quarta-feira, 30 de junho de 2021

Dekomikonstrutivismus

 



Podia ser uma canção dos Smiths - oh, por favor!! - aqui vai: "esperei 10 anos da minha vida para que a Opuntia Books voltasse às lides editoriais". Em inglês soaria melhor, se calhar, snif snif! Veio em dose dupla, há um Para-Cine de um tal de V.B.O.M. que é uma colecção de desenhos encontrados de retratos de estrelas de cinema mas a cereja no topo and beyond that é este Dekomikonstrutivismus de André Lemos que compila os seus recentes "comix-remix"

Se o Kus! do Desassossego foi para o autor na altura o final da sua produção em BD - foi o que me confidenciou na altura - com o Kus! do "fim" em que publicou originalmente uma destas BDs é o seu recomeço na produção de BD. Ironias do mundo, resultados fenomenais. Lemos como outros nativos do final do século XX, tem um fascínio pelas BDs populares da sua infância e puberdade ao ponto de voltar a elas para as desmanchar e criar novos dispositivos narrativos e estéticos - ver DémoniakDice Industries, Marko Turunen ou Samplerman Claro que podemos traçar no tempo o Max Ernst e o Jess, anos 20/30 e 50 respectivamente, só que são casos muito isolados no tempo, hoje há muita mais gente a trabalhar em "remix". Esta vaga nova de artistas que tem trabalho na colagem e reciclagem de material antigo para trazer novas leituras trazem também "novos" patamares de leitura que implicam o reconhecimento do atraso da BD em relação às outras artes. Engole. 

Nestas BDs engole solidão, engole conspiração, engole guerra, engole isolamento... Mas que sei eu? O material remontado ganha novas interpretações, algumas delas desconfio intimíssimas ao sabor de cada leitor. O que interessa é que eis uma bela publicação da Opuntia no lugar e tempo certo, em formato "puro italo-pulp", ou seja, num formatinho pequeno - ao contrário dos habituais A5 dos Opuntias anteriores - tal como o das revistas originais que circulavam nos quiosques até aos anos 80. As BDs de guerra vinham dos ingleses, o porno e o macabro de Itália, a sociologia das nações deve explicar isto. 

Edição exemplar tal como há 11 anos atrás quando saiu o último livro desta editora.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

ccc@RAIA.5 ---- atenção aos NOVOS horários pandémicos!!!!

cartaz de Filipe Abranches


Depois de confinada duas vezes eis que a RAIA volta ao espaço habitual (embora tenha mudado de gerência e denominação) Núcleo A70 - onde há duas semanas atrás houve a Feia

Eis pois o mais importante evento nacional ligado à edição independente que teremos todo o orgulho em participar.

Sábado e Domingo: das 10 às 15h30 

Apareçam!

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Música feia (batota)

Houve uma bela de uma Feia e levei alguma música para casa. 

A começar pelos amigos da Clean Feed, onde apanhei uma pérola no meio dos seus 700 discos editados em 20 anos que comemoram este ano - caramba! - a saber: Xabregas 10 (2016) dos L.U.M.E. Sabe-se lá quando vamos encontrar outros CP Unit mas até lá, um gajo mais vale ir pelo seguro. Neste caso é que além de ser apenas o segundo registo que existe desta fantástica Big Band, é o registo ao vivo do Jazz em Agosto de 2014 e que tem uma história divertida. No ano anterior a essa edição, o "nosso" Rui Eduardo Paes mandou uma boca à organização do festival pela pouca participação de músicos nacionais - isto até poderia soar a bacoco caso na altura, não existissem realmente boas propostas portuguesas dignas de subirem ao palco dos jardins da Gulbenkian. O director Rui Neves no ano seguinte, para equilibrar as quotas nacionais não vai de modos, programa os L.U.M.E. o que dava logo 16 músicos 'tugas! Piada à parte, tenho pena não ter assistido a este tornado de sopros e metais super-bem orquestrados que tanto parecem incontrolados como programados - como se o Carl Stalling tivesse vivo e a expelir anfetaminas por todos os poros do seu corpo -, acompanhado de samplers Pop/ Rock (um que vai ao primeiro de Death Grips!) e glitches digitais. Uma prova viva de que se pode usar o passado com roupagens novas sem parecer ser um número de nostalgia barata. Entretanto correu o belo rumor que os L.U.M.E. vão voltar a gravar este ano. Viva!!!

