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quinta-feira, 6 de novembro de 2025

1 livro 1 disco 1 zine (11)

 Não se percebe o Sim Mau, o gajo anda nisto da BD há anos e anos e ainda não tem um livro a solo? De vez em quando vou apanhando zines seus no QueerLisboa, evento que parece ser a única forma de aceder às suas auto-publicações em Portugal, pois o artista encontra-se na Dinamarca.

Este Super Mom (vs The Patriarchy) #1 (Fev'25) é uma série nova e que esperemos que venham mais números de futuro. Que isto não cai em saco roto! 

Trata-se de um zine A5, impresso em rosa (a cor favorita do Sim Mau?) de 24 páginas bem divertidas de uma super-heroína que além de ter de salvar o mundo tem ainda de cuidar / salvar da sua família disfuncional. Desenho de traço limpo, narração escorreita e humor inteligente. O que se quer mais de um fanzine?




 Não julgar um livro pela capa, quem vê cara não vê coração, etc... Mal saiu na 'net este CD fiquei entusiasmado com a capa e desenho da Maria Quintas - são lindíssimos os desenhos! 

Infelizmente este Club Sorrow (Rotten//Fresh; 2025) de DJ 420@ôa é apenas chato chato chato. Parece que foi parido num workshop sobre música de dança na c+s de Odivelas em 2005. 

(Infelizmente) os fachos riem-se à toa desta rodela!




Uma Varanda em Júpiter (ed. de autor; 2025) de António Pedro Marques.

Forma: Verdadeira risota democrática este mini-livro.

Cultura: Começa logo com um peta daquelas, que isto é um livro de Ficção Científica com uma capa toda sci-fi + pulp + IA + vintage + à gringo quando na verdade é uma listagem de maleitas do nosso mundinho de merda, escrito entre elegância e mordacidade total. 

Obsessão: Ninguém escapa ileso - nem mesmo A Batalha apesar de estar lá o NIB do jornal de expressão anarquista. O que mais impressiona é a "free-style" da escrita, numa torrente de ideias e citações que não lembra o Diabo! Políticos, bófia, críticos literários, esquerdinhas tudo ao léu.

Opinião sobre a Terra: podem descobrir esta pérola na livraria Snob.

domingo, 13 de julho de 2025

3 Tekno Tuga (7)

Ao contrário do que tem acontecido, "esta secção" fica-se pelos discos uma vez que está aí o Verão a bombar hormonas e parvoíce-mor!

Por falar nisso, e porque falamos do nosso país fatela, os putos da Rotten \\ Fresh acham-se muitos espertos e pensam que tem piada pegar no pior da nossa cultura - programas da manhã, programas da tarde, pimba, variedades várias - colocar uns beats de "drum'n'bass" (credo!) e "Dance Music" (House, techno) e acelerar as vozes que a coisa lá irá voar para algum lado. Não se consegue transformar merda (Goucha, Toy) e transformar em Ouro. É triste mas é verdade.

Seja lá quem for o DJ Vicecity mas espero que com esta k7, Tugacore vol.1 & 2 (que saiu em Agosto do ano passado, o data de lançamento divertida!), não lhe tenha iludido ou dado ambições para vir a ser o DJ residente da Kaxaça ou da Kadok ou da Kapital... Ah 'pera! o Kaxaça já fechou,... bom,... há sempre o Lux como substituição!


Se o Tugacore cheira a cena de manhoso já a compilação Hardcore Law, que também saiu pela Rotten o ano passado, já é outro nível - nível sofisticação, topam? A começar pela capa, um das melhores algumas feitas neste rectângulo ibérico. Ao que parece, ou o que me foi dito, é que estão aqui produtor electrónicos que são ignorados por cá mas que são "grandes" lá fora, não sei se é verdade nem tenho tempo para verificar estas informações, o que interessa é que o nível da qualidade destas faixas Techno Hardcore, Speedcore e Breakcore são completamente demolidoras.
Ao que parece há uma secção da Juventude que combate os sons narcotizados zombificados do século XXI (drone, trap, harsh noise e outras secas) e querem voltar à energia ímpar dos anos 90. O resultado é este CD f u d i d u que só peca pelas parvoíces de ir fuçar umas "mangaquices" mas até os Atari Teenage Riot o fizeram nos inícios por isso, moral para quê? Além de que as novas gerações perderam qualquer sentido do que é foleiro, misturando a fatelice com o "pós-irónico", armados em iconoclastas... O tempo dirá o "cringe" de manhã! Até lá qual é mesmo o spot lisboeta onde se curte isto?


