segunda-feira, 30 de agosto de 2021

It's you / ESGOTADO



Cartas de oráculo ilustradas 
de 

A artista Amanda Baeza (do livro Bruma) criou uma galeria de 85 retratos a partir de imagens encontradas na Internet, celebrando a diversidade humana e uma miríade de acções e sentimentos.

Com um esquema compositivo e cromático próximo do clássico Tarot de Marselha, essas imagens foram agora transformadas num baralho oracular, pronto a ser empregue de forma livre pelos seus utilizadores. 

It's You é uma co-edição da autora, Chili Com Carne e Kuš!


Historial:

Lançado no dia 18 de Janeiro de 2020 na Tinta nos Nervos com apresentação e conversa com a autora e a artista Patrícia Barbosa - com quem co-organizamos as Fantasias de Natal em 2003!!





El tarot de Amanda es muy bonito. Ahora ando pensando en hacer tarots, pero de manera virtual, jajaja.
Martin López Lam por email

(...) o tarot, magnífico, Amanda Baeza é grande!
Max (Peter Pank, Bardin, Vapor) por email

domingo, 29 de agosto de 2021

1870 a despachar gente bruta!


 E na Feira do Livro do Porto a Livraria 1870 despacha títulos da MMMNNNRRRG
Só assim à primeira topamos umas seis raridades da nossa defunta irmã. 
Ide lá!

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Esquisitice atrai mais esquisitice


A melhor cena que nos aconteceu no primeiro dia da Feira do Livro de Lisboa - era fácil de superar depois das passagens-relâmpagos da comitiva do Presidente (cambada de analfabetos que não compram nada - e o gajo ainda tem o desplante de dizer "boas vendas", ao menos o ano passado só disse alarvemente "chili com carne") ou o Moedas e a sua gentalha-beta-PSD foi mesmo incrível: a editora Sentai foi lá deixar-nos o Panorama do Inferno de Hideishi Hino na nosso stand assim à queima-roupa. 

O tímido editor primeiro compro-nos o Yokoyama e depois sugeriu-nos deixar lá este livro! Claro que aceitamos!!! Que honra!! Venham mais!!! Não foi como ver o Eye + Zorn + Toral no S. Luiz em 1995 but anyway, feels like:

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Lodo atrasado

A Universal Tongue é a editora portuguesa de underground mais eclética que já presenciei na minha vida, ora lança chapada Punk, ora porrada da grossa Black Metal, ora Noise irónico (todo o Noise é irónico no século XXI), bandas sonoras falsas para filmes ou verdadeiras bandas sonoras para jogos de computador e até "art-books"




O projecto espanhol Buio Mondo faz música para filmes imaginados de corte italiano, anos 60/70 e de produção Giallo – cinema esse que no campo sonoro ficarão imortalizados nomes como Ennio Morricone (que nos deixou o ano passado) ou os Goblin. Buio sabe-a a toda, e este CD, Assassinio in 7 Pollici (de 2020) é uma orgia de sintetizadores atonais, Funk grelhado, Komische embebido em “evil shit”, e até uma faixa extra de Soul mêmo-mêmo para saltar prá cueca, resultando isto tudo no que se pretendia, uma homenagem com o tom certo de vintage. 

Este disco é puro fetiche, sem função a não ser na imersão aprazível da “retromania” dos nossos dias. E ficamos por aqui porque de homenagens, “up-dates” ou “mash-ups” está o Inferno cheio – aló aló Secret Chiefs 3! – seja nesta subcultura muito específica seja noutros territórios. Ainda não é desta que a banda sonora original 30 Days of Night do Brian Reitzell é batida. Pena, embora não fosse esse o objectivo.




2010 deve ter sido a última vez que os putos souberam fazer barulho a julgar por Pretty Magoo Cancer de Brobdingnagian - que deverá a ser a grande pérola do catálogo da Universal Tongue. Black Metal e Noise tem andado de mãos juntas há algum tempo, o barulho da misantropia de ambos fazem deles o casalito perfeito para quem quer alienação deste mundo de merda. O "Brob" é (era?) um puto gringo que fez magnum opus com este CD atrofiante e ao mesmo tempo acessível. É um disco possível de se ouvir à noite para adormecer a pensar em sonhos selvagens e destructivos mas sempre na paz do Senhor. Um paradoxo bizarro. Um enigma do underground, sem dúvida. Passado uma década o puto não foi parar ao Trap, logo, respect!

