blogzine da chili com carne

segunda-feira, 9 de março de 2026

Será a caneta mais poderosa do que a espada?


 
A edição portuguesa do Monde Diplomatique tem publicado, sob a nossa coordenação, as respostas a este desafio em Banda Desenhada por uma série de artistas. Este mês cabe ao Daniel Lima responder.
 
Daniel Lima (Uige, 1971) é ilustrador e autor de banda desenhada (BD). Vive e trabalha em Lisboa. Anguesângue (2023) é o seu quarto livro de BD, publicado em simultâneo pela editora letã kuš! e pela Associação Chili Com Carne. Atualmente, é co-coordenador e professor do Departamento de Ilustração e Banda Desenhada do Ar.Co

Mesinha de Cabeceira #44: "2125" de Matilde Basto /// últimos 18 exemplares!!!!


O novo número do Mesinha de Cabeceira com a BD 2125 de Matilde Basto - do mítico Casal de Santa Luzia (MdC #34) - é o divertido regresso de Matilde com esta BD intitulada feita para a mostra virtual do Story Tellers (em Benfica). Modesto panfleto que ironiza o convívio entre duas espécies lisboetas, os humanos e as baratas, Homos e Blattae, all together now!!

Edição limitada de 100 exemplares, 20 páginas 16,5x22cm agrafada, com uma capa em cartolina cinzenta. 

Está disponível na loja virtual da Chili Com Carne e na Snob, Greta, Linha de Sombra (Lisboa), Socorro (Porto) e  Velhotes (V.N. Gaia).
 

Historial

Saiu no FLOP nos Açores (com a presença do Rei da BD Rudolfo) e na Parangona (Lisboa) em Dezembro de 2025. Ei! Não estávamos a gozar sobre os Açores! Lá também há insectos ortópteros e população interessada na leitura destes bichos:
 

este é que é o verdadeiro INFERNO / últimos 6 exemplares


A Divina Comédia de Dante Alighieri (1265–1321) é daqueles livros que toda a gente já ouviu falar mas terão sido poucos os que realmente o leram.

O Inferno tem nove círculos nos quais as almas dos condenados são punidas de forma burocrática. Entre elas vamos encontrar alguns dos inimigos de Dante – entre muitas coisas, esta obra também é uma sátira política. Dante viu o nascimento do Capitalismo tal como o conhecemos e criticou os novos ricos do seu tempo.

Quando Marcel Ruijters trabalhava neste livro, havia cada vez mais conversas nos media sobre a morte do capitalismo. A edição original holandesa saiu meses antes da queda dos mercados de 2008.

Esta adaptação que é feita num estilo de “gozo medieval” é a forma que Ruijters encontrou de criar interesse pelo texto original.

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edição MMMNNNRRRG
120p. p/b, capa 3 cores, 165x230mm
500 exemplares impressos em Dezembro 2012 
ISBN: 978-989-97304-5-8
tradução: Ondina Pires --- arranjo gráfico: Joana Pires

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à venda na loja online da CCC e talvez ainda haja na BdMania, Kingpin, Matéria-Prima, Snob e Tinta nos Nervos.

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Feedback:
Inferno é o melhor trabalho de Marcel Ruijters, um dos livros mais hilariantes nos tempos recentes. A versão de Ruijters do La Divina Commedia de Dante é uma pastiche grotesca com belos desenhos (…) cheia de trocadilhos visuais à Tex Avery, que deixa os leitores em risinhos. 
Relatório do Júri VPRO para melhor BD holandesa de 2008

Inferno é cheio de horror e humor. As surpresas e piadas aparecem sobretudo nos detalhes dos seus robustos desenhos. 
De Groene Amsterdammer [jornal holandês]

Quando se compara com a arte, obrigatóriamente romântica, de Doré, os desenhos de Ruijters são fixes e excitantes. Ele alterou uma obra clássica com aprazível malícia. 
Elsevier Weekblad [jornal holandês]

Já tenho um exemplar; e está uma maravilha!!! :D 
Mr. Esgar [e-mail 19/12/12]

André Coelho também curtiu mas disse palavras profanas que nos impede a reprodução [19/12/12]

diálogo intenso com Dante (...) não se poupam as críticas ao poder temporal, à mesquinhez quotidiana e aos expedientes comuns de corrupção, na ascensão social e no enriquecimento fácil. (...) uma releitura pertinente à luz do presente. 
Sara Figueiredo Costa / Atual / Expresso  [4 estrelas em 5]

Ruijters alcança aqui um acto alquímico 
Pedro Moura / Ler BD

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Historial:

