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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

E o QCDA foi ao AltCom

A trupe QCDA foi representar a Chili ao festival AltCom 2014, em Malmö, no passado mês de Novembro.

Rudolfo, Afonso, Hetamoé e Sofia.
A Amanda estava a tirar a fotografia.
Foi uma semaninha bem passada em que fizeram amigos, viram o Mar Báltico, alimentaram-se à base de falafel e pizza kebab (especialidade local), e explicaram aos suecos que Portugal tem a forma de um gato ninja.
Parecia um filme do Bergman.

Claro que também houve trabalho duro! Montaram uma exposição com originais, as meninas apresentaram o QCDA #2000 ao público local, e o Rudolfo deu um concertão.
Descobrimos que a Sofia corta muito bem fita-colas.
Agora, está para breve um “zine de viagem”, onde relatarão em pormenor toda a experiência. Fiquem atentos!
A bela banca da Chili no AltCom.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

QCDA@altcom.2014


As ever, since first day of destruction Chili Com Carne is going to Alt Com

We are sending the Kids of the Revolution (the DIY culture, man!) of the two different teams that made  QCDA Giant/size/comix/zine!

Afonso Ferreira, Amanda Baeza, Hetamoé, Rudolfo and Sofia Neto are five of the eight authors that made QCDA #1000 and #2000, this last issue will be released in this Swedish post-apocaliptic comix Festival!

.:.:.:.:.:.:.:.

QCDA / Chili Com Carne 
at Mitt Möllan (Claesgatan 8), Malmö, Sweden
November 6th, 17h

WHAT DOES QCDA STAND FOR? 
QUINTESSENTIAL COMICS FOR DOCTORS AND ACCOUNTANTS? 
QUOTES FROM CATHOLIC DUCKS ON ACID? 
QUICK COMICS FOR DOPEY ATHLETES? 
QUEST FOR CRAZY DOCTOR AUTOPSY? 
QUATRO CHAVAL@S DO APOPCALIPSE? 
WHO CARES!!! 

We are not looking for treasures or answers. Our efforts and wanderings may seem futile, purposeless, and even our flesh garments meaningless, but even without a battle or mission there is an incorporeal ambition in us. We know that nothing rises from rotten bodies. 

QCDA is Giant/size/Comix/zine of Chili Com Carne that brings the Portuguese new breed of comic authors in the format of four dudes (Afonso Ferreira, André Pereira, Rudolfo and Zé Burnay) and four damsels (Amanda Baeza, Hetamoé, Sílvia Rodrigues and Sofia Neto). Their works are dazzled and confused in such a way that embody the contemporary "4 knights of aPOPcalipse": Anorexia, Smart Shops, Hooliganism and Cancer.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Chili Com Carne @ TREVISO Comics Festival

desenho de Pedro Burgos

   
Portugal é o país convidado para o Treviso Comic Book Fest, a acontecer entre 24 e 28 de Setembro.

Importante festival de Banda Desenhada que graças ao comissário Alberto Corradi (também autor que foi publicado na nossa seminal antologia Mutate & Survive) tem estado atento às recentes edições italianas de livros dos portugueses Filipe Abranches (História de Lisboa com argumento de A.H. de Oliveira Marques), Pedro Burgos (Airbag) e João Fazenda (Tu és mulher na minha vida, ela a mulher dos meus sonhos com Pedro Brito), autores que aliás estarão presentes no evento.

A exposição com originais Quadradinhos: sguardi sul fumetto portoghese contará com 14 artistas nacionais como Filipe Abranches, Joana Afonso, Ana Biscaia, André Coelho, Jorge Coelho, João Fazenda, Afonso Ferreira, Francisco Sousa Lobo, Pedro Burgos, Pepedelrey, Miguel Rocha, Rudolfo, Nuno Saraiva e José Smith Vargas.

Estará patente no Spazi Bomben / Fondazione Benetton, inaugurando dia 27 de Setembro e estará patente até 12 de Outubro.

De realçar que haverá um catálogo bilingue (italiano e inglês), co-editado entre a MiMiSol e a Chili Com Carne, que inclui um prefácio de Marcos Farrajota, uma eficiente História da BD portuguesa por Corradi e BDs dos autores participantes na exposição, e em alguns casos com textos de outros autores - Biscaia com texto de João Pedro Mésseder, Rocha com Susana Marques, Afonso com André Oliveira e Jorge Coelho com Paul Allor.

O catálogo teve o apoio da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e do Instituto Português da Juventude e Desporto.

...

