domingo, 31 de janeiro de 2021

Troubled Sleep #4


Saiu o ano passado e temos agora acessível no nosso Bazar (da loja em linha da Chili) o quarto número de Troubled Sleep. Edição da Narcolepsia em que só os conhecedores não-poseurs é que saberão qual a editora tal é a descrição da inserção de um mero logotipo com zero palavras na contra-capa deste fanzine.

Publicação dedicada ao Harsh Noise e ao Underground - sim ainda é possível de falar disso nesta década - é impressionante, logo à primeira vista-cortada-à-andaluz, o trabalho do editor em montar as páginas corta-e-cola à antiga ao longo de 80 e tal páginas. Ninguém com os seus "photoshops & instagrams" terá esta capacidade para fazer este trabalho manual nos dias que correm.

Constituído por quatro "grandes" entrevistas, neste número só tem uma seca - Legless - por ser o Harsh Noise de sempre, sendo as outras boas descobertas no campo do Black Metal ritualista (Reptile Womb), Industrial italiano dos 80s (Zona Industriale) e artes plásticas (pelo incrível finlandês Jukka Siikala). Os discursos destes artistas na realidade pouco interessam porque sendo eles nitidamente bichos-do mato, cagões do BM e misantropos, é a Arte fala por eles. Aliás, a tendência a ser reaça - tirando os velhos italianos de ZI com simpatias pelos autonomistas e anarquistas dos anos 70 - até assusta um bocado ler a leviandade de algumas afirmações, considerando que vivemos tempos complicados de "nazos", conspiradores ignorantes e outros "chegas" a capitalizarem das nossas angústias. Mais do que nunca o título deste fanzine faz sentido, e ficamos com o sono atribulado.

sábado, 23 de janeiro de 2021

All Watched Over by Machines of Loving Grace aprovado por Gabriel Martins



All Watched Over by Machines of Loving Grace

de

Amorim Abiassi, Ana Maçã, André Pereira, Cátia Serrão, Cláudia Salgueiro, Dois Vês, Félix Rodrigues, João Carola e Vasco Ruivo.

20º volume da Colecção CCC publicado pela Associação Chili Com Carne

Coordenação: Dois Vês e João Carola
Identidade gráfica e design: André Vaillant

Obra vendedora do concurso interno Toma lá 500 paus e faz uma BD! de 2019

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à venda na nossa loja em linha e na Tigre de Papel, Kingpin Books, Linha de Sombra, Tinta nos Nervos, Mundo Fantasma, BdMania, Tasca Mastai, Matéria-Prima, Utopia, Snob e Vida Portuguesa

you can buy at our online shop and at Fat Bottom Books (Barcelona) and Quimby's (Chicago)

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À data de publicação deste livro, não se ouvem nas florestas os estalidos de discos rígidos a acompanhar o roçar dos ramos das árvores; contudo, havendo sinal, é possível escutar o som de um Like a pingar na nossa mais recente foto de perfil.

O poema de Richard Brautigan que serve de mote a este livro foi publicado há mais de 50 anos; a sua visão de uma arcádia digitalizada, onde mamíferos de toda a espécie convivem sob o olhar zeloso e benevolente de máquinas bafejadas pela santidade, não se concretizou. Em 2019, a tecnoesfera continua a ter o Homem no seu centro e a Natureza (seja lá o que isso for) nas margens do seu perímetro, encarada essencialmente como um recurso que em breve se esgotará. Os robots caminham sozinhos pelos bosques e os mamíferos caem por terra onde dantes havia água: todos observados por máquinas, mas não de amor e graça.

O livro que têm nas mãos documenta as dinâmicas articuladas no solipsismo desse ciberespaço que criámos só para nós: das relações laborais à saudade, da saúde à identidade, nele se retrata o modo como o manto do digital cobre todos os aspectos do nossa dia-a-dia e medeia as interacções que por cá vamos estabelecendo. É debaixo desse cobertor, com a cara tenuamente iluminada pelo ecrã, que observamos o robot caminhar sozinho pelo bosque e choramos o paraíso perdido do poema de Brautigan.

Afinal de contas, à data de publicação deste livro, já mal se ouvem nas florestas os estalidos dos insectos, que vão caindo por terra onde dantes havia água; contudo, havendo sinal, é possível escutar mais um Like a pingar na nossa foto de perfil. 

Ping. Alguém está a ver.👍




At the time this book is being published, we can’t hear the sound of hardrives blending in with the murmuring of twigs in the forest; however, it’s possible to catch the pinging sound of a “Like” droping on our recently updated profile picture.

