E o QCDA foi ao AltCom
A trupe QCDA foi representar a Chili ao festival AltCom 2014, em Malmö, no passado mês de Novembro.
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Hetamoé
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| desenho de Pedro Burgos |
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| cartaz de Afonso Ferreira |
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Amanda Baeza
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A Cru 'tá mesmo nessa de voltar à vida editorial e não brinca em serviço! Agora com o #49 (ah!?) sob o tema especial de "ódio" mete montes de malta a trabalhar com BD, ilustração e texto. Dos autores da CCC participam o Rudolfo, Afonso Ferreira, Zé Burnay e Marcos Farrajota. De resto, a edição mantem a sua condição sexy de formato e acabamento, já para não falar da capa, certo? O conteúdo é mesmo rasco e vadio como se deseja num zine...
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Lodaçal Comix #7 (Ruru Comix; Set'12) mantêm o nível de produção e conteúdo a que nos tem habituado (alto nível, boy!) da capa à última página! Mas há algo a minar alguma energia do início deste zine, sobretudo porque no que diz respeito à produção nacional que neste número resume-se apenas à conclusão da BD Lovehole de Afonso Ferreira - a ser reeditado em breve em livro monográfico pela Chili Com Carne em colaboração com a Ruru. Falta agitar os autores portugueses mas se calhar isso nem o Lodaçal nem ninguém alguma vez conseguirá fazer - curiosmanete ainda há pouco tempo reli um texto na Quadrado #1 (3ª série, ASIBDP + Bedeteca de Lisboa; 2000) que se queixava da lassidão e introversão dos nossos autores. Será por isso que o Lodaçal está cheio de estrangeiros cheios de garra e com vontade de mostrar trabalho?
É bem capaz, e este Minizine #1 (B.Campos; Nov'12) é exemplo disso ou de nada... Começa logo por ser o título menos imaginativo da Terra, o que irá reflectir também nas BDs que são publicadas todas elas escritas por Sanktio e desenhadas por outros autores, dos quais destaco o José Lopes. São exercícios de escrita simples mas que cheiram a redundância e a pensamento reaccionário apesar da vontade do autor em querer transcender o véu de Maya. Falha porque não se expõe para além de uma melancolia mundana - e esse sentimento, por mais válido que seja para qualquer ser humano não é suficiente para provocar mudança a seja quem for.
E voltando atrás... O Meu Namorado Cavalo são dois volumes de BDs em versão portuguesa, feitos por uma espanhola que reside actualmente no Porto - em Programa Erasmus? - em que antropomorfizou o seu namorado num cavalo para contar histórias do dia-a-dia com uma grande dose de humor que não se esgota apenas na situação insólita de ir prá cama com um quadrupede! O desenho é naíf, ao estilo de desenho de crianças, o que lhe rende uma dinâmica e espontaneidade que mata qualquer monotonia rotineira. Um dos volumes tem o texto feito a computador que é uma valente merda, em compensação o que foi escrito à mão é muito melhor!
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Se houve algo de incrível na última Feira Laica foi a quantidade de novidades editoriais que foram lançadas, algumas de artistas que nunca se esforçaram no mundo da edição independente, outros que já não faziam nada há algum tempo e claro os novos autores a apresentarem-se ao mundo. Começamos por aqui, então.
Ninguém pára este mambo! O sexto número do Lodaçal Comix (Ruru Comix) até saiu antes da Laica, com mais ou menos a pandilha de sempre - há sem malta nova a fazer algo, como o Rui Ricardo que fez uma atraente capa vintage / pulp. E há uma descoberta bastante boa chamada André Pereira que impressiona pelo virtuosismo gráfico e narrativo, e que confunde coordenadas - as influências dele são os franceses psicadélicos da Metal Hurlant ou hispánicos manhosos da Cimoc ou é mesmo xungaria indie sci-fi norte-americana? Já lá iremos...
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v/a (Ruru Comix; Mar'12)
Se o Lodaçal não tivesse uma tiragem limitada de fanzine, podia ser uma excelente revista de bd alternativa. De resto, o zine já nos ilude com uma periocidade regular, comemoração de um ano de existência, design limpo e profissional, BDs com histórias de continuação, artistas com grafismos atraentes, capas sensacionais e tudo o mais.
