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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Zines é no Porto!

Trouxe alguns zines da última edição da Feira de Publicação Independente, onde havia dezenas de novidades de zines fazendo do Porto de novo um pólo de zines e edição independente como já não acontecia há alguns anos. O único "mal" é que a maioria dos zines que vi eram de ilustração e design, que sinceramente não tenho paciência. Chamem-me de cromo mas o que gosto mesmo é de ler. Talvez seja um problema português, a falta de cultura visual, que cria comportamentos ora de desconfiança ora de euforia sobre "graphzines" e afins... Como só havia uns quantos zines de bd ou de texto fico por estes "lugares comuns", apesar de serem novidades:


Eis o primeiro número do Buraco que junta uma redacção de Lisboa e do Porto num objectivo de ser uma publicação de oposição política em bd, em que encontramos trabalhos de Bruno Borges, André Lemos, Carlos Pinheiro, Marco Mendes, Nuno Sousa, Miguel Carneiro e uns misteriosos pseudónimos. Dizem que "batemos no fundo e ainda escavámos um buraco" mas acabam por "bater no ceguinho" para quem já se habituou a ver os trabalhos destes autores em outras produções independentes, não havendo neles grandes diferenças temáticas ou na forma de os tratar. O caso mais flagrante é o de Marco Mendes que aparece com as suas mesmas tiras de sempre - é provável que elas sejam inéditas em papel mas para quem visita o seu blog parece que estamos a ver / ler outra vez o mesmo material, ad eternum...
Para uma publicação de "sátira" (?) política parece bastante púdico, talvez os autores tenham pena dos políticos... afinal eles também são seres humanos, snif, snif...

buracoeditorial@gmail.com

Tiago Araújo voltou com mais um zine seu cheio de alucinações sobre a existência e "raison d'étre", Metamorfis. Passou a escrever à mãozinha - coisa que irritava noutras bds suas - os seus textos esotéricos que nos ensinam o sentido da vida apesar de o autor ter só uns 20 anitos... merda! Não soa a muito convicente o que acabei de escrever... talvez seja isso que acontece com a sua bd também. 
Puto, mexe-te! Só há sentido para a vida se deres-te ao trabalho de a viver. Só há reflexão depois da acção... caso contrário é só melodrama português, fatal como o seu fadinho... Vai esmagar um carro contra uma esquadra de bófias, queimar algum outdoor ou algo útil do tipo! Ou ouvir o "Sean Paul Satre", o rei do Dancehall Existencialista, caga no escritor francês, boy! Como diz essa grande fonte de sabedoria, Matti Nykänen, "life is the best time you have!". 

Em compensação, o Rudolfo é só testosterona e acção xunga assumida para "skaters from hell" ou para quem viveu jogos de computador, "shokushu goukan" (porno japonês com violações por tentáculos), RPGs e toda uma alienação cultural dos últimos 20 anos. Falo de 666 Hardware, um micro-épico trash curtido com o Rudolfo a lamber o desenho para nos impressionar. É uma estupidez pegada numa edição bem cuidada. Pedidos práqui. Imagens em velocidade excessiva (mais que a bd):


Mas o melhor do Porto, aliás, do Rudolfo é mesmo o seu zine Lodaçal Comix, que vai agora no terceiro número. Um excelente trabalho que merece todos os elogios possíveis. Não sei se o título "lodaçal" apareceu para retratar a "cena da bd portuguesa" e a falta de expectativas que esta área comporta a nível social, económico, profissional e artístico.
Mas se todos os autores fossem empreendedores e abertos como o jovem Rudolfo, a cena seria um "continente" invés dos típicos nomes de projectos dos portugueses que insistem em "meter água" (literalmente) nas suas identidades: BaleiAzul, Polvo, pedranocharco, etc... Mas aqui falamos do oposto simétrico, com o Lodaçal meteu malta nova e "velha", feminina e masculina, nacional e estrangeira, numa produção de qualidade e com regularidade - o projecto apresenta-se trimestral e ainda não saiu um número atrasado! Junta bds de recortes autobiográficos com umas de alucinações grotescas, um bocado de surrealismo post-pop emperfeitamente sintonia com as correntes "underground" da bd mundial.
Só os idiotas do costume não irão perceber que se está a fazer História por aqui. O número quatro vai sair na próxima Feira Laica com um número "fora de série". Razões justificadas para quem gosta de bd ir a correr prá Laica! Entretanto, quem quiser gastar o subsídio de Natal que o faça aqui invés de ir gastar em pizzas (piças?)...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

