sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Gatilho


A Música Portuguesa é bela, gosta de si própria. 

E percebe-se quando entrou nos meados dos anos 90 os Blind Zero, uma banda portuense que sempre que pensamos nela temos de ir à discografia dos Holocausto Canibal sacar um título para a descrever

Foi uma banda que marcou uma Era, a do Profissionalismo, Cosmopolitismo e Capitalismo em estado de graça. Nunca outro projecto de Rock alternativo acedeu a tanto orçamento e champagne para vencer nesses velhacos caminhos da carreira musical. Até cantaram em inglês para ganhar os mercados estrangeiros. 

Malgré tout nada conseguiram, a dada altura mendigavam (oh vergonha alheia!)  por uma pequena editora independente madrilena! 

Uma turma de invisuais num workshop de música não podiam ver a beleza dos longos fios de cabelo do vocalista mas reconheceram a sua lírica talentosa. Perguntaram: "Mas como é que ele nunca recebeu um Prémio da SPA pela sua poesia?" Sim, se o Dylan recebeu o Nobel, o que é Guedes abaixo dele?

Antes que respondam a esta provocação, a turma afincou-se a criar o seu clube de fãs - os Braille Zero - e atiram-se a traduzir as líricas para português, num desespero para que a população portuguesa possa apreciar mais - melhor, diríamos nós! - o que merece ser canonizado. 

Justamente 25 anos depois do termo "Grunge", em Portugal, ter sido mal traduzido para "azeite" (e não "gordura") eis o Gatilho que a Chili Com Carne e Rotten // Trash disparam para começar a sua série de edições de Musica portuguesa a melhorar-se dela própria.

Gravado entre 2017 e 2019 nas Terras de Bouro. Mini-CD limitado a 30 cópias. ESGOTADO na Chili Com Carne. Disponível em digital e físico na Rotten // Trash.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Melhor disco R💣ck 2020 (ainda)



𝗘𝘆𝗲𝟭𝟴 é o álbum de estreia de 𝕂𝕣𝕪𝕡𝕥𝕠, o trio de destruição que junta Gon (Zen, Plus Ultra) a Chaka e Martelo (Greengo). 

Co-editado com a Lovers & Lollypops, o disco faz-se acompanhar de uma BD da autoria de Rui Moura

à venda na nossa loja em linha, Tinta nos Nervos, BdMania, Linha de Sombra, Mundo Fantasma, Kingpin Books, 
Tigre de Papel, Glam-O-Rama, Neat Records, ZDB e Utopia.
...

Music CD by Krypto 
Comix + Poster by Rui Moura 
Inspired by the raw and psychedelic sound of the Krypto, as well as their lyrics, the comic book complements and explores an acid and timeless universe. 
Guided between rituals and the occult, transporting the psyche through endless mazes. 
 Co-released with Lovers & Lollypops

BUY at our online shop or at Quimby's (USA)




Sabe mais o diabo por ser velho do que por ser diabo e os Krypto, na estreia Eye18, mostram que sabem desta poda como ninguém. Oito malhas que nos recordam um tempo que já não volta, que piscam o olho ao passado sem nunca soarem saudosistas e que aproveitam para resgatar todo aquele balanço que a música de e com peso parece, por vezes, ter esquecido.

Não sabemos quem teve esta ideia, mas por nós mereceria uma medalha. Juntar aquele que é, sem dúvida alguma, o melhor e mais alucinado vocalista que este país viu nascer (um título que, por mérito próprio, exibe desde meados da década de noventa com os Zen e recentemente renovado na insanidade dos Plus Ultra) aos Greengo, provavelmente a maior força propulsora que a Invicta viu nascer por entre baforadas carregadas de intenção e acidez. Gon encontra no baixo de Martelo e na bateria de Chaka as carruagens de fogo ideais para se lançar numa infindável lista de diatribes sobre isolação, alienação, corrupção, o vazio consumista deslumbrado com a tecnologia ou a cultura empresarial.

É brutalista o som que nos despejam em cima e, apesar de um ou outro laivo psicadélico, impossível de acorrentar, numa viagem que se refugia na atitude primitiva, natural e pura de quem tem o dom de nos deixar num estado cataléptico. Música que exige ressonância e espaço para ser sentida, que cresce em urgência no espírito carbonário com que nos obriga a uma reflexão sobre a vida sem regras e responsabilidades hipócritas.

