quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Co.Mix (relatório 2025 das independências)


Foi bonito de se ver. O governo PSD fez merda com as Bolsas de Criação Literária, nomeadamente com as de BD e Ilustração para a Infância. Ao contrário do que aconteceu quando em o PSD deu cabo delas em 2003, desta vez houve uma reação da parte dos vários agentes da cena. Foi escrita uma carta aberta à Ministra da Cultura com centenas de assinaturas de autores, artistas, editores, formadores, curadores, jornalistas e quejandos, o que nitidamente fez o Governo mudar de atitude, voltando
atrás, remexendo tudo para ficar mais ou menos igual, desorientando as instituições subalternas (DGLAB) e ainda poupou uns cobres - uma vez que as bolsas em 2025 não foram atribuídas devido às referidas trapalhadas. Esta gente da política sabe que a Cultura é importante para o "show off" do capital simbólico, não haja ilusões sobre isso, talvez em 2003 não sabiam disso embora tenha visto uma vez o "Cherne" numa premiere do Manoel de Oliveira no CCB, sabe-se lá porquê... 

Curioso foi quem não assinou a tal carta: Catarina Valente - directora do maior certame de BD no país sendo que maior não quer dizer melhor - e Luís Louro que comemorou 40 anos de carreira, tendo sido este ano galardoado com várias medalhinhas do aparelho - é um autor perfeito para o sistema, especialmente de Direita, que quer espectáculo e inconsciência política. Realço um facto para não diabolizar os direitinhas em exclusivo, afinal a "gerigonça de Esquerda" não mexeu uma palha para que Fernando Relvas não morresse na miséria... 

É claro que o Louro nunca se sujeitou às Bolsas porque exige unhas que ele não tem, tudo bem, desculpa-se o idiotita, agora a Directora da BD Amadora estar ausente só mostra que, ou é uma menina bem comportada ou é ignorante - ou as duas coisas, porque não? Ambas personalidades gostam de se distanciar da maralha, armados em aristocratas da treta e são bons exemplos das contradições da BD portuguesa. Louro vende pouco mais do que qualquer outro autor português de BD (ou até menos se pensarmos que a Chili Com Carne tem reeditado vários títulos nos últimos anos) e a BD Amadora desde a saída de seu director Nelson Dona tem piorado na programação e no relacionamento com os actores da cena da BD. Apesar disso, ambos sabem usar os seus passados históricos para alavancar facilmente os seus nomes neste meio em que falta referência, reflexão e crítica. Ambos estão cada vez mais distantes do que se escreve nos jornais - como foi a capa do Ílpsilon / Público de 26 de Setembro - ou na TV - programa Pessoas que Desenham a Liberdade (RTP 2) de António Jorge Gonçalves que entrevistou vários artistas gráficos como José Feitor, Ana Margarida Matos, Ana Biscaia, João Fazenda, Amanda Baeza,... - ou do que se mostra em eventos como o WC/BD (que acabou este ano), Story Tellers, Flexágono (Festival Fólio, Óbidos) ou a Miragem que foi sem dúvida o evento do ano em relação à BD!

Comecemos por aí, a Miragem foi mais do que um mero mercado de edições independentes - que aliás proliferam pelo país: Autónoma (Almada), FLIFA, Raia, Parangona (Lisboa), Feira da Alegria, Mercado do Contra, Perímetro (Porto), Festival de BD e Fanzines de Alpiarça, Feira do Livro de Arte (Coimbra) e FLOP (Açores). Teve workshops, conversas incisivas (invés das punheteiras que acontecem nos festivais de BD), apresentou espetáculos que misturavam desenho e música - sem ser aquelas xaropadas dos "concertos desenhados" -, e apresentou a exposição Ponto Ponto Ponto que ultrapassava a mera prancha na parede. Durante dois dias de Maio, sob a batuta do colectivo A Goteira, na Biblioteca de Marvila, a civilização reapareceu na BD portuguesa. Uma ilusão, claro, antes e depois, a merda foi omnipresente.

Ainda assim o Festival de Beja recebeu Ana Margarida Matos e Amanda Baeza (finalmente!), a Tinta nos Nervos teve exposições de Miguel Rocha, Diniz Conefrey, Alexandre Piçarra e Beatriz Brajal - estes dois últimos no âmbito dos concursos Toma lá 500 paus e faz uma BD! de 2024 e 2025 respectivamente. A Bedeteca do Porto organizou a colectiva Próximos Capítulos com trabalhos de Carlos Pinheiro, Daniel Silvestre, Marco Mendes, Nuno Sousa e Sofia Neto.

Foi um ano pobre na internacionalização mas Ana Margarida Matos, Hetamoé e Ivo Puiupo participaram na antologia letã š! e Mao fez um mini kuš!. Matos e Bruno Borges participaram na revista eslovena Stripburger - aliás, o Bruno já faz parte da casa! O livro Andrómeda do Zé Burnay teve uma edição em Espanha pela Mondo Cane e o Mangusto de Joana Mosi voltou ao Canadá mas agora em língua inglesa - o livro originalmente apareceu primeiro lá em francês e em 2023. Também as participações em eventos internacionais foram mais reduzidos mas a Chili Com Carne esteve no Crack (salvo seja) em Roma e Viñetas desde o Atlântico n'A Corunha, Francisco Sousa Lobo na Feira do Livro de Leipzig, Burnay no Graf (Barcelona), Gonçalo Duarte, André Pereira e Bia Kosta no Autobán (A Corunha) e Ana Margarida esteve por Bruxelas na BD Comic Strip e na residência do Camões (salvo seja). Pedro Moura também foi ao Texas num projecto universitário com a š!, que ajudou a coordenar.

