sexta-feira, 30 de setembro de 2022

ccc@raia.7

 


cartaz da Matilde Feitor, a chavala da Bancar0ta - e a verdadeira fundadora da Feira Laica (2004-12)

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

ccc@comicfestival-hamburg.2022

 


One more time you can find some selected Chili Com Carne books at Magma Bruta's table,
this time at the Comicfestival Hamburg. 30 Sep. - 02 Oct. at Kölibri

Also important:
Ana Margarida Matos will have an exhibition and a reading at the festival!!
The exhibition is at Nachladen will be open from 12h-18h, during the three days of the festival.
The reading from the book Hoje Não published by Chili Com Carne in 2021, here with the name
Yesterday will take place at Fotofabrique on the 1st of October at 15h

If you are around you should definitely come say Olá!!

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

ccc@queer.market.22


Como tem sido hábito desde 2018 eis que uma selecção de títulos nossos estará presente no Queer Market do festival Queer Lisboa, acaba este fim-de-semana!!

domingo, 11 de setembro de 2022

Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology LIVRO DO DIA NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA


Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology
de
Marcos Farrajota

Oitavo volume da Colecção Mercantologia, colecção dedicada à reedição de material perdido do mundo dos zines. 80p. 15 x 21 cm. 666 exemplares. ISBN: 978-989-8363-34-3

à venda na loja em linha Chili Com Carne, Mundo Fantasma, BdMania, ZDB, Matéria Prima, Linha de Sombra, Bertrand, RastilhoTigre de Papel, Tinta nos Nervos e Neat Records.

Eis a terceira compilação das BD's autobiográficas de Marcos Farrajota depois de Noitadas, Deprês e Bubas (2008) e Talento Local (2010) ambos pela Chili Com Carne nesta mesma colecção. O novo livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology reúne material disperso em várias publicações - incluindo o livro do DVD do 15º Steel Warriors Rebellion Metalfest mas também em vários zines e revistas como Cru, Prego (Brasil), Pangrama, Stripburger (Eslovénia) e ainda antologias de países começados por "s" como a Suécia ou a Sérvia!

As Bds que se encontram aqui são cada vez menos os episódios mundanos como noutras BDs de Farrajota para dar primazia a ensaios críticos sobre a cultura portuguesa e subculturas underground... Talvez por isso que só agora é que são compiladas as míticas tiras da série Não 'tavas lá!? que fazem crítica aos concertos assistidos pelo autor publicadas na mítica Underworld : Entulho Informativo e vários outros zines e revistas. Podem encontrar nestas tiras bandas famosas como os Type O Negative ou Peaches, de culto - Puppetmastaz, Repórter Estrábico ou Dälek - como algumas "fim-da-linha" como os Dr. Salazar (quem?), para além de ainda relatar conferências (Jorge Lima Barreto), museus e instalações sonoras (MIM de Bruxelas ou MACBA de Barcelona) mostrando um gosto ecléctico mas sobretudo amor à música.



O livro foi lançado em Outubro na exposição homónima na Mundo Fantasma  no 10 de Outubro e lançamento sulista no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, no âmbito da exposição SemConsenso a inaugurada no dia 31 de Outubro ... Dia 23 de Junho de 2018 é apresentado na Casa da Cultura de Setúbal por Tiago da Bernarda ...

Ah! O Rudolfo participa no livro... com aquela BD sobre drogas que saiu no Prego e com o design da capa/contra-capa!



...

sobre o autor: Marcos Farrajota (Lisboa; 1973) trabalha na Bedeteca de Lisboa tendo sido responsável por várias publicações e eventos como o Salão Lisboa 2003 e 2005. Faz BD e fanzines desde 1992 quando criou com o Pedro Brito o zine mutante Mesinha de Cabeceira que ainda hoje edita (26 números). Criou a editora MMMNNNRRRG "só para gente bruta" em 2000 mas antes fundou a Associação Chili Com Carne em 1995.

Participou em vários fanzines, jornais, revistas e livros com BDs ou artigos sobre cultura DIY e BD: Publish or Perish, Amo-te, Osso da Pilinha, Stereoscomics (França), Milk & Wodka (Suiça), Prego (Brasil), Cru, White Bufallo Gazette (EUA), Shock, Blitz, Free! Magazine (Finlândia), Bíblia, V-Ludo, Umbigo, Pangrama, Stripburger (Eslovénia), Pindura (Brasil), My Precious Things, Banda, Page, Biblioteca, La Guia del Comic (Espanha), Quadrado, Underworld / Entulho Informativo, Zundap, Inguine Mah!gazine (Itália), Splaft!, Kuti (Finlândia), š! (Letônia), Hoje, a BD - 1996/1999 (Bedeteca de Lisboa), Crack On (Forte Pressa), Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa (Museu Berardo), Boring Europa (Chili Com Carne), Futuro Primitivo (Chili Com Carne), No Borders (Alt Com), Sculpture? (Cultural Center of Pancevo), Komikazen - Cartografia dell'Europa a fumetti (Edizioni Del Vento), Metakatz (5éme Couche) e Quadradnhos : Sguardi sul Fumetto Portoghese (Festival de Treviso).

