blogzine da chili com carne

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Split book do REI da BD PORTUGUESA ... últimos 9 exemplares!!!

 


Apesar de não estar, estou muito / DJ Nobita Early Years 2002

Só 200 exemplares deste livro foram para o mercado livreiro, restando só já 9 exemplares - podem adquirir na nossa loja em linha, BdMania, Kingpin Books, Linha de Sombra, Matéria Prima, Mundo FantasmaSenhora PresidenteSnobTigre de PapelTinta nos Nervos e Utopia. E na Quimby's (Chicago).


Edição da Galeria Municipal do Porto, copublicado com a Chili Com Carne, projecto editorial de Diogo Jesus e João Ribas com textos de Guilherme Blanc, João Ribas com Diogo Jesus e Marcos Farrajota.
 
16x22cm 266p a cores, catálogo relativo à exposição homónima + compilação dos 5 números do zine DJ Nobita Early Years 2002
 
Sim, o Rudolfo afinal chama-se Diogo Jesus!!
 
Este livro foi publicado no âmbito da exposição Diogo Jesus: Apesar de não estar, estou muito, com curadoria de João Ribas, apresentada na Galeria Municipal do Porto entre 2 de junho e 16 de agosto de 2020. É um split book, sendo que a frente e o verso servem como capas de duas partes independentes do livro. Um lado é composto por textos, por uma série de digitalizações de obras individuais de Diogo Jesus e pela documentação fotográfica da exposição; o outro lado reúne vários zines desenhados pelo artista, entre outubro de 2019 e julho de 2020, em diferentes diários.




Desde os seus primeiros trabalhos de música e banda desenhada de produção independente até aos seus projetos recentes como DJ Nobita e Gekiga Warlord, os desenhos, objetos, vídeos, ephemera e materiais de arquivo apresentados dão-nos um panorama da obra de um artista prolífico, que desde 2007 se move entre géneros e entre comunidades. O que une a maioria destes trabalhos é um impulso narrativo e uma dimensão subcultural e autobiográfica, assim como as suas ironias, que evidenciam tanto um humor sarcástico como uma honestidade desarmante. O elenco rotativo de amigos, artistas, heterónimos, figuras ficcionais apropriadas e léxico de subculturas presentes nos desenhos oferecem um comentário recorrente sobre questões de criatividade, masculinidade, obsessões pessoais, a cultura dos videojogos, a cultura do ‘do it yourself’, a precariedade e as condições de produção de arte. – João Ribas





FEEDBACK

exciting, experimental recent release (...) Zine wildman Diogo Jesus's two-books-in-one combines an exhibition catalogue of his comics, many in English, with his 2019-20 'Doraemon'-inspired zines, DJ Nobita Early Years 2002. - Paul Gravett no FB

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Cracking ::: novo livro (gráfico) de Tommi Musturi


Chegou o novo livro do artista finlandês Tommi Musturi - na linha do Beating ou seja "obra gráfica" e não BD - sendo que será lançado oficialmente na inauguração da exposição do autor na Tinta nos Nervos

A exposição será entre 4 de Novembro e 9 de Janeiro de 2022, com a presença do autor. Tudo terá o título de Cracking...

Não é preciso esperar até Novembro para sacar este belo monstrinho hiper-colorido, podem já ir à loja em linha da Chili Com Carne ou à Tinta nos Nervos buscar esta edição limitada de 300 exemplares. Ou ainda à Alquimia e Snob - mais livrarias o terão a passo de caracol de futuro.

Agora, respirem... mas não muito! Porque já começamos a vendê-los!

Entretanto a Tinta já tirou umas fotos ao livro e diz isto: CrrrrrrRRRRRR.... Crack! CRACKING!! As engrenagens rebentaram do esforço titânico na impressão do maelstrom gráfico do mutante @tommimusturi. Esta colectânea de trabalho de quase 10 anos do autor finlandês é uma edição simultânea internacional, cuja versão portuguesa é uma co-venture da @chili_com_carne e da própria @tinta_nos_nervos. A nossa aventura enquanto editores associa-se à ocasião da futura #exposição do artista, este Novembro. Stay tooooned!!













