terça-feira, 26 de junho de 2018

AcontorcionistA / terceiro volume : CARTÃO-POSTAL /// metade da edição esgotada @ Tigre de Papel


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O Grupo Empíreo, Sociedade Anónima de Recreio e Prazer e as edições MMMNNNRRRG têm o prazer de anunciar a publicação do terceiro andamento da rapsódia erótica AcontorcionistA, intitulado Cartão-Postal.

Desta vez, estamos perante um desdobrável composto por 16 pranchas + 4 encartes vocacionados para a transmissão não electrónica de mensagens de teor libertino.
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A série AcontorcionistA, de formato diversificado e carácter aplicativo, conta com dois volumes anteriores ― Manifesto e Calendário ―, igualmente publicados pela MMMNNNRRRG.

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Do presente vigésimo quarto volume das edições MMMNNNRRRG foram impressas trezentas cópias, 32 + 12 páginas em A6.

Aceitam-se pedidos pela chilicomcarne.com mas também pode ser adquirido nas Ediciones Valientes (Espanha), Utopia, Matéria Prima, Sarvilevyt (Finlândia), Purple Rose, Artes & LetrasNeurotitan (Berlim), Linha de SombraPanta Rhei (Madrid), StetSeite Books (Los Angeles), Just Indie Comics (Itália), Desert Island (Nova Iorque), Orbital Comics (Londres), Le Bal des Ardents (Lyon), Tigre de Papel (Lisboa) e com os Putan Club em tour infinitas.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Boring Europa ::: últimos 12 kilometros, digo, exemplares!!!

 

primeiro volume nova colecção da Chili Com Carne, LowCCCost, dedicada a livros de viagens
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de Ana Ribeiro, Joana Pires, Marcos Farrajota, Ricardo Martins 
e Sílvia Rodrigues


em Espanha, Itália, Eslovénia, Sérvia, Áustria, Alemanha e França
8000 km / 15 dias


sobre a tour europeia da Chili Com Carne realizada entre 1 e 15 de Setembro 2010 nas cidades de Valência, Bolonha, Ljubjana, Pancevo, Graz, Berlim, Poitiers e Vigo.


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participações especiais de Karol Pyrcik, Jorge Parras, Martin López Lam, Jakob Klemencic, Aleksandar Zograf, Simon Vuckovic, Vuk Palibrk, Christina Casnellie, Andrea Bruno, Igor Hofbauer, Edda Strobl, Helmut Kaplan, Pilas versus Nanvaz, e ainda com Gasper Rus, David Krancan, Matej de Cecco, Matej Lavrencic, Katie Woznicki, Letac, Boris Stanic e Johana Marcade nas comic jams feitas em Ljubljana e Pancevo.


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banda sonora gratuita em linha: "A Grande Explosão" de Ghuna X via Phonotactics


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128 p. 23 x 16,5 cm impressas a azul escuro, capa impressa a branco sobre cartolina Dali bluemarine 285 gr com badanas; ISBN: 978-989-8363-11-4

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últimos exemplares à venda no sítio da CCCFábrica Features, Matéria Prima, ZDB e Mundo Fantasma.

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sobre o livro: a tournê europeia Spreading Chili Com Carne Sauce in Boring Europa tinha como objectivo principal divulgar o trabalho da Associação e dos seus artistas. Até pode parecer um acto desesperado de querer mostrar "à força" o nosso trabalho mas, desde sempre, a CCC trabalhou com projectos e autores estrangeiros – Mutate & Survive, Mike Diana, Greetings from Cartoonia, MASSIVE, Festival Crack, etc... O problema é que quase nunca vemos estes nossos amigos, dada a solidão imposta pela nossa posição periférica. Fomos dizer "olá" ao pessoal amigo! E aos que só comunicávamos por correio! E, claro, conhecer malta nova! Fomos percorrer 8000 Km de Europa em 15 dias oferecendo um pacote completo de cultura underground portuguesa a quem nos recebesse: concertos de R- e Ghuna X, festa animada com o unDJ MMMNNNRRRG, exposição de impressões e serigrafias, e, claro, uma enorme selecção de zines, livros e discos independentes. Em troca queríamos apenas simples alojamento, comida (se fosse possível à organização) e dinheiro das entradas para os espectáculos. Se os punks e metaleiros fazem isto porque não podemos fazer a mesma coisa com livros? Get in the van!


Decidimos chamar a coisa de boring, pelo sim pelo não, porque vivemos numa uniformização cultural capitalista à escala global - como tão bem ironiza Jakob Klemencic algures no livro - em que as identidades nacionais ficaram reduzidas a meia dúzia de artefactos rurais e rituais anacrónicos prontos para serem vampirizados pelos comportamentos fotográficos dos “turistas = terroristas”.