No regresso desta aventura haverá catálogos disponíveis para Portugal - mais tarde podermos dar informações de preço, quantidades, descontos para associados, jornalistas e lojas.

sábado, 6 de setembro de 2014

Parede Morta e Badajoz Branca

cartaz de Afonso Ferreira

Nos dias 6 e 7 de Setembro vamos à Feira Morta da Parede (na bela SMUP, onde já lançamos O Hábito Faz o Monstro!) e voltamos a Badajoz, desta vez por causa da "noite branca":

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Festival Rescaldo (Inauguração + QCDA #1000)


fotografias: Filipe Dobreira

Confesso que passei um serão agradável, metade submersa na leitura do QCDA #1000 - uma estreia para mim, impactante em todos os sentidos - e a outra metade deliciada a rever caras. Muito obrigado a todos os que apareceram e que fizeram a inauguração possível!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

ccc@feira.morta.2

Lá fomos nós à segunda Feira Morta no Imaviz Underground, um "cluster" de lojas de subculturas que se fixaram no decadente e anteriormente "chic" Centro Comercial Imaviz. Sítio perfeito para uma "feira morta", aliás, a Morta deveria passar mesmo a procurar só sítios fúnebres para realizar o evento para dar juz ao nome.

Para a Chili Com Carne as vendas correram bem mas sentimos que há menos público e editores na Morta - comparando com a Laica, a qual a Morta ficou com a "herança". Parte do problema parece-me que vem da organização que precisa de expandir mais os horizontes para fora do seu (curto-)circuíto. Uma divulgação mais atempada, criação de notas de imprensa, uma programação musical menos fechada na família Cafetra e sobretudo um foco na edição independente no que diz respeito à sua promoção mais cuidada. Por mais giro que seja ter os logotipos todos a boiarem no tumblr oficial do evento, isso em nada ajuda por exemplo aos "jornalistas do cut/paste" a divulgar os nomes da verdadeira matéria-prima da Feira, que é a edição! E destacar as novidades editoriais porque afinal há pessoal que vai à procura cenas novas, iá?! Sem esse foco mais vale a pena desistir e passar a chamar de Festival Rock Morta ou Death Fest...

Ainda assim, não foi dificil encontrar produções novas... A primeira que destaco é The Scorcher de Astromanta, editado pelo excelente colectivo Clube do Inferno. Uma pequena ficção científica que apesar do seu humor esquece-se que a realidade supera a ficção e não seria de admirar que o futuro próximo fosse como esta BD. Lixado! Ao lado estava o Imvencible Comics, label do nosso Afonso Ferreira que vendia Parasitas, uma antologia de BD em que o título é o tema do zine. Participam alguns dos novos talentos da nossa praça a usarem pseudónimos idiotas mas que se reconhece quem são. Por respeito não revelo aqui quem quiser que gaste guito com isto que é bem gasto! Por fim, uma troca com o Glândula Zine #01 do colectivo 4.16, grupo de Design. Neste zine fazem colagens mais punk que psicadélicas para terem qualquer relação com os Cream como afirmam. Não é mesmo a minha praça este tipo de trabalhos mas de realçar o lado quente e "sexy" da publicação impressa no "sonho molhado" dos designers sub-25, a risografia.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Bender o corpinho no Portinho!


A Associação Chili Com Carne vai à cidade mais lowcost de Portugal.

A Chili Com Carne não é de Cascais nem de Lisboa, nem é do Porto mas se há coisa que gostamos de fazer mais é visitar essa pobre Invicta que fizeram dela um penico para pé-descalços! (Mas descansem em Lisboa ainda é pior, os bifes que aparecem por cá nem gastam dinheiro nos restaurantes pois preferem ir ao Pingo Doce comprar mantimentos para comerem no quarto do Hostel. Se o Porto é um penico, Lisboa é a sarjeta).

Felizmente na cidade do Norte há quem ainda tenha a cabeça erguida e faça projectos impecáveis como o café Duas de Letra. Infelizmente nem eles podem ignorar que somos uma nação geneticamente construída para turismo sexual e como tal tem de despachar a sua arte a preços low… cost… Isto lembra a piada (?) da puta que tinha um olho de vidro e por isso fazia broches e assobiava ao mesmo tempo.

Ah?

Olha é assim, a Chili Com Carne vai levar TODA a sua produção para o Duas de Letra e vai fazer a preços de amigo no dia 7 de Dezembro, das 16h às 24h. Nesse Sábado vão estar livros e discos estrangeiros a METADE do preço, livros quase esgotados (que rendarão fortunas no e-bay daqui uns anitos!) ainda a preços acessíveis e o nosso catálogo a bom preço (eles nunca foram caros, caramba!). Teremos NOVIDADES editoriais com preços especiais de lançamento! E sobretudo vamos vender as nossas serigrafias a PREÇOS TONTOS!