A ilusão vai-se desvainecendo porque sabemos que são feitos poucos exemplares no regime de militância e trabalhos manuais típico dos zines, e sobretudo após a leitura de muitas BDs que prometem muito visualmente - nos seus mistos pós-Pop - depois revelam apenas non-senses e teenage angsts que pouco diz.
Vai havendo metamorfoses ligeiras aqui e ali, como o Tiago Araújo que já percebeu o sentido da vida (espero que agora parta para outra) ou o Rudolfo que inviste na autobiografia, com um estilo gráfico mais free e fresco que o habitual, mas que serve apenas como Editorial do zine, não fosse ele o editor deste zine. Os estrangeiros andam tão perdidos como os portugueses - pudera, a regra "a juventude é desperdiçada nos jovens" é universal - em que destaco Detrocboi e Michael Deforge pelos seus universos gráficos bizarros, e Aaron Kaneshiro (autor de Aspiração Horrífica) pelo seu pós-modernismo mordaz. Aliás, este último têm sempre sido um constante ponto de frescura e ruptura do zine após um ano de existência... Ah, pois! Parabéns!!! Não houve festa? Merecia porque o Lodaçal rulaz!
à venda na shop da CCC.
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Mais publicações que sairam ou ficaram acessíveis durante a Feira Laica. Estas dedicadas à banda desenhada e não é por serem de bd que são as mais impressionantes! Juro! Elas são bem melhores que os graphzines!Começamos com o grande furor (inter)nacional que é o segundo número do Lodaçal Comix, um zine organizado por Rudolfo, artista da bd e do CD pirata verdadeiro chavalo hiper-activo que prometeu e cumpriu. O projecto foi anunciado como trimestral e assim está a ser, já vai no número dois e sei que o terceiro já está quase feito!
Não é de estranhar que apareça Snakebomb Comix #1 em Portugal distribuído pelo próprio Rudolfo, não partilhassem ambos títulos autores e estéticas idênticas. Tendo acesso a estes dois títulos ao mesmo tempo, coloca-se a questão onde começa um e acaba o outro. Pode-se dizer que a única diferença é que este último é feito exclusivamente por autores norte-americanos e que têm uma capa em serigrafia (e menos páginas, toma!).
Por fim, a Firma voltou e lança a colecção Vera Suchankova com Dark Shine (2011) do sérvio Aleksandar Opacic, autor presente no Salão Lisboa 2003 e publicado em Portugal na primeira Crica Ilustrada.
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Afonso Ferreira
edição de autor; 2011
Nas últimas edições da Feira Laica tem surgido uma série de novos autores, criadores e editores que mostra que este importante evento (inter)nacional de edição independente não é sempre de / para os mesmos - creio, que nunca surgiu esta crítica em lado nenhum mas é fácil para quem faz parte da organização sentir alguma repetição de modelos, participantes, etc... - mas dizia, nestas últimas duas edições têm-se mostrado uma nova geração de criadores que óbviamente usam "velhas" formas de edição: zines, livros de autor, serigrafia, etc... como também há os espertinhos que fazem coisas novas.
Neste caso, o espertinho Afonso Ferreira fez uma coisinha pequena, um livrinho (?) feito de várias folhas de acetato ligadas com uma molda de roupa high-tech de forma que o "leitor" possa fazer junções de partes da cabeça de um boneco. Pode-se juntar a caveira com a cabeleira + óculos, ou o cérebro com os músculos faciais, ou ainda juntar tudo. Os desenhos são pixelizados lembrando os velhos computadores. É uma "coisa" (haverá nome para este tipo de livros?) que se compra sem pensar duas vezes, um miminho! Assim vale a pena fazer/ ir à Laica!
à venda na CCC aqui.
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Foi um fim-de-semana brutal no Porto a da Feira do Jeco... Ainda estou a recuperar da cidade que têm mais arte por metro quadrado e a melhor música do país - bastou o concerto de HHY & The Macumbas na noite de Sábado para perceber isso. Finalmente consegui ouvir / ler as edições que trouxe de lá depois de tanta animação e festa como se pode ver pelas fotos tiradas pelo Ghuna X. Só o Jeco é que não entrou...