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Contemplar a Paisagem com Yūichi Yokoyama



ISTO é

a) uma brochura agrafada de 24 páginas 11x17,5cm, impresso a verde em Snowbright creme 80g
b) um ensaio crítico de Hugo Almeida sobre Viagem de Yūichi Yokoyama - livro da colecção RUBI a ser lançado no dia 26 de Agosto de 2021 na Feira do Livro de Lisboa, no stand D28

ISTO custa
a) NADA se for adquirido com o livro Viagem - em pré-venda
b) PREÇO LIVRE na aquisição de qualquer título das colecções RUBI e THISCovery CCChannel
c) 1,5 se quiser só a brochura.

ISTO é
a) um bocado "crazy", não é?
b) incentivo à leitura crítica sobre BD

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Einstein, Eddington e o Eclipse. Impressões de Viagem


Einstein, Eddington e o Eclipse. Impressões de Viagem 
por
Ana Simões (ensaio e argumento) e Ana Matilde Sousa (banda desenhada)

oitavo volume da colecção LowCCCost, uma colecção de livros de viagem ... para quem gostar de viajar sem apanhar transportes e gastar dinheiro!

Elaborado no âmbito do centenário do eclipse de 1919, este livro está associado à exposição E3 — Einstein, Eddington e o Eclipse e está dividido em duas partes (ensaio e banda desenhada), ambas bilingues, português e inglês, as duas principais línguas usadas durante a expedição. 

A banda desenhada toma a correspondência de Arthur Eddington trocada com sua mãe, irmã e o Observatório de Lisboa antes, durante e após a sua expedição à Ilha do Príncipe para estudar o eclipse solar total de 1919, como ponto de partida para uma narrativa gráfica de contornos experimentais e impressionistas. Focando-se na teia de actores humanos e não-humanos envolvidos nesta expedição – pessoas conhecidas e desconhecidas, animais, plantas, factores ambientais e afetivos – a BD, que também compila alguns documentos da exposição, estabelece uma relação intertextual com o ensaio teórico sobre as implicações científicas, políticas e sociais dessa viagem cujos resultados confirmaram a revolucionária teoria da relatividade de Einstein. As “impressões” da viagem assumem um duplo significado, referindo-se ao relato de Eddington por palavras e às marcas nas páginas, alusivas à presença material dos lugares visitados.

248p (128p a cores) 18,5 x 27cm, capa a cores com badanas 
 ISBN: 978-989-8363-41-1

à venda na nossa loja em linha e na Tinta nos Nervos, Tigre de Papel, Kingpin Books, Mundo Fantasma, Matéria Prima, Utopia, Linha de Sombra, STET, BdMania, Tasca Mastai, Vida Portuguesa, Bertrand, Palavra de Viajante, FNAC, Sirigaita, Snob e Alquimia.






Historial: 

apresentado no CIUHCT a 19 Dezembro 2019 
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apresentação virtual em V/Ler BD 
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Artigo no Público
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excerto publicado na revista polaca Zupelnie Inny Swiat
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Boa crítica por Jürgen Renn (Max Planck Institute for the History of Science) na Centaurus


Feedback

(...) narrativa de enorme intensidade emocional (...) Eis um livro de viagens com vocação renascentista (...)
Sara Figueiredo Costa in ACERT

(...)  O encontro entre Hergé e Lovecraft tem perfeitamente o seu papel num livro sobre uma conclusão feliz da observação da ciência. 
 Livro desafiador que estende as condições de produção e o modo como a banda desenhada dialoga com o mundo, bem para além do veículo de ficção de género ou de narrativas dominadas a que a maioria das suas prestações nos habituou, Einstein, Eddington e o Eclipse poderá vir a tornar-se um exemplo maior da verdadeira inter- e transdisciplinaridade.
Pedro Moura in Ler BD


Além da notável originalidade da junção de dois registos – um científico e outro artístico, neste caso a história da ciência casa-se com a “nona arte”, que costumam andar apartados, - a obra é também original pela sua rara qualidade. O ensaio, que foi pensado tendo em conta leitores desconhecedores da matéria, sendo claro, é absolutamente rigoroso, indicando as fontes para os factos relatados (...). Na banda desenhada, delimitada pelos registos epistolares ou diarísticos, a imaginação já voa, mas o registo não deixa de ser rigoroso: vê-se que a artista se procurou documentar sobre os cenários que descreve visualmente, tendo consultado o material fotográfico disponível. Fugindo ao realismo, faz-nos entrar na atmosfera da época.
Carlos Fiolhais


