sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

E o disco do ano é


Turba (New Approach) de Metadevice.

Já perdi a conta das edições de Metamachine, projecto que aparece no meio da pandemia covid, ainda mais porque apanhei uma edição especial deste disco que inclui um CD-R limitado, Atomization, no meio de tanto luxo editorial: capas e posters e capas e posters e capas e posters, dentro uns dos outros e não sei o quê que a dada altura já nem sei voltar a montar a edição como estava. Queixas? Não, o sentido estético é tão exigente como a música, deixando de haver diferença entre André Coelho músico e desenhador. 

São discos que tratam deste mundo que acaba com um soluço e não com uma explosão, dada a impotência de todos contra uma máquina fora de controlo mas que nos controla e dirige. O alerta vai para a desmaterialização do ambiente humano para um digital zombie. E se a música soa a contínuos electrochoques com títulos colocados por um gajo inteligente e observador não significa que tenha conteúdo político - é uma questão debatida, o ruído per se é político? Para libertar as dúvidas venham as vozes de Rui Almeida sacando as literaturas ambientais de Nathaniel West e Thomas Pynchon, moldam um retrato de 2021 e a nossa paradoxal miséria humana - voltem Situacionistas, estão perdoados.

Por fim, destaque ainda para duas produções portuguesas deste ano, a saber Chroma (Nau) do lisboeta Bernardo Devlin a acrescentar mais desnorte existencial e Ata Saturna (Lovers & Lollypops) dos Conferência Inferno que apesar de ainda serem uns Suicide e New Order mitrados, tem potencial para algo mais.

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

João Paulo Cotrim, the Smartest Kid on Earth

 

(retrato roubado ao André Carrilho - título do "post" gamado ao Chris Ware)


Ontem 

Cotrim era um homem muito generoso e dos mais inteligentes que conheci. 

O seu lugar de Director da Bedeteca de Lisboa permitiu-lhe fazer tudo para mostrar uma Banda Desenhada diferente do mofo imundo que em que vivia. Já tinha mostrado, em parceria com Renato Abreu, como deveria ser a BD do futuro com a revista Lx Comics mas com a Bedeteca cristalizou o passado - recuperando Rafael Bordalo Pinheiro, Cottinelli Telmo, Carlos Botelho, Sérgio Luiz e Fernando Bento em monográficos mas também com a publicação de investigações sobre a História da BD portuguesa. Incentivou um presente-urgente com exposições estrangeiras da vanguarda europeia - Amok, Fréon, L'Association -, encomendando obras e livros, apoiando as fracas editoras que existiam na altura e os novos autores cheios de tusa recuperando para eles o título Lx Comics numa colecção de "comic-books", formato adorado na altura. Muitos dos nossos autores tiveram o seu primeiro livro publicado nesta colecção, logo eu e o Pedro Brito nos primeiros dois números e mais tarde André Lemos, Rafael Gouveia, João Chambel, Pepedelrey, Isabel Carvalho, Pedro Zamith e Francisco Sousa Lobo, citando apenas aqueles que foram/são associados nossos ou que publicamos com mais frequência. Houve mais artistas em 17 números!

O futuro também estava previsto, uma Bedeteca que seria um centro cultural. Tudo estava preparado com toda uma nova geração de artistas e editores a produzir obras do seu tempo. Depois, foi tudo à vida, lentamente, perdoem-me o pudor místico, voltando a BD a algum retrocesso dos anos 90. Nem tudo regrediu, havia mais agentes em marcha, felizmente.


Hoje

Se o Presidente o homenageia, aposto que ele nem sabe o que é uma Bedeteca - nunca o vi a frequentar uma. Se há centenas de artistas e escritores a relembrarem Cotrim nas suas redes sociais, por outro lado, muita da gente da BD ignora-o. Não sabem o que ele fez e temo, dado que a cena é reacionária, que deverão arrotar postas de pescada imundas em breve. Talvez o silêncio ou ausência de discurso dos ditos amantes da BD seja uma benesse. 

Na BD portuguesa, um lado estranha Cotrim e do outro (público em geral ainda) se estranha o que é a BD. Só José Marmeleira no Público soube escrever sobre um Cotrim equilibrado nos mundos da imprensa, literatura, edição e "bonecada" - será que ele gostava do Jimmy Corrigan? Não me lembro... Só me lembro da sua cara de gato traquinas.

Hoje, a actual "gestora" da Bedeteca de Lisboa, a Junta de Freguesia dos Olivais, anunciou que vai fechar o equipamento para obras. A coincidência não poderia de ser de pior gosto, ou digna de conspiração cósmica. Espero, no entanto, que seja um bom sinal para tratar da incúria e desinvestimento de uma década da Câmara Municipal de Lisboa e da dita Junta em relação ao palacete "farsolas" (assim Cotrim referia o Palácio do Contador-Mor) e ao seu acervo. Veremos...


Amanhã

Gostaria de ser mais optimista mas o que tenho visto do lado da cena da BD, o trabalho de Cotrim cairá em ignorância, como toda a Cultura em Portugal. Se se recuperam certos autores de outras áreas artísticas aqui e ali, na BD tudo é fatal e no máximo aposta-se no R.B. Pinheiro ou no Stuart. O resto não parece interessar a mais ninguém. 

Para que serve uma Bedeteca no século XXI? Para combater a ignorância sobre e do próprio meio. Cotrim, o "rapaz mais esperto do mundo" já o sabia há 25 anos atrás.


Marcos Farrajota

sábado, 25 de dezembro de 2021

a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal



Precisamente um ano após a Chili Com Carne e a rotten / trash terem iniciado a série mais impactante do mercado musical português - servindo os Braille Zero de "Gatilho" - chega-nos agora a derradeira compilação desta Natalixo! 

NAU 25 - É ISTO QUE EU CHAMO DRONE NATALÍCIO contém os melhores temas natalícios alguma vez publicados, ideais para se ouvirem no aconchego familiar do seu lar e ajudar à sesta colectiva para que este dia 25 de comunhão e jubilo natalício passe o mais rapidamente possível para todos. 