a CCC apoia a CULTURA PIRATA



CONFERÊNCIA: CULTURA PIRATA NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
Dia 6 de Outubro, no Instituto de Ciências Sociais, das 10h às 19h. Entrada Livre.
Inscrições e informações: culturapirata2011.wordpress.com
(Cartaz: Bruno Borges)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

comix ANTI POP

Mais publicações que sairam ou ficaram acessíveis durante a Feira Laica. Estas dedicadas à banda desenhada e não é por serem de bd que são as mais impressionantes! Juro! Elas são bem melhores que os graphzines!

Começamos com o grande furor (inter)nacional que é o segundo número do Lodaçal Comix, um zine organizado por Rudolfo, artista da bd e do CD pirata verdadeiro chavalo hiper-activo que prometeu e cumpriu. O projecto foi anunciado como trimestral e assim está a ser, já vai no número dois e sei que o terceiro já está quase feito! 

E não ficou por aí, do primeiro número para este segundo engordou para 104 páginas A5 de autores tão diferentes como Afonso Ferreira, Natalie Andrade, Christina Casnellie + Bruno Borges, Maré Odomo, Rudolfo, Zukk Ozaki, Marco Mendes, L-EGO, Shogo Yoshikawa, Zé Burnay, Tiago Araújo, Aaron Kaneshiro, Ricardo Martins, Aviv Itzcovitz, Tetsunori Tawaraya, André Lemos, Zach Hazard, Ze Jian Shen, Tom Toye, João Cravo, Jack Hayden, Leah Wishnia, Tagas, Weja, Austin BreedJakub TywoniukMichael Deforge André Coelho.
Tal como cada vez há miúdas mais bonitas (o Ivan Brun acha que é qualquer coisa que andam a por nos cereais matinais) também cada vez a malta jovem desenha melhor. E sendo uma geração que literalmente têm tudo à sua disposição (mesmo que a maior parte do tempo seja de modo virtual) é natural que apareçam uma montanha de bds em que se cruzem referências do mundo Pop ad nauseam: "ninjas, super-heróis, mutantes, gajas nuas, elefantes, porcos, pilas, lobos, dragões, chicks (gajas galinhas!), magos, rabos, grávidas, gajos normais e retretes" como qualquer bom Cultura Pop em ebulição sugere. Estamos num planeta pós-Fort Thunder e neo-surrealista em que até Hentai que serve de crítica à energia nuclear. O futuro da bd (inter)nacional passa por aqui...

Não é de estranhar que apareça Snakebomb Comix #1 em Portugal distribuído pelo próprio Rudolfo, não partilhassem ambos títulos autores e estéticas idênticas. Tendo acesso a estes dois títulos ao mesmo tempo, coloca-se a questão onde começa um e acaba o outro. Pode-se dizer que a única diferença é que este último é feito exclusivamente por autores norte-americanos e que têm uma capa em serigrafia (e menos páginas, toma!). 
Temáticamente e estéticamente não há diferença entre eles. O Afonso Ferreira não é pior ou melhor que Pete Toms nem Ricardo Martins em relação a Zach Hazard Vaupen. Talvez seja mesmo algo na comida processada que faça a Humanidade capaz de desenhar todos os excessos gráficos que "fazem os olhos vomitar" - Le Dernier Cri dixit
Pessoalmente, espero, no entanto, por uma narrativa que convença mais do que mil imagens - e não sendo injusto, é em Afonso Ferreira e Tiago Araújo que se encontram estórias longas, separadas por capítulos, ao longo do Lodaçal. É mais uma espera...

