blogzine da chili com carne

terça-feira, 14 de abril de 2026

A CADA SETE ONDAS - obra vencedora dos 500 paus 2025 - últimos 4 exemplares

 


A CADA SETE ONDAS 

de 

Beatriz Brajal

 ...

Obra vencedora dos 500 paus deste ano!! 

 

 

Brajal decidiu que o seu trabalho faria sentido ser publicado no fanzine Mesinha de Cabeceira, o que faz todo o sentido dada a tradição de três décadas desta publicação em mostrar talentos novos e frescos no panorama nacional - e internacional. 

O Júri do concurso descreveu a obra com imaginação, conteúdo refrescante e divertido, e excelente técnica e expressividade... sendo que a sinopse não desmente: Nesta catártica e imaginária banda desenhada autoficcionada, Bea e Solha têm uma complicada amizade inter-espécies. Ambos o espelho um do outro, dependentes e erráticos, deparam-se com uma circunstância da vida real.



Número 43 do Mesinha de Cabeceira. Edição limitada de 300 exemplares, 48 páginas 16,5x23 cm todas a cores, agrafada e disponível a 5 euros na loja em linha da Chili Com Carne e em algumas livrarias como a Greta, Kingpin, Linha de Sombra, Snob, Socorro, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB, BdMania, Matéria Prima e Mundo Fantasma.

 



Feedback

(...) Bea e o homem-solha (sem nome no livro) passam um dia juntos: estão numa esplanada, depois leem no jardim (não sendo de todo importante, habitantes de Lisboa reconhecerão os cantos), dançam e deitam-se à sombra das árvores, e finalmente participam numa qualquer performance – drama teatral, espectáculo de dança, vídeo-clip, baile de máscaras, concurso, procissão? Nesse convívio, falam, descobrem-se, e é sobretudo ele que, atento observador, nota nas transformações íntimas dela. A expressão da paixão surge de formas fantasiosas e físicas, tangíveis. (...)

Pedro Moura in Ler BD



Historial

 Lançamento a 27 Setembro 2025 na Tinta nos Nervos com as presenças da autora, Marcos Farrajota (editor), Daniel Lima e João Carola (artistas e docentes) numa alegre conversa. 

Exposição homónima na Tinta nos Nervos, 27 de Setembro a 25 de Outubro 2025. 

 Entrevista no Pranchas & Balões (Out'25)

 

"Trinta Anos a Monte : a minha vida punk" de Gilles Bertin na BdMania, Matéria Prima e Velhotes

 

Ao longo do relato de uma vida frenética, Gilles Bertin (1961-2019) abre-nos uma janela para a densidade dos meios punk e para a passagem à grande criminalidade no cruzamento com as lutas independentistas bascas. Este relato de fugas entre Espanha e Portugal mostra-nos desde as dificuldades do vício da heroína à chegada da Sida. É um testemunho que nos dá a ver a aventura louca de um grupo de punks e anarquistas que protagonizaram um dos maiores roubos do século XX. Nesta autobiografia, Bertin mostra-nos o caminho que levou a que o cantor Camera Silens organizasse o roubo da Brinks de Toulouse, em 1988. E depois é a fuga, a chegada a Espanha, a troca de identidade (...), a sobrevivência, a abdicação de tudo. É na chegada a Portugal que Gilles regressa ao mundo da música, ao abrir uma loja de discos (...)

Depois de alguns anos em Portugal, descobre que é seropositivo. Quando a doença piora, Gilles parte para Barcelona, e é nessa cidade que toma a decisão de se entregar à justiça francesa em 2016. Em 2018, é condenado a 5 anos de pena suspensa. 11,8 milhões de francos e 30 anos de fuga mais tarde, Gilles Bertin permanece como esteio dessa memória punk e anarca europeia que vai desaparecendo.  

in A Batalha - Jornal de Expressão Anarquista

;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;

co-editado pela Chili Com Carne e Thisco, 25º volume da colecção THISCOvery CCChannel

224p 16,5x23cm, todo a preto e branco 

ISBN: 978-989-8363-56-5

Esta edição portuguesa inclui mais documentos visuais que a original francesa, para além de uma Banda Desenhada de 24 páginas de José Smith Vargas, celebrando a actividade da loja de discos TORPEDO. 