Já não terá que aturar as piadas machistas do tio depravado ou a conversa da treta com factos altamente duvidosos dos avós fachos, basta apenas adquirir este singelo minicd que tudo ficará resolvido após uma soneca relaxante ao som de drones de canções populares como A Todos Um Bom Natal e Mundo Encantado dos Brinquedos, autênticos hits da pequenada no shopping center, ou de versões aprimoradas dos projectos originais Shoetos & Pontapés, Arcanjos e Boy que ajudarão os mais graúdos a curar a bebedeira solitária neste dia tão especial.

🎅🎅🎅 Feliz Natalixo 2021 🎅🎅🎅

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Vaidade vinílica

 


Pior que fazer discos em vinilo só de um lado é fazer discos duplos que não suportam certos tipos de música que não foram feitos para esse formato. O Rock psicadélico e o Prog tiveram os seus dias de glória porque banalizou-se o 12", da mesma forma que a música Illbient, Drone ou Doom aproveitaram os 80 minutos dos CDs para construírem mundos de muitas horas sonoras. Estranho caso este da estreia de VeganovA  com Nogod in Sirius (-Belligeranza; 2020) na editora do nosso amigo DJ Balli, em vinilo é uma chatice de 15 em 15 minutos ter de mudar de lado do disco para ouvir um álbum que soa bem em digital, seja no seu bandcamp seja nos ficheiros fornecidos na compra do disco. Já se está a ver tudo, ou as faixas não cabiam num lado do disco ou ficariam muito comprimidas perdendo qualidade no som. Pois amigos, é por isso que os artistas tem de perceber de restrições técnicas ou essa é a razão dos editores ainda existirem, para canalizar a criação para a publicação. Enfim...

A música é um ambiental-sideral do mundo do quarto, "cosmosplotation" e inclassificável - de resto talvez em sintonia com o mini-hype que houve em volta do colectivo / editora Arte Tetra. Soa melhor em digital, fazer o quê? Demorei um ano a perceber isso por mais que babe ao abrir a capa e descobrir uma cinta de moebius:


Ó Fetichismo pela Mercadoria! Feliz natalixo! Que esta música vos ilumine numa das piores noites do ano.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

a CCC está com o MAL


+info sobre o MAL

Nos baldios deixados ao abandono pelos grupos editoriais hegemónicos nasceram algumas editoras que aí instalam os seus enxovais e produzem livros com propostas diferentes — no conteúdo, no grafismo, nos meios de produção, na distribuição, no discurso e nas práticas. 

O MAL pretende tão só cultivar um espaço de respiração para o que ainda sobrevive no terreno devastado pela monocultura intensiva do livro. 

Em contramão à uniformização operada pelos cartéis editoriais, que produzem objectos-livro cada vez mais indistintos entre si, estas editoras que se apresentam no MAL ocuparam o espaço destinado à invenção e ao risco, revelando que é possível editar livros que ainda se esquivam a partilhar prateleiras com blocos de notas, porta-chaves de cortiça, sardinhas de faiança e peluches do Camões. 

Da poesia à prosa, da banda desenhada ao ensaio, da fotografia à ilustração, com hibridismos pelo meio, tudo isto mal cabe no MAL.

Da nossa parte teremos o novo livro de Francisco Sousa Lobo!!!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

E no Porto...


Tal como no ano passado estamos no Perímetro representados pela Senhora Presidenta!

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

A Fábrica de Erisicton // ESGOTADO

 


O fanzine Mesinha de Cabeceira voltou numa onda de "back to the basics" após cinco anos de ausência. Este retorno às origens humildes de uma tiragem baixa de 100 exemplares, como fanzine / zine / perzine (riscar o que não interessa), tal como em 1992 (ano do primeiro número) tem a razão de ser para dar voz a autores desconhecidos / novos / fora de qualquer radar (riscar o que não interessa).

Começamos com A Fábrica de Erisicton de André Ferreira que é uma BD eco-psicadélica inesperada sobre a destruição do Alentejo pelas culturas super-intensivas que se praticam. O grafismo é tão naíf como visionário, com poucos sítios para segurarmo-nos se não fosse o facto da mensagem ser tão desesperante. O aviso já pouco serve, o Destino está traçado, como se vê nestes anos estranhos que vivemos, em que nada mudou em termos de atitude ecológica, a borregada quer é viajar e poluir. 

Resta-nos estes pedaços de arte colorida e imaginativa em singelas 24 páginas. 
Obrigado André!



Mesinha de Cabeceira #29, edição da Chili Com Carne, Abril 2021, 24p a cores 18x25 cm, capa a cores, 100 5 exemplares.



ESGOTADO, ainda devem encontrar exemplares na Kingpin Books, Linha de Sombra, Neat Records, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Utopia, Alquimia e na ZDB.



sobre o autor: faz música sob o nome de Goran Titol - que poderá participar este ano numa colectânea da nossa série Música Portuguesa a Melhora-se Dela Própria -  animação em técnica de "stop-motion" com ajuda da Mãe Natureza e é autor da BD tendo participado na antologia Venham +5 e com o livro a solo Ouro Formigas (2013), ambos publicados pela Bedeteca de Beja.


 FEEDBACK: 

Panfleto libelo anti-destruição da natureza em nosso torno, disfarçado de reconto mitográfico psicadélico (...), breve passeio alucinado que deveria antes servir de guia para redescoberta da nossa paisagem e manual de instruções para a sua recuperação... segundo a Tinta Nos Nervos


Entrevista no P3 / Público

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Centro de Cópias


Bela k7 que saiu a How nature speaks de Superalma Project pela editora do momento Rotten// Fresh. Embora ouvir isto pense sempre inevitavelmente em Fire-Toolz não fosse a mix feita de Vaporwave, Black Metal, Jazz e IDM num caos pensadinho. A desvantagem será que tudo é colagem e não performance, ao contrário de Fire-Toolz que sempre toca uma beca. Por outro lado no século XXI ninguém quer saber de virtuosos para nada - é de cagar a rir quando miúdos perguntam se os desenhos do João Maio Pinto são feitos a computador - interessa sim copiar bem o excesso de informação nem sei bem para quê... Quem o faz sabe? A capa revela a música, o bibelô surpreende mas a dada altura cria repulsa pelo cansaço do exagero digital - embora eu daria tudo para ter um bibelô assim em casa, claro! Tarefa cumprida, siga, qual a próxima edição?

domingo, 12 de dezembro de 2021

O belga e a monstra

 

A grande Parangona - graças ao Tasco do Natxo - pariu um rato de público. Infelizmente e que fazer quando a razão do evento é a que sofre por causa da sua animação paralela? Triste...

