um número A (que não vi) e o número B é partido em 4 tomos que sairam durante o ano de 2010, entre Agosto e Dezembro. Nas suas páginas encontramos quatro autores do colectivo, a saber Abstien Gachet, Néoine Pifer, Odo Barrio e Yannis Macchia, em qua cada um faz uma bd de continuação. Esta edição poderá ser aquilo que se chama de "mini-série" na TV ou nos comics norte-americanos...
E que coisa é esta então? É uma revista? um fanzine? Um livro? Pergunta Yannis num editorial ainda agarrado ao anacronismo da palavra "fanzine" enquanto publicação amadora mera idólatra da cultura Pop. É um "zine" claro, estabelece o seu pathos DIY caracteístico pela tiragem reduzida (100 exemplares cada tomo?) impressa em fotocópia (lazer?) e de uma produção manual (capa em serigrafia) mas também porque pratica uma óbvia liberdade artística. Cada autor têm a sua linguagem e o seu universo - a explorar e a partilhar com o público.
Ainda mais importante do que estas questões formais, é o processo que inventaram para fazer 4 "cadernos" com 4 autores. As bds ao serem de continuação - em cada tomo os autores eram obrigados a fazer mais de 10 páginas - tem uma produção destilada "4 por 4". Invés de terem 4 livros de 100 páginas para cada autor que teria de ser feito de rajada, cada livro representa um quarto da obra de cada autor feito em quatro entregas invés de uma. É uma solução interessante sabendo que ao não existir mercado nem força anímica para grandes projectos. A bd de autor seja em Portugal seja na Suiça é feita nos tempos livres porque nunca é paga antecipadamente (sob forma de encomenda, por exemplo) nem com a venda posterior de livros. A solução deste zine ou a da antologia Futuro Primitivo (que parece que ninguém a quer discutir) ou as do passado referidas no editorial do Futuro) ou ainda outras que venhama a surgir são bastante interessantes para os autores com aspirações de publicação porque os poupam de fazer esforços enormes, como ainda poderão ajudar a reinventar a linguagem da própria bd. Mas claro, um colectivo na Suiça é uma realidade que funciona melhor ou pior mas funciona. Em Portugal, um trabalho colectivo é visto meramente como uma troca de camisas suadas... Logo algo a evitar, pelo nosso individualismo ferrenho (é uma péssima metáfora admito) ou pelos simples facto que sabemos que só algumas das camisas é que ficam suadas. Seja como for, à medida que a Crise avança arrastando consigo o "tempo é dinheiro" de cada um de nós, soluções de troca de camisas suadas fazem cada vez fazem mais sentido.
Por fim, destaco o trabalho de Abstien verdadeira nevrose que nos remete para Cronenberg e todo um mal-estar biológico e social. O resto das bds também são para descobrir, ide à Matéria Prima, ide! Senão, há empréstimo à palex na Bedeteca de Lisboa! Merci Hécatombe!

terça-feira, 5 de julho de 2011