;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;


O livro já está disponível na nossa loja em linha, BdMania, Carbono, Clockwork, Flur, Kingpin Books, Linha de Sombra, Neat Records, Snob, Tigre de Papel, Vinil Experience (Lisboa), Matéria Prima (Porto), Velhotes (Vila Nova de Gaia), Metal Soldiers e Universal Tongue

Brevemente na ZDB e Tinta nos Nervos...

 

;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;

 

FEEDBACK

 Estou a gostar muito do livro do Bertin: sem qualquer pretensão intelectual ou afetação burguesa, escrito num estilo desengonçado, é um testemunho válido de uma vida e de uma época que, a dada altura, se cruzaram também comigo, ainda que de forma tangencial - foi na Torpedo que pusemos à venda o Novos Panoramas do Globo / Baladas de Holywood, no início de 1992, com direito a cartaz prontamente afixado na vitrine. Agora percebo que havia muita tensão por detrás daquela postura amigável, mas algo reservada, do Gilles. Para além disso, o livro está cheio de ensinamentos - práticos, estéticos, políticos. (...)

Daniel Lopes (via email)

 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Punk Comix nas Caldas da Rainha até 7 de Maio

 


Os restos mortais da exposição de Alpiarça estão prás Caldas!  

O livro é que está esgotadão mas tentem a Neat Records e Disgraça, pode ser que ainda lá haja um exemplar à toa. Este ano seja como for a Chili Com Carne irá reeditá-lo com novas capas de José Smith Vargas e João Silvestre!


alguns zines expostos foram recuperados do acervo do Espaço BD Jorge Machado Dias - entre eles o Mesinha de Cabeceira #19 com a trágico-cómica BD de Jucifer!

ccc@autónoma


 

domingo, 12 de abril de 2026

Tommi Musturi @ Cinekomix

Já tinha sido mostrado no Doc Lisboa em 2022 mas agora passou na RTP2, o Cinekomix de Edgar Pêra com o Tommi Musturi entrevistado

 


Os livros ainda disponíveis de Musturi estão aqui e aproveitamos para anunciar que em 2027 sairá o terceiro volume do Samuel!!!

Simplesmente Samuel, últimos 66 exemplares


As novas caminhadas existênciais de Samuel

Simplesmente Samuel de Tommi Musturi

160p. 20x20cm a cores em papel Orla Cream 140g
capa dura a cores, marcador de fita

à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdMania, ZDB, Linha de Sombra, Mundo FantasmaTigre de PapelMatéria Prima, Snob, Tinta nos Nervos, Universal Tongue e Kingpin Books.

...

Simplesmente Samuel é uma narrativa visual silenciosa, uma homenagem à vida e à existência humana. Samuel é uma figura fantasmagórica que caminha por um mundo colorido (muito parecido com o nosso) praticamente invisível para o que está ao seu redor, como um verdadeiro herói da nossa vida quotidiana e mundana. As vinhetas sem palavras de Simplesmente Samuel lidam com o individualismo e o conceito de liberdade, ponderando nossas atitudes diárias, escolhas e os valores por trás delas - tudo isso através das acções e expressões de Samuel.

Simplesmente Samuel é a continuação de Caminhando Com Samuel (2009), primeiro trabalho de Tommi Musturi com este "pequeno fantasma que caminha", e escolhido pelo jornalista Paul Gravett para o livro de referência 1001 Comics You Must Read Before You Die.

O traço de Musturi exprime uma narrativa contundente, combinando psicadelismo dos seus mundos interiores com uma precisão matemática no acabamento e no design. O universo rico em cores e formas funciona como uma parte da narrativa ecléctica que continua a surpreender o leitor página a página.

Simplesmente Samuel é um romance gráfico peculiar, que induz o leitor a ver e experimentar a arte impressa a um novo nível.

Simplesmente Samuel foi lançado simultaneamente em nove países diferentes - a edição portuguesa foi em parceria com a brasileira A Bolha - incluindo nos EUA pela Fantagraphics Books. Foi nomeado para Melhor Álbum Estrangeiro pela BD Amadora 2017.

...

Sobre o Caminhando Com Samuelum dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos. Sara Figueiredo Costa / Expresso (...) 