Voltando ao que melhor li de BD feita por cá (...) Trata-se de um livro composto por um ensaio da historiadora e professora Ana Simões e uma banda desenhada da artista Ana Matilde Sousa. (...) Gosto muito de ver este tipo de parcerias, bem como das explorações gráficas desenvolvidas aqui pela Ana Matilde Sousa, mais conhecida nos meandros da BD por Hetamoé. Conheci-a no Clube do Inferno, esse conjunto de enfants térribles cheios de garra e vontade em fazer BD, e desde aí que tenho tentado seguir o seu trabalho. Aqui conquistou-me logo nas primeiras páginas com esta BD impressionista. Muito trabalho interessante na forma como trabalha a cor e também a fotografia, tudo para nos ir dando uma imagem/ sentimento da viagem de Eddigton (usando como base a correspondência que o cientista trocou com mãe, irmã e o Observatório de Lisboa).
Gabriel Martins via Facebook

 



Einstein, Eddington e o Eclipse é magnífico! (...) tirei a barriga cerebral da miséria.
Rodolfo Mariano (via email)

Bestiário Ilustrissímo II / Bala @ Jazz Messengers Lisboa



Bestiário Ilustríssimo II /  Bala 
é o nono título da provocante colecção THISCOvery CCCHannel.
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Bestiário Ilustríssimo II / Bala é a continuação de Bestiário Ilustríssimo, “(anti-)enciclopédia” de Rui Eduardo Paes sobre as músicas criativas editada em 2012 e reeditada em 2014 com nova capa e novas ilustrações de Joana Pires. Como esse primeiro livro, está dividido em 50 capítulos, cada um dedicado a uma figura ou conjunto de figuras. Desta feita, porém, a 50ª parte autonomiza-se e constitui como que um outro livro. Trata-se, pois, de dois livros num só volume, um novamente ilustrado por Joana Pires, o outro por David de Campos.  

O jazz criativo, a música livremente improvisada, o rock alternativo e os experimentalismos sem rótulo possível voltam a ser as áreas cobertas, sempre associando os temas com questões da filosofia, da sociologia e da teoria política, num trabalho de análise e desmontagem das ideias por detrás dos sons ou das implicações destes numa realidade complexa. Os textos reenviam-se entre si gerando temáticas que vão sendo detectadas pelo próprio leitor, mas diferentemente de Bestiário Ilustríssimo há um tema geral nesta nova obra de Paes: o tempo.

A tese é a de que quem escreve sobre música, mas também todos os que a ouvem, está sempre num tempo atrasado em relação à própria música, um “tempo-de-bala”, de suspensão de um tiro no ar, como no filme Matrix. O alinhamento dos capítulos não se organiza segundo tendências musicais ou arrumando os nomes referidos em sucessão alfabética, como numa convencional enciclopédia. Todos os protagonistas e suas músicas surgem intencionalmente misturados, numa simulação do caos informativo em que vivemos nos nossos dias. Propõe-se, assim, que se leia Bestiário Ilustríssimo II / Bala como se se navegasse pela Internet, procurando caminhos, relações, cruzamentos, desvios.

A mente não é uma estante, é um bisturi.

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336p. impressas a duas cores (preto e vermelho), 22x16cm, capa a cores
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volume -4 da colecção THISCOvey CCChannel
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ISBN: 978-989-8363-30-5

com prefácios de Marco Scarassatti (compositor, artista sonoro e professor da Universidade de Minas Gerais, Brasil) e Gil Dionísio (músico)

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edição apoiada pelo IPDJ e Cleanfeed Records

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à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na Flur, ZDB, Linha de Sombra, Matéria Prima, FNAC, Bertrand, Utopia, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Glam-O-Rama, Sirigaita, Jazz Messengers (Lx Factory) e Tigre de Papel.
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Historial: lançamento 6 de Fevereiro 2014 na Casa dos Amigos do Minho com discursos de Gonçalo Falcão (designer, músico, crítico de música) e Gil Dionísio e concerto de uma banda especialmente formada para o efeito: Gil Dionísio & Os Rapazes Futuristas; lançamento 7 de Fevereiro na SMUP (Parede) com palavreado de Pedro Costa (Clean Feed) e José Mendes (jornalista cultural) e concertos de Wind Trio e Presidente Drógado & Banda Suporte ... entrevista no Bodyspace 

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algumas páginas deste livro-duplo:


