sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

E o disco do ano é


Turba (New Approach) de Metadevice.

Já perdi a conta das edições de Metamachine, projecto que aparece no meio da pandemia covid, ainda mais porque apanhei uma edição especial deste disco que inclui um CD-R limitado, Atomization, no meio de tanto luxo editorial: capas e posters e capas e posters e capas e posters, dentro uns dos outros e não sei o quê que a dada altura já nem sei voltar a montar a edição como estava. Queixas? Não, o sentido estético é tão exigente como a música, deixando de haver diferença entre André Coelho músico e desenhador. 

São discos que tratam deste mundo que acaba com um soluço e não com uma explosão, dada a impotência de todos contra uma máquina fora de controlo mas que nos controla e dirige. O alerta vai para a desmaterialização do ambiente humano para um digital zombie. E se a música soa a contínuos electrochoques com títulos colocados por um gajo inteligente e observador não significa que tenha conteúdo político - é uma questão debatida, o ruído per se é político? Para libertar as dúvidas venham as vozes de Rui Almeida sacando as literaturas ambientais de Nathaniel West e Thomas Pynchon, moldam um retrato de 2021 e a nossa paradoxal miséria humana - voltem Situacionistas, estão perdoados.

Por fim, destaque ainda para duas produções portuguesas deste ano, a saber Chroma (Nau) do lisboeta Bernardo Devlin a acrescentar mais desnorte existencial e Ata Saturna (Lovers & Lollypops) dos Conferência Inferno que apesar de ainda serem uns Suicide e New Order mitrados, tem potencial para algo mais.

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

João Paulo Cotrim, the Smartest Kid on Earth

 

(retrato roubado ao André Carrilho - título do "post" gamado ao Chris Ware)


Ontem 

Cotrim era um homem muito generoso e dos mais inteligentes que conheci. 

O seu lugar de Director da Bedeteca de Lisboa permitiu-lhe fazer tudo para mostrar uma Banda Desenhada diferente do mofo imundo que em que vivia. Já tinha mostrado, em parceria com Renato Abreu, como deveria ser a BD do futuro com a revista Lx Comics mas com a Bedeteca cristalizou o passado - recuperando Rafael Bordalo Pinheiro, Cottinelli Telmo, Carlos Botelho, Sérgio Luiz e Fernando Bento em monográficos mas também com a publicação de investigações sobre a História da BD portuguesa. Incentivou um presente-urgente com exposições estrangeiras da vanguarda europeia - Amok, Fréon, L'Association -, encomendando obras e livros, apoiando as fracas editoras que existiam na altura e os novos autores cheios de tusa recuperando para eles o título Lx Comics numa colecção de "comic-books", formato adorado na altura. Muitos dos nossos autores tiveram o seu primeiro livro publicado nesta colecção, logo eu e o Pedro Brito nos primeiros dois números e mais tarde André Lemos, Rafael Gouveia, João Chambel, Pepedelrey, Isabel Carvalho, Pedro Zamith e Francisco Sousa Lobo, citando apenas aqueles que foram/são associados nossos ou que publicamos com mais frequência. Houve mais artistas em 17 números!

O futuro também estava previsto, uma Bedeteca que seria um centro cultural. Tudo estava preparado com toda uma nova geração de artistas e editores a produzir obras do seu tempo. Depois, foi tudo à vida, lentamente, perdoem-me o pudor místico, voltando a BD a algum retrocesso dos anos 90. Nem tudo regrediu, havia mais agentes em marcha, felizmente.


Hoje

Se o Presidente o homenageia, aposto que ele nem sabe o que é uma Bedeteca - nunca o vi a frequentar uma. Se há centenas de artistas e escritores a relembrarem Cotrim nas suas redes sociais, por outro lado, muita da gente da BD ignora-o. Não sabem o que ele fez e temo, dado que a cena é reacionária, que deverão arrotar postas de pescada imundas em breve. Talvez o silêncio ou ausência de discurso dos ditos amantes da BD seja uma benesse. 

Na BD portuguesa, um lado estranha Cotrim e do outro (público em geral ainda) se estranha o que é a BD. Só José Marmeleira no Público soube escrever sobre um Cotrim equilibrado nos mundos da imprensa, literatura, edição e "bonecada" - será que ele gostava do Jimmy Corrigan? Não me lembro... Só me lembro da sua cara de gato traquinas.

