blogzine da chili com carne
sábado, 11 de abril de 2026
"Trinta Anos a Monte : a minha vida punk" de Gilles Bertin na Metal Soldiers e Vinil Experience
Ao longo do relato de uma vida frenética, Gilles Bertin (1961-2019) abre-nos uma janela para a densidade dos meios punk e para a passagem à grande criminalidade no cruzamento com as lutas independentistas bascas. Este relato de fugas entre Espanha e Portugal mostra-nos desde as dificuldades do vício da heroína à chegada da Sida. É um testemunho que nos dá a ver a aventura louca de um grupo de punks e anarquistas que protagonizaram um dos maiores roubos do século XX. Nesta autobiografia, Bertin mostra-nos o caminho que levou a que o cantor Camera Silens organizasse o roubo da Brinks de Toulouse, em 1988. E depois é a fuga, a chegada a Espanha, a troca de identidade (...), a sobrevivência, a abdicação de tudo. É na chegada a Portugal que Gilles regressa ao mundo da música, ao abrir uma loja de discos (...).
Depois de alguns anos em Portugal, descobre que é seropositivo. Quando a doença piora, Gilles parte para Barcelona, e é nessa cidade que toma a decisão de se entregar à justiça francesa em 2016. Em 2018, é condenado a 5 anos de pena suspensa. 11,8 milhões de francos e 30 anos de fuga mais tarde, Gilles Bertin permanece como esteio dessa memória punk e anarca europeia que vai desaparecendo.
in A Batalha - Jornal de Expressão Anarquista
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co-editado pela Chili Com Carne e Thisco, 25º volume da colecção THISCOvery CCChannel
224p 16,5x23cm, todo a preto e branco
ISBN: 978-989-8363-56-5
Esta edição portuguesa inclui mais documentos visuais que a original francesa, para além de uma Banda Desenhada de 24 páginas de José Smith Vargas, celebrando a actividade da loja de discos TORPEDO.
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O livro já está disponível na nossa loja em linha, Carbono, Clockwork, Flur, Kingpin Books, Linha de Sombra, Neat Records, Snob, Tigre de Papel, Vinil Experience (Lisboa), Metal Soldiers e Universal Tongue.
Brevemente na Matéria Prima, BdMania, Velhotes, ZDB e Tinta nos Nervos...
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FEEDBACK
Estou a gostar muito do livro do Bertin: sem qualquer pretensão intelectual ou afetação burguesa, escrito num estilo desengonçado, é um testemunho válido de uma vida e de uma época que, a dada altura, se cruzaram também comigo, ainda que de forma tangencial - foi na Torpedo que pusemos à venda o Novos Panoramas do Globo / Baladas de Holywood, no início de 1992, com direito a cartaz prontamente afixado na vitrine. Agora percebo que havia muita tensão por detrás daquela postura amigável, mas algo reservada, do Gilles. Para além disso, o livro está cheio de ensinamentos - práticos, estéticos, políticos. (...)
Daniel Lopes (via email)
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Vale dos Vencidos (2ª ed.) de José Smith Vargas - artigo no Público
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quinta-feira, 9 de abril de 2026
Artificial Social
A minha excitação de saber que passadas duas décadas ia haver finalmente e outra vez um fanzine dedicado à reflexão sobre a Banda Desenhada, tornou-se inversamente proporcional à desilusão da sua leitura. Acho o Artifício #1 (Goteira; Mar'26) tão desapontante que esta resenha podia já estar acabada com apenas com estas duas frases. No entanto, dado ao excesso de solipsismo e fofura das autorias da publicação, acho que explicarei porquê...