O contrário também é verdade. Tirando a presença do espanhol Miguel Ángel Martin na LouriBD e do grego-belga Ilan Manouach na Casa do Comum, não houve mais ninguém estrangeiro interessante para nos visitar, a não ser versões baratas da Marjane Satrapi e outros sucedâneos que se publicam neste mercado sem rasgo e amorfo que até já enjoa de tanto livro do Junji Ito. Finalmente publicou-se o Alack Sinner de Muñoz & Sampayo - se ignoramos o jornal Lobo Mau em... 1979 - pela Devir, que reeditou também o Silêncio de Didier Còmes (1942-2013) outra vez a preto e branco e é assim que deve ser impresso! Na colecção 25 Imagens a Levoir e o Público assaltaram à descarada as bolsas dos leitores, apesar dos bons nomes dos participantes: Tardi, Thomas OttNina Bunjevac e Joe Pinelli - lembram-se quando a Polvo era boa em... 2002? Sobra Flash Point de Imai Irata, uma parceria da Chili Com Carne e Sendai, um autor japonês com teor político, como tal, desconhecido e desafiante. Ficámos à espera do HP de Guido Buzzelli (1927-92) com argumento de Alexis Kostandi, pela Escorpião Azul, anunciado em Março mas que só sairá agora em Janeiro de 2026.

Dentro do atrasos na Chili somos culpados de não cumprir as datas redondas, a reedição da comemoração dos dez anos da edição original da Plana Press (e finalmente em português) de Propaganda de Joana Estrela não foi em 2024 mas este ano. Tal como reedição de Mr. Burroughs de David Soares e Pedro Nora não foi feita este ano - para comemorar os 25 anos da edição original da Círculo de Abuso - mas sairá em 2026. A nível de reedições ainda de assinalar a colecção da série Pós-Tugal de Diogo Barros, em formato zine auto-editado - e aproveitando a deixa, houve uma nova página da série n'A Batalha : Jornal de Expressão Anarquista.

Soares regressou com desenhos de Sónia Oliveira com o livro Atrahasis, pela Kingpin,tal como a revista Umbra (OK boomer!), o projecto Magma Bruta com How to kiss a crying man da ex-jugoslava residente no Canadá Andrea Laukic, o "Gato Mariano" aos zines (para comemorar 10 anos de existência), Filipe Felizardo com o Bestiário dos Rios e Sim Mau com o zine Super Mum. Continuou a colecção O Filme da Minha Vida, o jornal Carne Para Canhão, os zines Mesinha de Cabeceira e Olho do Cu e títulos vários de Gonçalo Duarte e Samir Karimo. Começou o zine Enfarta-Brutos sob batuta de Tetrateles. Não sendo BD, é de se referir sempre as gráficas Imprensa Canalha, Noturno Azul e Opuntia Books. Destaques para as edições de autor de Pats - especialmente o título Sortido - e claro o Rei da BD Rudolfo da Silva que fez uma obra-prima intitulada Fusão Dimensional na sua Palpable Press, e que trata da gunaficação da realidade. É o livro do ano!!! É por isso que este "post" abre com a imagem da capa do Fusão, dah!

Giro foi falar com a Pats na Autónoma, em que no seu mini-zine Eye-volution publica uma BD-ensaio sobre o seu estilo gráfico. Estava sem óculos quando estava a comprar o zine e vi algures numa vinheta referências aos grandes monstros da BOA BD: Julie Doucet, Robert Crumb, Lynda Barry, Jim Woodring, e... 

- Espera não estou a ver bem este, quem é este?

- Rory Hayes...

- O quê? [além de começar a ficar pitosga também começo a ficar surdo ou não perceber inglês, cóf cóf cóf]

- Rory Hayes!

- Ah!!!!!! Mas... isto são tudo excelentes referências!! Como conheces esta gente toda? Os teus pais tinham uma boa "bedeteca" em casa?

- Não, descobri na 'net...

- A sério!? Parabéns! Tiveste uma sorte no teu algoritmo!!!

"Sorte"! Num país em que as editoras não publicam livros de referência - ou se publicam é vómito absoluto como se viu com os livros da Escorpião e Polvo deste ano (sobre a carreira do Louro, as leituras e escritas inócuas do evangelista Pedro Cleto e algo sobre da série Astérix relacionado com Portugal, WTF!?) - alguém conseguir "sair da linha" e encontrar os verdadeiros e grandes artistas que também raramente se publicam cá é mesmo um "random" do caneco! Esta autora não ter ficado nas "mangacadas" ou nos "comics" dos fachos gringos, é mesmo algo de agradecer à entidade divina da "Sorte"! Resta saber o que Pats irá fazer com este maná de informação de futuro, se conseguirá alguma vez algo poderoso e original. O Sortido, colectânea de comix curtos, aponta já para aí. Que ela invista mais e melhor em 2026 é tudo o que lhe peço!

Fechando aqui a secção da referência: a Agenda Cultural do Porto deu tempo de antena ao Rudolfo e Goteira num especial BD (melhor que o paspalho do Gross na Agenda de Lisboa em 2021), reeditou-se o meu texto-metade-de-livro Punk Comix com actualizações e foi feita uma mostra no Festival de Alpiarça, editou-se também um texto da minha intervenção sobre BD do BIG de 2023 no catálogo deste ano (que espero a quem o ler lhe ajude a encontrar novos caminhos na BD), Mosi foi entrevistada no sítio em linha inglês Broken Frontier, publicam-se textos e resenhas no jornal Carne Para Canhão, continua o trabalho de recuperação da imprensa underground nacional no blogue My Nation Underground e por fim houve umas entrevistas em linha com Rodolfo Mariano (por causa d'O Filme da Minha Vida) e Diniz Conefrey por causa da exposição retrospectiva na BD Amadora, curada por António Jorge Gonçalves, na Galeria Artur Bual. Foi o ano Conefrey sem dúvida, ainda se acrescenta mais duas exposições, uma Lisboa na já referida Tinta nos Nervos e outra na Bedeteca do Porto, ambas no âmbito do seu último livro Estância do Sino Coberto, pela Quarto de Jade. Uma verdadeira comemoração de carreira que não merece medalhas histéricas mas serenidade artística.

