blogzine da chili com carne

sábado, 11 de abril de 2026

Punk Comix nas Caldas

 


Os restos mortais da exposição de Alpiarça seguem prás Caldas! O livro é que está esgotadão mas tentem a Neat Records e Disgraça, pode ser que ainda lá haja um exemplar à toa. Este ano seja como for a Chili Com Carne irá reeditá-lo com novas capas de José Smith Vargas e João Silvestre!

"Trinta Anos a Monte : a minha vida punk" de Gilles Bertin na Metal Soldiers e Vinil Experience

 

Ao longo do relato de uma vida frenética, Gilles Bertin (1961-2019) abre-nos uma janela para a densidade dos meios punk e para a passagem à grande criminalidade no cruzamento com as lutas independentistas bascas. Este relato de fugas entre Espanha e Portugal mostra-nos desde as dificuldades do vício da heroína à chegada da Sida. É um testemunho que nos dá a ver a aventura louca de um grupo de punks e anarquistas que protagonizaram um dos maiores roubos do século XX. Nesta autobiografia, Bertin mostra-nos o caminho que levou a que o cantor Camera Silens organizasse o roubo da Brinks de Toulouse, em 1988. E depois é a fuga, a chegada a Espanha, a troca de identidade (...), a sobrevivência, a abdicação de tudo. É na chegada a Portugal que Gilles regressa ao mundo da música, ao abrir uma loja de discos (...)

Depois de alguns anos em Portugal, descobre que é seropositivo. Quando a doença piora, Gilles parte para Barcelona, e é nessa cidade que toma a decisão de se entregar à justiça francesa em 2016. Em 2018, é condenado a 5 anos de pena suspensa. 11,8 milhões de francos e 30 anos de fuga mais tarde, Gilles Bertin permanece como esteio dessa memória punk e anarca europeia que vai desaparecendo.  

in A Batalha - Jornal de Expressão Anarquista

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co-editado pela Chili Com Carne e Thisco, 25º volume da colecção THISCOvery CCChannel

224p 16,5x23cm, todo a preto e branco 

ISBN: 978-989-8363-56-5

Esta edição portuguesa inclui mais documentos visuais que a original francesa, para além de uma Banda Desenhada de 24 páginas de José Smith Vargas, celebrando a actividade da loja de discos TORPEDO. 

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O livro já está disponível na nossa loja em linha, Carbono, Clockwork, Flur, Kingpin Books, Linha de Sombra, Neat Records, Snob, Tigre de Papel, Vinil Experience (Lisboa), Metal Soldiers e Universal Tongue

Brevemente na Matéria Prima, BdMania, Velhotes, ZDB e Tinta nos Nervos...

 

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FEEDBACK

 Estou a gostar muito do livro do Bertin: sem qualquer pretensão intelectual ou afetação burguesa, escrito num estilo desengonçado, é um testemunho válido de uma vida e de uma época que, a dada altura, se cruzaram também comigo, ainda que de forma tangencial - foi na Torpedo que pusemos à venda o Novos Panoramas do Globo / Baladas de Holywood, no início de 1992, com direito a cartaz prontamente afixado na vitrine. Agora percebo que havia muita tensão por detrás daquela postura amigável, mas algo reservada, do Gilles. Para além disso, o livro está cheio de ensinamentos - práticos, estéticos, políticos. (...)

Daniel Lopes (via email)

 

Vale dos Vencidos (2ª ed.) de José Smith Vargas - artigo no Público

Ufa!

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O que cabe no espaço geográfico de um largo? 
 Câmara municipal e gestores sociais ambiciosos, moradores e pequenos mafiosos, jovens radicais e antagonistas, imigrantes que fazem a sua cidade à margem. Desde parque de estacionamento informal e local esquecido e até à sua reabilitação e inauguração pelo Presidente da República.
VALE DOS VENCIDOS de José Smith Vargas acompanha durante dois anos (2010/2012) a evolução de um largo no coração de um bairro degradado no centro da capital.

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VALE DOS VENCIDOS de José Smith Vargas, é um extenso livro publicado pela Associação Chili Com Carne, sendo uma obra realizada ao abrigo de uma bolsa de criação literária da DGLAB/MC e foi inspirada no projecto vencedor do concurso Toma lá 500 paus e Faz uma BD! (2014)


VALE DOS VENCIDOS é a estreia em livro de José Smith Vargas. Este volume, que já leva uma década de investigação, inclui várias bandas desenhadas sobre a ascenção e queda da cidade de Lisboa e que informam uma insuflada "graphic novel" sobre um bairro específico em que qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real não terá sido mera coincidência. As lutas sociais, os engodos das renovações urbanas e das associações culturais, os jogos políticos ou os dealers na street, são aqui brilhantemente expostos numa cacofonia de vozes e intervenientes no terreno. Uma abordagem documentarista que parece uma montanha que irá parir uma marca branca na realidade de mais uma capital europeia. Bravo! in Binocle Magazine Issue 167 (Oct 2023)

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 Primeira edição esgotada.
 