Positivo só algumas compras feitas no evento como este El Hoebrelobo & La Momia (Mamá Press; 2021) do brasileiro Eduardo Belga. Um "split-book" de pura escatologia e auto-mutilação Gore de quem sabe desenhar o que lhe apetece incluíndo humilhações sexuais e um atropelamento violento contra um carro, por exemplo. Impressiona à primeira vista e à segunda.

A distribuição está a cargo do nosso amigo Prego. Perguntem-lhe por este título editado em Espanha e redigido em castelhano



Outra que impressiona é o primeiro número de Incandescente (2021) de Mariana Pita. Por duas razões, a primeira porque ela revela um estilo de desenho que poderia (pode!) desafiar a qualidade de qualquer "comic-book" americano - Image bullshit, etc... - e porque por isso mesmo, habituados ao estilo "fofinho" e naive de Pita, de repente somos confrontados com um estilo "realista" de uns X-Men do século XXI - só falta o estúdio de cor digital para ficar tal e qual.

Deve-se a mudança - não é mudança! - de estilo porque como já escreveu o Tommi Musturi a forma ou estilo deve acompanhar a mensagem / conteúdo da ideia. Como Pita quer fazer uma BD de uma "Magical Girl" então desenhou de forma mais naturalista. 

Nota negativa apenas são as poucas páginas que deixam saliva no leitor e se a Pita não concluir a "série" toda tenho a certeza que vai haver revoltas nas ruas, quedas de governo e carros incendiados! A sério!

sábado, 11 de dezembro de 2021

Tommi Musturi @ Todas as Palavras



Todas as Palavras: Ana Daniela Soares e Inês Fonseca Santos apresentam os livros e os autores que nos emocionam - como o Tommi Musturi!!!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Leiria sabe


As edições vão estar na Feira Torta, em Leiria, através da Paperview... Leiria sabe que não vale a pena fazer uma feira de edição independente que obriguem os seus editores exaustos dos dias de trabalho a ficarem mais de oito horas a apanhar seca como foi este fim-de-semana na ZDB (vulgo, o Tasco do Natxo).

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

ccc@Museu.Bordalo.Pinheiro


O Museu do Bordalo Pinheiro - o pai da BD portuguesa, mother-fucker! - organiza um mercado de BD e ilustração e nós vamos. E aproveitamos para apresentar no dia 12 de Dezembro, às 15h, o Hoje Não da Ana Margarida Matos porque merece a filhota! 

Vovô Industrial

Este EP 7" dos Los Humillados, Rua do Gin, The Barbie Lovers e HIST (Grabaciones Góticas + Facadas na Noite; 1990) é um pedaço de história curiosa. Raramente naquela altura, em Portugal, havia edições em vinil de bandas underground e aponta que houve uma altura em que existia algum intercâmbio cultural com os nossos hermanos e que fez fade out nos anos 90 - hoje nenhum dos dois países se interessam pelo que passa num ou no outro país, tristeza...

"Os espanhóis humilhados" soam a escuteiros à fogueira com vontade de suicídio. Rua do Gin é uma desilusão pois esperava uma réplica de um dos temas mais selvagens de sempre do Rock tuga - refiro-me a Rebeca no primeiro volume das colectâneas bracarenses À Sombra de Deus - aqui parece apenas um Pop bizarrito. Os catalães "amantes da Barbie" parecem ter vozes distorcidas de Frank Zappa com um Industrial light e nerd. Por fim, Hist é EBM em speed com samplagem repetitiva como era normal na altura porque a tecnologia era primitiva - queria ver os Rotten / Fresh e afins a fazerem música com os programitas da altura!

Agora que um espectro de música menos convencional começa a ser descoberto, percebendo-se que em Portugal a década de 80 não foi só Mão Morta, Pop Dell'Arte e a Ama Romanta mas que existia outras editoras e projectos com perfis mais "radicais" para uma sociedade portuguesa estagnada, este EP tem também o seu encanto gráfico e sonoro. Co-edição de duas editoras, uma portuguesa e outra espanhola, cada uma a editar dois projectos dos seus países, aparece com uma capa dourada porque, de certeza, os espanhóis adoram coisas que brilham e com o grafismo que está ao nível europeu do que se fazia na altura na onda Industrial - aliás este tipo de música sempre esteve sempre mais nivelado ao que se fazia no resto do mundo do que os outros géneros de música cá em Portugal, gostaria de perceber porquê um dia! Problema é o som que está baixo mas há uma razão, a "master" foi enviada para a fábrica em Espanha e os CTT perderam a dita cuja. Ao que parece o disco já estava pago e algo tinha de acontecer, senão era dinheiro para o lixo. Resultado, pegou-se numa gravação inferior que existia e gravou-se este vinil. Narrativa curiosa de amadorismo e independência que acontece frequentemente nestes meios, sem razão para humilhação pública, diria até pelo contrário, é uma glória perante as dificuldades de um mundo pré-digital. 

Por falar em HIST, foi reeditada a k7 desta banda de Setúbal, na actual segunda vida da SPH. O livrinho de letras e imagens está um mimo, diga-se.

The Greytest Hi$t 1983 85 são uns 15 temas de puro lo fi muito antes de se rotular de Industrial ou Experimental ou Electrónico - hoje diria-se post-punk, suponho eu. Lembra sobretudo Tuxedomoon talvez pelos ritmos esquizóides com guitarras angulares, uivos e o contínuo musical que não sabemos bem para onde nos leva.