Para uma feira tão pequena teve até muitas novidades editoriais, alguns lançamentos ou pelo menos resumiu bem a cena independente do momento com especial enfoque no Norte, claro. Começamos pelos mais velhos, já lá vão quatro números da «revista de poesia» Piolho (Ed. Mortas + Black Sun; Mai'10-Mar'11) que na realidade é um fanzine fotocopiado A5 que ou sofre de falta de modéstia ou não quer criar ruído de comunicação à população (quantos sabem o que é um fanzine?). É uma reacção à ausência de publicações que publiquem poesia - género literário desdenhado pelo mercado - em que assume o papel da falência da Poesia sem pejo ao publicar num formato económico. Atitude lógica, o contrário seria o "zero" ou o "fim". Não sendo eu fã de Poesia é-me difícil considerar sobre os trabalhos publicados mas uma coisa é certa, sente-se energia por aqui!
Já é chavão que "a revolução não ser passada na televisão" - o que não é bem verdade, vide a "Primavera dos Países Árabes" - mas se dependermos de publicações como a EVUSP (Las Cucarachas) que no segundo número (Jan'11) é o mais certo que "Revolução vai passar nas revistas de novas tendências" de tão "clean" e "design" que é. Este zine é todo ele "esquerda" - contra o Capitalismo selvagem, contra a alienação,... - mas é tão "fashion" a nível de aspecto gráfico e sonoro - ah! sim, é acompanhado por um CD de "spoken-work" e poesia musicada - que acaba por nada trazer de novo para qualquer mente sabida. No fundo, tal como milhares de bandas de Death Metal ou de Hip Hop, é mais um grito de revolta mas que nada altera o estado das coisas. E eles próprios sabem o que está mal quando Chullage (muito à Saul Williams) diz/ escreve «não só pensamos com computadores, também pensamos como computadores». Exacto, esta "Expansão Violenta de Um Sentimento ou Paixão" precisa de carne, ossos, nervos, vómito, tudo ao natural sem corantes e conservantes, PVC, PC e mp3. No fundo, sendo este colectivo capaz de se esforçar para um objectivo comum - uma publicação que junta ilustração, poesia/literatura e som, e dentro do género (qual?) com pernas para andar - deveria era partir cabeça de como se parte o sistema. Invés de poesia revolucionária preferia saber se é possível arranjar um advogado que conseguisse acabar com os outdoors nas ruas, por exemplo. Ou que fizessem um workshop com putos para danificar cartazes publicitários. Isso sim seria um soco na besta capitalista!
O Rey fez o melhor vídeo de Hip Hop de sempre... mas também o álbum que mais me desiludiu... A sua estreia com Sua Alteza o Vagabundo (ed. de autor; 2011) é um álbum de Hip Hop igual a cem álbuns de Hip Hop Tuga (percebo agora o que o Ex-Peão queria dizer com isso). Talvez algumas frases sejam mais fortes mas o "blá-blá-blá" autofágico e paranoíco é de sempre - pergunto, mas quem são os gajos xungas da cena? porque têm eles tanta importância para estarem sempre a ser denunciados mas sem nomes explícitos? -, uma faixa com vozinha de ir ao cu R'n'B, uma falta de coragem em sair do normalizado beat (já para não falar das orquestrações dramáticas xungas ou a guitarra acústica "sensível"),... Inexplicável! Um tipo que faz o vídeo mais antagónico aos clichés do Hip Hop acaba por não conseguir sair da caixa. Só há "bring da noize" em Rua, verdadeiro hino ao graffiti, que chega às formas sonoras mais contemporâneas, que dá o power e o groove que as palavras de Rey precisam. Correm rumores sobre a participação do Rey com o Ghuna X talvez aí finalmente teremos algo "dread" à séria tal como o Ghuna conseguiu traduzir a M7 em algo decente. Já agora, ela e a Capicua, são as Sygyzy, dupla feminina que participam neste disco, e tal como Rey, apesar das letras cortantes não conseguem fugir às palas do Hip Hop convencional. Parece que há muito que o Hip Hop falha como linguagem plástica, o que não é de admirar, nascida quase ao mesmo tempo do Punk e do Industrial, ambas há muito que se tornaram caricaturas de si mesmo (Eminem, Rammstein ou Green Day). Viva o Breakcore!