As serigrafias ficarão à venda até 4 de Janeiro de 2014. São um conjunto de imagens ligadas aos projectos Bestiário Ilustríssimo, Futuro Primitivo e Love Hole que vão estar a 10 euros! «Livra-te da tua arte» dizem-nos… Talvez seja isso ou chamar de GALLERY SALE. Vamos é masé vender o corpo ao Porto!!!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

PUB à Cru #49



A Cru 'tá mesmo nessa de voltar à vida editorial e não brinca em serviço! Agora com o #49 (ah!?) sob o tema especial de "ódio" mete montes de malta a trabalhar com BD, ilustração e texto. Dos autores da CCC participam o Rudolfo, Afonso Ferreira, Zé Burnay e Marcos Farrajota. De resto, a edição mantem a sua condição sexy de formato e acabamento, já para não falar da capa, certo? O conteúdo é mesmo rasco e vadio como se deseja num zine...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Apareçam e tragam o vosso excitado doppelgänger...




Afonso Ferreira (Portugal, 1988) tem trabalhos de ilustração e BD publicados na Playboy, Cais, Lodaçal Comix e várias antologias da Associação Chili Com Carne: Destruição ou bandas desenhadas de como foi horrível viver entre 2001 e 2010Boring EuropaFuturo Primitivo e Mesinha de Cabeceira

No final de 2012 saiu o seu segundo livro de BD a solo Love Hole , pela Chili Com Carne e Ruru Comix, que será o motivo da exposição a inaugurar dia 18 de Abril (quinta-feira), pelas 22h, na loja Rose Purple Erotic Luxury  (na Pensão Amor, Lisboa), onde regularmente tem havido exposições de ilustração erótica iniciada com o Calendário da AcontorcionistA, e continuado por exposições de Ana Menezes, Pepedelrey,...

Para esta exposição Afonso Ferreira preparou cinco novas imagens, cinco "pin-ups" homoeróticos das personagens do livro, plenos de provocação e humor, no espírito desta BD que têm confundido conservadores, hipócritas e norte-americanos politicamante correctos. 

Para os coleccionadores de Arte e fetichistas do papel, foi feita ainda uma serigrafia limitada a 20 exemplares que estará à venda na inauguração.

Apareçam e tragam o vosso excitado doppelgänger...

terça-feira, 2 de abril de 2013

Putos estúpidos!


v/a : Mixtape 1  (Coronado; 2012)

Caramba, ainda há pouco tempo falava das vaidades vinílicas (mal-)editadas e vêm este colectivo de músicos fazer algo parecido mas desta vez com uma K7! Com uma k7, boy!!!! Não é novidade haver K7s em que só está gravado um dos lados - o que ao contrário do vinil, não é um problema, grava-se outra coisa qualquer desse lado virgem e iupi! Viva a reciclagem! Neste caso, os dois lados até estão gravados mas cada lado não chega nem a metade da fita... Mais um mistério dos editores portugueses. Vamos lá à música!
A ideia da K7 como "mix-tape" do colectivo têm piada, não é bem uma mix-tape como se faz no Hip Hop mas antes uma colectânea em que várias bandas fazem versões de músicas uma das outras. Jibóia versiona Lydia's Sleep, estes fazem RA, RA faz Saur, Saur Cangarra, Cangarra Equations, Equations Jibóia... e só fugindo a esta fita de Möbius ou a esta magnética Ouroboros se preferirem, ninguém quer saber dos E.G.B.O. e eles vingam-se fazendo "cover" de Papaya! Na essência o que temos é o Techno-Allah de Jibóia, math-post-emocores psicadélicos com o resto das bandas, e tá tudo joía! Nada de perturbante ou manhoso que irrite. Chato é que demora uma eternidade as partes da fita sem som... Porra, acho que vou gravar faixas de Die Antwoord ou qualquer outra coisa para completar a k7.
Eu que passo a tentar convencer os meus amigos trintões / quarentões reaccionários a defender que os putos de hoje não são estúpidos, vejo-me a dar-lhes razão desta vez!!! Porra, mais vale ouvir isto no bandcamp! Se não fosse a capa / embalagem do "nosso" Afonso Ferreira não sei o que seria desta k7 cá em casa!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

FaCCCe lifting

Depois de fazer 90 cartões de sócio da Associação Chili Com Carne com o modelo Chambel eis que em 2013 preparamos um novo cartão desta vez feito pelo Afonso Ferreira, autor de Love Hole...

É um modelo mais simplificado e genérico em que esperamos que caiba em desenho toda a diversidade humana...

De resto, esperamos que apareçam novos sócios - agora que o Mutate & Survive esgotou estamos a oferecer o livro de esboços do João Cabaço - e que os sócios com quotas em atraso que as paguem.

