sexta-feira, 30 de março de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
Kristiina Kolehmainen (1956–2012)
foto tirada no Festival de Helsínquia 2006
Faleceu ontem, vítima de cancro, Kristiina Kolehmainen, fundadora e directora da Bedeteca de Estocolmo.
Mulher de armas, bem que instigou os suecos do seu conforto e calmaria para a banda desenhada, ora com a manutenção de uma excelente biblioteca de BD no centro da capital, ora organizando um relaxado festival de edição independente, o SPX de Estocolmo, onde convidava autores ou outros agentes de referência mundial na BD. Por lá visitaram como convidados da organização os portugueses Luís Lázaro (que teve direito a uma exposição), Marcos Farrajota (na imagem), Rosa Barreto (da Bedeteca de Lisboa) e a Jucifer.
De origem finlandesa, Kristiina dizia que os suecos tinham os polegares enfiados no rabo, e provava isso todos os dias com a sua alegria, capacidade de comunicação com o exterior e vontade de agir contra a timidez sueca, o snobismo de Estocolmo e a burocracia das instituições públicas - quem pensa que só em Portugal existe tal coisa, engane-se... Nos últimos anos a Bedeteca de Estocolmo mudou de sítio, para desagrado de Kolehmainen, no interior do edifício da Kulturhuset (Casa da Cultura). Dada a forma lenta e burocrática que funciona a Kulturhuset, para além de não entender o meio da BD e das suas potencialidades, esperamos que o seu falecimento não signifique o fim da Bedeteca nem da SPX para gaúdio dos burocratas e outros parvalhões.
Conheci-a num Festival de Angoulême, apresentada pelo Igor Prassel (então da Stripburger), e rapidamente tornamo-nos amigos devido ao seu humor e pouco vontade de entreter os idiotas da BD. Kristiina, tal como muitas mulheres ligadas à BD, não tinha as mesmas referências da cultura "nerd" e "bedófila" que a BD é infestada, por isso sempre teve um posicionamento adulto, contemporâneo e artístico em relação à BD que divulgava.
Soube hoje desta triste notícia através de um amigo comum sueco. A última vez que estive com ela foi em Setembro do ano passado, na Finlândia, num divertido fim-de-semana que incluiu a visita ao ITE. Supreendeu-me quando disse que na "sua" Bedeteca tinha feito assinatura da Raw Vision porque achava que a BD e a "arte bruta" tinham enormes relações. Estava sempre um passo ou dois à frente! Foi-se uma amiga e uma lutadora contra a estupidez no mundo da BD.
Posted by
MMMNNNRRRG
at
15:36:00
0
comments
Labels: marcos farrajota, serviço público
terça-feira, 27 de março de 2012
+ fotos do Slick Combo...








fotos de Mike Goes West sobre a produção das serigrafias para o Bestiário
Posted by
MMMNNNRRRG
at
11:28:00
0
comments
Labels: joana pires, THISCOvery CCChannel
segunda-feira, 26 de março de 2012
A gata Deus aprova este Silk Combo...
Posted by
MMMNNNRRRG
at
13:12:00
0
comments
Labels: joana pires, THISCOvery CCChannel
Porque não acontece apenas aos outros...

Pedro Sousa, músico e sócio da Chili Com Carne (participou na banda sonora do Futuro Primitivo), foi uma das vítimas da agressão policial de Quinta-Feira passada. Mais sobre o assunto consultem o texto de Rui Eduardo Paes no Bitáites, ao qual subscrevemos inteiramente.
...
Adenda: também Jorge Parras, autor espanhol que participou no Boring Europa, foi agredido nos motins de Valência - só porque estava no sítio errado à hora errada. Estes motins aconteceram porque a polícia montou carga sobre estudantes do secundário que se manifestavam contra as péssimas condições das escolas públicas. A polícia espanhola ainda teve a lata de dizer publicamente que não declarava nada mais para não dar informações ao "inimigo" - e para quem não percebeu, o "inimigo" somo nós, o povo... A "Naziropa" está aí...
Posted by
MMMNNNRRRG
at
10:52:00
0
comments
Labels: Futuro Primitivo, pedro sousa, rui eduardo paes, serviço público
sábado, 24 de março de 2012
Que a Bolha não rebente...




A Bolha é uma loja de Rio Janeiro e uma editora de poesia e banda desenhada. Uma frase destas simplifica todo um enorme projecto dirigido por Rachel Gontijo que abriu uma loja de BD e outros grafismos num terraço de um prédio. E para complicar ainda deciciu editar poesia contemporânea norte-americana no Brasil, para além de livros de BD. Deve ser louca! Mas, muito provavelmente, alguém o tinha de fazer...