Nova edição disponível na nossa loja em linha e também na BdMania, Kingpin, Letra Livre, Linha de Sombra, Matéria Prima, Mundo FantasmaNeat Records, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Socorro, Utopia, Casa da Achada, Vida Portuguesa, Centro de Cultura Libertária, Tortuga, Cassandra e ZDB. E na TFM (Frankfurt)





Historial:

Uma exposição homónima de originais de Banda Desenhada esteve patente na BD Amadora 2023 e com sessão de autógrafos e 28 de Outubro
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Lançamento oficial na Casa da Achada - Centro Mário Dionísio no dia 17 de Novembro 2023 com presença do autor, Marcos Farrajota e Luís Mendes

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Apresentação a 16 de Dezembro 2023, com Andreia Farrinha, José Smith Vargas e Marcos Farrajota, às 16h + Festa do Vale com Phantom, Focolitus e Kafundo NoSoundsystem, às 21h na Casa do Comum (Lisboa) no âmbito da Parangona 2

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Melhores livros de 2023 do Expresso

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Entrevista na Esquerda.net

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Entrevista no Pranchas & Balões

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5 estrelas no Expresso

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4,5 estrelas no Público

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Páginas centrais do jornal Mapa fazendo um "companion" para conhecer as principais personagens do livro

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Entrevista em Todas as Palavras / RTP

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Mostra virtual Opressores e Oprimidos no Parque Silva Porto, Benfica, Lisboa no âmbito do projecto Story Tellers entre 21 de Março e 20 de Junho 2024.
 
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Segunda impressão livro em Abril 2024

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inspiração para o videojogo Overuse
 
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Apresentação na Feira Anarquista do Livro, 22 Setembro na Casa da Achada, Lisboa, às 18h30 - conversa em torno do livro (...) que pinta um fresco sobre os últimos cartuchos de uma cidade de Lisboa prestes a ser virada do avesso pela Horda Dourada do turismo massificado. Entre lutas sociais, associações resistentes, fraudulentas renovações urbanas, jogos políticos, ou só deals na street, passa-se em revista o que se perdeu no processo de gentrificação em curso

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Nomeado para Melhor Obra Portuguesa na BD Amadora 2024
 
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artigo com José Smith Vargas no Público / Ípsilon










Feedback:

Ainda não te disse nada acerca do livro, porque fiquei sem palavras. (...) Parabéns  ao Smith , assim valeu a pena esperar 10 anos. Que trabalheira! Nem sequer estou a falar do numero de paginas, podia ter 1000 paginas e ser uma merda na mesma. Em termos de pesquisa, planeamento, desenho e argumento, 'tá excelente dá para ver que ele viveu isso, não é como muitos projectos de bd de pessoal "conhecido e ilustres" que escolhem falar de bairros, e cidades ou de sardinhas e malmequeres e fados por motivos financeiros e para se autopromoverem. Também fiquei contente por ele desenhar pessoal da distribuicão a descarregar material com carrinhos de mão (...)
David Campos (por email)

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O José Smith Vargas abriu as costuras da realidade e retirou de lá de dentro um feio tumor albugíneo para que toda a gente veja bem o que nos fazem a democracia burguesa e a luta de classes com logótipo partidário.
Rodolfo Mariano (por email)

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(...) Daí que se encontrem no livro de Smith Vargas poucos instrumentos costumeiros na construção da banda desenhada regrada esteticamente nos nossos dias – pelo mais prestigioso “pacote” do “romance gráfico”, tais como a manutenção de uma absoluta consistência estilística ou a composição de páginas com efeitos de significação “extra”, a eleição de um arco narrativo aristotélico ou uma clara “redenção” ou sequer “resolução” de uma suposta crise, etc. - e uma maior liberdade circunstancial do que é necessário mostrar. Ou seja, seria fácil criticar o livro por uma certa falta de unidade, ou ter uma coerência titubeante, mas queremos esgrimir o argumento que esse caos ou anarquia é necessário para a própria matéria política do que é discutido.

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(...) uma polifonia de histórias onde falta futuro, mas onde se afirma uma reflexão crítica sobre as razões concretas dessa falta. 
Sara Figueiredo Costa in Expresso

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(...) li o Vale dos Vencidos de fio a pavio num único dia: valeu a espera de dez anos, porra! Grande livro, quase tenho pena de não ter posto os pés no Amadora BD para ver os originais. Não serei a primeira pessoa a notar isto, mas acho interessante que a Chili tenha publicado dois retratos muito fiéis de dois momentos históricos das duas maiores cidades do país: Companheiros da Penumbra e agora este (fico a aguardar o visceral retrato da Coimbra do Rodolfo Mariano!). Mas isto para dizer que fiquei a pensar que se perceber que a Chilli começa a ser um repositório de momentos muito específicos das cidades, dos movimentos e das pessoas sobre as quais assentam um conjunto de transformações radicais, mas cujos protagonistas anónimos ficam de fora. O retrato das faunas uranas da Mouraria estão extraordinários e revi imensas pessoas com as quais me cruzei desde que estou em Lisboa: o Fanã, em particular, é toda uma fauna por si só (e um nome que só consigo entoar na minha cabeça com o sotaque lisboeta).
AP (por email) 

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 José Smith Vargas desenhou a crónica do desaparecimento de uma certa Lisboa Sobre uma mesa, na sala maior daquele pólo cultural de Lisboa, encontra-se Vale dos Vencidos (...) a obra de banda desenhada é composta, sobretudo, pela história que lhe dá o nome: aquela que relata, entre a ficção e as memórias, a requalificação de um bairro, de seu nome Vale dos Vencidos, numa cidade chamada Merídia. 

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(...) Este volume documenta cerca de uma década de transformações no bairro da Mouraria sem se privar de ser uma ficção mordaz, por vezes surreal, sobre o absurdo da gentrificação, visto por dentro - através da história de um barracão, que em tempos albergou o colectivo Da Barbuda, uma espécie de confraria libertária, como das histórias de fadistas e taberneiros, imigrantes e gunas, artistas e empreendedores.