É penoso q.b. ouvir estas gravações, a não ser que sejam freaks do lo fi, claro, o que aliás demostra o quanto os nossos ouvidos e cérebros já foram higienizados pela perfeição do digital. Mas é uma questão de hábito e desprogramação afinal a História não pode ser dos vencedores, não pode!

sábado, 4 de dezembro de 2021

Lodo gaitinhas



Mulk / Golem of Gore / Nyctophogia / DJ Balli 
(Still Fukin Angry + DDP; 2021)

Queria ver se o Malefic não ia chorar como um menino numa ressonância magnética. Ia lacrimejar-se (mijar-se!) todo porque aquilo é um sarcófago de boas intenções para descobrir as maleitas, que servirão para um diagnóstico e respectiva cura. Dentro do túnel do RM ouvem-se sons parecidos com esta split-tape que junta o francês Mulk, a dar no Cybergrind mas com toques de quem curte Breakbeat e Glitch sem nunca esquecendo The Berzerker; os italianos Golem of Gore são os mais óbvios desta grupeta da k7 com o seu Goregrind exposto em "gorefilia" e um interlúdio Giallo - mais italiano impossível!; o texano Nyctophagia é triturador com toques Death e nesta altura já é de tocar de botão de pânico dentro do túnel branco! O golpe final e para enlouquecer de vez na brancura clínica é dado pelos italianos DJ Balli e Ralph Brown que acabam a edição em grande com as suas duas faixas de Extratone - ou seja 1000 BPM para cima, são tantas as batidas que fazem um "tom", não, não um ritmo dançante bem "headbangeriano", apenas insanidade sónica e renascença. 

Os Atari Teenage Riot já tinha alertado para não acreditarmos na velocidade (ou nos "speeds", a letra é dúbia), eis a prova de que há limites técnicos e humanos no mundo sónico. Sobretudo, a k7 serve de treino pra quem almeja a terceira idade, quando o corpo começa a desfiar e a agenda começa a ficar cheia de encontros com médicos, análises e exames médicos invés de flirts, drogas recreativas e concertos em caves imundas. Nada pior pior para um Trve BM do que isso, pá, a Vida!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

CHILI com YUZIN


E vai ficar concluída a nossa colaboração com a agenda cultural açoreana Yuzin com uma "BD cadáver-esquisito" em sete partes, começada por Gonçalo Duarte, seguida por Alexandra Saldanha, a dupla (açoreana, yo!) Francisco Afonso Lopes e Francisco Lacerda, Rodolfo MarianoDois Vêsgato mariano Tiago da Bernarda e concluída por Mariana Pita.

ccc@Parangona


 + infos AQUI

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Novos Opuntias

 


Nestes anos de pandemia é absolutamente incrível ter assistido ao quase desaparecimento da cena gráfica portuguesa, isto apenas porque deixou de haver eventos de edição independente ora cancelados ora eternamente adiados. Ou seja, sem esta "distribuição" a cena não existe porque os seus editores não souberam na última década pensar fora do baralho - com excepções que confirmam a regra. A maior parte da produção portuguesa publicada em estruturas estrangeiras - antologias ou livros a solo - e houve claro os velhos da cena aguentaram-se em actividade: a Chili Com Carne, claro, mas também o Fojo, Imprensa Canalha, o Rudolfo a insistir nos Musclechoos mas também os recém-chegados Bestiário (com o livro do André Coelho) e o regresso da Opuntia. 

E eu é que regresso sempre aos Opuntias porque vale bem a pena, num mundo de espaço virtual infinito mas que não passa de um depósito de "likes" e chi-corações, é importante ocupar electricidade e pixels a divulgar projectos de qualidade, aliás, havendo este fim-de-semana a Parangona, largue o smart-phone assassino e ide lá gastar dinheiro neste projecto editorial, sff. Eis as duas últimas novidades: 

Ungodly Forsaken Place do seu próprio editor André Lemos, que parte a tradição dos formatinhos A5 do Opuntia. Pela primeira vez há um A4 que se explica pelo facto que os últimos desenhos de Lemos estejam mais detalhados e telúricos - viu-se este fim-de-semana na exposição no Homem do Saco - impondo um formato maior e de maior legibilidade e presença física. Assim temos uma edição tesuda de imagens de animalário, acidentes e vivas naturezas, um "meltdown" premonitório que fez algumas pessoas cancelarem a viagem naquele barco chamado Titanic.

Repent! do finlandês Lauri Mäkimurto é uma mini-galeria portátil (não são todos os graphzines?) de pintura e desenho deste artista. Do seu imaginário diria que Palsa estará sempre presente mas também algo de Jukka Siikala na decomposição dos materiais representados. Aqui também há sonhos e fantasmas, cenas de arrepiar a espinha, se ela ainda existir.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Que vergonha, servimos de conteúdo prá TV


 

Alguém sabe se o concorrente ao menos acertou?

Senão digam-lhe para vir aqui comprar as revistas!

sábado, 13 de novembro de 2021

Lançado no Dia dos Finados em homenagem a Paco Bandeira (1945-2012) :::: ESGOTADO


Lançado no Dia dos Finados em homenagem a Paco Bandeira (1945-2012), esta co-edição com a 
Rotten / Trash é limitada a 30 cópias. Mini-CD gravado entre os rios Tejo e Coina por um colectivo de artistas anónimos com o apoio da Fundação Pago-te Bandeira Para o Desenvolvimento.

Cinquenta mil discos destruídos em Sintra, pelo menos dez na Cabra Figa. Até quando vai pulular o ódio e a falta de respeito pela música? São estas as perguntas que a Fundação Pago-te Bandeira Para o Desenvolvimento® coloca na sua primeira campanha pública, trazida em co-produção com a rotten / trash e a Chili Com Carne e lançada no dia 1 de Novembro - ✝dia dos mortos✝™ - numa vã vontade de conservar a vida de uma arte e de um artista putréfido. 

As cinco obras tecidas por um colectivo de artistas anónimos foram gravadas colaborativamente com o financiamento da Fundação Pago-te Bandeira Para o Desenvolvimento® e do movimento "Pelo Menos Respeitem a Música"® com parte dos lucros a reverterem para a criação de uma escola de surf para gatos em Elvas.


COPY CONTROL™

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Rei da BD Portuguesa responde à pergunta: "Será a caneta mais poderosa do que a espada?"


A edição portuguesa do Monde Diplomatique tem publicado, sob a nossa coordenação, as respostas em Banda Desenhada por uma série de artistas. 

Este mês é a vez de Rudolfo, o autor de tanta coisa que seria ridículo anunciar aqui, se não sabes, não existes!

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

ccc@zinefest.leipzig

 


We will have a selection of our books at Magma Bruta's table at Zinefest Leipzig!
6th of November from 12h to 18h at 'Das Japanische Haus'
Come say hi 

:o)

terça-feira, 2 de novembro de 2021

MEGG, MOGG e MOCHO -------- últimos exemplares!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


New York Times bestseller

Autor publicado em 13 países diferentes chega a Portugal finalmente!