Por fim, os que desapareceram em 2025. Logo em Janeiro faleceu Arlindo Fagundes, figura mais conhecida pela olaria ou pela ilustração, no entanto foi dos poucos autores portugueses a publicar um livro de BD nos anos 80 e talvez o único a abordar temas contemporâneos ou sobre a realidade portuguesa em formato de livro - claro que havia mais autores, como Relvas, com estes temas mas eram publicados nos jornais (que se deitam fora depois da leitura) ou nos fanzines (difíceis de encontrar). Era um Comunista convicto, não teve direito a condecorações, embora a Biblioteca Municipal de Alcântara tenha feito uma boa exposição retrospectiva da sua obra, entre Maio e Junho. Faleceram autores de peso como norte-americano Jules Feiffer - que mudou a escrita da BD - e egípcio-francês Édika - um badalhoco de peso. Menos conhecido e mais gráfico que narrativo, também faleceu o francês Y5/P5 que influenciou a malta d'A Vaca que veio do Espaço nos anos 80 quando passou por Lisboa. Longe da BD mas que puserem os seus dedos uma vez ou outra nela, morreu o realizador David Lynch e o pintor Eduardo Batarda, cujos respectivos cão raivoso e "pinguim cego" ainda são monumentos por tratar. O jazzman e amigo Sei Miguel também nos deixou. Não fez BD mas algumas imagens que queriam ser isso, publicadas em 2017 pelo Homem do Saco / Marmita Gigante, sobretudo mostrou que gostar de BD é saber ser exigente e crítico, coisa que os agentes que trabalham na cena não o são...

Que 2026 seja melhor! Bom Ano Novo!

Marcos Farrajota

 

desenho de Pats in Eye-volution

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Melhor disco R💣ck desta década! últimos 13 exemplares na Chili!



𝗘𝘆𝗲𝟭𝟴 é o álbum de estreia de 𝕂𝕣𝕪𝕡𝕥𝕠, o trio de destruição que junta Gon (Zen, Plus Ultra) a Chaka e Martelo (Greengo). 

Co-editado com a Lovers & Lollypops, o disco faz-se acompanhar de uma BD da autoria de Rui Moura

à venda na nossa loja em linha, Tinta nos Nervos, BdMania, Linha de Sombra, Mundo Fantasma, Kingpin Books, 
Tigre de Papel, Neat Records, ZDB e Utopia.
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Music CD by Krypto 
Comix + Poster by Rui Moura 
Inspired by the raw and psychedelic sound of the Krypto, as well as their lyrics, the comic book complements and explores an acid and timeless universe. 
Guided between rituals and the occult, transporting the psyche through endless mazes. 
 Co-released with Lovers & Lollypops

BUY at our online shop or at Quimby's (USA), Modo (Italy) and Le Mont en L'Air (Paris)




Sabe mais o diabo por ser velho do que por ser diabo e os Krypto, na estreia Eye18, mostram que sabem desta poda como ninguém. Oito malhas que nos recordam um tempo que já não volta, que piscam o olho ao passado sem nunca soarem saudosistas e que aproveitam para resgatar todo aquele balanço que a música de e com peso parece, por vezes, ter esquecido.

Não sabemos quem teve esta ideia, mas por nós mereceria uma medalha. Juntar aquele que é, sem dúvida alguma, o melhor e mais alucinado vocalista que este país viu nascer (um título que, por mérito próprio, exibe desde meados da década de noventa com os Zen e recentemente renovado na insanidade dos Plus Ultra) aos Greengo, provavelmente a maior força propulsora que a Invicta viu nascer por entre baforadas carregadas de intenção e acidez. Gon encontra no baixo de Martelo e na bateria de Chaka as carruagens de fogo ideais para se lançar numa infindável lista de diatribes sobre isolação, alienação, corrupção, o vazio consumista deslumbrado com a tecnologia ou a cultura empresarial.

É brutalista o som que nos despejam em cima e, apesar de um ou outro laivo psicadélico, impossível de acorrentar, numa viagem que se refugia na atitude primitiva, natural e pura de quem tem o dom de nos deixar num estado cataléptico. Música que exige ressonância e espaço para ser sentida, que cresce em urgência no espírito carbonário com que nos obriga a uma reflexão sobre a vida sem regras e responsabilidades hipócritas.

Rejeitemos a ideia de que temos de nos tornar num ideal, um camarada devoto do pensamento único, distante de sermos um indivíduo e não apenas parte de uma tribo. If we moved in next door to you, your lawn would die, palavras de Lemmy que se aplicam na perfeição a este Eye18, disco em trepidação constante pelo vazio insaciável, com sede de sobreviver e uma vontade que nos deixa atordoados, encanecidos, amortalhados, mas também num alerta constante e eufórico provocado pela privação de sono e sonho que a música dos Krypto teima em nos inflingir ao longo dos seus 23 minutos.

 O disco transforma-se numa banda desenhada da autoria de Rui Moura e inspirada no som bruto e psicadélico dos Krypto, bem como nas suas letras, a banda desenhada complementa e explora um universo ácido e atemporal. Guiado entre rituais e o oculto, transportando a psique por labirintos infinitos.




Historial: 

Lançado a 16 e 17 de Janeiro 2020, respectivamente, no Porto (Maus Hábitos) e em Lisboa (Musicbox), na abertura de Petbrick
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Feedback:

I hope I get to see Krypto!
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Moura imerge no som de Eye18 dos Krypto para nos apresentar um mundo interior de insatisfação, revolta, contestação e… sonho! Mas desiluda-se quem julgue que a BD terá um final feliz
Bandas Desenhadas

(...) entrada numa pista de aceleração, onde não se sabe quando se vai perder o controlo da velocidade.
 Acordes de Quintas

Psicadelia profundamente evocativa (...) animada por noise por uma crua acidez (...) até o corpo não aguentar mais.
8/10
Loud

artigo na Loud! (primeira Loud! online e free, meus queridos-coronas!)

gostei bastante, tanto da parte gráfica como da música. É uma jarda pré-apocalíptica de respeito, em jeito de cuspidela raivosa (contra a máquina?). A música I Saw fez-me lembrar os Young Gods... Quanto ao grafismo, se toda a música viesse assim tão bem embrulhada, não me importava nada de voltar a comprar CDs. Parabéns a todos pela edição!
Nunsky (por email)
 
