sábado, 23 de março de 2013
Psicose+Sangue Violeta+Inferno+MdC#23
Os livros PSICOSE [Miguel Costa Ferreira e João Sequeira] e SANGUE VIOLETA E OUTROS CONTOS [Fernando Relvas], estão em destaque na loja FNAC do Chiado.
Podem também adquirir estes e outros títulos da El Pep através da loja online da CCC, ou nas lojas da especialidade.
Na parteleira de baixo encontram-se o número 23 do Mesinha de Cabeceira [colectiva de autores | CCC 2012] e o livro INFERNO de Marcel Ruijters [MMMNNNRRRG 2012].
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Pepe
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sexta-feira, 22 de março de 2013
O Inferno são os outros...
Há pouco tempo o Manuel Pereira, instigador da Narcolepsia, editora de k7s de Noise, disse-me que o Noise é o “novo Punk”. Há vários aspectos que o comprovam: a facilidade que qualquer um poderá fazer este tipo de música, o intercâmbio anacrónico (por “snail-mail”) de objectos igualmente anacrónicos – como k7s – que obriga a quem procure por este tipo de cultura tenha mesmo de se esforçar e não apenas clicar num botão do rato para descarregar o que quisermos; a estética lo fi (fotocópias, fanzines, k7s, colagens), a cultura de choque (nomes dos projectos e imagens vinculadas a “serial-killers”, ditadores sanguinários, massacres, pornografia bizarra, imagens clínicas, deformações de corpos, decadência urbana) e uma falta de hierarquia do movimento – cada um faz o que lhe apetece e ninguém trabalha nisto para fazer dinheiro (embora já hajam muitos artistas Noise que são “stars” como o Merzbow ou KK Null)… O Rui Eduardo Paes até já escreveu um texto a dizer que quem pratica Noise é anarquista, quer queira quer não.
O Noise quer a cultura Industrial são realmente um bocado devedoras ao Punk é certo porque coexistiram ao mesmo tempo e como tal partilharam das mesmas evoluções tecnológicas. Mas a cultura Industrial cedo ultrapassou o Punk ao nível artístico, indo à exploração tecnológica e a sua relação com o ser humano, e também ao nível ideológico – a criação de novas utopias versus o hedonismo e individualismo do Punk. O Noise afastou-se das seus estandartes políticos e comunais da cultura Industrial para estar numa base misantrópica igual ao do Black Metal mais norueguês possível. O que está fora do quarto (ou casa ou estúdio) onde se produz este tipo de música parece pouco importar aos músicos. Como dizia o Merzbow, quem faz “barulho” são os outros com as suas produções comerciais que não nos largam, que se encontram em todo o lado (rádio, TV, mupis, etc…). Quem faz música Noise tenta escapar ao “barulho” da sociedade opressora criando uma muralha de som para poder afastar os “outros”.
Por isso cada vez que encontro artefactos Noise sinto que estou num mundo paralelo – há muitos pelo mundo fora, o Noise não tem exclusivo do “alienígena” – onde ninguém quer agradar ninguém, e os instintos mais básicos dos humanos vêem ao de cima, como um cano de esgoto se rompesse e viesse toda a merda ao de cima. Não é a melhor sensação do mundo… Isto a propósito de recentes edições da Narcolepsia… a saber:
Bile Enema (Narcolepsia; 2011) é uma K7 Noise e um zine de colagens que “não devem ser vendidas separadamente”. Da música temos Noise com algumas estruturas dinâmicas ao longo do tempo doloroso e nesta maldita k7 de plástico azul Pop – cortesia de Filth Turd. O zine são colagens de Manuel Pereira com frases de Darren Wyngarde / Filth Turd.