Melhor BD Holandesa 2008 

edição portuguesa lançada na última Feira Laica (Lisboa) e na Mundo Fantasma (Porto) com exposição de originais e serigrafia impressa pelo atelier Mike Goes West em Dezembro 2012

edição francesa pela The Hoochie Coochie em 2013

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algumas páginas aqui:




foto: Paul Gravett, em Ravenna (2007)
Marcel Ruijters nasceu em 1966, cresceu no sul da Holanda e frequentou durante alguns anos uma escola de arte nos anos 80. Desde os 7 anos que fazia BD. Com ao advento das fotocopiadoras que tornavam a auto-edição possível para toda uma geração e Marcel viveu esses tempos fazendo títulos como Onbegrijpelijke Verhalen, Mandragoora, Dr. Molotow, Fun&Games, Thank God it’s Ugly e vários monográficos raros, sendo que algumas destas publicações eram antologias com colaborações de vários artistas que Marcel descobriu em vários países como Matthias Giesen, Daniel W. Core, Chris Crielaard, Jakob Klemencic, Prof. Bad Trip, Karen Platt, Mike Diana, Berend Vonk, Kapreles, Matthias Lehmann, Olle Berg – tudo isto nos tempos antes da Internet, claro!

Actualmente é editor da revista Zone 5300 (de Roterdão, onde o autor reside), escreve crítica a BD no jornal Dagblad De Limburger, faz ilustrações, traduções e tudo o mais que é preciso fazer neste mundo da edição. O seu livro mais conhecido será Trogloditas, que teve edição holandesa (pela Oog & Blik), norte-americana (Top Shelf Comix) e portuguesa (Polvo).

Com Sine Qua Non mudou de estilo gráfico e começou a explorar o imaginário medieval, tendo o livro sido editado pela prestigiada Les Editions de l’An 2. A continuação deste novo estilo é Inferno, livro ganhou o melhor álbum de BD na Holanda em 2008 e que chega a Portugal pela MMMNNNRRRG.

Apesar de já ter participado em várias exposições colectivas em Portugal – como a celebre Honey Talks na Bedeteca de Lisboa, organizada pelo colectivo esloveno Stripburger – Ruijters terá a sua primeira exposição a solo na galeria da Mundo Fantasma em Dezembro 2012, sendo feito para a ocasião uma serigrafia pelo Atelier Mike Goes West.

domingo, 8 de março de 2026

Nódoa Negra - último exemplar!!!


Projecto vencedor da edição de 2018 do concurso interno, Toma lá 500 paus e faz uma BD (2018), a antologia Nódoa Negra reúne as participações de doze autoras: Bárbara Lopes, Cecília Silveira, Dileydi FlorezHetamoé, Inês Caria, Inês Cóias, Marta Monteiro, Mosi, Patrícia Guimarães, Sara Figueiredo Costa, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro.

No nosso imaginário a Dor pertence ao campo físico, neste pensamento associamos sempre o nosso corpo a um estado de dor físico e facilmente nós esquecemos que existem vários níveis de dor, entre eles, a dor emocional/ psicológica, que por sua vez, ocupa o mesmo peso que a dor sentida fisicamente. Assim, partindo da vontade de trabalhar a plasticidade da temática da dor e de querer perceber os vários entendimentos ao seu respeito, foram convidadas onze artistas e uma escritora, que partilham a paixão pelo desenho, a banda desenhada e a ilustração, para que através do seu olhar e desenho/ escrita, reflectissem sobre a dor. Ao longo da antologia, será perceptível que cada artista tento tido como ponto de partida a temática geral da dor, escolheu desenvolver graficamente uma dor específica: do parto, do confronto com o outro, dor menstrual, de amar, da solidão, de esconder a dor, da ausência, do luto, do crescimento, de alma...

NN

Curiosamente e historicamente esta poderá ser a primeira antologia de autoras coordenado exclusivamente por autoras. Isto é, apesar de alguns números especiais de revistas, fanzines ou livros de "BDs no feminino" que apareceram nos anos 90 (G.A.S.P. ou Azul BD3) e no novo milénio (Quadrado #3 / 3ª série, Allgirl'zine e QCDA #2000) estas publicações não foram organizadas pelas próprias autoras como acontece no presente projecto vencedor.

NN

19º volume da Colecção CCC. 138p. p/b, 16x23cm, capa a cores, edição brochada. Coordenação, design e capa por Dileydi Florez. Contra-capa: Marta Monteiro. Projecto apoiado pelo IPDJ
In Portuguese with English translation. 

NN

Historial: 
lançamento no dia 18 de Outubro 2018 na ZDB com exposição de originais e apresentação por Catarina Cardoso (Portuguese Small Press Yearbook

Apresentação na BD Amadora 2018 dia 10 de Novembro, com presença de algumas das autoras seguido de sessão de autógrafos
 
 
artigo de Pedro Moura na Mundo Crítico com BD sobre o livro por Dileydi Florez 

exposição no Festival de BD de Beja de 29 Maio a 16 Junho 2019 



NN

O livro está disponível na loja em linha da Chili Com Carne e na Tigre de Papel, Linha de Sombra, BdMania, Greta, Matéria Prima, ZDB, Mundo Fantasma, Kingpin BooksStetSnob, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Tinta nos Nervos e Insurgentes.

