blogzine da chili com carne

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

6º concurso interno de Banda Desenhada da Chili Com Carne : Toma lá 500 paus e faz uma BD!

A sexta edição do concurso 500 paus está aí!!!

Esperamos propostas até 4 de FEVEREIRO de 2019!!!


cartaz de Hetamoé (uma das participantes de Nódoa Negra)

A Associação Chili Com Carne lançou a ideia de um concurso para fazer um livro em Banda Desenhada para matar a modorra na cena portuguesa, tendo sido publicados já vários livros como Askar o General de Dileydi Florez e O Subtraído à vista de Filipe Felizardo, trabalhos que participaram no concurso. Em Outubro de 2015 saiu a primeira obra vencedora (do primeiro concurso, de 2013) ou seja, The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros de Francisco Sousa Lobo, seguido em Outubro de 2016 do romance gráfico Acedia de André Coelho e em Outubro de 2018 a antologia Nódoa Negra.

Cá estamos de novo à espera de novas aventuras editoriais!






Instruções (não muito complicadas):
Para quem? 
Para Sócios da CCC com as quotas em dia - não é sócio? então é clicar neste LINK.

O prémio é monetário? 
É sim! 500 paus! 500 Euros!
Para além de que o trabalho será publicado!
E, para a próxima edição, o vencedor é convidado a fazer o cartaz e a integrar o júri!

Quem decide o vencedor?
Os cinco vencedores dos outros anos! A saber: André Coelho (Acedia), Sara Figueiredo Costa (Nódoa Negra), Francisco Sousa Lobo (O Cuidado dos Pássaros), José Smith Vargas e Tiago Baptista.

O Júri reserva-se o direito de não atribuir o prémio caso não encontre qualidade nos trabalhos propostos.
Datas?
4 de Fevereiro 2019 é a entrega dos projectos!
14 de Fevereiro 2019 é anunciado o vencedor!
O livro é publicado em 2019!?

 Regras de apresentação dos trabalhos
- O livro não tem limite de páginas e de formato mas porque desejamos inseri-lo nas nossas colecções já existentes - Colecção CCC, QCDA, LowCCCost, THISCOvery CCChannel - o projecto terá mais hipóteses de ganhar se for apresentado num formato das colecções.
- Preferimos o preto e branco mas a cor não está totalmente afastada!
- Envio do seguinte material:
a) texto de apresentação do(s) autor(es),
b) sinopse do projecto
c) planeamento por fases (com datas)
d) envio, no mínimo de 4 páginas seguidas e acabadas, e 20% das páginas BD planeada.
- Todos estes elementos devem ser entregues em PDF, em serviço de descarga em linha (sendspace ou wetransfer) cujo endereço deve ser enviado para o e-mail ccc@chilicomcarne.com

Que projecto pode ser apresentado? 
- Uma BD longa de um autor ou com parceiros
- Um livro com várias BDs do mesmo autor (desde que tenham uma ligação estética ou de conteúdo)
- Uma antologia de vários autores com um tema comum (ver Nódoa Negra, por exemplo)

Boa sorte!
CCC
Este projecto têm o apoio do IPDJ

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Como ser sócio da Associação Chili Com Carne?

O regime de sócios da Associação Chili Com Carne passa pelo pagamento de uma jóia no valor de 30€ (15€ para menores de 30 anos) e o envio dos seguintes dados para o nosso e-mail: ccc@chilicomcarne.com

_nome
_data de nascimento
_morada
_tlm
_e-mail
_www
_fotografia (um jpg qualquer para fazer o cartão de sócio)

O valor da quota deve ser depositado na conta do seguinte EBAN: PT50003502160005361343153 (swift / bic: CGDIPTPL); ou através de paypal.

Quais as regalias de ser sócio da CCC?
_Oferta do livro O Subtraído à Vista, um livro de Filipe Felizardo;
_30% de desconto sobre as edições da CCC;
_30% de desconto sobre as edições da MMMNNNRRRG;
_Desconto sobre outras edições presentes no catálogo online da CCC;
_informação em primeira mão de projectos da CCC;
_apoio a projectos editoriais*.
_descontos no uso do projector de vídeo.


E depois disto?
Passado um ano há um quota a pagar de 10€ e ainda recebe um exemplar d'O Andar de Cima de Francisco Sousa Lobo!