Squeal like a pig (Black Blood Press; Mar’12) é um graphzine internacional com desenhos, fotografias e colagens que não foge ao padrão de mostrar a anormalidade do mundo. A riqueza da Humanidade nunca será demonstrada pelas fotografias da Benetton ou das revistas de novas tendências mas justamente por publicações deste género que mostra o que está por detrás, por baixo e por dentro dessas fotografias. O desigual, o assimétrico, a víscera, a cárie, a nudez, a penetração, o pagão, etc… essas são as nossas verdadeiras figuras que os tipos do Le Dernier Cri, Smittekilde e muitos outros projectos editoriais fazem questão de não nos esquecermos. Eis mais um exemplo…
Troubled Sleep #2 (Narcolepsia; Inverno’12) está melhor que o primeiro número porque não repete o mesmo “template” de paginação e as entrevistas estão (ligeiramente) mais soltas. As colagens batem no ceguinho “sexo+morte”, ou seja muita pornografia com alguma gangrena e próteses, enquanto os “noisers” falam de si – ah, pois, este fanzine é de Noise / Power Electronics / Death Industrial / Postmortem / Black Metal incluindo entrevistas a músicos como N., Knullkraft, Wince, ou outros projectos fanzinistas como Coprolaliac Press.
Só para estômagos fortes, né?
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LANÇAMENTO + FESTA + EXPOSIÇÃO = KASSUMAI
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quinta-feira, 21 de março de 2013
ccc@dia_da_Poesia;Jardim_do_Palácio_Galveias
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rafael
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terça-feira, 19 de março de 2013
Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo (3 volumes)
O primeiro volume, Limbo, sendo mais tradicional na forma de bd é publicada numa espécie de "comic-book" impresso em papel jornal como se fosse uma produção popular. O segundo volume, Underground, são 55 láminas soltas (folhas soltas) em que o próprio autor incentiva a serem colocadas em ordens diferentes (ao gosto de cada um) enfiadas num envelope - e que dará em breve a uma referência na segunda parte deste artigo. Serão estas láminas soltas um simulacro das folhas volantes - outra forma popular de desseminação cultural? Serão estes formatos formas de homenagem aos media dos últimos dois séculos? Se for, impõe-se uma diferença ao Piracy (...) que trata da revolta pelos meios electrónicos, na tradição do romance cyberpunk.
Por fim, apareceu o terceiro e último volume, Potlatch, um álbum agrafado a cores com uma dimensão superior ao A4, perfeito para quem explora gestos bruscos e expressivos a pastel e lápis de cera. Como último volume da série transmite uma sensação de vazio dada à "inconclusão linear" da história até agora narrada. É certo que se esperava algum "classicismo" de história de aventura / acção como mostrava o primeiro volume, em que o segundo volume seria apenas um desvio experimental e como tal a "trama" se retomaria agora no terceiro volume para completar a "série". Felizmente isso não acontece (mas lá bem no fundo o "nerd" dentro de mim acha que não!) e o trabalho deixa as revoltas populares, as violências policiais e as paixões em aberto. Tão aberto que como o mundo que vivemos...
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sábado, 16 de março de 2013
Lado B? Mas que lado b?


A Tree of Signs : Salt
Capitão Fantasma : Canção do Carrasco
(Chaosphere + Raging Planet; 2012)

Jíbóia (Lovers & Lollypops; 2012)
Eis três discos cuja única coisa que partilham é o facto de serem editados em vinil e ocuparem apenas uma das faces do disco... sim, é isso mesmo, só há um "lado A" ou se preferirem, uma vez que deixa de fazer sentido escrever "lado a e b", o que há é um "lado gravado" e outro não.
Na Era do Bandcamp para que raios quer uma banda ser lançado por uma editora fonográfica? Uma editora para gravar quando qualquer música consegue gravar em casa? Para lançar discos que não se vendem? Para lançar discos de poucos exemplares para meia-dúzia de fetichistas de discos físicos? O Bandcamp permite as bandas colocarem música para se ouvir gratuitamente, para descarregar gratuitamente ou não, e já agora ainda se pode vender objectos físicos (discos em vinil ou CD). Teoricamente ter uma editora pouco interessa às bandas nos dias de hoje no entanto! No entanto muitas das bandas underground pagam aos editores para as lançar - não sei se é aqui algum dos casos, acho que não acontece com nenhuma delas - isto porque uma editora ajuda naquilo que os artistas não sabem ou são incapazes de fazer, que é promover e distribuir o seu próprio disco.