Hoje, a actual "gestora" da Bedeteca de Lisboa, a Junta de Freguesia dos Olivais, anunciou que vai fechar o equipamento para obras. A coincidência não poderia de ser de pior gosto, ou digna de conspiração cósmica. Espero, no entanto, que seja um bom sinal para tratar da incúria e desinvestimento de uma década da Câmara Municipal de Lisboa e da dita Junta em relação ao palacete "farsolas" (assim Cotrim referia o Palácio do Contador-Mor) e ao seu acervo. Veremos...


Amanhã

Gostaria de ser mais optimista mas o que tenho visto do lado da cena da BD, o trabalho de Cotrim cairá em ignorância, como toda a Cultura em Portugal. Se se recuperam certos autores de outras áreas artísticas aqui e ali, na BD tudo é fatal e no máximo aposta-se no R.B. Pinheiro ou no Stuart. O resto não parece interessar a mais ninguém. 

Para que serve uma Bedeteca no século XXI? Para combater a ignorância sobre e do próprio meio. Cotrim, o "rapaz mais esperto do mundo" já o sabia há 25 anos atrás.


Marcos Farrajota

sábado, 25 de dezembro de 2021

a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal a todos um pai natáaaaaaaaal



Precisamente um ano após a Chili Com Carne e a rotten / trash terem iniciado a série mais impactante do mercado musical português - servindo os Braille Zero de "Gatilho" - chega-nos agora a derradeira compilação desta Natalixo! 

NAU 25 - É ISTO QUE EU CHAMO DRONE NATALÍCIO contém os melhores temas natalícios alguma vez publicados, ideais para se ouvirem no aconchego familiar do seu lar e ajudar à sesta colectiva para que este dia 25 de comunhão e jubilo natalício passe o mais rapidamente possível para todos. 

Já não terá que aturar as piadas machistas do tio depravado ou a conversa da treta com factos altamente duvidosos dos avós fachos, basta apenas adquirir este singelo minicd que tudo ficará resolvido após uma soneca relaxante ao som de drones de canções populares como A Todos Um Bom Natal e Mundo Encantado dos Brinquedos, autênticos hits da pequenada no shopping center, ou de versões aprimoradas dos projectos originais Shoetos & Pontapés, Arcanjos e Boy que ajudarão os mais graúdos a curar a bebedeira solitária neste dia tão especial.

🎅🎅🎅 Feliz Natalixo 2021 🎅🎅🎅

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Vaidade vinílica

 


Pior que fazer discos em vinilo só de um lado é fazer discos duplos que não suportam certos tipos de música que não foram feitos para esse formato. O Rock psicadélico e o Prog tiveram os seus dias de glória porque banalizou-se o 12", da mesma forma que a música Illbient, Drone ou Doom aproveitaram os 80 minutos dos CDs para construírem mundos de muitas horas sonoras. Estranho caso este da estreia de VeganovA  com Nogod in Sirius (-Belligeranza; 2020) na editora do nosso amigo DJ Balli, em vinilo é uma chatice de 15 em 15 minutos ter de mudar de lado do disco para ouvir um álbum que soa bem em digital, seja no seu bandcamp seja nos ficheiros fornecidos na compra do disco. Já se está a ver tudo, ou as faixas não cabiam num lado do disco ou ficariam muito comprimidas perdendo qualidade no som. Pois amigos, é por isso que os artistas tem de perceber de restrições técnicas ou essa é a razão dos editores ainda existirem, para canalizar a criação para a publicação. Enfim...

A música é um ambiental-sideral do mundo do quarto, "cosmosplotation" e inclassificável - de resto talvez em sintonia com o mini-hype que houve em volta do colectivo / editora Arte Tetra. Soa melhor em digital, fazer o quê? Demorei um ano a perceber isso por mais que babe ao abrir a capa e descobrir uma cinta de moebius:


Ó Fetichismo pela Mercadoria! Feliz natalixo! Que esta música vos ilumine numa das piores noites do ano.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

a CCC está com o MAL


+info sobre o MAL

Nos baldios deixados ao abandono pelos grupos editoriais hegemónicos nasceram algumas editoras que aí instalam os seus enxovais e produzem livros com propostas diferentes — no conteúdo, no grafismo, nos meios de produção, na distribuição, no discurso e nas práticas. 

