blogzine da chili com carne

domingo, 29 de março de 2026

WENDIGO na CULT

 


O regresso de NUNSKY depois do celebrado Companheiros da Penumbra!!!!

É o 29º volume da Colecção CCC com capa semi-dura a preto e branco e 104p 16,50x23cm a preto e branco, aliás um preto digno de um Inverno Nuclear!

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Esta banda desenhada é baseada na obra de Algernon Blackwood e deixamos aqui a sinopse:

 Ao longo dos anos, a imensa floresta canadiana testemunhou inúmeras expedições de caça ao alce, com maior ou menor sucesso.

Mas a que foi liderada pelo Dr. Cathcart em Outubro de 1910, fazendo fé no relato dos que nela participaram, terá sido de todas a mais insólita.

“Cometemos um grande erro em ter vindo aqui!... A nossa presença despertou algo no coração da floresta!... Algo terrível que jamais deveria ser perturbado!...”

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Já está disponível na nossa loja em linha e na BdMania, Cult, Kingpin, Linha de Sombra, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB (Lisboa), Matéria Prima, Mundo Fantasma, SocorroUtopia (Porto), FNAC, Almedina e Universal Tongue.


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feedback:

“Wendigo”, criatura mítica das lendas dos povos indígenas norte-americanos, surge aqui como símbolo da natureza selvagem e vingativa, despertada pelo desrespeito humano. A narrativa conduz o leitor por um crescendo de tensão psicológica, isolamento e loucura, reforçado pela arte crua e expressiva de Nunsky
 
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Um forte concorrente a um dos melhores livros do ano de autores portugueses.
Pranchas e Balões



 
Historial:
 
livro nomeado para os prémios da BD Amadora

Flash Point - versão Chili Com Carne - na Cult


10º volume da RUBI, a melhor colecção de Romances Gráficos em Portugal!

Co-edição com a Sendai - a versão da Chili Com Carne é limitada a 200 cópias e está à venda AQUI e na Cult, Linha de Sombra, Tigre de Papel, Snob, ZDB (Lisboa), Cassandra, Matéria Prima, Mundo FantasmaSocorroUtopia (Porto) e Velhotes (VN Gaia). E ainda da Língua nos Dentes...


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Num dia quente de Verão, uma jovem japonesa deixa de ir à escola. Como uma piada inofensiva, ela e o marido desempregado da sua irmã começam a fazer vídeos parvos no Instagram, gerando milhões de visualizações. Quando ela aparece nas fotografias num comício do Shinzo Abe, a diversão toma um rumo completamente surreal e assustador. Como se sabe, a 8 de Julho de 2022, o ex-primeiro ministro é morto a tiro... . Na era da pós-verdade ela é logo envolvida em teorias da conspiração e como símbolo da extrema-direita.

Flash Point de Imai Arata atreve-se a tratar um assunto tabu, evitado por todos menos o mais corajoso dos artistas japoneses.

Na verdade, este livro é sintomático do problema da Banda Desenhada em tratar dos dias que correm, sempre preferiu escrever sobre o passado ou desenhar o futuro, fazendo impressionantes reconstituições históricas (Bourgeon, Tardi ou Nunsky) ou projecções (quase sempre) distópicas (Moebius, Geof Darrow ou Katsuhiro Otomo). O presente é que é um problema, especialmente com as bulhas ideológicas que o mundo está a viver. Se calhar sempre foi assim mas agora parecem bater-nos mesmo à nossa porta diariamente, graças às redes sociais. Também é verdade que em cada época da História há temas que são tabu ou que sejam mal acolhidos - basta lembrar as lutas ecológicas dos anos 60 e 70, em que o grande público não simpatizava e que agora, que o planeta prepara-se para dar o grande peido, toda a gente é "ecologista". 

É de salientar a enorme coragem de Arata de comentar temas que são tabu no Japão, um país que até tem um sistema político democrático mas com uma lista infinita de assuntos que não se tratam... No aclamado mangá F criou uma realidade paralela pós-Fukushima com um imaginário envolta do horroroso Daesh. O livro só teve edição profissional no EUA. Pelo Japão foram apenas impressos 300 exemplares, distribuídos de forma "underground", isto é, num circuito progressista do mundo das artes - a BD estava associada a uma exposição com o colectivo Chaos*Lounge - e pouco mais. Numa entrevista Arata diz que talvez umas pessoas de Fukushima também tenham tido acesso, tornando a publicação "mítica", uma vez que no Japão nenhuma editora teria coragem de publicá-la. 

