blogzine da chili com carne

terça-feira, 16 de junho de 2026

DIAS-A-FIO na Cassandra



Dias-A-Fio
 
de
 


28º volume da Colecção CCC

Obra vencedora do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! (2024) cujo Júri foi constituído por Alexandra Saldanha, Ana Ruivo, José Smith Vargas, Luís Barreto e Marcos Farrajota.

80p 16,5x23cm impressas a azul, brochado

Dias-a-fio de Alexandre Piçarra é uma corrente de episódios em que várias personagens são expostas a situações que fragmentam a sua dimensão emotiva. O cenário é Lisboa entre os anos 90 e 2010 e os acontecimentos são sombras de realidades vividas, que representam as fendas na estrutura do sistema social português, que deixa emergir o julgamento, crueldade, culpa, castigo e humilhação como danos colaterais. Eis uma galeria de putos, chungas, betinhos, punks, bófia e muito tabaco.





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O livro já está disponível na nossa loja em linha e na BdMania, Cult, Kingpin Books, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB (Lisboa), Cassandra, Matéria-Prima, Mundo Fantasma, Socorro, Utopia (Porto) e Universal Tongue.



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Historial:
 
Lançamento no dia 26 de Abril 2025, na Tinta nos Nervos com a presença do autor, Marcos Farrajota (editor) e José Smith Vargas (autor), acompanhada por uma mostra de originais.
 
nomeado para prémio na BD Amadora



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FEEDBACK

Dias-a-fio fuma-se como um charro ou tabaco de enrolar, daqueles que se tem de reacender amiúde e que no final deixam um travo amargo nos lábios. São pequenos retalhos da infância e adolescência em ambiente urbano, ilustrados cruamente sem peneiras e em que o percurso existencial dos protagonistas é certeiramente simbolizado pelo cinzeiro que se vai enchendo de beatas.
Nunsky (via email)
 
Gostei muito do Dias-a-fio, a dislexia quanto muito ajuda a onomatopeias graficamente fantásticas. Sendo que sou de Lisboa e nascida nos 90’s não me passou ao lado, juventude tão decrépita como a capital, já na minha altura se contavam histórias de putos que tinhas ficado sem pernas por andarem à pendura nos elétricos!
Ângela Cardinhos (via email)

Mas então o que é o Dias-A-Fio? É uma colecção de episódios ou vinhetas da vida suburbana lisboeta entre as décadas de 2000-2010, mas a precisão geográfica e temporal não são importantes. O que é relevante são as vidas das personagens e as situações pelas quais elas passam, que nos são apresentadas pelo autor como uma apresentação e exploração daquilo que elas representam. São figuras realistas, mesmo que não sejam reais, e as suas vidas são palpáveis. Mesmo não havendo uma narrativa directa entre os capítulos do livro, vemos estas personagens a crescer, a aprender, a errar e a sofrer, mas não é tudo negativo. Há um elemento quase esperançoso ao longo destas histórias que para mim enquanto leitor me fez sentir que por muito que estas personagens passassem, o sol nascerá sempre no dia seguinte e haverá sempre mais que possa acontecer. A incerteza de que esse dia seguinte seja positivo ou negativo faz parte da experiência: vai acontecer, e isso é suficiente para virar a página. 
(...) O autor acompanha as personagens nas suas decisões e hesitações sem qualquer julgamento ou vergonha. Somos incluídos nos grupos que nos são apresentados e somos cúmplices em vez de voyeurs. Este livro serve como um lembrete que não somos apenas observadores dos sucessos ou infortúnios pelos quais passamos nas nossas vidas. Quer aceitemos quer não, aquilo que une os dias das nossas vidas somos nós próprios enquanto fio condutor. E o efeito dominó que as coisas aparentemente insignificantes da nossa juventude podem ter sobre o nosso futuro não é algo que possa ser prevenido ou analisado até finalmente acontecer.

 Entre cigarros fumados às escondidas, blasfémias que se confessam ao padre e algumas sessões de pancada, os miúdos indisciplinados do primeiro episódio vão crescendo, mas não é tanto acompanhar com precisão a história de cada um que faz viver este livro; é, antes, a visão fragmentada de um conjunto de vidas que se vão desenvolvendo nos intervalos mais ou menos avariados da sociedade. (...) Quando as revistas dos anos 90 e 2000 abraçaram uma suposta modernidade e desataram a publicar longos artigos, sempre muito ilustrados, sobre as supostas tribos urbanas, esqueceram-se de confirmar que as fronteiras não estavam tanto entre os punks e os betos, os metaleiros ou os chungas, gente que tantas vezes usava a farpela para tentar amparar-se nalguma identidade colectiva; as fronteiras estiveram sempre nas classes, no acesso que cada um e cada uma tinha ou não tinha a essa ilusão chamada “elevador social”, e ainda hoje andamos a colher os restos dessa fantasia. Os grafitis nas estações, as drogas na rua, os abusos de poder policial e uma certa ideia de no future, esses ainda cá andam todos.