Desde o início pensámos que só podia ser bom editar um livro com os desenhos dos viajantes - um relato on the road das pessoas com quem nos cruzámos, das cidades e dos países que visitámos, etc... Era impossível de falhar: seis pessoas a desenhar, seis livros de esboços fundidos num livro "oficial". Pura ingenuidade! A excitação de conduzir, o esforço físico de alguns trajectos, a desistência da Sílvia Rodrigues, logo ao terceiro dia, e a falta de confiança em desenhar da maior parte dos participantes deixou-nos apenas com UM caderno de esboços da Ana Ribeiro. Todas as outras participações tiveram de ser feitas à posteriori, complicando com os prazos pessoais e profissionais de quem gozou estas férias diferentes. Juntámos textos, BDs, desenhos “acabados” bem como “esboços” da Ana Ribeiro, Joana Pires, Marcos Farrajota, Ricardo Martins e Sílvia Rodrigues; e bds de autores estrangeiros que relatam a recepção da nossa “caravana” - Jorge Parras, Martin López Lam, Jakob Klemencic, Aleksandar Zograf, Vuk Palibrk e Christina Casnellie. Outros cederam-nos desenhos ou bds sobre viagens para enriquecer esta edição - Andrea Bruno, Igor Hofbauer, Edda Strobl, Helmut Kaplan, Pilas versus Nanvaz. Compilámos as melhores BDs-cadáver-esquisitos ou comic jams feitas em Ljubljana e Pancevo - são bds feitas numa sessão com várias pessoas em que cada um desenha uma vinheta continuando o trabalho dos anteriores perdendo-se sempre o controlo do avanço da “estória”.
Em "Lissabon", a Karol Pyrcik ficou a tomar conta das gatas do Marcos e da Joana, e a fazer um diário gráfico sobre a sua estadia, contrapondo as nossas visões, mas fez batota e produziu umas divertidas ilustrações sobre futilidades lisboetas e quotidianas.
Criámos um inovador “Frankenstein comix” ou uma Babel impressa? Em breve teremos reacções a este livro. Esperamos ter surpresas exteriores tão agradáveis como as que tivemos quando chegávamos aos sítios durante a digressão. 


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Apoios (tour e livro): GRRR Program + Centro Cultural de Pancevo, IPJ, MMMNNNRRRG e Neurotitan

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Historial: Realização da tour Spreading Chili Sauce around Boring Europa (1-15 Set) ... Lançamento 27 de Março na MapDesign (Lisboa) e 2 de Abril na Feira do Jeco (10 anos dos Maus Hábitos) ... referência no Gabinete de Crise ... Cabaz Underground (sorteio dia 3 de Abril nos Maus Hábitos) ... reportagem na Câmara Clara (RTP2) ...