Quem escreve no Artifício já são pessoas maiores, vacinadas, com mais de 25 anos - tirando a Emília Silva (mas que frequenta o ensino universitário) - e por isso tem a obrigação de serem mais críticas e exigentes em relação a tudo que escrevam. Ora o que se tem nas mãos é um "diário de uma adolescente" que não diz por quem está apaixonada com medo que o diário vá parar às mãos erradas. Por exemplo, o facto da BDteca de Viseu ser um depósito de livros de um "bedófilo" que usa um espaço público para ter lá a sua colecção intocável (os leitores não podem fazer empréstimo domiciliário) passa ao lado da Biakosta que prefere falar do pequeno almoço do hotel quando esteve presente no Encontro Nacional de Bedetecas, em Viseu no Maio passado. Os nomes da Chili Com Carne (e outras editoras? quais?), a minha pessoa (apesar de ter sido retratado) e a do italiano Andrea Bruno não são referidas na "BD-ensaio" de Emília Silva apesar de ela nos aludir, porquê? Não é questão de ego que reclamo aqui a minha identificação ou dos meus projectos que estou envolvido (Chili) ou dos meus amigos (o Andrea) mas se Silva quer comunicar, divulgar e expandir para as pessoas fora deste meio que "não é tão grande como lhe parecia" (as palavras são dela) então porque não refere ipso facto o que é o quê ou quem é quem?
O que é que interessa o orçamento do evento Miragem descrito pela Amargo? Que eu saiba a Goteira não roubou dinheiro (ao contrário do que deve ter acontecido com os três anos de obras da Bedeteca de Lisboa pela Junta dos Olivais) para estar a fazer estas contas públicas. Nem é o dinheiro que faz com que os artistas ou os organizadores DIY deixem de fazer coisas, especialmente porque neste meio existe solidariedade e respeito pelos pares - o dinheiro não traz felicidade, é o que se diz por aí, agora, discutir ideias e criticar trabalho isso sim, trás mais-valia para a cabeça. Por isso, em contrapartida à aula de contabilidade, ficou de fora a possibilidade dela descrever a excelente programação que a Goteira fez nesse evento. Não saberemos quão importante foi ver as performances do Luís Barreto ou da Mariana Pita, como eles fizeram o interface entre BD e música e como isso foi de longe mais divertido e interessante que aquelas punhetas dos desenhos ao vivo com bandinha a tocar que se vê em Angoulême ou em Beja. zzzzzzzzzzzzzzzzzzz E quem é a "Rosa" e o "Marcos", doce Amargo? "Amiguinhos" que vos arranjaram guita? Ou dois profissionais que tem apelidos e que já fizeram programação importante neste país e lá fora que vos convidaram para fazer o melhor evento de BD autoral de 2025? Ou achas que já toda a gente sabe quem eles são? Serão os leitores da Artifício exclusivamente gajos da BD que sabem de tudo deste gueto cultural ou são potenciais novos leitores sem vícios? Ou as editoras deste fanzine invocarão a desculpa é que com um dedinho no "smartphone" ficas logo a saber o que não se escreveu correctamente no fanzine? Nenhuma das opções me parecem saudáveis a qualquer nível.
Da Ucrânia onde Ana Margarida Matos esteve - "sim, ainda se pensa em BD e ilustração em plena invasão" - nada se transmite de lá: organizações, situações ou artistas para conhecermos a realidade deste país invadido. A Matos foi mesmo lá? Até fico desconfiado se não é "fake news"... Por alguma vergonha alheia não conseguiu escrever alguma coisa horrível que sentiu lá? Se não tem essa desculpa então deixou a malta da cena gráfica ucraniana ao abandono, o que me parece desonesto, pobre e egoísta. O texto da Rita Mota é igualmente inútil mas fiquei a saber que trabalho deverei colocar numa parede húmida...
O Dyscomica seria o escritor que poderia fazer mais contacto com o "exterior" (leitores que não sabem quem é o Farrajota ou a Barreto, por exemplo) ao escrever pequenas resenhas sobre livros de BD (quase todos eles bons) mas esqueceu-se dos nomes das editoras (um marco de qualidade para quem não tem referências!), anos de publicação (os livros serão geração espontânea ou intemporais?), uma dica sobre onde arranjar os livros (ou esta gente consome tudo da Amazon sem um pingo de consciência social?),... e é imperdoável que alguém escreva sobre o Imai Arata sem referir que o seu segundo livro que foi publicado em Portugal. Novamente, não é por ser edição da Chili Com Carne (com a Sendai) que chamo a atenção a isto mas porque é um autor desconhecido (até no Japão) e não é todos os dias que autores fora do sistema comercial são publicados em Portugal - se até o Chester Brown alguma vez fosse publicado cá pela Levoir acho que ia até fazer um stencil a dizer "Leiam Chester Brown" e bombá-lo por Lisboa inteira para comemorar isso.