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As narrativas reais de reflexão-intervenção (...) são uma forma de BD ainda com pouca expressão entre nós. (...) blah bla bullshit e depois esta: o notável "Companheiros do Crepúsculo" de Nunsky (sic) bla bla bla sem nada para dizer e não tendo percebido a obra...
João Ramalho Santos in JL (ou será JLOL?) 
 
A propósito, estou a acabar o Vale dos Vencidos e gostei. Achei a ideia de representar os políticos do sistema só com uma linha, tipo linha clara, excelente (e diz muito do que é o sistema fascista, linha clara). É como se não tivessem substância corpórea. Suponho que a canção vencida é o fado, não? E há também o rei da canção vencida versão Vhils. Impagável.
Domingos Isabelinho (via email)

(...) moi boa historia, boa obra!
Manel Cráneo (via email)



quinta-feira, 9 de abril de 2026

Artificial Social


A minha excitação de saber que passadas duas décadas ia haver finalmente e outra vez um fanzine dedicado à reflexão sobre a Banda Desenhada, tornou-se inversamente proporcional à desilusão da sua leitura. Acho o Artifício #1 (Goteira; Mar'26) tão desapontante que esta resenha podia já estar acabada com apenas com estas duas frases. No entanto, dado ao excesso de solipsismo e fofura das autorias da publicação, acho que explicarei porquê...

Quem escreve no Artifício já são pessoas maiores, vacinadas, com mais de 25 anos - tirando a Emília Silva (mas que frequenta o ensino universitário) - e por isso tem a obrigação de serem mais críticas e exigentes em relação a tudo que escrevam. Ora o que se tem nas mãos é um "diário de uma adolescente" que não diz por quem está apaixonada com medo que o diário vá parar às mãos erradas. Por exemplo, o facto da BDteca de Viseu ser um depósito de livros de um "bedófilo" que usa um espaço público para ter lá a sua colecção intocável (os leitores não podem fazer empréstimo domiciliário) passa ao lado da Biakosta que prefere falar do pequeno almoço do hotel quando esteve presente no Encontro Nacional de Bedetecas, em Viseu no Maio passado. Os nomes da Chili Com Carne (e outras editoras? quais?), a minha pessoa (apesar de ter sido retratado) e a do italiano Andrea Bruno não são referidas na "BD-ensaio" de Emília Silva apesar de ela nos aludir, porquê? Não é questão de ego que reclamo aqui a minha identificação ou dos meus projectos que estou envolvido (Chili) ou dos meus amigos (o Andrea) mas se Silva quer comunicar, divulgar e expandir para as pessoas fora deste meio que "não é tão grande como lhe parecia" (as palavras são dela) então porque não refere ipso facto o que é o quê ou quem é quem? 

O que é que interessa o orçamento do evento Miragem descrito pela Amargo? Que eu saiba a Goteira não roubou dinheiro (ao contrário do que deve ter acontecido com os três anos de obras da Bedeteca de Lisboa pela Junta dos Olivais) para estar a fazer estas contas públicas. Nem é o dinheiro que faz com que os artistas ou os organizadores DIY deixem de fazer coisas, especialmente porque neste meio existe solidariedade e respeito pelos pares - o dinheiro não traz felicidade, é o que se diz por aí, agora, discutir ideias e criticar trabalho isso sim, trás mais-valia para a cabeça. Por isso, em contrapartida à aula de contabilidade, ficou de fora a possibilidade dela descrever a excelente programação que a Goteira fez nesse evento. Não saberemos quão importante foi ver as performances do Luís Barreto ou da Mariana Pita, como eles fizeram o interface entre BD e música e como isso foi de longe mais divertido e interessante que aquelas punhetas dos desenhos ao vivo com bandinha a tocar que se vê em Angoulême ou em Beja. zzzzzzzzzzzzzzzzzzz E quem é a "Rosa" e o "Marcos", doce Amargo? "Amiguinhos" que vos arranjaram guita? Ou dois profissionais que tem apelidos e que já fizeram programação importante neste país e lá fora que vos convidaram para fazer o melhor evento de BD autoral de 2025? Ou achas que já toda a gente sabe quem eles são? Serão os leitores da Artifício exclusivamente gajos da BD que sabem de tudo deste gueto cultural ou são potenciais novos leitores sem vícios? Ou as editoras deste fanzine invocarão a desculpa é que com um dedinho no "smartphone" ficas logo a saber o que não se escreveu correctamente no fanzine? Nenhuma das opções me parecem saudáveis a qualquer nível. 

Da Ucrânia onde Ana Margarida Matos esteve - "sim, ainda se pensa em BD e ilustração em plena invasão" - nada se transmite de lá: organizações, situações ou artistas para conhecermos a realidade deste país invadido. A Matos foi mesmo lá? Até fico desconfiado se não é "fake news"... Por alguma vergonha alheia não conseguiu escrever alguma coisa horrível que sentiu lá? Se não tem essa desculpa então deixou a malta da cena gráfica ucraniana ao abandono, o que me parece desonesto, pobre e egoísta. O texto da Rita Mota é igualmente inútil mas fiquei a saber que trabalho deverei colocar numa parede húmida... 