O trabalho de Hanselmann explora a toxicodependência, depressão e a ansiedade quotidianas com precisão e subtileza… É tão pueril como trágico, ordinário como carinhoso. E pode ser, como na vida, muito divertido 
- The Guardian 

uma profunda inquietante, hilariante visão do ennui milenar
- Paste 

parece o triângulo amoroso da Krazy Kat mas da geração MDMA ou do crack, nem sei bem...
- Marte (Loverboy)

 As piadas envolvem montes de drogas mas não são piadas de ganzados...
- Walt Thisney 

Simon Hanselmann é a cena à séria. Ele apanha o ganzado caseiro de forma tão correcta que acho as suas BDs muito deprimentes e graças a Deus que já não tenho de conviver com malta deste tipo...
– Daniel Clowes (Mundo Fantasma)

Estas são actualmente as melhores BDS a serem feitas no mundo, eu acredito mesmo nisso.
– James Kochalka (Magic Boy)


Megg, Mogg & Mocho 
por 
35º volume da MMMNNNRRRG 
64p a cores, 16,5x23,5cm 

Tradução e legendagem por André Pereira. Design de Joana Pires.


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feedback:

Esta é uma banda desenhada cuja verve e força só pode ser compreendida no momento em que se fecham as suas capas e em retrospectiva se compreende a estranha poesia de asfalto que ela promete.

Comprar sem medos

Melhores livros de BD 2016O humor de Simon Hanselmann tem a particularidade de conseguir ter tanto de hilariante como de incomodativo. O que o autor nos traz aqui é um verdadeiro caldeirão de sentimentos. À primeira vista, o trabalho de Hanselman poderá parecer ordinário pelo simples prazer de o ser, mas existe algo mais nas aventuras deste trio e na forma como o seu estilo de vida é explorado: no fundo, estamos perante três grandes figuras trágicas. Uma BD sem paralelo que não merece passar despercebida.

Pode uma stoner comedy ser mais do que tshirts para bros e entretém de sessões de bongo? Pode. Prova disso é Megg, Mogg e Mocho, (...) crónica negativa de um autor crescido no buraco do cu que é a Tasmânia, com ganas de se travestir, e de carreira tardia (só decide dedicar-se a sério na roda dos 30). (...) MMM tem animais falantes, talvez o único mandamento ditado a Moisés atinente à banda desenhada, e segue a estrutura de uma “sitcom”, com piadolas típicas da intersecção espacial intrafamiliar ou de vizinhança patente nas séries americanas de e para gente sentada. Por vezes há expedições ao “lá fora”, fantasmático, esparsamente povoado por polícias, parolos, e normalóides. Megg e Mogg, com duplos “gs” para não infringir os direitos do casal bruxa-gato que protagonizava uma série infantil dos anos 70, vivem numa interminável stasis que não se percebe se é determinada pela longa depressão de Megg, se pela falta de elegibilidade de Mogg no centro de emprego. Partilham casa com o Mocho, um idiota normativo que insiste em “levantar-se cedo para ir trabalhar”, “poupar dinheiro”, ou “arranjar uma namorada”, logo, alvo de humilhações rituais. (...) Face ao tradicional pindérico do calão traduzido, usa português corriqueiro e sabujo, uma linguagem fluída que regionaliza o original, um ersatz tipo Dragonball Z. (...)

Obra seleccionada na Bedeteca Ideal

é fixe, pá não estava à espera. estou mais acostumado a histórias dessas em animação, não em BD. e de certo modo, isto faz-me lembrar os anos 90...
Miguel Santos (Ermal)

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Sobre o autor:


Simon Hanselmann (Lauceston, 1981) nasceu na Tasmânia e passou a sua infância e adolescência num dos  sítios de maior taxa de criminalidade da Austrália. O seu pai era motoqueiro e a mãe toxicodependente que efectuava pequenos furtos e vivia da segurança social para sustentar a sua criança. Também é sabido que roubada livros da Fantagraphics Books da biblioteca para o seu filho.

Aos 8 anos, Simon começou a fazer BD mas na sua juventude passou por várias terapias de combate à ansiedade e depressão, acabando por consumir álcool e drogas psicotrópicas em grande quantidade. Saiu de casa da mãe em 2001 e viajou pelo mundo estabelecendo-se actualmente nos EUA com a sua mulher. Antes disso Simon casou-se com a BD - não é erro nosso, ele casou-se mesmo com a BD numa convenção! É conhecido pela sua inclinação para o transvestismo aparecendo publicamente vestido de mulher, muitas vezes de Megg, a bruxa da série Megg, Mogg e Mocho.

Foi esta série que lhe trouxe fama à escala global ao ponto de até ser publicado em Portugal! Há quem diga que é uma mistura de Todd Solondz, Peter Bagge e Os Simpsons. Apesar da predominância humorística da série, ela é compensada várias vezes com estados emocionais do autor, admitindo usá-la como terapia pessoal.

domingo, 31 de outubro de 2021

Loverboy na Feira das Vanessas --- últimos 8 exemplares! à venda na NEAT RECORDS





Não estamos a vender bonecos!

Já várias dezenas de pessoas nos abordaram com esta nossa promoção do livro Loverboy na Feira das Vanessas a pensar que estamos a fazer bonecos do Loverboy (em vestimenta de beto e outra de grunge), Leonardo e Astarot.
Errado!

É um novo e último livro com BDs da emblemática série Loverboy. As fotos tem uma história antiga é certo. Eis uma ficha técnica que resolve alguns dos problemas colocados:

Sétimo volume da colecção Mercantologia; Publicação da Associação Chili Com Carne; Edição de Marcos Farrajota; Design de Joana Pires; Capa e fotos de olhos(«Ä»)zumbir realizadas no estúdio da União Artística do Trancão e em Sede Adres, com apoio à produção de xoscx e Adres. Bonecos realizados por Miguel Rocha e Alex Gozblau para a exposição "Loverboy Store: Liquidação Total" no Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada 2001, na Cordoaria Nacional.


O livro Loverboy na Feira das Vanessas está à venda no site da Chili Com Carne (com uma oferta vintage dos anos 90, sim os anos 90 já são vintage!!), BdMania, Matéria-Prima, Neat Records e A Vida Portuguesa.