Feedback:
O jazz é o fogo inicial, mas este propaga-se alto e largamente. REP deita 50 + 50 textos, capa-contra-capa, neste duplo Bestiário Ilustríssimo II / Bala. Música como arte física mas também psicológica, improvisada, estruturada, Ciência, Arte, ícones culturais, tonelada de referências que se ligam na cabeça do autor para uma organização, no papel, em benefício do leitor. Muitos músculos exercitados em 31 anos, nesta relação entre escrita e música. Flur 
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Rui Eduardo Paes revela-se um homem multidimensional, (...) Genuíno e sempre com uma abordagem de quem relaciona aquilo que lhe interessa, de Joëlle Léandre a Lady Gaga. [5 estrelas] Bernardo Álvares in jazz.pt
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O seu estilo de escrita é por si altamente estimulante, revelando um notável domínio sobre a língua portuguesa que raia as características da boa literatura. Um estilo que Rui Eduardo Paes cultiva como uma arma contra o habitual cinzentismo e comodismo da crítica de arte em Portugal. O Homem que Sabia Demais 
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[4 estrelas] Nuno Catarino in Público 
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[4 estrelas] João Santos in Expresso 
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Verdad de la buena. Con motivo de mi actividad como director artístico de Imaxina Sons en Vigo durante 5 años, he tenido la ocasión y la fortuna de conocer la persona y la obra en la distancia corta de REP. Pocas veces, he leído un texto más comprometido con la música del presente y el estado de ánimo que el panorama musical actual rezuma. Su visión holística de la música hace de este libro una pieza imprescindible para poder estar al tanto de lo que acontece en el mundo de las manisfestaciones artístico-musicales y sus contornos creativos. Sobre todo en lo referente a las músicas improvisadas y todo lo que ahí podamos incluir. Sus textos desprenden la misma actualidad o frescura que hemos podido sentir justo la noche anterior escuchando en cualquier garito, la elocuencia de un improvisador. Hay en todos los textos una necesidad de ubicar cualquier comentario en el contexto filosófico/social adecuado de manera que cualquier artículo transciende al aficionado simple para poder ser leido en un círculo mucho más amplio. El de la cultura. Y con el tiempo serán de interés antropológico. REP, se sienta y escucha primero. Escudriña lo que sus tripas le dictan y luego reflexiona. Luego escribe y vuelve a usar su tamiz emocional para devolvernos un texto. Y entre una cosa y la otra está su verdad. Que como toda verdad, que en este mundo que hoy nos toca vivir, es de pocos. Pasa rápido, te penetra, como una bala. Pero es verdad de la buena. Nani García (pianista, compositor, director artístico do Imaxina Sons) 
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Para dissertar sobre música não basta escrever, é preciso conhecer muita música. Para conhecer muita música é necessário ouvir toda uma vida e para ouvir toda uma vida infere-se uma profunda paixão. Em Bestiário Ilustríssimo e Bestiário Ilustríssimo II / Bala condensam-se extensas e infindáveis paisagens musicais que nos atingem vindas de todas as direcções. Hugo Carvalhais (músico)
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Não sei se a bala a que o Rui Eduardo Paes se refere já foi disparada ou se está à espera de ser disparada por cada um de nós. Em todo o caso, o livro Bestiário Ilustríssimo II / Bala do REP é um livro-bala para quem o lê. Lê-se rápido, lê-se com entusiasmo e lê-se com um profundo sentido de urgência em relação à criação musical que nos rodeia. Faz-me lembrar aqueles artigozitos de jornal que se percebe logo que são um mero copy-paste de press releases. E faz-me lembrar esses artigozitos porque precisamente ele é tudo o contrário. Percebe-se e sente-se que detrás de cada palavra há alguém que, acima de tudo, vive e escreve sobre música a partir do que ouve e não dos likes que pode obter nas redes sociais. Num rectângulo tão escasso de críticos de música, e sobretudo de críticos com qualidade, assistir a este disparo do REP é como beber um garrafão de água depois de se fazer a travessia do deserto. É tão bom que até pode causar indigestão. Recomenda-se calma e discos, muitos discos a acompanhar. Vítor Joaquim (artista sonoro, investigador e docente do Centro de Investigação de Ciência e Tecnologia das Artes da Universidade Católica do Porto)
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Da recensão ao ensaio, Rui Eduardo Paes é, sem dúvida, uma figura ímpar no nosso meio. É notável como desempenha a sua função, revelando notável acutilância crítica e paixão. Uma pedra no sapato. Ernesto Rodrigues (músico, Creative Sources)
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Resplandecente Enorme Produto. Pedro Costa (Clean Feed, comissário da Culturgest, co-director artístico do Ljubjlana Jazz Festival)
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Uma verdadeira anti-enciclopédia, escrita com as entranhas à flor da pele. Lê-se como se ouve. Paulo Chagas (músico, docente de música, co-programador do MIA, Zpoluras Archives) 
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Los disparos son certeros y heterogéneos. Las páginas -los libros de Paes-, siempre han estado dedicados a artistas de diferentes ámbitos musicales que acaban sorprendiéndonos Chema Chacón in Oro Molido #41 ... Na senda do que tem escrito, este livro (que, na verdade, são dois, já que tem apenso um segundo, Bala, com textos mais pequenos) de um dos mais carismáticos críticos musicais portugueses aborda inúmeros músicos e projectos (...). A escrita (...) assenta num profundo conhecimento da genealogia dos intérpretes e do seu trabalho, muitas vezes contextualizados em moldes ideológicos ou filosóficos. 
[5 estrelas] João Morales in Time Out 
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Em uma época em que as pessoas têm se (mal) acostumado com a crítica (se é que nesse caso mereça tal categorização) musical ligeira que domina a internet, em que as pessoas “acham” isso e aquilo, num processo de gostar e desgostar ao sabor da enxurrada de lançamentos que nos rodeiam, poder ler os textos de Rui Eduardo Paes é um privilégio. Fabricio Vieira in FreeForm, FreeJazz  