Sobre o novo título:

(...) o mesmo tempo entrega-nos instrumentos de interpretação que poderiam permitir-nos ler Simplesmente Samuel como uma imagem de algo para além da aparente simplicidade prometida. O livro é, portanto, uma pequena máquina que tanto permitirá uma leitura de consulta rápida, em que nos deleitamos nas cenas isoladas, nas anedotas por si mesmas, mas também uma mais aturada e ponderada consideração do seu significado holístico (...) Pedro Moura in Ler BD. 

I just had Sam for lunch today, such a visionary guy, childish but in a twisted way, I like him for now, but I have to get to know him better DJ Balli (email)

Samuel es un personaje vacío, sin personalidad, un conducto para que la aventura gráfica se desarrolle. Sin embargo, al mismo tiempo es lo mismo y otra cosa diferente, una recopilación de páginas más experimentales y profundas, donde Musturi ha logrado dar un salto al vacío y llegar un territorio nuevo. The Watcher (em relação à edição espanhola)

Nunca tínhamos visto os colhões ao Sapo Cocas, obrigado Tommi Musturi. Clube do Inferno

Melhores Livros de BD de 2016 no Deus Me Livro

A viagem de Samuel através das páginas transforma-se pois numa estranha meditação sem palavras, contada apenas com desenhos. (...) há inúmeras descobertas a fazer neste belo livro. João Ramalho Santos in Jornal de Letras

Livro seleccionado para prémio pacóvio de 2019 (o livro é de 2016!) pela BD Amadora e FNAC - nem editora ou autor foram avisados de tal!!















...



Tommi Musturi nasceu em 1975, é um dos autores mais excitantes num país onde onde surgem dezenas de autores excitantes!

Desde miúdo que é um activista, começou por editar nos anos 90 singles de Noise Rock e zines de BD sob a chancela Boing Being, em que se destaca a antologia Glömp cujo último número explorou narrativas em três dimensões - número experimental, luxuoso e basilar que teve direito a uma exposição que passou pela Bedeteca de Lisboa em 2009. Apesar de viver em Tampere é um dos elementos mais activos do atelier Kuti Kuti (de Helsinquia) que edita o muy psicadélico jornal de BD Kuti - um caso único no mundo, diga-se de passagem.

As bandas desenhadas de Musturi são quase sempre mudas (sem texto) e de uma comicidade camuflada. Acima de tudo é um humanista que apresenta o seu mundo e as suas personagens de todos ângulos de forma a girá-los num círculo em que a verdade apresenta-se sempre em mutação. No ano de 2011 ganhou o prémio principal da BD finlandesa, Puupäähattu, pela Sociedade Finlandesa de BD. Os seus trabalhos tem sido exibidos e publicados em mais de 10 países - como o The Books of Hope editado pela importante Fantagraphic Books.

No caso português participou nas antologias Quadrado (3ª série, Bedeteca de Lisboa), Mesinha de Cabeceira Popular #200 e no MASSIVE - ambas da Chili Com Carne. Foram também publicado os livros To a stranger (Opuntia Books; 2010) e Beating (MMMNNNRRRG; 2013) dedicados à sua obra gráfica. Este autor já nos visitou várias vezes entre elas na Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009) e no Festival de BD de Beja (2014).

Os livros Caminhando Com Samuel e Simplesmente Samuel, com edição em nove países, têm lhe granjeado fama internacional, sendo que o primeiro título foi uma das obras seleccionadas para o livro de referência 1001 Comics you must read before you die.

Caminhando Com Samuel /// NOVA EDIÇÃO (mais bonita, nova capa, mais páginas) / últimos 3 exemplares!!!


Nova edição do livro de bd de Tommi Musturi
pela MMMNNNRRRG

Tommi Musturi é um dos autores mais importantes na Finlândia, e também como dinamizador da BD. Já visitou várias vezes Portugal: Salão Lisboa 2005, na Feira Laica 2009 na Bedeteca de Lisboa, onde estava patente a exposição da antologia GlömpX, que participou como autor, comissariou e editou, Festival de BD de Beja (2014), Mundo Fantasma, BD Amadora e Tinta nos Nervos. Também já publicou em Portugal na revista Quadrado e no Mesinha de Cabeceira, tendo já um certo culto à sua volta.