A selecção dos livros de BD é no mínimo peculiar e revela uma editora atenta às movimentações da BD pelo globo fora. Na primeira fornada de livros vamos encontrar séries norte-americanas como 0-800-Ratos #1, um comic-book serializado de Matthew Thurber, entretanto já concluído e compilado pela Picturebox. A história mete "ratos-telegramas", punks, psicadelismo, grupos ecológicos radicais, tramas políticos,... feito num estilo livre mas virtuoso para quem fuma charros todos os dias. A coisa têm piada ao início, depois torna-se uma confusão narrativa e as personagens não nos absorvem, o que da dada altura dá pouca pica para ler, como acontece com Richard Sala, por exemplo. Chega um ponto que todas as personagens podem morrer que o que nos iria preocupar era se ainda temos batatas fritas para trincar. Powr Mastrs, vol. 1 de C.F. pode estar nesta categoria também, afinal somos levados para um mundo de "Senhor dos Aneís" digerido com cogumelos mágicos mas a sua narração é mais consistente e o desenho mais naturalista, o que nos faz pensar que ainda podemos vir a gostar da série. A legendação da edição está muito grossa e estraga o grafismo das pranchas. A julgar pelo cuidado do design das edições d'A Bolha, acredito que esse erro (de ínicio de actividade) deverá ser corrigido no anunciado segundo volume.
A Celebração é o primeiro livro de Rui Tenreiro e que finalmente vê uma edição em língua portuguesa. "Filho da Aldeia Global", o autor nasceu em Moçambique, tem nacionalidade portuguesa mas tem vivido na África do Sul, Noruega e Suécia. Foi na Noruega que publicou este livro - Høytiden (Jippi; 2008) - baseado na cultura Shinto, o que justifica um grafismo limpo e uma narrativa circular-karmático. É sobretudo um livro elegante...
Vai para o Diabo do argentino Federico Lamas é daqueles livrinhos de desenho que toda a gente adora por causa da piada do livro ser um 3D menos 2D. Explicando melhor, o livrinho A6 é impresso a duas cores, azul e vermelho, e é acompanhado por apenas uma "lente" vermelha dos clássicos óculos 3D. Invés de fazer a ilusão tridimensional, o "óculo" vermelho esconde a informação vermelha (deixamos de a ver) e ficamos a ver apenas o que está a azul... É aí que vemos um mundo de gente zangada - o termo mesmo é fodida - que nos manda para o Diabo o tempo todo. Hilariante!!! E engenhoso para quem se fartou da moda dos livros em 3D.
Um excelente trabalho do outro lado do Atlântico que também vai editar o Caminhando Com Samuel do finlandês Tommi Musturi. A Bolha tem bom olho!
Posted by
MMMNNNRRRG
at
18:59:00
0
comments
Labels: livros
Falha humana


3x1, de Jano
Sólo Tinta (Polaquia Sketchbook #6), de Alberto Guitián
(Polaqia; 2012)
Não se percebe se a Polaquia morreu ou não - as informações são contraditórias nos sítios consultados... Trata-se de uma associação sem fins lucrativos de autores de bd da Galiza que edita antologias e livros a solo. Mais contráditória quando o simpático Jano, autor já editado no Mesinha de Cabeceira, envia novidades! (então não está defunta, né?)
A primeira é de sua autoria, uma antologia num atraente formato A6 de três séries de tiras humorísticas que não conseguiram ser vendidas para os periódicos. Um fracasso comercial que ao menos serve para fazer uma bizarra capa em que as três personagens das séries, a Morte, um barata e um pugilista mexicano, são fundidas numa só figura... E ficamos por aqui, o humor normalizado, sem rasgos de génio ou inovação estética. Preferia ver o Jano em bds mais pessoais, sem dúvida!
Quanto à segunda novidade, faz-nos levantar a questão: para que serve um livro de esboços? À partida seria para admirar o virtuosismo de um desenhador ou de um artista que tenha uma obra grande e respeitável. Nos últimos anos têm sido antes uma forma fácil de capitalizar trabalho inédito ("esboço" significa ou que significa) para fãs babacas ou para colocar mais um título na bibliografia sem grandes esforços - e repito "esboço" significa ou que significa. Fora do cinismo, alguns casos de livros de esboços são merecidos terem uma edição dada à beleza dos desenhos (esboçados), a algum valor estético ou documental. Não é o caso deste Sólo Tinta que não é que os esboços sejam feios ou que o desenhador não tenha qualidade, ele têm todas as qualidades de um artista comercial de BD e ilustração caricatural e cómica, igual a dezenas de outros autores espanhóis ou franceses ou por exemplo do "nosso" Richard Câmara para enfiar um português no mesmo saco Pop. Creio que teria de ser fã do trabalho deste autor para comprar o seu livro de esboços. Felizmente no mundo da edição independente existe o sistema de trocas de livros da CCC pelos da Polaquia...