Dyscomica seria o escritor que poderia fazer mais contacto com o "exterior" (leitores que não sabem quem é o Farrajota ou a Barreto, por exemplo) ao escrever pequenas resenhas sobre livros de BD (quase todos eles bons) mas esqueceu-se dos nomes das editoras (um marco de qualidade para quem não tem referências!), anos de publicação (os livros serão geração espontânea ou intemporais?), uma dica sobre onde arranjar os livros (ou esta gente consome tudo da Amazon sem um pingo de consciência social?),... e é imperdoável que alguém escreva sobre o Imai Arata sem referir que o seu segundo livro que foi publicado em Portugal. Novamente, não é por ser edição da Chili Com Carne (com a Sendai) que chamo a atenção a isto mas porque é um autor desconhecido (até no Japão) e não é todos os dias que autores fora do sistema comercial são publicados em Portugal - se até o Chester Brown alguma vez fosse publicado cá pela Levoir acho que ia até fazer um stencil a dizer "Leiam Chester Brown" e bombá-lo por Lisboa inteira para comemorar isso.

Os textos em geral lembram-me o que a Joana Mosi escrevia o seu "blogue" - Estante da Mosi - em 2014 ou coisa que o valha. Era uma escrita simples de uma miúda universitária mas que deveria ser a única da sua geração a fazê-lo, a única a escrever sobre a sua descoberta de livros de BD ou assuntos relacionados - como as ordinárias Comic Cons - e se o conteúdo não era o mais relevante do universo, era importante o acto em si! Isto porque as pessoas deixaram de escrever (ou saber escrever?) quando veio o fenómeno das "redes sociais" que ao contrário da época das blogosfera, é muito mais visual (geralmente partilham-se fotos, vídeos, cartons ou mini-BDs) e menos intelectual, não só porque não se escreve tanto como está viciado com os seus polegares-para-cima e corações de apoio. Seja como for, a Mosi apagou esse seu "blogspot" há poucos anos, se calhar, para não sentir "cringe" (que moderno usar este termo, hein!?) do seu passado "literário". "Coisa-Cringe" que as "Goteiras" não vão poder fazer ao terem tido esta coragem inabalável (e de tirar o chapéu!) de publicar em papel, por isso, isto só irá desaparecer quando o último exemplar arder no Inverno Nuclear! 

Todos os conteúdos parecem feitos por adolescentes mimados - como foi a Mosi há 10 anos atrás e antes dela outras pessoas na 'net ou em papel - em que tudo é fantástico ou fascinante o que descrevem, tudo é maravilhoso e tudo é feito em torno dos autores dos próprios textos - mas sem a piada do jornalismo gonzo. Parece que o mundo não existe apesar de terem ido à Alemanha, Ucrânia, Itália e Bélgica. O relato mais sensato e que ainda se aprende algo será a da Rita Torres sobre o festival Snail Eye em Leipzig. Obrigado!

Terá esta geração sido educada a ouvir aquele Hip Hop Xunga em que os MCs fartam-se de referir milhares de inimigos nas letras que lhes vão roubar as rimas mas que na realidade não é verdade, eles apenas não existem... é só para o estilo!? Isto foi-me confirmado por um rapper do Porto, o Ex-Peão. Estarão com medo de escrever sobre as coisas negativas? Ou terem uma opinião assertiva que ofenda alguém? Não se preocupem, minhas caras, num meio tão ignorante como o da BD, rapidamente farão inimigos! Não é preciso mutilar o intelecto ou o sentido crítico, a xungaria irá vos aparecer mais dia menos dia! De certeza que já há uns idiotas que não curtem as BDs da Goteira & cia... 

Este número inaugural foi pensado como um especial "BD fora das páginas" e prometia. Não é pelos seus "relatores" afunilarem-se em experiências muito próximas da sua própria autoria - este fanzine poderia ser intitulado de "Relatório Anual d'A Goteira 2025", pode soar a irónico mas não haveria nenhum mal se assim se chamasse, foi um ano importante para este colectivo portuense. Mas escrevia, não é por centrarem-se em si que o conteúdo tenha de ser mau ou uma perda de tempo, pelo contrário, é importante registrar esses momentos mas é preciso pensar mais sobre eles, ser mais profundo do que o brilho do écran.

Nitidamente que o Artifício ficou aquém do seu potencial por falta de experiência de escrita impressa. Espero pelo segundo número ainda com fervor porque acredito nas pessoas envolvidas mas vai ser dura a espera dos próximos seis meses!

Mesinha de Cabeceira #44: "2125" de Matilde Basto /// últimos 12 exemplares!!!!


O novo número do Mesinha de Cabeceira com a BD 2125 de Matilde Basto - do mítico Casal de Santa Luzia (MdC #34) - é o divertido regresso de Matilde com esta BD intitulada feita para a mostra virtual do Story Tellers (em Benfica). Modesto panfleto que ironiza o convívio entre duas espécies lisboetas, os humanos e as baratas, Homos e Blattae, all together now!!

Edição limitada de 100 exemplares, 20 páginas 16,5x22cm agrafada, com uma capa em cartolina cinzenta. 

Está disponível na loja virtual da Chili Com Carne e na Snob, Greta, Linha de Sombra (Lisboa), Socorro (Porto) e  Velhotes (V.N. Gaia).
 