The Richard Brautigan’s poem that lends its title to this book was written 50 years ago but its arcadian, digital utopia hasn’t yet come to be: in 2019, the technosphere maintains Man at it’s center and Nature (whatever that is) at its margins. The book you hold in your hands documents the dynamics we articulate amid the solipsistic circle of cyberspace: from work to healthcare, from longing to identity, the digital mantle encompasses all beats of life and every connection we establish while we're around. After all, even though we can barely hear the insects in the forests, providing the connection's good, we can still hear the "Likes" pinging on our profile picture.

Ping. Someone's watching.👍

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historial: 
lançamento na BD Amadora (2/11/19) 
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Da capa à paginação, passando pelo design, quisemos criar um objecto uno, pontuado pelos olhares e histórias de cda autor, com uma abordagem mais transversal in Público 29/01/20
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artigo no P3
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Best Portuguese Comics 2019 @ Paul Gravett site / Gabriel Martins selection
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exposição na Tinta nos Nervos entre 10 e 17 de Junho 2020


feedback: 

espero que não cuspas na referência, mas fez-me lembrar o metal gear 2 :)
F.C. (por email)

Brochura da IBM! (...) parece-nos, pela capa, um daqueles manuais de computadores dos anos 80.

Não temos prados cibernéticos, antes os pedregulhos afiados das redes sociais. As máquinas que nos vigiam não são benévolas, ao serviço de interesses que vão da economia ao poder político. A libertação sonhada dos labores é hoje um sonho amargamente distante, num presente de progressiva precarização. Sentimos o poder sedutor da vida no ecrã, ao mesmo tempo que o real se fragmenta e desagrega. Estas são as visões que transparecem nas experiências visuais de All Watched Over By Machines of Loving Grace. Apesar desta ser uma antologia de banda desenhada, anda longe do convencional nesta área. As suas contribuições são fortemente experimentais (...) entre o estilhaçar de estruturas à ilustração encadeada em narrativa difusa.
I've only had time to flick through 'Machines' as of yet, but it looks absolutely beautiful - and if it was inspired by something Richard Brautigan wrote, I'm already enjoying it!
pStan Batcow (Pumf) by email

Reading the All watch over the machines of loving grace compilation was a pleasure. Always liked that poem, seeing the comic interpretations expanded my appreciation. I especially enjoyed Cátia Serrão contribution, they created a space of haunting domesticity.
Veronica Graham by email

(...) As abordagens são muito distintas ao tema, tanto no conteúdo como na forma. Ao reler as histórias volto a reforçar o quanto gosto deste livro. Existe uma clara intenção em explorar a BD enquanto linguagem, procurando caminhos diferentes e interessantes para contar uma história. Cada autor traz a sua visão particular contribuindo para um conjunto de histórias sólido que merece a nossa atenção. 
Gabriel Martins via Facebook

Mishima no Expresso


 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

1, 2, 3, 4 - Isola-te com Punk!

 


Este casalito não pára! Os The Dirty Coal Train produzem e editam tanto que não dão descanso aos seus divulgadores. Depois usam estratégias sujas para convencerem-nos a serem falados por aí, como ignorar uma k7 cor-de-rosa catita? Ainda por cima quando Dirty Coltrane volume II (Zip-a-Dee-Doo-Dah; 2020) cheia de desenhos de uma tal Francisca Sousa dá-nos acesso ao maior sonho que qualquer fã que se preze terá: ver o Ricardo cercado por dildos e a Beatriz toda nua e aberta a ser sugada por um potencial hermafrodita - não percebo porque raios porque esta edição não saiu num grande 12", caramba, obriga aos fãs de usarem uma lupa. De resto é a banda Garage mais Punk alguma vez: cagam prós cânones básicos do género e vão derrapar onde querem (indie, noise, what?), auto-editam mais rápido do que tocam, as letras tem conteúdo social crítico e só falta mesmo é cantarem em russo ou inuíte - já deve faltar pouco...


Os Albert Fish voltaram com Strongly not recommended (Raging Planet; 2020), e como sempre é mais uma reedição ou num formato editorial  diferente do mais do mesmo. Oh injustiça! Não é verdade!!!! É verdade que o primeiro disco da banda (Strongly recommended de 2002, topam o trcadilho?) é aqui reeditado como faixas bónus mas o que acontece neste CD é que temos a regravação desse primeiro disco, "aumentado", melhorado e com a nova vocalista Inês Menezes - que tem um historial de bandas como Rolls Rockers, Asfixia, Nostragamus - a rejuvenescer a coisa. Faz sentido para celebrar uma das maiores bandas Punk do 'tuga, tão importante que até já foi à festa dos comunas no ano passado. Sabe bem ouvir vocais punk no feminino para destilar o machismo da cena e fazer ponte a um passado esquecido de bandas com vocalistas femininas como nos anos 90 apareceram os Inkisição / Intervenzione, No Oppression, Reltih e com um salto de quase uma década, We Are the Damned (primeiro disco e único válido), Crisis, Lodge (tudo com a Sofia Magalhães) e Revengeance. Bela capa de Ana Louro que desenhou uma "Tank Girl", só é pena que no livrinho a "punkette" não ter sido mais usada graficamente. Obrigado pela versão baladinha do tema Sindelar em xilofone ou lá o que é, melhor cena de Alberto Fixe de sempre!