Posted by
MMMNNNRRRG
at
14:11:00
0
comments
Labels: livros
sexta-feira, 23 de março de 2012
A ASAE não sabe de nada...

A Lituánia deve ser o sítio que está a dar! Além de artistas psicadélicos e fanzines malditos ainda lhe dá na edição de discos de Jazz / Improv como se poderá constantar pelo disco (em vinil) de RED Trio + John Butcher : Empire (No Business; 2011). Depois do disco homónimo de estreia que foi bem recebido pelos amantes do género, este segundo disco com o saxofone do inglês John Butcher não lhe ficou atrás em qualidade e receptividade. Aliás, o nome do inglês exprime o que se passa por aqui. Momentos suaves de mastigação de carninha mole são abalados por machadadas e cortes variados com outros instrumentos de carnificina. Imagino que se estes tipos fossem mesmo donos de um talho ninguém gostaria de ser o porco ou vaca na loja - em todo o caso, quem gostaria de ser porco ou vaca? Todos sabemos (ou deveriamos saber) que carne vermelha faz mal à saúde mas ninguém nos avisa sobre os efeitos de um disco como este! Tenham cuidado a entrar nele!
Posted by
MMMNNNRRRG
at
12:15:00
0
comments
Labels: discos
quinta-feira, 22 de março de 2012
Excessive Voyeurism #1
Shaltmira; 2012
Posted by
MMMNNNRRRG
at
20:30:00
0
comments
Labels: narcolepsia, zines
quinta-feira, 15 de março de 2012
Infecção Industrial
Apontemos à Revolução Industrial a poluição e ruído, o consumismo frenético, o aumento da área produtiva dos serviços, a não-especialização da mão-de-obra barata versus hiper-especialização de tecnocratas, a urbanização / abandono dos campos, a miséria e explosão demográfica, o aumento da velocidade dos transportes, o capitalismo moderno, a difusão de ideias democráticas e sociais, o nacionalismo e a militarização, etc... Após o Punk e o Industrial - impossíveis de as separar porque partilham o mesmo momento histórico e modelos de produção - iremos encontrar mudanças na música: uso do ruído das máquinas e processos mecânicos (concretos), consumo excessivo facilitado com a oferta de auto-edição e edição independente, produção e disseminação através de tecnologia caseira (o gravador de k7, o estúdio caseiro, o “tape-trading”), aumento de artistas “não-músicos” (sem qualificações académicos ou formação), invenção de instrumentos e o uso de objectos como instrumentos (como o gira-discos), auto-gestão, fetichização por objectos de culto (edições limitadas), segmentação dos públicos (tribos urbanas, subculturas, elitismo), ritmos maquinais (techno), uso de multimédia e performance ao vivo, o sampling, a remix e o mash-up,...
Após a sua origem o “Industrial” vai ser encontrado em quase todos os aspectos da vida cultural. Pode ser encontrado no Hip Hop dos Public Enemy, no Dub de Techno Animal, e claro no Noise de Merzbow. Não seria descabido também dizer que o Industrial institucionalizou-se, pela forma Pop/ Rock – que pretendia destruir – nos milhares de discos vendidos de Ministry, Nine Inch Nails, Marilyn Manson e Rammstein. Pela pista de dança, como EBM, Gabba e Rave até ser transformada em música de carrinhos de choques – é especialmente grave esta facção de pimbas que chamam de Industrial ao Techno Gó-Gó…Pelos espectáculos circenses para massas fascinadas com a precursão de tachos e panelas, vassouras e latas do lixo. E por fim, as velhas bandas seminais ficaram “respeitáveis” e tocam nos dias de hoje em centros culturais de prestígio como Einstürzende Neubauten no Centro Cultural de Belém ou Throbbling Gristle (como X-TG) na Casa da música - aliás, até a razão deste artigo, os Sektor 304 também já tocaram lá.
Para além do que foi descrito nas linhas acima, para que serve o Industrial então? Qual o seu papel actual na música? Qual a sua relevância quando já sofreu mil metamorfoses e osmoses? Foi um movimento de vanguarda que está morto e agora é regurgitado em modelos mais limpos? Camuflou-se no seio do pós-modernismo? Ainda faz sentido vestir fatos de Nazis ou de Sovietes num concerto? Ou mostrar imagens de massacres étnicos ou vivissecção de animais? Terá o Industrial a missão politica de combater os Totalitarismos tal como o Black Metal tem como bandeira o Grande Cabrão ou os Straight-Edge o Veganismo e outros ismos?