Feedback : 
reacções de viajantes aqui 
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I love tour books about la merde de la europa / jes we can Igor Hofbauer 
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O nome dificilmente poderia ser mais sugestivo e paradoxal (...) Porque, por mais quilómetros que façamos (...) o Velho Continente é cada vez mais um corpo uno. Ainda assim, o que vem dentro das páginas (...) é tudo menos entediante. Muitas ilustrações, desenhos e BD, uma forte componente gráfica e um sem-número de diálogos impróprios para gente sem sentido de humor. Tudo a duas só cores, azul e branco. Rotas & Destinos 
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(...) espécie de périplo autoreflexivo na forma mista de diário/ reportagem sobre uma viagem por uma Europa de movimentos independentes, que se transforma numa espécie de mini-manifesto (é algo pomposo, mas adequado) sobre modos de pensar a arte, a vida, o mundo. Destaque aqui para o importante trabalho de Marcos Farrajota, que, com todas as suas limitações formais, tem aqui um papel crucial ao unir as diferentes contribuições e preencher espaços em branco, destacando-se ainda o seu olhar sobre as várias contra-culturas que o grupo vai encontrando na viagem, entre a extrema empatia/ admiração e o desprezo ácido (o episódio de Berlim é particularmente elucidativo). Sem este fio condutor o livro seria uma amálgama de acasos individuais, e não faria grande sentido. JL 
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(...) é um livro que deve tanto à mítica Torre de Babel como às auto-estradas europeias, misturando várias línguas e registos tão diversos (...) Surpreendentemente, o resultado é tão coerente como são caóticos os dias aqui retratados. Mais do que uma colagem de histórias e fragmentos, Boring Europa é um livro de viagens, uma aventura em 8000 quilómetros de estrada e, sobretudo, um contributo relevante para se pensar a Europa e as suas relações internas. Agora que a ajuda entre países (mais ou menos forçada) anda na boca de toda a gente, seis pessoas e uma carrinha dizem mais sobre as vias possíveis para o encontro e sobre a capacidade de nos conhecermos para lá das fronteiras do que todas as directrizes da União Europeia. Sara Figueiredo Costa in Ler 
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Hace casi un año tuve la oportunidad de presenciar una de las exposiciones más atrevidas y frescas de ilustración y cómic de todo el tiempo que llevo dedicado al mundo gráfico y a la autoedición. Acostumbrado a una corrección profesional y buen rollista, que muchas veces rosa el aburrimiento y mojigatería, que encuentro habitualmente en la gráfica convencional -en la prensa, en la calle y en las estanterías de las librerías-, la expo-guerrilla del colectivo portugués Chili Com Carne resultó ser un contundente puñetazo visual e ideológico que demostraba, con la práctica, otras maneras de entender la ilustración y el quehacer visual. La exposición duro sólo dos días y era la primera parada en el tour Spreading Chili Sauce around Boring Europe que llevó a los CCC por España, Serbia, Austria, Francia, Italia, Eslovenia y Alemania, en 15 días y cuyo diario de viaje, publicado bajo el título Boring Europa, cuenta el cómo, cuando, cuanto y por qué recorrer alrededor de 8000 km con una furgo cargada de fanzines, y puede servir como guía de lo que es la autogestión cultural. Martin López in Bólido de Fuego 
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Quase todas as histórias tocam, portanto, aspectos autobiográficos, referentes aos acontecimentos destas visitas, mas ao mesmo tempo são também testemunho de variadíssimas práticas alternativas. Não apenas da cultura (música, artes visuais, festas, feiras) mas também das práticas propriamente ditas. Ou seja, da angariação de fundos, da organização de eventos, na forma como se gere um fundo de maneio, nos modos como se criam alternativas ao(s) mercado(s) convencional(ais), como se recebem os convidados, da cozinha à dormida, e sem esquecer aspectos de turismo (...) E além disso, as jantaradas e conversas em torno de cervejas e cigarros, que levam a discussões breves mas que apontam a interessantes tomadas de posição face aos estereótipos, expectativas e jogos de projecção que o encontro de “nacionalidades” forçosamente fornece. São muitos os pormenores estranhos e curiosos deste livro, deste a sua forma de organização, à “sinalização” que identifica as autorias, até ao tal orçamento ou custos da aventura, e os dados dos espaços visitados, que poderia até funcionar como convite à visita dos leitores (...) Pedro Moura in Ler BD 
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Um livro on the road, desenhado durante e após o tour dos autores num registo quase sempre próximo do biográfico. Foram 8000 Km de Europa percorridos em 15 dias, a bordo de uma carrinha e com orçamento reduzido. Mais do que um pout-pourri colado à pressão do trabalho dos diferentes autores, existe nesta obra um vero fio condutor (no pun intended), graças a um excelente trabalho de editor. É também um importante testemunho da existência de alternativas: à edição, à distribuição, à venda, à performance, à BD, à música, à arte, ao entretenimento, à festa, à viagem, à estadia, à habitação, ao turismo, à amizade, ao conformismo. E paralelamente vai-se criando a evidência de que, enfastiante ou não, não existe uma mas sim várias Europas. Afinal, mais do que estereótipos nacionais, somos todos indivíduos. Bandas Desenhadas



 exemplos de páginas:

domingo, 24 de junho de 2018

ccc@morta.na.ar.co.


Lá estaremos!
Toma! 

sábado, 23 de junho de 2018

Conversas BD e Rock




Apresentação dos livros Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology, de Marcos Farrajota e O Gato Mariano: Críticas Felinas (2014-2018) de Tiago da Bernarda

Tiago da Bernarda / O Gato Mariano: Críticas Felinas (2014-2018) A música portuguesa sob o escárnio de um gato desbocado. Peludo, porte médio, língua afiada. É assim que Tiago da Bernarda descreve o seu alter-ego, mais conhecido como Gato Mariano, o crítico felino que vagueia os confins da internet. É nesse lugar amorfo e amoral que, desde 2014, tem vindo a discutir sobre os mais recentes projetos da música alternativa portuguesa. O que começou como webcomic vira agora uma antologia que reúne as melhores tiras dos últimos quatro anos. ESTE LIVRO AINDA ESTÁ NO PRELO, SAIRÁ EM BREVE MAS NÃO NESTE EVENTO, DESCULPEM O INCONVENIENTE FÃS DO GATO!!!!!

Marcos Farrajota / Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology Terceira compilação das BD's autobiográficas de Marcos Farrajota em que reúne material disperso em várias publicações. As BDs que se encontram aqui são cada vez menos os episódios mundanos como noutras BDs de Farrajota para dar primazia a ensaios críticos sobre a cultura portuguesa e subculturas underground... Talvez por isso que só agora é que são compiladas as tiras da série Não 'tavas lá!? que fazem crítica aos concertos assistidos pelo autor e onde se podem bandas famosas como os Type O Negative ou Peaches, algumas de culto como algumas "fim-da-linha", para além de ainda relatar conferências (Jorge Lima Barreto), museus e instalações sonoras (MIM de Bruxelas ou MACBA de Barcelona) mostrando um gosto ecléctico mas sobretudo amor à música.