Life Is a Simple Mess @ Jazz Messengers Lisboa




Como as obras deste livro tornam claro, a pureza, no seu lado mais extremo, quer venha da subtracção de elementos ou da negação do contexto, é uma experiência rara. Em interacção com a simplicidade e o turbilhão, esta experiência dá-nos acesso a partes escondidas da nossa mente que contribuem para o equilíbrio, a cor e a forma como nos imaginamos a nós próprios. E tudo isto justifica e realça a nossa humanidade. É assim que Nate Wooley, autor dos textos presentes no livro Life is a simple Mess, procura exprimir o sentimento de total perplexidade e verdade que as obras de Travassos nos transmitem.

Página a página, a surpresa supera-se a si própria, a partir de um imaginário sem limites onde tudo e nada se conjugam em pensamentos que abrem o cérebro para realidades paralelas, numa perfeita comunhão entre design e física quântica. Explorando a união ou a fricção entre elementos díspares e uma crueza ou crueldade que nos atravessa a todos em algum momento da vida, Travassos apresenta, em Life is a Simple Mess, uma selecção de obras gráficas - que reflectem o seu maior investimento de trabalho da última década, dedicado essencialmente à editora Clean Feed e Shhpuma e ao festival Rescaldo.

Do livro fazem também parte trabalhos para outras editoras como a americana Sunnyside ou a alemã Why Play Jazz, bem como algumas imagens inéditas criadas especialmente para o efeito. O livro contém ainda um CD com 7 temas, 5 inéditos e 2 previamente editados, de onde fazem parte algumas das mais sólidas bandas de Travassos, tais como Pão, Big Bold Back Bone ou Pinkdraft entre outras relíquias.

Edição CHILI COM CARNE em colaboração com a SHHPUMA. Encontra-se à venda na Tasca MastaiBdMania, Mundo Fantasma, LAC, Tigre de Papel, Utopia, Matéria Prima, Louie Louie, Linha de Sombra, XYZ BooksGlam-O-RamaNeat RecordsLa BambaYou to You, FNAC, 4/Quarti, Jazz Messengers e Bertrand...





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Historial: livro lançado no dia 4 de Agosto d 2017 no Jazz em Agosto na Fundação Calouste Gulbenkian após o concerto de Larry Ochs com The Fictive Five com os autores Travassos e Nate Wooley presentes ... Festa em Setembro no Damas para lançar a coisa sem a educação institucional do Jazz em Agosto, está prometida uma DJ Battle entre Marcos Farrajota (editor) e Travassos, aceitam-se apostas!!! ... Reportagens no Público e P3 ...

Sobre os autores:

Travassos é um artista multifacetado, que se exprime sobretudo a partir do design, da ilustração e da música. Colabora há mais de 10 anos com a editora Clean Feed / Trem Azul, sendo o seu principal designer, para além de ser o mentor e criador da editora Shhpuma e do Festival Rescaldo. Actualmente já soma cerca de 400 capas de discos de músicos como Evan Parker, Mats Gustafsson, Pharoah Sanders, Peter Brotzmann, Ken Vandermark, Craig Taborn, Steve Lehman, Fred Frith, Peter Evans, Louis Sclavis, Paal-Nilssen Love, Joe Mcphee, Rob Mazurek, Jamie Saft, Wadada Leo Smith ou Bernardo Sassetti, entre outros.Recebeu já vários prémios de onde se destacam: “Ciudades Futuras” BCD – Barcelona Centro de Diseño; "Bombay Sapphire" CPD – Centro Português de Design; “MAD” - Concurso Jovens Criadores ; Best cover artwork 2008, 2009, 2010 pelo All About Jazz New York ou “Notable album covers of 2015” por Dave Hall. Já viu os seus trabalhos expostos na Experimenta Design, Cankarjev dom Ljubljana, Faculdade de Arquitectura do Porto, Universidade de Aveiro ou no BCD - Barcelona Centro de Diseño.