Os textos em geral lembram-me o que a Joana Mosi escrevia o seu "blogue" - Estante da Mosi - em 2014 ou coisa que o valha. Era uma escrita simples de uma miúda universitária mas que deveria ser a única da sua geração a fazê-lo, a única a escrever sobre a sua descoberta de livros de BD ou assuntos relacionados - como as ordinárias Comic Cons - e se o conteúdo não era o mais relevante do universo, era importante o acto em si! Isto porque as pessoas deixaram de escrever (ou saber escrever?) quando veio o fenómeno das "redes sociais" que ao contrário da época das blogosfera, é muito mais visual (geralmente partilham-se fotos, vídeos, cartons ou mini-BDs) e menos intelectual, não só porque não se escreve tanto como está viciado com os seus polegares-para-cima e corações de apoio. Seja como for, a Mosi apagou esse seu "blogspot" há poucos anos, se calhar, para não sentir "cringe" (que moderno usar este termo, hein!?) do seu passado "literário". "Coisa-Cringe" que as "Goteiras" não vão poder fazer ao terem tido esta coragem inabalável (e de tirar o chapéu!) de publicar em papel, por isso, isto só irá desaparecer quando o último exemplar arder no Inverno Nuclear!
Todos os conteúdos parecem feitos por adolescentes mimados - como foi a Mosi há 10 anos atrás e antes dela outras pessoas na 'net ou em papel - em que tudo é fantástico ou fascinante o que descrevem, tudo é maravilhoso e tudo é feito em torno dos autores dos próprios textos - mas sem a piada do jornalismo gonzo. Parece que o mundo não existe apesar de terem ido à Alemanha, Ucrânia, Itália e Bélgica. O relato mais sensato e que ainda se aprende algo será a da Rita Torres sobre o festival Snail Eye em Leipzig. Obrigado!
Terá esta geração sido educada a ouvir aquele Hip Hop Xunga em que os MCs fartam-se de referir milhares de inimigos nas letras que lhes vão roubar as rimas mas que na realidade não é verdade, eles apenas não existem... é só para o estilo!? Isto foi-me confirmado por um rapper do Porto, o Ex-Peão. Estarão com medo de escrever sobre as coisas negativas? Ou terem uma opinião assertiva que ofenda alguém? Não se preocupem, minhas caras, num meio tão ignorante como o da BD, rapidamente farão inimigos! Não é preciso mutilar o intelecto ou o sentido crítico, a xungaria irá vos aparecer mais dia menos dia! De certeza que já há uns idiotas que não curtem as BDs da Goteira & cia...
Este número inaugural foi pensado como um especial "BD fora das páginas" e prometia. Não é pelos seus "relatores" afunilarem-se em experiências muito próximas da sua própria autoria - este fanzine poderia ser intitulado de "Relatório Anual d'A Goteira 2025", pode soar a irónico mas não haveria nenhum mal se assim se chamasse, foi um ano importante para este colectivo portuense. Mas escrevia, não é por centrarem-se em si que o conteúdo tenha de ser mau ou uma perda de tempo, pelo contrário, é importante registrar esses momentos mas é preciso pensar mais sobre eles, ser mais profundo do que o brilho do écran.
Nitidamente que o Artifício ficou aquém do seu potencial por falta de experiência de escrita impressa. Espero pelo segundo número ainda com fervor porque acredito nas pessoas envolvidas mas vai ser dura a espera dos próximos seis meses!
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Mesinha de Cabeceira #44: "2125" de Matilde Basto /// últimos 12 exemplares!!!!
O novo número do Mesinha de Cabeceira com a BD 2125 de Matilde Basto - do mítico Casal de Santa Luzia (MdC #34) - é o divertido regresso de Matilde com esta BD intitulada feita para a mostra virtual do Story Tellers (em Benfica). Modesto panfleto que ironiza o convívio entre duas espécies lisboetas, os humanos e as baratas, Homos e Blattae, all together now!!