Caminhando com Samuel é um livro universal porque a BD é muda (sem palavras), colorida e tão atraente que atinge vários quadrantes de público: o público infantil (embora haja um episódio sangrento), o adulto (que terá trips metafísicas), os colecionadores e os generalistas, os cromos da BD, da ilustração e do street-art (todos irão aprender com a técnica de Musturi), e até os "peter-pans" dos toys terão tesão - é uma promessa séria porque na MMMNNNRRRG sempre fomos muito sérios!
...
160p. a cores, 21x21cm, capa dura
com marcador de fita
...
PVP : 20€ à venda na loja em linha da Chili Com Carne, Mundo Fantasma, Matéria Prima, ZDB, Tigre de PapelUniversal TongueUtopia, Tinta nos Nervos, Kingpin Books e It's a Book.

exemplos de páginas :




...

Historial:

obra seleccionada para a Bedeteca Ideal 
... 
nomeado para Melhor Álbum, Melhor Desenho e Melhor Argumento Estrangeiro para os Prémios Central Comics 
... 
... 
Feedback: 
é muito bom o livro - vou precisar de outro livro porque ofereci o meu 
Travassos (Cleanfeed, Shhhpuma)

um dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos
Sara Figueiredo Costa / Expresso 

(...) não necessita que se diga muito sobre ela. E não é por ser uma bd muda. Nesta edição excelente da Mmmnnnrrrg é uma obra que precisa sobretudo de ser saboreada. Ao som ritmado dos passos 

Dos gelos da Finlândia chega a saga psicadélica do pequeno gnomo Samuel. É a mais relevante edição de BD produzida em território nacional este ano. 
João Chambel (Heróis da Literatura Portuguesa)

But Samuel is not the ultimate Godhead, as we have seen; he is played by a higher hand: Samuel is not just any puppet, he is THE puppet, a perfect in-between character, a mirror of both God and us.

I have been looking at the Musturi comic every day since I got it, so beautiful and imaginary!
Christopher Webster (Malus)

Gramei o Samuel. BD contemplativa. é um equilíbrio bem subtil entre o desenho clínico, o abstraccionismo da história e o uso das cores. Fiquei curioso com a continuação: a recompensa do final acaba por não ser o mais importante aqui (...)
B Fachada

Carne para Canhone #5 nas últimas!!!

Já podem procurar o novo número do jornal de BD CARNE PARA CANHÃO uma vez que os nossos rivais estão a deixar de existir ou de serem distribuídos na eterna espera pela falência da VASP e à falta de locais de venda graças à turistificação do país.

... 

São 16 páginas a preto e branco com participações de Rui Moura (capa e ilustração), Beatriz Brajal, Luís Barreto, Alexandra Saldanha, Ângela Cardinhos, José Smith Vargas (quando tinha 17 anos!!), Zé Lázaro Lourenço, Anaís Fernandes, Léo, Rodolfo Mariano e Carlos Carcassa (BDs), Hugo Noronha de Almeida, Leonor Garcia e Marcos Farrajota (textos).

 ...

É grátis como sempre na Ar.Co., BdMania, Bivar, Carbono, Casa da Achada, Casa do Comum, Cinema Ideal, Cinema S. Jorge, Dois Corvos, Flur, Greta, restaurante Joud, Kingpin Books, Letra Livre, Linha de Sombra, Neat Records, Penhasco, Snob, STET, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Vinil Experience, Vortex, ZDB (Lisboa), Bedeteca do Porto, Cassandra, Espaço Musas, Louie Louie, Matéria Prima, Socorro, Trama (Porto), Atelier Abracadabra, Lúcia Lima (Coimbra), Insensato, Papelaria "O Clip" (Tomar), CAAA (Guimarães), Velhotes (Vila Nova de Gaia), Biblioteca de Alpiarça, Carmo'81 (Viseu), Biblioteca das Caldas da Rainha e Meia Volta de Úrano (Cacilhas)

...

40 Ladrões reagiu: a bd dos drones 'tá incrível.

sábado, 11 de abril de 2026

Vale dos Vencidos (2ª ed.) de José Smith Vargas - artigo no Público

Ufa!

:::

O que cabe no espaço geográfico de um largo? 
 Câmara municipal e gestores sociais ambiciosos, moradores e pequenos mafiosos, jovens radicais e antagonistas, imigrantes que fazem a sua cidade à margem. Desde parque de estacionamento informal e local esquecido e até à sua reabilitação e inauguração pelo Presidente da República.
VALE DOS VENCIDOS de José Smith Vargas acompanha durante dois anos (2010/2012) a evolução de um largo no coração de um bairro degradado no centro da capital.