É impressão minha ou aparece a Boca do Inferno no livro? Ahahahah tá fixe o livro.
Rattus de Albert Fish (via email)


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Alexandre Piçarra (1990, Lisboa) formado em Escultura, tem um part-time e desenha nos tempos livres. Já fez exposições e teve múltiplos ateliers. Sofre de dislexia persistente, e por isso usa o mínimo de escrita e balões possíveis. Participou no fanzine Invasão e no jornal Carne Para Canhão.


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Outros títulos vencedores do concurso disponíveis:


Nódoa Negra (vencedor 2018) de várias autoras

All Watched Over By The Machines of The Loving Grace (vencedor 2019) de vários autores

Bottoms Up (vencedor 2020) de Rodolfo Mariano

Hoje não (vencedor 2021) de Ana Margarida Matos, com segunda edição e edição norte-americana pela Fieldmouse Press

Sinapses (vencedor 2022) de Ivo Puipo, com uma versão inglesa pela kuš!

Vale dos Vencidos (baseado no trabalho vencedor de 2014) de José Smith Vargas, com segunda edição

Partir a loiça (toda) (vencedor 2023) de Luís Barreto

PALPABLE PRESS TEMPORADA EQUESTRE #1 18 de Junho de 2026 | 18h30 | Amparo99


 

A Palpable Press tem a honra de anunciar a primeira sessão pública da Temporada Equestre, programa editorial que marca o arranque de um novo ciclo de circulação de obra e práticas publicacionais contemporâneas. A sessão articula livro, performance, música e imaginação especulativa. 

DANNY & ARBY: GRANDES ÊXITOS SALES PITCH
Luís Barreto apresenta DANNY & ARBY: GRANDES ÊXITOS, o primeiro título da Temporada Equestre da Palpable Press, numa leitura dramaticamente musical que prolonga a dimensão performativa da banda desenhada, entre edição, oralidade e espectáculo. A sessão incluirá autógrafos e um momento de proximidade editorial que, esperamos, seja simultaneamente caloroso e minimamente civilizado.

FREDDY DO MAL
4 Anos de Freddy do Mal é uma antologia creepypasta publicada pela TKB Barracks: uma obra que prolonga as tradições do horror vernacular, da circulação caótica dos ecossistemas digitais e de versões corrompidas de ficção animada industrial e formas videolúdicas, frutos dos sedimentos da internet. Apresentada por Micael Silva, que certamente procurará enquadrar a publicação enquanto objecto de afecto, estranheza e persistência fantasmagórica.

DJ VIRAODISKU + TOKAOMEMU (JP)
Directamente de Osaka, DJ Viraodisku + Tokaomemu chegam finalmente a Portugal depois de uma tour insana pela galáxia Dorayaki. Nem nós sabemos bem o que isso quer dizer.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

ccc@parangona


Yo! Este fim-de-semana é a vez dos livros de editores independentes fazerem guita! 

Parangona no Mercado de Arroios, Lisboa. 

De resto, Marcos Farrajota vai ter conversinha séria com o Dr. Uránio que irá apresentar a terceira colectânea Música Sonoplasmática Portuguesa! Vai ser Sábado às 16h segundo nos disseram!

Ah! a Chili apoia este evento tratando de papelada burocrática... daí o logotipo no cartaz!

Distribuição do livro DANNY & ARBY : GRANDES ÊXITOS



Edição da Palpable Press; 2026

146p 16,5x23cm p/b, capa a 2 cores

 

Danny & Arby são dois músicos suburbanos cujas desventuras têm percorrido fanzines e publicações dos últimos anos. De Mesinha de Cabeceira a CUL̤̓T̜̚Ũ̞R̖̍Ï̛Ṣ̝M̋̚Ó̚ HḀ̞R̙̔D̆̏C̐̚OR̄́E, passando por LADO A / LADO BPartir a Loiça (TODA) e até uma aparição no Le Monde Diplomatique, as suas tiras de tom ácido e estética punk foram aparecendo aqui e ali, sem nunca ter um lar definitivo — culpa vossa, que compram tudo. Grandes Êxitos muda isso. Uma compilação daquilo que Luís Barreto foi (des)construindo, finalmente reunida num só volume.


à venda na nossa loja em linha e em breve em mais sítios que sejam realmente top!