BUY @ Le Mont-en-L'air (Paris), Quimby's (Chicago) and Ugra Press (Brazil)

NN

Feedback:

um livro-barómetro no feminino sobre a dor
Amanda Ribeiro in P3 / Público

O título é duro (...)
João Morales in Time Out (Lisboa)

ontem li o Nódoa Negra. é tão bonito que até dói, meu. a história da Patrícia Guimarães é incrível. parabéns! 
Francisco C. (por e-mail)

São testemunhos no feminino, são força, são ruído, são rasgos de agitação num panorama - ainda - pouco dado a movimentos bruscos. A primeira antologia totalmente construída por autoras em Portugal é muito mais do que uma afirmação, é a casa de uma intimidade que fende tabus e nos mostra que a existência inevitavelmente dói.
Tiago Neto in Vogue Portugal

Um livro sobre dores que desenham e escrevem num mais difíceis exercícios...
Inês Fonseca Santos in Todas as Palavras (RTP)

Tive conhecimento desta edição enquanto folheava um dos últimos números da Vogue. Como a recepção do livro na imprensa também passava pelo P3, Time Out e por um programa de TV apresentado por uma das tipas do Câmara Clara, tudo indicava que se tratava de mais um livro do ano. São só autoras a fazer este livro e ao que parece esta ideia surgiu da Dileydi Florez, que há uns anos tinha desenhado o Askar, o General, em tempos em que a associação Chili Com Carne estava imbuída por um espírito de masculinidade militar. Mas isso foi lá atrás, agora a associação pugna diariamente pelos direitos dos mais fragilizados pela ideologia dominante no tardo-capitalismo: entre essas figuras encontra-se a mulher. A premissa para o livro é interessante e tem um importante significado político: não há espaço na edição de banda desenhada para mulheres, por isso é preciso arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Quando estamos à espera que a bd da organizadora deste volume seja, então, um grande manifesto feminista, eis que termina com dois enormes paradoxos: primeiro, ao escrever que se alguém tiver uma vida mais consciente está a dar um passo para sofrer menos, Florez parece estar a preparar uma sólida carreira como autora de manuais de auto-ajuda; segundo, a bd termina com o salvamento da mulher frágil pelo seu príncipe encantado, desvirtuando a ideia da autonomia feminina. No entanto levanta um problema importante que será transversal a todo o livro: o corpo e a sua vulnerabilidade. (...) Mas o sofrimento também se revela de outras formas e é aqui que o livro se transcende (...) é também o sufoco provocado pelo assédio doméstico que acompanha o crescimento da futura «dona-de-casa» - eufemismo para «escrava da família patriarcal», se puxar do meu jargão a transbordar de ideologia. É este o tema dos «Bons costumes», de Sílvia Rodrigues. A Nódoa negra beneficia ainda de uma multiplicidade de linguagens gráficas, destacando-se a manga da Hetamoé e a arte bruta da Inez Caria (...) há ainda a contribuição da Susa Monteiro, que me parece estar cheia de referências eruditas à arte contemporânea, ou então mostra apenas a tristeza profunda de um tenista que não consegue jogar ténis contra um cavalo. A fechar o livro, a Patrícia Guimarães colabora com a melhor bd do volume, não só porque ataca o importantíssimo tema da apatia provocada pela rotina quotidiana, como estiliza a narrativa num daqueles puzzles de deslizar peças, como que a dizer que a efemeridade da arrumação é mera ilusão e que o próprio caos é só mais um episódio da organização da vidinha. Mas a vida é só pathos? Não: a Cecília Silveira diz que também há espaço para minetes e para fisting com luvas de boxe, como que a lembrar que o sexo falocêntrico é também uma forma de violência e de exercício de poder sobre o corpo feminino.
Russo in A Batalha

(...) o muito interessante Nódoa Negra.
Jornal de Letras

NN




Bibliografia das autoras na Chili Com Carne: 
MASSIVE (2009) c/ Marta Monteiro
Destruição ou BDs sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010 (2010) c/ Sílvia Rodrigues
Boring Europa (2011) c/ Sílvia Rodrigues
Futuro Primitivo (2011) c/ Inês Cóias, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro
Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno (2012) c/ Sílvia Rodrigues
QCDA #2000 (2014) c/ Hetamoé e Sílvia Rodrigues
- Askar, o General (2015) de Dileydi Florez
Malmö Kebab Party (2015) c/ Hetamoé
QCDI #3000 (2015) c/ Hetamoé
Maga : Colecção de ensaios sobre Banda Desenhada e afins (2015) c/ Hetamoé
Lisboa é very very Typical (2015) c/ Dileydi Florez
- Anarco-Queer? Queercore! (2016) de Rui Eduardo Paes, c/ Hetamoé
- Pentângulo #1 (2018) c/ Cecília Silveira e Dileydi Florez

sábado, 7 de março de 2026

Rumo ao Eclipse / Chasing the Eclipse ::::::::: RPG do E3


Já está disponível aqui e na Tinta nos Nervos. Em breve em mais livrarias...
Available here and at L'Mont en L'Air (Paris). Soon in more bookstores...