Neste livro Arata decidiu pegar em vários temas actuais como o fascínio tóxico das redes sociais, a grande renúncia (The Great Resignation em inglês), as invasões populares aos locais de poder (que entretanto o Trump "legalizou"!), as tentativas e (poucas) concretizações de assassinatos de políticos - diziam os Stealing Orchestra que De um Tiro à Socapa nem o Papa escapa mas só Abe Shinzo é que bateu as botas até agora...; já para não falar das Teorias da Conspiração (a maior de todas é que não revelaram a maior delas todas: porque raios tem sido eleitos como presidentes os burgessos com os piores penteados de sempre, WTF!?), a pós-verdade e a subida da extrema-direita à escala global.

Não se deixem enganar pelo ar pateta-pop deste mangá. Por detrás da sua estética comercial, o leitor vai ter comida para o cérebro, na melhor tradição de quem pratica a sátira.



 
Imai Arata (1992) é dos poucos artistas engajado politicamente e independentes nos dias de hoje no Japão. Desde 2009 que faz vídeos, animação, instalações e banda desenhada num estilo de pseudo-reportagem, explorando temas como os sem-abrigo, a imigração e refugiados - mas também temas mais leves como o romance e o quotidiano. O seu mangá mais conhecido é F (2015), publicado profissionalmente apenas em inglês pela Glacier Bay Books, em 2021, que explora uma distopia numa realidade paralela após o evento do desastre nuclear de Fukushima. Este novo livro, Flash Point (2023), é uma sátira política sobre redes sociais e o assassinato de Shinzo Abe, vencedor do Prémio Shunji Enomoto do 5º Prémio de Mangás organizado pela torch comics e obtendo várias referências nas listas de final de ano das publicações especializadas japonesas.


FEEDBACK

Ontem li o Flashpoint entre duas viagens de comboio. Parecia um maluquinho a rir-me sozinho com o quão bizarro o livro é. As referências à fauna cibernética japonesa (é universal) estão muito bem sacadas. Fora o comentário político surrealista, claro. Ajudou-me a sobreviver a mais um dia (...) Mas a que custo?!
Rudolfo (via email)


Fez-me lembrar a atmosfera sufocante no Japão durante a pandemia do coronavírus e as informações confusas na altura do assassinato do ex-primeiro-ministro Abe Shinzo. Ainda existem teorias da conspiração sobre a vacina, e o partido anti-vacina já conquistaram vários lugares no parlamento. A maioria dos japoneses é passiva e não costuma realizar manifestações ou algo do género. No entanto, durante a pandemia do coronavírus, houve pessoas que fizeram declarações inflamatórias.
(...) um manga muito interessante. Gostei da mistura de realidade e ficção.
Naoko T. (via email)

DIAS-A-FIO na CULT



Dias-A-Fio
 
de
 


28º volume da Colecção CCC

Obra vencedora do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! (2024) cujo Júri foi constituído por Alexandra Saldanha, Ana Ruivo, José Smith Vargas, Luís Barreto e Marcos Farrajota.

80p 16,5x23cm impressas a azul, brochado

Dias-a-fio de Alexandre Piçarra é uma corrente de episódios em que várias personagens são expostas a situações que fragmentam a sua dimensão emotiva. O cenário é Lisboa entre os anos 90 e 2010 e os acontecimentos são sombras de realidades vividas, que representam as fendas na estrutura do sistema social português, que deixa emergir o julgamento, crueldade, culpa, castigo e humilhação como danos colaterais. Eis uma galeria de putos, chungas, betinhos, punks, bófia e muito tabaco.





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O livro já está disponível na nossa loja em linha e na BdMania, Cult, Kingpin Books, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB (Lisboa), Matéria-Prima, Mundo Fantasma, Socorro, Utopia (Porto) e Universal Tongue.