Em Abril mudamos de regras, veremos o que daí virá!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O quotidiano desenhado...



Lodaçal Comix #7 (Ruru Comix; Set'12) mantêm o nível de produção e conteúdo a que nos tem habituado (alto nível, boy!) da capa à última página! Mas há algo a minar alguma energia do início deste zine, sobretudo porque no que diz respeito à produção nacional que neste número resume-se apenas à conclusão da BD Lovehole de Afonso Ferreira - a ser reeditado em breve em livro monográfico pela Chili Com Carne em colaboração com a Ruru. Falta agitar os autores portugueses mas se calhar isso nem o Lodaçal nem ninguém alguma vez conseguirá fazer - curiosmanete ainda há pouco tempo reli um texto na Quadrado #1 (3ª série, ASIBDP + Bedeteca de Lisboa; 2000) que se queixava da lassidão e introversão dos nossos autores. Será por isso que o Lodaçal está cheio de estrangeiros cheios de garra e com vontade de mostrar trabalho?
É bem capaz, e este Minizine #1 (B.Campos; Nov'12) é exemplo disso ou de nada... Começa logo por ser o título menos imaginativo da Terra, o que irá reflectir também nas BDs que são publicadas todas elas escritas por Sanktio e desenhadas por outros autores, dos quais destaco o José Lopes. São exercícios de escrita simples mas que cheiram a redundância e a pensamento reaccionário apesar da vontade do autor em querer transcender o véu de Maya. Falha porque não se expõe para além de uma melancolia mundana - e esse sentimento, por mais válido que seja para qualquer ser humano não é suficiente para provocar mudança a seja quem for.
E voltando atrás... O Meu Namorado Cavalo são dois volumes de BDs em versão portuguesa, feitos por uma espanhola que reside actualmente no Porto - em Programa Erasmus? - em que antropomorfizou o seu namorado num cavalo para contar histórias do dia-a-dia com uma grande dose de humor que não se esgota apenas na situação insólita de ir prá cama com um quadrupede! O desenho é naíf, ao estilo de desenho de crianças, o que lhe rende uma dinâmica e espontaneidade que mata qualquer monotonia rotineira. Um dos volumes tem o texto feito a computador que é uma valente merda, em compensação o que foi escrito à mão é muito melhor!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

New kids on the block (rescaldo laico 1)

Se houve algo de incrível na última Feira Laica foi a quantidade de novidades editoriais que foram lançadas, algumas de artistas que nunca se esforçaram no mundo da edição independente, outros que já não faziam nada há algum tempo e claro os novos autores a apresentarem-se ao mundo. Começamos por aqui, então.

Na realidade já tinha sido lançado na última edição do Comunicar:Design - e andei para escrever sobre a meses à espera de uma ocasião... Deathgrind é um zine A5 que compila desenhos e BDs de Zé Burnay. Já com trabalho espalhado aqui e acolá, este novo autor parece-me uma nova esperança na estagnada BD portuguesa. Para já largou as influências mais óbvias em grande parte pela mudança do material de desenho - a linha dos trabalhos deste zine é finíssima - e sobretudo por explorar as maravilhas do mundo da narração. Nessa deambulação volta à vulgaridade porque chafurdar no mundo Pop só se pode ir parar a lugares-comuns mesmo quando entram em peso Satanismos light, drogas de todo o tipo, Blues cheios de crime e toda a mítica "Americana". É provável que este zine venha a ser um marco de transição de Burnay-autor-de-BD, para já é uma publicação a solo divertida cheia de energia mas o melhor está para vir. Estejam muito atentos!

Não tão "kid" como isso mas até parece, David Campos, avançou (mas não apareceu na Laica para montar a sua mesa) com um novo título Landing of the Mothership #1 que é uma nova série de BD (apesar de ainda não ter concluído as outras) com um novo selo editorial, Bábamúpeace - é de esquecer a Paracetamol, pelos vistos.
16 páginas A5 apenas de fotocópias manhosas, quase parece um zine dos anos 90 de tão pouco cuidado gráfico, temos dentro delas uma BD de auto-ficção que envolve primatas e "roswellitas" mas como a BD é tão curta - são apenas 8 páginas -  não se chega a perceber nada nem mesmo a envolvermo-nos com isto. Terá alguma piada esta treta? Pode ser que sim mas não sabemos - curiosamente é exactamente a mesma resposta que se pode dar à pergunta "existem OVNIs?"
Boy, um bocado mais de consequência, se faz favor!