Seguindo prá mesa da Rotten\\Fresh já estava lá acessível a k7 If i was simple in the mind, everything would be fine de Phoebe. Eis um disco incrível, na linha dos Experimental Audio Research, todo ele Komische e Illbient - fala-se por todo lado em shoegaze mas é pura ignorância de quem faz "copy/ paste" de uma pomposa nota de imprensa igualmente ignorante. O que poderia ser um dos grandes discos do ano infelizmente mete tudo a perder (e não, não falo da capa merdosa) porque se ouve por uns meros segundos uns grunhos a gritarem pelo Benfica numa faixa. Nada contra o Benfica, quero que se foda juntamente com todos os outros clubes de futebol, mas justamente porque não percebo porque um músico investe tanto a criar um imaginário para justamente trazer-nos a realidade da maior boçalidade portuguesa. Não faz sentido, ou então temos de nos conformar com o facto de vivemos num país nada sofisticado e sem escapatória que nem na música encontramos refúgio. Triste.

De frente à Rotten 'tava um rapaz israelita (acontece, ninguém simpático escolhe onde nasce) a vender húmus e uma k7. Deu aquela tanga que a k7 era música dele a preparar o pitéu. Se o DJ Balli já fez noise com skates e pasta porque não com húmus? 

Lá comprei a comidinha bem boa e a k7 The Hummus of Reverbs do projecto dele intitulado Hummus International. É uma actuação ao vivo no Desterro em Março deste ano numa onda pós-industrial Ambient que pode ser mil e uma coisas feita por mil e um putos da Electrónica em 1981 ou 1991 ou até 2001... Não deixa de ser fixe de ouvir, não é fritaria monótona nem Harsh Noise. Ouve-se bem enquanto se come pizza, por exemplo. A k7 como tinha um lado virgem lembrei-me de gravar um disco burguês de Einstürzende Neubauten.

Viseu é a "Bible Belt" portuguesa, ou melhor, a "Rotunda da Bíblia" e como reacção a esse limbo (a)cultural eis que saiu o primeiro volume de Viseu Demo Tapes (Zip-A-Dee-Doo-Dah Discos) que mostra bem as oportunidades perdidas e tensões de uma geração. O Viseu Demo Tapes é um bandcamp "anarquivista" de todo gato-sapato de banda que pare por esta cidade do Cavaquistão, sendo lançadas algumas reedições em k7s e agora este duplo-CD onde sem pejo vai tudo numa caldeirada sonora "roskof " (são demo-tapes, senhor, são demo-tapes) de vários géneros musicais embora domine o Punk & Hardcore, o Metal à la Metallica, Industrial(-in-process), algum Indie, Grunge (ahahah) e algumas peças sem definição como os Lucretia Divina, talvez o projecto mais conhecido da cidade. Centrada nessas demos mal-gravadas porque, dizem as notas no CD escritas por Ricardo Ramos (dos Dirty Coal Train), nunca houve um estúdio de ensaios e de gravação até meados de 2000 (o município preferiu gastar os fundos europeus em rotundas muito provavelmente) e por isso o que ficou, foram gravações de concertos, ensaios e algumas demos em 4 pistas. Creio que as músicas aqui presentes serão todas dos anos 90, talvez à excepção dos Bastardos do Cardeal dos anos 80 - um problema deste feliz anarquivismo, é a falta de mais informações do quer que for - e mostra que a raiva era enorme naquela cidade de "Onda Laranja" (Bastardos dixit). As bandas cospem temas contra padrecos com "verga morta" (The Mob), babam-se por sexo invocando Ninfomaníacas locais (uma fantasia comum dos rapazes frustrados dessa época na falta de miúdas sexualmente emancipadas), humor cócó-xixi (Alta-Mente), o alcoolismo e drogaria (Capitão Veneno). Tudo isto num som mais ou menos feio, amador, DIY, cru e "lo-fi" que nos dias de hoje choca muito menos do que se fosse na altura, mais, até realça um lado selvagem e perigoso desta geração de bandas - basta ver a grande desilusão que foi na altura a gravação do disco / CD (profissional) dos Lucretia Divina. De referir ainda, prós cromos da BD, que está aqui incluída uma música dedicada ao Espião Acácio - BD de Relvas (1954-2017) - pelos Major Alvega ripando os Art of Noise.

