Chegou o livro mais atrasado de sempre mas está entesado o "Mr. B." Diriamos que é até o nosso primeiro "Álbum"!
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Este Mr. Burroughs não é William Burroughs, mas é como se fosse; é um sócia alternativo do romancista norte-americano, que se confronta com uma crise de criatividade.
Assombrado pelo fantasma de sua irrepreensível carreira, e ousando desafiar a vida para conhecer os seus limites, Mr Burroughs vai enfrentar a verdade sobre si mesmo para descobrir porque é que tudo aquilo que toca se transforma nele próprio.
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FEEDBBACK (da primeira edição e a a edição belga)
Minimalista nos meios, preto e branco rigoroso, (...) narração surrealista mas fluída (...) uma homenagem estranha, surpreendente e entusiasmante.
Les Inrockuptibles
Obra que se livrou de todos os ornamentos da lenda sulfurosa, concentra-se inteiramente no processo de criação.
Bang
(...) obra mais poética que narrativa , mais evocativa que descritiva. (...) A estilização do desenho de Pedro Nora privilegia a angulação expressionista, (...) o traço que fere como um bisturi e tudo inunda de borrões de tinta, como golfadas de sangue.
Domingos Isabelinho in Quadrado
FEEDBACK da nova edição
óptima re-edição.
Paulo Mendes (via email)
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sobre o livro
Por momentos, entre 1996 e 2001, (...) os
ilustradores e autores de BD sentiram que iriam ser compreendidos pelos
seus trabalhos, que não seriam ignorados pelo público nem pelos
retrógados agentes oficiais da BD. (...) Houve Hype! Havia algo no ar! Havia juventude gira para aparecer em fotografias de revistas e jornais ou até TV, ena!
No
meio desta cena excitante, o David Soares criou a sua etiqueta
editorial Círculo de Abuso em 2000, após algumas edições auto-editadas
que apareceram do húmus da cena dos fanzines. (...) Soares irá
surpreender pela sua produção assombrosa, mistura de Horror, Fantástico e
a sua visão muito pessoal sobre fantasmas literários ou o fascínio pelo
cinema.
O Mr. Burroughs é o segundo livro (oficial) que publica e é o
primeiro em parceria com outro ilustrador que será o Pedro Nora (...). Uma família de fumadores de haxixe
conta a lenda que os autores se conheceram através do livro colectivo Lisboa 24H00 publicado pela Bedeteca de Lisboa, em que ambos participaram. (...) Nora vinha também dos fanzines (...) Como artista gráfico impressionava
para alguém tão jovem ter uma linguagem gráfica tão depurada, nervosa,
angular e solta.
Os autores nunca mais irão colaborar em conjunto, embora ainda apareçam com BDs curtas a solo, na seminal antologia Mutate & Survive
(Chili Com Carne; 2001). Numa simetria macabra, três anos depois da
publicação em Portugal a obra é editada na Bélgica pela Fréon. Se ainda
hoje é raro os livros portugueses serem traduzidos - ainda por cima de
autores novos! - em 2003 era mais do que impressionante este
acontecimento. (...)
A Bedeteca impulsionou esta nova
geração de artistas, de forma directa com acções e apoios, e indirecta
pelo élan que gerou junto à sociedade portuguesa mas "Mr. B"
fazendo parte desta cena emergente não deixa de ser uma obra autónoma
das influencias institucionais. Se, indirectamente, é graças ao Lisboa 24H00
que tudo isto acontece, no entanto a Círculo de Abuso não tinha
recebido qualquer apoio institucional. Esta obra, bem como as outras de
David Soares, deve-se às suas forças criativas telúricas, e neste caso,
com Nora em quererem construir uma obra matura, artística, literária e
com pelo na venta!
Sem diminuir os seus esforços, na realidade
era o que todos os artistas de BD na naquela altura queriam fazer, longe
das vontades miméticas de alguma produção actual. Desses desejos
artísticos, saíram algumas pérolas como este "Mr. B" que bem vale a pena
recuperar para novos leitores (...) Já os mais cínicos
dizem que a edição original por se encontrar a preços estrambólicos no souk da BD, era inevitável acontecer uma edição comemorativa dos 25 anos de "Mr. B" para acalmar os cripto-especuladores! Rumores...
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sobre os autores
David Soares (Lisboa; 1976) é escritor, historiador, mestre em História Moderna, investigador integrado do CHAM-Centro de Humanidades (NOVA FCSH). A sua obra diversifica-se pelo romance, a banda desenhada, o ensaio e o spoken word. Como autor de banda desenhada, foi premiado com quatro troféus para Melhor Argumentista Nacional e uma Bolsa de Criação Literária, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (2002). A sua obra historiográfica O Bobo e o Alquimista: Deformidade Física e Moral na Corte de D. João III (Verbi Gratia, 2024) foi distinguida com o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian - História Moderna e Contemporânea de Portugal, atribuído pela Academia Portuguesa da História (2024).
Pedro Nora (Vila Nova de Gaia; 1977) é um designer gráfico licenciado pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Desde 2001 que desenvolve trabalho na área cultural, tendo-se especializado em design gráfico para exposições de arte contemporânea, em design editorial e em design de livro de artista - de entre as suas colaborações institucionais destacam-se Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação de Serralves, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Moderna Museet Malmö (Suécia), Kunsthalle de Basel (Suíça), Palais de Tokyo (França) e Bergen Kunsthall (Noruega). Colabora com regularidade com as editoras Dafne, Ghost, Pierre von Kleist. Foi co-editor da revista Satélite Internacional (2002-05), da editora Braço de Ferro (2007-11), do jornal Buraco (2011-19). Integrou o colectivo Oficina ARARA entre 2014 e 2020. Em 2020 deu início ao projecto editorial FOJO.
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Historial:
Lançado a
28 de Fevereiro 2026 na
Tinta nos Nervos, com as presenças dos autores
David Soares e
Pedro Nora e o editor
Marcos Farrajota "que falaram do passado" afinal este livro comemora 25 (26) anos da sua edição original em 2000.