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quarta-feira, 8 de abril de 2026
Skier and Yeti : "Adventures in a Blizzard" (Vic Nic; 2026)
Como não ficar com um LP cuja capa invoca o "guilty-pleasure" mais "nerd" possível? Editado em Portugal, este disco de estreia do duo sérvio Skier and Yeti tem uma capa que lembra algum "comic-book" parvo da Image e afins. A banda assenta em duas situações que animam sempre: as mascaradas Pop-monstruosas - alô Gwar, Grabba Grabba Tape ou os agora muito "hypescos" Angine de Poitrine - e instrumentos criados pelos próprios na tradição "novelty" de Spike Jones, passando aos Industrialitas mais ferozes como os eslovenos-ex-jugoslavos Laibach, ou Industrialitas mais suaves como Author & Punisher, e ainda o Rock/Pop aos Cleaning Women. Sendo assim temos um esquiador com umas cordas feitas com skis & "snowboards" com um Yeti baterista, iupi! (claro que há pedais de efeitos e outros "gizmos" electrónicos a ajudar as cordas)
A música é rock trólóró, ritmada e festiva com bom sentido de "groove", que irá deliciar o público ao vivo, tal como os nossos comparsas Lobster e dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS. Falta algo para isto ganhar maior dimensão - o Yeti grunhir? O Yeti destruir a bateria? O Yeti bater no esquiador? O esquiador esquiar por cima do público? "Samplarem" a neve a derreter? Sei lá... O LP é de vinil branco puro como a neve artificial dos jogos olímpicos em Itália, divertirá algumas audições até o gozo fazer um "fade-out". Em estudos económicos isso explica-se quando a mercadoria atinge um valor residual de satisfação, até que o consumidor aventurar-se numa nova aquisição. Marx & Freud também terão algo a dizer sobre isso... Até lá, curte-se!
PS - parabéns à Vic Nic, editora de Aveiro que só conheci graças à FEIA, pela excelente apresentação dos seus discos, tudo "top"!
PPS - o disco sai hoje oficialmente!!
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segunda-feira, 6 de abril de 2026
A CADA SETE ONDAS - obra vencedora dos 500 paus 2025 - últimos 7 exemplares
A CADA SETE ONDAS
de
...
Obra vencedora dos 500 paus deste ano!!
Brajal decidiu que o seu trabalho faria sentido ser publicado no fanzine Mesinha de Cabeceira, o que faz todo o sentido dada a tradição de três décadas desta publicação em mostrar talentos novos e frescos no panorama nacional - e internacional.
O Júri do concurso descreveu a obra com imaginação, conteúdo refrescante e divertido, e excelente técnica e expressividade... sendo que a sinopse não desmente: Nesta catártica e imaginária banda desenhada autoficcionada, Bea e Solha têm uma complicada amizade inter-espécies. Ambos o espelho um do outro, dependentes e erráticos, deparam-se com uma circunstância da vida real.
Número 43 do Mesinha de Cabeceira. Edição limitada de 300 exemplares, 48 páginas 16,5x23 cm todas a cores, agrafada e disponível a 5 euros na loja em linha da Chili Com Carne e em algumas livrarias como a Greta, Kingpin, Linha de Sombra, Snob, Socorro, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB, BdMania, Matéria Prima e Mundo Fantasma.
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(...) Bea e o homem-solha (sem nome no livro)
passam um dia juntos: estão numa esplanada, depois leem no jardim
(não sendo de todo importante, habitantes de Lisboa reconhecerão os
cantos), dançam e deitam-se à sombra das árvores, e finalmente
participam numa qualquer performance – drama teatral, espectáculo
de dança, vídeo-clip, baile de máscaras, concurso, procissão?
Nesse convívio, falam, descobrem-se, e é sobretudo ele que,
atento observador, nota nas transformações íntimas dela. A
expressão da paixão surge de formas fantasiosas e físicas,
tangíveis. (...)
Historial
Lançamento a 27 Setembro 2025 na Tinta nos Nervos com as presenças da autora, Marcos Farrajota (editor), Daniel Lima e João Carola (artistas e docentes) numa alegre conversa.