Historial

Saiu no FLOP nos Açores (com a presença do Rei da BD Rudolfo) e na Parangona (Lisboa) em Dezembro de 2025. Ei! Não estávamos a gozar sobre os Açores! Lá também há insectos ortópteros e população interessada na leitura destes bichos:
 
 
FEEDBACK:
 
À semelhança do anterior Casal de Santa Luzia a autora volta a compor uma fábula onde animais comuns (dantes os gatos, agora as baratas) coabitam com os humanos em espaços urbanos onde se intui um ameaçador mal-estar, uma sensação de desajustamento, de não pertencer à cidade. Inicialmente, as baratas são representadas como espectros luminosos, em ambientes pontilhados por formas estrelares (idênticas à forma do símbolo do Gemini, talvez a simbolizar uma inteligência superior), e num processo gradual de alteridade, conforme os insectos vão sendo melhor conhecidos e integrados no quotidiano da cidade, vão adquirindo formas mais definidas e simpáticas.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Skier and Yeti : "Adventures in a Blizzard" (Vic Nic; 2026)

 

Como não ficar com um LP cuja capa invoca o "guilty-pleasure" mais "nerd" possível? Editado em Portugal, este disco de estreia do duo sérvio Skier and Yeti tem uma capa que lembra algum "comic-book" parvo da Image e afins. A banda assenta em duas situações que animam sempre: as mascaradas Pop-monstruosas - alô Gwar, Grabba Grabba Tape ou os agora muito "hypescos" Angine de Poitrine - e instrumentos criados pelos próprios na tradição "novelty" de Spike Jones, passando aos Industrialitas mais ferozes como os eslovenos-ex-jugoslavos Laibach, ou Industrialitas mais suaves como Author & Punisher, e ainda o Rock/Pop aos Cleaning Women. Sendo assim temos um esquiador com umas cordas feitas com skis & "snowboards" com um Yeti baterista, iupi! (claro que há pedais de efeitos e outros "gizmos" electrónicos a ajudar as cordas)

A música é rock trólóró, ritmada e festiva com bom sentido de "groove", que irá deliciar o público ao vivo, tal como os nossos comparsas Lobster e dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS. Falta algo para isto ganhar maior dimensão - o Yeti grunhir? O Yeti destruir a bateria? O Yeti bater no esquiador? O esquiador esquiar por cima do público? "Samplarem" a neve a derreter? Sei lá... O LP é de vinil branco puro como a neve artificial dos jogos olímpicos em Itália, divertirá algumas audições até o gozo fazer um "fade-out". Em estudos económicos isso explica-se quando a mercadoria atinge um valor residual de satisfação, até que o consumidor aventurar-se numa nova aquisição. Marx & Freud também terão algo a dizer sobre isso... Até lá, curte-se!

PS - parabéns à Vic Nic, editora de Aveiro que só conheci graças à FEIA, pela excelente apresentação dos seus discos, tudo "top"!

PPS - o disco sai hoje oficialmente!!

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A CADA SETE ONDAS - obra vencedora dos 500 paus 2025 - últimos 7 exemplares

 


A CADA SETE ONDAS 

de 

Beatriz Brajal

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Obra vencedora dos 500 paus deste ano!! 

 

 

Brajal decidiu que o seu trabalho faria sentido ser publicado no fanzine Mesinha de Cabeceira, o que faz todo o sentido dada a tradição de três décadas desta publicação em mostrar talentos novos e frescos no panorama nacional - e internacional. 

O Júri do concurso descreveu a obra com imaginação, conteúdo refrescante e divertido, e excelente técnica e expressividade... sendo que a sinopse não desmente: Nesta catártica e imaginária banda desenhada autoficcionada, Bea e Solha têm uma complicada amizade inter-espécies. Ambos o espelho um do outro, dependentes e erráticos, deparam-se com uma circunstância da vida real.



Número 43 do Mesinha de Cabeceira. Edição limitada de 300 exemplares, 48 páginas 16,5x23 cm todas a cores, agrafada e disponível a 5 euros na loja em linha da Chili Com Carne e em algumas livrarias como a Greta, Kingpin, Linha de Sombra, Snob, Socorro, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB, BdMania, Matéria Prima e Mundo Fantasma.

 



Feedback

(...) Bea e o homem-solha (sem nome no livro) passam um dia juntos: estão numa esplanada, depois leem no jardim (não sendo de todo importante, habitantes de Lisboa reconhecerão os cantos), dançam e deitam-se à sombra das árvores, e finalmente participam numa qualquer performance – drama teatral, espectáculo de dança, vídeo-clip, baile de máscaras, concurso, procissão? Nesse convívio, falam, descobrem-se, e é sobretudo ele que, atento observador, nota nas transformações íntimas dela. A expressão da paixão surge de formas fantasiosas e físicas, tangíveis. (...)

Pedro Moura in Ler BD



Historial

 Lançamento a 27 Setembro 2025 na Tinta nos Nervos com as presenças da autora, Marcos Farrajota (editor), Daniel Lima e João Carola (artistas e docentes) numa alegre conversa. 

Exposição homónima na Tinta nos Nervos, 27 de Setembro a 25 de Outubro 2025. 

 Entrevista no Pranchas & Balões (Out'25)

 

domingo, 5 de abril de 2026

Mundos em Segunda Mão - Volume 2 / últimos 50 exemplares


Mundos em Segunda Mão, volume 2
por
Aleksandar Zograf

Mais um volume cheio de crónicas em BDs publicadas originalmente na revista Vreme, na Sérvia, e depois um pouco por todo o lado. Com prefácio e "CineKomix" de Edgar Pêra

recomenda-se (...) vale a pena conhecer o universo único deste autor, da arqueologia da cultura popular a entrevistas com artistas contemporâneos, passando pela análise de estranhos (mas reveladores) objetos encontrados em feiras da ladra e alfarrabistas por toda a Europa. Jornal de Letras

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Em português, traduções por Sara Figueiredo Costa, Marcos Farrajota e Manuel João Neto. Legendagem DTP e design por Joana Pires.
68p. 16,5x22,5cm a cores.
500 exemplares.