Por fim, a Firma voltou e lança a colecção Vera Suchankova com Dark Shine (2011) do sérvio Aleksandar Opacic, autor presente no Salão Lisboa 2003 e publicado em Portugal na primeira Crica Ilustrada
A colecção que se inicia aqui é dedicada a autores dos Balcãs, sendo que poderemos considerar o livro de esboços do croata Igor Hofbauer como um "volume zero" da colecção. 
Não sendo este o seu primeiro livro de Opacic, será o segundo ambos compilam bds dispersas, curiosamente com uma bd repetida, justamente uma que usa o Batman num ambiente pós-apocalíptico. Este Dark Shine incide mais numa vez em textos (?) de Phillip K. Dick e na figura do Batman nas suas três bds claustrofóbicas. Menos gráfico e mais plástico que Tajna paukove krvi, este livro entretanto deixa as pessoas de queixo aberto devido a um "pop-up" muita mamado fazendo esquecer que as intenções editoriais e autorais não são compreensíveis.

Viva Comix! Vou dormir uma sesta!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CCC not Tex not Mex Shows (2) Bruno Borges

second Chili Com Carne show in Texas, this time with Bruno Borges

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa



não é o cartaz oficial (não há!?) mas o André Lemos fez um fixe que decidimos roubar para este "post"!

Inaugura no dia 10 de Janeiro (Segunda-Feira) às 19h30, no Museu Berardo - no Centro Cultural de Belém - a exposição Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa comissariada por Pedro Moura.

«Esta exposição visa dar uma perspectiva ampla da criação da banda desenhada portuguesa, procurando o encontro com novos públicos diversificados e expandindo a percepção social desta linguagem. A banda desenhada é sobretudo conhecida como uma linguagem de entretenimento, de massas, afecta ao público infanto-juvenil, sendo muito difícil que alguém não conheça as muitas personagens famosas que compõem essa paisagem cultural. No entanto, tal como em quase todos os outros campos artísticos, a banda desenhada também tem um número de autores que a procuram empregar como um meio de expressão mais pessoal, ou uma disciplina artística aberta a experimentações várias, informadas pelos discursos contemporâneos. Seja pelo lado da escrita, com autores a explorar a autobiografia, uma abordagem da paisagem cultural nacional, problemas de género ou políticos, seja pelo lado da visualidade, explorando novas linguagens, estruturações da página e até graus de abstracção. O mercado de banda desenhada em Portugal, não sendo propriamente forte nem muito diverso, quer em termos de traduções de obras contemporâneas ou históricas quer de trabalhos originais nacionais, é contraposto por toda uma série de experiências em círculos da edição independente ou de projectos alternativos que tem sido um produtivo solo para criadores extremamente interessantes e inovadores.

A exposição presente focará sobretudo autores modernos e contemporâneos – ainda que haja um desvio por dois autores históricos, experimentais na sua época: Rafael Bordalo Pinheiro, o “pai” da banda desenhada moderna portuguesa, e Carlos Botelho, autor do magnífico Ecos da Semana – que procuram elevar a banda desenhada a uma linguagem adulta e inovadora artisticamente. Do desenho suave de Richard Câmara às experiências de Pedro Nora, do minimalismo a preto-e-branco de Bruno Borges à multiplicidade de Maria João Worm, da presença solta de Teresa Câmara Pestana à exuberância das cores de Diniz Conefrey, da austeridade de Janus à vivacidade de Daniel Lima, haverá um largo espectro, ainda que pautado por critérios de pertinência artística, representativo desta área no nosso país. Estarão presentes autores de algum sucesso comercial e crítico (como, por exemplo, José Carlos Fernandes, António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches, Nuno Saraiva e Victor Mesquita) e outros autores de círculos mais independentes (de Jucifer/Joana Figueiredo a André Lemos, Miguel Carneiro e Marco Mendes); autores cujas bandas desenhadas parecem obedecer às regras mais convencionais e clássicas da sua fabricação mas para explorar temas disruptivos (como Ana Cortesão, Pedro Zamith e Marcos Farrajota) e outros que as parecem ultrapassar em todos os aspectos (como Nuno Sousa, Carlos Pinheiro ou Cátia Serrão); e ainda artistas que criaram objectos impressos que empregam elementos passíveis de aproximação a uma leitura ampla da banda desenhada, isto é, fazem-nos pensar numa sua possível definição ou apreciação mais alargada (como Eduardo Batarda, Tiago Manuel, Isabel Baraona e Mauro Cerqueira). Nalguns casos, a exploração que os artistas fazem do desenho ganham corpo noutros objectos que não de papel, e que serão integrados nesta mostra (animações, esculturas, bonecos, maquetas, e fanzines-objecto, com larga incidência para aqueles criados por João Bragança).