O CD homónimo dos Dokuga (Zerowork + Dog City; 2020) é a reedição do LP pela Garagem (2015) mais temas de um split de 2017. A capa 'tá bem diferente, óbvia homenagem ao lendário Hear Nothing, See Nothing Say Nothing dos Discharge - homenagem, punk que é punk nunca copia, homenageia! Enfim, é um disco de barulheira Crust com caos sonoro suficiente para o pessoal do Improv ir lá pesquisar o que se passa - Improv que é Improv não copia, pesquisa! Não é chato como Simbiose, o que já não é nada mau mas é sempre melhor ouvir isto ao vivo numa cave imunda do Porto como já vi algumas vezes. Saudades de barulheira, cerveja morta e suor!? Nota alta para o grafismo do melhor que já feito cá em discos punk ou não, desenhado por um gajo da banda, ao que parece.


O Rock adora a mitomania, diria mais até que o Teatro ou a Literatura. Na cena pesada há sempre tentativas de purezas que dão em discussões de café (ou fóruns em linha) dignas das alarvidades sobre a bola ou a (porca da) política. Cruzada e o seu EP-CD homónimo de estreia pode ter só 15 minutos mas será a edição mais importante da Zerowork (com a Dog City e Firecum, em 2020) para quebrar o molde Oi/ Punk/ Hardcore no seu catálogo. Boa! As letras até são anti-fascistas se conseguirem perceber no meio da barulheira infernal que é. As ligações do Punk ao Black Metal existiram desde sempre - como aliás os Filii Nigrantium Infernalium no seu escárnio brejeiro o prova, pelo menos do lado da equipa do Grande Cabrão - e na realidade esta coisa de quem tinha bandas de "rock pesado" no passado era só mesmo uma questão de saber como fazer mais ruído, ter mais velocidade ou provocação. Idos os anos dourados e de juventude do Punk e do Metal, muitos do que se diziam ser opositores a este ou aquele (sub)género, acabam por se encontrar nos mesmos concertos e nas suas cenas sociais cada vez mais fechadas e reduzidas. Boa Cruzada!

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Será a caneta mais poderosa do que a espada?

 


A edição portuguesa do Monde Diplomatique tem publicado, sob a nossa coordenação, as respostas em Banda Desenhada por uma série de artistas. Este mês é a vez de Cátia Serrão, artista que tem participado em vários projectos da Chili, entre eles na antologia All Watched Over By Machines of Loving Grace.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

este é que é o verdadeiro INFERNO / últimos 23 exemplares


A Divina Comédia de Dante Alighieri (1265–1321) é daqueles livros que toda a gente já ouviu falar mas terão sido poucos os que realmente o leram.

O Inferno tem nove círculos nos quais as almas dos condenados são punidas de forma burocrática. Entre elas vamos encontrar alguns dos inimigos de Dante – entre muitas coisas, esta obra também é uma sátira política. Dante viu o nascimento do Capitalismo tal como o conhecemos e criticou os novos ricos do seu tempo.

Quando Marcel Ruijters trabalhava neste livro, havia cada vez mais conversas nos media sobre a morte do capitalismo. A edição original holandesa saiu meses antes da queda dos mercados de 2008.

Esta adaptação que é feita num estilo de “gozo medieval” é a forma que Ruijters encontrou de criar interesse pelo texto original.

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edição MMMNNNRRRG
120p. p/b, capa 3 cores, 165x230mm
500 exemplares impressos em Dezembro 2012 
ISBN: 978-989-97304-5-8
tradução: Ondina Pires --- arranjo gráfico: Joana Pires

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PVP: 15 Euros 
e Mundo Fantasma, Matéria-Prima, Ugra Press (Brasil), Neurotitan (Berlim), Utopia, Tinta nos Nervos, Universal Tongue e SNOB.