Historial: lançamento na SNOB (Guimarães), 19 de Dezembro 2015, com uma conversa entre Manuel João Neto (tradutor, co-autor de Terminal Tower) e Marcos Farrajota (editor) e projecção de "cinekomixes" de Edgar Pêra ... lançamento lisboeta no dia 22 de Março 2016na sala Luís de Pina da Cinemateca com as presenças de Marcos Farrajota (editor) e Edgar Pêra (que assinou o prefácio e os "cinekómix" do livro) e a exibição do filme On the quest for… Beograd Underground (Espanha / Sérvia; 2012) de Muriel Buzarra. ...

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à venda na loja em linha da CCC e ainda na Mundo FantasmaMatéria Prima, ZDB, Linha de Sombra, Tigre de PapelRastilho e Palavra de Viajante.

Atenção: as BDs de Zograf não tem continuação, o que significa que ler este volume implique ler o anterior - que ainda está disponível aqui.


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Excerto do prefácio de Edgar Pêra: 

Conheci o Aleksandar Zograf há 10 anos. Soube que vinha a Portugal e, como forma de o conhecer, fiz–lhe uma entrevista em formato BD para o jornal Público. Falámos sobre a importância do universo onírico e do estado hipnagógico na sua obra e também da sua vida enquanto Saša Rakezić, vivendo sob os bombardeamentos da NATO. 

(...)

Tal como as antigas colunas gráficas de “Ripley’s Believe it or not”/“Sabia que?”, estes Mundos em Segunda Mão compõem um mosaico de curiosidades interessantíssimas, que tem tanto de geral como de particular. É um universo de conhecimento partilhado. Este segundo volume prossegue a caminhada do pioneiro, com algumas diferenças e excepções. Todas as sequências – quer sejam sobre o Cinema 3D de província ou sobre os campos de concentração – merecem sempre as mesmas duas páginas. Mas, perto do fim do livro, Zograf dedica cinco capítulos a um caderno diário perdido num alfarrabista de rua: com A História de Radoslav coloca-se ao serviço de um desconhecido e homenageia-o narrando excertos da sua vida. São estórias recheadíssimas de peripécias, que por si só dariam um grande romance. Por se tratar de uma adaptação é aparentemente a sequência que mais se aproxima da banda desenhada dita convencional. Mas o seu final abrupto obriga o leitor a regressar ao ambiente de descoberta meteórica do resto do livro. 

(...) 

Estes Mundos em Segunda Mão são afinal mundos em primeiríssima mão, passam sempre pela subjectividade do autor, pelo seu olhar e pelo critério de selecção das narrativas a ilustrar, resultado de uma compulsão para transformar as suas observações e experiências em sequências ilustradas. A vida é revelada sob o prisma da sua arte: pormenores excêntricos merecem atenção triplicada, memórias secundárias são reactivadas. Olhamos para o real sob um ângulo singular. Sem olhar para o umbigo, sem proselitismos, sem querer dar lições de vida, Zograf ensina-nos a olhar para ela de outra forma.


Historial: Lançado no dia 21 de Novembro 2015 na Feira Morta com apresentação por Marcos Farrajota (editor) e projecções de "cinekomixes" de Edgar Pêra... Apresentação na livraria Snob (Guimarães) a 19 de Dezembro por Manuel João Neto e Marcos Farrajota e projecção de "cinekomixes" de Edgar Pêra ...

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Feedback: 
  Zograf ilustra um passado histórico e pictórico que me interessa muitíssimo, seja a recordar episódios de guerra, os bombardeamentos na sua cidade natal, a apresentar os "tesouros" que invariavelmente descobre em feiras de rua ou a contar episódios de infância, passados no seu país, que me parece tão parecido e tão diferente do meu. 
... 
Este volume dá continuidade ao peculiar método de escrita de Zograf, que o aliará a autores como Bill Griffith, David Greenberg ou David Collier: autores que, em vez de criarem imensos blocos de reportagens ou explorações monumentais de um tema (o que podem igualmente fazer), concentram a maior parte do seu trabalho em curtos ensaios ou “artigos” em torno de notícias, eventos, personagens ou aspectos da realidade humana que não parecem possuir qualquer importância para a transformação das sociedades. (...) Como explica de modo perfeito o prólogo de Edgar Pêra, estas “notículas” fazem-nos lembrar as rubricas Ripley’s believe or not. Breves mas intensas, o modo como Zograf as parece “cortar” sem qualquer tipo de crescendo ou resolução emocional apenas as torna ainda mais inquietantes, promissoras e fantasmáticas. 
Pedro Moura

Garantidamente que o Sérvio entra directo na tertúlia, visão livre e sem rodeios, autêntico um elixir cerebral. Não conhecia, obrigado pela partilha de outros mundos, o de todos. (...) Tripante!
Era Uma Vez Um Tímpano (via email)

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Mr. Burroughs ::: edição dos 25 anos :::: n'A Batalha


Chegou o livro mais atrasado de sempre mas está entesado o "Mr. B." Diriamos que é até o nosso primeiro "Álbum"!

Curse go back teria dito o verdadeiro Burroughs!!... entretanto o livro já se encontra na nossa loja em linha e na BdMania, Cult, Kingpin Books, Linha de Sombra, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB (Lisboa), Matéria Prima, Mundo Fantasma e Socorro (Porto).


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23º volume da Mercantologia, colecção dedicada à recuperação de material perdido do mundo dos fanzines e edição independente.

Publicada originalmente em Novembro de 2000 pela Círculo de Abuso, passado três anos seria publicado pela belga Fréon (futura Frémok) em francês, algo inédito na BD portuguesa na altura - o que revela a maturidade da obra e da cena portuguesa naquela época, ou seja nos meados dos anos 90 até os meados dos anos 00.