Organização: CMS | Chili Com Carne

quinta-feira, 21 de junho de 2018

CRACK! Festival 2018 @ Chili Com Carne x Rui Moura

''400 dollars is the average price of a slave in the Tripoli black market, thanks to the Italian politics about migrants.''


Poster art: Juliette Bensimon-Marchina

THE NEW INVASION OF AFRICA
So it wd be this way
That they wd get a negro
To bomb his own home
To join with the actual colonial
Scum, Britain, France, add Poison Hillary
With Israel and the Saudi to make certain
That revolution in Africa must have a stopper
So call in the white Euro people who long tasted our blood
They would be the copper, overthrow Libya
With some bullshit humanitarian scam
With the negro yapping to make it seem right (far right)
But that’s how Africa got enslaved by the white
A negro selling his own folk, delivering us to slavery
In the middle of the night.
When will you learn poet
And remember it so you know it
Imperialism can look like anything
Can be quiet and intelligent and even have
A pretty wife. But in the end, it is insatiable
And if it needs to, it will take your life.

Amiri Baraka

CHILI COM CARNE is back to Forte Prenestino! In 21 to 24 June, Rui Moura will be showcasing his work as well representing CCC at CRACK!fumetti dirompenti - Rome Festival of Drawn and Printed Art.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Marcos Farrajota @ Jornadas de Editores e Livreiros Independentes @ Tigre de Papel

Na TIGRE de PAPEL, às 18h30, entrada livre
– Pequenos editores: diversidade e autonomia

Tanto a actividade livreira como a actividade editorial têm, nos últimos tempos, sido objecto de inúmeras discussões. Por um lado, a crescente tendência para a concentração em dois grandes grupos tem determinado cada vez maiores dificuldades em manter, em condições de sustentabilidade, muitos projectos livreiros e editoriais, com consequências óbvias para a diversidade que necessariamente deve caracterizar este sector.

Nos últimos anos, também em consequência das profundas alterações que têm ocorrido no tecido económico e social das grandes cidades, as notícias de encerramento de livrarias vêm-se sucedendo. O mesmo tem acontecido com algumas editoras emblemáticas que, recusando-se a ser engolidas pelos grandes grupos, deixam de ter condições para manter a sua actividade. Por outro lado, também é verdade que, apesar de tudo, há hoje no panorama livreiro e editorial um conjunto de projectos independentes que se mantém, com assinalável dinamismo, furando a lógica da concentração.

Tendo como pano de fundo a complexa intersecção destes fenómenos, a livraria Tigre de Papel propõe estas jornadas com o objectivo de juntar editores e livreiros independentes para discutir o estado da arte do sector, identificar problemas, trocar experiências, etc.

Juntamo-nos no dia 14, na Tigre de Papel, em dois painéis:

- 18h30 – Pequenos editores: diversidade e autonomia. Com a participação de Rui Lopo (investigador e um dos tradutores de O Negócio dos Livros, de André Schiffrin), Mariana Pinto Dos Santos (Pianola Editores e Edições do Saguão), Marcos Farrajota (Chili com Carne) e Lurdes Afonso (Antígona - Editores Refractários). PODCAST AQUI



- 21h30 – As livrarias independentes e o negócio dos livros. Com a participação de Bernardino Aranda (Tigre de Papel), José Tavares (Círculo das Letras), João Coimbra Oliveira (Livraria Linha de Sombra) e José Ribeiro (Espaço Ulmeiro e um dos dinamizadores da recente Carta Aberta para Sair da Crise no Sector do Livro e da Leitura)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

O regresso do ano!





Chili Com Carne, Pierre von Kleist Editions, Serrote e STET
juntos repetem a
Feira do Livro de Lisboa


Quatro projectos editoriais lisboetas juntaram forças o ano passado e reptem-no este ano!

De 25 de Maio até 13 de Junho, poderão encontrá-los no pavilhão C41 da Feira do Livro de Lisboa. Unidos sob o nome PvK editions.STET.Serrote.MNRG, o pavilhão estará situado na zona laranja, à direita de quem sobe o Parque Eduardo VII.

Esta união deve-se ao facto de serem entidades que produzem um corpo de trabalho único, sempre com uma postura independente, mas com uma intenção de abranger um publico maior, fora dos nichos tradicionais. Muitos dos livros que editam ou comercializam são transversais a gerações, continentes e culturas, daí que sejam tão bem recebidos a nível internacional e pelo publico nacional dentro das suas áreas especificas de edição (Fotografia, BD, ilustração), mas mais desconhecidos no contexto editorial "mainstream".
                                                                                                                                                                                                                           
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Associação Chili Com Carne e a sua irmã MMMNNNRRRG são as enfant-terribles da banda desenhada nacional, não deixando se serem reconhecidas com prémios. Se os títulos dos seus livros poderão trazer os momentos mais hilariantes nos altifalantes Parque Eduardo VII os seus livros não deixam de ser menos sérios por tal.