E por falar nisso... o Rudolfo têm novo álbum! Só os panilas ainda não compraram esta joia de 8(hate)bit nacional, intitulado Vampiro do Gueto que apresenta um Rudolfo que já não tem 17 anos a dizer xixi cócó mas um rapazola a mudar a voz e a escrever letras semiópticas. A estupidez da juventude continua mas está em metamorfose, as borbulhas desapareceram mas nada indica que vai sair daqui uma borboleta. As letras parecem mais Dark (Teen Angst?) e correm o risco de ficarem "intelectuais", o que não é um problema mas o Rudolfo já não é Rudolfo. Já é o Rudeman ou o Rudolfão. A mudança ainda não é total porque ainda há aqui muitas músicas muito parvas, divertidas, "nerds" e porcas como Poder Lunar, que fala da série de anime Sailor Moon. Todos irão desejar que o Rudolfo fosse conservado em formol e que não crescesse mas infelizmente não é o que vai acontecer. Seria fixe ele arranjar um puto, em jeito de franchising, que fizesse de Rudolfo-de-há-um-ano para continuarmos a ter acesso a esse Rudolfo que já não existe - se os Devo fizeram isso porque não pode fazer o Rudolfo? Os valores de produção sonora elevaram - está mais clean, sem dúvida - enquanto os da embalagem mantêm-se grandes como sempre - quase pensamos que estamos a comprar um single em vinilo no primeiro contacto com o objecto.
Vale a pena ouvir este puto que já 'tá na universidade! Até porque isso não o impede de ser um hiper-activo na cena underground, quer na música quer na bd. Ainda há poucas semanas lançou o primeiro número do zine Lodaçal (Rurucomix). Iniciativa de se louvar que pretende ser uma antologia trimestral de bd. Em 36 páginas A5 reúne um misto de autores novos (Natália Andrade, Maré Odomo), novos mas activos (o próprio Rudolfo, Afonso Ferreira, Tiago Araújo), uns velhotes (Marco Mendes, Christina Casnellie,...) e o Ricardo Martins que não sei em que saco colocá-lo - porque raramente saí trabalho dele cá para fora, e que aqui participa com uma bd toda bem feitinha e isso tudo. É uma mistura estranha mas que mostra um panorama diversificado de estilos e de vontades. Estaremos perante um "great comix zine revival" com iniciativas tão sincopadas como alguns títulos do ínicio de milénio? Espero bem que sim! Próximo número já está programado para Junho!
Outra novidade do Jeco, uma recuperação de baú industrial, cortesia chifruda, de um split'CD-R de Derrame Sanguíneo e Sektor 304 cujas primeiras 50 cópias contem um fanzine de 20 paginas com textos de André Coelho e Gustavo Costa, assim como artwork exclusivo de Coelho e uma capa serigrafada nas Oficinas Arara. «Derrame Sanguíneo foi um projecto de Gustavo Costa (infame baterista de diversos projectos como Motornoise, Most People Have Been Trained To Be Bored or Lost Gorbachves) e Iur, um visionário / doido devoto ao Industrial. As faixas apresentadas neste projecto são as únicas gravações deste projecto e são um bom exemplo do Industrial feito em Portugal durante o final dos anos 90 e inícios do século XXI. Industrial do virar do século, repleto de vocalizações ásperas, palavras duras e batidas programadas odiosas.
A segunda metade deste split pertence a Sektor 304, um projecto bem mais recente que apresenta aqui 3 faixas exclusivas dos seus inícios, incluindo uma remistura da única gravação de Intonarumori, a banda imediatamente anterior a Sektor que continha nas suas fileiras membros como Tshueda (ex-Hospital Psiquiátrico) e J.A. (Wolfskin, Karnnos). Sucata, batidas tribais e ruído.» Press-realease dixit. E diz muito bem, ao ouvir estas peças do passado vamos mesmo de máquina do tempo para sons de "junk" a sério, imaginário Dark, sem tampões nos ouvidos... nada a declarar! Já agora podiam reeditar as gravações de Hospital Psiquiátrico que também merecem uma edição tão ilustre como esta!
Por fim, saiu mais um baralho de cartas de Ricardo Castro, Monstruário, continuando a adaptação de Maldoror. As minhas dúvidas persistem em relação ao projecto e à obra literária. O que posso dizer é que gostei mais deste baralho porque o desenho é mais desenho orgánico e menos "design". Acho que está muito melhor...
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