Por fim, objecto bizarro esta k7 Physical Increasing Emptiness by Plentifulness de Nachtdier e Bypass, edição da Rasga, deste ano. Podemos chamar isto de um split ou é antes um projecto colaborativo "faixa sim faixa não" entre o neerlandês Nachtdier com Gabber puro e Bypass, um gringo do Illbient? É estranho meter faixas de energia pura encortadas com a deprê fim da festa. Um ajuste de contas com o mundo? 
Sei que ao ouvir isto antes de ir dormir deu para sentir um filminho na cabeça ali na hipnagogia da coisa mas depois disso não consigo tirar mais conclusões ou sentir mais. Algures avisam que é música para quem sente fatiga da "cena" e que isto é para quem tem entusiasmo pelo aceleracionismo... Mau! Em que ponto ficamos, ou isto é para bombar com o fim do Capitalismo ou é para é para mandar vir um Uber com comida quente e processada enquanto se surfa no sofá? No entiendo... Goza com as outras duas edições aqui referidas?

Boas férias dançantes!

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Coil Necro Felatio Platinum


Mêne, sou parvo, pá! Na outra noite gozei com o Rochinha (o puto de UNITEDSTATESOF e sócio dos nossos queridos parceiros Rotten\\Fresh) e admito que fiquei com remorsos de "kota" porque lembrei-me que ainda não tinha escrito nada sobre a sua segunda k7, Selections 2, lançada este ano. No entanto, desde que saiu tenho ouvido este álbum constantemente, ora em casa ou no carro (pela k7) ou no trabalho via bandcamp - é que os bacanos da Rotten não metem limites sem aparecer aquele anúncio de "vamos lá abrir a carteirinha que já ouviste demasiado". Fogo, o gajo merece um coche de "hype" com carne!

Ao contrário do outro álbum, USOF vai aos dois lados da k7, preenche tudo, ou seja, há aqui autoconfiança para mostrar o trabalho sem truques editoriais, isto é, sem ajudas de "remixes" de alguém mais famoso que o "misturado" como aconteceu na primeira. Esta selecção é mais robusta esteticamente, deixa para trás os vapores da moda para se concentrar em ecos e glitches harmoniosos, num esoterismo digital que tanto dá para fazer yoga primaveril (complicadíssimo com as hormonas a latejar) ou a conduzir o carro nas manhãs chuvosas de Outono (complicadíssimo porque os outros condutores são o Inferno), enfim, é "ambient" para melancólicos mas ainda assim curtem uma boa talhada de melancia. Um belo disco sem dúvida, ide ouvi-lo sem pudor!!

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Treinos prá pista de dança

Sempre pensei que a música de dança é para ser editada em vinil para que possa ser manipulada ao vivo por um DJ. Estranhamente os dois lançamentos de música electrónica funcional que aqui divulgo saíram em formato k7. 'Tá tudo parvo!? Ou é porque não há pistas de dança e estas edições servem só para a malta ensaiar os "moves" que vão fazer quando voltarem a abrirem? Não sei / Não respondo.


Supertaça (Rotten/Fresh + Casa Amarela) é uma split-tape de Gabberolas e Hot Dancerzzz. Imaginem um Portugal noutra "timeline" em que tínhamos inventado o Gabber e as samplagens de vozes e media reflectiam o que é o país, ou seja, violência policial, acidentes de viação e claro TVs privadas, ponto. Não há muito mais para dizer, não sei se Gabberolas 'tão a gamar beats ou criaram novos, tanto faz, a originalidade passa pela samplagem dos media portugueses e o seu significado intrínseco. Já Hot Dancerzzz é mais desafiante porque esta dupla faz desconstruções do Techno e investe não só em Frenchcore como em sons de derrapagens de carros. YES! Só é pena ser tão curto. Ainda assim aconselho às duas duplas em lerem os nossos livros escritos pelo DJ Balli para melhorarem as suas entregas futuras.