:::

VALE DOS VENCIDOS de José Smith Vargas, é um extenso livro publicado pela Associação Chili Com Carne, sendo uma obra realizada ao abrigo de uma bolsa de criação literária da DGLAB/MC e foi inspirada no projecto vencedor do concurso Toma lá 500 paus e Faz uma BD! (2014)


VALE DOS VENCIDOS é a estreia em livro de José Smith Vargas. Este volume, que já leva uma década de investigação, inclui várias bandas desenhadas sobre a ascenção e queda da cidade de Lisboa e que informam uma insuflada "graphic novel" sobre um bairro específico em que qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real não terá sido mera coincidência. As lutas sociais, os engodos das renovações urbanas e das associações culturais, os jogos políticos ou os dealers na street, são aqui brilhantemente expostos numa cacofonia de vozes e intervenientes no terreno. Uma abordagem documentarista que parece uma montanha que irá parir uma marca branca na realidade de mais uma capital europeia. Bravo! in Binocle Magazine Issue 167 (Oct 2023)

:::



 Primeira edição esgotada.
 
Nova edição disponível na nossa loja em linha e também na BdMania, Kingpin, Letra Livre, Linha de Sombra, Matéria Prima, Mundo FantasmaNeat Records, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Socorro, Utopia, Casa da Achada, Vida Portuguesa, Centro de Cultura Libertária, Tortuga, Cassandra e ZDB. E na TFM (Frankfurt)





Historial:

Uma exposição homónima de originais de Banda Desenhada esteve patente na BD Amadora 2023 e com sessão de autógrafos e 28 de Outubro
...

Lançamento oficial na Casa da Achada - Centro Mário Dionísio no dia 17 de Novembro 2023 com presença do autor, Marcos Farrajota e Luís Mendes

...

Apresentação a 16 de Dezembro 2023, com Andreia Farrinha, José Smith Vargas e Marcos Farrajota, às 16h + Festa do Vale com Phantom, Focolitus e Kafundo NoSoundsystem, às 21h na Casa do Comum (Lisboa) no âmbito da Parangona 2

...

Melhores livros de 2023 do Expresso

...

Entrevista na Esquerda.net

...

Entrevista no Pranchas & Balões

...

5 estrelas no Expresso

...

4,5 estrelas no Público

...

Páginas centrais do jornal Mapa fazendo um "companion" para conhecer as principais personagens do livro

...

Entrevista em Todas as Palavras / RTP

...

Mostra virtual Opressores e Oprimidos no Parque Silva Porto, Benfica, Lisboa no âmbito do projecto Story Tellers entre 21 de Março e 20 de Junho 2024.
 
...
 
Segunda impressão livro em Abril 2024

...

inspiração para o videojogo Overuse
 
...
 
Apresentação na Feira Anarquista do Livro, 22 Setembro na Casa da Achada, Lisboa, às 18h30 - conversa em torno do livro (...) que pinta um fresco sobre os últimos cartuchos de uma cidade de Lisboa prestes a ser virada do avesso pela Horda Dourada do turismo massificado. Entre lutas sociais, associações resistentes, fraudulentas renovações urbanas, jogos políticos, ou só deals na street, passa-se em revista o que se perdeu no processo de gentrificação em curso

...

Nomeado para Melhor Obra Portuguesa na BD Amadora 2024
 
...
 
artigo com José Smith Vargas no Público / Ípsilon










Feedback:

Ainda não te disse nada acerca do livro, porque fiquei sem palavras. (...) Parabéns  ao Smith , assim valeu a pena esperar 10 anos. Que trabalheira! Nem sequer estou a falar do numero de paginas, podia ter 1000 paginas e ser uma merda na mesma. Em termos de pesquisa, planeamento, desenho e argumento, 'tá excelente dá para ver que ele viveu isso, não é como muitos projectos de bd de pessoal "conhecido e ilustres" que escolhem falar de bairros, e cidades ou de sardinhas e malmequeres e fados por motivos financeiros e para se autopromoverem. Também fiquei contente por ele desenhar pessoal da distribuicão a descarregar material com carrinhos de mão (...)
David Campos (por email)

...