Claiana é capaz de ser, infelizmente, o segredo mais bem guardado do Porto e de Portugal. Festa garantida de um "afropop" e que já vi comprovada quer nos 10 anos da MMMNNNRRRG quer em festa de Carnaval num baile de bombeiros no centro do "Morto.". Talvez esteja na cidade errada, o "Morto." nunca foi muito cosmopolita para a música africana e pergunto se este projecto teria mais hipóteses de crescer em Lisboa. Seja como for, o que interessa aqui é que a Favela Discos, em 2019 - bem sei, que venho atrasado - fez o excelente trabalho de compilar as suas músicas neste volume 1 com uma capa (e poster!) de João Alves
Não me lembro se vi Claiana a actuar só com uma pessoa - isto é, o cabo-verdiano Gui Lee a solo - mas há muitos anos que é acompanhado por Luís Figueiredo, um gajo com pinta de metaleiro arrependido que dá conta das máquinas - e da guitarra? Não há créditos de guitarras dele no disco,... fuck, a memória é realmente traiçoeira! Mas há guitarras! Credo que confusão! Eis a união inesperada de um cabo-verdiano em Portugal que canta de forma invulgar (a técnica dele é o nome do projecto, claiana) com um português do Norte que bomba zouk lo-fi anacrónico, como se tivessem chegado em fitas magnéticas dos anos 80. Atenção que a composição é do Lee - toca baixo e sintetizadores. Mas mais atenção é que só há 200 unidades deste CD. Ah pois!

Batota, este CD foi sacado na Necromancia e não na Feia! Batota este Crossfade frenquencies dos Sensor também não é um disco "sincero"! Cóf cóf cóf, eu explico, calma, trata-se de um Frankenstein sonoro, fruto de colagens e edições de várias gravações da banda ao longo deste tempo curto de existência mas longo de registos. Como é mesmo aquela frase mesmo!? O todo é maior do que a simples soma das suas partes? Aqui aplica-se sem dúvida a julgar pela audição penosa dos tais outros registos da banda. Este disco foi montado usa os melhores trechos dos tais registos ou jams do grupo, criando um grande disco com uma dinâmica e continuum que deixaria os snobs do jazz embasbacados e o pessoal do post-rock mijados. As naturais excrescências foram limpas como se faz no Photoshop para a pele da modelo ficar divinal. Quanto à ideia de falsificação de estúdio por mim, não faço juízos senão não havia Beatles ou Ministry ou os pujantes "álbuns ao vivo" dos Kiss e Type O Negative, em que estes gravaram em estúdio sobre o barulho do público. Já para não falar da boa linha de baixo tocada por um músico de estúdio gravada à revelia dos Talking Heads no seu LP de estreia. A pós-verdade já vem de longe, amigos. Outra vez: grande disco!

domingo, 20 de junho de 2021

Parícutin na Exclamação


O primeiro romance gráfico de Gonçalo Duarte 

21º volume da Colecção CCC
Publicado pela Associação Chili Com Carne

Legendas em inglês traduzidas por Manuel João Neto
ISBN: 978-989-8363-42-8
500 exemplares

Gonçalo Duarte (1990, Setúbal) é guitarrista em Equations e Live Low, impressor em serigrafia na Oficina Loba e autor de banda desenhada, que desde 2010 participa em antologias da Chili Com Carne, a saber Destruição ou BDs sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010Futuro PrimitivoViagem de Estudo ao Milhões 2017 e Pentângulo.

No meio desta hiper-actividade, eis o seu primeiro livro a solo! 

Não admira que se sinta nesta obra uma vibração eléctrica, nervosa e onírica, uma leitura universal que nos conta como o espírito individual sai sempre quebrado quando se questiona o urbanismo e a vivência comunitária no século XXI.

à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdMania, Kingpin Books, Linha de Sombra, Matéria Prima, Mundo Fantasma, STET, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Utopia, Vida Portuguesa, Tasca Mastai, SnobUniversal Tongue, Fábrica Features, Exclamação...

BUY at Quimby's (Chicago)


Historial:

Festa de Lançamento nos Anjos 7023 de Janeiro 2020, com Ricardo Martins, Simão Simões unDJ MMMNNNRRRG ...


Feedback:

Loved Paracutin
pStan Batcow (Pumf) by email

(...) Sem nunca se revelar como programático, e muito menos panfletário ou articulado, o livro traz para a linha da frente as pequenas mas significativas tensões que advém em toda uma jovem geração a confrontar-se com um tecido de empregos precários, dificuldades económicas cada vez mais complexas no que diz respeito à ocupação do espaço, ao direito à habitação, mas igualmente a como se constituem verdadeiras redes de co-habitação, cooperação, e comunidade. De resto, temas que são recorrentes no trabalho de Duarte, de forma mais directa ou mais poética. (...)

really enjoy his work, very nice drawings and also the story is great. Bonus the strong colors for the cover, great work! 
 D.S. by email

É preciso mostrar obra daqueles que resistem ao egoísmo e às ditaduras tribais.
T.M.