Gekiga Warlord não precisa de ler o Balli porque já conhece os seus livros - um deles até fez o design e capa. Sim, GW é o novo projecto musical de Rudolfo, o Rei da BD portuguesa, e ele aprendeu a fazer uma SMM (super-mistura-monstruosa). Apesar desta sua nova tendência pretensiosa de fazer títulos enormesThe Day They Stop Smiling Is The Day We Remember Their Smile (Favela) é um disco inesperado e poderoso, feito de IDM, Drum'n'Bass (uh-oh!), pós-industrial (seja lá o que isso quer dizer), Teknoise, Vaporwave enfim, o que viesse à cabeça deste gajo que pelos vistos vou continuar mais 10 anos a escrever sobre o seu "output". Escrevo isto sem dor, até porque com estas edições fico a pensar que não estou em Portugal, nesse país onde os betos pindéricos governam a Cultura e os artistas não sabem o que significa acção ou movimento. Dankas very muchas, malta!

PS - parabéns a ambas edições pelo grafismo e design. É malta que sabe o que está fazer!

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Música feia (batota)

Houve uma bela de uma Feia e levei alguma música para casa. 

A começar pelos amigos da Clean Feed, onde apanhei uma pérola no meio dos seus 700 discos editados em 20 anos que comemoram este ano - caramba! - a saber: Xabregas 10 (2016) dos L.U.M.E. Sabe-se lá quando vamos encontrar outros CP Unit mas até lá, um gajo mais vale ir pelo seguro. Neste caso é que além de ser apenas o segundo registo que existe desta fantástica Big Band, é o registo ao vivo do Jazz em Agosto de 2014 e que tem uma história divertida. No ano anterior a essa edição, o "nosso" Rui Eduardo Paes mandou uma boca à organização do festival pela pouca participação de músicos nacionais - isto até poderia soar a bacoco caso na altura, não existissem realmente boas propostas portuguesas dignas de subirem ao palco dos jardins da Gulbenkian. O director Rui Neves no ano seguinte, para equilibrar as quotas nacionais não vai de modos, programa os L.U.M.E. o que dava logo 16 músicos 'tugas! Piada à parte, tenho pena não ter assistido a este tornado de sopros e metais super-bem orquestrados que tanto parecem incontrolados como programados - como se o Carl Stalling tivesse vivo e a expelir anfetaminas por todos os poros do seu corpo -, acompanhado de samplers Pop/ Rock (um que vai ao primeiro de Death Grips!) e glitches digitais. Uma prova viva de que se pode usar o passado com roupagens novas sem parecer ser um número de nostalgia barata. Entretanto correu o belo rumor que os L.U.M.E. vão voltar a gravar este ano. Viva!!!

Seguindo prá mesa da Rotten\\Fresh já estava lá acessível a k7 If i was simple in the mind, everything would be fine de Phoebe. Eis um disco incrível, na linha dos Experimental Audio Research, todo ele Komische e Illbient - fala-se por todo lado em shoegaze mas é pura ignorância de quem faz "copy/ paste" de uma pomposa nota de imprensa igualmente ignorante. O que poderia ser um dos grandes discos do ano infelizmente mete tudo a perder (e não, não falo da capa merdosa) porque se ouve por uns meros segundos uns grunhos a gritarem pelo Benfica numa faixa. Nada contra o Benfica, quero que se foda juntamente com todos os outros clubes de futebol, mas justamente porque não percebo porque um músico investe tanto a criar um imaginário para justamente trazer-nos a realidade da maior boçalidade portuguesa. Não faz sentido, ou então temos de nos conformar com o facto de vivemos num país nada sofisticado e sem escapatória que nem na música encontramos refúgio. Triste.

De frente à Rotten 'tava um rapaz israelita (acontece, ninguém simpático escolhe onde nasce) a vender húmus e uma k7. Deu aquela tanga que a k7 era música dele a preparar o pitéu. Se o DJ Balli já fez noise com skates e pasta porque não com húmus? 