Este ano a maior aposta será na apresentação da antologia co-editada com a Escola Ar.co., a Pentângulo que publica trabalhos de alunos, ex-alunos e professores desta instituição. Dia 31 de Maio na Praça Laranja estarão presentes Daniel Lima (professor), Pedro Moura (investigador) e Jorge Nesbitt (Director de Departamento de BD e Ilustração ) para falar sobre o projecto.

Haverá três sessões de autógrafos, uma de Xavier Almeida com o Pato Bravo (B Fachada) no âmbito de Santa Camarão no dia 27 de Maio, uma com André Ruivo dia 2 de Junho e outra do nosso escritor favorito Rafael Dionísio no dia 9 de Junho. Todas estas acções serão sempre às 18h.

A MMMNNNRRRG lança ainda sem pompa nem circunstância, dado ao anonimato da autoria, o Baralho (de cartas) d'AcontorcionistA do Grupo Empíreo, Sociedade Anónima de Recreio e Prazer. Este é o quarto objecto erótico-lúdico desta série como sempre revolucionando os hábitos íntimos da vida de todos os seus utilizadores. A edição é limitada a 200 exemplares. Devido ao seu conteúdo erótico, o melhor é perguntar por elas para serem vendidas "debaixo do balcão"...


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Pierre von Kleist Editions é um dos nomes mais relevantes na edição de fotografia portuguesa contemporânea. Liderada pelos fotógrafos, André Príncipe e José Pedro Cortes, têm feito um importante trabalho na divulgação da fotografia nacional, dentro e fora do país. Desde a reedição do clássico Lisboa, Cidade Triste e Alegre de Victor Palla e Costa Martins até a autores contemporâneos como António Julio Duarte, Pedro Costa, André Cepeda, Daniel Blaufuks ou dos próprios editores.


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As Publicações Serrote começaram em 2004 pela mão de Nuno Neves e Susana Vilela, quando rumando contra a maré de fecho das tipografias produziram vários cadernos com temas tradicionais e divertidos. Mas não se ficaram por aqui e em 2008 começaram a surgir  livros ilustrados  juntando as tradições Portuguesas com o design contemporâneo, a primeira destas edições é sobre a região do Minho, transformando o desenho do Ponto Cruz  em pixéis. Alargando ao longo dos anos a temática de algumas das edições ao universo didáctico – infantil. Contam hoje com mais de 15 publicações editadas, além de cadernos e cartazes impressos em tipografia.


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STET – livros & fotografias é uma livraria especializada em livros de fotografia e edições de autor, aberta em 2011 que participa regularmente em feiras de edições nacionais e internacionais apostando na divulgação de autores Portugueses fora do país. 

sábado, 9 de junho de 2018

Talento local ###### ESGOTADO


Para quem queria ler mais depois do Noitadas e É sempre tarde demais (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998) e perdeu zines, revistas, jornais e exposições com trabalhos do Farrajota: My Precious Things, BoDe, Bíblia, Inside, Cru, Publish or Perish, Zalão de Danda Besenhada, Amo-te, Osso da Pilinha, V_Ludo, Stereocomics Special SPX (França), Milk+Wodka (Suiça), LxComicsZine, Mistério da Cultura, Crack On e Combate... agora fica tudo compilado!

Mais uns inéditos, poucos!

Este livro fecha um ciclo de produção em que toda a BD autobiográfica de Farrajota se encontra em 3 livros! O quotidiano suburbano desinteressante fica para a posterioridade! Que venha uma bomba atómica para cima da Biblioteca Nacional para que se perca o rastro deste infeliz ser humano!

Há ironia com um título como "Talento Local". Mais quando se junta o pastor protestante estrela roque do Senhor Tiago Guillul no prefácio - um bom livro de um escritor de Domingo tem sempre alguém da paróquia para prefaciar! E ainda mais quando o autor de bd sérvio Aleksandar Zograf se junta para uma bd a meias (inédita).

