blogzine da chili com carne
terça-feira, 11 de agosto de 2026
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Einstein, Eddington e o Eclipse. Impressões de Viagem ... na Língua nos Dentes
(...) O encontro entre Hergé e Lovecraft tem perfeitamente o seu papel num livro sobre uma conclusão feliz da observação da ciência.
Livro desafiador que estende as condições de produção e o modo como a banda desenhada dialoga com o mundo, bem para além do veículo de ficção de género ou de narrativas dominadas a que a maioria das suas prestações nos habituou, Einstein, Eddington e o Eclipse poderá vir a tornar-se um exemplo maior da verdadeira inter- e transdisciplinaridade.
Pedro Moura in Ler BD
Além da notável originalidade da junção de dois registos – um científico e outro artístico, neste caso a história da ciência casa-se com a “nona arte”, que costumam andar apartados, - a obra é também original pela sua rara qualidade. O ensaio, que foi pensado tendo em conta leitores desconhecedores da matéria, sendo claro, é absolutamente rigoroso, indicando as fontes para os factos relatados (...). Na banda desenhada, delimitada pelos registos epistolares ou diarísticos, a imaginação já voa, mas o registo não deixa de ser rigoroso: vê-se que a artista se procurou documentar sobre os cenários que descreve visualmente, tendo consultado o material fotográfico disponível. Fugindo ao realismo, faz-nos entrar na atmosfera da época.
Carlos Fiolhais
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domingo, 9 de agosto de 2026
Einstein, Eddington and the Eclipse. Travel Impressions - there's RPG game based on the book!
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sábado, 8 de agosto de 2026
ccc@viñetas.desde.o.atlántico.2025
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sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Exposição "Aldeamentos de Guerra" de Francisco Sousa Lobo na Tinta nos Nervos até 5 de Setembro
Regressa neste volume o Francisco Sousa Lobo (1973) à colecção para quebrar mais uma vez os "silêncios" de locais menos ortodoxos. Se em Deserto / Nuvem (2017) esse era o tema em si, ao revelar a forma de vida dos cartuxos no convento de Évora, neste novo livro juntaram-se uma equipa de investigação em arquitectura e um autor de BD para entrevistar pessoas que tivessem estado nos aldeamentos criados pelo exército português em África.
As pessoas investigadoras realizaram entrevistas em Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, e Brasil, oferecendo uma reflexão sobre o que aconteceu antes e depois do 25 de Abril de 1974 na ruralidade africana.
Esta banda desenhada, da autoria de Francisco Sousa Lobo, foi criada como parte de um projecto de investigação científica financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) de Portugal.
A exposição de originais relativos a este livro está patente na Tinta nos Nervos até 5 de Setembro
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"Da noite para o dia" de Sofia Neto na Matéria Prima e Subtil
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Sinopse: Ana vive no norte de Portugal. Possui um dispositivo capaz de alterar o comportamento das pessoas sem que o saibam, com resultados imprevisíveis. Clientes anónimos pagam para que ela o utilize em diferentes pessoas e pedem-lhe que pare assim que as alterações desejadas são verificadas.
Trabalha desta forma dia e noite, sem se preocupar com os motivos dos seus clientes ou com as consequências do seu trabalho, acreditando que as suas ações têm um efeito positivo no mundo.
Um dia, depois de não conseguir levar a cabo um contrato e de viajar para a costa sudoeste do país, Ana conhece Luca, que pretende que ela use o dispositivo nele, com o seu conhecimento e consentimento para que ela enfrente as consequências do seu trabalho, enquanto a sua identidade é destruída diante dos seus olhos.
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112 p. 2 cores 18x24cm, capa a 3 cores com badana interior, brochado
ISBN: 978-989-8363-57-2
HISTORIAL:
obra realizada no âmbito da Bolsa de Criação Literária em Banda Desenhada da DGLAB em 2020
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A lançar oficialmente a 17 de Julho no Clube de Desenho (Porto), às 18h30, com uma conversa da autora com Nuno Sousa
FEEDBACK:
(...) este livro arrisca-se a poder ser visto como um importante marco na ficção científica portuguesa, não tanto pela sua espectacularidade - usualmente um efeito de superfície para embasbacar leitores de impressões, e não de profundidade - mas pela forma como explora consequências sociais, políticas e identitárias de tecnologias, as quais, "inexistentes", estão bem próximas daquelas já em vigor. Nesse sentido, sinto-lhe grandes afinidades com Madoka Machina de André Pereira. Atente-se, para mais, à sua rede temporal narrativa e aos efeitos de referencialidade da nossa realidade local, e isso apenas reforçará os elos interpretativos propostos. Por outro lado, de forma mais enviesada, mas que tem a ver com identidade e desejo, haverá igualmente ecos com a trilogia de Filipe Seems, de Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves, quase esfumados pela distância, mas ainda assim presentes.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Mr. Burroughs ::: edição dos 25 anos :::: na Subtil
Este Mr. Burroughs não é William Burroughs, mas é como se fosse; é um sócia alternativo do romancista norte-americano, que se confronta com uma crise de criatividade.