Lá comprei a comidinha bem boa e a k7 The Hummus of Reverbs do projecto dele intitulado Hummus International. É uma actuação ao vivo no Desterro em Março deste ano numa onda pós-industrial Ambient que pode ser mil e uma coisas feita por mil e um putos da Electrónica em 1981 ou 1991 ou até 2001... Não deixa de ser fixe de ouvir, não é fritaria monótona nem Harsh Noise. Ouve-se bem enquanto se come pizza, por exemplo. A k7 como tinha um lado virgem lembrei-me de gravar um disco burguês de Einstürzende Neubauten.

Viseu é a "Bible Belt" portuguesa, ou melhor, a "Rotunda da Bíblia" e como reacção a esse limbo (a)cultural eis que saiu o primeiro volume de Viseu Demo Tapes (Zip-A-Dee-Doo-Dah Discos) que mostra bem as oportunidades perdidas e tensões de uma geração. O Viseu Demo Tapes é um bandcamp "anarquivista" de todo gato-sapato de banda que pare por esta cidade do Cavaquistão, sendo lançadas algumas reedições em k7s e agora este duplo-CD onde sem pejo vai tudo numa caldeirada sonora "roskof " (são demo-tapes, senhor, são demo-tapes) de vários géneros musicais embora domine o Punk & Hardcore, o Metal à la Metallica, Industrial(-in-process), algum Indie, Grunge (ahahah) e algumas peças sem definição como os Lucretia Divina, talvez o projecto mais conhecido da cidade. Centrada nessas demos mal-gravadas porque, dizem as notas no CD escritas por Ricardo Ramos (dos Dirty Coal Train), nunca houve um estúdio de ensaios e de gravação até meados de 2000 (o município preferiu gastar os fundos europeus em rotundas muito provavelmente) e por isso o que ficou, foram gravações de concertos, ensaios e algumas demos em 4 pistas. Creio que as músicas aqui presentes serão todas dos anos 90, talvez à excepção dos Bastardos do Cardeal dos anos 80 - um problema deste feliz anarquivismo, é a falta de mais informações do quer que for - e mostra que a raiva era enorme naquela cidade de "Onda Laranja" (Bastardos dixit). As bandas cospem temas contra padrecos com "verga morta" (The Mob), babam-se por sexo invocando Ninfomaníacas locais (uma fantasia comum dos rapazes frustrados dessa época na falta de miúdas sexualmente emancipadas), humor cócó-xixi (Alta-Mente), o alcoolismo e drogaria (Capitão Veneno). Tudo isto num som mais ou menos feio, amador, DIY, cru e "lo-fi" que nos dias de hoje choca muito menos do que se fosse na altura, mais, até realça um lado selvagem e perigoso desta geração de bandas - basta ver a grande desilusão que foi na altura a gravação do disco / CD (profissional) dos Lucretia Divina. De referir ainda, prós cromos da BD, que está aqui incluída uma música dedicada ao Espião Acácio - BD de Relvas (1954-2017) - pelos Major Alvega ripando os Art of Noise.

Claiana é capaz de ser, infelizmente, o segredo mais bem guardado do Porto e de Portugal. Festa garantida de um "afropop" e que já vi comprovada quer nos 10 anos da MMMNNNRRRG quer em festa de Carnaval num baile de bombeiros no centro do "Morto.". Talvez esteja na cidade errada, o "Morto." nunca foi muito cosmopolita para a música africana e pergunto se este projecto teria mais hipóteses de crescer em Lisboa. Seja como for, o que interessa aqui é que a Favela Discos, em 2019 - bem sei, que venho atrasado - fez o excelente trabalho de compilar as suas músicas neste volume 1 com uma capa (e poster!) de João Alves
Não me lembro se vi Claiana a actuar só com uma pessoa - isto é, o cabo-verdiano Gui Lee a solo - mas há muitos anos que é acompanhado por Luís Figueiredo, um gajo com pinta de metaleiro arrependido que dá conta das máquinas - e da guitarra? Não há créditos de guitarras dele no disco,... fuck, a memória é realmente traiçoeira! Mas há guitarras! Credo que confusão! Eis a união inesperada de um cabo-verdiano em Portugal que canta de forma invulgar (a técnica dele é o nome do projecto, claiana) com um português do Norte que bomba zouk lo-fi anacrónico, como se tivessem chegado em fitas magnéticas dos anos 80. Atenção que a composição é do Lee - toca baixo e sintetizadores. Mas mais atenção é que só há 200 unidades deste CD. Ah pois!