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Historial:
 
Lançamento no dia 26 de Abril 2025, na Tinta nos Nervos com a presença do autor, Marcos Farrajota (editor) e José Smith Vargas (autor), acompanhada por uma mostra de originais.
 
nomeado para prémio na BD Amadora



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FEEDBACK

Dias-a-fio fuma-se como um charro ou tabaco de enrolar, daqueles que se tem de reacender amiúde e que no final deixam um travo amargo nos lábios. São pequenos retalhos da infância e adolescência em ambiente urbano, ilustrados cruamente sem peneiras e em que o percurso existencial dos protagonistas é certeiramente simbolizado pelo cinzeiro que se vai enchendo de beatas.
Nunsky (via email)
 
Gostei muito do Dias-a-fio, a dislexia quanto muito ajuda a onomatopeias graficamente fantásticas. Sendo que sou de Lisboa e nascida nos 90’s não me passou ao lado, juventude tão decrépita como a capital, já na minha altura se contavam histórias de putos que tinhas ficado sem pernas por andarem à pendura nos elétricos!
Ângela Cardinhos (via email)

Mas então o que é o Dias-A-Fio? É uma colecção de episódios ou vinhetas da vida suburbana lisboeta entre as décadas de 2000-2010, mas a precisão geográfica e temporal não são importantes. O que é relevante são as vidas das personagens e as situações pelas quais elas passam, que nos são apresentadas pelo autor como uma apresentação e exploração daquilo que elas representam. São figuras realistas, mesmo que não sejam reais, e as suas vidas são palpáveis. Mesmo não havendo uma narrativa directa entre os capítulos do livro, vemos estas personagens a crescer, a aprender, a errar e a sofrer, mas não é tudo negativo. Há um elemento quase esperançoso ao longo destas histórias que para mim enquanto leitor me fez sentir que por muito que estas personagens passassem, o sol nascerá sempre no dia seguinte e haverá sempre mais que possa acontecer. A incerteza de que esse dia seguinte seja positivo ou negativo faz parte da experiência: vai acontecer, e isso é suficiente para virar a página. 
(...) O autor acompanha as personagens nas suas decisões e hesitações sem qualquer julgamento ou vergonha. Somos incluídos nos grupos que nos são apresentados e somos cúmplices em vez de voyeurs. Este livro serve como um lembrete que não somos apenas observadores dos sucessos ou infortúnios pelos quais passamos nas nossas vidas. Quer aceitemos quer não, aquilo que une os dias das nossas vidas somos nós próprios enquanto fio condutor. E o efeito dominó que as coisas aparentemente insignificantes da nossa juventude podem ter sobre o nosso futuro não é algo que possa ser prevenido ou analisado até finalmente acontecer.

 Entre cigarros fumados às escondidas, blasfémias que se confessam ao padre e algumas sessões de pancada, os miúdos indisciplinados do primeiro episódio vão crescendo, mas não é tanto acompanhar com precisão a história de cada um que faz viver este livro; é, antes, a visão fragmentada de um conjunto de vidas que se vão desenvolvendo nos intervalos mais ou menos avariados da sociedade. (...) Quando as revistas dos anos 90 e 2000 abraçaram uma suposta modernidade e desataram a publicar longos artigos, sempre muito ilustrados, sobre as supostas tribos urbanas, esqueceram-se de confirmar que as fronteiras não estavam tanto entre os punks e os betos, os metaleiros ou os chungas, gente que tantas vezes usava a farpela para tentar amparar-se nalguma identidade colectiva; as fronteiras estiveram sempre nas classes, no acesso que cada um e cada uma tinha ou não tinha a essa ilusão chamada “elevador social”, e ainda hoje andamos a colher os restos dessa fantasia. Os grafitis nas estações, as drogas na rua, os abusos de poder policial e uma certa ideia de no future, esses ainda cá andam todos.

É impressão minha ou aparece a Boca do Inferno no livro? Ahahahah tá fixe o livro.
Rattus de Albert Fish (via email)


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Alexandre Piçarra (1990, Lisboa) formado em Escultura, tem um part-time e desenha nos tempos livres. Já fez exposições e teve múltiplos ateliers. Sofre de dislexia persistente, e por isso usa o mínimo de escrita e balões possíveis. Participou no fanzine Invasão e no jornal Carne Para Canhão.