Rejeitemos a ideia de que temos de nos tornar num ideal, um camarada devoto do pensamento único, distante de sermos um indivíduo e não apenas parte de uma tribo. If we moved in next door to you, your lawn would die, palavras de Lemmy que se aplicam na perfeição a este Eye18, disco em trepidação constante pelo vazio insaciável, com sede de sobreviver e uma vontade que nos deixa atordoados, encanecidos, amortalhados, mas também num alerta constante e eufórico provocado pela privação de sono e sonho que a música dos Krypto teima em nos inflingir ao longo dos seus 23 minutos.

 O disco transforma-se numa banda desenhada da autoria de Rui Moura e inspirada no som bruto e psicadélico dos Krypto, bem como nas suas letras, a banda desenhada complementa e explora um universo ácido e atemporal. Guiado entre rituais e o oculto, transportando a psique por labirintos infinitos.




Historial: 

Lançado a 16 e 17 de Janeiro 2020, respectivamente, no Porto (Maus Hábitos) e em Lisboa (Musicbox), na abertura de Petbrick
...


...

Feedback:

I hope I get to see Krypto!
...

Moura imerge no som de Eye18 dos Krypto para nos apresentar um mundo interior de insatisfação, revolta, contestação e… sonho! Mas desiluda-se quem julgue que a BD terá um final feliz
Bandas Desenhadas

(...) entrada numa pista de aceleração, onde não se sabe quando se vai perder o controlo da velocidade.
 Acordes de Quintas

Psicadelia profundamente evocativa (...) animada por noise por uma crua acidez (...) até o corpo não aguentar mais.
8/10
Loud

artigo na Loud! (primeira Loud! online e free, meus queridos-coronas!)

gostei bastante, tanto da parte gráfica como da música. É uma jarda pré-apocalíptica de respeito, em jeito de cuspidela raivosa (contra a máquina?). A música I Saw fez-me lembrar os Young Gods... Quanto ao grafismo, se toda a música viesse assim tão bem embrulhada, não me importava nada de voltar a comprar CDs. Parabéns a todos pela edição!
Nunsky (por email)





segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

ccc@perímetro


 As edições da Chili Com Carne e MMMNNNRRRG (2000-2020) vão estar presentes na Senhora Presidenta para este evento de edição independente e música avançada.
Podemos avançar que na poderão encontrar alguns livros nossos esgotados por lá!!

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Isola-te com Gekiga!


 Claro que sim, a melhor leitura para o confinamento são Tsuges e Tatsumis mas quem quiser um IDM cheio de glúten para banda sonora que vá ao bandcamp do Gekiga Warlord!! Sobretudo por causa do recente lançado "disco" (EP?) The Day They Stop Smiling is the Day We Remember Their Smile - título mesmo na esteira deste aqui.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Cancer / últimos exemplares!!


CANCER
de / by
Tilda Markström

publicado / published by
MMMNNNRRRG

112p. 4 cores, 21,5x27 cm ao baixo, capa dura 4 cores / 128 p. 4 colours print, 21,5x27cm hardcover book
500 exemplares / 500 copies
Livro de desenho com textos em bilingue (português / inglês) / Picture book in portuguese and English




Tilda Markström (1923 – 2012) Nasceu em Ystad, Sul da Suécia. 1955. Acaba o curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Estocolmo. 1960. Frequenta a FOTOSKOLAN, Escola de Fotografia de Estocolmo (fundada e dirigida pelo Mestre Christer Strömholm). 1965. Viagens (Europa e Estados Unidos). 1968 a 1973. Reside em Londres. Primeiras exposições. 1974. Regressa à Suécia e passa a viver em Estocolmo. Realiza exposições de Pintura, Fotografia, ilustra livros, escreve para jornais e revistas culturais. 1996. Fixa residência em Ystad embora mantenha a casa de Estocolmo. / Born in Ystad, Southern Sweden. 1955. Graduated in painting in the School of Fine Arts in Stockholm. 1960. Attended FOTOSKOLAN, Stockholm School of Phtography (founded and directed by Christer Strömholm). 1965. Trips (Europe and United States). 1968 to 1973. Lived in London. First exhibitions. 1974. Back to Sweden, went to live in Stockholm. Held painting and photography exhibitions, illustrated books, wrote for newspapers and cultural magazines. 1996. Settled in Ystad,but kept her house in Stockholm.

...






à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na Linha de Sombra (Cinemateca de Lisboa), Tasca Mastai, Senhora Presidenta, Mundo Fantasma (Porto), Matéria Prima (Porto), LAC, Blau (Fa. Arquitectura de Lx), You to You, Bertrand, Vida Portuguesa e Letra LivreBUY @ Chili Com Carne online shop and Desert Island (NY), Le Bal des Ardents (Lyon), Floating World (USA),

...