O MAL pretende tão só cultivar um espaço de respiração para o que ainda sobrevive no terreno devastado pela monocultura intensiva do livro. 

Em contramão à uniformização operada pelos cartéis editoriais, que produzem objectos-livro cada vez mais indistintos entre si, estas editoras que se apresentam no MAL ocuparam o espaço destinado à invenção e ao risco, revelando que é possível editar livros que ainda se esquivam a partilhar prateleiras com blocos de notas, porta-chaves de cortiça, sardinhas de faiança e peluches do Camões. 

Da poesia à prosa, da banda desenhada ao ensaio, da fotografia à ilustração, com hibridismos pelo meio, tudo isto mal cabe no MAL.

Da nossa parte teremos o novo livro de Francisco Sousa Lobo!!!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

E no Porto...


Tal como no ano passado estamos no Perímetro representados pela Senhora Presidenta!

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

A Fábrica de Erisicton // ESGOTADO

 


O fanzine Mesinha de Cabeceira voltou numa onda de "back to the basics" após cinco anos de ausência. Este retorno às origens humildes de uma tiragem baixa de 100 exemplares, como fanzine / zine / perzine (riscar o que não interessa), tal como em 1992 (ano do primeiro número) tem a razão de ser para dar voz a autores desconhecidos / novos / fora de qualquer radar (riscar o que não interessa).

Começamos com A Fábrica de Erisicton de André Ferreira que é uma BD eco-psicadélica inesperada sobre a destruição do Alentejo pelas culturas super-intensivas que se praticam. O grafismo é tão naíf como visionário, com poucos sítios para segurarmo-nos se não fosse o facto da mensagem ser tão desesperante. O aviso já pouco serve, o Destino está traçado, como se vê nestes anos estranhos que vivemos, em que nada mudou em termos de atitude ecológica, a borregada quer é viajar e poluir. 

Resta-nos estes pedaços de arte colorida e imaginativa em singelas 24 páginas. 
Obrigado André!



Mesinha de Cabeceira #29, edição da Chili Com Carne, Abril 2021, 24p a cores 18x25 cm, capa a cores, 100 5 exemplares.



ESGOTADO, ainda devem encontrar exemplares na Kingpin Books, Linha de Sombra, Neat Records, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Utopia, Alquimia e na ZDB.



sobre o autor: faz música sob o nome de Goran Titol - que poderá participar este ano numa colectânea da nossa série Música Portuguesa a Melhora-se Dela Própria -  animação em técnica de "stop-motion" com ajuda da Mãe Natureza e é autor da BD tendo participado na antologia Venham +5 e com o livro a solo Ouro Formigas (2013), ambos publicados pela Bedeteca de Beja.


 FEEDBACK: 

Panfleto libelo anti-destruição da natureza em nosso torno, disfarçado de reconto mitográfico psicadélico (...), breve passeio alucinado que deveria antes servir de guia para redescoberta da nossa paisagem e manual de instruções para a sua recuperação... segundo a Tinta Nos Nervos


Entrevista no P3 / Público

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Centro de Cópias


Bela k7 que saiu a How nature speaks de Superalma Project pela editora do momento Rotten// Fresh. Embora ouvir isto pense sempre inevitavelmente em Fire-Toolz não fosse a mix feita de Vaporwave, Black Metal, Jazz e IDM num caos pensadinho. A desvantagem será que tudo é colagem e não performance, ao contrário de Fire-Toolz que sempre toca uma beca. Por outro lado no século XXI ninguém quer saber de virtuosos para nada - é de cagar a rir quando miúdos perguntam se os desenhos do João Maio Pinto são feitos a computador - interessa sim copiar bem o excesso de informação nem sei bem para quê... Quem o faz sabe? A capa revela a música, o bibelô surpreende mas a dada altura cria repulsa pelo cansaço do exagero digital - embora eu daria tudo para ter um bibelô assim em casa, claro! Tarefa cumprida, siga, qual a próxima edição?

domingo, 12 de dezembro de 2021

O belga e a monstra

 

A grande Parangona - graças ao Tasco do Natxo - pariu um rato de público. Infelizmente e que fazer quando a razão do evento é a que sofre por causa da sua animação paralela? Triste...