* Apoio a projectos editoriais Ao longo do tempo a CCC tem vindo a definir de forma mais precisa qual a vertente de actividades para a qual está mais vocacionada, sendo que a edição em suporte de papel tem sido aquela que a CCC melhor tem sabido gerir. Os sócios da CCC com projectos editoriais poderão solicitar o apoio no campo da produção, distribuição e promoção. A selecção de projectos será discutida consoante cada caso. Sendo que seja imperativo ler este MANUAL!

sábado, 19 de janeiro de 2019

Casa Ardente, topam?







Amigo, adivinha o que vai acontecer no dia 19 de Janeiro?


O Gato Mariano : Críticas Felinas (2014-2018) 
 de 

A lançar dia 19 de Janeiro de 2019 na Casa Independente.





 A música portuguesa sob o escárnio de um gato desbocado.

Peludo, porte médio, língua afiada. É assim que Tiago da Bernarda descreve o seu alter-ego, mais conhecido como Gato Mariano, o crítico felino que vagueia os confins da Internet. É nesse lugar amorfo e amoral que, desde 2014, tem vindo a discutir sobre os mais recentes projectos da música alternativa portuguesa.

 O que começou como webcomic vira agora uma antologia que reúne as melhores tiras dos últimos quatro anos, num intenso volume de  144 páginas, muitas delas a cores (18x25cm) e uma super-capa com cortante de gato assanhado!

 O Gato Mariano é uma das grandes criações da década (estimativa conservadora) em Portugal. Possivelmente nunca lhe será feita devida justiça, até porque um dos encantos que tem é a "subterraneidade", o traço e as reflexões como nos grandes mestres de apelo clandestino na BD do final do século passado. Não é um Kochalka português, nem um Tony Millionaire português, nem um Mike Diana português; é um Tiago da Bernarda português. 
Samuel Úria

...

Volume 13 da Colecção Mercantologia, dedicada à recuperação de material perdido no mundo dos fanzines e afins. Editado por Marcos Farrajota, design de Joana Pires e publicado pela Associação Chili Com Carne, o presente volume apresenta uma selecção de várias BDs da série O Gato Mariano publicado originalmente em várias plataformas em linha, desde 2014, com o nome Críticas Felinas (actualmente em instagram.com/ogatomariano_), no sítio Rimas e Batidas, nos zines O Gato Mariano Não Fez Listas em 2015O Gato Mariano não fez listas e confrontou um fã que disse não perceber as suas reviews em 2016 e O Gato Mariano não fez listas em 2017 e nos dois números do fanzine Mariano (2016-17).

Esta edição teve o apoio do IPDJ, Lovers & Lollypops e Thisco.


pode ser adquirido na loja em linha da Chili Com Carne, Flur, BdMania, Tasca Mastai e Sirigaita. Para a semana chega ao Porto: Mundo Fantasma e Black Mamba.
No final do mês a outras livrarias.

FEEDBACK

Num livro cheio de Críticas Felinas, o Gato Mariano arranha, mas faz rir
P3

"O Gato Mariano", o felino que arranha a música nacional
Sapo 24




Tiago da Bernarda [n. 1990] Ilustrador freelancer, autor da webcomic “O Gato Mariano”. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e, posteriormente, tirou o curso de Ilustração para Novos Media na ETIC. Colaborou com festivais como Milhões de Festa, Zigurfest ou Black Bass – Évora Fest. Ocasionalmente com o site Rimas e Batidas.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Serigrafia de Martin López Lam pela Oficina Loba


No âmbito da visita de Martin López Lam a Lisboa / Raia3 e o lançamento do seu livro Sírio,
a Oficina Loba aproveitou para fazer esta bela peça em serigrafia com Lam.

Foram feitas 50 exemplares a 3 cores em tamanho A2.

Pode ser adquirida aqui (desconto para associados)

O Tempo da Geração Espontânea / ÚLTIMOS 2 EXEMPLARES




O Tempo da Geração Espontânea
[novo romance]
de Rafael Dionísio

Sinopse : Este livro Atravessa o arco temporal de fins do século XIX até aos anos oitenta do século XX. No entrelaçar da vida de algumas personagens estalam as contradições do colonialismo, da esquerda, da revolução e da vida depois disso. É um retrato de uma certa geração que nasceu em Angola e que cresceu dentro do regime, na posição de estarem contra ele, e das dificuldades e adaptações que sofreram para se manterem à tona, cada um à sua maneira. É uma obra de um maior fôlego narratológico, sendo, simultaneamente um romance histórico e uma reflexão sobre Portugal. Mas tudo isto a la Dionísio, como é evidente.