Criou e escreveu a série Loverboy (4 volumes) com desenhos de João Fazenda, tal como já escreveu BDs para Pepedelrey, Jorge Coelho e Fábio Zimbres. Tem feito capas, cartazes e BD's para bandas punks e afins: Acromaníacos, Agricultor Debaixo do Tractor, Black Taiga, Censurados, Crise Total, Çuta Kebab & Party, Gnu, Gratos Leprosos, Ideas For Muscles, Jello Biafra, Lacraus, Lobster, Melanie is Demented, Peste&Sida, Rudolfo, Sci-Fi Industries, shhh..., Sunflare, Vómito e Whit. Organizou ou fez parte de organização de vários eventos como BD & Cafeína - performance de 24h (1997), Feira Laica (2004-2012), Pequeno é Bom (2010),... Bem como de acções de formação (Ar.Co, IPLB,...), colóquios, um programa de rádio - o Invisual (Rádio Zero, 2008-09) - e sessões de unDJing tendo já "tocado" (pffffff) nos Maus Hábitos, Festival Rescaldo, Jazz em Agosto, Bartô, Sabotage Club e Damas.

Já participou em algumas exposições de BD sobretudo colectivas - sendo de salientar a Zalão de Danda Besenhada, o último salão dos independentes na Galeria ZDB (2000), LX Comics 2001 na Bedeteca de Lisboa (2000/01); Mistério da Cultura na Work&Shop (2008) e Tinta nos Nervos na Colecção-Museu Berardo (2011); bem como em vários festivais: BoDe, Xornadas de Ourense, Salão do Porto, Salão Lisboa, KomikazenMAGA e BD Amadora.

Exposições individuais só houve uma, Auto de Fé(rrajota) na Biblioteca da Universidade de Aveiro (1998), e é por isso que o autor aceitou com muito gosto e lágrima no olho ao desafio de mostrar originais seus (horríveis e em visível degradação perversamente antecipada) na galeria da loja Mundo Fantasma - um grande chi-coração ao Zé e ao Júlio!

Estava previsto um "stand up comedy" para a inauguração mas o autor não foi rápido o suficiente para preparar a peça! Shame on tha nigga!

Bibliografia: É sempre tarde demais (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998), Loverboy (c/ desenhos de João Fazenda, 4 volumes, Polvo, Chili Com Carne; 1998-2001, 2012), NM2.3: Policial Chindogu (c/ desenhos de Pepedelrey, Lx Comics #9, Bedeteca de Lisboa; 2001), Noitadas, Deprês & Bubas (Mercantologia 3, Chili Com Carne; 2008), Raridades, vol.1 (c/ arg. Afonso Cortez Pinto, Zerowork Records; 2009); Talento Local (Mercantologia 4, Chili Com Carne; 2010), 15º SWR DVD (SWR inc.; 2013).