Ninguém pára este mambo! O sexto número do Lodaçal Comix (Ruru Comix) até saiu antes da Laica, com mais ou menos a pandilha de sempre - há sem malta nova a fazer algo, como o Rui Ricardo que fez uma atraente capa vintage / pulp. E há uma descoberta bastante boa chamada André Pereira que impressiona pelo virtuosismo gráfico e narrativo, e que confunde coordenadas - as influências dele são os franceses psicadélicos da Metal Hurlant ou hispánicos manhosos da Cimoc ou é mesmo xungaria indie sci-fi norte-americana? Já lá iremos...
Aaron $hunga faz uma homenagem ao falecido Moebius, Afonso Ferreira avança prá conclusão do alucinante Lovehole, e o Rudolfo continua apaixonado em auto-biografia tola... É o Lodaçal.

E o Rudolfo não pára, não só instiga autores a produzir como ele próprio produz e prepara uma série, o Magical Otaku. Bom na realidade o borbulhento "nerd" (um otaku na cultura japonesa) já há muito que tem aparecido em episódios espalhados em zines do Rudolfo. A diferença entre esses episódios e este novo, é que o novo ao contrário dos outros atira-se a uma humanidade que antes não havia. Os episódios anteriores eram apenas escárnio a miúdos doentes e viviados em toda uma cultura Pop repugnante - toda a cultura Pop é repugnante diga-se, daí o fascínio que nos exerce.
Neste novo episódio algo acontece - que não poderei contar caso contrário não compram os zines - que poderá significar uma mudança no trabalho do Rudolfo, algo mais equilibrado, fora das parvoíces escatológicas e das ainda mais parvas BDs autobiográficas (sero)positivas "Rudolfo in love".
A completar a edição algum material bónus como mais um massacre do Musclechoo e uma foto do primeiro cosplay do autor (um mimo!).

A grande surpresa da Laica deste ano foi o zine Enjôo de Invocação (Robô Independente) de André Pereira. Como todos os outros zines, não foge à regra A5 mas com capas coloridas para todos os gostos.
Compila a produção de BD do autor que aparece de forma extraordinária com um grafismo apurado e e uma narrativa consistente. Como já tinha referido mais acima - sobre a BD publicada no Lodaçal e aqui repetida - não percebo se o autor gosta de Eduardo Risso ou Druillet ou algum norte-americano da Image que não me lembra o nome. Entretanto lembrei-me também do Al Columbia e do Jorge Coelho... Bom parece haver uma ligação entre as BDs O Demiurgo e Cigarros que espero que venha a ser mais desenvolvida... Pá, é impressão minha ou este zine tem um ISBN? O pessoal passa-se...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Lodaçal Comix #5

v/a (Ruru Comix; Mar'12)

Se o Lodaçal não tivesse uma tiragem limitada de fanzine, podia ser uma excelente revista de bd alternativa. De resto, o zine já nos ilude com uma periocidade regular, comemoração de um ano de existência, design limpo e profissional, BDs com histórias de continuação, artistas com grafismos atraentes, capas sensacionais e tudo o mais.
A ilusão vai-se desvainecendo porque sabemos que são feitos poucos exemplares no regime de militância e trabalhos manuais típico dos zines, e sobretudo após a leitura de muitas BDs que prometem muito visualmente - nos seus mistos pós-Pop - depois revelam apenas non-senses e teenage angsts que pouco diz.
Vai havendo metamorfoses ligeiras aqui e ali, como o Tiago Araújo que já percebeu o sentido da vida (espero que agora parta para outra) ou o Rudolfo que inviste na autobiografia, com um estilo gráfico mais free e fresco que o habitual, mas que serve apenas como Editorial do zine, não fosse ele o editor deste zine. Os estrangeiros andam tão perdidos como os portugueses - pudera, a regra "a juventude é desperdiçada nos jovens" é universal - em que destaco Detrocboi e Michael Deforge pelos seus universos gráficos bizarros, e Aaron Kaneshiro (autor de Aspiração Horrífica) pelo seu pós-modernismo mordaz. Aliás, este último têm sempre sido um constante ponto de frescura e ruptura do zine após um ano de existência... Ah, pois! Parabéns!!! Não houve festa? Merecia porque o Lodaçal rulaz!

à venda na shop da CCC.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

comix ANTI POP

Mais publicações que sairam ou ficaram acessíveis durante a Feira Laica. Estas dedicadas à banda desenhada e não é por serem de bd que são as mais impressionantes! Juro! Elas são bem melhores que os graphzines!

Começamos com o grande furor (inter)nacional que é o segundo número do Lodaçal Comix, um zine organizado por Rudolfo, artista da bd e do CD pirata verdadeiro chavalo hiper-activo que prometeu e cumpriu. O projecto foi anunciado como trimestral e assim está a ser, já vai no número dois e sei que o terceiro já está quase feito! 