O Rui Gon podia estar numa banda de NY Hardcore ou de Nu Metal e seria o melhor do mundo. Zen, Plus Ultra e agora Krypto nada se parece com nada, o som de cada banda sempre foi original e nunca houve três bandas destas no mundo. Em palco é gajo para bater o Iggy Pop nem seja porque com aquele corpinho e calções de guna do Porto pronto prá porrada parece um sátiro pronto para fornicar com tudo e todos. O resto da banda é capaz de ter o pior guarda-fatos e frequentarem o pior barbeiro da história do Rock mas, sinceramente: fuck it! O que sempre se quis do Rock é que fosse feio, sujo e mau! Os putos estúpidos da linha que estavam cá fora perderam o concerto da vida deles.
M.F. 3.11.24





domingo, 28 de dezembro de 2025

SBANG GABBA GANG Gabber Reconstruction of the Universe /// LAST 7 COPIES



Movements that dig velocity. Movements that worship war. Movements that have been accused of being fascist. Sbrang Gabba Gang : Gabber Reconstruction of the Universe is the sound of two cultural movements violently crashing into each other at breakneck speed. What happens when the Italian futurist avant-garde clashes with gabber, a belligerent strain of hardcore techno and the Netherland’s first proper youth culture?

Sbrang Gabba Gang : Gabber Reconstruction of the Universe will introduce you to the strange custom of forming human pyramids at gabber raves, futurist after-shave cocktails and Pietro Cannata, the man who took a hammer to the toes of Michelangelo’s David. 

In Sbrang Gabba Gang, Riccardo Balli, author of Frankenstein 8-bit explores the parallels of gabber and futurist ideas by way of personal accounts, literary mash-ups of Futurist manifestos and a storyline that follows the vandalistic shenanigans of a posse of gabber-futurists consisting of Dominator Marinetti, Luigi “Holy Noise” Russolo, Luciano “Thunderdome” Folgore and Giacomo Balla/Balli. These ideas further come to life in a series of anaglyphic images to be explored with special magenta-green 3D glasses attached to each volume.

This book is published by Fausto Lupetti and supported by THISCOvery CCChannel Collection


Only 100 7 copies available at Chili Com Carne / Portugal
ORDER HERE also possible to buy at Kingpin Books, Linha de Sombra, Matéria Prima, Neat Records, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Socorro, ZDB and Flur.



Released 17th September 2020 at I Never Read

Book presentation on 30th June 2023 at Disgraça 

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160 pages with numerous illustrations and photographs

Comes with a pair of 3D glasses for your full enjoyment!

Cover by Nicolò Masiero Sgrinzatto3D images by Teresa Pratidesign by Denny Donato Debellis, preface by Bianca Ludewig 
and texts by Benedikt Achermann, Pablo Echaurren, Clemens Marschall (Rokko's Adventures), Matt Muscarella (The Melodyst) and Jan Hartungen.








Wire Magazine #443 review:

By an Italian but in English, written in a style that resembles the LOUD energy of a S.Wells sluiced through the unforgiving yet gleeful anti-humanism of a Biba Kopf, this monograph maps Italian Futurism onto gabba, and vice versa. So it's an intellectual entertainment - penned by one who knows viscerally whereof he speaks... who's sweated and stomped in the four-to-floor forge 'till the crack of dawn, and beyond... been battered by drop-hammer bassdrum and blasted by hoover-noise... soaked up the sensations and survived to make sense of the senselessness.

(...) enthusiasm is a word that would aptly describe that, also. It was almost like reading about the music scene surrounding bands I was in during the 1980's and 90's, in the sense that what one is doing becomes the centre of the universe, all-encompassing, massively important to those people involved... but, sadly, probably inconsequential to the rest of the population. I found the passages of historical notes towards the end of the book to be fascinating reading, too; it's obvious there was a lot of research done for the sake of accuracy. Another lovely publication!
pStan Batcow (by email)

(...) Balli's prose really works best at its nmost grotsque (...), one is left to wonder if the gabber has cured DJ Balli?
Francesco Fusaro @ datacide #19

sábado, 27 de dezembro de 2025

AcontorcionistA : colecção completa : 25 exemplares agora à venda na loja da Chili com Carne

 
 

Eis os quatro objectos gráficos da AcontorcionistA juntos: Manifesto / Calendário / Cartão-Postal / Baralho

Últimos 25 exemplares disponíveis, guardados desde 2018!

Para um NATALIXO ERÓTICO!!!

 

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 e ainda temos isto:





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AcontorcionistA: Cartão-Postal 

Edição Limitada In-fólio de Boas Festas / Aniversário

Recheado com elegante bordado em ponto-cruz sobre ilustração erótica e octossílabo performático, chamariz de carnalidade a ser descoberto no volume Cartão-Postal.



Até lá poderá adquirir estas belas peças únicas que foram feitas oito apenas, estando já só QUATRO disponíveis .


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The Contorcionist special Happy Birthday Postcard Limited Edition 

Folio with elegant cross-stitch embroidery over an erotic illustration and a highly performative octosyllabic moto: a harbinger of carnality to be discovered inside the Postcard volume.
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Feliz Natalixo! Apesar do Natalixo poder ser sempre quando um homem quer! ÚLTIMOS 66 exemplares!!! E no My Nation Underground!



Mesinha de Cabeceira #27 : Special XXXmas : Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno de Nunsky

Publicado pela MMMNNNRRRG ... 44 páginas a cores 16x23cm

à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdMania, Mundo Fantasma, Matéria Prima, Tinta nos Nervos, Kingpin, Quimby's (Chicago), Linha de Sombra, Dead Head Comics (Edimburgo), Seite Books (Los Angeles), Universal Tongue, Rastilho, Ugra Press e Desert Island (New York).