Nate Wooley é um dos mais aclamados e requisitados trompetistas da actualidade. É um músico transversal que tanto se movimenta nos meandros do Jazz clássico ou contemporâneo, bem como nas franjas mais ousada da experimentação. Para além de músico, Wooley desenvolveu paralelamente um reconhecido percurso na escrita, entre ensaios, poesia minimal e outros textos. Nascido nos EUA, começou a tocar trompete profissionalmente com o seu pai, um saxofonista de orquestras, com 13 anos. O tempo passado em Oregon, a sua terra natal, instigou no músico uma estética musical que influenciou toda a música por si criada nos últimos 20 anos, sobretudo a sua abordagem ao trompete.

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FEEDBACK

The Clean Feed and Shhpuma labels continues to expand and evolve, allowing us to look beyond the music and deal with other the visual aspects provided inside this impressive 64 page book. Yes, there is a CD of music/sounds which is found inside this 64 page book of assorted drawings, collages and minimal texts by Nate Wooley. Sonic specialist Travassos appeared on a few recent CDs from Clean Feed stable: Pão and Big Bold Black Bone. The disc here features Travassos playing with both of these projects as well as other assorted musicians. Travassos plays tapes, amplified objects, analogue electronics and crackle box. (...)  The often mesmerizing sound of Travassos’ electronics permeates this entire disc without him ever soloing but creating a variety of haunting scenes. The book also evokes similar mysterious images which work perfectly with the music on the disc. Another triumph for the fine folks at Shhpuma  - Bruce Lee Gallanter, Downtown Music Gallery

A fascinating book of artwork from Clean Feed visual designer and electronic improviser Travassos, with perceptive text from Nate Wooley punctuating the imagery (...) - SquidCo

Einstein, Eddington and the Eclipse. Travel Impressions @ Centaurus



1 ECLIPSE / 5 COUNTRIES / 2 LANGUAGES /
A WEB OF KNOWN AND UNKOWN PEOPLE, ANIMALS PLANTS AND ENVIRONMENTS / CRAVINGS FOR STRAWBERRIES 


Einstein, Eddington and the Eclipse. Travel Impressions integrates an essay by Ana Simões and a graphic novel by Ana Matilde Sousa.

 The essay analyses the scientific, social, political and religious aspects of the two British expeditions, which headed towards Príncipe and Sobral to observe the 1919 total solar eclipse, and test Albert Einstein's light bending prediction. 

The graphic novel takes excerpts from A.S. Eddington's correspondence as a starting point for a graphic narrative of experimental and impressionistic contours.




248p (128p full color) 18,5 x 27cm
 ISBN: 978-989-8363-41-1

BUY at our online shop or at Quimby's (USA)


History of the book:

Sample published in Polish magazine Zupelnie Inny Swiat





(...) Ana Matilde Sousa (better known in the world of comics by the pen-name Hetamoé) took the correspondence exchanged by Eddigton with his mother, sister and the Lisbon Observatory to recreate visually this famous trip. Her collection and processing of digital images, as well as her explorations with the printing and inking of these pages, emerge in a very impressionistic and unique graphic story. It’s for sure one of the most beautiful pieces of comics imagery we had this year, giving us a sense of what this voyage could have been like and the feelings experienced by the participants.

(...) exciting, experimental recent release in Portugal (...) Einstein, Eddington and the Eclipse: Travel Impressions by Ana Simões & Ana Matilde Sousa combines a text essay about the 1919 total solar eclipse with a graphic novel interpreting and transforming excerpts from scientist A.S. Eddington's letters.
Paul Gravett in FB

(...) it fits the definition of a “travelogue” in both the broadest and strictest sense — but it’s so much more than that, as well, taking in the sights, sounds, feelings and textures of his journey to create a kaleidoscopic whirlwind that explores the very act of exploration itself, as well as its sub rosa “ripple effect” ramifications on people, places, animals, and even inanimate objects. If I said I’d experienced anything quite like it before I’d be lying, and I say that as someone who reads a hell of a lot of comics. 
 Stated plainly, then, I can’t recommend this book strongly enough (...). If I’d been aware of it when it first came out (my bad!), it would have most certainly landed a spot on my “best-of” list for that year — instead, it’ll have to settle for a spot on my “best-of” list of all time.

(...) This book is a true jewel, to be recommended to historians, to scientists, and to the broader public alike, and in particular to those who are fascinated, as I am, by the powerful imagery of graphic novels — particularly when they are so deeply rooted in historical knowledge as is this wonderful book. 
Jürgen Renn (Max Planck Institute for the History of Science) in Centaurus

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Querosene @ Expresso


Os pézinhos sexy ao lado são da Alexandra Lucas Coelho
 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Júri do próximo concurso 500 paus já está composto

O concurso que deverá ser lançado em Outubro já tem um Júri: Ana Margarida Matos (autora, vencedora deste ano), André Pereira (autor e professor de BD), Amanda Ribeiro (jornalista, P3/Público), Dois Vês (autora de BD e membro da Direcção) e Frederico Duarte (da livraria e galeria Tinta nos Nervos).