Há temas mais duros e difíceis do que outros. Há mesmo temas que não sabemos sequer como começar a abordar; ou como reagir se outros os abordam, sobretudo quando os abordam de forma simultaneamente crua e inteligente. Mas há também um preço a pagar pelo silêncio, pelo arrumar de problemas onde (esperemos) não nos assombrem. 
Expresso
.

Assinado por uma pintora e ilustradora sueca, já falecida, Cancer compõe uma narrativa visual, dolorosa e comovente, sobre uma mulher que sofre de cancro da mama. A narrativa, intuímos no final do livro, é criada pela sua companheira, a própria Tilda Markström, num tom objectivo, atento aos gestos do quotidiano e profundamente dilacerado. (...) Este será um livro sobre o cancro, mas não há aqui pedagogia ou avisos sobre a saúde e o que fazer com ela. Este é, portanto, um livro sobre o amor e a morte, talvez os únicos temas que nos atormentam com eficácia desde sempre sem que nada altere a necessidade de a eles regressar. Que Tilda Markström seja um heterónimo numa constelação de autores inventados por um pintor e ilustrador português nada acrescenta à leitura de um livro tão avassalador — e tão profundamente belo — como este.
Sara Figueiredo Costa in Blimunda
.

(...) este livro vem corajosamente provar que a arte pode às vezes ter a última palavra.
5 estrelas
Manuel de Freitas in Expresso
.

Se tivesse de destacar um livro ilustrado (para adultos), optaria pelo terrível Cancer, de Tilda Markström (na verdade Tiago Manuel), e pelo modo como alguém consegue lidar gráfica e visualmente com uma memória íntima terrível, uma história pessoal marcada pela perda. Não deixe de conhecer este livro, de indesmentível qualidade estética e humana.
José António Gomes in Abril a Abril
.

Mesmo cuidadosamente envelopado, como só ele sabe, o mais recente volume da obra polimórfica do mano Tiago [Manuel], no caso atribuído à sueca Tilda Markström, tem uma mossa na capa e nos primeiros cadernos. Uma marca que logo interrompem a circulação de azul em torno da palavra-título: Cancer (ed. Mmmnnnrrrg). Impossível não ver nisto um sinal, uma semiótica dos acasos. A viagem marcou-o. Uma cicatriz, portanto. Com uma força extraordinária, aliás comum nos seus trabalhos, o Tiago desenvolve o álbum em sucessão de imagens que obedecem a perspectiva única: um alto pode-se tornar o ponto, o cerne que nos muda a textura do corpo e do mundo. O entorno vai ganhando texturas e padrões, os mamilos e as veias transfiguram-se na linguagem que nos rodeia, que nos cerca, que nos atrai a rede cada vez mais apertada, cenário no qual tudo diz e é sinal da morte. Sem palavras, sem nunca dizer cancro em português, língua que tem por costume evitá-la, substituí-la, coisificá-la. As linhas da cicatriz transfiguraram-se em rarefeito contorno onde acomodar as sombras que a doença ainda permite. No fecho, três textos curtos, páginas arrancadas a um diário. «Já não é possível voltar ao paraíso de onde fui expulsa pela morte». Dolorosíssimo testemunho em carne viva de um íntimo processo, viagem que a todos nos toca, tocou, tocará.
João Paulo Cotrim Macau Hoje
.

Edição bilingue, português-inglês, de um livro ilustrado assinado por uma artista sueca e compondo uma narrativa sobre uma mulher, a companheira da autora, que sofre de cancro da mama. Sem pedagogias, Cancer é um livro belo e avassalador sobre o amor e a morte, mas também sobre a memória e o modo como esta nos constrói. 
Sara Figueiredo Costa in Parágrafo
.