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Desenho do jogo: André Nóvoa ; Direcção editorial : Hugo Soares e Ana Simões ; Arte : Ana Matilde Sousa ; Design : Diogo Jesus
 
Game Design and text: André Nóvoa ; Editorial Direction : Hugo Soares and Ana Simões ; Art : Ana Matilde Sousa ; Design : Diogo Jesus




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Desenvolvido no âmbito do projecto E3GLOBAL, financiado pela FCT, e concebido como jogo companheiro da BD Einstein, Eddington e o Eclipse. Impressões de viagem. O propósito do jogo, para lá de envolver o jogador num momento crucial da história da ciência, é o de convidar à reflexão crítica sobre as geografias coloniais e infraestruturas imperiais que possibilitaram o sucesso desta expedição científica, tendo em conta os emaranhados sociais e ambientais que foi deixando pelo caminho.

Quer a BD quer o jogo é inspirado na viagem do astrofísico britânico, Arthur Stanley Eddington, que em 1919 partiu numa expedição para observar o eclipse solar total na ilha do Príncipe. A sua viagem, partindo de Cambridge, passando por Lisboa e Funchal, até às roças de São Tomé e Príncipe, foi mais do que uma aventura científica. Foi uma missão para testar a teoria da relatividade geral de Einstein, ainda por demonstrar, numa época em que o mundo ainda recuperava das consequências da Primeira Guerra Mundial.
 
Rumo ao Eclipse é um jogo histórico experimental que convida a calçar os sapatos de Eddington e fazer a sua viagem numa corrida contra o tempo. O jogo desenrola-se ao longo de quatro meses, durante os quais temos de navegar diversas dimensões: viagens em alto mar, logística e burocracia colonial, questões científicas e até a imprevisibilidade meteorológica - tudo num esforço para chegar ao Príncipe antes que a Lua projecte a sua sombra na Terra no dia 29 de maio de 1919. 
 
 
Chasing the Eclipse is a role-playing game (RPG) inspired by the journey of the British astrophysicist Arthur Stanley Eddington, who in 1919 set out on an expedition to observe the total solar eclipse on the island of Príncipe. His journey—from Cambridge, through Lisbon and Funchal, to the plantations of São Tomé and Príncipe—was more than a scientific adventure. It was a mission to test Einstein’s theory of general relativity, still unproven at the time, in a world that was still recovering from the consequences of the First World War.
 
Developed within the framework of the E3GLOBAL project, funded by the FCT, and conceived as a companion game to the graphic novel Einstein, Eddington and the Eclipse – Impressions of a Journey, Chasing the Eclipse is an experimental historical game that invites players to step into Eddington’s shoes and retrace his journey in a race against time. The game unfolds over four months, during which players must navigate multiple dimensions: sea voyages, colonial logistics and bureaucracy, scientific challenges, and even unpredictable weather conditions—all in an effort to reach Príncipe before the Moon casts its shadow on Earth on 29 May 1919.
 
Beyond immersing players in a crucial moment in the history of science, the game aims to encourage critical reflection on the colonial geographies and imperial infrastructures that made this scientific expedition possible, while also considering the social and environmental entanglements it left in its wake.


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Dez'25 / Feb'26
 
36p 16,5x23cm, a cores, agrafado / color, stapled
 
ISBN : 978-989-8363-55-8 (pt) / 978-989-8363-54-1 (en)



Einstein, Eddington e o Eclipse. Impressões de Viagem ... gerou um RPG!


Einstein, Eddington e o Eclipse. Impressões de Viagem 
por
Ana Simões (ensaio e argumento) e Ana Matilde Sousa (banda desenhada)

oitavo volume da colecção LowCCCost, uma colecção de livros de viagem ... para quem gostar de viajar sem apanhar transportes e gastar dinheiro!

Elaborado no âmbito do centenário do eclipse de 1919, este livro esteve associado à exposição E3 — Einstein, Eddington e o Eclipse e está dividido em duas partes (ensaio e banda desenhada), ambas bilingues, português e inglês, as duas principais línguas usadas durante a expedição. 

A banda desenhada toma a correspondência de Arthur Eddington trocada com sua mãe, irmã e o Observatório de Lisboa antes, durante e após a sua expedição à Ilha do Príncipe para estudar o eclipse solar total de 1919, como ponto de partida para uma narrativa gráfica de contornos experimentais e impressionistas. Focando-se na teia de actores humanos e não-humanos envolvidos nesta expedição – pessoas conhecidas e desconhecidas, animais, plantas, factores ambientais e afetivos – a BD, que também compila alguns documentos da exposição, estabelece uma relação intertextual com o ensaio teórico sobre as implicações científicas, políticas e sociais dessa viagem cujos resultados confirmaram a revolucionária teoria da relatividade de Einstein. As “impressões” da viagem assumem um duplo significado, referindo-se ao relato de Eddington por palavras e às marcas nas páginas, alusivas à presença material dos lugares visitados.