Nunsky (1972) é um criador nortenho que só participou neste zine, o Mesinha de Cabeceira. Assina o número treze por inteiro, um número comemorativo dos 5 anos de existência do zine e editado pela Associação Chili Com Carne. Essa banda desenhada intitulada 88 pode ser considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD underground portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...

Em 2014 o regresso deste autor foi feito com o romance gráfico Erzsébet (Chili Com Carne), 144 páginas que regista a brutalidade da Erzsébet Bathory, a infame condessa húngara que assassinou centenas de jovens na demanda da eterna juventude. O livro venceu o Melhor Desenho do Festival de BD da Amadora em 2015 e terá uma edição no Brasil pela Zarabatana Books.

Em 2015 Nunsky apresenta-nos este Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno... verdadeiro deboche gráfico anti-cristão para quem curte bandas de Hair Metal de Los Angeles dos 80, fãs distópicos do RanXerox e revivalistas da heroína. A MMMNNNRRRG nunca deseja "Feliz Natal" aos seus amigos mas com a Nadja até... ehhh





Historial: lançado no dia 17 de Dezembro 2015 no Lounge Bar com o concerto da banda canadiana Nadja, organizado pela Associação Terapêutica do Ruído.

Feedback: 

A 32.ª publicação da MMMNNNRRRG é a mutável Mesinha de Cabeceira #27, desta vez subintitulada XXXmas Special. Na verdade, é uma obra a solo de Nunsky, intitulada Nadja – Ninfeta Virgem do Inferno. Esta trindade é transposta no design de Joana Pires, com a capa a evocar duplamente o fanzine com 24 anos de existência e a banda desenhada de Nadja (...) Após o registo a preto e branco de Erzsébet, que galardoou Nunsky com o Prémio Nacional de Banda Desenhada Amadora BD 2015 de Melhor Desenho para Álbum Português, o autor regressa a uma temática demoníaca – desta feita mais expressa que evocada – mas com uma palete de cores, cujos tons saturarão a visão dos mais incautos. Nuno Sousa 
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a um só tempo, pesada e leve, séria e cómica, fresca e desesperante. (...) Existem traços de alguma soberba crença na mundividência católica e a associada crença no Demo. Tratar-se-á este Nadja de um tortuoso panfleto de um Católico atormentado por gostar dos discos dos Slayer e Iron Maiden e querer ver realizadas as suas capas? Uma homenagem a todo um historial de comics de séries Z? (...) Nadja é um bafejo de hálito quente e cerveja quente. Pedro Moura
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O especial de Natal assinado por Nunsky não terá estado entre as oferendas mais populares da quadra, mas vale a pena não o perder mesmo depois disso. Numa banda desenhada onde se cruzam o hardrock metálico-meloso dos anos 90, um fascínio adolescente por satanismos e uma estética onde a sexualidade explícita e o kitsch se misturam sem remorso, Nunsky volta a confirmar por que é que o seu trabalho há-de ser sempre uma surpresa renovada. Blimunda 
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Merci pour ton envoi satanique Bertoyas 
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es una marcianada muy divertida. Cuando Marcos Farrajota me explicó su contenido, me dijo que se parecía a la obra de Benjamin Marra, y en cierta forma estoy de acuerdo con él: se trata de una apropiación del material de serie Z más casposo, del terror barato y descerebrado que mezcla erotismo soft con invocaciones a Satán, grupos heavies e internados para niñas. (...) Nadja, una cría de doce años, se mete una droga chunga con su novio, Franz, y acaba en el infierno, donde Satán le ofrece un pacto: la enviará de vuelta a la Tierra con «supernatural satanic powers», y por cada alma que lleve a la perdición, podrá pasar un día con su amado Franz. The Watcher and the Tower
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Grazie mille por los comics [Najda Eh eh] Arte Tetra
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Nadja - Virgin Teenie from Hell, the artwork in that was stunning. I'm not a massive comic fan, so haven't seen a large number of comics with which to compare it, but I'm positive that I've seen many mainstream comics with far inferior artwork. Great storyline, too! pStan Pumf

Nadja is also fun to read because I was a metalhead for over 30 years! "Demon Bitch" probably is inspired from Motley Crue and the logo (...) by (...) black metal bands, I guess. Heavy Metal magazine should hire Nunsky! Harukichi

The Santa book is...very dark. (...) But it is powerful, beautiful, and well made. Angel Marcloid
 
(...) uma história de amor crepuscular, complementada com um substracto de Christiane F. assombrada por Marylin Manson, um colégio interno de freiras católicas, metaleiros alucinados, tudo selado nas chamas de um pacto com o diabo. My Nation Underground 





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Brouhaha do Erzsébet:

Muito boa BD, me inspira para criar logotipos - Lord of The Logos

Erzsébet, o livro, é o relato implícito, emudecido, de um receio: o de que a morte escape definitivamente ao controlo masculino. Afinal, é a morte que conduz cada um e todos os passos da humanidade, tal e qual como vem anunciando a estética gótica em todas as suas formas. Nunsky recorda-nos isso mesmo com esta edição… - Rui Eduardo Paes

Consegue ter aquele espírito dos filmes do Jess Franco e afins, em que por vezes é mais importante a iconografia e a imposição de elementos simbólicos / esotéricos ou fragmentos de actos violentos e ritualizados (como as mãos nas facas ou as perfurações e golpes) do que termos uma continuidade explicita e lógica da narrativa, o que cria toda uma tensão e insanidade ao longo do livro e de que há forças maiores do que a nossas a operar naquele espaço. André Coelho

o romântico está presente antes na sua dimensão histórica e o trágico se aproxima do monstruoso. - Pedro Moura





sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O Meu Nelson Mandela e outros contos / ÚLTIMOS 14 exemplares!



Papá em África morreu!
Viva Papá em África!

Anton Kannemeyer, que também assina como Joe Dog na melhor tradição punk do uso de pseudónimos podres, nasceu em 1967 na Cidade do Cabo, África do Sul, onde reside com a sua mulher e filhos. Fundou em 1992 com Conrad Botes a Bitterkomix (19 números até à data), publicação onde a sociedade africânder nunca sai ilesa de crítica.