...
quarto volume da Mercantologia, colecção dedicada à reedição de material perdido do mundo dos zines. 80p. 15 x 21 cm. 500 exemplares. ISBN: 978-989-8363-08-4. Lançado na 17ª Feira Laica (Dez'10)
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alguns últimos exemplares ainda na Fábrica Features, Matéria Prima, Mundo FantasmaNeurotitanArtes & LetrasUgra Press (Brasil), RastilhoTigre de Papel e nas Bertrands.
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Feedback: 
é bom rever alguns conceitos famosos dos 90’s: em Londres é que se faz teatro 
... 
Tenho dúvidas que se possa dizer (querendo ser retórico) o Marcos não desenha nada. O desenho é uma escrita e a escrita implica reflexão, inteligência entre outras coisas mais subtis. 
... 
Ainda estou a ler o teu último trabalho (onde estás bem) e, por exemplo, o pénis cansado será um exemplo maior 
A. de Silva O. 
... 
Genial! 
Dr. Gamão (Traumático Desmame)
 ... 
curti a onda 90's da coisa
Boris (dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS) 
... 
Gostei da história de tentares partir a garrafa na cabeça dum espanhol. Todos devíamos ter essa oportunidade, pelo menos, uma vez na vida. 
... 
Niiice!
 ...
Estive a ler o livro, está muito fixe!
Orlando Cohen (Peste&Sida, Censurados,...) ...

exemplos de bd's:


originalmente publicadas no Inside (1998), Cru (1999), Stereoscomic (2001) e Milk+Wodka (2003)

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Algumas pessoas depois ::: últimos 3 exemplares!


romance de Rafael Dionísio
!
capa e desenhos de André Ruivo
design de João Cunha / Ecletricks
!
204 p. 21 x 14,5 cm, capa a cores
ISBN: 978-989-8363-09-1
!
11º volume da Colecção CCC
!
à venda no sítio da CCC, Fábrica Features, ZDB e Matéria Prima.
versão e-book aqui
!
sinopse:
trata-se de uma história sobre a perda, sobre a psicologia profunda das personagens, sobre o ciúme, a perda afectiva, a perda do controle emocional. Retrata no seu modo de narrar diferente o começo e a derrocada psíquica de um indivíduo. É também a história de um triângulo amoroso e de um homem que tentar resistir a afundar-se. Pelo meio vão ter lugar alguns acontecimentos imprevisíveis, desde salvamentos de pessoas até festas em casa do carismático (e perigoso?) padrinho. A narrativa desenrola-se irreversivelmente para um ponto de não-retorno.
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historial: lançado no dia 20 de Março 2011 na Sociedade Guilherme Cossoul ...
!!
feedback : O que es­creve é um hí­brido de ro­mance e po­e­sia (chama-lhe «anti-romance») em que as con­ven­ções de gé­nero são cons­ci­ente e in­ten­ci­o­nal­mente des­res­pei­ta­das. Se bem que deixe in­tacto, e até ex­plore até ao li­mite das pos­si­bi­li­da­des, um fa­tor que al­guma li­te­ra­tura por­tu­guesa pa­rece ter es­que­cido: a nar­ra­tiva. O Dionísio conta mesmo his­tó­rias. O Dionísio CONTA. Rui Eduardo Paes

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Variações Sobre o Anjo da História/ Ensaio de Walter Benjamin/ Inspirado por “Angelus Novus” (um Desenho de Paul Klee) na STET



Projecto do artista grego Ilan Manouach e do escritor português Pedro Moura, VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL), ou Variações Sobre o Anjo da História/ Ensaio de Walter Benjamin/ Inspirado por “Angelus Novus” (um Desenho de Paul Klee), é uma colecção de quarenta e oito poemas em prosa baseados - mas em permanente fuga - na possivelmente mais famosa imagem de Walter Benjamin, acompanhados por desenhos que exploram tensões quase insuportáveis entre texto e imagem.

Co-publicado por La Cinquième Couche, uma editora de banda desenhada experimental belga, e a Montesinos, a chancela editorial de Moura, com textos em francês e português, VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL) é também um objecto que desenha habitar a zona desmilitarizada e densa que existe entre os domínios da ilustração, da banda desenhada, dos livros de artista, das colaborações, das artes do livro, da reprodutibilidade e de um misticismo impoluto pós-tecnológico.

à venda na loja online da CCC, Matéria Prima, Artes & Letras, Fábrica Features, Nouvelle Librarie Française, Kingpin Books, Mundo FantasmaXYZ BooksUtopiaLinha de Sombra, STET e Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão, Lx).

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Um movimento contraditório de dissolução e acreção de um processo de mitificação do mundo. As ruínas da História, tais como descritas por Walter Benjamin, assumem muitas formas, e muitos são os gestos que procuram restaurá-las, deslocá-las ou então abandoná-las de vez.

As configurações são por isso inúmeras, e as metamorfoses incessantes. VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL) não é mais do que uma sucessão de capturas das formas que se molda nessa tempestade caleidoscópica. As palavras de Pedro Moura apresentam uma paisagem a um só tempo desolada e vibrante populada por personagens dantescas, descritas ora vaga ora meticulosamente, emprestando vozes diferentes a ensejos diferentes, todas detectáveis na mesma localização. Os desenhos de Ilan Manouach, através de várias estruturas e fontes, moldam as proporções exactas destes fragmentos em ruína.