Se os Black Sabbath podem... E os Sex Pistols, Blondie, Rage Against the Machine, Faith No More, Ornatos Violeta, Bauhaus, Zen!!! E até os Queen, Dead Kennedys, Doors, Christian Death, etc... Mau! Se tudo que é gato-sapato de banda pode voltar porque não o Loverboy & cia.?
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Que se lixe os 80, eu quero a minha vida de volta dos anos 90!

A cultura que vivemos é de "retromania" como demonstrou o excelente livro de Simon Reynolds, e é curioso que existem vários fenómenos de revivalismos noutros países apesar de estarem sobre o jugo do do imperialismo anglo-saxónico.

São os fenómenos locais, como por exemplo, Portugal que não tinha uma tradição de Pop eis que 20 anos depois do aparecimento dos execráveis Resistência ou das popularuchas digressões “Portugal ao vivo”, ei-las a reaparecerem nos últimos meses para oferecer um conforto nostálgico à primeira geração 100% Pop portuguesa.

Onde fica a série de BD Loverboy no meio disto? Não sabemos mas esperemos que não fique entre o sem-pescoço do Tim e as moustaches-de-quem-precisa-de-sair-do-armário dos Pólo Norte! Iiiiirc....

Entretanto... os cromos não percebem que este livro é a gozar com eles e sonham com séries de TV e atribuem Troféus!!! Go get a fucking life!!!

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

30 anos de SPH, 20 anos de Thisco


30 Anos de Invisibilidade subtítulo do mais recente livro co-editado pela Chili Com Carne e Thisco que retrata, simultaneamente, a vida de duas editoras que celebram o trigésimo e vigésimo aniversários, a SPH e a Thisco respectivamente, mas sobretudo é um espelho bastante fiel de um país que se conforma e fomenta arcaísmos de pensamento, mais interessado em seguir modas e modismos, sobretudo se se apresentarem com a camada certa de neologismos ou conceitos de importação e aplicação rápida.

O fim de semana de aniversário na SMUP é, sem margem para dúvidas, fim de semana de celebração. Comemorar um trabalho de anos e anos, de inúmeras relações estabelecidas, de uma persistência de tirar fôlego, mesmo que aparentemente se pense que nada se faz. Uma invisibilidade real, mas também aparente. Aparente, porque quer o trabalho da SPH quer da Thisco cria raízes, e se mais não floresce é porque vivemos placidamente num deserto à beira-mar plantado.

30 anos SPH / 20 anos Thisco | 22 e 23 de Outubro | SMUP Parede com Walt Thisney, Cavernancia + Jerome Faria, Manuel Mota, shhh..., OndaXoque, António Caramelo, Ghent, Violeta Lisboa + Miguel Sá (dj) e Novo Major (dj)

. Apresentação do livro Isto vai acabar em lágrimas - 30 ANOS SPH/20 ANOS Thisco

. Inauguração de uma exposição com diverso material fonográfico e gráfico alusivo a ambas as editoras.

. Projecção de vídeos de Eurico Coelho.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

ccc@bdamadora.2021


O regresso da BD Amadora é o que se esperava, cada vez mais "Bêdê" e cada vez mais "amadora" mas se acham que não há nada para ver por lá - sobretudo se fores mulher do século XXI, por exemplo - BUT FEAR NOT! Há a exposição da Ana Margarida Matos intitulada de HOJE NÃO, trabalho vencedor do concurso dos 500 paus deste ano.

Hoje começa a bedófilia num ermo qualquer do município e teremos o livro para que possam no dia 23 de Outubro, acompanhar a visita guiada com a autora e pedir-lhe o famoso autógrafo, achamos que deverá acontecer às 18h mas nunca se sabe ao certo...

De resto, a Chili Com Carne vai estar lá com um stand em que para além das suas edições terá o melhor que se edita por aí, e isto significa os livros da Bestiário, os restos mortais da MMMNNNRRRGSendai.

ccc@doc.lisboa.2021



Como tem sido "tradição" (excepto o ano passado por causa do covid19), a Chili Com Carne mais uma vez têm presente uma selecção dos seus livros do DOC LISBOA. 

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

O Fagote de Shatner e outros contos na Jazz Messengers Lisboa


capa de Rudolfo
Sim, o Shatner do título é o actor cromo de Star Trek, se bem que na perspectiva de "Where's Captain Kirk?", canção da banda punk Spizz Energi. William Shatner é referido no livro, mas não está nele. Na verdade, nem o autor sabe onde está. Do dito Shatner só interessa para o enredo que, num episódio desse clássico televisivo de ficção científica, era ele o fagotista de um grupo de música de câmara. 

Yep: logo à partida, as referências musicais deste novo caudal de frases de Rui Eduardo Paes (carinhosamente mais conhecido por REP) - porque é de um livro sobre música que se trata - estão no rock and roll e na clássica, ainda que para falar de jazz, de improvisação e dessa música que se diz ser "experimental". Também se passa pelo hip-hop queer e pelo nintendocore, por exemplo, mas afinal nenhuma forma de arte é uma ilha e tudo está, de alguma maneira, interligado. Até quando o que encontramos são as des-associações reais ou quimicamente induzidas que constituem a realidade. Os contos desta, nas páginas que aqui estão dentro, são os do sexo, da loucura e da morte. 

A música não comunica nada, segundo Gilles Deleuze? Mentira: comunica-nos o desejo, esse grande motor do nosso quotidiano, a esquizofrenia que nos define como humanos e a atribulada relação que temos com a Grande Ceifeira. Para ler em ritmo de corrida, porque foi escrito em ritmo de corrida.

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à venda na loja em linha da Chili Com Carne, Tigre de Papel, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão, Lx), Linha de Sombra, LAC (Lagos), Glam-O-RamaMatéria-Prima, SirigaitaFlur, ZDB, Snob, Tortuga (Disgraça), Utopia, FNAC, XYZ, Bertrand, Neat RecordsA Vida Portuguesa, Rastilho, Jazz Messengers e Letra Livre.

São 144 páginas de muuuuuuuuuuuuuita informação!!
Volume -10 da colecção THISCOvery CCChannel, dedicada à cultura fora do radar comercial, em parceria com a editora de música electrónica Thisco.
Capa e Design pelo Rudolfo.
Prefácio de António Baião.