A lista, que não pretende, de forma alguma, o que seria impossível, ser vista nem como absoluta nem como exaustiva, dos artistas é como segue: Alice Geirinhas, Ana Cortesão, André Lemos, António Jorge Gonçalves, Bruno Borges, Carlos Botelho, Carlos Pinheiro, Carlos Zíngaro, Cátia Serrão, Daniel Lima, Diniz Conefrey, Eduardo Batarda, Filipe Abranches, Isabel Baraona, Isabel Carvalho, Isabel Lobinho, Janus, João Fazenda, João Maio Pinto, José Carlos Fernandes, Jucifer (Joana Figueiredo), Luís Henriques, Marco Mendes, Marcos Farrajota, Maria João Worm, Mauro Cerqueira, Miguel Carneiro, Miguel Rocha, Nuno Saraiva, Nuno Sousa, Paulo Monteiro, Pedro Burgos, Pedro Nora, Pedro Zamith, Pepedelrey, Rafael Bordalo Pinheiro, Richard Câmara, Susa Monteiro, Teresa Câmara Pestana, Tiago Manuel e Victor Mesquita.»

A exposição estará patente até 27 de Março e será acompanhada por um catálogo com textos de Domingos Isabelinho, Pedro Moura e Sara Figueiredo Costa, a ser distribuído pela Associação Chili Com Carne.




Edição Museu Colecção Berardo / Centro Cultural de Belém; 2011
Conteúdos: Reproduções de obras de 41 autores da exposição Tinta nos Nervos. Três ensaios com autoria de Pedro Vieira de Moura, Domingos Isabelinho e Sara Figueiredo Costa. Biografias e sinopse da obra de todos os autores. Textos em português.
Características: 21x27 cm, 396 pp (99 desdobráveis c/ 4 pp.), a cores, papel Inaset Plus offset 60 grs. (miolo), Popset Burgau 240 grs. (capa). Desdobráveis dobrados ao meio e alceados. Serrotados, brochados e aparados. Autocolante aplicado na capa. Design: Barbara says... Exemplares: 1000

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Rodrigues Palmtree Zine




Rodrigues Palmtree Zine
Venda exclusiva no site da Chili Com Carne!
Zine colectivo produzido como oferta ao Sr. Rodrigues
do Restaurante Palmeira pela sua reforma ao fim
de 57 anos a nos servir as melhores imperiais e
batata frita salgada.
Edição única de 30 exemplares.
24 páginas.
Miolo impresso a laser em papel Navigator 90 gr/m2.
Capa impressa em serigrafia pelo Atelier Mike Goes West.
Dezembro 2010.
Participantes:
André Lemos, Bruno Borges, Diogo Tavares,
Filipe Abranches, João Chambel, José Feitor,
Jucifer, Luís Henriques, Marcos Farrajota,
Miguel Frazão e Piggy.
Organizado, editado e impresso por André Lemos.
ESGOTADO

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

combate ibérico - facção lusitana

Primeiras páginas de bd's de Ana Ribeiro, Marcos Farrajota, João Ortega, Bruno Borges, Sílvia Rodrigues, André Lemos,... para o zine a editar pelo colectivo Cada Vez Peor, de Valência, no âmbito do projecto Spreading Chili Sauce around Boring Europa. Serão 24 páginas A5, 12 para autores portugueses e outras 12 para espanhóis, o tema é "combate"...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

10 CCC - comemoração 10:

estudos das t-shirts

Já está à venda a primeira peça das T-Shirts CCC, impressas por Lucas Almeida com desenhos dos artistas da CCC.
A primeira, Mouth Bug por André Lemos. Em preparação T-shirts de Bruno Borges, Jucifer, João Maio Pinto... e mais ilustradores durante o ano.

domingo, 6 de janeiro de 2008

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O Mistério da Cultura... completo!

Até 30 de Dezembro, a Work&Shop apresenta ao público as duas partes do "O Mistério da Cultura" numa única exposição! Todas as 126 obras especialmente criadas por 14 artistas e ilustradores: André Lemos, André Letria, Bruno Borges, Edgar Raposo, Joana Figueiredo, João Fazenda, João Paulo, Marcos Farrajota, Nuno Saraiva, Pedro Brito, Pedro Zamith, Richard Câmara, Teresa Amaral e Vanessa Teodoro.

domingo, 1 de julho de 2007

Não há regras sem excepções

Tal como este país se queixa permanentemente de atrasos sobre a Arte, também acho que haja um exagero tipicamente latino relativamente a essas queixas, especialmente quando aparecem “coisas” como os Opuntia Books, perfeitamente sintonizados com a cultura contemporânea.