Manouach e Moura já haviam colaborado, mas como comissário e artista. Todavia, as afinidades de ambos foram imediatamente instigadas, encontrando um campo comum electrificado nos seus interesses pelas ruínas da tessitura da realidade, pela natureza efémera da beleza (e a beleza do efémero), pela falibilidade do monumental e a monumentalidade dos dejectos, pelos umbrais entre a vida e a morte, e por execuções precisas e automáticas dos gestos de desenhar e escrever com fim à evasão das costumeiras mistificações da arte, procurando antes concretas fantasmagorias que acabam de despontar.

O filósofo alemão Walter Benjamin - com a sua imagem potente do crítico como aquele que mortifica a obra de arte, que a despoja e desnuda, para transformar o objecto prístino em ruínas e, no seio delas, procurar libertar o seu fogo interior - tornar-se-ia o condutor desta colaboração. O fragmento do “Anjo da História” é um enigma. Tratar-se-á de um desenho de Paul Klee que espoletou um conceito em Walter Benjamin? Ou um ensaio descritivo-criativo sobre uma figura previamente existente? Existirá noutras paragens? Faz sentido falar de exisrência, seja ela actual ou virtual, neste caso?

VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL) tenta revisitar esse lugar de encontros para instigar outros tantos.


Ilan Manouach é o criador de uma mão-cheia de livros que redefiniram a forma da banda desenhada, tais como Le lieu et les choses e Frag, tal como a relação entre texto e imagens com Limbo. Muitos dos seus projectos artísticos exploram “encontros fortuitos” lautreamontianos entre arte site-specific, a instalação, a apropriação, artes gráficas e música, área na qual ele é igualmente um virtuoso saxofonista e manipulador de electrónica.

Este é o primeiro livro de Pedro Moura enquanto escritor, embora tenha publicado contos, poemas e literários objectos não-identificados noutros locais (inclusive uma opereta). Ele é sobretudo um crítico de banda desenhada, escrevendo para o blog lerbd. No domínio da banda desenhada, ilustração e animação, já trabalhou como professor, tradutor, comissário, escritor, documentarista e editor.


Cadernos de Fausto : ÚLTIMOS 5 EXEMPLARES


Cadernos de Fausto
de Rafael Dionísio
...
Trata-se de um livro que orbita recursivamente em torno dessa personagem tentando defini-la de uma maneira obsessiva. São pequenos textos que funcionam simultaneamente ou como capítulos de uma biografia sem factos ou como capítulos de um romance que não existe. Assim temos que o livro é de um género híbrido, algures entre a ficção e a poesia, num lugar não determinado. Uma das características do livro é ter algum grau de experimentação sintáctica e semântica. É um livro, literariamente, encorpado, denso e profundo.
...
volume 7 da Colecção CCC
164p. 21x14,5 cm, edição brochada
ISBN: 978-989-95447-0-3
Capa ilustrada por João Maio Pinto, paginação por João Cunha / Ecletricks
...
excerto:
fausto na floresta observava a matéria viva como se esta o observasse. se ele tinha consciência da aragem e do minotauro de troncos também tinha consciência que a floresta era tudo de si próprio. assim sentia-se observado observando.
como se houvesse perigo por estar no centro da floresta, como se pudesse ser fagocitado como uma célula estranha a um organismo.
por vezes fausto chamava floresta à floresta, com o seu chão de musgo, com as folhas ecossistema caídas com todos aqueles riscos e mais riscos, tracejados de troncos, tramas, e tinha sonhado que estava a aprender a desenhar florestas.
por vezes fausto chamava à floresta "o inconsciente" ou "o meu esquecimento".
e deixava a sua mão deslizar na caruma. e sentia-se bem portanto.
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à venda no site da CCCFábrica Features, Matéria Prima, ZDB e Artes & Letras. Versão e-book na Todoebook
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Historial: Lançado no dia 14 de Junho 2008, na Almedina Atrium Saldanha, com apresentação de David Soares e presença do autor ... livro lançado no âmbito dos 10 anos da Chili Com Carne - "comemoração 8" ...
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Feedback: ler aqui crítica de Pedro Moura in Cadeirão de Voltaire

A Sagrada Família

Colecção CCC #3

Rafael Dionísio

192 págs 21x14,5 cm, edição brochada
ISBN: 972-98177-4-X
Edição apoiada pela Junta de Freguesia de Cascais e o Instituto Português de Juventude

à venda na FNAC, Bertrand, ZDB e Matéria Prima.

O livro: 2002 é o ano em que Espanha fez a festa de anos de Antoni Gaúdi, arquitecto barcelonês que entre outras gracinhas fez a sua Sagrada Família. Cada um faz a Sagrada Família que quer.

Rafael Dionísio fez a sua. Arquitectou-a em livro. A Sagrada Família é um livro escrito numa prosa labiríntica, obcecada e por vezes orgulhosamente alucinada. Mas sem fio de Ariadne.