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Histórial: Campanha de pré-encomenda que culminou no dia 16 de Março 2019, na SMUP (Parede) com uma apresentação de João Sousa e André Calvário e concertos de Ameeba, Salomé e Svayam ... Lançamento oficial no dia 11 de Abril na Tigre de Papel com a presença do autor e apresentações de João Sousa e André Calvário ... entrevista a Rui Eduardo Paes no programa Todas as palavras (RTP 3) ... 

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FEEDBACK: 

Vai para uma dezena de anos, num importante festival de jazz, alguém me elencou o que entendia serem as condições que definem este género musical: «negro, masculino e norte-americano.» Esta afirmação, reveladora de uma preocupante dose de desconhecimento, não é, mesmo com 19 anos entrados no século XXI, coisa rara. Se me voltasse a cruzar com tal figura, oferecer-lhe-ia de bom grado um eficaz antídoto contra o veneno da ignorância e do preconceito: o novo livro do jornalista, ensaísta, curador e agitador cultural Rui Eduardo Paes (...) O Fagote de Shatner e Outros Contos funciona como auto-indagação e evidencia uma profunda desilusão interior: «Valerá a pena continuar?», questionou o autor na sessão de apresentação do tomo. Este livro é, acima de tudo, um grito. Um grito contra o conformismo, um grito contra as polícias do pensamento, dos costumes e do gosto, um grito contra a acefalia instalada. Num momento em que o nosso mundo é, a cada dia que passa, um lugar mais sombrio, escutar esse grito é urgente.

Na introdução do livro Eduardo Paes diz que o texto pode assemelhar-se a um “monólogo de alguém que sofre de degeneração neurológica” e assume uma intenção: “são divagações pensantes (…) aspirando, na narrativa das ideias, à forma literária de conto”. Talvez não encontremos nem uma coisa nem outra, mas acabamos sempre por ser surpreendidos. Neste O Fagote de Shatner e Outros Contos, o musicólogo Rui Eduardo Paes regressa com toda a força e originalidade, fazendo ligações imprevistas, cruzando músicas e diferentes áreas, assinando um documento que volta a marcar a escrita sobre música em Portugal.

E o título? O Capitão Kirk, da série Star Trek, exemplo paradigmático da chegada da Ficção Científica à Televisão, tinha por hobby tocar fagote.
João Morales in Brian Morrighan

Estou a gostar muito do Fagote. Texto que harmoniza, como poucos, a erudição intelectual com a vanguarda radical.
Joel Macedo (jornalista e escritor do Brasil) por email

(...) Paes menciona, neste último capítulo, o fado e, em particular Camané. Embora de forma absolutamente involuntária (afinal o tom para com o fadista é elogioso), o autor consegue pôr lado a lado exemplos de excelência no confronto com a morte (Solal, Bowie), e um exemplo de mediocridade absoluta como é Camané (de resto, em perfeita sintonia com o fado). Que mais não seja, com Rui Eduardo Paes consegue-se perceber que não se morre sempre da mesma e isso talvez seja a melhor história para contar sobre a morte.
A Generous Boy in A Batalha
 


domingo, 17 de outubro de 2021

Bestiário Ilustrissímo II / Bala @ Jazz Messengers Lisboa



Bestiário Ilustríssimo II /  Bala 
é o nono título da provocante colecção THISCOvery CCCHannel.
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Bestiário Ilustríssimo II / Bala é a continuação de Bestiário Ilustríssimo, “(anti-)enciclopédia” de Rui Eduardo Paes sobre as músicas criativas editada em 2012 e reeditada em 2014 com nova capa e novas ilustrações de Joana Pires. Como esse primeiro livro, está dividido em 50 capítulos, cada um dedicado a uma figura ou conjunto de figuras. Desta feita, porém, a 50ª parte autonomiza-se e constitui como que um outro livro. Trata-se, pois, de dois livros num só volume, um novamente ilustrado por Joana Pires, o outro por David de Campos.  

O jazz criativo, a música livremente improvisada, o rock alternativo e os experimentalismos sem rótulo possível voltam a ser as áreas cobertas, sempre associando os temas com questões da filosofia, da sociologia e da teoria política, num trabalho de análise e desmontagem das ideias por detrás dos sons ou das implicações destes numa realidade complexa. Os textos reenviam-se entre si gerando temáticas que vão sendo detectadas pelo próprio leitor, mas diferentemente de Bestiário Ilustríssimo há um tema geral nesta nova obra de Paes: o tempo.

A tese é a de que quem escreve sobre música, mas também todos os que a ouvem, está sempre num tempo atrasado em relação à própria música, um “tempo-de-bala”, de suspensão de um tiro no ar, como no filme Matrix. O alinhamento dos capítulos não se organiza segundo tendências musicais ou arrumando os nomes referidos em sucessão alfabética, como numa convencional enciclopédia. Todos os protagonistas e suas músicas surgem intencionalmente misturados, numa simulação do caos informativo em que vivemos nos nossos dias. Propõe-se, assim, que se leia Bestiário Ilustríssimo II / Bala como se se navegasse pela Internet, procurando caminhos, relações, cruzamentos, desvios.

A mente não é uma estante, é um bisturi.

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336p. impressas a duas cores (preto e vermelho), 22x16cm, capa a cores
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volume -4 da colecção THISCOvey CCChannel
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ISBN: 978-989-8363-30-5

com prefácios de Marco Scarassatti (compositor, artista sonoro e professor da Universidade de Minas Gerais, Brasil) e Gil Dionísio (músico)

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edição apoiada pelo IPDJ e Cleanfeed Records

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à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na Flur, ZDB, Linha de Sombra, Matéria Prima, FNAC, Bertrand, Utopia, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Glam-O-Rama, Sirigaita, Jazz Messengers (Lx Factory) e Tigre de Papel.
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Historial: lançamento 6 de Fevereiro 2014 na Casa dos Amigos do Minho com discursos de Gonçalo Falcão (designer, músico, crítico de música) e Gil Dionísio e concerto de uma banda especialmente formada para o efeito: Gil Dionísio & Os Rapazes Futuristas; lançamento 7 de Fevereiro na SMUP (Parede) com palavreado de Pedro Costa (Clean Feed) e José Mendes (jornalista cultural) e concertos de Wind Trio e Presidente Drógado & Banda Suporte ... entrevista no Bodyspace 