356 p. 21x14,5 cm, edição brochada, capa a cores
ISBN: 978-989-8363-26-8
Capa de David Campos
Design de Rudolfo

à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na Bertrand, FNAC, LACLinha de Sombra, Matéria PrimaLAC (Lagos) e Utopia.

Historial: lançamento brasileiro e universal n'A Bolha (Rio de Janeiro) ... lançamento lisboeta na IV Feira Morta por Pedro Madeira, nos Estúdios Adamastor ...

Feedback: pretexto para reflectir sobre colonialismo, esquerda e revolução e pós-revolução I

Errata online aqui







Sobre o autor: nasceu em 1971 e é sobretudo escritor. Presente desde a primeira hora na Chili Com Carne publicou seis livros nesta Associação. Começou a publicar pequenos textos no já há que tempos extinto DN Jovem. Durante os anos 90 participou com textos em publicações alternativas como a Ópio, Número, Utopia, Bíblia,... Participou em diversas exposições de artes plásticas e durante um pequeno período escreveu recensões na revista Os meus livros. Auto-editou dois fanzines de poesia, refúgios e alguns slides, numa altura em que se ainda não tinha decidido definitivamente pela narrativa. Continua a publicar textos em publicações como Nicotina ou Flanzine.
Andou a estudar para engenheiro no Técnico e, depois, para arquitecto na Faculdade de Arquitectura de Lisboa tendo desistido a meio dos dois cursos. Também estudou Desenho no Ar.Co e houve uma época em que quis ser artista plástico, tendo pintado bastantes quadros e destruído muitos deles. Entretanto atinou com os estudos e enveredou por Estudos Portugueses, na Nova, onde tirou sucessivamente, licenciatura, mestrado e doutoramento em Crítica Textual estando aos papéis do Ernesto de Sousa.
É monitor de cursos de Escrita Criativa, especialmente vocacionados para a narrativa. Em 2014, com os Stealing Orchestra fez um EP que foi recebido com boas criticas pela imprensa.

Frankenstein @ Buchhandlung Stuwerviertel

buy book here

Malus ÚLTIMOS 14 exemplares!!!!



Malus de Christopher Webster

Editado pela MMMNNNRRRG em  2005
108p. 17x26cm p/b, capa dura 2 cores
ISBN: 972-98527-4-X


Originalmente editado entre 1995 e 1997 em 4 números no formato fanzine pelo autor - que nos visitou em 2000 durante o "Zalão de Danda Besenhada" - Malus foi finalmente compilado em livro pela editora de "material bruto" MMMNNNRRRG no original - em inglês mas com tradução em português. Obra de ritmo alucinado de influências tão diversificadas - é comparada tanto ao Akira como a Frank Miller como a David Lynch - que criam confusão aos mais puristas. Será uma história de Ficção Científica? de Super-heróis? Um conto de fadas entrópico? Uma sucessão de factos orgánicos?
Algumas páginas aqui.

Interessante BD por capítulos, da autoria de Chris Webster in Catálogo Expofanzines, Xornadas de BD de Ourense Cocktail do melhor de todas as escolas de BD: a europeia, a americana e a japonesa. Nas secções de cartas comparam (Malus) a tudo que é BD «e não só…» deste mundo: Ted Mckeever, Akira, Jack Kirby, Mazzuchelli, Eraserhead de David Lynch, Paul Pope, Bladerunner… in Mesinha de Cabeceira + feedback aqui. E sim os 10 000 Russos curtiram deste livro!


À venda na loja da Chili Com Carne, LAC, BdMania, Fábrica Features, Tasca Mastai, Mundo Fantasma, NeurotitanGosh Comics, OrbitalLambiek, Sarvilevyt, FNAC, Dead Head Comics, Tigre de Papel e Seite Books.

sobre o autor: estudou pintura, trabalha actualmente da Tate Gallery, frequentou aulas de BD com o famoso David Lloyd (desenhador de V de Vingança de Alan Moore) e teve vários trabalhos publicados em Inglaterra, EUA e Japão (para a importante Kodansha).

Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus : micro-literature, hyper-mashup, Sonic Belligeranza records 17th anniversary @ TOOLBOX (Paris)

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1818: first edition of Mary Shelley's Frankenstein


2018: many horrific applications of technology (social network for example with their push to have people volunteering their time and creativity for their IT business purpose, they are represented in the book by @maryshelley.fr, not to mention the applications of technology like breakcore and the other musical sub-style, or the society of spectacle created monster Bally Corgan).





Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus
micro-literature, hyper-mashup, Sonic Belligeranza records 17th anniversary 
by 
Riccardo Balli


Volume +06 of THISCOvery CCChannel collection published by Chili Com Carne and Thisco140p. b/w with illustrations and photographs. Full color cover. IN ENGLISH. Cover art, illustrations & design by RudolfoSupported of IPDJOh Cristo webradioRokko's AdventureTasca Mastai and  Distroed

buy @ Chili Com Carne online storeGalleria Più (Bologna), Tasca Mastai (Lisboa), Linha de Sombra (Lisboa), Tigre de Papel (Lisboa), Praxis (Berlin), Megastore by Largo (Lisboa), Artes & Letras (Lisboa), Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão, Lisboa), MOB (Lisboa), Glam-O-Rama (Lisboa), Black Mamba (Porto), Le Bal des Ardents (Lyon), Matéria Prima (Porto), Bertrand (Portugal), Bivar (Lisboa), 4 / Quarti (Bologna), Utopia (Porto), Trezor (Porto), LAC (Lagos), FNAC (Portugal), Radical Bookstore (Vienna), Anarchistische Buchhandlung (Vienna), Chick Lit (Vienna), Stuwerbuch (Vienna), Housman (London), Toolbox (Paris) and Freedom Press (London).

Released on 6th April 2018 @ Rauchhaus, Berlin ... mention at Bandcamp article about Extratone genre ... Portuguese release @ Tasca Mastai, Lisbon 12th July, 20h; and DJ set party @ Lounge, 23h ...  Low-resolution séance @ Galeria Municipal do Porto, 13th July under the influence of the exhibition O Ontem morreu hoje, o hoje morre amanhã ... presentations @ Lauter Lärm (Wien) om 2sd August & Echo Buecher (Berlin) on 26th September 2018 ... registered in Neural magazine archive (wow!) ... presentation @ Buchandhung Stuwerviertel (Vienna), 18th January 2019

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After having whistled quite a number of 8-bit versions of famous pop songs, and delighted his ears with chip-tune covers of black metal and classical music, Riccardo Balli thought it was about time to extend micro-music aesthetics to literature, and remix Mary Shelley's classic accordingly. 


Through some sort of low-resolution séance, the author evoked the spirit of corpse reviver Giovanni Aldini (1762-1834), credited for having inspired The Modern Prometheus. Aldini tells a compressed version of the original Frankenstein, exposing its language to retro-gaming jargon and simplifying the plot as if it were an arcade game.


The aforementioned 18th-century electrifier was the nephew of eminent Bolognese scientist Luigi Galvani. Also from MIDIevil Bologna is DJ Balli's electronic music label Sonic Belligeranza, whose 17 years of existence (2000-2017) this volume celebrates with 17 texts that explore the multitude of contradictory sounds constituting the corpse of this Sonic Frankenstein.


Send him an impulse from your Game-Boy! BLEEEEEEEEEEEP! 



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ATTENTION The file "A forward to further experiments from MIDIevil Bologna" is corrupted. Remember to read page 16 between 20 and 21 to recover the original text meaning
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DJ Balli (1972) is a DJ/ producer, and founder of the label Sonic BelligeranzaA true fundamentalist of Breakcore since year zero of this non-genre of music, as the style was getting more and more codified, he progressively tried to personify its attitude and even bring it outside of audio realms. Hence following the motto of M(C)ary Shell8Bit "Every cacophony is possible, infect the Underground!", the creation in his lab a la Bolognese of Sound Monsters such as skateboard-noise, gangsta-opera and his infamous poetry readings pretending to be Billy Corgan from The Smashing Pumpkins. Riccardo Balli is also active as a writer: Anche Tu Astronauta (1998), Apocalypso Disco (2013), Frankenstein Goes to Holocaust (2016), all in Italian, this is his first full-length book in English.

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FEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEDBACK 