(...) como o luto corroí - pois vive de uma fixação ao podre, não necessariamente ao defunto, mas ao que se putrifica intrinsecamente -, pode apresentar diferentes configurações: é a desfiguração física daquele que é próximo, que passa a inscrever-se num corpo corrompido e devorado pela morte, como desenha Tilda Markström em Cancer.
António Baião in Bestiário #1 / O Nojo

The Cancer book is nicely produced - but very very heavy subject matter!
Anton Kannemeyer (Papa em África, O Meu Nelson Mandela)

E estamos longe, longe, de todas aquelas narrativas de “sobreviventes do cancro”, de que hoje se pode dizer ser quase um género estabelecido. O trabalho de Markström/Manuel não está interessado numa subsunção narrativa, muito menos numa intriga redentora ou moralmente recompensadora, mas na capacitação dos meios gráficos de uma presença e efeitos próprios. Não quer pedir aos seus leitores uma lágrima simpática, nem uma consciência de cidadania. Não pede nada a não ser tão-somente a honestidade da sua leitura, de enfrentar a sua verdade.
Pedro Moura / Ler BD 

It's a lovely thing indeed. It obviously tells the story of a very emotive journey through breast cancer and to an ultimate death, and I suspect the art was part of the way that Tilda dealt with it. Quite moving, and the repetition of images was really effective.
Pstan Batcow (Pumf Rec.) by email



quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Ward Zwart (1985-2020)

 


É um sentimento horrível abrir uma página de jornalismo sobre BD e vermos que é dada a notícia do falecimento de um artista tão novo e conhecido nosso. O flamengo Ward Zwart faleceu justamente há um mês. Apesar de só ter participado no nosso glorioso MASSIVE, sempre nos convidou para estarmos no festival Grafixx e foi-nos atencioso. Um vazio doloroso que nos deixa...

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Kassu Pl


Como já tínhamos anunciado no ano passado o Kassumai de David Campos foi lançado na Polónia, numa edição "melhor" que a nossa porque não só inclui o livro sobre a sua estadia numa ONG na Guiné-Bissau como ainda a banda desenhada publicada posteriormente na antologia Zona de Desconforto. Só falta nós fazermos o mesmo... Edição da Timof com tradução de Jakub Jankowski e Alicja Jancelewicz.

...

Like we told you last year Kassumai by David Campos was published by Timof.  This Polish edition is better than our original in sense that it includes the graphic novel about David six months NGO experience in Guinea-Bissau but also one comix about an "adventure" in Senegal, published later in our Zona de Desconforto anthology.

domingo, 15 de novembro de 2020

Isola-te com Brie!


Bríi
: Entre Tudo que é Visto e Oculto (Lovers & Lollypops; 2020) 

Por mim o Metal do Futuro deveria ter começado lá em 1996 com aquele genial tekno-samba-metal-remix de Chaos B.C. dos Sepultura, ooooh heresia! Não aconteceu, temos pena, por isso neste frustrante presente contento-me com as migalhas que vão aparecendo aqui e acolá, como este projecto brasileiro. Apesar de ter títulos - do disco e respectivas faixas – dignos de Paulo Coelho (credo!), a sua música dá-me Fé na Metal-Humanidade. Com quatro faixas entre os 15 e os 21m temos progressões de estilos de músicas que vão cair sempre numa destruição Black Metal, o que assim de repente soa apenas a ordinário e barato. É realmente dissonante ouvir BM a bombar com sons tribais ou de “Kosmische Musik” ao mesmo tempo, no entanto percebe-se que Bríi fez muito bem o seu “trabalho de casa” e deu calor à sua música, de tal forma que ela opõe-se à ideia da vulgaridade de juntar dois estilos musicais antagónicos só porque alguém fumou uma ganza e teve uma “ideia estúpida” (Zeal and Ardor, por exemplo). Oiçam a faixa A Hora da Morte que começa com um ambiente à Harmonia (a super-banda Krautrock) para se atirar ao BM selvagem e de lá para Trance digno do Boom Fest, estando registados até “glitches” do computador a borrar-se todo, talvez para nos lembrar que errare machinale est. Pura delícia secular, sabendo perfeitamente que o futuro nunca é como queremos.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Na pista da imprensa musical

 


O chavão mantêm-se sempre, vivemos em tempos bizarros. Nem é por causa de 2020-ano-do-covid. Antes da pandemia já não se percebia nada sobre imprensa musical em Portugal. A única publicação de quiosque desde há dois anos, creio, para cá é a Loud! ("Lodo" para os amigos) dedicada aos "sons pesados". Na Internet é um vazio existencial. Claro que há blogues e sítios mas o sentido crítico deles é digno de um peixe cheio de plástico nos intestinos. Acompanhar os suplementos culturais dos jornais é um erro, pior que ser apanhado no algoritmo do Youtube. É estranho que a 'net não tenha proporcionado nenhuma publicação que fizesse diferença no panorama musical - o mesmo se pode aliás dizer do cinema, teatro, poesia, literatura,... Ao contrário do que há em França, eis-nos reduzido a redes sociais com fotos catitas dos discos que sairam, colocações de "likes", corações ou emojis, discussões de fórum entediantes de uma crise total de ideias ou perspectivas. Depois aparecem casos estranhos, por exemplo uma série de zines anacrónicos de Metal perfeitamente inúteis e reveladores da crise da meia-idade ou pior um aborto como a JAMM. E agora esta Pista!