Como artista plástico, tem feito exposições em importantes instituições como o MOMA (Nova Iorque), o Museu de Arte Contemporânea da Austrália, MU (Eindhoven), Museu de Arte de Seul, MHKA (Antuérpia), Tennis Palace (Helsínquia), Yerba Buena (São Francisco), Studio Museum (Harlem) e o Museu de BD e Cartoon (Nova Iorque).

Tem livros publicados na África do Sul, Alemanha, Finlândia, França e Portugal. Papá em África (MMMNNNRRRG; 2014) é o título que o trouxe ao Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora 2016 e que se mostrou controverso mas não impediu de ter sido inteligentemente premiado como Melhor Álbum Estrangeiro nos Prémios Nacionais de BD 2015 do Festival. Não foi colocado nos escaparates físicos na FNAC - só podia ser encomendado nos balcões ou no sítio em linha desta cadeia de lojas - e foi “retirado temporariamente para que se pudesse identificar que se trata de uma Banda Desenhada para adultos” nas livrarias da Fundação Gulbenkian, no âmbito da sua visita para uma mesa-redonda em Maio de 2015, uma sessão dedicada à banda desenhada no encontro "Outras Literaturas", integrado no programa Próximo Futuro da Fundação.

Se as bandas desenhadas de Kannemeyer suscitam discussão sobre os traumas e a má-consciência do pós-colonialismo, o mais estranho é levantarem o velho preconceito revelador da falta de estatuto da banda desenhada noutros circuitos. Apesar da escamoteada censura económica este título rapidamente esgotou mas tornou-se impossível a sua reimpressão. É um livro de culto. Aproveitando a visita do autor ao 27º FIBDA, a MMMNNNRRRG lançou O Meu Nelson Mandela e Outros Contos, uma compilação de histórias e desenhos, desta vez mais autobiográficas e ensaísticas, afastadas do imaginário do não menos polémico Tintin no Congo. Apesar de serem trabalhos mais intimistas não significa que sejam menos virulentos.
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O Meu Nelson Mandela e Outros Contos 
de 
Anton Kannemeyer 
36º volume da MMMNNNRRRG
compilado por Marcos Farrajota 
traduzido por Manuel João Neto (BDs) e Marcos Farrajota (desenhos e pinturas)
Design e legendagem por Joana Pires com o apoio da Táxi Lettering (fonts e títulos)
500 exemplares / faltam 14 exemplares para esgotar!!
16p. p/b + 16p a cores, capa a cores
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À venda na loja virtual da Chili Com Carne e na BdMania, Linha de SombraMundo FantasmaTigre de PapelTortuga, UtopiaMatéria Prima, STET e Nouvelle Librarie Française. E ainda na Ugra Press (Brasil), Rastilho, Fatbottom Books (Barcelona) e Neurotitan (Berlim).
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Historial: 
Lançado oficialmente no dia 30 de Outubro na BD Amadora 2016 com presença e exposição do autor ... Entrevistas no Público e na Blimunda ... Foi aceite pela FNAC (uau!) ... Um dos Melhores Livros de 2016 no Expresso ...
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Feedback:
serve de complemento à histórias do livro anterior, e onde aquele era uma espécie de radiografia a um imaginário interno e cultural partilhado, que tantas vezes reflecte igualmente fantasmas dos seus leitores, estoutro é mais focado na experiência própria do autor, como se houvesse a possibilidade de mostrar um balanço da sua vida como fruto das consequências da educação. 
Pedro Moura in Ler BD

Obra seleccionada pela Bedeteca Ideal

O Meu Nelson Mandela e outros contos foi uma revelação muito positiva e honesta para mim.
Ana Ribeiro in Bandas Desenhadas

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

TARWAR - a melhor leitura num apagão!!! Nos "melhores do ano" do TCJ


Novo livro do polémico Ilan Manouach, sendo que este Tarwar é CoCo (Conceptual Comics) no estilo mais clássico deste artista transmedia.

Tarwar explora um património global de Banda Desenhada através de tecnologia de Visão por Computador para procurar um elemento visual muito especial: a vinheta preta

Eis um "código da BD" que podemos encontrar em todo o tipo de BD, regiões e contextos culturais mais variados tornando-se até numa imagem icónica - mesmo que o seu significado seja um oximoro porque representa o nada e a obscuridade. Vinhetas pretas não representam apenas a noite ou a escuridão, funcionam numa narrativa como um momento de introspeção ou de suspense.

Tarwar é composto apenas por vinhetas pretas mostrando como a BD criou uma linguagem que transcende fronteiras geográficas, culturais e até estilísticas. Eis um puro desaire estético!


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Projecto co-editado com a Echo Chamber, 5eme Couche, Nero, Lystrisng e Inkpress

165 x 240 mm 120p a cores, brochado

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Já está disponível na nossa loja em linha e na Matéria Prima, Mundo Fantasma, Socorro (Porto), Kingpin, Linha de Sombra, STET e Tinta nos Nervos (Lisboa).


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entrevista no The Comics Journal

Melhores de 2025 no The Comics Journal


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Histórias das poderosas Canetas (II)

O projecto Storytellers regressa à secção de BD do jornal Le Monde Diplomatique - edição portuguesa, Será a caneta mais poderosa que a espada?. Os autores destacados desta vez são RudolfoGonçalo DuarteAndré PereiraMaoRroze SelavyInês CóiasJúlia Barata e Mariana Pita em colaboração com João Marcelo

Desde Janeiro de 2019 que, em parceria com a Associação Chili Com Carne, que o jornal desafia autores de BD a responderem com a sua arte narrativa à pergunta Será a caneta mais poderosa do que a espada? Cada artista tem a sua interpretação, venha descobri-las no Parque Silva Porto em Benfica!
 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Corta-E-Cola seguido de Punk Comix (edição benefit Disgraça) ESGOTADO




Corta-e-Cola : Discos e Histórias do Punk em Portugal (1978-1998) de Afonso Cortez seguido de Punk Comix : Banda Desenhada e Punk em Portugal de Marcos Farrajota é na realidade uma reedição do famoso livro de 2017. Rectificado, emendado e com posfácios a actualizar meia-dúzia de coisas (mais um esboço de capa do 1º LP de Mata-Ratos de Nuno Saraiva e actualização do punk na BD portuguesa),  esta reedição não tem o CD Punk Comix nem tem o formato de "split" ou livro-duplo. Tem uma capa nova feita pela malta do Disgraça justamente porque a decisão de reeditar este livro é para que os seus lucros revertam totalmente para este espaço. Para quem não saiba o Disgraça encontrou-se numa jornada épica para comprar o espaço onde se encontram, para que um dia destes não sejam expulsos desta Lisboa toda fodida pela especulação imobiliária, hipocrisia política e ganância dos seus cidadãos-proprietários.  
 