Introduzido por um ressuscitado Giovanni Aldini - através da galvinização provocada pela corrente eléctrica de nove cartuchos de Game Boy dispostos em hexagrama -, este «remix literário de baixa qualidade» é mais uma alquimia de Ricardo Balli (...) Este livro é uma bizarra justaposição do Frankenstein de Mary Shelley com a cultura gamer (as planícies geladas do Pólo Norte são substituídas pelas da Cool, Cool Mountain do Super Mario 64, homens são bots, amigos e irmãos passam a Game Boys) e outros elementos da cultura pop (...) Aqui, o monstro de Frankenstein é uma incompleta remistura musical, que jura vingança contra o criador, toda a humanidade e as convenções musicais repressivas e autocráticas que desprezam o seu chiar emancipado e rejeitam a criação de um remix tão grotesco quanto ele. 
Além deste excêntrico exercício, Balli escreve sobre subculturas e subgéneros musicais que surgiram no final do século passado: revisitando a conotação neo-nazi do gabber e purificando-o da apatia do 4/4, atira-se às possibilidades revolucionárias do breakcore e do hiper-mashup dentro da alienação tardo-capitalista; procede à mistura definitiva entre skaters, situacionistas e accionistas vienenses; sugere que o horizonte tecnológico é a reunião do humano com o resto da fauna, numa simbiose sónica já tentada por Caninus ou Run the Jewels; revela que o grande cisma deste nosso confuso tempo é a violenta divisão entre aqueles que consideram ou negam que o splittercore é um subgénero autónomo do speedcore.
Balli é (...) o derradeiro farsante durante a speedrun final, o Grande Apropriador, um artesão do ofício profano do colagismo, que troça da autenticidade do autor, rouba-lhe a voz e utiliza-a para proveito de todos. Apresenta-nos à nova arte do social: aquela que liberta um Prometeu ultra-moderno, alimentado por um discurso aparentemente demente, mas que, no fim de contas, apenas apresenta a obsolescência da sisudez à colectividade, ao mesmo tempo que cose a manta de retalhos de uma modernidade esgotada. 
Russo in A Batalha

The relevance of this book is not just the content, but also the way it is reflexively reworked with a plagiarist and demystifying attitude. (...) A second layer in the book’s composition is the core literary metaphor that supports the patchwork put together by the author (i.e. the creative elaboration of the novel Frankenstein) (...), the idea of a new living entity made up by parts coming from other dead bodies is a perfect metaphor to give expression to the culture of plagiarism and plunderphonics. To do this, Balli’s writing exercise consists of re-writing Shelley’s original text infusing in it musical references coming from those same music electronic genres performed by Balli as a musician (including styles like 8-bit music, gabber and grindcore), with the further addition of other interventions. In these excerpts we read about Mary Shelley (called Squirting Mary) and Lord Byron(anism) engaged in an MCing contest where all participants “should attempt to create the most horrific sonic monster of music history” (...) After much effort, the monster finally comes to life in the shape of a mash-up generated in Shelley’s “bedroom studio” with a Gameboy, where the modified machine starts producing “most scary sounds: remixes of neo-melodic Neapolitan singers in a porno-grindcore style!” (...). As the readers can tell from these examples, demystification is a relevant ingredient of the book, as the author does not attempt to sacralise the art of plagiarism, instead insisting on a relentless endeavour to reframe plagiarism in a sarcastic way, explicitly linked with the situationist tradition. This demystification is particularly evident in the third type of content in the book, represented by a set of Dadaist passages where, for example, famous bands’ names are distorted in irreverent ways with mash-up techniques; some also accompanied by humorous visuals, including a photo of (...) "Lionel Nietzsche’s” album “Is it Truth you are looking for?”. Probably the most situationist section of the book is where the author recalls the history of his alter ego, Bally Corgan—inspired by Billy Corgan from the Smashing Pumpkins (who the author physically resembles)—an alter ego actually used by DJ Balli along the years in both his recordings and live acts. Above all, this last example helps to understand the actual continuity between the situationist spirit of the book and Balli’s whole artistic career. 
 Unfortunately available to an Italian-speaking readership only, the book succeeds in offering an original, meta-discursive and demystifying contribution on plunderphonic culture, not just for the content it offers, but also for its ability to intertwine multiple discursive layers, producing an experiment that is finally able—like Frankenstein’s efforts—to give birth to a weird and bizarre textual monster.
Dance Cult about the Italian (and different) version of this book - academics are always late...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Mundos em Segunda mão, vol.1 ... últimos 20 exemplares!!!



Mundos em Segunda Mão
por Aleksandar Zograf
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bds-crónicas publicadas na revista Vreme, na Sérvia, e depois um pouco por todo o lado. Em português. várias páginas AQUI
...
68p. 17,6x22,5cm a cores ... ISBN : 978-989-97304-0-3 ... Traduções por Dejan Stankovic e Sara Figueiredo Costa ... legendagem DTP por Marcos Farrajota ... Design por Joana Pires.
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à venda na Shop da CCC, Fábrica FeaturesMundo FantasmaObjectos Misturados, ZDB, Palavra de ViajanteRastilho e Pó dos Livros.