À primeira vista vista parece "muito design e pouco conteúdo" mas logo com a entrevista aos Desterronics e o artigo dedicado ao Rudolfo - merecedor de estar publicado no seu catálogo, já agora - mostra que estamos perante de algo sério. Reduzindo o ruído omnipresente da Música em todas as coordenadas espaciais ou temporais à ideia do "Clubbing", não se deixa agachar à música de dança como se esta tivesse o seu exclusivo. Assim, o conceito abre-se a mais propostas e ideias contemporâneas sem mofo quando se juntam mais nomes como a Odete ou o Mário Valente (do Lounge) para mostrarem a diversidade de opiniões, sons e programações possíveis em Clubes, e sem cair no espírito de gado do Lux - como a brasileira Cigarra o denunciou numa revista francesa.

Já saiu um número zero, este é o "primeiro" número da revista (fanzine?) datado de Agosto deste ano. O preço proibitivo de 15 paus parece que se deve a alguma inexperiência editorial, esperemos que venha a ser mais acessível de futuro, até porque tem o apoio da CM de Lisboa. Agora, porque raios é que o logo da CML aparece três vezes na revista - nos dois volumes e na cinta que os acopla - é um mistério gráfico que prefiro não saber a sua razão.

domingo, 8 de novembro de 2020

Será a caneta mais poderosa do que a espada?

 


A edição portuguesa do Monde Diplomatique tem publicado, sob a nossa coordenação, as respostas em Banda Desenhada por uma série de artistas. Este mês é a vez de André Lemos cuja sua nova exposição individual está patente até ao final do mês na Tinta nos Nervos!!

sábado, 7 de novembro de 2020

Isola-te com Carisma

 


Sim, a Chili Com Carne apoia o LP 100% Carisma dos Vaiapraia editado pela novíssima Tons to Tell!! É um vinil "deluxe punk" com bela capa e boa produção, uma edição luminosa para estes dias negros e infelizes que vivemos. Quem tiver dinheiro para pagar a electricidade mais cara da Europa ou viver nas quentíssimas casas lisboetas (cóf cóf), é fazer o que o Governo nos pede para salvar a celebração do porco nazareno, ou seja, toca de ficar em casa, de pelota a dançar como se estes fossem os últimos dias!! Aos heteronormativos desconfiados deste bem ritmado e esperto Queercore, pá... não se preocupem, os vocais do Rodrigo são tão difíceis de perceber que se calhar ele até 'tá a falar de relações tipo gajo e gaja, topam? Vá, nada de dramas! Granda som, vão lá comprar o disco, não sejam toscos!

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Continua a publicar...

 


Foi uma semana de galhofa graças à virtual mas pouco virtuosa "Feira Gráfica". O que suspeitava, confirmou-se, a vida está noutros sítios, até nos mais insuspeitos. Ou como ontem, por exemplo, ao ser lançado o Skate Snake Zine #1 que cagou bem de alto para as donzelas ofendidas de um meio que se tornou sebento, vendido e burro. Invés de se apresentar no dito evento, este novo zine A5 dedicado ao skate invadiu um espaço da EMEL abandonado para lançar-se com um cobertor no chão e uma caixa cheia de exemplares. Juntou uma grupeta para umas bujas, conversa animada e "skatar". Duvido que o editor e colaboradores sequer pensaram na "Feira" e esta relação neste texto pode parecer despropositada. Não é. Tudo o que a "Feira" tentou defender do mundo editorial independente falhou pela sua estrutura paternalista e vertical. Num "não-lugar" o SSZ concretizou um ideal de independência, liberdade e criatividade em poucas horas, assim na descontra à tarde daquele dia da semana em que nada acontece na "grande capital". Inspirado noutras publicações estrangeiras como a Skateism move-se para discussões fora da machismo associado a este desporto justamente para reflectir noutras práticas, estéticas, corpos e o confronto do espaço público - para isso até gamou uma BD que saiu no jornal A Batalha
Nunca "skatei" - nessa tarde ia dando um trambolhão que me ia por de cama de certeza, o que fez terminar para todo o sempre qualquer tentativa de voltar a meter os pézinhos numa prancha com rodas - mas olhando e lendo o SSZ há aqui "food for brain" inesperado para leigos como eu. Num ano de lodo existencial ver este projecto e outros que aparecerão sem ajudas institucionais, preguiçosas e gananciosas, dá-me muita esperança no futuro da edição "indie", o ano ainda não acabou! 
Obrigado, "cobrinha"!