O José Smith Vargas abriu as costuras da realidade e retirou de lá de dentro um feio tumor albugíneo para que toda a gente veja bem o que nos fazem a democracia burguesa e a luta de classes com logótipo partidário.
Rodolfo Mariano (por email)

...

(...) Daí que se encontrem no livro de Smith Vargas poucos instrumentos costumeiros na construção da banda desenhada regrada esteticamente nos nossos dias – pelo mais prestigioso “pacote” do “romance gráfico”, tais como a manutenção de uma absoluta consistência estilística ou a composição de páginas com efeitos de significação “extra”, a eleição de um arco narrativo aristotélico ou uma clara “redenção” ou sequer “resolução” de uma suposta crise, etc. - e uma maior liberdade circunstancial do que é necessário mostrar. Ou seja, seria fácil criticar o livro por uma certa falta de unidade, ou ter uma coerência titubeante, mas queremos esgrimir o argumento que esse caos ou anarquia é necessário para a própria matéria política do que é discutido.

...

(...) uma polifonia de histórias onde falta futuro, mas onde se afirma uma reflexão crítica sobre as razões concretas dessa falta. 
Sara Figueiredo Costa in Expresso

...

(...) li o Vale dos Vencidos de fio a pavio num único dia: valeu a espera de dez anos, porra! Grande livro, quase tenho pena de não ter posto os pés no Amadora BD para ver os originais. Não serei a primeira pessoa a notar isto, mas acho interessante que a Chili tenha publicado dois retratos muito fiéis de dois momentos históricos das duas maiores cidades do país: Companheiros da Penumbra e agora este (fico a aguardar o visceral retrato da Coimbra do Rodolfo Mariano!). Mas isto para dizer que fiquei a pensar que se perceber que a Chilli começa a ser um repositório de momentos muito específicos das cidades, dos movimentos e das pessoas sobre as quais assentam um conjunto de transformações radicais, mas cujos protagonistas anónimos ficam de fora. O retrato das faunas uranas da Mouraria estão extraordinários e revi imensas pessoas com as quais me cruzei desde que estou em Lisboa: o Fanã, em particular, é toda uma fauna por si só (e um nome que só consigo entoar na minha cabeça com o sotaque lisboeta).
AP (por email) 

...

 José Smith Vargas desenhou a crónica do desaparecimento de uma certa Lisboa Sobre uma mesa, na sala maior daquele pólo cultural de Lisboa, encontra-se Vale dos Vencidos (...) a obra de banda desenhada é composta, sobretudo, pela história que lhe dá o nome: aquela que relata, entre a ficção e as memórias, a requalificação de um bairro, de seu nome Vale dos Vencidos, numa cidade chamada Merídia. 

...

(...) Este volume documenta cerca de uma década de transformações no bairro da Mouraria sem se privar de ser uma ficção mordaz, por vezes surreal, sobre o absurdo da gentrificação, visto por dentro - através da história de um barracão, que em tempos albergou o colectivo Da Barbuda, uma espécie de confraria libertária, como das histórias de fadistas e taberneiros, imigrantes e gunas, artistas e empreendedores.

...

As narrativas reais de reflexão-intervenção (...) são uma forma de BD ainda com pouca expressão entre nós. (...) blah bla bullshit e depois esta: o notável "Companheiros do Crepúsculo" de Nunsky (sic) bla bla bla sem nada para dizer e não tendo percebido a obra...
João Ramalho Santos in JL (ou será JLOL?) 
 
A propósito, estou a acabar o Vale dos Vencidos e gostei. Achei a ideia de representar os políticos do sistema só com uma linha, tipo linha clara, excelente (e diz muito do que é o sistema fascista, linha clara). É como se não tivessem substância corpórea. Suponho que a canção vencida é o fado, não? E há também o rei da canção vencida versão Vhils. Impagável.
Domingos Isabelinho (via email)

(...) moi boa historia, boa obra!
Manel Cráneo (via email)



quinta-feira, 9 de abril de 2026

Artificial Social


A minha excitação de saber que passadas duas décadas ia haver finalmente e outra vez um fanzine dedicado à reflexão sobre a Banda Desenhada, tornou-se inversamente proporcional à desilusão da sua leitura. Acho o Artifício #1 (Goteira; Mar'26) tão desapontante que esta resenha podia já estar acabada com apenas com estas duas frases. No entanto, dado ao excesso de solipsismo e fofura das autorias da publicação, acho que explicarei porquê...