Assombrado pelo fantasma de sua irrepreensível carreira, e ousando desafiar a vida para conhecer os seus limites, Mr Burroughs vai enfrentar a verdade sobre si mesmo para descobrir porque é que tudo aquilo que toca se transforma nele próprio.
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FEEDBBACK (da primeira edição e a a edição belga)
Minimalista nos meios, preto e branco rigoroso, (...) narração surrealista mas fluída (...) uma homenagem estranha, surpreendente e entusiasmante.
Les Inrockuptibles
Obra que se livrou de todos os ornamentos da lenda sulfurosa, concentra-se inteiramente no processo de criação.
Bang
(...) obra mais poética que narrativa , mais evocativa que descritiva. (...) A estilização do desenho de Pedro Nora privilegia a angulação expressionista, (...) o traço que fere como um bisturi e tudo inunda de borrões de tinta, como golfadas de sangue.
Domingos Isabelinho in Quadrado
FEEDBACK da nova edição
óptima re-edição.
Paulo Mendes (via email)
Ao ler o Mr. Burroughs, deu-me com frequência aquela comichão visual que vem com o ruído branco. Este é um mundo áspero, de texturas que variam entre o cimento e a brita, o esfregão d’aço e o ninho de aranhas. “Aracnídeo” será também um bom adjectivo para atribuir, de forma geral, às personagens. O próprio Mr. B, exemplar mais óbvio, todo esquelético e comprido, uma massa negra movida a alfinetes articulados, sendo que até as mais rotundas têm algo tarantular, bulboso, peludo e espinhoso. (...) Se os olhos são o espelho da alma, sob este rosto acumulam-se feridas e fraturas psicológicas. Aventurando-me num diagnóstico, atrevo-me a atirar termos como Síndrome de Cotard, narcisismo, autodesprezo, dúvida debilitante, paranoia. Ou talvez esteja só amaldiçoado, perseguido por uma entidade sem nome que se vai intrometendo na sua vida. (...) Fellow kids, teria sido uma pena isto ter ficado em 2000.
Salato in A Batalha #304
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sobre o livro
Por momentos, entre 1996 e 2001, (...) os ilustradores e autores de BD sentiram que iriam ser compreendidos pelos seus trabalhos, que não seriam ignorados pelo público nem pelos retrógados agentes oficiais da BD. (...) Houve Hype! Havia algo no ar! Havia juventude gira para aparecer em fotografias de revistas e jornais ou até TV, ena!
No meio desta cena excitante, o David Soares criou a sua etiqueta editorial Círculo de Abuso em 2000, após algumas edições auto-editadas que apareceram do húmus da cena dos fanzines. (...) Soares irá surpreender pela sua produção assombrosa, mistura de Horror, Fantástico e a sua visão muito pessoal sobre fantasmas literários ou o fascínio pelo cinema.
O Mr. Burroughs é o segundo livro (oficial) que publica e é o primeiro em parceria com outro ilustrador que será o Pedro Nora (...). Uma família de fumadores de haxixe conta a lenda que os autores se conheceram através do livro colectivo Lisboa 24H00 publicado pela Bedeteca de Lisboa, em que ambos participaram. (...) Nora vinha também dos fanzines (...) Como artista gráfico impressionava para alguém tão jovem ter uma linguagem gráfica tão depurada, nervosa, angular e solta.
Os autores nunca mais irão colaborar em conjunto, embora ainda apareçam com BDs curtas a solo, na seminal antologia Mutate & Survive
(Chili Com Carne; 2001). Numa simetria macabra, três anos depois da
publicação em Portugal a obra é editada na Bélgica pela Fréon. Se ainda
hoje é raro os livros portugueses serem traduzidos - ainda por cima de
autores novos! - em 2003 era mais do que impressionante este
acontecimento. (...)
A Bedeteca impulsionou esta nova geração de artistas, de forma directa com acções e apoios, e indirecta pelo élan que gerou junto à sociedade portuguesa mas "Mr. B" fazendo parte desta cena emergente não deixa de ser uma obra autónoma das influencias institucionais. Se, indirectamente, é graças ao Lisboa 24H00 que tudo isto acontece, no entanto a Círculo de Abuso não tinha recebido qualquer apoio institucional. Esta obra, bem como as outras de David Soares, deve-se às suas forças criativas telúricas, e neste caso, com Nora em quererem construir uma obra matura, artística, literária e com pelo na venta!