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ESGOTADO

pode ser que ainda arranjem na FlurRastilhoSnobTigre de Papel, Tortuga (livraria da Disgraça), Letra Livre, Mundo FantasmaNeat Records, Trama, Louie Louie (Porto)Utopia, ZDB e Socorro.
 
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 Sobre o livro (2017) 

Saído no ano em que se “celebram” os 40 anos do punk em Portugal, a Chili Com Carne, em parceria com a Thisco, edita o (duplo) livro sobre este fenómeno: 

Corta-e-Cola : Discos e Histórias do Punk em Portugal (1978-1998) de Afonso Cortez 
Punk Comix : Banda Desenhada e Punk em Portugal de Marcos Farrajota.

Escrito a partir de um levantamento exaustivo de fanzines, discos e demo-tapes, ao longo de 256 páginas, os autores dissecam todo esse material para tentarem perceber como através de uma ética - do-it-yourself - se conseguiu criar uma (falta de) estética caótica e incoerente que hoje se identifica como punk. Através da produção gráfica desse movimento se fixaram inúmeras estórias - até agora por contar - de anarquia e violência; de activismo político, manifestações e boicotes; de pirataria de discos e ocupação de casas; de lutas pelos direitos dos animais; de noites de copos, drogas e concertos...

Corta-e-Cola / Punk Comix é ilustrado com centenas de imagens, desde reproduções de capas de discos a páginas de fanzines, cartazes, vinhetas e páginas de BD, flyers e outro material raramente visto.

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Volume -8 da colecção THISCOvery CCChannel publicado pela Associação Chili Com Carne e Thisco

editado por Marcos Farrajota com o arranjo gráfico de Joana Pires

Capa por saal, contra-capa de The ol idiot’s bastard son e desenho na ficha técnica por Dani G.

256p 16,5x23cm impressos a 540U, capa a duas cores.


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HISTORIAL

Saiu no 10 de Junho na Feira do Livro de Lisboa 2017 ... lançamento oficial no Disgraça a 30 de Junho com apresentações de José Nuno Matos, Diogo Duarte e Nônô Noxx, concertos de Presidente Drogado e Scúru Fitchádu ...  sessões de autógrafos e apresentações no LAR / LAC (Lagos), Louie Louie (Porto), Feira do Livro do Porto e na higienizada Casa da Cultura de Setúbal ... reedição em 2025 ... lançamento da reedição no dia 1 de Junho 2025 no Disgraça com conversas e concertos de Vaiapraia e Bas Rotten ...
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FEEDBACK
 