Apresentação deste livros e outras cavalgadas serão realizadas na Quinta(-feira) no Amparo99, Porto, essa cidade de gente sensível!

"Trinta Anos a Monte : a minha vida punk" de Gilles Bertin - últimos 100 e em breve na Cassandra e Mundo Fantasma

 

Ao longo do relato de uma vida frenética, Gilles Bertin (1961-2019) abre-nos uma janela para a densidade dos meios punk e para a passagem à grande criminalidade no cruzamento com as lutas independentistas bascas. Este relato de fugas entre Espanha e Portugal mostra-nos desde as dificuldades do vício da heroína à chegada da Sida. É um testemunho que nos dá a ver a aventura louca de um grupo de punks e anarquistas que protagonizaram um dos maiores roubos do século XX. Nesta autobiografia, Bertin mostra-nos o caminho que levou a que o cantor Camera Silens organizasse o roubo da Brinks de Toulouse, em 1988. E depois é a fuga, a chegada a Espanha, a troca de identidade (...), a sobrevivência, a abdicação de tudo. É na chegada a Portugal que Gilles regressa ao mundo da música, ao abrir uma loja de discos (...)

Depois de alguns anos em Portugal, descobre que é seropositivo. Quando a doença piora, Gilles parte para Barcelona, e é nessa cidade que toma a decisão de se entregar à justiça francesa em 2016. Em 2018, é condenado a 5 anos de pena suspensa. 11,8 milhões de francos e 30 anos de fuga mais tarde, Gilles Bertin permanece como esteio dessa memória punk e anarca europeia que vai desaparecendo.  

in A Batalha - Jornal de Expressão Anarquista

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co-editado pela Chili Com Carne e Thisco, 25º volume da colecção THISCOvery CCChannel

224p 16,5x23cm, todo a preto e branco 

ISBN: 978-989-8363-56-5

Esta edição portuguesa inclui mais documentos visuais que a original francesa, para além de uma Banda Desenhada de 24 páginas de José Smith Vargas, celebrando a actividade da loja de discos TORPEDO. 

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O livro já está disponível na nossa loja em linha, BdMania, Carbono, Clockwork, Cult, Flur, Kingpin Books, Letra Livre, Linha de Sombra, Neat Records, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Vinil Experience, ZDB (Lisboa), Louie LouieMaldatesta, Matéria Prima, Piranha, Socorro, Utopia (Porto), Velhotes (Vila Nova de Gaia), Lucky Lux (Coimbra), Centro de Cultura Libertária (Almada), Larvae, Metal Soldiers, Rastilho e Universal Tongue.

 

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HISTORIAL:

Cantava numa banda punk, assaltou um banco em França e abriu uma conhecida loja de discos em Lisboa: a espantosa história de Gilles Bertin - artigo no Blitz (23.04.26) e no Expresso (01.05.26)


A incrível história de Gilles Bertin: uma vida punk, um assalto milionário, uma loja de discos em Lisboa - artigo no Ípsilon (29.04.26) e em papel (01.05.26)


A vida alucinante de Gilles Bertin na Blimunda


Sobre o livro no Rádio Relâmpago com entrevista a José Smith Vargas


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FEEDBACK

 Estou a gostar muito do livro do Bertin: sem qualquer pretensão intelectual ou afetação burguesa, escrito num estilo desengonçado, é um testemunho válido de uma vida e de uma época que, a dada altura, se cruzaram também comigo, ainda que de forma tangencial - foi na Torpedo que pusemos à venda o Novos Panoramas do Globo / Baladas de Holywood, no início de 1992, com direito a cartaz prontamente afixado na vitrine. Agora percebo que havia muita tensão por detrás daquela postura amigável, mas algo reservada, do Gilles. Para além disso, o livro está cheio de ensinamentos - práticos, estéticos, políticos. (...)

Daniel Lopes (via email)


A bd dá frescura ao livro!

Ondina Pires (via email) 

 

4 estrelas

Mário Lopes in Público


E olha, devorei o livro do franciu da Torpedo. Comecei e não consegui parar. Que história de vida. E a BD do Smith dá o toque saboroso....memórias de outros tempos!

André Lemos (via email)

All Watched Over by Machines of Loving Grace ---- últimos 8 exemplares!!!!!!!!!!



All Watched Over by Machines of Loving Grace

de

Amorim Abiassi, Ana Maçã, André Pereira, Cátia Serrão, Cláudia Salgueiro, Dois Vês, Félix Rodrigues, João Carola e Vasco Ruivo.