Finalmente uma edição portuguesa do autor mais importante da actualidade!


Viagem 

de 

Yūichi Yokoyama 

(...) Viagem é incrivelmente divertido, considerando as suas 200 e tal páginas mudas de uma viagem de comboio sem acontecimentos. Um quarto do livro é sobre três viajantes à procura dos seus lugares, e o resto é sobre o que eles vêm pela janela à medida que o comboio atravessa o Japão, focando-se nas geometrias perturbadoras da natureza e cidades. As personagens humanas não passam de glifos inexpressivos, diferenciados apenas pela roupa e penteados. Qualquer vinheta do livro poderá ser vista de forma abstracta e a piada final é que Yokoyama já afirmou que ele próprio tem lutado para interpretar as suas próprias imagens: “É no mínimo estranho que ele se sentem todos juntos numa carruagem de comboio vazia.” 

New York Times


Em Viagem, a questão da visualidade é directamente relacionada com a da velocidade de um percurso de comboio de três personagens, encenado com a intensidade de um spy thriller ou de um manga shonen. (...) a existir uma aproximação entre Yokoyama e as festas do Cabaret Voltaire, esta poderá reduzir-se a um interesse coincidente em expressões cosméticas de individualidade. Não é grande surpresa que um artista contemporâneo, tal como os miúdos fixes de 1916, se divirta a inventar modas. (...) Condenados ao mecanicismo de Descartes, os passageiros representam o humano apenas pela auto-evidência “plana” da sua presença e acções. O resultado é como ver o mundo pelos olhos de um extraterrestre, ou de uma abelha, para os quais a intencionalidade ou a inteligência por detrás das acções humanas serão tanto ininteligíveis como irrelevantes. 

Mao



192p A5 a uma cor mais sobrecapa a duas cores

Esta edição é acompanhada pelo suplemento 

Contemplar a paisagem com Yūichi Yokoyama 

(vol. -12 da col. THISCOvery CCChannel), 

um ensaio escrito por Hugo Almeida.


O suplemento de edição limitada é oferecido na aquisição de Viagem na

loja em linha da Chili Com Carne ou na Feira do Livro de Lisboa (stand D28)

e ainda nas seguintes livrarias: Utopia, Matéria Prima, Tinta nos Nervos, Tigre de Papel, Linha de Sombra, Kingpin Books, Snob, ZDB e Alquimia.







Feedback 

Trata-se de uma gigantesca aposta na banda desenhada japonesa contemporânea, escapando à lógica mais expectável da manga Viagem, de #yuichiyokoyama #yokoyamayuichi, um dos seus livros mais celebrados senão o que o pôs no mapa, é uma viagem ultra-cinética que estimula a materialidade visual do livro, e salienta a mecanicidade dos corpos humanos. Imperdível para amantes da criatividade desabrida e a inventabilidade gráfica da nova banda desenhada. Alguns dos primeiros exemplares são vendidos com um brilhante ensaio suplementar de Hugo Almeida

domingo, 19 de setembro de 2021

Para quê votar em macacos quando vai haver a Feira Anarquista do Livro?

 


Uma selecção do nosso catálogo estará na banca d'A Batalha - alguns livros terão "preço livre", aproveitem!

+ infos AQUI

Saúde e Anarquia!

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Alegre cavaqueira na Amadora


 

Com moderação de Pedro Moura no Domingo, às 18h, há uma conversa sobre BD com Ana Margarida Matos e Jorge Coelho, na Biblioteca Municipal da Amadora. Aproveitamos o momento para divulgar que o projecto da Ana Margarida Matos que venceu os 500 Paus deste ano já mudou de título - passa a Hoje Não - e terá uma exposição na próxima edição do Festival BD Amadora, com o lançamento do respectivo livro.

ccc@queer.lisboa.2021

 


Como tem sido hábito desde 2018 eis que uma selecção de títulos nossos estará presente no Queer Market do festival Queer Lisboa.

A Fábrica de Erisicton // últimos 2 exemplares!!