Desde Janeiro de 2006 que o ilustrador André Lemos começou a lançar edições que publicam desenhos seus ou de outros autores. Essas edições monográficas são feitas de tiragens limitadas entre os 50 a 100 exemplares – sem reedições, especulando a raridade dos mesmos. Cada exemplar é numerado com um carimbo e muitas vezes também são assinados pelo autor. O formato é o A5 e as capas são impressas em cartolina, muitas vezes em serigrafia. Por fim, as edições são embaladas em sacos plásticos para proteger algumas surpresas que costumam saltar do interior - folhas volantes, fotografias... Falta dizer que a impressão é feita a fotocópia a lazer garantido uma qualidade de reprodução, simulacro de uma impressão profissional.

Dos títulos até agora editados, dois são de autoria de Lemos: Even gravediggers read Playboy (Jan’06) e Family Portraits (Mar’07). No primeiro caso, é reproduzido uma selecção de desenhos do autor, no segundo, é uma série temática - um desfile de famílias toscas. Não porque elas sejam toscas per se mas porque a maioria das criações de Lemos tem um ar bruto, resultado do tratamento gráfico condimentado com traços musculados e negros; e, os desenhos são acompanhados por frases irónicas. Aliás, basta constatar pelo primeiro título a capacidade de Lemos para criar frases idiossincrásicas. A primeira edição é impressa sobre papel azul de 25 linhas – um pormenor sádico da burocracia portuguesa – e o segundo título inclui uma fotografia “vintage”. O primeiro título encontra-se esgotado, fechando desde já o seu ciclo de vida pública – embora quem o quiser consultar poderá encontrar um exemplar na Bedeteca de Lisboa, provavelmente a única instituição pública com um bom acervo de fanzines.

E por falar em fanzines, creio que tem havido confusão em designar os Opuntias como fanzines. Geralmente têm sido divulgados como tal (incluiu-me na lista de culpados) porque em parte em Portugal (agora sim, uma queixa) há alguma falta de denominações para alguns objectos urbanos. O próprio “fanzine” tem sido divulgado para qualquer edição com as seguintes características formais: publicações amadoras e não remuneradas que tratam de um assunto - daí a contracção das palavras: “fan” e “magazine” -, edições fotocopiadas de tiragem reduzida (100 exemplares máximo) e de distribuição ainda mais restrita (amigos e redes de contactos). É verdade que os primeiros fanzines, nos anos 30, que versavam sobre ficção científica, e nos anos 60 de música. Mas «desde os anos 70, que o “fã” tem sido abandonado do "fanzine". O aparecimento da estética “Do It Yourself” do movimento Punk aliado ao acesso às fotocopiadoras, fez com que as pessoas começassem a tratar de assuntos mais pessoais e que não poderiam ser associados à ideia de ser “fã” de seja o que for» 1, ou seja, os editores / autores não quiseram ser meros admiradores da cultura comercial e passaram a querer ser produtores de uma outra cultura, a sua, seja ela qual for. Os Opuntia teriam todas as características para serem zines, por manter as características físicas (tiragem e formato) e as de conteúdo pessoal ou artístico. Então porque se chamam de “Books” e não “Zines”? É que apesar dos fanzines ou zines serem aperiódicos (saem quando podem, dependendo do tempo e economia do seu editor) tem uma numeração como se fossem uma revista. Os Opuntias também saem quando o editor pode e também tem uma numeração poderá ser contraposto, no entanto, a numeração surge como uma colecção de volumes independentes tal como numa colecção de livros de uma editora profissional. O que são os Opuntia Books?