Quem escreve no Artifício já são pessoas maiores, vacinadas, com mais de 25 anos - tirando a Emília Silva (mas que frequenta o ensino universitário) - e por isso tem a obrigação de serem mais críticas e exigentes em relação a tudo que escrevam. Ora o que se tem nas mãos é um "diário de uma adolescente" que não diz por quem está apaixonada com medo que o diário vá parar às mãos erradas. Por exemplo, o facto da BDteca de Viseu ser um depósito de livros de um "bedófilo" que usa um espaço público para ter lá a sua colecção intocável (os leitores não podem fazer empréstimo domiciliário) passa ao lado da Biakosta que prefere falar do pequeno almoço do hotel quando esteve presente no Encontro Nacional de Bedetecas, em Viseu no Maio passado. Os nomes da Chili Com Carne (e outras editoras? quais?), a minha pessoa (apesar de ter sido retratado) e a do italiano Andrea Bruno não são referidas na "BD-ensaio" de Emília Silva apesar de ela nos aludir, porquê? Não é questão de ego que reclamo aqui a minha identificação ou dos meus projectos que estou envolvido (Chili) ou dos meus amigos (o Andrea) mas se Silva quer comunicar, divulgar e expandir para as pessoas fora deste meio que "não é tão grande como lhe parecia" (as palavras são dela) então porque não refere ipso facto o que é o quê ou quem é quem? 

O que é que interessa o orçamento do evento Miragem descrito pela Amargo? Que eu saiba a Goteira não roubou dinheiro (ao contrário do que deve ter acontecido com os três anos de obras da Bedeteca de Lisboa pela Junta dos Olivais) para estar a fazer estas contas públicas. Nem é o dinheiro que faz com que os artistas ou os organizadores DIY deixem de fazer coisas, especialmente porque neste meio existe solidariedade e respeito pelos pares - o dinheiro não traz felicidade, é o que se diz por aí, agora, discutir ideias e criticar trabalho isso sim, trás mais-valia para a cabeça. Por isso, em contrapartida à aula de contabilidade, ficou de fora a possibilidade dela descrever a excelente programação que a Goteira fez nesse evento. Não saberemos quão importante foi ver as performances do Luís Barreto ou da Mariana Pita, como eles fizeram o interface entre BD e música e como isso foi de longe mais divertido e interessante que aquelas punhetas dos desenhos ao vivo com bandinha a tocar que se vê em Angoulême ou em Beja. zzzzzzzzzzzzzzzzzzz E quem é a "Rosa" e o "Marcos", doce Amargo? "Amiguinhos" que vos arranjaram guita? Ou dois profissionais que tem apelidos e que já fizeram programação importante neste país e lá fora que vos convidaram para fazer o melhor evento de BD autoral de 2025? Ou achas que já toda a gente sabe quem eles são? Serão os leitores da Artifício exclusivamente gajos da BD que sabem de tudo deste gueto cultural ou são potenciais novos leitores sem vícios? Ou as editoras deste fanzine invocarão a desculpa é que com um dedinho no "smartphone" ficas logo a saber o que não se escreveu correctamente no fanzine? Nenhuma das opções me parecem saudáveis a qualquer nível. 

Da Ucrânia onde Ana Margarida Matos esteve - "sim, ainda se pensa em BD e ilustração em plena invasão" - nada se transmite de lá: organizações, situações ou artistas para conhecermos a realidade deste país invadido. A Matos foi mesmo lá? Até fico desconfiado se não é "fake news"... Por alguma vergonha alheia não conseguiu escrever alguma coisa horrível que sentiu lá? Se não tem essa desculpa então deixou a malta da cena gráfica ucraniana ao abandono, o que me parece desonesto, pobre e egoísta. O texto da Rita Mota é igualmente inútil mas fiquei a saber que trabalho deverei colocar numa parede húmida... 