264p (156p a cores) 18,5 x 27cm, capa a cores com badanas 
 ISBN: 978-989-8363-510

Nova edição - revista e ampliada - disponível na nossa loja em linha e na Tigre de Papel, Kingpin Books, SocorroTinta nos Nervos, ZDB, BdManiaMatéria Prima e SnobA antiga poderá ser ainda encontrada na Mundo Fantasma, Utopia, Linha de Sombra, STET, Vida Portuguesa e Alquimia





Historial: 

apresentado no CIUHCT a 19 Dezembro 2019 
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apresentação virtual em V/Ler BD 
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Artigo no Público
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Excerto publicado na revista polaca Zupelnie Inny Swiat
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Boa crítica por Jürgen Renn (Max Planck Institute for the History of Science) na Centaurus
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Apresentação com as autoras e moderado por Hugo Soares no dia 10 de Junho 2024, às 20h, na Praça Azul da Feira do Livro de Lisboa
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Apresentação com a presença das autoras e o editor da Chili com Carne, Marcos Farrajota, e com o comentário do crítico e investigador Pedro Moura, o ilustrador e autor Miguel Santos e o cientista Federico Herrera no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, dia 20 Junho às 18h
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entrevista no Pranchas e Balões

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Ciclo de Conferências no Centro Nacional de Cultura12 de novembro | Einstein, Eddington e o Eclipse – Impressões de Viagem com Ana Matilde Sousa (CIEBA – FBAUL) e Ana Simões (CIUHCT – CIÊNCIAS-ULisboa); e, 26 de novembro | A Roça Sundy, Cadbury e o “Cacau escravo” com Duarte Pape (Paralelo Zero) e Hugo Soares (E3GLOBAL)

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O livro gerou um RPG, Rumo ao Eclipse, criado por André Nóvoa sob direcção editorial de Hugo Soares e Ana Simões, a arte de Ana Matilde Sousa e design de Diogo Jesus.




Feedback

(...) narrativa de enorme intensidade emocional (...) Eis um livro de viagens com vocação renascentista (...)
Sara Figueiredo Costa in ACERT

(...)  O encontro entre Hergé e Lovecraft tem perfeitamente o seu papel num livro sobre uma conclusão feliz da observação da ciência. 
 Livro desafiador que estende as condições de produção e o modo como a banda desenhada dialoga com o mundo, bem para além do veículo de ficção de género ou de narrativas dominadas a que a maioria das suas prestações nos habituou, Einstein, Eddington e o Eclipse poderá vir a tornar-se um exemplo maior da verdadeira inter- e transdisciplinaridade.
Pedro Moura in Ler BD


Além da notável originalidade da junção de dois registos – um científico e outro artístico, neste caso a história da ciência casa-se com a “nona arte”, que costumam andar apartados, - a obra é também original pela sua rara qualidade. O ensaio, que foi pensado tendo em conta leitores desconhecedores da matéria, sendo claro, é absolutamente rigoroso, indicando as fontes para os factos relatados (...). Na banda desenhada, delimitada pelos registos epistolares ou diarísticos, a imaginação já voa, mas o registo não deixa de ser rigoroso: vê-se que a artista se procurou documentar sobre os cenários que descreve visualmente, tendo consultado o material fotográfico disponível. Fugindo ao realismo, faz-nos entrar na atmosfera da época.
Carlos Fiolhais


Voltando ao que melhor li de BD feita por cá (...) Trata-se de um livro composto por um ensaio da historiadora e professora Ana Simões e uma banda desenhada da artista Ana Matilde Sousa. (...) Gosto muito de ver este tipo de parcerias, bem como das explorações gráficas desenvolvidas aqui pela Ana Matilde Sousa, mais conhecida nos meandros da BD por Hetamoé. Conheci-a no Clube do Inferno, esse conjunto de enfants térribles cheios de garra e vontade em fazer BD, e desde aí que tenho tentado seguir o seu trabalho. Aqui conquistou-me logo nas primeiras páginas com esta BD impressionista. Muito trabalho interessante na forma como trabalha a cor e também a fotografia, tudo para nos ir dando uma imagem/ sentimento da viagem de Eddigton (usando como base a correspondência que o cientista trocou com mãe, irmã e o Observatório de Lisboa).
Gabriel Martins via Facebook

 



Einstein, Eddington e o Eclipse é magnífico! (...) tirei a barriga cerebral da miséria.
Rodolfo Mariano (via email)

sexta-feira, 6 de março de 2026

Flash Point - versão Chili Com Carne - na Língua nos Dentes


10º volume da RUBI, a melhor colecção de Romances Gráficos em Portugal!

Co-edição com a Sendai - a versão da Chili Com Carne é limitada a 200 cópias e está à venda AQUI e na Linha de Sombra, Tigre de Papel, Snob, ZDB (Lisboa), Cassandra, Matéria Prima, Mundo FantasmaSocorroUtopia (Porto) e Velhotes (VN Gaia). E aina da Língua nos Dentes...