A nova edição é maior que a original - passou para 21x28 cm -, tem 56 páginas a preto e branco e uma capa em cartolina rosa. Foram emendados pequenas gralhas e dado algum tratamento sobre as páginas originais. O design do livro ficou a cargo de Pedro Nora e foi acrescentado um posfácio de Marcos Farrajota para contextualizar este livro nesses tempos eufóricos da BD portuguesa.

ISBN: 9789898363534

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sinopse:

Este Mr. Burroughs não é  William Burroughs, mas é como se fosse; é um sócia alternativo do romancista norte-americano, que se confronta com uma crise de criatividade.

Assombrado pelo fantasma de sua irrepreensível carreira, e ousando desafiar a vida para conhecer os seus limites, Mr Burroughs vai enfrentar a verdade sobre si mesmo para descobrir porque é que tudo aquilo que toca se transforma nele próprio.



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FEEDBBACK (da primeira edição e a a edição belga)

Minimalista nos meios, preto e branco rigoroso, (...) narração surrealista mas fluída (...) uma homenagem estranha, surpreendente e entusiasmante. 

Les Inrockuptibles

Obra que se livrou de todos os ornamentos da lenda sulfurosa, concentra-se inteiramente no processo de criação.  

Bang

(...) obra mais poética que narrativa , mais evocativa que descritiva. (...) A estilização do desenho de Pedro Nora privilegia a angulação expressionista, (...) o traço que fere como um bisturi e tudo inunda de borrões de tinta, como golfadas de sangue. 

Domingos Isabelinho in Quadrado

 

FEEDBACK da nova edição

óptima re-edição.

Paulo Mendes (via email)


Ao ler o Mr. Burroughs, deu-me com frequência aquela comichão visual que vem com o ruído branco. Este é um mundo áspero, de texturas que variam entre o cimento e a brita, o esfregão d’aço e o ninho de aranhas. “Aracnídeo” será também um bom adjectivo para atribuir, de forma geral, às personagens. O próprio Mr. B, exemplar mais óbvio, todo esquelético e comprido, uma massa negra movida a alfinetes articulados, sendo que até as mais rotundas têm algo tarantular, bulboso, peludo e espinhoso. (...) Se os olhos são o espelho da alma, sob este rosto acumulam-se feridas e fraturas psicológicas. Aventurando-me num diagnóstico, atrevo-me a atirar termos como Síndrome de Cotard, narcisismo, autodesprezo, dúvida debilitante, paranoia. Ou talvez esteja só amaldiçoado, perseguido por uma entidade sem nome que se vai intrometendo na sua vida. (...) Fellow kids, teria sido uma pena isto ter ficado em 2000. 

Salato in A Batalha #304

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 sobre o livro

Por momentos, entre 1996 e 2001, (...) os ilustradores e autores de BD sentiram que iriam ser compreendidos pelos seus trabalhos, que não seriam ignorados pelo público nem pelos retrógados agentes oficiais da BD. (...) Houve Hype! Havia algo no ar! Havia juventude gira para aparecer em fotografias de revistas e jornais ou até TV, ena! 

No meio desta cena excitante, o David Soares criou a sua etiqueta editorial Círculo de Abuso em 2000, após algumas edições auto-editadas que apareceram do húmus da cena dos fanzines. (...) Soares irá surpreender pela sua produção assombrosa, mistura de Horror, Fantástico e a sua visão muito pessoal sobre fantasmas literários ou o fascínio pelo cinema. 

O Mr. Burroughs é o segundo livro (oficial) que publica e é o primeiro em parceria com outro ilustrador que será o Pedro Nora (...). Uma família de fumadores de haxixe conta a lenda que os autores se conheceram através do livro colectivo Lisboa 24H00 publicado pela Bedeteca de Lisboa, em que ambos participaram. (...) Nora vinha também dos fanzines (...) Como artista gráfico impressionava para alguém tão jovem ter uma linguagem gráfica tão depurada, nervosa, angular e solta. 

Os autores nunca mais irão colaborar em conjunto, embora ainda apareçam com BDs curtas a solo, na seminal antologia Mutate & Survive (Chili Com Carne; 2001). Numa simetria macabra, três anos depois da publicação em Portugal a obra é editada na Bélgica pela Fréon. Se ainda hoje é raro os livros portugueses serem traduzidos - ainda por cima de autores novos! - em 2003 era mais do que impressionante este acontecimento. (...)

A Bedeteca impulsionou esta nova geração de artistas, de forma directa com acções e apoios, e indirecta pelo élan que gerou junto à sociedade portuguesa mas "Mr. B" fazendo parte desta cena emergente não deixa de ser uma obra autónoma das influencias institucionais. Se, indirectamente, é graças ao Lisboa 24H00 que tudo isto acontece, no entanto a Círculo de Abuso não tinha recebido qualquer apoio institucional. Esta obra, bem como as outras de David Soares, deve-se às suas forças criativas telúricas, e neste caso, com Nora em quererem construir uma obra matura, artística, literária e com pelo na venta! 

Sem diminuir os seus esforços, na realidade era o que todos os artistas de BD na naquela altura queriam fazer, longe das vontades miméticas de alguma produção actual. Desses desejos artísticos, saíram algumas pérolas como este "Mr. B" que bem vale a pena recuperar para novos leitores (...) Já os mais cínicos dizem que a edição original por se encontrar a preços estrambólicos no souk da BD, era inevitável acontecer uma edição comemorativa dos 25 anos de "Mr. B" para acalmar os cripto-especuladores! Rumores...