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Feedback:
Inferno é o melhor trabalho de Marcel Ruijters, um dos livros mais hilariantes nos tempos recentes. A versão de Ruijters do La Divina Commedia de Dante é uma pastiche grotesca com belos desenhos (…) cheia de trocadilhos visuais à Tex Avery, que deixa os leitores em risinhos. 
Relatório do Júri VPRO para melhor BD holandesa de 2008

Inferno é cheio de horror e humor. As surpresas e piadas aparecem sobretudo nos detalhes dos seus robustos desenhos. 
De Groene Amsterdammer [jornal holandês]

Quando se compara com a arte, obrigatóriamente romântica, de Doré, os desenhos de Ruijters são fixes e excitantes. Ele alterou uma obra clássica com aprazível malícia. 
Elsevier Weekblad [jornal holandês]

Já tenho um exemplar; e está uma maravilha!!! :D 
Mr. Esgar [e-mail 19/12/12]

André Coelho também curtiu mas disse palavras profanas que nos impede a reprodução [19/12/12]
diálogo intenso com Dante (...) não se poupam as críticas ao poder temporal, à mesquinhez quotidiana e aos expedientes comuns de corrupção, na ascensão social e no enriquecimento fácil. (...) uma releitura pertinente à luz do presente. 
Sara Figueiredo Costa / Atual / Expresso  [4 estrelas em 5]

Ruijters alcança aqui um acto alquímico 
Pedro Moura / Ler BD

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Historial:
- Melhor BD Holandesa 2008 
- edição portuguesa lançada na última Feira Laica (Lisboa) e na Mundo Fantasma (Porto) com exposição de originais e serigrafia impressa pelo atelier Mike Goes West em Dezembro 2012
- edição francesa pela The Hoochie Coochie em 2013
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algumas páginas aqui:




foto: Paul Gravett, em Ravenna (2007)
Marcel Ruijters nasceu em 1966, cresceu no sul da Holanda e frequentou durante alguns anos uma escola de arte nos anos 80. Desde os 7 anos que fazia BD. Com ao advento das fotocopiadoras que tornavam a auto-edição possível para toda uma geração e Marcel viveu esses tempos fazendo títulos como Onbegrijpelijke Verhalen, Mandragoora, Dr. Molotow, Fun&Games, Thank God it’s Ugly e vários monográficos raros, sendo que algumas destas publicações eram antologias com colaborações de vários artistas que Marcel descobriu em vários países como Matthias Giesen, Daniel W. Core, Chris Crielaard, Jakob Klemencic, Prof. Bad Trip, Karen Platt, Mike Diana, Berend Vonk, Kapreles, Matthias Lehmann, Olle Berg – tudo isto nos tempos antes da Internet, claro!

Actualmente é editor da revista Zone 5300 (de Roterdão, onde o autor reside), escreve crítica a BD no jornal Dagblad De Limburger, faz ilustrações, traduções e tudo o mais que é preciso fazer neste mundo da edição. O seu livro mais conhecido será Trogloditas, que teve edição holandesa (pela Oog & Blik), norte-americana (Top Shelf Comix) e portuguesa (Polvo).

Com Sine Qua Non mudou de estilo gráfico e começou a explorar o imaginário medieval, tendo o livro sido editado pela prestigiada Les Editions de l’An 2. A continuação deste novo estilo é Inferno, livro ganhou o melhor álbum de BD na Holanda em 2008 e que chega a Portugal pela MMMNNNRRRG.

Apesar de já ter participado em várias exposições colectivas em Portugal – como a celebre Honey Talks na Bedeteca de Lisboa, organizada pelo colectivo esloveno Stripburger – Ruijters terá a sua primeira exposição a solo na galeria da Mundo Fantasma em Dezembro 2012, sendo feito para a ocasião uma serigrafia pelo Atelier Mike Goes West.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Gente Remota (estudo para capa)

 


Gente Remota é um livro ficcional que nasceu de quatro longas entrevistas com ex-combatentes anónimos das chamadas guerras de África, conversas que tive em 2014. Não há nada inventado, no que corresponde às experiências de Guerra de Alfredo Jacinto, não teria capacidade para tal. Nem o crime da PIDE, nem a acção salvífica e presença de espírito de Alfredo ao salvar um soldado do colapso moral, nada foi inventado. Limitei-me a baralhar os dados.

Esta é uma pequena história de Portugal, esse país sem problemas de consciência, com uma memória selectiva, ao mesmo tempo sincera e senil.

É uma história de cruzamento de ideias, de confrontos de perspectivas. Eu não estou em lado nenhum, neste livro. Ou então estou em todo o lado.

A questão do racismo é sempre um poço sem fundo. Incómoda, urgente, com ramificações que tocam a todos, profundamente. A minha relação com o nosso passado colonial é múltipla. Eu próprio nasci em Moçambique, rodeado de empregados e privilégio colonial.

Depois veio logo o 25 de Abril, essa tábua rasa a um tempo gloriosa, mas que nos oculta a história e nos iliba de qualquer culpa. Depois veio a primária em que aprendemos a hostilidade contra os espanhóis, e depois o liceu em que nos forçaram os Lusíadas pela goela abaixo. Este livro é talvez o paté resultante.  A esperança é que sofre. - FSL 

Obra realizada ao abrigo de uma Bolsa de Criação Literária da DGLAB/MC