E não ficou por aí, do primeiro número para este segundo engordou para 104 páginas A5 de autores tão diferentes como Afonso Ferreira, Natalie Andrade, Christina Casnellie + Bruno Borges, Maré Odomo, Rudolfo, Zukk Ozaki, Marco Mendes, L-EGO, Shogo Yoshikawa, Zé Burnay, Tiago Araújo, Aaron Kaneshiro, Ricardo Martins, Aviv Itzcovitz, Tetsunori Tawaraya, André Lemos, Zach Hazard, Ze Jian Shen, Tom Toye, João Cravo, Jack Hayden, Leah Wishnia, Tagas, Weja, Austin BreedJakub TywoniukMichael Deforge André Coelho.
Tal como cada vez há miúdas mais bonitas (o Ivan Brun acha que é qualquer coisa que andam a por nos cereais matinais) também cada vez a malta jovem desenha melhor. E sendo uma geração que literalmente têm tudo à sua disposição (mesmo que a maior parte do tempo seja de modo virtual) é natural que apareçam uma montanha de bds em que se cruzem referências do mundo Pop ad nauseam: "ninjas, super-heróis, mutantes, gajas nuas, elefantes, porcos, pilas, lobos, dragões, chicks (gajas galinhas!), magos, rabos, grávidas, gajos normais e retretes" como qualquer bom Cultura Pop em ebulição sugere. Estamos num planeta pós-Fort Thunder e neo-surrealista em que até Hentai que serve de crítica à energia nuclear. O futuro da bd (inter)nacional passa por aqui...

Não é de estranhar que apareça Snakebomb Comix #1 em Portugal distribuído pelo próprio Rudolfo, não partilhassem ambos títulos autores e estéticas idênticas. Tendo acesso a estes dois títulos ao mesmo tempo, coloca-se a questão onde começa um e acaba o outro. Pode-se dizer que a única diferença é que este último é feito exclusivamente por autores norte-americanos e que têm uma capa em serigrafia (e menos páginas, toma!). 
Temáticamente e estéticamente não há diferença entre eles. O Afonso Ferreira não é pior ou melhor que Pete Toms nem Ricardo Martins em relação a Zach Hazard Vaupen. Talvez seja mesmo algo na comida processada que faça a Humanidade capaz de desenhar todos os excessos gráficos que "fazem os olhos vomitar" - Le Dernier Cri dixit
Pessoalmente, espero, no entanto, por uma narrativa que convença mais do que mil imagens - e não sendo injusto, é em Afonso Ferreira e Tiago Araújo que se encontram estórias longas, separadas por capítulos, ao longo do Lodaçal. É mais uma espera...

Por fim, a Firma voltou e lança a colecção Vera Suchankova com Dark Shine (2011) do sérvio Aleksandar Opacic, autor presente no Salão Lisboa 2003 e publicado em Portugal na primeira Crica Ilustrada
A colecção que se inicia aqui é dedicada a autores dos Balcãs, sendo que poderemos considerar o livro de esboços do croata Igor Hofbauer como um "volume zero" da colecção. 
Não sendo este o seu primeiro livro de Opacic, será o segundo ambos compilam bds dispersas, curiosamente com uma bd repetida, justamente uma que usa o Batman num ambiente pós-apocalíptico. Este Dark Shine incide mais numa vez em textos (?) de Phillip K. Dick e na figura do Batman nas suas três bds claustrofóbicas. Menos gráfico e mais plástico que Tajna paukove krvi, este livro entretanto deixa as pessoas de queixo aberto devido a um "pop-up" muita mamado fazendo esquecer que as intenções editoriais e autorais não são compreensíveis.

Viva Comix! Vou dormir uma sesta!

sábado, 16 de julho de 2011

Pixel Parts 000001

Afonso Ferreira
edição de autor; 2011

Nas últimas edições da Feira Laica tem surgido uma série de novos autores, criadores e editores que mostra que este importante evento (inter)nacional de edição independente não é sempre de / para os mesmos - creio, que nunca surgiu esta crítica em lado nenhum mas é fácil para quem faz parte da organização sentir alguma repetição de modelos, participantes, etc... - mas dizia, nestas últimas duas edições têm-se mostrado uma nova geração de criadores que óbviamente usam "velhas" formas de edição: zines, livros de autor, serigrafia, etc... como também há os espertinhos que fazem coisas novas.
Neste caso, o espertinho Afonso Ferreira fez uma coisinha pequena, um livrinho (?) feito de várias folhas de acetato ligadas com uma molda de roupa high-tech de forma que o "leitor" possa fazer junções de partes da cabeça de um boneco. Pode-se juntar a caveira com a cabeleira + óculos, ou o cérebro com os músculos faciais, ou ainda juntar tudo. Os desenhos são pixelizados lembrando os velhos computadores. É uma "coisa" (haverá nome para este tipo de livros?) que se compra sem pensar duas vezes, um miminho! Assim vale a pena fazer/ ir à Laica!
à venda na CCC aqui.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Eu não quero ver o Porto a arder!