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FEEDBACK: 
Toast!!!And the Jamaican use of the word refers to "extemporary narrative poem or rap" like in reggae music, but toast also means a call to drink's at somebody's health or good news. In our case, the release of the Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology book !!! 
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 UAUH..... respect.... 666 exemplares? o must :-) 
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FINALMENTE!!! O livro do ano!!! 
Gamão (Traumático Desmame, Putman was the bastard) 
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já li o free dub modafoca seguido de bué géneros musicais hauntology (...) o Rudolfo fez pra lá umas tripalhices bem giras. as que curto mais são "punk e hardcore", o especial swr, o cristão colorido e o como enviar livros pelo correio. já tinha lido quase tudo mas tudo compilado é outra coisa! devias fazer mais cenas sobre o Zaire,os desenhos de infância foi alta jogada. 
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Gostei muito da péssima critica aos Boris no teu livro. Fez-me sentir menos sozinho no meu desdém por essa bandazeca tão estranhamente hype e sem consequência que felizmente desapareceu do mapa. 
Pastor Gaiteiro 
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ah, já chegou o livro, altamente!! lá foi de uma acentada. morro a rir com o teu humor-caricatura-psico. para não falar nos desenhos, sempre descomprometidos e podres. do caralho como se diz aqui pelo norte. 
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Curti o teu livro, especialmente a parte do festival de Barroselas. Devias fazer aquilo todos os anos, deve ter cenas hilariantes, mas realmente deve ser duro, haha! 
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no seu conhecido estilo de borrifamento universal, e as suas figuras rapidamente rabiscadas em esferográficas ou canetas o mais à mão possível, e sobre restos de papel, senão mesmo páginas descartáveis de Bíblias impressas (o autor respiga vinheta de histórias umas para as outras, ou constrói uma prancha final a partir de vinhetas rasgadas noutro local), Farrajota transforma sempre qualquer oportunidade para, ao aparentemente querer dar conta de um evento de modo objectivo, ou partilhar uma opinião de maneira descontraída, acaba por revelar traços dessa tal identidade que faríamos bem em questionar. Daí que o uso do vocábulo filosoficamente prenhe de “hautologia”, de Derrida, não seja um rodriguinho, mas um caso sério. A visão particular sobre o dito mercado independente de edição de livros ou música, o estado da arte e as suas misturas com os negócios camarários, a forma como interesses comerciais rapidamente co-optam, como se costuma dizer, movimentos culturais que poderiam ter sido alternativos, são alguns desses elementos. Mas acima de tudo está uma certa bonomia e complacência da “cultura média burguesa” para com a nossa própria história, o que nos leva poucas ou nenhumas vezes a pormos em causa aquilo que achamos que faz de Portugal “um grande país”, ou dos portugueses “um povo nobre”, e coisas quejandas. Algumas das sendas das histórias enveredam pela autobiografia, mesmo rebuscando o passado, dando continuidade a uma das linhas que o autor mais cultivou, em larga medida, quase isoladamente no nosso país. Há ainda uma divertida participação de Rudolfo, que ilustra um aviso sobre os perigos da droga aos mais jovens. Muito pedagógico. Seguramente que seria um ganho para o PNL. 
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  Não conheço ninguém que tenha como maior ambição piorar em vez de melhorar, só esta ave rara. Coisas bonitas são para betinhos, acha. Presumo que seja um trauma, pois o rapaz cresceu em Cascais. O certo é que deixou já uma marca. Basta ver uns quadradinhos com aqueles garatujos para saber que estamos perante uma obra de Marcos Farrajota, figura incontornável da BD nacional underground (não o irão ver no Canal 180!) e, deixem-me acrescentar, um dos autores da dita com mais sentido narrativo. O gajo sabe contar uma história. Neste livrinho conta algumas, tendo-o a ele próprio como protagonista, e não se preocupa em sair bem das ditas. Ou melhor, como qualquer punko-descendente que se preze, e como autor de banda desenhada que quer mexer com as consciências dos leitores, ele sabe que o pessoal prefere seguir as ridículas atribulações de um Robert Crumb do que os relatos de um tipo certinho e dado a intelectualices como Will Eisner. O curioso é que, quando entra neste registo, a nossa personagem torna-se umas vezes num jornalista e outras num crítico musical. Daqueles que fazem juízos de valor peremptórios e não medem as palavras, tipo Lester Bangs. O giro é que, se o virulento Bangs contribuiu para a fama dos Black Sabbath e dos Jethro Tull cascando neles, os grupos que Farrajota arrasa também acham graça. As suas bedês críticas e jornalísticas são mais acutilantes do que os textos sobre música que escreve para o blogue Mesinha de Cabeceira e a blogzine da Chili Com Carne. Nelas está na sua água, boiando à grande, e nestes é como se vestisse pele alheia. Nas primeiras é simplesmente um mamado de cerveja na mão, um aficionado que só não segue os princípios científicos da dúvida metódica ou o cepticismo filosófico do taoismo porque até estas fabricações mentais interferem comas reacções epidérmicas, as únicas em que devemos confiar. Nas prosas, pelo contrário, e quando o desagrado estala, adopta inadvertidamente o tom de deploração condescendente que têm os académicos quando observam a vida real. Algo, de resto, que me leva a mim, escrevinhador profissional, a constantes autovergastadas…
Rui Eduardo Paes in Bitaítes
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Obra seleccionada pela Bedeteca Ideal
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Já li o Hauntology e tenho que te dar os parabéns. As resenhas de concertos do início já conhecia várias e são bem divertidas - porra, nunca dizes bem de nada! Mas quando chegas ao Barroselas a coisa muda de nível - análise acutilante e sem piedade. Acho que tens toda a razão e pões o dedo na ferida. Até me ajudou a perceber o que me desagradava tanto no metal de hoje, e agora tenha a desculpa perfeita para nunca mais ir a nenhum festival. Imagino que quem te encomendou isso tenha ficado furioso!
Pedro B. (Damage Fan Club, Baby Boom, Stuka)
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Coisa linda de Jesus! Já li os seus. Excelente cobertura METAAAAAAAAAAAALLLLLL! Faltou falar das bandas. Se os metaleiros te pegam...
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sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Será a caneta mais poderosa do que a espada?