Não sei nem creio que os Sektor 304 tenham as respostas para tal. De créditos firmados vão no seu quinto registo em disco, sendo já o segundo a ser lançado pela Malignant, editora norte-americana que é uma referência no pós-Industrial e outros “Darkismos”. A banda foi criada por João Filipe e André Coelho – grande ilustrador que tem participado nas antologias da Chili Com Carne – e passaram a quarteto neste novo disco, Subliminal Actions, com a inclusão de Henriques Fernandes e Gustavo Costa - um Gorbachev na música portuguesa! O som da banda tem sido comparado à génese do Industrial pelo facto de terem contrariado a tendência generalizada de fazer música de forma electrónica e digital. Os Sektor 304 perceberam que existe vida para além dos computadores e foram à raiz analógica desse som inaudível, violento e barbárico dos primeiros tempos de SPK ou Laibach. Podemos ouvir milhares de discos de Noise e Industrial nos dias de hoje mas são poucos os discos que nos marcam porque tal como 90% da produção musical nos dias de hoje, o digital prevalece e apaga os registos orgânicos da gravação – e não é por James Plotkin ter masterizado o disco que há muito tempo não se notava a diferença electro-acústica entre os Sektor 304 e os seus “concorrentes industrialitas” (ou de outros géneros musicais). Não há sinal digital que consiga ultrapassar uma amplificação de uma chapa de metal encontrada na rua a ser torturada com uma serra ou uma lima.
Sektor 304 é um monstro parido do universo de H.P. Lovecraft com a sordidez do desastre de Fukushima. As patadas desta besta sonora vêm do tribalismo rítmico de África – aliás, tudo (música ou não) vêm de lá! Esta associação e influência africana era assumida pelos primeiros músicos de Industrial, ao contrário das novas gerações embasbacadas pelos uniformes dos regimes totalitarismos ou o látex S/M que acham que a música Industrial é “branca”. Há de agradecer aos Sektor 304 nem que seja só por nos recordarem isto, desde 2009 aquando do álbum Soul Cleasing.
A juntar à violência física da besta, ainda somos obrigados a visitar as dimensões fatais de um outro mundo através do psicadelismo dos baixos e dos “noises” tão em voga dos dias de hoje. Há um momento alto no disco para quem não suporta apenas “psico-barulheira” – admito que o disco é longo e pesado - é o tema By the throat, verdadeira festa polirítmica com quatro registos vocais em discussão – em que o gutural Death (cortesia do vocalista dos Genocide) e o vampirizado Black ganham a batalha e são uma lufada de ar fresco para quem está habituado a ouvir o Industrial como algo cristalizado.
Não consigo deixar de relacionar a música Industrial com o que Alan Moore escreveu no prefácio de V for Vendetta, livro publicado no final dos anos 80 mas escrito pelo autor britânico nos inícios dessa década. Escrevia ele que achava as premissas do argumento dessa BD eram ingénuas – fruto da sua jovem idade – como pensar que seria necessário um Inverno Nuclear para que o Fascismo se pudesse instalar. A música Industrial em 1976 alertava do perigo do Fascismo disfarçado de Big Brother no futuro. Trinta anos depois este estilo de música espelha-se de uma forma deformada. Realmente o Fascismo já se instalou, invés de estender “fachos” temos bandeiras (de eventos desportivos, casamentos reais ou visitas do Porco-Mor Católico) nas janelas e varandas, vivemos reprimidos pelo Estado e grandes empresas (em que a vigilância é feita por nós próprios cidadãos censores e bufos), somos alienados por uma cultura hedonista, uma economia poluente em plena colisão entre a sofisticação técnica e a degradação humana. Se o Industrial ou os Sektor 304 têm alguma raison d’être em 2012 é porque simbolizam um “retro-futuro” ou um “Futuro Primitivo” (se me permitirem a “publicidade” a uma antologia de BD organizada por este vosso escriba e que André Coelho também participou) situada entre as maravilhas do mundo digital e o entulho dos excedentes… industriais.
Esta música “industrial” dos Sektor 304 simboliza (mais uma vez) o acidente que está para vir. Se o Apocalipse ainda não apareceu pelo menos já compôs a sua banda sonora. Então, que raios faz esta pérola na periferia da Europa onde ninguém lhes liga? Os gajos deviam era meter-se a caminho de Moscovo num tractor quitado a puxar um atrelado com a a banda em cima a tocar “non-stop”. Esta digressão Porto/ Moscovo devia-se chamar “Born Again Chernobyl” e anunciaria o Apocalipse, sendo a banda os seus Anjos bíblicos anunciadores – sugere-se o uso de Homens-Salsichas disfarçados à Gwar na dianteira do tractor! But I digress…
Posted by
MMMNNNRRRG
at
10:57:00
0
comments
Labels: andré coelho, discos