Foi um fim-de-semana brutal no Porto a da Feira do Jeco... Ainda estou a recuperar da cidade que têm mais arte por metro quadrado e a melhor música do país - bastou o concerto de HHY & The Macumbas na noite de Sábado para perceber isso.  Finalmente  consegui ouvir / ler as edições que trouxe de lá depois de tanta animação e festa como se pode ver pelas fotos tiradas pelo Ghuna X. Só o Jeco é que não entrou...

Para uma feira tão pequena teve até muitas novidades editoriais, alguns lançamentos ou pelo menos resumiu bem a cena independente do momento com especial enfoque no Norte, claro. Começamos pelos mais velhos, já lá vão quatro números da «revista de poesia» Piolho (Ed. Mortas + Black Sun; Mai'10-Mar'11) que na realidade é um fanzine fotocopiado A5 que ou sofre de falta de modéstia ou não quer criar ruído de comunicação à população (quantos sabem o que é um fanzine?). É uma reacção à ausência de publicações que publiquem poesia - género literário desdenhado pelo mercado - em que assume o papel da falência da Poesia sem pejo ao publicar num formato económico. Atitude lógica, o contrário seria o "zero" ou o "fim". Não sendo eu fã de Poesia é-me difícil considerar sobre os trabalhos publicados mas uma coisa é certa, sente-se energia por aqui!

Já é chavão que "a revolução não ser passada na televisão" - o que não é bem verdade, vide a "Primavera dos Países Árabes" - mas se dependermos de publicações como a EVUSP (Las Cucarachas) que no segundo número (Jan'11) é o mais certo que "Revolução vai passar nas revistas de novas tendências" de tão "clean" e "design" que é. Este zine é todo ele "esquerda" - contra o Capitalismo selvagem, contra a alienação,... - mas é tão "fashion" a nível de aspecto gráfico e sonoro - ah! sim, é acompanhado por um CD de "spoken-work" e poesia musicada - que acaba por nada trazer de novo para qualquer mente sabida. No fundo, tal como milhares de bandas de Death Metal ou de Hip Hop, é mais um grito de revolta mas que nada altera o estado das coisas. E eles próprios sabem o que está mal quando Chullage (muito à Saul Williams) diz/ escreve «não só pensamos com computadores, também pensamos como computadores». Exacto, esta "Expansão Violenta de Um Sentimento ou Paixão" precisa de carne, ossos, nervos, vómito, tudo ao natural sem corantes e conservantes, PVC, PC e mp3. No fundo, sendo este colectivo capaz de se esforçar para um objectivo comum - uma publicação que junta ilustração, poesia/literatura e som, e dentro do género (qual?) com pernas para andar - deveria era partir cabeça de como se parte o sistema. Invés de poesia revolucionária preferia saber se é possível arranjar um advogado que conseguisse acabar com os outdoors nas ruas, por exemplo. Ou que fizessem um workshop com putos para danificar cartazes publicitários. Isso sim seria um soco na besta capitalista!

O Rey fez o melhor vídeo de Hip Hop de sempre... mas também o álbum que mais me desiludiu... A sua estreia com Sua Alteza o Vagabundo (ed. de autor; 2011) é um álbum de Hip Hop igual a cem álbuns de Hip Hop Tuga (percebo agora o que o Ex-Peão queria dizer com isso). Talvez algumas frases sejam mais fortes mas o "blá-blá-blá" autofágico e paranoíco é de sempre - pergunto, mas quem são os gajos xungas da cena? porque têm eles tanta importância para estarem sempre a ser denunciados mas sem nomes explícitos? -, uma faixa com vozinha de ir ao cu R'n'B, uma falta de coragem em sair do normalizado beat (já para não falar das orquestrações dramáticas xungas ou a guitarra acústica "sensível"),... Inexplicável! Um tipo que faz o vídeo mais antagónico aos clichés do Hip Hop acaba por não conseguir sair da caixa. Só há "bring da noize" em Rua, verdadeiro hino ao graffiti, que chega às formas sonoras mais contemporâneas, que dá o power e o groove que as palavras de Rey precisam. Correm rumores sobre a participação do Rey com o Ghuna X talvez aí finalmente teremos algo "dread" à séria tal como o Ghuna conseguiu traduzir a M7 em algo decente. Já agora, ela e a Capicua, são as Sygyzy, dupla feminina que participam neste disco, e tal como Rey, apesar das letras cortantes não conseguem fugir às palas do Hip Hop convencional. Parece que há muito que o Hip Hop falha como linguagem plástica, o que não é de admirar, nascida quase ao mesmo tempo do Punk e do Industrial, ambas há muito que se tornaram caricaturas de si mesmo (Eminem, Rammstein ou Green Day). Viva o Breakcore!