É um livro complexo mas acessível a vários terrestres. É um livro em que várias personagens familiares e outras menos familiares chapinham num caldo de ácido sulfúrico. Com humor corrosivo, faz-se uma obra heterodoxa.

O gozo de escrever um texto que dança sobre si próprio, em rodopios e cambalhotas, e outras acrobacias literárias. Tecendo referências explícitas e implícitas a vários assuntos culturais, desde a história, a literatura até à cibercultura. Desorbitando em torno de algumas personagens que interagem, autistas, umas em relação às outras.

É provável que o leitor sinta alguma perplexidade mas também algum gozo, se não se sentir ofendido na sua idiossincrasia de cidadão votante. Um livro politicamente insurrecto, disparando em todas as direcções inclusive nos próprios pés.

Excerto:
- sabes quem morreu? - pergunta a mamã com aquele ar oficialmente espantado. foi a tua tia nhónhó. que horror.
- e o que é que eu tenho a ver com isso?
- que insensível.
- isso de ela morrer é lá com ela.
- assim não te casas, com esse feitio. assim ninguém te quer. assim ninguém vai querer fazer família contigo. a tia nhónhó gostava muito de ti, como é possível seres assim tão insensível?
(para quem não sabe a tia nhónhó era um monte de fezes amontoadas com uns olhinhos castanhos e que de vez em quando, na sua voz de merda, dizia, quando é que te casas meu querido sobrinho? quando é que arranjas uma noiva? diz lá minha jóia. meu tesoiro. os meus sobrinhos são a minha riqueza. quando é que casas?)

Historial: lançamento a 3 de Outubro 2002, na FNAC Chiado com apresentação do livro por Dinis Guarda e exibição de video-art de António Pedro Nobre e Nuno Pereira ... seguido de festa no bar Agito [Rua da Rosa 261, Bairro Alto] com DJ Lazer Squid e Feira de Fanzines ...

Feedback:

Um desafio literário a seguir com atenção
Número Magazine
fica-se, de facto, um pouco baralhado com a escrita circular
Mondo Bizarre
as aparentes “facilidades” e “concessões” mais não são que outras faces de um salutar sarcasmo, a aliviar-nos de crises de fígado que esta sociedade (de yuppies amancebados com velhas nobrezas sem eira) suscita no corpo de noveis gerações que se rebelam contra os poderes.
Nuno Rebocho in O Arquivo de Renato Suttana
revela sobretudo uma dimensão satírica rara e interessante, por vezes de uma inteligência precisa, livro a ler, um autor a seguir - pelo que de novo pode trazer.
Pedro Sena-Lino in Canal de Livros

We never talk, we message*

Jorge Ferraz: Machines for Don Quixote et Viva la Muerte (Cobra Discos; 2018)

Há pouca coisa estimulante na música portuguesa actual. A maior parte da produção é betinha e disciplinada porque a crise (eterna?) obriga a todos serem profissionais e acertarem no seu público-alvo sem falhas. Tirando um Allen Halloween que acertou em todos porque se estava marimbando ou os Plus Ultra (porque... são os Plus Ultra!), tudo é triste. Mesmo que Ferraz tenha algumas faixas melancólicas, o seu regresso às lides fonográficas é de salutar e fora do baralho da betalhada "pro". Só um comentário antes de mais: triste neste CDs só a capa, uma das mais feias de sempre - um feito difícil de suplantar dada a maioria das capas de discos portugueses serem horrorosas - enfim, ninguém é perfeito.

Errático, ecumémico, descomprometido e narrativo, Ferraz volta a solo, dez anos depois do venenoso África mecânica de metal, em que junta todas as suas experiências desde Santa Maria, Gasolina em teu Ventre a Fatimah X, ou seja guitarras em feedbacks melódicos e electrónicas selvagens, tudo embalado com conceitos de uma arrumação estética bastante irónica. É claro, que as classificações rebentam logo pelas costuras da forma como a música de Ferraz é tão mal-comportada.

Mal-comportado não significa saloiice e os títulos das músicas (quase todas elas instrumentais) mostram que Ferraz está atento ao mundo, não se fechando em peças solipsistas, bitaítes reaccionários ou pior, exercícios de nostalgia barata com ruralismos neo-fascistas - lembro-me da Antologia de Música Atípica Portuguesa, vol.1: O Trabalho (Discrepant; 2017) como exemplo.

Ferraz era OVNI em 1989 na estreia de Santa Maria. Vinte e nove anos depois permanece nesse estatuto marginal e... celestial. Talvez seja menos surpreendente porque o mundo passou a girar bem mais depressa que os seus habituais 1,7 mil km/h depois da web 0.2. Não é fácil surpreender a toda a mil/hora. Por isso é que convém estar atento à música que realmente interessa e saber de cor e salteado a letra Don't believe the hype dos Public Enemy.


*Olivia Lonsdale in Possessed