Boas férias!

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

CCC @ Zinefest Berlin 2021

 


Come find a selection our books on Magma Bruta's table at Zinefest in Berlin,
on the 20th-21st of August. Come along!


Treinos prá pista de dança

Sempre pensei que a música de dança é para ser editada em vinil para que possa ser manipulada ao vivo por um DJ. Estranhamente os dois lançamentos de música electrónica funcional que aqui divulgo saíram em formato k7. 'Tá tudo parvo!? Ou é porque não há pistas de dança e estas edições servem só para a malta ensaiar os "moves" que vão fazer quando voltarem a abrirem? Não sei / Não respondo.


Supertaça (Rotten/Fresh + Casa Amarela) é uma split-tape de Gabberolas e Hot Dancerzzz. Imaginem um Portugal noutra "timeline" em que tínhamos inventado o Gabber e as samplagens de vozes e media reflectiam o que é o país, ou seja, violência policial, acidentes de viação e claro TVs privadas, ponto. Não há muito mais para dizer, não sei se Gabberolas 'tão a gamar beats ou criaram novos, tanto faz, a originalidade passa pela samplagem dos media portugueses e o seu significado intrínseco. Já Hot Dancerzzz é mais desafiante porque esta dupla faz desconstruções do Techno e investe não só em Frenchcore como em sons de derrapagens de carros. YES! Só é pena ser tão curto. Ainda assim aconselho às duas duplas em lerem os nossos livros escritos pelo DJ Balli para melhorarem as suas entregas futuras.


Gegika Warlord não precisa de ler o Balli porque já conhece os seus livros - um deles até fez o design e capa. Sim, GW é o novo projecto musical de Rudolfo, o Rei da BD portuguesa, e ele aprendeu a fazer uma SMM (super-mistura-monstruosa). Apesar desta sua nova tendência pretensiosa de fazer títulos enormesThe Day They Stop Smiling Is The Day We Remember Their Smile (Favela) é um disco inesperado e poderoso, feito de IDM, Drum'n'Bass (uh-oh!), pós-industrial (seja lá o que isso quer dizer), Teknoise, Vaporwave enfim, o que viesse à cabeça deste gajo que pelos vistos vou continuar mais 10 anos a escrever sobre o seu "output". Escrevo isto sem dor, até porque com estas edições fico a pensar que não estou em Portugal, nesse país onde os betos pindéricos governam a Cultura e os artistas não sabem o que significa acção ou movimento. Dankas very muchas, malta!

PS - parabéns a ambas edições pelo grafismo e design. É malta que sabe o que está fazer!

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Como ser sócio da Associação Chili Com Carne?

O regime de sócios da Associação Chili Com Carne passa pelo pagamento de uma jóia no valor de 30€ (15€ para menores de 30 anos) e o envio dos seguintes dados para o nosso e-mail: ccc@chilicomcarne.com

_nome
_data de nascimento
_morada
_tlm
_e-mail
_www
_fotografia (um jpg qualquer para fazer o cartão de sócio)

O valor da quota deve ser depositado na conta do seguinte EBAN: PT50003502160005361343153 (swift / bic: CGDIPTPL); ou através de paypal.

Quais as regalias de ser sócio da CCC?
_Oferta do livro Acedia, um livro de André Coelho - livro vencedor do concurso 500 paus (2015);
_30% de desconto sobre as edições da Chili Com Carne, MMMNNNRRRG e outros;
_informação em primeira mão de projectos da CCC;
_apoio a projectos editoriais*.
_descontos no uso do projector de vídeo.


E depois disto?
Passado um ano há um quota a pagar de 10€ e ainda recebe um exemplar de outro livro a escolher pela Associação.



* Apoio a projectos editoriais Ao longo do tempo a CCC tem vindo a definir de forma mais precisa qual a vertente de actividades para a qual está mais vocacionada, sendo que a edição em suporte de papel tem sido aquela que a CCC melhor tem sabido gerir. Os sócios da CCC com projectos editoriais poderão solicitar o apoio no campo da produção, distribuição e promoção. A selecção de projectos será discutida consoante cada caso. Sendo que seja imperativo ler este MANUAL!