Batota, este CD foi sacado na Necromancia e não na Feia! Batota este Crossfade frenquencies dos Sensor também não é um disco "sincero"! Cóf cóf cóf, eu explico, calma, trata-se de um Frankenstein sonoro, fruto de colagens e edições de várias gravações da banda ao longo deste tempo curto de existência mas longo de registos. Como é mesmo aquela frase mesmo!? O todo é maior do que a simples soma das suas partes? Aqui aplica-se sem dúvida a julgar pela audição penosa dos tais outros registos da banda. Este disco foi montado usa os melhores trechos dos tais registos ou jams do grupo, criando um grande disco com uma dinâmica e continuum que deixaria os snobs do jazz embasbacados e o pessoal do post-rock mijados. As naturais excrescências foram limpas como se faz no Photoshop para a pele da modelo ficar divinal. Quanto à ideia de falsificação de estúdio por mim, não faço juízos senão não havia Beatles ou Ministry ou os pujantes "álbuns ao vivo" dos Kiss e Type O Negative, em que estes gravaram em estúdio sobre o barulho do público. Já para não falar da boa linha de baixo tocada por um músico de estúdio gravada à revelia dos Talking Heads no seu LP de estreia. A pós-verdade já vem de longe, amigos. Outra vez: grande disco!

terça-feira, 13 de abril de 2021

Haverá relação?


 

Claro que sim, ao melhorarmos a Música Portuguesa houve todo um vibe ecológico a sair daí! Efeito Borboleta, topas? O mundo vai melhorar graças à Chili e a à Rotten, acreditem! Obrigado Silas e Pipo Kimkiduk.

domingo, 4 de abril de 2021

E ao terceiro dia, o mini-CD esgotou (4:4:21)



Terceiro volume da série Música Portuguesa a Melhorar-se Dela Própria, mais uma vez pela Chili Com Carne e Rotten / Fresh (ou Trash quando se trata de melhorar a música!). Desta vez temos Vaporwave sobre quem tem complexos de Messias (isso define quase toda a população portuguesa, bem sabemos, mas neste caso falamos de um vocalista de uma banda Pop) até porque estamos aqui para salvar a Páscoa!

Re7 é dos Golfinhes, projecto que melhorou a maior banda de Cascais é demais

Tomem lá nota de imprensa:

Acompanhando a celebração do seu trigésimo quinto aniversário, a rotten / trash em parceria com a Chili Com Carne, na sua série Música Portuguesa A Melhorar-se Dela Própria, desenvolve um tributo magnânimo àquela que, porventura, será a maior banda de Ca$cai$ de sempre: Os Delfins e o seu arrebatador disco 7 - um disco basilar para a cultura pré-internet e revolução tecnológica do novo milénio (Y2K). 
 
Poucas são as nações que se podem orgulhar de possuir tão munificente obra no seu acervo cultural. 7 gritou de medo da internet! 7 uivou por Sharon 7tone7 assume a felicidade homossexual numa sociedade patriarcal neomilenar! 7 fez-se notar, ostentando-se na camisola do maior ídolo português desde a padeira de Aljubarrota: o grande CR7. sofre um re7, saindo da obscuridade a que foi remetido pelos lascivos poderes da industria da memória, deixando-nos expostos a toda a genialidade lírica e instrumental destes golfinhos cascalenses – terra de onde a Chili Com Carne é natural, diga-se de passagem.
 