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Outros títulos vencedores do concurso disponíveis:


Nódoa Negra (vencedor 2018) de várias autoras

All Watched Over By The Machines of The Loving Grace (vencedor 2019) de vários autores

Bottoms Up (vencedor 2020) de Rodolfo Mariano

Hoje não (vencedor 2021) de Ana Margarida Matos, com segunda edição e edição norte-americana pela Fieldmouse Press

Sinapses (vencedor 2022) de Ivo Puipo, com uma versão inglesa pela kuš!

Vale dos Vencidos (baseado no trabalho vencedor de 2014) de José Smith Vargas, com segunda edição

Partir a loiça (toda) (vencedor 2023) de Luís Barreto

sábado, 28 de março de 2026

MAXIMUM TROLL-ON de BENJAMIN BERGMAN --- últimos 6 exemplares!


Maximum Troll-on por Benjamin Bergman editado pela MMMNNNRRRG

Troll On é uma BD de dois elfos e um cavalo metidos em várias aventuras que devem mais aos Freak Brothers ou aos Blue Brothers que ao Senhor dos Anais ou a Guerra dos Cornos ou lá o que é. 

As BDs são mudas mas canta-nos as aventuras destas personagens fantásticas entre ácidos e Sword & Sorcery, cogumelos mágicos e ZZ Top, MDMA e Conan, o BárbaroComparando com muita freakalhada da produção contemporânea como o Matthew Thurber ou Joe Daly, que parecem sempre pálidas imitações de Gary Pather, venham antes para este livro. 

Ele rocka prá caralhu!

Benjamin Bergman quando era puto deve ter absorvido demasiado desenhados animados e bonecada em PVC, daí ser um autor do famoso atelier de Helsínquia Kutikuti. Já nos visitou em 2009 numa Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009) e até sobreviveu até hoje (2019) um mural seu na entrada da biblioteca, feita colectivamente com Tommi Musturi, Jarno Latva-Nikkola e Tiina Lehikoinen. 





 108p TODAS a CORES e MUDAS (sem palavras) 12,5x17cm. edição brochada.
Tiragem de 666 exemplares, publicado pelo autor na Finlândia e pela MMMNNNRRRG em Portugal - para cá estão disponíveis apenas 333 exemplares - disponíveis ainda 35 exemplares
Este 43ª volume da MNRG foi possível graças ao apoio do FILI - Finnish Literature Exchange
Esta série foi originalmente publicada em quatro fascículos pela Kutikuti e Boing Being, entre 2008 e 2013.

capa do primeiro fascículo

Livro distríbuido pela Associação Chili Com Carne
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à venda na Linha de Sombra, Tigre de Papel, Mundo Fantasma, Matéria Prima, Kingpin BooksBdMania, Nouvelle Librarie FrançaiseSnob, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Rastilho and... Floating World, Quimby's (USA), Just Indie Comics (Italy), Ugra Press (Brazil), Big Brobot (Berlin) and Freedom Press (London)



Historial: 

Lançamento do Festival de BD de Helsínquia 2018
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Lançamento português no 8º Necromancia Editorial no Milhões de Festa no dia 7 de Setembro como os CIRCLE como "banda sonora"
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Autor presente nos dias 1 a 3 de Novembro na BD Amadora 2019




Feedback:

(...) extravasa a concepção clássica de BD, aliando as técnicas da ilustração ao mais puro expressionismo pop.
Time Out (Lisboa)

Num registo gráfico só aparentemente infantil, o autor finlandês Benjamin Bergman cria histórias em banda desenhada onde ecoam referências populares como os ZZ Top ou a série Conan, o Bárbaro, sempre atravessadas por um psicadelismo desencantado onde a acidez omnipresente parece dever tanto às substâncias químicas como à ironia mais aguda.
No final dos anos 1970 e depois 1980, existiam bonecos de PVC com cores garridas de todas as séries de animação, banda desenhada e outras. Tendo todas o mesmo tamanho, era prática comum guardá-las no mesmo local e não haveria quaisquer limitações a, quando se brincava, criar crossovers. O Estrumpfe de óculos e o Marco da Montanha podiam perfeitamente juntar-se para dar cabo do Flip, da Abelha Maia, enquanto o pai do Vickie e Willy Fog faziam apostas. E havia uma certa beleza em tê-los simplesmente empilhados, onde as formas de plástico e as cores garridas se misturavam num padrão promissor, numa espécie de alucinação visual sem drogas e confortavelmente caseira. Folhear Maximum Troll On partilha dessa energia.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Mesinha de Cabeceira #44: "2125" de Matilde Basto /// últimos 12 exemplares!!!!