Paradoxos

 


Under the radar : Underground Zines and Self-Publications 1965-1975 (Spector; 2019) é um impressionante livro de mesa de café aglomerado com argolas o que permite ter as páginas de texto (textos introdutórios de capítulos, "textos teóricos") num formato inferior ao das páginas de imagens (capas ou páginas reproduzidas, fotos / exibição das peças). Focado num período de dez anos - sem grandes justificações a não ser estéticas, a lembrar o NO-ISBN - e num espaço germanizado, este livro tem tanto de fascinante como de repulsivo como aliás será normal em todos os livros que venham desenterrar contra-cultura ou sub-culturas. Não alinho na ideia que um autor de BD que me disse, há alguns dias atrás, que trazer o "underground" ao de cima é como ter um partido monárquico numa democracia. Acho que tudo que traga à luz do dia uma cultura que poucos iluminados ou sortudos tenham tido acesso "nos bons velhos tempos", é válido nem que seja para dizer que "nós é que tínhamos razão, seus filhas-da-puta" e claro, para melhorar essa ratazana enorme chamada de Humanidade. É giro ver o acervo desta selecção - foi uma exposição antes de ser livro - ao folhear as suas páginas gigantes, embora seja deveras desagradável pegar nele por causa do sistema de argolas e do tamanho "mesa de café", parece que está sempre para se desmanchar e deixa marcas nas carnes das pernas. É sempre inspirador ver toda a psicadelia, DIY, radicalismos políticos e estéticos. Alguns textos aliás são "food for brain" sobre Design, Pornografia ou BD mas sinto-me desconfortável com um objecto tão luxuoso que trata do "lixo da História".

O livro pode ser adquirido em Portugal via livraria Blau. E já agora, ainda assim o livro mais interessante sobre estes assuntos continua a ser o esgotadíssimo Below critical radar : fanzines and alternative comics from 1976 to now que felizmente, em Portugal,  pode ser consultado na Bedeteca de Lisboa.


Fukt é uma revista berlinense (de um editor norueguês) sobre desenho contemporâneo e é babante pela sua apresentação e selecção - no caso da BD este #19 (2020) apresenta artigos, entrevistas ou trabalhos de Yuichi Yokoyama (que a Chili irá lançar em Portugal o seu livro Viagem), Chris Ware, Woshibai, Danielle Morgan, Maria Medem e Byun Young Geun. É um número dedicado à "narração" daí este interesse pela BD mas também storyboards ou outras aplicações de desenho em vários mediuns. O design vistoso muitas vezes atrapalha mais a leitura das imagens reproduzidas, o que é um problema típico de quem gosta de fazer catálogos invés de ter o hábito de leitura gráfica per se

A revista pode ser encontrada na livraria da ZDB.

PS - Li todas estas publicações com todo o interesse mas sempre desconfiado das intenções dos seus autores / editores, como se a qualquer altura as intenções egoístas ou carreiristas de quem o escreveu venham ao de cima. Esta paranóia é muito pessoal, bem sei, mas é fundamentada porque nos últimos anos voltei a sentir o peso dos "fakes" na cena independente portuguesa. Deixei-me levar por esse impulso. 

- Que se passa, pá? 

Então, meu, não sabes das palhaçadas da Feira Gráfica 2020/21!? É um evento que merece merda desde do início quando os seus organizadores puxaram os galardões de "curadoria", assinando o evento e tornando-o (ou projectando-o como) elitista - coisa que nenhuma vez aconteceu no passado com estes mercados no passado: Feira de Fanzines de Almada, Laica, Jeco, Morta, Raia, etc... Assim deu azo ao "escândalo de galeria" (ainda por cima digital) com as estratégias de promoção artísticas mais velhas que a potassa, misturando incompetência da organização com oportunismo dos seus oponentes. Vide também alguns zines ou selos editoriais que são mais sobre percursos dos seus editores (que também são "artistas") do que os marginalizados que dizem representar. Ou ainda o palácio de marfim da academia ao analisar as subculturas marginais como a KISMIF, etc,... Ou ainda como também me disse outro amigo meu que acha que a FlorCaveira ao usar linguagens contestárias como o Punk ou Metal para as suas mensagens religiosas não passa de mero transvestismo artificial e não de subversivo "detournement". Creio que todos os exemplos dados usam os fanzines ou a edição "indie" para ganhos meramente pessoais, minando o meio, que em si sempre foi precário - até o Under the radar no seu "deluxe" todo não esconde esse facto na secção de "economia" - vomitam frases orelhudas em sintonia com os combates e desafios da nossa década mas vazios de conteúdo e de significado. São as mesmas estratégicas dos neo-fascistas que andam por aí, estes "colectivos" e/ou pessoas vão ter de perceber que escolheram o sítio errado para a sua tão desejada projecção pública, inscrevam-se num partido político ou fiquem em MERcado Da Artes. Boas férias!