Exposição homónima na Tinta nos Nervos, 27 de Setembro a 25 de Outubro 2025.
Entrevista no Pranchas & Balões (Out'25)
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domingo, 5 de abril de 2026
Mundos em Segunda Mão - Volume 2 / últimos 50 exemplares
por
Aleksandar Zograf
Mais um volume cheio de crónicas em BDs publicadas originalmente na revista Vreme, na Sérvia, e depois um pouco por todo o lado. Com prefácio e "CineKomix" de Edgar Pêra
recomenda-se (...) vale a pena conhecer o universo único deste autor, da arqueologia da cultura popular a entrevistas com artistas contemporâneos, passando pela análise de estranhos (mas reveladores) objetos encontrados em feiras da ladra e alfarrabistas por toda a Europa. Jornal de Letras
...
Em português, traduções por Sara Figueiredo Costa, Marcos Farrajota e Manuel João Neto. Legendagem DTP e design por Joana Pires.
68p. 16,5x22,5cm a cores.
500 exemplares.
Historial: lançamento na SNOB (Guimarães), 19 de Dezembro 2015, com uma conversa entre Manuel João Neto (tradutor, co-autor de Terminal Tower) e Marcos Farrajota (editor) e projecção de "cinekomixes" de Edgar Pêra ... lançamento lisboeta no dia 22 de Março 2016, na sala Luís de Pina da Cinemateca com as presenças de Marcos Farrajota (editor) e Edgar Pêra (que assinou o prefácio e os "cinekómix" do livro) e a exibição do filme On the quest for… Beograd Underground (Espanha / Sérvia; 2012) de Muriel Buzarra. ...
...
à venda na loja em linha da CCC e ainda na Mundo Fantasma, Matéria Prima, ZDB, Linha de Sombra, Tigre de Papel, Rastilho e Palavra de Viajante.
Atenção: as BDs de Zograf não tem continuação, o que significa que ler este volume implique ler o anterior - que ainda está disponível aqui.
...
Excerto do prefácio de Edgar Pêra:
Conheci o Aleksandar Zograf há 10 anos. Soube que vinha a Portugal e, como forma de o conhecer, fiz–lhe uma entrevista em formato BD para o jornal Público. Falámos sobre a importância do universo onírico e do estado hipnagógico na sua obra e também da sua vida enquanto Saša Rakezić, vivendo sob os bombardeamentos da NATO.
(...)
Tal como as antigas colunas gráficas de “Ripley’s Believe it or not”/“Sabia que?”, estes Mundos em Segunda Mão compõem um mosaico de curiosidades interessantíssimas, que tem tanto de geral como de particular. É um universo de conhecimento partilhado. Este segundo volume prossegue a caminhada do pioneiro, com algumas diferenças e excepções. Todas as sequências – quer sejam sobre o Cinema 3D de província ou sobre os campos de concentração – merecem sempre as mesmas duas páginas. Mas, perto do fim do livro, Zograf dedica cinco capítulos a um caderno diário perdido num alfarrabista de rua: com A História de Radoslav coloca-se ao serviço de um desconhecido e homenageia-o narrando excertos da sua vida. São estórias recheadíssimas de peripécias, que por si só dariam um grande romance. Por se tratar de uma adaptação é aparentemente a sequência que mais se aproxima da banda desenhada dita convencional. Mas o seu final abrupto obriga o leitor a regressar ao ambiente de descoberta meteórica do resto do livro.
(...)
Estes Mundos em Segunda Mão são afinal mundos em primeiríssima mão, passam sempre pela subjectividade do autor, pelo seu olhar e pelo critério de selecção das narrativas a ilustrar, resultado de uma compulsão para transformar as suas observações e experiências em sequências ilustradas. A vida é revelada sob o prisma da sua arte: pormenores excêntricos merecem atenção triplicada, memórias secundárias são reactivadas. Olhamos para o real sob um ângulo singular. Sem olhar para o umbigo, sem proselitismos, sem querer dar lições de vida, Zograf ensina-nos a olhar para ela de outra forma.
Garantidamente que o Sérvio entra directo na tertúlia, visão livre e sem rodeios, autêntico um elixir cerebral. Não conhecia, obrigado pela partilha de outros mundos, o de todos. (...) Tripante!