 


O fanzine Mesinha de Cabeceira voltou numa onda de "back to the basics" após cinco anos de ausência. Este retorno às origens humildes de uma tiragem baixa de 100 exemplares, como fanzine / zine / perzine (riscar o que não interessa), tal como em 1992 (ano do primeiro número) tem a razão de ser para dar voz a autores desconhecidos / novos / fora de qualquer radar (riscar o que não interessa).

Começamos com A Fábrica de Erisicton de André Ferreira que é uma BD eco-psicadélica inesperada sobre a destruição do Alentejo pelas culturas super-intensivas que se praticam. O grafismo é tão naíf como visionário, com poucos sítios para segurarmo-nos se não fosse o facto da mensagem ser tão desesperante. O aviso já pouco serve, o Destino está traçado, como se vê nestes anos estranhos que vivemos, em que nada mudou em termos de atitude ecológica, a borregada quer é viajar e poluir. 

Resta-nos estes pedaços de arte colorida e imaginativa em singelas 24 páginas. 
Obrigado André!



Mesinha de Cabeceira #29, edição da Chili Com Carne, Abril 2021, 24p a cores 18x25 cm, capa a cores, 100 5 exemplares.



distribuição limitada à loja em linha da Chili Com Carne e ainda na Kingpin Books, Linha de Sombra, Neat Records, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Utopia, Alquimia e na ZDB.



sobre o autor: faz música sob o nome de Goran Titol - que poderá participar este ano numa colectânea da nossa série Música Portuguesa a Melhora-se Dela Própria -  animação em técnica de "stop-motion" com ajuda da Mãe Natureza e é autor da BD tendo participado na antologia Venham +5 e com o livro a solo Ouro Formigas (2013), ambos publicados pela Bedeteca de Beja.


 FEEDBACK: 

Panfleto libelo anti-destruição da natureza em nosso torno, disfarçado de reconto mitográfico psicadélico (...), breve passeio alucinado que deveria antes servir de guia para redescoberta da nossa paisagem e manual de instruções para a sua recuperação... segundo a Tinta Nos Nervos


Entrevista no P3 / Público

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Viva Valium

 


Em 2001 a Chili Com Carne preparava aquela que viria a ser o seu primeiro grande projecto editorial, a antologia internacional de Banda Desenhada e Ilustração Mutate & Survive. Nessa altura, a 'net ainda era uma ferramenta residual na actividade editorial e na vidinha, por isso, por ingenuidade nossa, demorámos a perceber que as cartas com CD-Rs e fotocópias que nos apareciam no apartado todos os dias vindos de países tão distantes como Argentina ou Croácia tinha a ver com o "poder do forward" dos emails feitos pelos irmãos eslovenos da Stripcore (que publicam a revista Stripburger) para a sua "mailing-list" - concenhamos a Stripcore na altura conhecia TODA a gente da BD pelo mundo fora! Na realidade não sei se o esquadrão canadiano composto por Eric Bräun, Rick Trembles, Richard Suicide e Henriette Valium que enriqueceram GRANDEmente este MEGAfanzine vieram pela promoção da Stripcore ou se foi de ter conhecido Bräun num festival de Angoulême um ano antes, creio. 

Esta semana soube do falecimento de Valium o que me entristeceu bastante uma vez, apesar de o nunca ter conhecido pessoalmente. 

Conhecia a sua obra nos anos 90 pela revista Zero Zero (da Fantagraphics) e imaginem como me passei quando recebi um pacote dos "undergrounders" canadianos! O Braün e Valium já conhecia, os outros dois não. E de repente ia publicar este "Papa da Underground" do Canadá! De resto, tivemos de fazer uma pequena batota gráfica para que se conseguisse meter a página de BD de Valium de forma a conseguir-se ler bem não estivesse a BD cheia de detalhes barroco-podres por TODO o lado!

Infelizmente, a história da miséria para artistas marginais repete-se, a julgar pelo texto elegíaco de Marc Tessier: (...) His lack of durable and serious recognition for his contributions to the Quebec arts scene did not allow him to live off his art. Over the years all his grant applications were rejected. He lived on welfare and eventually settled into a garage that he renovated into an incredible studio and living space.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Renda barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais --- últimos 10 exemplares!!


volume 14 da colecção Mercantologia, dedicada à recuperação de material perdido no mundo dos fanzines e afins. Editado por António Baião e Marcos Farrajota, design de Joana Pires e co-editado pela Chili Com Carne e o jornal de expressão anarquista A Batalha - no âmbito do seu centenário.