domingo, 11 de outubro de 2020

I say buzz buzz buzz


Os Role-playing Games (RPG) são jogos para nerds? Acho que sim mas o que mais interessa neste fenómeno que começou nos anos 70 com o famoso Dungeon & Dragons (creio que isto bateu em Portugal nos finais dos anos 80) é o facto de poder ser subvertido e transformado, tipo open source. Num RPG não só se pode improvisar bastante ao jogar mas também se pode criar novos jogos ou complementos a jogos já existentes. 

The Insectiary (Games Omnivorous; 2020) é um livrinho A6 amarelo tusa impresso a vermelho pintarolas e é um directório de insectos improváveis e muita-fodidos que pode afectar quem estiver a jogar. De autoria de André Nóvoa com ilustrações de Pipo Kimkiduk - este é o segundo livro, o primeiro foi pela defunta MMMNNNRRRG - devo dizer que "não tenho nada a declarar" em relação aos textos sobre os bichos. São divertidos, sim, mas sei lá se é uma cena que funciona quando tiver a matar um ogre? Já sobre os desenhos, mando daqui uns elogios pela sua podridão total, tipo Mike Diana, Roy Tompkins, Glen Head and all that jazz dos alternativos norte-americanos dos anos 90 - ou até o italiano Claudio Parentela. Duvido que alguma vez irei usar o livro para o seu destino original - para complementar jogos marados - mas ei-de ver um dia destes outra vez as moscas mutantes e vespas viscosas só porque é o que se faz com um graphzine. E é isso, a abertura dos RPG pode dar para fazer um objecto editorial independente da sua habitual subcultura ou até um disco como aconteceu este ano com o excelente Death Jungle Robot, um LP-tabuleiro-ambiente de trópico-rock editado por esta mesma editora. Muito curioso, tudo isto, ainda me apanham um dia vestido de mestre de cerimónias e a criar modelitos de castelos com bruxedos!

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

ccc@feira.da.festa


Uma selecção de livros nossos e da defunta MMMNNNRRRG estarão neste evento de edição independente (dentro da Festa da Ilustração em Setúbal) pela mão e cabeça e tronco e o resto do corpo do associado Gonçalo Duarte

Agradecimento especial ao R.S. que passa a vida a convidar-nos para eventos e que lhe estamos sempre a dar-he a boca!

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

E se fizéssemos uma tatuagem? na Alquimia


novo livro de contos de Rafael Dionísio
...
com ilustrações de João Silvestre
...
uma co-edição Chili Com Carne e Sulfúria
...

E se um livro de "short stories" nos levasse de volta aos mil novencentos e noventas?
 E se Alcindo Monteiro ainda fosse vivo?
E se Timothy Leary pairasse sobre a serra de Sintra?
E se este fosse o novo livro de Rafael Dionísio?
 Pois é.

...


à venda na nossa loja em linha e na Leituria, SirigaitaMatéria PrimaUtopia, Oficina (CIAJG), A Vida Portuguesa, LAC (Lagos), Círculo das Letras, Distopia, Escriba, Espuma dos Dias, Hemus, Livraria Ler, Menina e Moça, Multinova, Fonsecas, Tigre de Papel, Kingpin Books, Alquimia e Linha de Sombra.

...

Historial: 

lançado a 13 de Julho 2019 no Espaço Misturado com apresentação de Ricardo Nunes 
... 





fotos de Afonso Cortez

domingo, 27 de setembro de 2020

A Sagrada Família / ESGOTADO

A Sagrada Família
de 
Rafael Dionísio

Terceiro volume da Colecção CCC; 192 págs 21x14,5 cm, edição brochada; ISBN: 972-98177-4-X; edição apoiada pela Junta de Freguesia de Cascais e o Instituto Português de Juventude

ESGOTADO, talvez ainda apanhem exemplares na FNAC, Bertrand, ZDB e Matéria Prima.


O livro: 2002 é o ano em que Espanha fez a festa de anos de Antoni Gaúdi, arquitecto barcelonês que entre outras gracinhas fez a sua Sagrada Família. Cada um faz a Sagrada Família que quer.