20º volume da Colecção CCC publicado pela Associação Chili Com Carne

Coordenação: Dois Vês e João Carola
Identidade gráfica e design: André Vaillant

Obra vendedora do concurso interno Toma lá 500 paus e faz uma BD! de 2019

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à venda na nossa loja em linha e na Tigre de Papel, Kingpin Books, Linha de Sombra, Tinta nos Nervos, Mundo Fantasma, BdMania, Matéria-Prima e Snob

you can buy at our online shop and at Fat Bottom Books (Barcelona), Quimby's (Chicago), Le Mont-en-L'air (Paris)
 
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À data de publicação deste livro, não se ouvem nas florestas os estalidos de discos rígidos a acompanhar o roçar dos ramos das árvores; contudo, havendo sinal, é possível escutar o som de um Like a pingar na nossa mais recente foto de perfil.

O poema de Richard Brautigan que serve de mote a este livro foi publicado há mais de 50 anos; a sua visão de uma arcádia digitalizada, onde mamíferos de toda a espécie convivem sob o olhar zeloso e benevolente de máquinas bafejadas pela santidade, não se concretizou. Em 2019, a tecnoesfera continua a ter o Homem no seu centro e a Natureza (seja lá o que isso for) nas margens do seu perímetro, encarada essencialmente como um recurso que em breve se esgotará. Os robots caminham sozinhos pelos bosques e os mamíferos caem por terra onde dantes havia água: todos observados por máquinas, mas não de amor e graça.

O livro que têm nas mãos documenta as dinâmicas articuladas no solipsismo desse ciberespaço que criámos só para nós: das relações laborais à saudade, da saúde à identidade, nele se retrata o modo como o manto do digital cobre todos os aspectos do nossa dia-a-dia e medeia as interacções que por cá vamos estabelecendo. É debaixo desse cobertor, com a cara tenuamente iluminada pelo ecrã, que observamos o robot caminhar sozinho pelo bosque e choramos o paraíso perdido do poema de Brautigan.

Afinal de contas, à data de publicação deste livro, já mal se ouvem nas florestas os estalidos dos insectos, que vão caindo por terra onde dantes havia água; contudo, havendo sinal, é possível escutar mais um Like a pingar na nossa foto de perfil. 

Ping. Alguém está a ver.👍




At the time this book is being published, we can’t hear the sound of hardrives blending in with the murmuring of twigs in the forest; however, it’s possible to catch the pinging sound of a “Like” droping on our recently updated profile picture.

The Richard Brautigan’s poem that lends its title to this book was written 50 years ago but its arcadian, digital utopia hasn’t yet come to be: in 2019, the technosphere maintains Man at it’s center and Nature (whatever that is) at its margins. The book you hold in your hands documents the dynamics we articulate amid the solipsistic circle of cyberspace: from work to healthcare, from longing to identity, the digital mantle encompasses all beats of life and every connection we establish while we're around. After all, even though we can barely hear the insects in the forests, providing the connection's good, we can still hear the "Likes" pinging on our profile picture.

Ping. Someone's watching.👍

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historial: 
lançamento na BD Amadora (2/11/19) 
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Da capa à paginação, passando pelo design, quisemos criar um objecto uno, pontuado pelos olhares e histórias de cda autor, com uma abordagem mais transversal in Público 29/01/20
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artigo no P3
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Best Portuguese Comics 2019 @ Paul Gravett site / Gabriel Martins selection
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exposição na Tinta nos Nervos entre 10 e 17 de Junho 2020


feedback: 

espero que não cuspas na referência, mas fez-me lembrar o metal gear 2 :)
F.C. (por email)

Brochura da IBM! (...) parece-nos, pela capa, um daqueles manuais de computadores dos anos 80.

Não temos prados cibernéticos, antes os pedregulhos afiados das redes sociais. As máquinas que nos vigiam não são benévolas, ao serviço de interesses que vão da economia ao poder político. A libertação sonhada dos labores é hoje um sonho amargamente distante, num presente de progressiva precarização. Sentimos o poder sedutor da vida no ecrã, ao mesmo tempo que o real se fragmenta e desagrega. Estas são as visões que transparecem nas experiências visuais de All Watched Over By Machines of Loving Grace. Apesar desta ser uma antologia de banda desenhada, anda longe do convencional nesta área. As suas contribuições são fortemente experimentais (...) entre o estilhaçar de estruturas à ilustração encadeada em narrativa difusa.
I've only had time to flick through 'Machines' as of yet, but it looks absolutely beautiful - and if it was inspired by something Richard Brautigan wrote, I'm already enjoying it!
pStan Batcow (Pumf) by email

Reading the All watch over the machines of loving grace compilation was a pleasure. Always liked that poem, seeing the comic interpretations expanded my appreciation. I especially enjoyed Cátia Serrão contribution, they created a space of haunting domesticity.
Veronica Graham by email

(...) As abordagens são muito distintas ao tema, tanto no conteúdo como na forma. Ao reler as histórias volto a reforçar o quanto gosto deste livro. Existe uma clara intenção em explorar a BD enquanto linguagem, procurando caminhos diferentes e interessantes para contar uma história. Cada autor traz a sua visão particular contribuindo para um conjunto de histórias sólido que merece a nossa atenção. 
Gabriel Martins via Facebook

Carne para Canhão 6 na Tinta nos Nervos!