O presente volume colige a totalidade dos cartoons de Stuart Carvalhais identificados pelos editores n'A Batalha e no seu Suplemento Ilustrado, entre 1923 e 1925.
192p A6 com capa em cartolina, tudo a preto e branco
PVP 10€ 
e na Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Utopia (Porto), Letra Livre, BdMania, Snob, Mundo Fantasma (Porto), Kingpin Books, Matéria Prima (Porto), 100ª Página (Braga), Gato Vadio (Porto), Vida Portuguesa, Universal Tongue e Linha de Sombra.



Historial:


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Feedback:

Adoro o livro do Stuart!
Ondina Pires (via email)

Para a maioria dos cartoons, é apresentada uma pequena contextualização histórica para permitir a apreciação em pleno de cada cartoon. Deste modo, há uma tentativa de contrariar a efemeridade do cartoon enquanto crítica social, quando a distância temporal não permite ao leitor a identificação das referências (...) Esta contextualização revela-se de maior importância do que simplesmente colmatar a inexistência anterior de uma antologia que reunisse esses trabalhos.
Nuno Sousa in Bandas Desenhadas

Nunca mais Stuart confrontará o sistema como fez nas páginas do A BATALHA, a denuncia das injustiças sociais, a ganância dos arrendatários, a violência policial, o racismo e o colonialismo. Mas simplicidade poética e humanista de Stuart resiste nas centenas de desenhos, páginas de banda desenhada, pinturas, fotografias e cenografias que realiza até morrer, no ano de 1961. 
 Alguém disse um dia que a História nunca se repete. 
“Renda barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n'A Batalha” leva-me - enquanto cartunista e ilustrador dos dias de hoje - a suspeitar o contrário.
Nuno Saraiva

(...) estes desenhos de Stuart estão no espírito do jornal, (...) e o alvo era o sistema de poder: a falcatrua financista, a amoralidade burguesa e os seus instrumentos : a cozinha política, a autoridade fardada e a Igreja (...)
Ricardo António Alves in I

Um notável trabalho de arqueologia literária. (?)
Jornal de Letras

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Sobre o livro: Quando o nome de Stuart Carvalhais (1887-1961) é referido pela segunda vez no diário A Batalha, a 22 de Fevereiro de 1921, dificilmente se poderia augurar um futuro radiante para o cartoonista nas publicações periódicas ligadas à Confederação Geral do Trabalho. Nessa data, o jornalista Mário Domingues escrevia as seguintes linhas: “O sr. Stuart de Carvalhais, colega de Jorge Barradas, sujeito como este a ser amanhã vilmente caluniado por aqueles que ora o afagam, não se envergonhou de aceitar apressadamente o cargo de director do ABC a rir, sabendo como foi injustamente tratado o que o antecedeu. O sr. Stuart Carvalhais julga os seus actos como entende, bem sei; procede a seu bel-prazer. É possível que considere correcta a sua acção. Eu, porém, classifico-a simplesmente de traição”. (...) Apenas dois dias depois, Domingues retratar-se-ia deste duro julgamento. Alegadamente, o Barradinhas teria mesmo merecido ser despedido, mas isso não impediu o jornalista de sublinhar que “no lugar do sr. Stuart, não [aceitaria] esse lugar, não porque isso acarretasse para [si] rebaixamento moral, mas porque esse acto poderia fazer crer ao público, desconhecedor dos bastidores da questão, que não tinha sido leal a sua forma de proceder”. 