Dyscomica seria o escritor que poderia fazer mais contacto com o "exterior" (leitores que não sabem quem é o Farrajota ou a Barreto, por exemplo) ao escrever pequenas resenhas sobre livros de BD (quase todos eles bons) mas esqueceu-se dos nomes das editoras (um marco de qualidade para quem não tem referências!), anos de publicação (os livros serão geração espontânea ou intemporais?), uma dica sobre onde arranjar os livros (ou esta gente consome tudo da Amazon sem um pingo de consciência social?),... e é imperdoável que alguém escreva sobre o Imai Arata sem referir que o seu segundo livro que foi publicado em Portugal. Novamente, não é por ser edição da Chili Com Carne (com a Sendai) que chamo a atenção a isto mas porque é um autor desconhecido (até no Japão) e não é todos os dias que autores fora do sistema comercial são publicados em Portugal - se até o Chester Brown alguma vez fosse publicado cá pela Levoir acho que ia até fazer um stencil a dizer "Leiam Chester Brown" e bombá-lo por Lisboa inteira para comemorar isso.

Os textos em geral lembram-me o que a Joana Mosi escrevia o seu "blogue" - Estante da Mosi - em 2014 ou coisa que o valha. Era uma escrita simples de uma miúda universitária mas que deveria ser a única da sua geração a fazê-lo, a única a escrever sobre a sua descoberta de livros de BD ou assuntos relacionados - como as ordinárias Comic Cons - e se o conteúdo não era o mais relevante do universo, era importante o acto em si! Isto porque as pessoas deixaram de escrever (ou saber escrever?) quando veio o fenómeno das "redes sociais" que ao contrário da época das blogosfera, é muito mais visual (geralmente partilham-se fotos, vídeos, cartons ou mini-BDs) e menos intelectual, não só porque não se escreve tanto como está viciado com os seus polegares-para-cima e corações de apoio. Seja como for, a Mosi apagou esse seu "blogspot" há poucos anos, se calhar, para não sentir "cringe" (que moderno usar este termo, hein!?) do seu passado "literário". "Coisa-Cringe" que as "Goteiras" não vão poder fazer ao terem tido esta coragem inabalável (e de tirar o chapéu!) de publicar em papel, por isso, isto só irá desaparecer quando o último exemplar arder no Inverno Nuclear! 

Todos os conteúdos parecem feitos por adolescentes mimados - como foi a Mosi há 10 anos atrás e antes dela outras pessoas na 'net ou em papel - em que tudo é fantástico ou fascinante o que descrevem, tudo é maravilhoso e tudo é feito em torno dos autores dos próprios textos - mas sem a piada do jornalismo gonzo. Parece que o mundo não existe apesar de terem ido à Alemanha, Ucrânia, Itália e Bélgica. O relato mais sensato e que ainda se aprende algo será a da Rita Torres sobre o festival Snail Eye em Leipzig. Obrigado!

Terá esta geração sido educada a ouvir aquele Hip Hop Xunga em que os MCs fartam-se de referir milhares de inimigos nas letras que lhes vão roubar as rimas mas que na realidade não é verdade, eles apenas não existem... é só para o estilo!? Isto foi-me confirmado por um rapper do Porto, o Ex-Peão. Estarão com medo de escrever sobre as coisas negativas? Ou terem uma opinião assertiva que ofenda alguém? Não se preocupem, minhas caras, num meio tão ignorante como o da BD, rapidamente farão inimigos! Não é preciso mutilar o intelecto ou o sentido crítico, a xungaria irá vos aparecer mais dia menos dia! De certeza que já há uns idiotas que não curtem as BDs da Goteira & cia... 

Este número inaugural foi pensado como um especial "BD fora das páginas" e prometia. Não é pelos seus "relatores" afunilarem-se em experiências muito próximas da sua própria autoria - este fanzine poderia ser intitulado de "Relatório Anual d'A Goteira 2025", pode soar a irónico mas não haveria nenhum mal se assim se chamasse, foi um ano importante para este colectivo portuense. Mas escrevia, não é por centrarem-se em si que o conteúdo tenha de ser mau ou uma perda de tempo, pelo contrário, é importante registrar esses momentos mas é preciso pensar mais sobre eles, ser mais profundo do que o brilho do écran.

Nitidamente que o Artifício ficou aquém do seu potencial por falta de experiência de escrita impressa. Espero pelo segundo número ainda com fervor porque acredito nas pessoas envolvidas mas vai ser dura a espera dos próximos seis meses!