Mesmo sabendo que nem sempre as definições funcionam e que no mundo pós-moderno em que vivemos com avanços tecnológicos que por pouco são quase em tempo real (um exagero, eu sei), o que era certo há 5 anos poderá não ser hoje ou nos próximos 5 minutos. Eu diria que são “livros de autor” impressos na tecnologia barata da sua época tal como noutras alturas aconteceu com outros movimentos artísticos ou criativos: Dada, Futurismo, Surrealismo, Beatnik, Situacionismo, Fluxus, Punk, Rrriot Girl. Daí que não teria dúvidas que os Opuntia pertencem à cartografia de projectos gráficos radicais que misturam Art Brut, neo-psicadelismo, porno-hard-gore, iconoclastia ao ritmo Breakcore, estéticas kitsch do Punk ou do Metal, bichos fofos-freeform onde vamos encontrar (apesar das diferenças de estatuto) editoras como Le Dernier Cri (França), MMMNNNRRRG (Portugal), Boing Being (Finlândia), Francis Laporte (França), Smittkilde (Dinamarca), Bongoût (Alemanha) e Stratégie Alimentaire (França) – onde inclusive Lemos já participou em antologias ou livros a solo.

Na realidade o termo certo dos Opuntia são “chapbooks” mas não podemos usar a tradução da palavra para português porque significa "folhetos de cordel" - «literatura (…), persistente desde o século XVII, fora dos circuitos tradicionais do livro ou, melhor dizendo, paralelo a estes; (…) antecessor do livro de bolso, pela facilidade da sua circulação». 2 Em inglês, tem essa origem antiga - os folhetos eram vendidos por “Chapmen” (vendedores ambulantes) - mas foi rejuvenescida pela literatura marginal dos Beatniks que editavam em pequeno formato e baixo custo de produção. Não vale a pena queixarmos de não termos tido “beatniks” em Portugal, nos anos 50, a tristeza de Salazar era a cultura oficial mas reparem: 50 anos depois temos os Opuntias Beatniks, digo, Books! Rewind!

Raio Verde (Mar’06) é uma selecção de desenhos de Bruno Borges, num estilo gráfico que reduz os objectos ou pessoas a linhas essenciais que retratam fantasias infantis (um militar, animais, um mago). No interior há ainda uma separata com uma bd de quatro páginas que regista uma conversa de café do tipo «só estou bem onde não estou» em castelhano entre um tipo e um urso; e um envelope com desenhos soltos.

Animália (Jun’06) de Frederico é uma colecção de 30 desenhos de dinossáurios com mandíbulas ameaçadoras, feitos por este autor de 4 anos de idade. Um autocolante colado no plástico avisa: «pode ser usado como livro de colorir» por outras crianças - ou adultos, cada um sabe de si.

Suicide Reporté (Mar’07) e Life is life (Set’07) de Sylvain Gérand e Mehdi Hercberg, respectivamente. Sylvain é conhecido pelo seu trabalho de editor: o zine mutante L’Horreur est Humaine (que ganhou o prémio de Fanzine no Festival de BD de Angoulême), e actualmente as Editions Humeurs. Sylvain é sobretudo um virtuoso Pop mas ao serviço do “choque”. Um exemplo do seu trabalho pode ser visto nesta página - a criança com ar terminal que diz “Não tens um ‘naite, ó idiota?!”, ao seu lado, alguém desmaia numa típica convenção de cartoon. Um estilo Reader’s Digest mas com a mensagem “estragada”. Alguns desenhos parecem exercícios de estilo, com uma enorme capacidade de criar texturas complexas. Hercberg é simétrico a Gérand, as imagens que cria num estilo “ratty” (devedor a Gary Panter) de figuras humanas em permanente derrame. Apesar da decadência física, as personagens tem um carisma por parecerem simpáticos patetas. Grind-Cutie Pie? Hum…

Sítios: opuntia-syndrome.blogspot.com, opuntia-books.blogspot.com, chilicomcarne.com.


1 In Cascais Submerso (Chili Com Carne; Set’07)
2 Da mostra documental “Folhetos de Cordel e outros da colecção de Arnaldo Saraiva”, que esteve patente na Biblioteca Nacional este ano.

Texto publicado na Umbigo

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Belo Cadáver

Imprensa Canalha; Jul'06

Já está à venda na CCC o Belo Cadáver, zine que compila uma noite fora do normal, eis a explicação de Marcos Farrajota: «Uma semana antes de tudo isto, logo de manhã a caminho do emprego, a Joana veio à janela com a sua SuperSoaker (com alcance de 12 metros) para molhar. Eu agachei-me e consegui desviar-me do jacto de água, mas a coluna vertebral pregou-me uma partida mais fatal que a da Joana. O problema resolveu-se naturalmente no dia seguinte. Mas, dias depois, na Terça-Feira seguinte, a dor voltou. Andei, literalmente, de rastos, até ir ao hospital e resolver este problema de trintão. O que tem isto que ver com o “Belo cadáver”?