Por esta altura, o percurso de Stuart estava ainda afastado do periodismo libertário (...) tinha já colaborado proficuamente no Século Cómico, O Zé, Gil Blas, A Lanterna ou na Ilustração Portuguesa. Em 1914, contribui para o monárquico O Papagaio Real, sob a direcção artística de Almada Negreiros. No ano seguinte, regressa ao Século Cómico, onde inicia a série «Aventuras do Quim e Manecas», e em 1920 junta-se a Barradas em O Riso da Vitória. Depois de se tornar director do ABC a rir, colaborará no ABC e no ABCzinho. Até que se chega a 1923, mais precisamente a 30 de Novembro, e logo na primeira página do n.º 1539 de A Batalha pode ler-se: “Inicia hoje a sua colaboração em A Batalha o conhecido caricaturista e nosso prezado amigo Stuart Carvalhais, cujo lápis exímio e irreverente irá dar aos nossos leitores monumentos de incomparável prazer. Stuart Carvalhais, cujo mérito está acima dos nossos elogios, principia a sua colaboração no nosso jornal com uma série de desenhos, plenos de graça, de comentário ao caso da falsificação dos bilhetes de Tesouro, que tanto tem dado que falar”. 

Os diferendos entre Stuart e a redacção do jornal estariam, agora, plenamente sanados, iniciando-se uma colaboração de três anos com a Secção Editorial de A Batalha. Durante este período, não houve periódicos que tenham recebido mais contributos de Stuart do que o diário, o Suplemento Literário e Ilustrado de A Batalha e a Renovação. Significa isto que Stuart se teria convertido à Ideia anarquista? Ou que teria passado por uma fase monárquica, por ter colaborado em O Papagaio Real e na Ideia Nacional, de Homem Cristo Filho? Provavelmente o mais sensato será rejeitar qualquer uma destas conclusões apressadas. Talvez Osvaldo de Sousa não esteja muito longe da verdade quando afirma que “Stuart era um céptico na política, um anarquista na destruição ideológica e um político-desenhador na expressão do sofrimento, miséria e vida do povo”. 

(...) Ao viver de avenças, de uma produção de uma “média de 15 desenhos por semana”, certamente que não se pode afirmar que Stuart foi, pelo menos nesta década de 1920, “um homem livre” (...) Stuart foi um fura-vidas, que provavelmente viu nas publicações de A Batalha uma forma de se sustentar a si e à sua família e também um conjunto de jornais e revistas que seriam a casa natural para receber o seu golpe de vista impressionista sobre a desigualdade, a exploração infantil, o desemprego, a fome, a crise da habitação, a mendicidade, a prostituição e a questão feminina. 

(...) Apesar de a colaboração de Stuart se iniciar no diário A Batalha, no qual publicou 23 cartoons até à edição de 25 de Dezembro de 1925, é no Suplemento Literário e Ilustrado de A Batalha, fundado em Dezembro de 1923, que se podem encontrar mais trabalhos gráficos da sua autoria. Ao todo são 66, entre cartoons e ilustrações. 

(...) Stuart não mais regressaria aos periódicos de A Batalha, que passavam por uma situação interna complexa: além da instauração da ditadura militar (...), a direcção da secção editorial estava sob fogo do jornal O Anarquista, que acusava os colaboradores do Suplemento, do diário e da Renovação de serem jornalistas profissionais, sem ligação ao meio operário. (...) Não será displicente considerar-se que esta também foi uma das razões para que Stuart não mais emprestasse a sua caneta a A Batalha e que aqui terminasse a sua aventura libertária: à sua espera estava agora a redacção do Sempre Fixe, que o acolheu até à sua morte em 1961. 

 As várias monografias acerca da vida e obra de Stuart (...), pecam todas pela quase total omissão da sua passagem pelos periódicos libertários. Se estas falhas são voluntárias ou mero desleixo pouco interessa aqui, mas certo é que as breves e raras menções a esse período se resumem a um punhado de reproduções gráficas, a considerações genéricas sobre o seu “anarquismo de rua”(?), tudo enquanto se aflora en passant que o autor também fez uns bonecos para as publicações libertárias. 

(...) Sirva então este modesto livro para dar melhor conta, a um tempo, da riqueza múltipla do trabalho de Stuart, sem no entanto cair numa ardilosa hagiografia do seu papel autoral, nem reivindicar uma actualidade que cabe apenas a cada leitor avaliar. E, por outro lado, para mostrar como Stuart foi, entre muitos, um importante contribuidor para a feitura da obra colectiva e centenária de A Batalha. - António Baião no prefácio do livro



segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Berlim : Cidade Sem Sombras /// últimos 50 exemplares!!!