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Num dia quente de Verão, uma jovem japonesa deixa de ir à escola. Como uma piada inofensiva, ela e o marido desempregado da sua irmã começam a fazer vídeos parvos no Instagram, gerando milhões de visualizações. Quando ela aparece nas fotografias num comício do Shinzo Abe, a diversão toma um rumo completamente surreal e assustador. Como se sabe, a 8 de Julho de 2022, o ex-primeiro ministro é morto a tiro... . Na era da pós-verdade ela é logo envolvida em teorias da conspiração e como símbolo da extrema-direita.

Flash Point de Imai Arata atreve-se a tratar um assunto tabu, evitado por todos menos o mais corajoso dos artistas japoneses.

Na verdade, este livro é sintomático do problema da Banda Desenhada em tratar dos dias que correm, sempre preferiu escrever sobre o passado ou desenhar o futuro, fazendo impressionantes reconstituições históricas (Bourgeon, Tardi ou Nunsky) ou projecções (quase sempre) distópicas (Moebius, Geof Darrow ou Katsuhiro Otomo). O presente é que é um problema, especialmente com as bulhas ideológicas que o mundo está a viver. Se calhar sempre foi assim mas agora parecem bater-nos mesmo à nossa porta diariamente, graças às redes sociais. Também é verdade que em cada época da História há temas que são tabu ou que sejam mal acolhidos - basta lembrar as lutas ecológicas dos anos 60 e 70, em que o grande público não simpatizava e que agora, que o planeta prepara-se para dar o grande peido, toda a gente é "ecologista". 

É de salientar a enorme coragem de Arata de comentar temas que são tabu no Japão, um país que até tem um sistema político democrático mas com uma lista infinita de assuntos que não se tratam... No aclamado mangá F criou uma realidade paralela pós-Fukushima com um imaginário envolta do horroroso Daesh. O livro só teve edição profissional no EUA. Pelo Japão foram apenas impressos 300 exemplares, distribuídos de forma "underground", isto é, num circuito progressista do mundo das artes - a BD estava associada a uma exposição com o colectivo Chaos*Lounge - e pouco mais. Numa entrevista Arata diz que talvez umas pessoas de Fukushima também tenham tido acesso, tornando a publicação "mítica", uma vez que no Japão nenhuma editora teria coragem de publicá-la. 

Neste livro Arata decidiu pegar em vários temas actuais como o fascínio tóxico das redes sociais, a grande renúncia (The Great Resignation em inglês), as invasões populares aos locais de poder (que entretanto o Trump "legalizou"!), as tentativas e (poucas) concretizações de assassinatos de políticos - diziam os Stealing Orchestra que De um Tiro à Socapa nem o Papa escapa mas só Abe Shinzo é que bateu as botas até agora...; já para não falar das Teorias da Conspiração (a maior de todas é que não revelaram a maior delas todas: porque raios tem sido eleitos como presidentes os burgessos com os piores penteados de sempre, WTF!?), a pós-verdade e a subida da extrema-direita à escala global.

Não se deixem enganar pelo ar pateta-pop deste mangá. Por detrás da sua estética comercial, o leitor vai ter comida para o cérebro, na melhor tradição de quem pratica a sátira.



 
Imai Arata (1992) é dos poucos artistas engajado politicamente e independentes nos dias de hoje no Japão. Desde 2009 que faz vídeos, animação, instalações e banda desenhada num estilo de pseudo-reportagem, explorando temas como os sem-abrigo, a imigração e refugiados - mas também temas mais leves como o romance e o quotidiano. O seu mangá mais conhecido é F (2015), publicado profissionalmente apenas em inglês pela Glacier Bay Books, em 2021, que explora uma distopia numa realidade paralela após o evento do desastre nuclear de Fukushima. Este novo livro, Flash Point (2023), é uma sátira política sobre redes sociais e o assassinato de Shinzo Abe, vencedor do Prémio Shunji Enomoto do 5º Prémio de Mangás organizado pela torch comics e obtendo várias referências nas listas de final de ano das publicações especializadas japonesas.


FEEDBACK

Ontem li o Flashpoint entre duas viagens de comboio. Parecia um maluquinho a rir-me sozinho com o quão bizarro o livro é. As referências à fauna cibernética japonesa (é universal) estão muito bem sacadas. Fora o comentário político surrealista, claro. Ajudou-me a sobreviver a mais um dia (...) Mas a que custo?!
Rudolfo (via email)


Fez-me lembrar a atmosfera sufocante no Japão durante a pandemia do coronavírus e as informações confusas na altura do assassinato do ex-primeiro-ministro Abe Shinzo. Ainda existem teorias da conspiração sobre a vacina, e o partido anti-vacina já conquistaram vários lugares no parlamento. A maioria dos japoneses é passiva e não costuma realizar manifestações ou algo do género. No entanto, durante a pandemia do coronavírus, houve pessoas que fizeram declarações inflamatórias.
(...) um manga muito interessante. Gostei da mistura de realidade e ficção.
Naoko T. (via email)

quinta-feira, 5 de março de 2026

Caminhando Com Samuel /// NOVA EDIÇÃO (mais bonita, nova capa, mais páginas) / últimos 3 exemplares!!!