Parícutin é uma preciosa banda desenhada que nos fala das dificuldade e dilemas do que é edificar projectos em conjunto, casas que todos possamos partilhar. Contra a desilusão e o desencanto.
José Marmeleira in Público

(...) Duarte cria uma acutilante corrente de consciência visual e narrativa que coloca no movimento de deambulação do pensamento o eixo dos acontecimentos, por vezes aproximando-se de um registo onírico. outras vezes de um delicado delírio em vigília com visitas abruptas ao inconsciente. 
**** (4 estrelas)
Sara Figueiredo in Expresso

(...) É uma sequência belíssima e generosa, capaz de irritar qualquer aspirante a artista que, conhecendo pessoalmente o Gonçalo Duarte, se lembre, após a leitura do livro, que ele provavelmente desenhou esta cena em meia hora, sem esforço e sem comprometer a qualidade da poesia.
André Pereira in A Batalha

(...) fui logo conquistado nestas deambulações sobre o urbanismo e a vida em comunidade. É um tema muito actual, que nos tem tocado cada vez mais graças a gentrificação da capital. Gonçalo fá-lo bem, acabamos a leitura e o livro fica connosco. Isso é sempre bom sinal. 

exciting, experimental recent release (...) Gonçalo Duarte's Parícutin is his first solo book, named after its location in Mexico, to explore tensions between the individual and community in urban life.
Paul Gravett in FB

It’s not every day that one comes across a work that is both incredibly straightforward and staggeringly interpretive at the same time (...) the bulk of this text centers around an unnamed protagonist, who would appear to bear certain hallmarks of being an authorial doppelganger, constructing a home with his own hands and setting into motion a chain of events that are, more than anything, a convenient excuse for a wide-ranging polemical dissertation on subjects ranging from displacement to the ethics of land use to the precarious nature of the so-called “gig economy” to intentionally-shared living spaces. To call it generationally specific would be to sell it all a bit short, but the issues addressed are, generally speaking, of extra import to the millennial and post-millennial set. 

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Espero chegar em breve / últimos exemplares



Novo número (#28) do zine Mesinha de Cabeceira e outra vez com o Nunsky!!!

Edição Nunsky Comics com o apoio da MMMNNNRRRG
44p. p/b, 16x23cm
ed. brochada, capa a cores em cartolina texturada

disponível na nossa loja em linha e na 

Nunsky (1972) é um criador nortenho que só participou no Mesinha de Cabeceira. Assinou o número treze com 88 considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...

Desde 2014 que este autor regressou à BD e com toda a força: primeiro com Erzsébet sobre a infame condessa húngara que assassinou centenas de jovens na demanda da eterna juventude, e em 2015 com Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno, verdadeiro deboche gráfico entre o Hair Metal de L.A. dos 80 e a distopia do RanXerox.

Agora apresenta este um belo trabalho sobre um homem que recupera consciência do seu sono criogénico a bordo de uma nave especial. A Inteligência Artificial não consegue reparar o problema e Kemmings vê-se obrigado a manter-se acordado mas fisicamente paralisado durante dez anos da travessia sideral. Como a maior parte da obra de Philip K. Dick (1928-82), este conto questiona o que é ser humano e o que é a realidade.