BERLIM
Cidade sem Sombras
de

1 residência artística / 1 artista sem luz / 3 meses de frio / alguns encontros / algumas considerações e até um sonho!


Entre Fevereiro e Abril de 2013, Tiago Baptista (Leiria, 1986) participou na residência artística Culturia em Berlim. Esse Inverno foi o menos luminoso em décadas e isso ressentiu-se na sua estadia, nos seus hábitos, nas suas impressões sobre a cidade, no seu trabalho e agora no resultado deste livro.

Segundo o autor: «aqueles meses sem sombras foram como um bloco monolítico de tempo que parecia não passar. Era como se o tempo tivesse ficado suspenso, como se não passasse porque aparentemente a luz também ela não se movia. Tentei que este livro falasse sobre essa falta de luz e também sobre a falha da memória. De facto, parece-me que o que guardamos são falsas memórias.»

Este é um livro sobre fantasmas. Fantasmas de memórias e de uma cidade que já não existe, de um sistema que desapareceu mas que está ainda tão presente, nos edifícios, na História, no turismo, nas pessoas...


Disponível na loja virtual da CCC e na BdMania, ZDB, Tasca Mastai, Palavra de Viajante, Mundo Fantasma, Tigre de Papel, Kingpin BooksLinha de SombraLACYou to You, e Alquimia... Depois de tomar Portugal vai a caminho de Berlim, um bocado como a letra do Leonard Cohen! Sim, chegou à Neurotitan!





O autor licenciou-se em 2008 em Artes Plásticas na ESAD nas Caldas da Rainha onde começou a publicar várias publicações em 2005 sob o nome de Façam Fanzines e Cuspam Martelos. Como artista plástico o seu trabalho é reconhecido por vários prémios (Amadeo de Souza-Cardoso 2015 e Fidelidade Mundial Jovens Pintores 2009) e exposições em várias galerias e instituições como Palácio Vila Flor (Guimarães), Sala de Arte Joven (Madrid), Galeria 3+1, Fundação EDP, João Cocteau (Berlim), ZDB, Museu-Colecção Berardo. A sua bibliografia inclui Fábricas, baldios, fé e pedras tiradas à lama (Oficina do Cego + a9)))); 2012), Stalker (Ao Norte; 2015), Imagem Viagem (Bedeteca de Beja; 2016) e o livro colectivo desta mesma colecção, Zona de Desconforto (2014) onde foram publicados alguns episódios do presente volume. Foi o vencedor do Toma lá 500 paus e faz uma BD! (2016) com um livro a publicar em 2018 sobre a Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934.

Historial: 

Apresentação na ZDB, no dia 9 de Novembro de 2017 com apresentação de Joana Miguel Almeida ...
nomeado para Melhor Desenho e Melhor Argumento pela Central Comics
...
nomeado para Melhor Desenho na BD Amadora 2018
...
obra incluída na exposição És meu amigo ou meu fã?, colectiva CCC#5 na BD Amadora 2019


feedback:

(...) regressando à ideia desta mesma série de livros de dar a ver uma certa ideia de trânsito mas desprendida totalmente das mais usuais linhas da “literatura de viagens” e muito menos associada ao “encómio do turismo”. O objectivo deste livro, afinal, não é conhecer a cidade de Berlim, nem tampouco compreender “as experiência de Tiago Baptista em Berlim”, mas antes compreender como é que essa experiência se abre a toda uma série de interrogações de identidade própria, alheia, global, cultural e política. Baptista não envereda jamais num discurso directamente panfletário, como dissemos, preferindo ou um certo grau de ambiguidade ou deixar que os não-ditos se instalem de modo suficiente a obrigar o leitor a instalar-se nos interstícios do que se assinala como silêncio, esquecimento, precariedade, miséria, e também consciência. São marcantes sobretudo os relatos de Jenin e Maranda, ambos mostrando locais em que o autor-protagonista come e vai ao encontro não somente da pessoa que ali trabalha (respectivamente, um palestiniano da Cisjordânia e um português de Tondela) como nesse diálogo compreende a distância da sua experiência com a dessas outras pessoas, assinalando não somente mecanismos de empatia como de auto-compreensão de um certo privilégio.