Positivo só algumas compras feitas no evento como este El Hoebrelobo & La Momia (Mamá Press; 2021) do brasileiro Eduardo Belga. Um "split-book" de pura escatologia e auto-mutilação Gore de quem sabe desenhar o que lhe apetece incluíndo humilhações sexuais e um atropelamento violento contra um carro, por exemplo. Impressiona à primeira vista e à segunda.

A distribuição está a cargo do nosso amigo Prego. Perguntem-lhe por este título editado em Espanha e redigido em castelhano



Outra que impressiona é o primeiro número de Incandescente (2021) de Mariana Pita. Por duas razões, a primeira porque ela revela um estilo de desenho que poderia (pode!) desafiar a qualidade de qualquer "comic-book" americano - Image bullshit, etc... - e porque por isso mesmo, habituados ao estilo "fofinho" e naive de Pita, de repente somos confrontados com um estilo "realista" de uns X-Men do século XXI - só falta o estúdio de cor digital para ficar tal e qual.

Deve-se a mudança - não é mudança! - de estilo porque como já escreveu o Tommi Musturi a forma ou estilo deve acompanhar a mensagem / conteúdo da ideia. Como Pita quer fazer uma BD de uma "Magical Girl" então desenhou de forma mais naturalista. 

Nota negativa apenas são as poucas páginas que deixam saliva no leitor e se a Pita não concluir a "série" toda tenho a certeza que vai haver revoltas nas ruas, quedas de governo e carros incendiados! A sério!

sábado, 11 de dezembro de 2021

Tommi Musturi @ Todas as Palavras



Todas as Palavras: Ana Daniela Soares e Inês Fonseca Santos apresentam os livros e os autores que nos emocionam - como o Tommi Musturi!!!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Leiria sabe


As edições vão estar na Feira Torta, em Leiria, através da Paperview... Leiria sabe que não vale a pena fazer uma feira de edição independente que obriguem os seus editores exaustos dos dias de trabalho a ficarem mais de oito horas a apanhar seca como foi este fim-de-semana na ZDB (vulgo, o Tasco do Natxo).

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

ccc@Museu.Bordalo.Pinheiro


O Museu do Bordalo Pinheiro - o pai da BD portuguesa, mother-fucker! - organiza um mercado de BD e ilustração e nós vamos. E aproveitamos para apresentar no dia 12 de Dezembro, às 15h, o Hoje Não da Ana Margarida Matos porque merece a filhota! 

Vovô Industrial

Este EP 7" dos Los Humillados, Rua do Gin, The Barbie Lovers e HIST (Grabaciones Góticas + Facadas na Noite; 1990) é um pedaço de história curiosa. Raramente naquela altura, em Portugal, havia edições em vinil de bandas underground e aponta que houve uma altura em que existia algum intercâmbio cultural com os nossos hermanos e que fez fade out nos anos 90 - hoje nenhum dos dois países se interessam pelo que passa num ou no outro país, tristeza...

"Os espanhóis humilhados" soam a escuteiros à fogueira com vontade de suicídio. Rua do Gin é uma desilusão pois esperava uma réplica de um dos temas mais selvagens de sempre do Rock tuga - refiro-me a Rebeca no primeiro volume das colectâneas bracarenses À Sombra de Deus - aqui parece apenas um Pop bizarrito. Os catalães "amantes da Barbie" parecem ter vozes distorcidas de Frank Zappa com um Industrial light e nerd. Por fim, Hist é EBM em speed com samplagem repetitiva como era normal na altura porque a tecnologia era primitiva - queria ver os Rotten / Fresh e afins a fazerem música com os programitas da altura!