O que significa que nos dias de hoje, o trabalho de um "editor" esteja em risco de desaparecer porque não pode fazer lá grande coisa quando é a própria banda que lhe está a financiar a empresa (quem vai mandar numa situação destas? quem paga a conta afinal?) e porque os artistas não parecem saber "editar" o seu trabalho. Esta última questão é mais ou menos grave, significa que os músicos ou artistas não conseguem ter uma visão do que deve "sair" ou "entrar" no seu trabalho quando exposto publicamente, ou não tem confiança em si próprios para arriscar no formato certo ao qual a sua música deveria se materializar.
Se incluirmos as restrições orçamentais - convenhamos que nem a banda nem a editora sejam ricas - vamos assistir a estas deformidades que temos aqui presentes. Gravar um disco em vinil porque é "cool", é uma espécie de vaidade - "o vinil voltou" é o chavão que se aplica. O que é lamentável é que estas bandas não tiverem nem coragem nem vontade de fazer a coisa como deve ser, como por exemplo editar os discos de 10" (que é mais caro que fazer um maxi de 12" mas muito mais sexy! Vide Çuta Kebab & Party) ou fazer mais músicas para ter dois lados, ou convidar outra banda para fazer um split. Na produção musical portuguesa vive-se um estranho e renovado solipsismo e confusão mesmo que se vivam estes tempos da crise eterna do "fim dos discos" e da crise económica. Adiante!
A Tree of Signs tem elementos ligados ao Black Metal português (Corpus Christii, Mother of Hydra) mas deixaram isso na prateleira para fazer um disco de Doom assim "soft", em formato de power trio com voz feminina que também toca orgão - soa mal escrever isto assim, bem sei. A gravação é limpinha como um cu de gatinho depois de lambido pelo próprio. Somos levados para um Heavy clássico que prefere ser ritualista do que demoníaco, talvez por isso que temos um meio-LP de cerca de 24m justamente para não interropermos a cerimónia para mudar de lado, né?
No segundo caso há ainda mais mitrice, além de só termos um lado gravado de um single 7", ainda para mais temos apenas um tema seguido pela sua versão instrumental - teoricamante para quem quiser fazer Rock'n'Karaoke. A capa é preto e branco sem atrair muito mas o vinil é vermelho sanguinário q.b. Tema Rock'n'Roll com laivos de Surf como sempre muito bem feito por estes veteranos que é impossível apontar defeitos. O disco serve para alimentar o culto envolta da banda... Acho que vou comprar um leitor mp3 depois disto!
Jibóia é a revelação de 2012! E será de 2013 agora que há finalmente disco! Depois de ter tocado em toda a sala de espectáculos, bares, teatrinhos e espaços exóticos (hoje toca num restaurante Kebab no Porto!!! vão vê-lo CARAGU!!!), finalmente saiu o maldito disco - verdadeira saga exaustiva para o encantador de serpentes Óscar da Silva. Jibóia é um "one-man-band" que usa guitarras digna do Rock turco e beats sujos de um Omar Souleyman (embora num dos temas vêm à cabeça o House manhoso do Cães de Crómio, tema Techno dos Mão Morta do álbum Vénus em Chamas). É portanto um verdadeiro apetitoso caldeirão da Aldeia Global que merecia uma capa decente e um Lado A. Vale pela música, o objecto temos tantas dúvidas como os outros acima referidos, shame on the nigga...
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sexta-feira, 15 de março de 2013
Barcelona primitiva
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Ricardo Martins
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terça-feira, 12 de março de 2013
sábado, 9 de março de 2013
Comix Remix, parte I
Lembras-te quando eras puto com um gravador de k7s e com a pretensão de querer fazer música usando pedaços daqui e dali? Querias misturar aquele “beat” de uma música com um berro histérico do apresentador do programa de rádio. Ou prolongar para sempre aquele riff que tanto gostavas – e nesse tempo nem conhecias o termo "Drone"?