O novo número do Mesinha de Cabeceira com a BD 2125 de Matilde Basto - do mítico Casal de Santa Luzia (MdC #34) - é o divertido regresso de Matilde com esta BD intitulada feita para a mostra virtual do Story Tellers (em Benfica). Modesto panfleto que ironiza o convívio entre duas espécies lisboetas, os humanos e as baratas, Homos e Blattae, all together now!!

Edição limitada de 100 exemplares, 20 páginas 16,5x22cm agrafada, com uma capa em cartolina cinzenta. 

Está disponível na loja virtual da Chili Com Carne e na Snob, Greta, Linha de Sombra (Lisboa), Socorro (Porto) e  Velhotes (V.N. Gaia).
 

Historial

Saiu no FLOP nos Açores (com a presença do Rei da BD Rudolfo) e na Parangona (Lisboa) em Dezembro de 2025. Ei! Não estávamos a gozar sobre os Açores! Lá também há insectos ortópteros e população interessada na leitura destes bichos:
 
 
FEEDBACK:
 
À semelhança do anterior Casal de Santa Luzia a autora volta a compor uma fábula onde animais comuns (dantes os gatos, agora as baratas) coabitam com os humanos em espaços urbanos onde se intui um ameaçador mal-estar, uma sensação de desajustamento, de não pertencer à cidade. Inicialmente, as baratas são representadas como espectros luminosos, em ambientes pontilhados por formas estrelares (idênticas à forma do símbolo do Gemini, talvez a simbolizar uma inteligência superior), e num processo gradual de alteridade, conforme os insectos vão sendo melhor conhecidos e integrados no quotidiano da cidade, vão adquirindo formas mais definidas e simpáticas.

este é que é o verdadeiro INFERNO / últimos 6 exemplares


A Divina Comédia de Dante Alighieri (1265–1321) é daqueles livros que toda a gente já ouviu falar mas terão sido poucos os que realmente o leram.

O Inferno tem nove círculos nos quais as almas dos condenados são punidas de forma burocrática. Entre elas vamos encontrar alguns dos inimigos de Dante – entre muitas coisas, esta obra também é uma sátira política. Dante viu o nascimento do Capitalismo tal como o conhecemos e criticou os novos ricos do seu tempo.

Quando Marcel Ruijters trabalhava neste livro, havia cada vez mais conversas nos media sobre a morte do capitalismo. A edição original holandesa saiu meses antes da queda dos mercados de 2008.

Esta adaptação que é feita num estilo de “gozo medieval” é a forma que Ruijters encontrou de criar interesse pelo texto original.

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edição MMMNNNRRRG
120p. p/b, capa 3 cores, 165x230mm
500 exemplares impressos em Dezembro 2012 
ISBN: 978-989-97304-5-8
tradução: Ondina Pires --- arranjo gráfico: Joana Pires

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à venda na loja online da CCC e talvez ainda haja na Kingpin, Matéria-Prima, Snob e Tinta nos Nervos.

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Feedback:
Inferno é o melhor trabalho de Marcel Ruijters, um dos livros mais hilariantes nos tempos recentes. A versão de Ruijters do La Divina Commedia de Dante é uma pastiche grotesca com belos desenhos (…) cheia de trocadilhos visuais à Tex Avery, que deixa os leitores em risinhos. 
Relatório do Júri VPRO para melhor BD holandesa de 2008

Inferno é cheio de horror e humor. As surpresas e piadas aparecem sobretudo nos detalhes dos seus robustos desenhos. 
De Groene Amsterdammer [jornal holandês]

Quando se compara com a arte, obrigatóriamente romântica, de Doré, os desenhos de Ruijters são fixes e excitantes. Ele alterou uma obra clássica com aprazível malícia. 
Elsevier Weekblad [jornal holandês]

Já tenho um exemplar; e está uma maravilha!!! :D 
Mr. Esgar [e-mail 19/12/12]