Desde cedo se provou a qualidade artística do vocalista do grupo, participando este não só no Festival da Canção de 1985, conquistando a última posição diante de todos os participantes - um marco! -, como também na fileira de jurados do programa Chuva de Estrelas (SIC, 1995) ou numa aparição divina na derradeira edição de Big Brother (TVI, 2000) com o tema Vive - uma singela referência à ressurreição de Cristo - Este interpretado por Miguel Ângelo – o Messias da música - na peça Breve Sumário da História de Deus, de Gil Vicente, no Teatro Experimental de Cascais, em 1994, e de onde retiramos inspiração para a data de edição deste nosso franco tributo: Os Golfinhes - re7.


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Jesus Cristo no céu, Miguel Ângelo em Cascais. Feliz Páscoa 2021. 

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Mini-CD. Edição limitada a 50 cópias - ESGOTADO!


Os Golfinhes em acção!
Os Golfinhes em acção!

sexta-feira, 12 de março de 2021

DEIXA-ME DOrMir / Ser aceite pela FLUR é outra merda!

Jorge Calma é um fura-vidas, como aliás, qualquer músico em Portugal. Numa embalagem feita de bases de copos, o design profissional desta edição invoca a dificuldade dos nossos dias covideiros em que vida não está nada fácil. Mas não foi sempre assim? A prostituição de profissão é tal que se implorou por trocos dos bancos ou das cervejeiras, um apoiozito vendendo a imagem num outdoor ou fazendo um "product placement" em palco ou nas edições, enfim, um gajo tem de se desenrascar, né?

A Chili Com Carne e Rotten Fresh lançam gloriosamente este mini-disc no Carnaval mais calmo desde que o porco nazareno foi vomitado de uma virgem há 2020 anos atrás. Sem amigos, sem festa brava, o que nos resta é DEIXA-ME DOrMIr... Gravado pelo músico num subúrbio. A capa é da autoria de Simão Simões.

Eis o segundo volume da série Música Portuguesa a Melhorar-se dela Própria. Edição limitada a 30 cópias, teve o apoio material da Tasca dos Canários e do Walt Thisney. Lançado a 16 de Fevereiro 2021.


Feedback: 

Adormeci a meio. É mais eficiente que Xanax 

Ondina Pires (via email)

xxx

(...) (em Mini CD, cuja capa serve como base para copos e cuja editora recomenda acompanhar com uma boa cerveja ou whiskey) (...) Jorge Calma é o nome escolhido pelo misterioso músico e, como as boas mentes criativas ditam, é apreciador de trocadilhos, já que Jorge Calma parece mesmo invocar a música do quase homónimo, descendo o pitch da mesma e relembrando a época nos vídeos do YouTube onde facilmente se encontravam músicas de artistas Pop "200% mais lentas", que soavam mais a um disco de música ambiental do que a eles próprios. Deixa-me Dormir é uma peça de 20 minutos que tem tanto de fantasmagórica como tem de ébria: a voz que se ouve é arrastada, lenta, e alude tanto aos screws de DJ Screw como a uma ideia do próprio Jorge Palma perdido numa qualquer noite em Lisboa. Exagerado - no bom sentido - no reverb, a peça continua como quem deambula sozinho pelas ruas à procura de se encontrar. Pelo meio ouvem-se gaivotas, quase um sinal de como o dia está prestes a renascer e nós, como ouvintes, continuamos perdidos sem destino à vista. Dado o humor todo à volta da edição, de facto esperar-se-ia uma composição menos séria, porque a música que aqui se encontra é bonita, bem estruturada e pensada, com as cadências certas (o sub-grave que Jorge Calma coloca pelo meio do tema é arrebatador). (...)