Agora que um espectro de música menos convencional começa a ser descoberto, percebendo-se que em Portugal a década de 80 não foi só Mão Morta, Pop Dell'Arte e a Ama Romanta mas que existia outras editoras e projectos com perfis mais "radicais" para uma sociedade portuguesa estagnada, este EP tem também o seu encanto gráfico e sonoro. Co-edição de duas editoras, uma portuguesa e outra espanhola, cada uma a editar dois projectos dos seus países, aparece com uma capa dourada porque, de certeza, os espanhóis adoram coisas que brilham e com o grafismo que está ao nível europeu do que se fazia na altura na onda Industrial - aliás este tipo de música sempre esteve sempre mais nivelado ao que se fazia no resto do mundo do que os outros géneros de música cá em Portugal, gostaria de perceber porquê um dia! Problema é o som que está baixo mas há uma razão, a "master" foi enviada para a fábrica em Espanha e os CTT perderam a dita cuja. Ao que parece o disco já estava pago e algo tinha de acontecer, senão era dinheiro para o lixo. Resultado, pegou-se numa gravação inferior que existia e gravou-se este vinil. Narrativa curiosa de amadorismo e independência que acontece frequentemente nestes meios, sem razão para humilhação pública, diria até pelo contrário, é uma glória perante as dificuldades de um mundo pré-digital. 

Por falar em HIST, foi reeditada a k7 desta banda de Setúbal, na actual segunda vida da SPH. O livrinho de letras e imagens está um mimo, diga-se.

The Greytest Hi$t 1983 85 são uns 15 temas de puro lo fi muito antes de se rotular de Industrial ou Experimental ou Electrónico - hoje diria-se post-punk, suponho eu. Lembra sobretudo Tuxedomoon talvez pelos ritmos esquizóides com guitarras angulares, uivos e o contínuo musical que não sabemos bem para onde nos leva.

É penoso q.b. ouvir estas gravações, a não ser que sejam freaks do lo fi, claro, o que aliás demostra o quanto os nossos ouvidos e cérebros já foram higienizados pela perfeição do digital. Mas é uma questão de hábito e desprogramação afinal a História não pode ser dos vencedores, não pode!

sábado, 4 de dezembro de 2021

Lodo gaitinhas



Mulk / Golem of Gore / Nyctophogia / DJ Balli 
(Still Fukin Angry + DDP; 2021)

Queria ver se o Malefic não ia chorar como um menino numa ressonância magnética. Ia lacrimejar-se (mijar-se!) todo porque aquilo é um sarcófago de boas intenções para descobrir as maleitas, que servirão para um diagnóstico e respectiva cura. Dentro do túnel do RM ouvem-se sons parecidos com esta split-tape que junta o francês Mulk, a dar no Cybergrind mas com toques de quem curte Breakbeat e Glitch sem nunca esquecendo The Berzerker; os italianos Golem of Gore são os mais óbvios desta grupeta da k7 com o seu Goregrind exposto em "gorefilia" e um interlúdio Giallo - mais italiano impossível!; o texano Nyctophagia é triturador com toques Death e nesta altura já é de tocar de botão de pânico dentro do túnel branco! O golpe final e para enlouquecer de vez na brancura clínica é dado pelos italianos DJ Balli e Ralph Brown que acabam a edição em grande com as suas duas faixas de Extratone - ou seja 1000 BPM para cima, são tantas as batidas que fazem um "tom", não, não um ritmo dançante bem "headbangeriano", apenas insanidade sónica e renascença. 

Os Atari Teenage Riot já tinha alertado para não acreditarmos na velocidade (ou nos "speeds", a letra é dúbia), eis a prova de que há limites técnicos e humanos no mundo sónico. Sobretudo, a k7 serve de treino pra quem almeja a terceira idade, quando o corpo começa a desfiar e a agenda começa a ficar cheia de encontros com médicos, análises e exames médicos invés de flirts, drogas recreativas e concertos em caves imundas. Nada pior pior para um Trve BM do que isso, pá, a Vida!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

CHILI com YUZIN


E vai ficar concluída a nossa colaboração com a agenda cultural açoreana Yuzin com uma "BD cadáver-esquisito" em sete partes, começada por Gonçalo Duarte, seguida por Alexandra Saldanha, a dupla (açoreana, yo!) Francisco Afonso Lopes e Francisco Lacerda, Rodolfo MarianoDois Vêsgato mariano Tiago da Bernarda e concluída por Mariana Pita.

ccc@Parangona


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