Era Uma Vez Um Tímpano (via email)
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quarta-feira, 1 de abril de 2026
Mr. Burroughs ::: edição dos 25 anos :::: n'A Batalha
Este Mr. Burroughs não é William Burroughs, mas é como se fosse; é um sócia alternativo do romancista norte-americano, que se confronta com uma crise de criatividade.
Assombrado pelo fantasma de sua irrepreensível carreira, e ousando desafiar a vida para conhecer os seus limites, Mr Burroughs vai enfrentar a verdade sobre si mesmo para descobrir porque é que tudo aquilo que toca se transforma nele próprio.
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FEEDBBACK (da primeira edição e a a edição belga)
Minimalista nos meios, preto e branco rigoroso, (...) narração surrealista mas fluída (...) uma homenagem estranha, surpreendente e entusiasmante.
Les Inrockuptibles
Obra que se livrou de todos os ornamentos da lenda sulfurosa, concentra-se inteiramente no processo de criação.
Bang
(...) obra mais poética que narrativa , mais evocativa que descritiva. (...) A estilização do desenho de Pedro Nora privilegia a angulação expressionista, (...) o traço que fere como um bisturi e tudo inunda de borrões de tinta, como golfadas de sangue.
Domingos Isabelinho in Quadrado
FEEDBACK da nova edição
óptima re-edição.
Paulo Mendes (via email)
Ao ler o Mr. Burroughs, deu-me com frequência aquela comichão visual que vem com o ruído branco. Este é um mundo áspero, de texturas que variam entre o cimento e a brita, o esfregão d’aço e o ninho de aranhas. “Aracnídeo” será também um bom adjectivo para atribuir, de forma geral, às personagens. O próprio Mr. B, exemplar mais óbvio, todo esquelético e comprido, uma massa negra movida a alfinetes articulados, sendo que até as mais rotundas têm algo tarantular, bulboso, peludo e espinhoso. (...) Se os olhos são o espelho da alma, sob este rosto acumulam-se feridas e fraturas psicológicas. Aventurando-me num diagnóstico, atrevo-me a atirar termos como Síndrome de Cotard, narcisismo, autodesprezo, dúvida debilitante, paranoia. Ou talvez esteja só amaldiçoado, perseguido por uma entidade sem nome que se vai intrometendo na sua vida. (...) Fellow kids, teria sido uma pena isto ter ficado em 2000.
Salato in A Batalha #304
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sobre o livro
Por momentos, entre 1996 e 2001, (...) os ilustradores e autores de BD sentiram que iriam ser compreendidos pelos seus trabalhos, que não seriam ignorados pelo público nem pelos retrógados agentes oficiais da BD. (...) Houve Hype! Havia algo no ar! Havia juventude gira para aparecer em fotografias de revistas e jornais ou até TV, ena!
No meio desta cena excitante, o David Soares criou a sua etiqueta editorial Círculo de Abuso em 2000, após algumas edições auto-editadas que apareceram do húmus da cena dos fanzines. (...) Soares irá surpreender pela sua produção assombrosa, mistura de Horror, Fantástico e a sua visão muito pessoal sobre fantasmas literários ou o fascínio pelo cinema.
O Mr. Burroughs é o segundo livro (oficial) que publica e é o primeiro em parceria com outro ilustrador que será o Pedro Nora (...). Uma família de fumadores de haxixe conta a lenda que os autores se conheceram através do livro colectivo Lisboa 24H00 publicado pela Bedeteca de Lisboa, em que ambos participaram. (...) Nora vinha também dos fanzines (...) Como artista gráfico impressionava para alguém tão jovem ter uma linguagem gráfica tão depurada, nervosa, angular e solta.
Os autores nunca mais irão colaborar em conjunto, embora ainda apareçam com BDs curtas a solo, na seminal antologia Mutate & Survive
(Chili Com Carne; 2001). Numa simetria macabra, três anos depois da
publicação em Portugal a obra é editada na Bélgica pela Fréon. Se ainda
hoje é raro os livros portugueses serem traduzidos - ainda por cima de
autores novos! - em 2003 era mais do que impressionante este
acontecimento. (...)