Flur

xxx

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Parmigiano Agnóstico

Antes de escrever sobre este disco, umas palavras de apreciação pelo fantástico trabalho da Rotten // Fresh, editora de música electrónica portuguesa que só pode ser vista como uma "micro-editora" porque os seus donos não são uns riquinhos a capitalizar estéticas uniformes para ganhar o comércio da Aldeia Global. Longe do infantil Príncipe ou dos aborrecidos clones da Hyperdub - o que pouco quer dizer já que a própria Hyperdub é a maior fraude de sempre, meninagem que finge não conhecer Coil ou Vangelis - a "RF" tem um orçamento rafeiro ("rotten"?) e só pode lançar uns CD-Rs manhosos ou umas k7s, tudo à mãozinha de DIY pobreta. Só que é mesmo "fresh" o que lançam, a julgar pelo catálogo não me digam que não é ISTO que deve uma editora, um espaço de encontros de várias personalidades e estilos. Noise, Doomduro, Glitch, Trap, escatologia V/Vniana, Ambient, Dance é só escolher e apoiar esta malta. Lembra a Thisco se tivesse parido um bastardinho, sendo esta a única editora portuguesa que bem merece ter um herdeiro cultural, só espero é que não se prove o adágio merdoso da "História repete-se", seria bem triste se assim fosse...

Para manter-se num plano cimeiro, eis que lançam o segundo disco de Kara Konchar na próxima Quarta-Feira - preparem-se para ouvir no bancamp e/ou comprarem o CD-R de edição limitada. Se o primeiro disco parece que o Kara caiu uns pontos abaixo - o artista era conhecido por AtilA e quem ainda tem memória em 2021 deve saber que este produziu os melhores discos de Electrónica da década passada - na realidade parece que estava a fazer o esboço para este monstrinho que se intitula de Goth Partisan. O que é isto? IDM para Góticos? EBM para gente inteligente? Isto dança-se? A violência deste Kara é do campeonato de shhh..., (OMG!! a "história repete-se"!!!) menos Ambient e mais excessivo. Breaks que não param de aparecer em soluços enquanto se ouvem vozinhas sampladas e sintetizadores de "música Gótica" dramática e má-onda. Mas estamos perante uma colagem e não na representação desta subcultura urbana, por isso, suponho que a piada do título seja mesmo assumir-se como um "partisano do Gótico", tipo guerrilha, 'tá lá no meio da selva do rímel, teias, rendas e doc martens mas é para lutar contra a modorra intelectual dessa malta. Esperto este Kara! É claro que nunca o Club Noir iria deixá-lo assustar a morcegada na sua pista nem os abortos da Music Box deixariam aterrorizar os seus betos e betas. Não havendo mirones e "poseurs" na sala de jantar, ao contrário das aborrecidas discotecas lisboetas, meu, é ir em frente! Cuidado é com os bibelôs e o tomateiro em crescimento!

Entretanto, uma pitada da coisa:

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Gatilho


A Música Portuguesa é bela, gosta de si própria. 

E percebe-se quando entrou nos meados dos anos 90 os Blind Zero, uma banda portuense que sempre que pensamos nela temos de ir à discografia dos Holocausto Canibal sacar um título para a descrever

Foi uma banda que marcou uma Era, a do Profissionalismo, Cosmopolitismo e Capitalismo em estado de graça. Nunca outro projecto de Rock alternativo acedeu a tanto orçamento e champagne para vencer nesses velhacos caminhos da carreira musical. Até cantaram em inglês para ganhar os mercados estrangeiros. 

Malgré tout nada conseguiram, a dada altura mendigavam (oh vergonha alheia!)  por uma pequena editora independente madrilena! 

Uma turma de invisuais num workshop de música não podiam ver a beleza dos longos fios de cabelo do vocalista mas reconheceram a sua lírica talentosa. Perguntaram: "Mas como é que ele nunca recebeu um Prémio da SPA pela sua poesia?" Sim, se o Dylan recebeu o Nobel, o que é Guedes abaixo dele?

Antes que respondam a esta provocação, a turma afincou-se a criar o seu clube de fãs - os Braille Zero - e atiram-se a traduzir as líricas para português, num desespero para que a população portuguesa possa apreciar mais - melhor, diríamos nós! - o que merece ser canonizado. 

Justamente 25 anos depois do termo "Grunge", em Portugal, ter sido mal traduzido para "azeite" (e não "gordura") eis o Gatilho que a Chili Com Carne e Rotten // Trash disparam para começar a sua série de edições de Musica portuguesa a melhorar-se dela própria.

Gravado entre 2017 e 2019 nas Terras de Bouro. Mini-CD limitado a 30 cópias. ESGOTADO na Chili Com Carne. Disponível em digital e físico na Rotten // Trash.