Nova edição do livro de bd de Tommi Musturi
pela MMMNNNRRRG

Tommi Musturi é um dos autores mais importantes na Finlândia, e também como dinamizador da BD. Já visitou várias vezes Portugal: Salão Lisboa 2005, na Feira Laica 2009 na Bedeteca de Lisboa, onde estava patente a exposição da antologia GlömpX, que participou como autor, comissariou e editou, Festival de BD de Beja (2014), Mundo Fantasma, BD Amadora e Tinta nos Nervos. Também já publicou em Portugal na revista Quadrado e no Mesinha de Cabeceira, tendo já um certo culto à sua volta.

Caminhando com Samuel é um livro universal porque a BD é muda (sem palavras), colorida e tão atraente que atinge vários quadrantes de público: o público infantil (embora haja um episódio sangrento), o adulto (que terá trips metafísicas), os colecionadores e os generalistas, os cromos da BD, da ilustração e do street-art (todos irão aprender com a técnica de Musturi), e até os "peter-pans" dos toys terão tesão - é uma promessa séria porque na MMMNNNRRRG sempre fomos muito sérios!
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160p. a cores, 21x21cm, capa dura
com marcador de fita
...
PVP : 20€ à venda na loja em linha da Chili Com Carne, Mundo Fantasma, Matéria Prima, ZDB, Tigre de PapelUniversal TongueUtopia, Tinta nos Nervos, Kingpin Books e It's a Book.

exemplos de páginas :




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Historial:

obra seleccionada para a Bedeteca Ideal 
... 
nomeado para Melhor Álbum, Melhor Desenho e Melhor Argumento Estrangeiro para os Prémios Central Comics 
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Feedback: 
é muito bom o livro - vou precisar de outro livro porque ofereci o meu 
Travassos (Cleanfeed, Shhhpuma)

um dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos
Sara Figueiredo Costa / Expresso 

(...) não necessita que se diga muito sobre ela. E não é por ser uma bd muda. Nesta edição excelente da Mmmnnnrrrg é uma obra que precisa sobretudo de ser saboreada. Ao som ritmado dos passos 

Dos gelos da Finlândia chega a saga psicadélica do pequeno gnomo Samuel. É a mais relevante edição de BD produzida em território nacional este ano. 
João Chambel (Heróis da Literatura Portuguesa)

But Samuel is not the ultimate Godhead, as we have seen; he is played by a higher hand: Samuel is not just any puppet, he is THE puppet, a perfect in-between character, a mirror of both God and us.

I have been looking at the Musturi comic every day since I got it, so beautiful and imaginary!
Christopher Webster (Malus)

Gramei o Samuel. BD contemplativa. é um equilíbrio bem subtil entre o desenho clínico, o abstraccionismo da história e o uso das cores. Fiquei curioso com a continuação: a recompensa do final acaba por não ser o mais importante aqui (...)
B Fachada

quarta-feira, 4 de março de 2026

Mr. Burroughs ::: edição dos 25 anos


Chegou o livro mais atrasado de sempre mas está entesado o "Mr. B." Diriamos que é até o nosso primeiro "Álbum"!

Curse go back teria dito o verdadeiro Burroughs!!... entretanto o livro já se encontra na nossa loja em linha e na Kingpin Books, Linha de Sombra, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos (Lisboa), Mundo Fantasma e Socorro (Porto).  Brevemente na Matéria Prima!


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23º volume da Mercantologia, colecção dedicada à recuperação de material perdido do mundo dos fanzines e edição independente.

Publicada originalmente em Novembro de 2000 pela Círculo de Abuso, passado três anos seria publicado pela belga Fréon (futura Frémok) em francês, algo inédito na BD portuguesa na altura - o que revela a maturidade da obra e da cena portuguesa naquela época, ou seja nos meados dos anos 90 até os meados dos anos 00.

A nova edição é maior que a original - passou para 21x28 cm -, tem 56 páginas a preto e branco e uma capa em cartolina rosa. Foram emendados pequenas gralhas e dado algum tratamento sobre as páginas originais. O design do livro ficou a cargo de Pedro Nora e foi acrescentado um posfácio de Marcos Farrajota para contextualizar este livro nesses tempos eufóricos da BD portuguesa.

ISBN: 9789898363534

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sinopse:

Este Mr. Burroughs não é  William Burroughs, mas é como se fosse; é um sócia alternativo do romancista norte-americano, que se confronta com uma crise de criatividade.

Assombrado pelo fantasma de sua irrepreensível carreira, e ousando desafiar a vida para conhecer os seus limites, Mr Burroughs vai enfrentar a verdade sobre si mesmo para descobrir porque é que tudo aquilo que toca se transforma nele próprio.



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FEEDBBACK (da primeira edição e a a edição belga)

Minimalista nos meios, preto e branco rigoroso, (...) narração surrealista mas fluída (...) uma homenagem estranha, surpreendente e entusiasmante. 

Les Inrockuptibles

Obra que se livrou de todos os ornamentos da lenda sulfurosa, concentra-se inteiramente no processo de criação.  