Feedback 

O isolamento criativo dos autores, mesmo numa cena incipiente como a portuguesa, poderá dar francos frutos. Num curto período, o elusivo Nunsky, que havia apresentado uma fulgurante mas fugaz novela com 88 (...) há 20 anos, regressou para apresentar toda uma bateria de trabalhos acabados, coesos, densos, inteligentes e graficamente vincados, cada qual com a sua própria personalidade de humor, género, tradição, e exigência de leitura. (...) Apesar do tema ser claramente a do cerne que torna um ser humano tal coisa, isto é, a teia da identidade, a verdade é que as implicações filosóficas mais tipificadas de Dick não deixam de se fazer sentir imediatamente. (...) A adaptação do conto pelo autor português é fiel, precisa, quase extrema, quase ipsis verbis, mesmo, (...) Apesar dos desenhos de Nunsky serem reconhecíveis como tal, com a sua austera e sólida figuração, notar-se-á de forma evidente que a assinatura do traço acompanha um registo distinto daquele de Erzsébet e de Nadja, seguindo métodos de artes-finais particulares. O uso de linhas paralelas para marcar as sombras, a oscilação entre momentos melodramáticos, de poses estáticas e construções simbólicas – a recorrente apresentação simultânea do rosto de Kemmings tal qual no seu semi-sono criogénico e a sua consciência interna acordada (usada de forma excelente e retro-psicadélica na capa) - , faz recordar muitas das assinaturas clássicas que emergiram nos comics de terror e de ficção científica da EC Comics (...) Em 41 pranchas, a densidade intelectual de Dick (chamar isto de “ficção científica” somente é falhar o alvo) e expressiva de Nunsky unem-se para apresentar uma soberba novela. 
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Melhores livros de BD de 2016: Nunsky é cada vez menos um cometa na BD nacional, (...) afirmando-se como um dos mais relevantes autores no panorama nacional. Que se mantenha sempre presente. 
Gabriel Martins in Deus Me Livro
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(...) A obra é uma deliciosa inversão da IA perseguidora, trocando os papéis: quem inflige o terror é o protagonista a si mesmo. (...) Nunsky demonstra, uma vez mais, a sua qualidade, ao adaptar-se ao estilo e exigências da história, com uma cuidada estruturação da narrativa e uma adaptação de estilo. Nos momentos em que isso é exigido, o autor dança entre a sombra e a luz, num equilíbrio que já o caracterizava na adaptação da depravação de Erzsébet (...) Este autor português consegue a proeza de justificar o seu regresso, insistindo em ser um dos melhores a trabalhar na 9.ª Arte. 
Acho que Acho
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Nunsky trabalha de forma brilhante, com o traço grosso e o uso do negro a iluminarem com as suas qualidades opressivas
Jornal de Letras
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Nomeado Melhor Álbum, Argumento e Desenho no Comic Con 2017
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Nomeado Melhor Álbum, Argumento e Desenho nos Troféus Central Comics 2017
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Por onde anda este (bom) autor? (...) Ah, gostei também bastante da capa (incluindo a textura do papel).
Jorge Ferraz (por email)

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Erzsébet @ Indie Comics



Erzsébet
by
Nunsky

17º volume of the CCC CollectionPublished by Chili Com Carne. Edited by Marcos Farrajota. Design by Joana Pires. 144 pages black/white, 16,5x23cm, color cover. 500 copies.
ISBN: 978-989-8363-24-4

Sinopsis: Erzsébet is a graphic novel based on the life and times of the infamous sixteenth century Hungarian aristocrat Elizabeth Bathory, aka the bloody countess. The author always wanted to do something in the horror genre and this story had all the ingredients he was looking for, and better still, it really happened! Nunsky (b. 1972) tried to materialize into graphic form those ominous ice cold atmospheres and the maddening loneliness and isolation, which, combined with almost absolute power, slowly pushed that damaged character to commit the most ineffable acts of insanity.

Buy at our online shop, Quimby's (Chicago), Orbital Comics (London) and Indie Comics (Italy)















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About the author: Nunsky is a comics artist from the north of Portugal and has published most of his work in the Mesinha de Cabeceira zine. In 1997 he made an incredible 39 page comix for the 13rd issue and the 5th anniversary of this mutant zine. Actually this was the first professional looking book that the Chili Com Carne Association made, starting an important publishing history in the Portuguese scene. The comix was entitled 88 and was a unique comix in Portuguese panorama at the time - and still is nowadays! Not only the "psycho-goth" ambience was different from all Portuguese comics but also the graphic quality was astonishing for such artist coming from nowhere. It reminded the Love & Rockets and Charles Burns but had it’s own voice. Since Nunsky is such a lone wolf, almost nobody knows about him and his whereabouts. After the 88 comix he created a rock band called The ID's and that's it. Or that’s what we thought…