 
 
 O número 6 do nosso jornal CARNE para CANHÃO aliou-se aos grandes eventos pelo país fora como o Imaginarius (Santa Maria da Feira) e a Feira do Livro de Lisboa! Se já havia poucas razões para duvidar deste jornalismo enviesado, obscuro, instigador natural de propaganda privada, chegamos a este ponto em que a Chili é Canhão e o Canhão é Chili. O próximo passo é vender talheres ou "novelas gráficas" com o jornal! O caminho está traçado!

São 16 páginas a preto e branco com participações de Alexandra Saldanha (capa), Mina Anguelova, Matilde Basto, Carlos Carcassa, João Fazenda (quando tinha 12 anos!!), Léo, Zé Lázaro Lourenço, Rodolfo Mariano, Sofia NetoTetrateles (BDs), Rui Moura (ilustração) Pedro Pestana Soares e Marcos Farrajota (textos).

Pontos de distribuição: Ar.Co., BdMania, Bivar, Centro Periférico Cultura Urbana, Flur, restaurante Joud, Kingpin Books, Linha de Sombra, Neat Records, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB (Lisboa), Velhotes (Vila Nova de Gaia), Atelier Abracadabra / Jolly Roger Tattoo Club, Lucky Lux (Coimbra), LAC (Lagos), Barlos (Barcelos), Cassandra (Porto) e Biblioteca das Caldas da Rainha. 
+ sítios em breve...

domingo, 14 de junho de 2026

diários dum cão danado - últimos 5 exemplares




Este é que é o verdadeiro número 41 do Mesinha de Cabeceira passados 23 anos! 
(saiu o ano passado, em 2023)

Nada mais afastado do que o outro: de um pseudónimo de um homem do Sul ao facto de ser uma selecção de desenhos de diário gráfico entre 2020 e 2023.


São 40 páginas A5 preto e branco numa edição limitada a 100 exemplares.




Giancarlo Apollini ("Nova Luanda", 1972) vive atualmente no Alentejo. 

Iniciou em 2015 a sua atividade como escultor depois de muitos anos a trabalhar para o teatro como diretor técnico, cenógrafo e designer de iluminação cénica. 

Tem uma obra que, para além da escultura e desenho, se desdobra em várias expressões como a performance, o teatro de animação, a fotografia e o vídeo. 

Os desenhos e palavras aqui reunidos fazem parte dos seus inúmeros cadernos diários e são apenas uma pequena amostra de um sem fim de grafismos vários que o autor regista no seu dia a dia e que estão na base de todo o seu pensamento e pesquisa. 

O universo do autor balança entre o trágico e o cómico, entre o belo e o grotesco, numa expressão provocatória marcada intensamente por uma forte pulsão erótica. 



FEEDBACK

Em época de comemoração de três décadas de actividade, o Mesinha de Cabeceira tem estado imparável: - mais de dez novas publicações no espaço de um ano!!! (...) Diários dum Cão Danado abre com um coelho branco e uma chave dourada, estimulando a curiosidade para o seguir, introduzindo-nos na toca para desvendar que estranhos segredos se ocultam no seu interior. Logo nas primeiras salas, confrontamo-nos com os bichos, carcaças devassas, as meat paintings de Francis Bacon assombradas por Rembrandt.
(...) Figuras, torsos amputados, representados contra um fundo plano - Bacon novamente. Uma breve incursão no espaço do museu, vetusta catedral erigida em louvor do voyeur. A ilusão, as imagens fotográficas exibidas através dos filtros que operam novas magias nas redes sociais - a girl magic box. A vaidade vã. | Vanitas |. A caveira, como marco miliário, a recordar a insignificância da vida e a efemeridade da vaidade.
O que é que Fellini, Hitchcock e Buñuel têm a ver com tudo isto? Têm tudo, pois criaram estranhos objectos de desejo, decompostos em perturbadoras fantasias de transgressão, moldando definitivamente o nosso olhar. 
 A recorrência, a fixação e reentra-se nos dispositivos do desejo, a contemplação sem toque, evitando uma aproximação excessiva. A potência erótica, o jogo da sedução. A mulher objectificada, o olhar devorador focado exclusivamente na parte do corpo fetichizada.
Segundo Barthes, a imagem pornográfica é uma imagem monótona, porque já não tem nada a esconder, sem mistério, cancela o prazer proibido. Aqui, pelo contrário, há mistérios por desvendar... Palavras e frases pairando, abertas ao fortuito acaso. Diários dum Cão Danado constitui-se como um panóptico carregado de potência erótica, trajando luzidios fatos de latex, onde um fecho-éclair metalizado abre um interstício, rasgando uma fenda entre a realidade quotidiana e a fantasmagoria da solidão.