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sobre os autores

David Soares (Lisboa; 1976) é escritor, historiador, mestre em História Moderna, investigador integrado do CHAM-Centro de Humanidades (NOVA FCSH). A sua obra diversifica-se pelo romance, a banda desenhada, o ensaio e o spoken word. Como autor de banda desenhada, foi premiado com quatro troféus para Melhor Argumentista Nacional e uma Bolsa de Criação Literária, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas  (2002). A sua obra historiográfica O Bobo e o Alquimista: Deformidade Física e Moral na Corte de D. João III (Verbi Gratia, 2024) foi distinguida com o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian - História Moderna e Contemporânea de Portugal, atribuído pela Academia Portuguesa da História (2024).

Pedro Nora (Vila Nova de Gaia; 1977) é um designer gráfico licenciado pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Desde 2001 que desenvolve trabalho na área cultural, tendo-se especializado em design gráfico para exposições de arte contemporânea, em design editorial e em design de livro de artista - de entre as suas colaborações institucionais destacam-se Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação de Serralves, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Moderna Museet Malmö (Suécia), Kunsthalle de Basel (Suíça), Palais de Tokyo (França) e Bergen Kunsthall (Noruega). Colabora com regularidade com as editoras Dafne, Ghost, Pierre von Kleist. Foi co-editor da revista Satélite Internacional (2002-05), da editora Braço de Ferro (2007-11), do jornal Buraco (2011-19). Integrou o colectivo Oficina ARARA entre 2014 e 2020. Em 2020 deu início ao projecto editorial FOJO.
 
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 Historial:
 
Lançado a 28 de Fevereiro 2026 na Tinta nos Nervos, com as presenças dos autores David Soares e Pedro Nora e o editor Marcos Farrajota "que falaram do passado" afinal este livro comemora 25 (26) anos da sua edição original em 2000. 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Vamos vos apresentar à Família - na STET


Família

de

Júlia Barata

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9º volume da Colecção RUBI.

232p A5 2 cores + capas duplas 1 cor + sobrecapa 2 cores 

+ oferta de zine Umas amigas limitado a 100 exemplares (esgotado)


Disponível na nossa loja em linha e nas lojas Kingpin Books, Linha de Sombra, Matéria Prima, Snob, STET, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Vida Portuguesa, ZDB, Greta, Cult (Lisboa), Cassandra, Mundo Fantasma, Socorro (Porto) e Velhotes (Vila Nova de Gaia). E TFM (Frankfurt) e Língua nos Dentes




página de Umas Amigas

Depois de uma vida nómada - com paragens em Lisboa, Porto, Maputo, Barcelona e Roterdão, Júlia Barata, arquiteta e artista gráfica, estacionou em Buenos Aires há 11 anos, depois de uma mudança agitada que ilustra no livro Gravidez (Tigre de Papel; 2017).

Família, que poderia ler-se como uma sequela de Gravidez, reflete sobre a construção e desconstrução de um núcleo familiar, entre registos de autobiografia e autoficção. Ainda assim, existe uma coerência narrativa nesta obra que descreve os ziguezagues emocionais de uma mulher num período de mudança, de uma mãe e esposa que precisa de fugir da família que formou.

A pujança artística de Barata está aqui a galope. Relata pequenos "slice-of-lifes" com ar fofinho num diário Moleskine, bem ao sabor de muita da produção contemporânea infantilizada que se vê por aí. No entanto, ao contrário do que se espera, esses momentos inócuos servem para serem trucidados por uma angustiante representação de uma depressão.

Nada é simples por aqui. O tom minimalista dos desenhos é realmente uma interpretação sem filtros, sem moral e sem pedagogia. Se uma família é vista em geral como um espaço uniforme, nesta Família luta-se para que a liberdade individual seja tão respeitada como o compromisso institucional. Será (ainda) possível?


 
Disponível na loja em linha da Chili Com Carne e nas lojas Kingpin, Linha de Sombra, Matéria Prima, Snob, Tinta nos Nervos e Tigre de Papel.




Feedback

(...) o seu novo livro Família, que dizem as más-línguas que foi a razão da “BD Porcalhota” ter bloqueado a Chili Com Carne no seu certame de BD para rapazes e velhadas…
 
 (...) Júlia Barata deposita nelas questões mais transversais sobre papéis sociais, sobre ser mulher, relacionamentos, depressão e desejo, numa abordagem punk, feminista e livre. (...)

li o livro Família (...) e adorei aquilo tudo, o desenho, a maneira gira como não faz quadrados, as estórias, o fio da narrativa, as situações...  o uso do vermelho no desenho... TUDO! SETE ESTRELAS, MESMO!!
Rafael Dionísio (via email)
- Sete Estrelas!?
- Em cinco!
 
Fantástico trabalho de grande fôlego (...)
Jornal de Letras

Esta é uma banda desenhada de contornos (ou antes, sem contornos) invulgares, onde os desenhos seguem livres pela página. Aqui não há pranchas, tiras ou vinhetas que os separem e os contenham, pois o movimento é transmitido pela sobreposição sequencial de desenhos. Se foi das novelas gráficas que me mais me cativou nos últimos tempos não é só por culpa dos balões vomitados pela boca das personagens, mas também ajudou.
 

 

Historial

Lançamento no 21/12/2024 na Tinta nos Nervos com presença da artista e uma exposição de originais - patente até 18 de Janeiro 2025.

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Entrevista no jornal O Despertar

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artigo no Público / Ípsilon