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Feedback: 
Very good comic, inspiring to make logos!!! 
(Belgium artist known for this work for Metal bands logos, he is really the meister of the black art!) ... 
He gets that spirit from Jess Franco movies, where the most important is the iconography and esoteric symbols than a logic narrative, which builds a tension and insanity during the book...
(Portuguese artist and musician in Sektor 304, Méchanosphère, Pagan) 
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Best Drawing at BD Amadora 2015 
(most important Portuguese mainstream comics festival)
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Best Graphic Novels 2015 (Portugal) by Pedro Moura in Paul Gravett site : Apart from authors that have been working continually, or newcomers conquering their own turf, I’d like to mention a book by someone who made a sort of comeback in early 2015. The author known as Nunsky is somewhat of a solitudinarian, staying apart from the most visible local “comics scene”, and while he works professionally with drawing, he seldom publishes comics. After projects in the late 1990s, this is his first longer form book. Erzsebét (with English subtitles) is the biography of the infamous early 17th century Hungarian princess mass-murderer, Elizabeth Báthory, a.k.a. “The Blood Countess”. The author weaves history and fantasy into a dense portrait of the character and her deeds, creating thus a classic take on the genre of horror comics. Adapting his stark, thick lines – akin to wood-engraving, to an extent - to sober composition work and a contained palette, close to artists such as Michael Kupperman or Igor Haufbauer, the book is less dynamic and fast-paced than hieratic, taut and austere. A complete biography that focuses on the emergence of Elizabeth’s very “dark side”, one could argue that Erzsebét is also a study about evil and salvation, class divides and how madness is often the key to escape desperation. 
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First Chili Com Carne book with International Rights sold: Brazilian edition by Zarabatana Books in 2017 with DGLAB support
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(...) the drawings are outstanding and the plot is extremely interesting. I must admit that violent scenes and „ blood and gores“ are not especially my taste... nevertheless I must recognize the skills of the drawings. (...) I enjoyed reading that book.. because of the historical background… and the thrills of the drawings… a bit of gores is good now and then !

Erzsébet - últimos exemplares



Erzsébet de Nunsky ... 17º volume da Colecção CCC editado por Marcos Farrajota. Design por Joana Pires. Capa por Nunsky. 144p p/b 16,5x23cm, capa a cores. 500 ex. ISBN: 978-989-8363-24-4

Sinopse: Erzsébet Bathory, a infame condessa húngara contemporânea de Shakespeare, ao contrário deste, incarnou como poucos o lado negro e animalesco do ser humano. São-lhe atribuídos centenas de crimes inomináveis que lhe grangearam alcunhas como "Tigreza de Csejthe" ou "Condessa sanguinária" e que a colocam no mesmo lendário patamar de bestas humanas como Gilles De Rais ou Vlad, o Impalador. Por detrás do seu rosto pálido, de olhar impassível e melancólico ocultava-se o próprio demónio, Ördög.

à venda na loja em linha da CCC, Mundo Fantasma, Matéria Prima, ZDB, BdMania, FNAC, Bertrand, Universal Tongue, LAC, Linha de Sombra e Utopia








o autor: Nunsky é um criador nortenho que só participou no zine Mesinha de Cabeceira. Assina o número treze por inteiro, um número comemorativo dos 5 anos de existência do zine e editado pela Associação Chili Com Carne. Essa banda desenhada intitulada 88 pode ser considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD underground portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...