A Bedeteca impulsionou esta nova geração de artistas, de forma directa com acções e apoios, e indirecta pelo élan que gerou junto à sociedade portuguesa mas "Mr. B" fazendo parte desta cena emergente não deixa de ser uma obra autónoma das influencias institucionais. Se, indirectamente, é graças ao Lisboa 24H00 que tudo isto acontece, no entanto a Círculo de Abuso não tinha recebido qualquer apoio institucional. Esta obra, bem como as outras de David Soares, deve-se às suas forças criativas telúricas, e neste caso, com Nora em quererem construir uma obra matura, artística, literária e com pelo na venta!
Sem diminuir os seus esforços, na realidade era o que todos os artistas de BD na naquela altura queriam fazer, longe das vontades miméticas de alguma produção actual. Desses desejos artísticos, saíram algumas pérolas como este "Mr. B" que bem vale a pena recuperar para novos leitores (...) Já os mais cínicos dizem que a edição original por se encontrar a preços estrambólicos no souk da BD, era inevitável acontecer uma edição comemorativa dos 25 anos de "Mr. B" para acalmar os cripto-especuladores! Rumores...
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sobre os autores
David Soares (Lisboa; 1976) é escritor, historiador, mestre em História Moderna, investigador integrado do CHAM-Centro de Humanidades (NOVA FCSH). A sua obra diversifica-se pelo romance, a banda desenhada, o ensaio e o spoken word. Como autor de banda desenhada, foi premiado com quatro troféus para Melhor Argumentista Nacional e uma Bolsa de Criação Literária, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (2002). A sua obra historiográfica O Bobo e o Alquimista: Deformidade Física e Moral na Corte de D. João III (Verbi Gratia, 2024) foi distinguida com o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian - História Moderna e Contemporânea de Portugal, atribuído pela Academia Portuguesa da História (2024).
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segunda-feira, 30 de março de 2026
Vamos vos apresentar à Família - na STET
Família
de
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9º volume da Colecção RUBI.
232p A5 2 cores + capas duplas 1 cor + sobrecapa 2 cores
+ oferta de zine Umas amigas limitado a 100 exemplares (esgotado)
Disponível na nossa loja em linha e nas lojas Kingpin Books, Linha de Sombra, Matéria Prima, Snob, STET, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Vida Portuguesa, ZDB, Greta, Cult (Lisboa), Cassandra, Mundo Fantasma, Socorro (Porto) e Velhotes (Vila Nova de Gaia). E TFM (Frankfurt) e Língua nos Dentes
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| página de Umas Amigas |
Depois de uma vida nómada - com paragens em Lisboa, Porto, Maputo, Barcelona e Roterdão, Júlia Barata, arquiteta e artista gráfica, estacionou em Buenos Aires há 11 anos, depois de uma mudança agitada que ilustra no livro Gravidez (Tigre de Papel; 2017).
Família, que poderia ler-se como uma sequela de Gravidez, reflete sobre a construção e desconstrução de um núcleo familiar, entre registos de autobiografia e autoficção. Ainda assim, existe uma coerência narrativa nesta obra que descreve os ziguezagues emocionais de uma mulher num período de mudança, de uma mãe e esposa que precisa de fugir da família que formou.
A pujança artística de Barata está aqui a galope. Relata pequenos "slice-of-lifes" com ar fofinho num diário Moleskine, bem ao sabor de muita da produção contemporânea infantilizada que se vê por aí. No entanto, ao contrário do que se espera, esses momentos inócuos servem para serem trucidados por uma angustiante representação de uma depressão.
Nada é simples por aqui. O tom minimalista dos desenhos é realmente uma interpretação sem filtros, sem moral e sem pedagogia. Se uma família é vista em geral como um espaço uniforme, nesta Família luta-se para que a liberdade individual seja tão respeitada como o compromisso institucional. Será (ainda) possível?
Historial
Lançamento no 21/12/2024 na Tinta nos Nervos com presença da artista e uma exposição de originais - patente até 18 de Janeiro 2025.

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Entrevista no jornal O Despertar
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artigo no Público / Ípsilon
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