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algumas páginas deste livro-duplo:


Feedback:
O jazz é o fogo inicial, mas este propaga-se alto e largamente. REP deita 50 + 50 textos, capa-contra-capa, neste duplo Bestiário Ilustríssimo II / Bala. Música como arte física mas também psicológica, improvisada, estruturada, Ciência, Arte, ícones culturais, tonelada de referências que se ligam na cabeça do autor para uma organização, no papel, em benefício do leitor. Muitos músculos exercitados em 31 anos, nesta relação entre escrita e música. 
Flur 
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Rui Eduardo Paes revela-se um homem multidimensional, (...) Genuíno e sempre com uma abordagem de quem relaciona aquilo que lhe interessa, de Joëlle Léandre a Lady Gaga. [5 estrelas] 
Bernardo Álvares in jazz.pt
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O seu estilo de escrita é por si altamente estimulante, revelando um notável domínio sobre a língua portuguesa que raia as características da boa literatura. Um estilo que Rui Eduardo Paes cultiva como uma arma contra o habitual cinzentismo e comodismo da crítica de arte em Portugal. 
O Homem que Sabia Demais 
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[4 estrelas] 
Nuno Catarino in Público 
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[4 estrelas] 
João Santos in Expresso 
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Verdad de la buena. Con motivo de mi actividad como director artístico de Imaxina Sons en Vigo durante 5 años, he tenido la ocasión y la fortuna de conocer la persona y la obra en la distancia corta de REP. Pocas veces, he leído un texto más comprometido con la música del presente y el estado de ánimo que el panorama musical actual rezuma. Su visión holística de la música hace de este libro una pieza imprescindible para poder estar al tanto de lo que acontece en el mundo de las manisfestaciones artístico-musicales y sus contornos creativos. Sobre todo en lo referente a las músicas improvisadas y todo lo que ahí podamos incluir. Sus textos desprenden la misma actualidad o frescura que hemos podido sentir justo la noche anterior escuchando en cualquier garito, la elocuencia de un improvisador. Hay en todos los textos una necesidad de ubicar cualquier comentario en el contexto filosófico/social adecuado de manera que cualquier artículo transciende al aficionado simple para poder ser leido en un círculo mucho más amplio. El de la cultura. Y con el tiempo serán de interés antropológico. REP, se sienta y escucha primero. Escudriña lo que sus tripas le dictan y luego reflexiona. Luego escribe y vuelve a usar su tamiz emocional para devolvernos un texto. Y entre una cosa y la otra está su verdad. Que como toda verdad, que en este mundo que hoy nos toca vivir, es de pocos. Pasa rápido, te penetra, como una bala. Pero es verdad de la buena. 
Nani García (pianista, compositor, director artístico do Imaxina Sons) 
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Para dissertar sobre música não basta escrever, é preciso conhecer muita música. Para conhecer muita música é necessário ouvir toda uma vida e para ouvir toda uma vida infere-se uma profunda paixão. Em Bestiário Ilustríssimo e Bestiário Ilustríssimo II / Bala condensam-se extensas e infindáveis paisagens musicais que nos atingem vindas de todas as direcções. 
Hugo Carvalhais (músico)
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Não sei se a bala a que o Rui Eduardo Paes se refere já foi disparada ou se está à espera de ser disparada por cada um de nós. Em todo o caso, o livro Bestiário Ilustríssimo II / Bala do REP é um livro-bala para quem o lê. Lê-se rápido, lê-se com entusiasmo e lê-se com um profundo sentido de urgência em relação à criação musical que nos rodeia. Faz-me lembrar aqueles artigozitos de jornal que se percebe logo que são um mero copy-paste de press releases. E faz-me lembrar esses artigozitos porque precisamente ele é tudo o contrário. Percebe-se e sente-se que detrás de cada palavra há alguém que, acima de tudo, vive e escreve sobre música a partir do que ouve e não dos likes que pode obter nas redes sociais. Num rectângulo tão escasso de críticos de música, e sobretudo de críticos com qualidade, assistir a este disparo do REP é como beber um garrafão de água depois de se fazer a travessia do deserto. É tão bom que até pode causar indigestão. Recomenda-se calma e discos, muitos discos a acompanhar. 
Vítor Joaquim (artista sonoro, investigador e docente do Centro de Investigação de Ciência e Tecnologia das Artes da Universidade Católica do Porto)
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Da recensão ao ensaio, Rui Eduardo Paes é, sem dúvida, uma figura ímpar no nosso meio. É notável como desempenha a sua função, revelando notável acutilância crítica e paixão. Uma pedra no sapato. 
Ernesto Rodrigues (músico, Creative Sources)
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Resplandecente Enorme Produto. 
Pedro Costa (Clean Feed, co-director artístico do Ljubjlana Jazz Festival)
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Uma verdadeira anti-enciclopédia, escrita com as entranhas à flor da pele. Lê-se como se ouve. 
Paulo Chagas (músico, docente de música, co-programador do MIA, Zpoluras Archives) 
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Los disparos son certeros y heterogéneos. Las páginas -los libros de Paes-, siempre han estado dedicados a artistas de diferentes ámbitos musicales que acaban sorprendiéndonos 
Chema Chacón in Oro Molido #41 
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Na senda do que tem escrito, este livro (que, na verdade, são dois, já que tem apenso um segundo, Bala, com textos mais pequenos) de um dos mais carismáticos críticos musicais portugueses aborda inúmeros músicos e projectos (...). A escrita (...) assenta num profundo conhecimento da genealogia dos intérpretes e do seu trabalho, muitas vezes contextualizados em moldes ideológicos ou filosóficos. 
[5 estrelas] 
João Morales in Time Out 
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Em uma época em que as pessoas têm se (mal) acostumado com a crítica (se é que nesse caso mereça tal categorização) musical ligeira que domina a internet, em que as pessoas “acham” isso e aquilo, num processo de gostar e desgostar ao sabor da enxurrada de lançamentos que nos rodeiam, poder ler os textos de Rui Eduardo Paes é um privilégio. 
Fabricio Vieira in FreeForm, FreeJazz