Bang

(...) obra mais poética que narrativa , mais evocativa que descritiva. (...) A estilização do desenho de Pedro Nora privilegia a angulação expressionista, (...) o traço que fere como um bisturi e tudo inunda de borrões de tinta, como golfadas de sangue. 

Domingos Isabelinho in Quadrado

 

FEEDBACK da nova edição

óptima re-edição.

Paulo Mendes (via email)

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 sobre o livro

Por momentos, entre 1996 e 2001, (...) os ilustradores e autores de BD sentiram que iriam ser compreendidos pelos seus trabalhos, que não seriam ignorados pelo público nem pelos retrógados agentes oficiais da BD. (...) Houve Hype! Havia algo no ar! Havia juventude gira para aparecer em fotografias de revistas e jornais ou até TV, ena! 

No meio desta cena excitante, o David Soares criou a sua etiqueta editorial Círculo de Abuso em 2000, após algumas edições auto-editadas que apareceram do húmus da cena dos fanzines. (...) Soares irá surpreender pela sua produção assombrosa, mistura de Horror, Fantástico e a sua visão muito pessoal sobre fantasmas literários ou o fascínio pelo cinema. 

O Mr. Burroughs é o segundo livro (oficial) que publica e é o primeiro em parceria com outro ilustrador que será o Pedro Nora (...). Uma família de fumadores de haxixe conta a lenda que os autores se conheceram através do livro colectivo Lisboa 24H00 publicado pela Bedeteca de Lisboa, em que ambos participaram. (...) Nora vinha também dos fanzines (...) Como artista gráfico impressionava para alguém tão jovem ter uma linguagem gráfica tão depurada, nervosa, angular e solta. 

Os autores nunca mais irão colaborar em conjunto, embora ainda apareçam com BDs curtas a solo, na seminal antologia Mutate & Survive (Chili Com Carne; 2001). Numa simetria macabra, três anos depois da publicação em Portugal a obra é editada na Bélgica pela Fréon. Se ainda hoje é raro os livros portugueses serem traduzidos - ainda por cima de autores novos! - em 2003 era mais do que impressionante este acontecimento. (...)

A Bedeteca impulsionou esta nova geração de artistas, de forma directa com acções e apoios, e indirecta pelo élan que gerou junto à sociedade portuguesa mas "Mr. B" fazendo parte desta cena emergente não deixa de ser uma obra autónoma das influencias institucionais. Se, indirectamente, é graças ao Lisboa 24H00 que tudo isto acontece, no entanto a Círculo de Abuso não tinha recebido qualquer apoio institucional. Esta obra, bem como as outras de David Soares, deve-se às suas forças criativas telúricas, e neste caso, com Nora em quererem construir uma obra matura, artística, literária e com pelo na venta! 

Sem diminuir os seus esforços, na realidade era o que todos os artistas de BD na naquela altura queriam fazer, longe das vontades miméticas de alguma produção actual. Desses desejos artísticos, saíram algumas pérolas como este "Mr. B" que bem vale a pena recuperar para novos leitores (...) Já os mais cínicos dizem que a edição original por se encontrar a preços estrambólicos no souk da BD, era inevitável acontecer uma edição comemorativa dos 25 anos de "Mr. B" para acalmar os cripto-especuladores! Rumores...

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sobre os autores

David Soares (Lisboa; 1976) é escritor, historiador, mestre em História Moderna, investigador integrado do CHAM-Centro de Humanidades (NOVA FCSH). A sua obra diversifica-se pelo romance, a banda desenhada, o ensaio e o spoken word. Como autor de banda desenhada, foi premiado com quatro troféus para Melhor Argumentista Nacional e uma Bolsa de Criação Literária, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas  (2002). A sua obra historiográfica O Bobo e o Alquimista: Deformidade Física e Moral na Corte de D. João III (Verbi Gratia, 2024) foi distinguida com o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian - História Moderna e Contemporânea de Portugal, atribuído pela Academia Portuguesa da História (2024).

Pedro Nora (Vila Nova de Gaia; 1977) é um designer gráfico licenciado pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Desde 2001 que desenvolve trabalho na área cultural, tendo-se especializado em design gráfico para exposições de arte contemporânea, em design editorial e em design de livro de artista - de entre as suas colaborações institucionais destacam-se Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação de Serralves, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Moderna Museet Malmö (Suécia), Kunsthalle de Basel (Suíça), Palais de Tokyo (França) e Bergen Kunsthall (Noruega). Colabora com regularidade com as editoras Dafne, Ghost, Pierre von Kleist. Foi co-editor da revista Satélite Internacional (2002-05), da editora Braço de Ferro (2007-11), do jornal Buraco (2011-19). Integrou o colectivo Oficina ARARA entre 2014 e 2020. Em 2020 deu início ao projecto editorial FOJO.
 
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 Historial:
 
Lançado a 28 de Fevereiro 2026 na Tinta nos Nervos, com as presenças dos autores David Soares e Pedro Nora e o editor Marcos Farrajota "que falaram do passado" afinal este livro comemora 25 (26) anos da sua edição original em 2000.