André Coelho também curtiu mas disse palavras profanas que nos impede a reprodução [19/12/12]

diálogo intenso com Dante (...) não se poupam as críticas ao poder temporal, à mesquinhez quotidiana e aos expedientes comuns de corrupção, na ascensão social e no enriquecimento fácil. (...) uma releitura pertinente à luz do presente. 
Sara Figueiredo Costa / Atual / Expresso  [4 estrelas em 5]

Ruijters alcança aqui um acto alquímico 
Pedro Moura / Ler BD

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Historial:

Melhor BD Holandesa 2008 

edição portuguesa lançada na última Feira Laica (Lisboa) e na Mundo Fantasma (Porto) com exposição de originais e serigrafia impressa pelo atelier Mike Goes West em Dezembro 2012

edição francesa pela The Hoochie Coochie em 2013

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algumas páginas aqui:




foto: Paul Gravett, em Ravenna (2007)
Marcel Ruijters nasceu em 1966, cresceu no sul da Holanda e frequentou durante alguns anos uma escola de arte nos anos 80. Desde os 7 anos que fazia BD. Com ao advento das fotocopiadoras que tornavam a auto-edição possível para toda uma geração e Marcel viveu esses tempos fazendo títulos como Onbegrijpelijke Verhalen, Mandragoora, Dr. Molotow, Fun&Games, Thank God it’s Ugly e vários monográficos raros, sendo que algumas destas publicações eram antologias com colaborações de vários artistas que Marcel descobriu em vários países como Matthias Giesen, Daniel W. Core, Chris Crielaard, Jakob Klemencic, Prof. Bad Trip, Karen Platt, Mike Diana, Berend Vonk, Kapreles, Matthias Lehmann, Olle Berg – tudo isto nos tempos antes da Internet, claro!

Actualmente é editor da revista Zone 5300 (de Roterdão, onde o autor reside), escreve crítica a BD no jornal Dagblad De Limburger, faz ilustrações, traduções e tudo o mais que é preciso fazer neste mundo da edição. O seu livro mais conhecido será Trogloditas, que teve edição holandesa (pela Oog & Blik), norte-americana (Top Shelf Comix) e portuguesa (Polvo).

Com Sine Qua Non mudou de estilo gráfico e começou a explorar o imaginário medieval, tendo o livro sido editado pela prestigiada Les Editions de l’An 2. A continuação deste novo estilo é Inferno, livro ganhou o melhor álbum de BD na Holanda em 2008 e que chega a Portugal pela MMMNNNRRRG.

Apesar de já ter participado em várias exposições colectivas em Portugal – como a celebre Honey Talks na Bedeteca de Lisboa, organizada pelo colectivo esloveno Stripburger – Ruijters terá a sua primeira exposição a solo na galeria da Mundo Fantasma em Dezembro 2012, sendo feito para a ocasião uma serigrafia pelo Atelier Mike Goes West.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Carne para Canhone #5 nas últimas!!!

Já podem procurar o novo número do jornal de BD CARNE PARA CANHÃO uma vez que os nossos rivais estão a deixar de existir ou de serem distribuídos na eterna espera pela falência da VASP e à falta de locais de venda graças à turistificação do país.

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São 16 páginas a preto e branco com participações de Rui Moura (capa e ilustração), Beatriz Brajal, Luís Barreto, Alexandra Saldanha, Ângela Cardinhos, José Smith Vargas (quando tinha 17 anos!!), Zé Lázaro Lourenço, Anaís Fernandes, Léo, Rodolfo Mariano e Carlos Carcassa (BDs), Hugo Noronha de Almeida, Leonor Garcia e Marcos Farrajota (textos).

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É grátis como sempre na Ar.Co., BdMania, Bivar, Carbono, Casa da Achada, Casa do Comum, Cinema Ideal, Cinema S. Jorge, Dois Corvos, Flur, Greta, restaurante Joud, Kingpin Books, Letra Livre, Linha de Sombra, Neat Records, Penhasco, Snob, STET, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Vinil Experience, Vortex, ZDB (Lisboa), Bedeteca do Porto, Cassandra, Espaço Musas, Louie Louie, Matéria Prima, Socorro, Trama (Porto), Atelier Abracadabra, Lúcia Lima (Coimbra), Insensato, Papelaria "O Clip" (Tomar), CAAA (Guimarães), Velhotes (Vila Nova de Gaia), Biblioteca de Alpiarça, Carmo'81 (Viseu) e Meia Volta de Úrano (Cacilhas)

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40 Ladrões reagiu: a bd dos drones 'tá incrível.