E por falar nisso... o Rudolfo têm novo álbum! Só os panilas ainda não compraram esta joia de 8(hate)bit nacional, intitulado Vampiro do Gueto que apresenta um Rudolfo que já não tem 17 anos a dizer xixi cócó mas um rapazola a mudar a voz e a escrever letras semiópticas. A estupidez da juventude continua mas está em metamorfose, as borbulhas desapareceram mas nada indica que vai sair daqui uma borboleta. As letras parecem mais Dark (Teen Angst?) e correm o risco de ficarem "intelectuais", o que não é um problema mas o Rudolfo já não é Rudolfo. Já é o Rudeman ou o Rudolfão. A mudança ainda não é total porque ainda há aqui muitas músicas muito parvas, divertidas, "nerds" e porcas como Poder Lunar, que fala da série de anime Sailor Moon. Todos irão desejar que o Rudolfo fosse conservado em formol e que não crescesse mas infelizmente não é o que vai acontecer. Seria fixe ele arranjar um puto, em jeito de franchising, que fizesse de Rudolfo-de-há-um-ano para continuarmos a ter acesso a esse Rudolfo que já não existe - se os Devo fizeram isso porque não pode fazer o Rudolfo? Os valores de produção sonora elevaram - está mais clean, sem dúvida - enquanto os da embalagem mantêm-se grandes como sempre - quase pensamos que estamos a comprar um single em vinilo no primeiro contacto com o objecto.

Vale a pena ouvir este puto que já 'tá na universidade! Até porque isso não o impede de ser um hiper-activo na cena underground, quer na música quer na bd. Ainda há poucas semanas lançou o primeiro número do zine Lodaçal (Rurucomix). Iniciativa de se louvar que pretende ser uma antologia trimestral de bd. Em 36 páginas A5 reúne um misto de autores novos (Natália Andrade, Maré Odomo), novos mas activos (o próprio Rudolfo, Afonso Ferreira, Tiago Araújo), uns velhotes (Marco Mendes, Christina Casnellie,...) e o Ricardo Martins que não sei em que saco colocá-lo - porque raramente saí trabalho dele cá para fora, e que aqui participa com uma bd toda bem feitinha e isso tudo. É uma mistura estranha mas que mostra um panorama diversificado de estilos e de vontades. Estaremos perante um "great comix zine revival" com iniciativas tão sincopadas como alguns títulos do ínicio de milénio? Espero bem que sim! Próximo número já está programado para Junho!

Outra novidade do Jeco, uma recuperação de baú industrial, cortesia chifruda, de um split'CD-R de Derrame Sanguíneo e Sektor 304 cujas primeiras 50 cópias contem um fanzine de 20 paginas com textos de André Coelho e Gustavo Costa, assim como artwork exclusivo de Coelho e uma capa serigrafada nas Oficinas Arara. «Derrame Sanguíneo foi um projecto de Gustavo Costa (infame baterista de diversos projectos como Motornoise, Most People Have Been Trained To Be Bored or Lost Gorbachves) e Iur, um visionário / doido devoto ao Industrial. As faixas apresentadas neste projecto são as únicas gravações deste projecto e são um bom exemplo do Industrial feito em Portugal durante o final dos anos 90 e inícios do século XXI. Industrial do virar do século, repleto de vocalizações ásperas, palavras duras e batidas programadas odiosas.
A segunda metade deste split pertence a Sektor 304, um projecto bem mais recente que apresenta aqui 3 faixas exclusivas dos seus inícios, incluindo uma remistura da única gravação de Intonarumori, a banda imediatamente anterior a Sektor que continha nas suas fileiras membros como Tshueda (ex-Hospital Psiquiátrico) e J.A. (Wolfskin, Karnnos). Sucata, batidas tribais e ruído.» Press-realease dixit. E diz muito bem, ao ouvir estas peças do passado vamos mesmo de máquina do tempo para sons de "junk" a sério, imaginário Dark, sem tampões nos ouvidos... nada a declarar! Já agora podiam reeditar as gravações de Hospital Psiquiátrico que também merecem uma edição tão ilustre como esta!

Por fim, saiu mais um baralho de cartas de Ricardo Castro, Monstruário, continuando a adaptação de Maldoror. As minhas dúvidas persistem em relação ao projecto e à obra literária. O que posso dizer é que gostei mais deste baralho porque o desenho é mais desenho orgánico e menos "design". Acho que está muito melhor...