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| o trabalho em linha de montagem de The Worm |
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| os resultados gráficos caóticos de The Worm |
Mais interessante é a compilação Twilight Jamming : comic jams by Serbian underground family and their further relatives (Silent Wall Army; 2008) que é um “best of” das melhores experiências do género realizadas na Sérvia – onde existe uma tradição em “jams”. A mais radical enquanto manifesto artístico é do autor Wostok que declara que Year after year it was getting harder and harder for me to force myself to read some of those “profesionall” and “hight quality” comics. And when I had almost lost all hope that it is possible to find something really new, fresh and Creative in comics, it happened that I came across the stories and drawings of na absolute amateur. That peson was my four year old daughter Lola.[sic] Talvez esta descoberta tenha ajudado Wostok a tornar-se um incansável instigador de workshops de BD que realiza com grupos em aldeias, vilas e cidades, fora ou não da Sérvia, e ao publicar os seus resultados já merecia também um registo no Guiness por ter editado mais números de um fanzine – não me recordo mas creio que já ultrapassa os 600 números do seu zine Krpelj. Uma das BDs apresentada no Twilight Jamming usa um texto de Kate Hodges que biografa o mítico e alucinado produtor musical inglês Joe Meek (1929-1967). Ou seja, Wostok andou pela Sérvia e Alemanha obrigando as pessoas que se metessem no seu caminho a desenharem uma vinheta a partir do dito texto. A vantagem sobre o The Worm é que realmente o amadorismo chega ao ponto de haver participantes que nem desenham mas recortam imagens. Há uma vinheta que tem uma fotografia do Kurt Cobain, outras usam vinhetas de outras BDs populares (italianas?) sem relação com o texto criando todo um novo discurso entre imagem e texto – que não é assim tão novo, já lá iremos! Esta BD sobre Meek é de uma puerilidade cómica alinhada a um surrealismo sujo porque as imagens desenhadas (ou coladas) são feitas pelos participantes sem que estes tenham qualquer documentação real. Esta biografia de Meek acaba por ser tão negra e mistificada em imagens tal como foi realmente a sua vida.
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| o rapaz dos Nirvana a servir aos interesses britânicos e sérvios |
Mas como dizia, não há um novo discurso na relação disparatada entre texto e imagem “roubada” porque Max Ernst (1891-1976) fez dois maravilhosos livros de BD: La femme 100 têtes (Éditions du Carrefour; 1929) e Semaine de Bonté (Jeanne Bucher; 1934) (3). Ambos são “graphic novels” como muitas outras que se editaram nos anos 30 do século passado pelo mundo fora, geralmente identificáveis por usarem uma imagem por página (ou até uma por folha) ultrapassando as narrativas em mais de 200 páginas e com temas que não eram para entretenimento infantil e juvenil, como He Done Her Wrong (Doubleday, Doran & Co.; 1930) de Milton Gross (4) ou Destiny : a story pictures (Delphin; 1930) de Otto Nückel. De facto a existência destes livros revela outro pecado da BD enquanto arte, que não deixou este formato vingar até o aparecimento de Maus de Art Spiegelman em 1986. Ainda assim a diferença destas “graphic novels” com as de Ersnt é que este usa colagens para ilustrar os seus textos usando reproduções de gravuras da época Vitoriana cheias de tragédias épicas (acidentes) ou quotidianas (ambientes sórdidos), animais e engenhos tecnológicos, figuras etnográficas e mitológicas. As colagens naturalmente reúnem objectos e figuras humanas em desproporções físicas talvez porque não havia as fotocopiadoras (ou Photoshop!) para reduzir ou ampliar imagens o que no caso de Ersnt até reforça o cariz surrealista das obras. Semana de Bondade é impressionante como Ernst conta vários crimes passionais com imagens tão “desconexas”. É impossível, por exemplo, a mesma personagem ter a mesma cabeça ou corpo de imagem para imagem (vinheta para vinheta ou página para página) uma vez que cada colagem usa fontes diferentes não podendo. Talvez dada à tecnologia da altura, reproduzir a mesma “figura” implicasse ter vários exemplares da mesma revista de onde Ersnt recortava para ter uma continuidade figurativa, ou então, ele simplesmente não o quis... Para os fatalistas do “tudo já foi inventado”, é verdade, o Max Ernst foi o primeiro “comix remixer” do mundo!