(...) dois livros unidos pela mesma lombada que sistematizam informação e recordam, de forma cronológica, quem foram os protagonistas do punk em Portugal que deixaram discografia e como o movimento foi representado na BD. "O punk não foi um movimento contínuo, mas fragmentado, esporádico, dissolvido entre outras propostas, em permanente mutação, como aliás qualquer movimento juvenil", afirma Afonso Cortez na introdução. (...) Depois de mais de 150 páginas, Afonso Cortez conclui que ao longo daqueles vinte anos (1978-1998) o grafismo foi entendido "apenas como um pormenor. E que a falta de cultura visual, ou mesmo de estudos, se reflecte de forma catastrófica na falta de qualidade do que é produzido". Embora os Faíscas e os Minas & Armadilhas sejam referenciados como os iniciadores do punk na música portuguesa, Cortez assume "Há que violentar o sistema", de 1978, dos Aqui d'el Rock, como o primeiro disco punk português. A partir daí, faz um levantamento dos discos editados, comenta a vertente gráfica das capas, mapeia os locais de concertos e a crítica na imprensa e complementa com testemunhos de músicos recolhidos pelo próprio. Mata-Ratos, Crise Total, Kus de Judas, Cães Vadios, Censurados, Nestrum, Desarranjo Cerebral, Renegados de Boliqueime, Vómito, Peste & Sida, X-Acto são algumas das bandas referidas no livro (...) Já sobre a BD, Marcos Farrajota explica o mote do livro: "Serve como uma base de referência para quem quiser pegar na BD para relacioná-la com o punk, subculturas urbanas, música, cultura DIY, artes gráficas e editoriais". (...) Farrajota recua a finais dos anos 1970 para encontrar as primeiras referências ao punk na BD portuguesa. Surgem na revista Tintin, assinadas por Fernando Relvas e Pedro Morais, "mas são situações em que os punks são apenas paisagem urbana". Será Fernando Relvas a assinar, em 1983, no semanário Se7e, "o primeiro trabalho de corpo inteiro" sobre punk, "sob a forma de uma personagem forte e feminina" chamada Sabina. Marcos Farrajota faz ainda referência à atitude "militante e amadora" de publicação, da auto-edição, dos fanzines, das colectâneas e da tecnologia da fotocópia e enumera vários autores que desenharam sobre o punk (...)
Lusa / DN
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De leitura rápida, Punk Comix não deixará de ser um instrumento de leitura obrigatória para compreender alguma da história da banda desenhada moderna e contemporânea em Portugal. 
Pedro Moura in Ler BD
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(...) ambos os estudos são preciosos e sumarentos, revelando uma investigação criteriosa e mais intensiva do que exaustiva. O resultado é um brilhante mapeamento historiográfico do punk e da sua relação com a banda desenhada em Portugal.
Professora Marcivânia / A Batalha
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O Afonso tinha-me deixado boa impressão e para o encontro levara Candy Diaz, baterista dos saudosos Les Baton Rouges. Yaay! (...) O texto dele é uma catadupa de informação: estão lá Faíscas, Minas & Armadilhas, Crise Total, Ku de Judas, Corrosão Caótica, Mata-Ratos, Estado de Sítio, Anti-Porcos, Kristo Era Gay, Caos Social, Censurados, Bastardos do Cardeal, e muito mais. (...) É informação em bruto, não digerida. Só lhe recrimino isso, o não haver mais reflexão sobre os factos. Mas se calhar é mais um problema meu do que dele, pois até os sentimentos intelectualizo. Quanto à prosa do Marcos (...) falei, fiquei a perceber que o jeito dele para a narrativa não se fica pelos quadradinhos das suas BDs. Dá gosto seguir-lhe as palavras. 
Rui Eduardo Paes
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Dos poucos livros existentes no mercado nacional em termos de abordagem ao universo do Rock feito em Portugal ao longo dos anos, há dois livros que sempre foram os meus preferidos: A arte eléctrica de ser português: 25 anos de Rock’n Portugal de António Duarte e o Escrítica Pop de Miguel Esteves Cardoso. Desde há duas semanas tenho mais um como preferido: Punk Comix/ Corta-e-Cola (...). Quando pensas que já não há surpresas, ou até pessoas com interesse para agarrarem de forma inteligente e com alguma prudente distância analítica, um período da história de um subgénero do Rock em Portugal, como é o Punk, situado num tempo específico (1978-98), eis que levas, qual murro no estômago, com uma agradável surpresa com este livro precioso. O que esta obra tem de diferente e de excelente, não é tanto a análise cronológica e meticulosa das bandas dum certo universo Punk nacional e seus intervenientes, bem como a sua ligação à banda desenhada que se foi e se vai fazendo aqui pelo burgo, mas sim o mote que direciona todo o livro e que é essencialmente isto: se és Punk, controlas todos os meios de produção da tua arte (Do It Yourself - DIY), assim só tu és responsável por aquilo que dás a conhecer publicamente, sem manipulações de outros, e se falhares (porque se falha quase sempre), falhaste gloriosamente, o que é sempre melhor do que nada fazer. Se ganhares algo, sabes que mais tarde vais perder, por isso não vale a pena fazer a festa antes do tempo. Não entrando em muitos pormenores (até porque este deve ser um livro lido por todos os melómanos nacionais, independentemente de gostos musicais), este está muito bem redigido, é agradavelmente informativo e formativo q.b, sem ser chato; é graficamente interessante dentro de uma estética Punk, mas sem entrar nos seus lugares comuns; há nele uma personalidade própria. (...) É desde já, um livro para o futuro, daqueles que mais cedo ou mais tarde, as novas gerações, amantes da música underground, terão de se socorrer para se informarem sobre… 
Guilherme Lucas (GG Ramone)

Se o punk não fosse ateu diria que estava aqui uma bíblia do punk (...) Indispensável.
Luís Rattus in Loud

(...) não é possível escrever uma história do Punk, mas é certamente possível escrever muitas histórias do punk. Diria que tantas quantas quem decide escrevê-las ou tantas quantas as experiências individuais de quem o vive ou viveu
Diogo Duarte in Mapa

Estive a folhear e de repente um blast from the past: no inicio dos 90's um tipo da minha turma na secundária da Maia conhecia os Kristo Era Gay e convidou-me para ir assistir ao ensaio da banda na garagem do baterista, que era muito perto da escola. Cheguei lá e perguntei que som é que eles tocavam; ficaram meio à toa a olhar uns para os outros, até que o vocalista (Fino) lá se descoseu - "pá, sei lá... É rock português..." Seja como for, adorei a experiência e a partir daí a ideia fixa de formar uma banda nunca mais me largou.
Nunsky via email

(...) regressa com a força do activismo, reforçando intenções com a prática: a própria decisão de o reeditar vem no sentido de entregar todo o lucro das vendas à Disgraça (...) Mas, tal como antes, não doura o panorama, nem o da época coberta (1978-1998) nem dos oito anos após a edição original. Antes pelo contrário, Cortez lamenta a falta de continuidade no mapeamento desta(s) história(s) e talvez tenha de ser ele mesmo a dedicar-se a outros aspectos do punk e hardcore em Portugal. A leitura fluída da implantação do punk no país, os diferentes períodos, definidos por diferentes grupos e atitudes, são de apreensão fácil mesmo para quem é forasteiro na cena. A lógica seguida é a dos discos, com comentário muitas vezes pormenorizado e ácido em relação à arte das capas, uma mágoa diversas vezes exposta durante a narrativa (...) Mesmo a música é sujeita a apertado escrutínio. No fundo, não se trata de uma celebração superficial do fenómeno mas sim uma análise profundamente crítica que deixa a impressão de focar nas entrelinhas o que poderia ter sido, tanto como o que foi. Abordagem curiosa, fresca e obviamente insurrecta, por contraponto a outro tipo de celebrações punk ou rock que, em Portugal, o autor já entende como reaccionárias. Extensa (ainda que seleccionada) discografia, bibliografia útil. Sobre a Banda Desenhada, (...) Farrajota oferece uma visão geral sobre BD em Portugal, publicações punk no estrangeiro e em Portugal, neste caso com visão detalhada sobre autores, estilos, processos, difusão, pertinência. A sua escrita também irreverente e empática informa e comenta criticamente, comprometida com segmentos menos visíveis e com palavras menos simpáticas para o circuito comercial. É assim que se aprende sobre as margens e até como as margens muitas vezes só o são porque alguém fora delas decide contar outra História. Importante documento para melhor entender ao nível da rua a realidade musical e artística de um país que não trata muito bem a dissidência cultural. (...)