Feedback: 
Muito boa BD, me inspira para criar logotipos 
Lord of The Logos (via e-mail) 
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Erzsébet, o livro, é o relato implícito, emudecido, de um receio: o de que a morte escape definitivamente ao controlo masculino. Afinal, é a morte que conduz cada um e todos os passos da humanidade, tal e qual como vem anunciando a estética gótica em todas as suas formas. Nunsky recorda-nos isso mesmo com esta edição
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Erzsebet é um grande livro. Consegue ter aquele espírito dos filmes do Jess Franco e afins, em que por vezes é mais importante a iconografia e a imposição de elementos simbólicos / esotéricos ou fragmentos de actos violentos e ritualizados (como as mãos nas facas ou as perfurações e golpes) do que termos uma continuidade explicita e lógica da narrativa, o que cria toda uma tensão e insanidade ao longo do livro e de que há forças maiores do que a nossas a operar naquele espaço. 
André Coelho (por e-mail) 
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o romântico está presente antes na sua dimensão histórica e o trágico se aproxima do monstruoso. Pedro Moura / Ler BD 
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Para todos aqueles que apreciam uma viagem pelas profundezas negras do coração dos Homens, este é sem dúvida um livro a explorar, aliás, uma das publicações mais interessantes do ano passado 
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Acabei de ler esta versão e perdoem-me, não posso evitar um sorrisinho complacente - então somos nós os amadores "alternativos"? A "nossa" condessa pode não ser nenhuma obra prima, mas é, modéstia à parte, um trabalho bem mais sério e sólido que a pobre caricatura da renomada Glenat. A única coisa que gostei foi a técnica gráfica (nem tanto os bonecos). GO CHILI! ÉS O NOSSO ORGULHO! P.N. (por e-mail)
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Nomeado para Melhor Álbum Português e Melhor Argumento e vencedor de Melhor Desenho na BD Amadora 2015 
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Nomeado para Melhor Álbum PortuguêsMelhor Desenho no Comicon 2015 
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Existe verdadeira loucura e terror nas caras e paredes pintadas de sombras e escuridão. Uma das obras essenciais na BD de 2015 a ser comprada e lida as vezes que aguentarem, porque a história de Erzsébet Bathory não é para os fracos de coração e de estômago.
Acho que Acho 
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Primeiro livro da Chili Com Carne com edição estrangeira, a ser lançado no Brasil pela Zarabatana Books em 2017
...
A ausência de um arco dramático ou qualquer desenvolvimento de personagens é um recurso que aproxima Erzsébet do terror clássico italiano, menos preocupado com o roteiro do que com a experiência. A intenção parece ter sido trazer os relatos mais verossímeis, ocasionalmente com algum toque de fantasia, o que é uma opção interessante. Ainda assim, mesmo que não decepcione na fluidez, a sensação ao final é que faltou algo neste caldeirão. A relação que a história estabelece com o leitor é distante, já que não há qualquer personagem pela qual torcer ou temer. Claro que a Condessa é aquele tipo que adoramos desprezar, mas o interesse que ela gera ao longo das páginas não é bastante para deixar de observar isso. Com um saldo final positivo, Erzsébet vale a experiência. Quem tiver interesse por personalidades como a de Bathory será recompensado nesta leitura. Muito provavelmente, caso o seu primeiro contato com ela for a HQ, vai gerar uma vontade forte de pesquisar mais sobre essa figura histórica terrivelmente atrativa. A pergunta do primeiro parágrafo não será respondida, mas a atração por esses monstros da vida real continuará a existir.
Formiga Elétrica (sobre a versão brasileira)
...
(...) Escrita e desenhada pelo português Nunsky, Erzsebet é um dos maiores lançamentos de terror de 2012.
Convergência HQ (sobre a versão brasileira)
...
(...) Nunsky consegue transmitir todo o horror que as lendas contam, as torturas e a personalidade explosiva da Condessa de Sangue, como ficou conhecida. Graças à uma narrativa sangrenta e auxiliada pela técnica do traço citado, várias são as cenas em que a crueldade de Erzsébet é extrema, (...) 
Mundo Hype (sobre edição brasileira)
...
(...) Fidedigna ou não, fantasiosa ou não, em cenas como esta a biografia busca retratar precisamente a crueza da condessa assassina. 
Folha de S. Paulo (sobre edição brasileira)
...
Desenhista de muita imaginação
Jornal do Commercio (sobre edição brasileira)



segunda-feira, 14 de junho de 2021

Caminhando com dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS



Os maninhos dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS fizeram 14 anos e lançaram no seu bandcamp um disco de temas soltos em colectâneas - algumas que até falamos deles aqui e outra que até editamos!! Ou seja, entrou o tema Caminhando Com Samuel (dedicado à criação do Tommi Musturi) que foi incluído no CD do Punk Comix. Parabéns malta!

domingo, 13 de junho de 2021

Outra feia ÚLTIMO DIA


A Chili Com Carne vai à Feira Feianão confundir com a do Montijo até porque esta é dedicada à música. Lá estaremos com a nossa selecção de livros sobre música, discos, ou livros com discos ou livros de BD de artistas que também são músicos e todas misturas possíveis...

quinta-feira, 10 de junho de 2021

NAU é isto que eu chamo roubo!



Eis o quarto volume da série Música Portuguesa a Melhorar-se Dela Própria, editada pela Chili Com Carne e Rotten / Trash, desta vez em forma de colectânea com as melhores bandas que alguma vez este piqueno e piriférico rectângulo pariu:

Rute Redtoes
Siameses da Mãe
Capitães do Cabril
Moonspeed
Less Than A Minute
Dead Pombo
Silence 4:33

Um disco que é uma máquina de "hits" e que poupará aos nossos ouvintes dias das suas vidas na audição de discos perfeitamente inócuos e chatos das bandas originais - que facilmente a vossa inteligência já descodificou as origens.

AGORA poderá ouvir as versões melhoradas de bandas que nem bons logotipos criaram, para o mal de muitos designers precários, corridos a Arial ou Helvetica, com a excepção dos metaleiros dos caracolinhos que sempre tiveram um jeitinho para o drama visual. Olhando para esta gente, a impressão que nos dão é que são uma espécie de marca branca, eficazes mas invisíveis, sem uma aristocracia ou um estrelato histórico, condenados ao fracasso artístico apesar de todo o esforço espetacular que produziam, nos tempos pré-covideiros, com demasiados discos e concertos.