A CADA SETE ONDAS - obra vencedora dos 500 paus 2025 - últimos 8 exemplares

 


A CADA SETE ONDAS 

de 

Beatriz Brajal

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Obra vencedora dos 500 paus deste ano!! 

 

 

Brajal decidiu que o seu trabalho faria sentido ser publicado no fanzine Mesinha de Cabeceira, o que faz todo o sentido dada a tradição de três décadas desta publicação em mostrar talentos novos e frescos no panorama nacional - e internacional. 

O Júri do concurso descreveu a obra com imaginação, conteúdo refrescante e divertido, e excelente técnica e expressividade... sendo que a sinopse não desmente: Nesta catártica e imaginária banda desenhada autoficcionada, Bea e Solha têm uma complicada amizade inter-espécies. Ambos o espelho um do outro, dependentes e erráticos, deparam-se com uma circunstância da vida real.



Número 43 do Mesinha de Cabeceira. Edição limitada de 300 exemplares, 48 páginas 16,5x23 cm todas a cores, agrafada e disponível a 5 euros na loja em linha da Chili Com Carne e em algumas livrarias como a Greta, Kingpin, Linha de Sombra, Snob, Socorro, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB, BdMania, Matéria Prima e Mundo Fantasma.

 



Feedback

(...) Bea e o homem-solha (sem nome no livro) passam um dia juntos: estão numa esplanada, depois leem no jardim (não sendo de todo importante, habitantes de Lisboa reconhecerão os cantos), dançam e deitam-se à sombra das árvores, e finalmente participam numa qualquer performance – drama teatral, espectáculo de dança, vídeo-clip, baile de máscaras, concurso, procissão? Nesse convívio, falam, descobrem-se, e é sobretudo ele que, atento observador, nota nas transformações íntimas dela. A expressão da paixão surge de formas fantasiosas e físicas, tangíveis. (...)

Pedro Moura in Ler BD



Historial

 Lançamento a 27 Setembro 2025 na Tinta nos Nervos com as presenças da autora, Marcos Farrajota (editor), Daniel Lima e João Carola (artistas e docentes) numa alegre conversa. 

Exposição homónima na Tinta nos Nervos, 27 de Setembro a 25 de Outubro 2025. 

 Entrevista no Pranchas & Balões (Out'25)

 

Einstein, Eddington e o Eclipse. Impressões de Viagem ... gerou um RPG!


Einstein, Eddington e o Eclipse. Impressões de Viagem 
por
Ana Simões (ensaio e argumento) e Ana Matilde Sousa (banda desenhada)

oitavo volume da colecção LowCCCost, uma colecção de livros de viagem ... para quem gostar de viajar sem apanhar transportes e gastar dinheiro!

Elaborado no âmbito do centenário do eclipse de 1919, este livro esteve associado à exposição E3 — Einstein, Eddington e o Eclipse e está dividido em duas partes (ensaio e banda desenhada), ambas bilingues, português e inglês, as duas principais línguas usadas durante a expedição. 

A banda desenhada toma a correspondência de Arthur Eddington trocada com sua mãe, irmã e o Observatório de Lisboa antes, durante e após a sua expedição à Ilha do Príncipe para estudar o eclipse solar total de 1919, como ponto de partida para uma narrativa gráfica de contornos experimentais e impressionistas. Focando-se na teia de actores humanos e não-humanos envolvidos nesta expedição – pessoas conhecidas e desconhecidas, animais, plantas, factores ambientais e afetivos – a BD, que também compila alguns documentos da exposição, estabelece uma relação intertextual com o ensaio teórico sobre as implicações científicas, políticas e sociais dessa viagem cujos resultados confirmaram a revolucionária teoria da relatividade de Einstein. As “impressões” da viagem assumem um duplo significado, referindo-se ao relato de Eddington por palavras e às marcas nas páginas, alusivas à presença material dos lugares visitados.