Pornografia para intelectuais - LIVRO DO DIA stand H12 na Feira do Livro de Lisboa



Uma antologia sob a curadoria de microworkers

 HARVESTED de Ilan Manouach é baseado em conteúdos encontrados, uma selecção arbitrária de filmes adultos. Foi inteiramente criado por um conjunto orquestrado e bem afinado de rotinas planeadas, scripts da web e tarefas baseadas na inteligência de enxame. O material deste livro foi reunido por um grupo descentralizado de parceiros e foi filtrado por uma população anónima de “microworkers”.

O livro naturalmente tornou-se numa co-produção com vários editores, a saber: MMMNNNRRRG (Portugal), Forlaens (Dinamarca), Hálice Hálas (Suiça), La Cinquième Couche (Bélgica), Topovoros (Grécia), Fortepressa (Itália), Ediciones Valientes (Espanha), Pachiclon (México) e Bitterkomix (África do Sul).

Mais de dois mil filmes adultos foram colhidos em grandes quantidades de sítios em linha p2p directamente para um servidor. Seguindo dois scripts diferentes, os primeiros 10 minutos dos vídeos foram despedaçados em milhares de imagens de baixa resolução no formato JPG à espera de serem filtradas. Este lote de imagens foi submetido a serviços de crowdsourcing que permitem coordenar inteligência humana aplicada a tarefas que os computadores ainda não conseguem fazer. Um grupo seleccionado de “microworkers” foram recrutados para filtrarem estas milhares de imagens de acordo com uma instrução conscientemente vaga: se nelas apresentavam ou não arte contemporânea.

Esta “Colheita” mostra-nos à superfície quinhentas obras de arte encontradas em casas, estúdios, cenários de filme e outras heterotopias da indústria de filmes adultos. Se esta antologia dá importância a um contexto de história da arte de uma indústria específica, ela também se posiciona simbolicamente na necessidade em activar uma visão periférica no que toca às práticas escopofílicas.

Se as pinturas do IKEA são penetrantemente dominantes, podem-se encontrar trabalhos de mestres modernos como um rapinanço de Fernand Leger, um desconhecido Joan Miró, Castelo e Sol de Paul Klee mas também obras contemporâneas como Quote, 1964, uma impressão de Robert Rauschenberg, uma série de pinturas de Mark Rothko, School of Fontainebleau de Cy Twombly e até algumas réplicas de Frank Stella e Lucio Fontana.







à venda na "shop" da Chili Com Carne e nas lojas ZDB, Linha de Sombra (Cinemateca), Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Nova Livraria Francesa, Tigre de PapelStet, Snob e Larvae.


Feedback: 

A pornografia normalmente é uma coisa aborrecida e repetitiva - apoiada pelo Vaticano. Neste caso ao procurar a "arte contemporânea" nas fotografias tudo se transforma, cada fotografia acaba por se transformar em arte, que belas composições com mamas e pilas, mas onde as mamas e as pilas não são mais do que um dos elementos destas belas composições! 
Goran Titol (via e-mail) 
... 
um interessante livro, cínico q/b no seu ponto de partida. Espero que esgote para continuares a encheres as nossas prateleiras de livros. 
Paulo Mendes (via e-mail)
... 
Altamente! 
Benjamin Brejon dos Mécanosphère (via e-mail)
...
Livre tout d’arrière-plan, livre d’art dissimulé dans un livre de cul. La fameuse idée qui devient livre. Pour la faire exister. Et une fois chose faite, du livre, que vit-on? toujours la même perplexité. Ni vraiment bon ni vraiment nul, une expérience éditoriale de plus pour Ilan dont je me prends quand même à rêver qu’il revienne à la bande dessinée, discipline dans laquelle il est infiniment plus singulier que dans celui dit de l’art contemporain (typologies évidemment purement sociales : la bande dessinée EST un art contemporain). En gros: je suis perplexe.
DU9


Acabei há poucos dias de ver o Harvested - é muito fixe, acho que peca apenas por algumas (muitas talvez) páginas não terem "arte contemporânea" mas antes porcarias emolduradas tipo Ikea. Mas talvez fosse mesmo essa a ideia do autor - pôr tudo no mesmo saco. De qualquer forma é muito fixe, porque é um passatempo andar em cada página à procura da "arte" ao mesmo tempo que levas com tudo o resto que é bastante diversificado e por isso bastante rico também.
Sara e André - Claim to fame


Sobre o autor:


Artista complexo e activista underground, o grego Ilan Manouach (1980) licenciou-se em Bruxelas em Belas Artes tendo feito até hoje uma carreira diversificada em conteúdos e conceitos, a começar pela sua extensa bibliografia e discografia - para além disso é músico caso a imagem ainda deixe dúvidas...