Rafael Dionísio fez a sua. Arquitectou-a em livro. A Sagrada Família é um livro escrito numa prosa labiríntica, obcecada e por vezes orgulhosamente alucinada. Mas sem fio de Ariadne.

É um livro complexo mas acessível a vários terrestres. É um livro em que várias personagens familiares e outras menos familiares chapinham num caldo de ácido sulfúrico. Com humor corrosivo, faz-se uma obra heterodoxa.

O gozo de escrever um texto que dança sobre si próprio, em rodopios e cambalhotas, e outras acrobacias literárias. Tecendo referências explícitas e implícitas a vários assuntos culturais, desde a história, a literatura até à cibercultura. Desorbitando em torno de algumas personagens que interagem, autistas, umas em relação às outras.

É provável que o leitor sinta alguma perplexidade mas também algum gozo, se não se sentir ofendido na sua idiossincrasia de cidadão votante. Um livro politicamente insurrecto, disparando em todas as direcções inclusive nos próprios pés.

Excerto:
- sabes quem morreu? - pergunta a mamã com aquele ar oficialmente espantado. foi a tua tia nhónhó. que horror.
- e o que é que eu tenho a ver com isso?
- que insensível.
- isso de ela morrer é lá com ela.
- assim não te casas, com esse feitio. assim ninguém te quer. assim ninguém vai querer fazer família contigo. a tia nhónhó gostava muito de ti, como é possível seres assim tão insensível?
(para quem não sabe a tia nhónhó era um monte de fezes amontoadas com uns olhinhos castanhos e que de vez em quando, na sua voz de merda, dizia, quando é que te casas meu querido sobrinho? quando é que arranjas uma noiva? diz lá minha jóia. meu tesoiro. os meus sobrinhos são a minha riqueza. quando é que casas?)

Historial: lançamento a 3 de Outubro 2002, na FNAC Chiado com apresentação do livro por Dinis Guarda e exibição de video-art de António Pedro Nobre e Nuno Pereira ... seguido de festa no bar Agito [Rua da Rosa 261, Bairro Alto] com DJ Lazer Squid e Feira de Fanzines ...


Feedback:

Um desafio literário a seguir com atenção
Número Magazine

fica-se, de facto, um pouco baralhado com a escrita circular
Mondo Bizarre

as aparentes “facilidades” e “concessões” mais não são que outras faces de um salutar sarcasmo, a aliviar-nos de crises de fígado que esta sociedade (de yuppies amancebados com velhas nobrezas sem eira) suscita no corpo de noveis gerações que se rebelam contra os poderes.
Nuno Rebocho in O Arquivo de Renato Suttana

revela sobretudo uma dimensão satírica rara e interessante, por vezes de uma inteligência precisa, livro a ler, um autor a seguir - pelo que de novo pode trazer.
Pedro Sena-Lino in Canal de Livros

sábado, 26 de setembro de 2020

ccc@queer.lisboa.2020


Como tem sido hábito desde 2018 eis que uma selecção de títulos nossos estará presente no Queer Market do festival Queer Lisboa.

E deve ser o único sítio em Portugal onde podem apanhar o divertido livro de BD de Sim Mau, The Plumber.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

ccc@tan.tan.tann


Uma selecção de edições nossas estão disponíveis no TAN TAN TANN

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

ccc@motelx.2020


Uma selecção aterradora das nossas edições vão estar no Mercado do MoteLx durante todo o evento. Se depois de ficar com os nervos em franja ainda quiser ler algo nosso... tudo bem! Não nos responsabilizamos pelos danos!

domingo, 13 de setembro de 2020

ccc@feiras.do.livro.2020

Num ano anormal estaremos também numa situação anormal na Feira do Livro de Lisboa, sem os nossos habituais parceiros... Mas estamos bem acompanhados pela malta da Blau no stand D22.
Fixem isto porque na Feira vai ser preciso usar máscara o tempo todo e não há tempo a perder com o lixo editorial transacto. Outra vez:
D22

Mais coisas importantes:

Não vai haver sessões de autógrafos e apresentações.

Os preços serão todos em múltiplos de 5, ou seja, a 5, 10, 15, 20 Euros para facilitar os trocos.

Os livros do dia serão sempre títulos da defunta MMMNNNRRRG.

Haverá um caixote de 50% cheio de raridades e curiosidades.

A novidade editorial será o CENSURA JÁ!! do norte-americano IAN F. SVENONIUS (Nation of Ulysses, The Make-Up) para quem ressaca Rock com R, ehm, grande!