Ao contrário de livros que pretendem fechar um sentido e dar ao leitor uma sensação de equilíbrio humanista, em que uma suposta utopia de grande família seria possível, Baptista quer mostrar a aguda distância que separa cada ser humano, nos seus mundos específicos, assim como a rugosa textura do próprio mundo, ou do pouco mundo, que se consegue estabelecer como comum. (...)

(...) é espetacular!
Goran Titol

Este livro de pequenas narrativas evoca os três meses que o Tiago passou em Berlim, no contexto de uma residência artística no ano de 2013. Digo “evoca” porque este livro não parte de um diário gráfico utilizado na altura, mas de um registo de memória a posteriori, com todas as hesitações e incertezas que invariavelmente temos ao lembrar uma história que já se passou há meses ou anos. Essas dúvidas – que o Tiago assume – traduzem-se em falas rasuradas, em personagens sem expressão, sem cara. Em desenhos que às vezes são pintados digitalmente e outros numa aguarela fluída quase onírica. Admitindo que as suas recordações se dissolveram no tempo, reflecte também, uma vez que está em Berlim, sobre o lugar da memória cultural: afinal, do que nos lembramos nós? O que é que lembramos e o que é deixamos esquecer? Quem é que merece ser lembrado e esquecido?
Joana Miguel Almeida in apresentação oficial na ZDB

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

 Histórias e visões que se cruzam com ideias, debates, explicações e expressões da própria experiência criativa, que fazem desta mais uma recomendável incursão por uma cidade que não deixa ninguém indiferente. Eu talvez não partilhe do mesmo aparente encantamento do autor por algumas memórias da RDA (que me parecem mais coisa de pesadelo do que de sonho), mas não é por aí que possa perder viço este belo conjunto de retratos e experiências berlinenses. Pelo contrário, é ao sentirmos que olhamos e sentimos a cidade por quem a comenta com textos e desenhos que vivemos, entre as páginas deste livro a força que tem a verdade de um retrato de autor. Que nos conduz através de fragmentos de experiências e reflexões, num conjunto que não quer contar uma história, mas, antes, falar-nos de um lugar e do modo como cada um o habita à sua maneira.

Nuno Galopim in Máquina de Escrever

(...) esta obra traz engatilhada uma reapropriação subversiva das imagens construídas e sedimentadas sobre a cidade de Berlim. (...) Tiago Baptista procede por uma desconstrução da paisagem urbana com que se depara na sua residência artística de três meses nessa cidade. Temos oportunidade de ver desenrolar-se diante dos nossos olhos, nas distintas camadas da ilustração e das legendas, uma estratégia de recuperação do passado que não procura mimetizá-lo ou instruir-nos pedagogicamente a seu respeito. O passado é perseguido, trazido para fora dos esconderijos em que se acoita, revisto pelo prisma da memória. Nesta espécie de incursão detectivesca pelo passado, e por histórias de sangue e crime muitas vezes, Tiago Baptista encontra pistas espalhadas pela cidade: indícios de passado disfarçados de cenário que se tornam subitamente incómodos quando desafiam a percepção inocente da vida de todos os dias. As cidades não são virgens. São monstros, criaturas que reúnem em si atributos aparentemente opostos. (...)
Bruno Monteiro in Le Monde Diplomatique (pt)

A propósito de Berlim lembrei-me de como a memória é um conceito tão brandido em Portugal, mas ninguém se preocupa muito em analisar o que isso possa ser. Berlim de Tiago Baptista é por isso mesmo ultra inesperado, preciso e aberto como um poema de Paul Celan. Lá dizia o poeta que o bom poema é aquele que não se desvanece no significado. Este livro e Santa Camarão são como esse poema de que fala o Paul Valery. Resistem, não se limitam ao que aparece.
Francisco Sousa Lobo (e-mail)

Contudo, quando se vive uma experiência pela primeira vez, queremos guardar tudo e quando não o conseguimos, ficamos frustrados. E algo confusos. Mas Berlim, por entre os dedos do autor, revela-se algo sem luz, logo sem a sombra ou mesmo mistério. Como será isso possível? Cerebral… (...)
Ana Ribeiro in Bandas Desenhadas