É o autor responsável pelo livro Harvested, editado em Portugal pela MMMNNNRRRG, que lançou para o mundo o conceito de "pornografia para intelectuais". A maioria dos livros tem sido publicados pela editora belga 5e Couche, desde 2003 com Les lieux et les choses qui entouraient les gens désormais que não passou despercebido logo pela crítica. A lógica dos seus livros é uma simbiose entre a BD e a Arte Contemporânea, não faltando le scandale e as polémicas sendo que a mais conhecida será a impressão "pirata" de Katz - livro que substitui as cabeças de todas as personagens de Maus de Art Spiegelman por gatos, tendo como desenlace a destruição física do livro por ordem judicial.

No último Festival de BD de Angoulême apresentou o Shapereader, uma BD baseada em impressão tridimensional para leitores cegos.

Participou em exposições colectivas na Bedeteca de Lisboa e no Festival de BD da Amadora, para além de ter sido publicado os livros A vara do açucar da meia noite e nos bordos dos peixes (Opuntia books; 2008) e Variações sobre o anjo da história : ensaio de Walter Benjamin inspirado por Angelus Novus (um desenho de Paul Klee) (Montesinos; 2012), este último com texto de Pedro Moura. Também participou na antologia de desenho MASSIVE (Chili Com Carne; 2010).

Em Portugal Manouach já nos visitou várias vezes como músico e artista - da última vez no Festival de BD de Beja mas em Maio de 2016 veio como músico para concertos em parceria com Jonas Kocher, com o projecto Exhaustion, desenvolvido com o objectivo de explorar as possibilidades de permutações seguindo a estratégia da exaustão como necessidade de validação. O seu jogo instrumental é construído numa arquitectura mental onde são exploradas as relações horizontais / verticais, densidades / drones, tensão / aborrecimento, numa relação bi-polar elástica que expande a linguagem da livre improvisação até ao limite.

sábado, 13 de junho de 2026

Cancer / LIVRO DO DIA stand H12 na Feira do Livro de Lisboa



CANCER
de / by
Tilda Markström

publicado pela / published by
MMMNNNRRRG (2000-20)

112p. 4 cores, 21,5x27 cm ao baixo, capa dura 4 cores / 128 p. 4 colours print, 21,5x27cm hardcover book
500 exemplares / 500 copies
Livro de desenho com textos em bilingue (português / inglês) / Picture book in portuguese and English




Tilda Markström (1923 – 2012) Nasceu em Ystad, Sul da Suécia. 1955. Acaba o curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Estocolmo. 1960. Frequenta a FOTOSKOLAN, Escola de Fotografia de Estocolmo (fundada e dirigida pelo Mestre Christer Strömholm). 1965. Viagens (Europa e Estados Unidos). 1968 a 1973. Reside em Londres. Primeiras exposições. 1974. Regressa à Suécia e passa a viver em Estocolmo. Realiza exposições de Pintura, Fotografia, ilustra livros, escreve para jornais e revistas culturais. 1996. Fixa residência em Ystad embora mantenha a casa de Estocolmo. / Born in Ystad, Southern Sweden. 1955. Graduated in painting in the School of Fine Arts in Stockholm. 1960. Attended FOTOSKOLAN, Stockholm School of Phtography (founded and directed by Christer Strömholm). 1965. Trips (Europe and United States). 1968 to 1973. Lived in London. First exhibitions. 1974. Back to Sweden, went to live in Stockholm. Held painting and photography exhibitions, illustrated books, wrote for newspapers and cultural magazines. 1996. Settled in Ystad,but kept her house in Stockholm.

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à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na Linha de Sombra, Snob (Lisboa) e Matéria Prima (Porto).