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Historial: Lançamento no VII Festival de Beja com a presença do autor
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Feedback: recomenda-se (...) vale a pena conhecer o universo único deste autor, da arqueologia da cultura popular a entrevistas com artistas contemporâneos, passando pela análise de estranhos (mas reveladores) objetos encontrados em feiras da ladra e alfarrabistas por toda a Europa. JL ...
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Aleksandar Zograf (1963, Pancevo) é um autor sérvio de banda desenhada que não deveria ser um nome estranho ao público português porque já cá esteve presente três vezes – uma, no Salão Lisboa 2003 e as outras no Festival de BD da Amadora. Dessas visitas, pelo menos duas incluíam uma exposição de originais seus e para além disso já foi publicado nas revistas Satélite Internacional, Quadrado, Underworld / Entulho Informativo, mais recentemente em antologias da Chili Com Carne: Crack On (2009), Talento Local (colectânea de bd's autobiográficas de Marcos Farrajota, em 2010) e Boring Europa (2011).
Nos últimos anos, têm havido um esforço ou interesse de completar a obra do autor. Nos EUA, foi publicado o volume Regards from Serbia (Top Shelf; 2007) que resume toda a "segunda" fase da carreira de Zograf e que (infelizmente) cruza-se com a auto-estrada monstruosa da História, mais especificamente com o desmembramento da Jugoslávia e dos conflitos dos Balcãs dos anos 90. Esta é a melhor e mais completa edição da vida em guerra do autor, incluído relatos em bd dos primeiros conflitos na ex-Jugoslávia até à queda do regime de Milosevic. Zograf e a sua mulher Gordana Basta vivem em Pancevo, alvo militar dos bombardeamentos da NATO em 1999 por ser uma cidade industrial e suburbana de Belgrado. O livro inclui bds desses períodos bem como ainda e-mails escritos, que Zograf enviava para a sua vasta lista de contactos da comunidade artística internacional atravessando as “linhas inimigas”. Essas bds, bem como os textos dos e-mails, foram editadas em várias antologias ou livros monográficos longe do controlo de ambas partes do conflito - creio até que será das primeiras guerras em que se perdeu o controlo de informação devido ao advento da Internet.
Zograf criou um documento único sobre (um)a Guerra, para além de ter mantido alguma sanidade mental graças ao apoio moral que recebia dos seus amigos e conhecidos estrangeiros. Estes contactos apareceram na "primeira" fase da sua carreira, em que se especializou em fazer bds e desenhos em estado hipnagógico - estado transitório entre o sono e o acordado. O trabalho desta fase é reconhecido pela lógica gráfica de "cartoons" desengonçados e grotescos provavelmente influenciada pelo seu trabalho num estúdio de animação. Publicou em fanzines editados por si (os primeiros na Jugoslávia?) e eles serviram para fazer intercâmbio internacional - afinal de contas não são os zines uma Internet avant la lettre?
A dada altura passou a ser mais publicado fora da Jugoslávia que no seu próprio país de origem, tendo uma projecção global graças aos livros ou aos "comic-books" editados pela Fantagraphics Books nos anos 90. Desde 2003 que Zograf passou a escrever e desenhar duas páginas de bd a cores para o semanário Vreme - uma revista de informação independente que sobreviveu os embargos económicos, as guerras e Milosevic - como o Zograf afirma «se aguentaram isto, aguentam tudo». Esta colaboração têm constituído a sua obra desde então, e curiosamente é o regresso de Zograf à sua língua materna, talvez por isso que é fácil de reparar um certo gosto pelos blocos pesados de escrita nestas bds. Bds que continuam a ser crónicas como o autor nos habituou com Regards from Serbia, mas agora afastada dos conflitos militares e viradas para três vectores de conteúdo. O primeiro, é a adaptação de textos do século XX cheios visões estranhas (ou cómicas para os nossos dias) graças a uma peculiar investigação de campo nos alfarrabistas e Feiras da Ladra do mundo. Segundo, relatos das suas experiências de viagens, a maioria realizadas graças aos convites de festivais de bd pelo mundo inteiro, aproveitando para encontrar detalhes bizarros ou choques culturais. E terceiro, entrevistas a autores, sejam de bd como o mestre Will Eisner (1917-2005) ou músicos Rock como Jonathan Richman (publicada na Underworld). No fundo, há uma espécie de arqueologia cultural “sub-pop” porque quase sempre incide em artefactos encontrados pelas "feiras da ladra" e que voltam à superfície pela mão do autor.