Sem diminuir os seus esforços, na realidade era o que todos os artistas de BD na naquela altura queriam fazer, longe das vontades miméticas de alguma produção actual. Desses desejos artísticos, saíram algumas pérolas como este "Mr. B" que bem vale a pena recuperar para novos leitores (...) Já os mais cínicos dizem que a edição original por se encontrar a preços estrambólicos no souk da BD, era inevitável acontecer uma edição comemorativa dos 25 anos de "Mr. B" para acalmar os cripto-especuladores! Rumores...
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sobre os autores
David Soares (Lisboa; 1976) é escritor, historiador, mestre em História Moderna, investigador integrado do CHAM-Centro de Humanidades (NOVA FCSH). A sua obra diversifica-se pelo romance, a banda desenhada, o ensaio e o spoken word. Como autor de banda desenhada, foi premiado com quatro troféus para Melhor Argumentista Nacional e uma Bolsa de Criação Literária, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (2002). A sua obra historiográfica O Bobo e o Alquimista: Deformidade Física e Moral na Corte de D. João III (Verbi Gratia, 2024) foi distinguida com o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian - História Moderna e Contemporânea de Portugal, atribuído pela Academia Portuguesa da História (2024).
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MITI MOTA na Subtil
O novo livro da Amanda Baeza já caminha pelas livrarias!
{bem como a edição em inglês pela kuš!}
Trata-se de mais uma compilação de novas Bandas Desenhadas curtas desde o Bruma até aos dias de hoje.
Encontra-se disponível na nossa loja em linha virtual e na BdMania, Cult, Greta, It's a Book, Kingpin, Linha de Sombra, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB (Lisboa), Velhotes (V.N. de Gaia), Matéria Prima, Mundo Fantasma, Socorro, Utopia (Porto) e Subtil (Almada).
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Editado em Dezembro 2025
100p A5 a cores, edição brochada, capa a cores
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Usando técnicas, materiais e expressões muito diversas, este livro reúne uma série de Bandas Desenhadas sobre pessoas, o mundo e o Amor.
Os trabalhos saíram originalmente em várias antologias pelo mundo fora - Argentina, Austrália, Espanha e Portugal - entre 2017 e 2024.
Para muitos é a continuação da colecção de curtas de Amanda desde o esgotadíssimo Bruma.
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HISTORIAL
Apesar de termos feito um lançamento oficial podem assistir à entrevista à artista em Pessoas que Desenham a Liberdade (RTP 2)
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Exposição na Tinta nos Nervos entre 25 de Abril e 6 de Junho 2026
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conversa com a autora na Biblioteca Central de Almada, dia 24 de Julho, 19h
Mitimota e Bruma não são a mesma coisa. Ambas são a reunião, num só volume, de um conjunto de pequenas bandas desenhadas curtas, particularmente heteróclitas entre si, publicadas pela autora Amanda Baeza ao longo de anos em variadíssimas publicações, em países, línguas, formatos, estilos e circunstâncias diferentes. Sim. E não é impossível encontrar, de um título para o outro, pequenos temas recorrentes, trejeitos ou facetas comuns, uma maneira de encarar o acto de criar banda desenhada livre, sempre livre.
(...) Acima de tudo, há um permanente assunto, que tem a ver com o da identidade, sobre que ingredientes são necessários para a assegurar– de forma obrigatória sob o olho da legalidade, ou da inscrição cultural imposta pelos agentes auto-eleitos desse limite, ou mais livres na vida corrente. Conhecerão alguns leitores um assunto que foi discutido em torno da pessoa de Baeza, que podemos apresentar como “portuguesa-chilena”, onde esse hífen faz um trabalho policial tremendo, e que já argumentámos dever ser visto não tanto como sinal matemático de redução, mas sim de acrescimento, de âncora para algo mais. (...) Esse assunto torna-se quase diáfano na história “Nem de cá, nem de lá” mas também em “1 + 1 = 0” (e, atenção, pouco importa aqui a cronologia precisa das histórias, pois estes embates não serão seguramente pontuais, mas sistémicos e contínuos). Diria, porém, que se essas histórias são, respectivamente, um apontamento diarístico e acusatório de um trauma (e é um trauma, pois é uma afirmação violenta dizerem-nos que não somos algo que somos, só porque quem afirma não sermos pensa ser o juiz dessa mesma identidade) e uma tentativa de compreensão dos mecanismos de recusa, é precisamente “miti-mota” que parece ganhar distância e descobrir como explorar o aspecto positivo desse processo de “metadização” da pessoa humana.
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