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Há temas mais duros e difíceis do que outros. Há mesmo temas que não sabemos sequer como começar a abordar; ou como reagir se outros os abordam, sobretudo quando os abordam de forma simultaneamente crua e inteligente. Mas há também um preço a pagar pelo silêncio, pelo arrumar de problemas onde (esperemos) não nos assombrem. 
Expresso
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Assinado por uma pintora e ilustradora sueca, já falecida, Cancer compõe uma narrativa visual, dolorosa e comovente, sobre uma mulher que sofre de cancro da mama. A narrativa, intuímos no final do livro, é criada pela sua companheira, a própria Tilda Markström, num tom objectivo, atento aos gestos do quotidiano e profundamente dilacerado. (...) Este será um livro sobre o cancro, mas não há aqui pedagogia ou avisos sobre a saúde e o que fazer com ela. Este é, portanto, um livro sobre o amor e a morte, talvez os únicos temas que nos atormentam com eficácia desde sempre sem que nada altere a necessidade de a eles regressar. Que Tilda Markström seja um heterónimo numa constelação de autores inventados por um pintor e ilustrador português nada acrescenta à leitura de um livro tão avassalador — e tão profundamente belo — como este.
Sara Figueiredo Costa in Blimunda
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(...) este livro vem corajosamente provar que a arte pode às vezes ter a última palavra.
5 estrelas
Manuel de Freitas in Expresso
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Se tivesse de destacar um livro ilustrado (para adultos), optaria pelo terrível Cancer, de Tilda Markström (na verdade Tiago Manuel), e pelo modo como alguém consegue lidar gráfica e visualmente com uma memória íntima terrível, uma história pessoal marcada pela perda. Não deixe de conhecer este livro, de indesmentível qualidade estética e humana.
José António Gomes in Abril a Abril
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Mesmo cuidadosamente envelopado, como só ele sabe, o mais recente volume da obra polimórfica do mano Tiago [Manuel], no caso atribuído à sueca Tilda Markström, tem uma mossa na capa e nos primeiros cadernos. Uma marca que logo interrompem a circulação de azul em torno da palavra-título: Cancer (ed. Mmmnnnrrrg). Impossível não ver nisto um sinal, uma semiótica dos acasos. A viagem marcou-o. Uma cicatriz, portanto. Com uma força extraordinária, aliás comum nos seus trabalhos, o Tiago desenvolve o álbum em sucessão de imagens que obedecem a perspectiva única: um alto pode-se tornar o ponto, o cerne que nos muda a textura do corpo e do mundo. O entorno vai ganhando texturas e padrões, os mamilos e as veias transfiguram-se na linguagem que nos rodeia, que nos cerca, que nos atrai a rede cada vez mais apertada, cenário no qual tudo diz e é sinal da morte. Sem palavras, sem nunca dizer cancro em português, língua que tem por costume evitá-la, substituí-la, coisificá-la. As linhas da cicatriz transfiguraram-se em rarefeito contorno onde acomodar as sombras que a doença ainda permite. No fecho, três textos curtos, páginas arrancadas a um diário. «Já não é possível voltar ao paraíso de onde fui expulsa pela morte». Dolorosíssimo testemunho em carne viva de um íntimo processo, viagem que a todos nos toca, tocou, tocará.
João Paulo Cotrim Macau Hoje
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Edição bilingue, português-inglês, de um livro ilustrado assinado por uma artista sueca e compondo uma narrativa sobre uma mulher, a companheira da autora, que sofre de cancro da mama. Sem pedagogias, Cancer é um livro belo e avassalador sobre o amor e a morte, mas também sobre a memória e o modo como esta nos constrói. 
Sara Figueiredo Costa in Parágrafo
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(...) como o luto corroí - pois vive de uma fixação ao podre, não necessariamente ao defunto, mas ao que se putrifica intrinsecamente -, pode apresentar diferentes configurações: é a desfiguração física daquele que é próximo, que passa a inscrever-se num corpo corrompido e devorado pela morte, como desenha Tilda Markström em Cancer.
António Baião in Bestiário #1 / O Nojo

The Cancer book is nicely produced - but very very heavy subject matter!
Anton Kannemeyer (Papa em África, O Meu Nelson Mandela)

E estamos longe, longe, de todas aquelas narrativas de “sobreviventes do cancro”, de que hoje se pode dizer ser quase um género estabelecido. O trabalho de Markström/Manuel não está interessado numa subsunção narrativa, muito menos numa intriga redentora ou moralmente recompensadora, mas na capacitação dos meios gráficos de uma presença e efeitos próprios. Não quer pedir aos seus leitores uma lágrima simpática, nem uma consciência de cidadania. Não pede nada a não ser tão-somente a honestidade da sua leitura, de enfrentar a sua verdade.
Pedro Moura / Ler BD 

It's a lovely thing indeed. It obviously tells the story of a very emotive journey through breast cancer and to an ultimate death, and I suspect the art was part of the way that Tilda dealt with it. Quite moving, and the repetition of images was really effective.
Pstan Batcow (Pumf Rec.) by email