Quinta-Feira.
Todas as Quintas, haja vernissages ou haja sol, um grupo de pessoas ligadas à edição independente e às artes gráficas reúne-se numa tasca (pária da estupidez das regras higiénicas de Bruxelas*) para experimentar os novos sabores de cervejas que a Super Bock e a Sagres insistem em lançar para o mercado todos os meses. Ah! E discutem a actualidade política ou falam sobre banda desenhada e zines, evocam recordações beirãs e outras palermices mundanas. O fim desta “tertúlia” pode acabar em jantarada e matrecos. Temos uma comunidade-simulacro da vida rural, portanto. E eu a tomar Adalgur – 2 comprimidos de oito em oito horas – mais o gel Voltaren.
Nessa noite íamos ver um DVD, em paz e descanso total, quando “o grupo” veio da tasca, todo mamado, com frangos e embalagens de batatas fritas e claro, umas 5 litrosas. Vinham ter com o camarada convalescente – e eu que não podia beber álcool!
Que ricos amigos! ‘Tou a gozar, é malta fixe!
E o jantar em casa correu bem, até o André Lemos começar a rabiscar – exigiu papel e canetas! – e a passar os desenhos para o Filipe Abranches, o Bruno Borges, o Mike (goes west), a Joana, eu e o José Feitor. E estava a correr bem, em registo de “cadáver esquisito” mas sem o anonimato. Bastava acrescentar mais “coisas” na folha e chegar ao absurdo quase tão dadaísta possível. E escrevo Dada não por tentar justificar o injustificável, ou aliás, justamente por isso. O Dada não se justifica nem reflecte. E queiramos, quer não, era o que estava acontecer, uma orgia de criatividade espontânea. Pretensão Zero. Obrigado, meus caros leitores.
«O que há nesta casa para beber?»
O Mike fez uns rabiscos e foi-se embora. A Joana ainda fez mais uns desenhos e foi para o sofá, cansada.
«Isto está a correr bem… se calhar dava para uma edição.»
(Fixe, boa ideia.)
«Mas temos que fazer mais! Conta quantos estão aí… precisamos de uns 32 desenhos para fazer uma edição! Se temos 16 então temos que fazer o dobro…»
(Oh não!)

E andava eu a guardar as bebidas que restavam, a tirar os cinzeiros cheios da mesa, implorei para irem embora, mas os desgraçados continuavam a rabiscar e a passar uns aos outros em azáfama marada. São quase 3 da manhã e estes gajos não saem de casa. Juntei-me à Joana no sofá e começamos a ver o DVD.
«Então boa noite!»

* onde os cabrões dos belgas não as respeitam, como verifiquei em Outubro de 2005!

Mais informações aqui e aqui. Custa 5€ / 4€ para associados

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Alçapão - fanzine de arquitectura dura #1

Ordem dos Arquitectos - Delegação de Portalegre; Out'06

Fanzines saídos do meio institucional? Mein Gott!? Só podia dar merda mas por acaso não é este o caso! Realmente foi impresso no formato A4 em papel couché e tem aquele ar de DTP old-school mas há aqui uma boa dose de sujidade que lhe dá credibilidade - um zine é sempre sujo, certo? Se fosse realmente um zine com uma pancada institucional (não podemos escrever isto ou desenhar aquilo) não suportaria as ilustrações com os negros do André Lemos, do José Feitor e do João Maio Pinto ou os "erros" do Bruno Borges nem toleraria as bd's da Rosa Baptista ou do Richard Câmara nem os escritos dos vários colaboradores deste primeiro número.
O plantel de ilustradores e autores de bd dá power ao zine que tem como tema e textos a "Arquitectura". Aliás, se não fosse estes tipos duvido que haveria zine de tão insipientes que são os textos. Este primeiro número saiu no âmbito das celebrações da Delegação de Portalegre da Ordem dos Arquitectos para o Dia Mundial da Arquitectura.

3,9

aqui.jas@clix.pt