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| Capa de Una Biografia |
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| a fecundação em Una Biografia |
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| o Rap de Conefrey |
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| Snake Agent por Tamburini publicada na revista brasileira Animal (ou julgavam que isto tinha sido traduzido em Portugal? Ah!) |
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| OuMuPo, vol.6 reúne DJ Krush no CD e Killoffer no livrinho / BD |
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| nunca o xadrez foi tão divertido de se assistir! |
Há no entanto uma nova geração de autores que estão a fazer uma síntese do que tenho estado aqui a escrever, são os nossos contemporâneos Dice Industries (Alemanha), Fredox (França) e Dunja Jancovic (Croácia), que mantêm a chama acesa do corte e costura e preparam-se para esticar para um novo nível, embora para já os seus trabalhos sejam mais gráficos do que narrativos. Fredox usa colagens para mostrar um mundo “porno-gore” cheio de feridas psico-sexuais e desordem social – como poderão tomar conhecimento no assustador Les Dossiers Noirs de L’Histoire (Le Dernier Cri; 2001) que compila esse trabalho gráfico. Recentemente na antologia Hopital Brut (Le Dernier Cri) têm-se assistido à publicação de trabalhos com sequências que se inscrevem no âmbito da BD. Dice Industries fez um caminho oposto, começou por fazer BD depois achou que já estava tudo desenhado e que ele não conseguiria acrescentar mais nada nesta forma (9), e passou a usar a colagem para potencializar novas visões. Usa elementos das BDs populares da Disney (e quejandos) e Manga comercial para criar paisagens e abstracções. A maior parte destes trabalhos tem sido mostrados em galerias ou pequenos catálogos auto-editados – no seu “zine de vida” QWERT com 15 números lançados, os últimos quatro dedicados ao trabalho de colagem. Recentemente para o meu “zine de vida”, o Mesinha de Cabeceira (#23 : Inverno, Associação Chili com Carne; 2012) Dice pegou numa série de colagens e acrescentou um texto para podermos inserir esta série na categoria de BD, será este o regresso de Dice à BD? Espero que sim! Dunja no seu recente livro Circle Cycles Circuits (Firma; 2012) coloca colagens ao serviço da narrativa e funde-as com desenhos seus – as imagens são sobrepostas, montadas, desenhadas por cima. As imagens tanto são fotografias figurativas como são apenas formas geométricas ou abstractas. Serão desenhadas à parte e coladas posteriormente? São pinturas falhadas que são recuperadas para “texturar” as páginas? Não sabemos…
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| Dice Industries no Mesinha #23 |
Agradecimentos Tommi Musturi, Bedeteca de Lisboa, Diniz Conefrey, Vitor Petel, Ilan Manouach, Thanassis Rentzis, Valerio Bindi e Alberto Corradi. Ondina Pires traduziu para inglês este artigo que será publicado brevemente no jornal finlandês Kuti, e Joana Baguenier traduziu para francês para ser publicado no livro MetaKatz. Uma segunda parte deste levantamento de “comix-remix” está a ser redigido mas desta vez focado nas questões narrativas.
(1) é curioso que o processo levantado contra os Negativland tenha sido os “defensores dos pobrezinhos” dos U2, que nada fizeram para aliviar os sacríficos que os Negativland sofreram.
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MMMNNNRRRG
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