E na Feira do Livro do Porto, idem idem aspas aspas, este ano as nossas edições ficam representadas na fabulosa e madura Matéria Prima - como aconteceu várias vezes noutras edições. 
É assim!

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Sessão de autógrafos com RUDOLFO (Diogo Jesus)



Lançamento do livro APESAR DE NÃO ESTAR, ESTOU MUITO / DJ NOBITA EARLY YEARS 2002

11.09.2020, 18h30 na Capela Carlos Alberto – Jardins do Palácio de Cristal, Porto
__

O livro/catálogo APESAR DE NÃO ESTAR, ESTOU MUITO / DJ NOBITA EARLY YEARS 2002 foi publicado no âmbito da exposição homónima apresentada na Galeria Municipal do Porto, entre 2 de Junho e 16 de Agosto de 2020.

Uma edição
GALERIA MUNICIPAL DO PORTO

Copublicado com
CHILI COM CARNE

sábado, 5 de setembro de 2020

Será a caneta mais poderosa do que a espada?


A edição portuguesa do Monde Diplomatique tem publicado, sob a nossa coordenação, as respostas em Banda Desenhada por uma série de artistas. Este mês é a vez de Rodolfo Mariano, cujo seu livro de estreia aproxima-se para lançamento em Outubro! Beware!

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

graphzine PUNK COMIX cd / ESGOTADO

Quem adivinhou que este desenho era da "desaparecida" Júcifer?

Se a Música sempre foi registrada em objectos circulares, das primeiras máquinas mecânicas às rodas das k7s. A Reciclagem artística e a ecológica seguem o mesmo princípio geométrico.

300 rodelas áudio, 13 artistas gráficos, impressão luxuosa risográfica

Esta edição é no fim de contas um CD que acompanhou um lote de exemplares do livro-duplo Corta-E-Cola / Punk Comix (Chili Com Carne + Thisco; 2017) de Afonso Cortez e Marcos Farrajota, sobre a história do Punk em Portugal.

Foram tirados 1000 exemplares do livro e 1000 cópias do disco, no entanto só 700 dos CDs é que entraram nos livros. Cerca de 300 exemplares do livro foram para as grandes cadeias livreiras… recusando trabalho de escravo para esses monstros ou satisfazermos consumidores preguiçosos, não foram enfiados discos nesses exemplares.

Esta sobra de discos inspirou-nos a criar um graphzine com 13 desenhadores a ilustrarem as músicas que por sua vez foram baseadas na BD da forma mais abrangente possível: sobre autores (Vilhena, Johnny Ryan), personagens (Mandrake, Corto Maltese), séries (O Filme da Minha Vida) ou livros (V de Vingança, Caminhando Com Samuel). Alguns temas são mais óbvios que outros mas o resultado é uma rica mistura de sons que vão desde o recital musicado ao Crust mais barulhento.

Impresso a duas cores em Risografia - via Mundo Fantasma - participam neste graphzine com BDs, desenhos e ilustrações vários autores "punkis" assim assim, que já foram ou ainda serão ou nem por isso Mauro Coelho, Ana Louro, Neno Costa, Ana CaspãoNunskyRui MouraJosé Smith VargasXavier AlmeidaMarcos FarrajotaRudolfoVicente Nunes e André Coelho. E Jucifer na capa.

Edição Chili Com Carne + Zerowork Records
Agradecimentos a José Feitor e Thisco.





Lançado no Festival de BD de Angoulême 2019.

Ainda pode ser que encontrem esta raridade na Mundo Fantasma, Glam-O-Rama, RastilhoBlack Mamba e Kazoo.


FEEDBACK 

 Cada música tem direito a uma ilustração ou banda desenhada, sendo as dedicadas à BD aquelas que constituem a maioria das páginas da obra (...) que evocam autores, personagens, séries e livros de banda desenhada, dos menos aos mais mainstream. Este pot-pourri gráfico tem uma existência passível de apreciação para além da mera bula que acompanha o disco compacto, desde o piscar de olho ao Popeye fálico e ao vampiresco Batman até ao Homem-Aranha punk (quiça retirado do aranhaverso) e às diferentes fases do acto sexual (não necessariamente cinemática).
Je l’offrirai à ma maman (je ne connais pas d’autre vieille dame).
Putan Club, Presidente Drogado com banda Suporte and FDPDC are my favorites! Unfortunately Putan Club isn't portuguese. Putan club is really great. Presidente Drogado's noisy guitar is so cool. It reminds me Sonic Youth or Blixa Bargeld in Nick Cave in 80's. FDPDC sounds like death metal!