Eram impossíveis de aturar tal a modorra total das suas composições e execuções das obras mas AGORA o sábio ouvinte pode sentir um alívio neste dia que comemora a língua zarolha do Poeta. Houve casos que tivemos de acelerar os temas, noutros condensá-los ou até meter várias faixas a serem tocadas ao mesmo tempo - era isso ou morrer! Houve até casos extremos em que tivemos de ser absolutamente radicais e alterar tudo, não havia nada que se aproveitasse para ser melhorado. 

Os resultados são soberbos e superiores!
Não é de admirar!!
Afinal de contas envolvemos alguns dos melhores produtores musicais da praça!!!

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Temas gravados entre 2017 e 2021 nos Outsourcing Studio.

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Edição limitada de 30 cópias em Mini-CD.

ESGOTADO

quarta-feira, 2 de junho de 2021

o REgresso da NECROmancia EDITOrial




A Chili Com Carne, com a parceria dos Discos de Platãovai regressar com o seu Mercado de Edições Independentes NECROMANCIA EDITORIAL, cuja última edição foi no Milhões de Festa de 2018!!

Mantemo-nos no Norte e assim sendo no Sábado de dia 5 de Junho estaremos no ESTALO!, um evento a acontecer no Instituto de Design de Guimarães, que inclui exposição, filmes e concertos. O horário será entre as 11h e as 19h. 

Estão confirmadas a presença dos seguintes editores: Associação Chili Com Carne + MMMNNNRRRG (2000-20), Atelier Arara + Favela + Fojo + Gabinete Paratextual + Prego + O Gorila + Sonoscopia, Bestiário, Discos de Platão + Sarna, Erva Daninha + Massacre, Imprensa Canalha + Opuntia Books, Palpable Press e Rodolfo Mariano.

Este mercado apresenta o melhor que se produz em zines, revistas, livros, k7s, discos, ou seja a "edição independente" que luta contra a estupidificação do mercado da cultura.

Venham porque já está tudo bem!


Novidades editoriais:

- Fosso #1 (Imprensa Canalha), de José Feitor
- M.A.L. vol. 000, de Rodolfo Mariano
- Pentagrama #0 (Mãotanha Livros), de Rodolfo Mariano
- Querosene (Chili Com Carne), v/a
Swallow the Universe de João Caridade
- Tumulto (Imprensa Canalha), de José feitor


 





De resto, o ESTALO terá uma exposição de originais de André Coelho (Terminal Tower e Acedia) intitulada Território - Término e uma mostra bibliográfica da Fundação Farrajota que volta a ser É só vaidade!



Mostra bibliográfica constituída por fanzines e outras edições independentes do acervo da Fundação Farrajota. Podemos considerar os zines como um artesanato urbano da Era da Informação, publicações amadoras em marginalidade, galerias nómadas e precárias, reações à tirania da História. Localizáveis desde os anos 30, sofreram mutações mas continuam a provocar dores de cabeças a todos que gostam de gavetas certinhas. Estarão expostas uma série de publicações para provarem a sua riqueza de temas e formatos, embora a selecção desta mostra irá-se incidir sobretudo na BD.

terça-feira, 1 de junho de 2021

Whenever life gets you down, Mrs Brown...

 


Eis o primeiro disco Pop/ Rock português (mas não em português, snif snif) de auto-ajuda: Bro, You got something in your eye - a guided meditation (Discos de Platão, 2021) cortesia dos Unsafe Space Garden. Imaginem a Galaxy Song dos Monthy Python esticada numa hora mas não esticada à Jorge Calma, calminha! Esticada no bláblá e no virtuosismo musical zappiano e bungleano. 

Jogo musical entre uma voz feminina que sabe tudo (nada mais irritante que jovens que sabem tudo) e uma masculina tótó burocraticamente aborrecido (hilariante!) fazem o pós-modernismo Prog sem nos deixar respirar um bocadinho que seja. Information overload! Se normalmente um livro de auto-ajuda tem uns grandes tamanhos das fonts para encher chouriços e uma paginação espaçada para o leitor consiga ter a satisfação de ter lido um livro na vida, aqui o chouriço vomita informação, saímos tão cansados e esquecemos tudo o que nos ensinaram para estar vivo em 2021. Portanto não se guiem por este disco que vai dar merda de certeza.

Outra coisa, o Neil Young há anos que anda a lutar para que se oiça música sacada da 'net com qualidade. E o homem tem razão, há anos senti isso com os Ocelot Kid e novamente acontece com estes USG, o que se ouve no bandcamp-comprimido não é o que se pode ouvir num CD. A Chili Com Carne recomenda!