264p (156p a cores) 18,5 x 27cm, capa a cores com badanas 
 ISBN: 978-989-8363-510

Nova edição - revista e ampliada - disponível na nossa loja em linha e na Tigre de Papel, Kingpin Books, SocorroTinta nos Nervos, ZDB, BdManiaMatéria Prima e SnobA antiga poderá ser ainda encontrada na Mundo Fantasma, Utopia, Linha de Sombra, STET, Vida Portuguesa e Alquimia





Historial: 

apresentado no CIUHCT a 19 Dezembro 2019 
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apresentação virtual em V/Ler BD 
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Artigo no Público
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Excerto publicado na revista polaca Zupelnie Inny Swiat
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Boa crítica por Jürgen Renn (Max Planck Institute for the History of Science) na Centaurus
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Apresentação com as autoras e moderado por Hugo Soares no dia 10 de Junho 2024, às 20h, na Praça Azul da Feira do Livro de Lisboa
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Apresentação com a presença das autoras e o editor da Chili com Carne, Marcos Farrajota, e com o comentário do crítico e investigador Pedro Moura, o ilustrador e autor Miguel Santos e o cientista Federico Herrera no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, dia 20 Junho às 18h
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entrevista no Pranchas e Balões

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Ciclo de Conferências no Centro Nacional de Cultura12 de novembro | Einstein, Eddington e o Eclipse – Impressões de Viagem com Ana Matilde Sousa (CIEBA – FBAUL) e Ana Simões (CIUHCT – CIÊNCIAS-ULisboa); e, 26 de novembro | A Roça Sundy, Cadbury e o “Cacau escravo” com Duarte Pape (Paralelo Zero) e Hugo Soares (E3GLOBAL)

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O livro gerou um RPG, Rumo ao Eclipse, criado por André Nóvoa sob direcção editorial de Hugo Soares e Ana Simões, a arte de Ana Matilde Sousa e design de Diogo Jesus.




Feedback

(...) narrativa de enorme intensidade emocional (...) Eis um livro de viagens com vocação renascentista (...)
Sara Figueiredo Costa in ACERT

(...)  O encontro entre Hergé e Lovecraft tem perfeitamente o seu papel num livro sobre uma conclusão feliz da observação da ciência. 
 Livro desafiador que estende as condições de produção e o modo como a banda desenhada dialoga com o mundo, bem para além do veículo de ficção de género ou de narrativas dominadas a que a maioria das suas prestações nos habituou, Einstein, Eddington e o Eclipse poderá vir a tornar-se um exemplo maior da verdadeira inter- e transdisciplinaridade.
Pedro Moura in Ler BD


Além da notável originalidade da junção de dois registos – um científico e outro artístico, neste caso a história da ciência casa-se com a “nona arte”, que costumam andar apartados, - a obra é também original pela sua rara qualidade. O ensaio, que foi pensado tendo em conta leitores desconhecedores da matéria, sendo claro, é absolutamente rigoroso, indicando as fontes para os factos relatados (...). Na banda desenhada, delimitada pelos registos epistolares ou diarísticos, a imaginação já voa, mas o registo não deixa de ser rigoroso: vê-se que a artista se procurou documentar sobre os cenários que descreve visualmente, tendo consultado o material fotográfico disponível. Fugindo ao realismo, faz-nos entrar na atmosfera da época.
Carlos Fiolhais


Voltando ao que melhor li de BD feita por cá (...) Trata-se de um livro composto por um ensaio da historiadora e professora Ana Simões e uma banda desenhada da artista Ana Matilde Sousa. (...) Gosto muito de ver este tipo de parcerias, bem como das explorações gráficas desenvolvidas aqui pela Ana Matilde Sousa, mais conhecida nos meandros da BD por Hetamoé. Conheci-a no Clube do Inferno, esse conjunto de enfants térribles cheios de garra e vontade em fazer BD, e desde aí que tenho tentado seguir o seu trabalho. Aqui conquistou-me logo nas primeiras páginas com esta BD impressionista. Muito trabalho interessante na forma como trabalha a cor e também a fotografia, tudo para nos ir dando uma imagem/ sentimento da viagem de Eddigton (usando como base a correspondência que o cientista trocou com mãe, irmã e o Observatório de Lisboa).
Gabriel Martins via Facebook

 



Einstein, Eddington e o Eclipse é magnífico! (...) tirei a barriga cerebral da miséria.
Rodolfo Mariano (via email)