 


 A edição portuguesa do Monde Diplomatique tem publicado, sob a nossa coordenação, as respostas a este desafio em Banda Desenhada por uma série de artistas. 


Este mês é a vez do Luís Barreto, a nova estrela do underground nacional que até já fez um Mesinha de Cabeceira para nosotros! Esta será a página do Monde mais divertida alguma vez publicada!!

brouhaha para suomi ver

 


Uma PUB para a revista finlandesa de BD Kuti especial BD portuguesa!  Desenho da Alexandra Saldanha vinda do seu Mesinha de Cabeceira. E sim! De vez em quando somos elogiados!

E talvez por isso que Portugal é o país convidado para o Festival de BD de Helsínquia em que acontecem três coisas: 

1) há uma exposição de BD, intitulada de Passiflora / Passionflower : 16 Portuguese Contemporary Comic Book Artists no centro cultural Stoa; 

2) com os artistas que vão participar no Kuti, nomeadamente André Ruivo, Ana Maçã, Daniel Lima, Ema Gaspar, Amanda Baeza, Hetamoé, R. Paião Oliveira, Sara Boiça, Pedro Burgos, Ana Biscaia, Alexandra Saldanha, Tiago Manuel, Rudolfo, Cátia Serrão, Rodolfo Mariano e Rui Moura;

3) e Hetamoé e Rudolfo lá irão para conversas e vendas de edições.

Kiitos!



PS: 

depois do festival virá um carregamento de Kutis para distribuir em Portugal, estejam atentos!

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

MEGG, MOGG e MOCHO -------- livro DO DIA na feira do LIVRO de LISBOA


New York Times bestseller

Autor publicado em 13 países diferentes chega a Portugal finalmente!

O trabalho de Hanselmann explora a toxicodependência, depressão e a ansiedade quotidianas com precisão e subtileza… É tão pueril como trágico, ordinário como carinhoso. E pode ser, como na vida, muito divertido 
- The Guardian 

uma profunda inquietante, hilariante visão do ennui milenar
- Paste 

parece o triângulo amoroso da Krazy Kat mas da geração MDMA ou do crack, nem sei bem...
- Marte (Loverboy)

 As piadas envolvem montes de drogas mas não são piadas de ganzados...
- Walt Thisney 

Simon Hanselmann é a cena à séria. Ele apanha o ganzado caseiro de forma tão correcta que acho as suas BDs muito deprimentes e graças a Deus que já não tenho de conviver com malta deste tipo...
– Daniel Clowes (Mundo Fantasma)

Estas são actualmente as melhores BDS a serem feitas no mundo, eu acredito mesmo nisso.
– James Kochalka (Magic Boy)


Megg, Mogg & Mocho 
por 
35º volume da MMMNNNRRRG 
64p a cores, 16,5x23,5cm 

Tradução e legendagem por André Pereira. Design de Joana Pires.


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feedback:

Esta é uma banda desenhada cuja verve e força só pode ser compreendida no momento em que se fecham as suas capas e em retrospectiva se compreende a estranha poesia de asfalto que ela promete.

Comprar sem medos

Melhores livros de BD 2016O humor de Simon Hanselmann tem a particularidade de conseguir ter tanto de hilariante como de incomodativo. O que o autor nos traz aqui é um verdadeiro caldeirão de sentimentos. À primeira vista, o trabalho de Hanselman poderá parecer ordinário pelo simples prazer de o ser, mas existe algo mais nas aventuras deste trio e na forma como o seu estilo de vida é explorado: no fundo, estamos perante três grandes figuras trágicas. Uma BD sem paralelo que não merece passar despercebida.

Pode uma stoner comedy ser mais do que tshirts para bros e entretém de sessões de bongo? Pode. Prova disso é Megg, Mogg e Mocho, (...) crónica negativa de um autor crescido no buraco do cu que é a Tasmânia, com ganas de se travestir, e de carreira tardia (só decide dedicar-se a sério na roda dos 30). (...) MMM tem animais falantes, talvez o único mandamento ditado a Moisés atinente à banda desenhada, e segue a estrutura de uma “sitcom”, com piadolas típicas da intersecção espacial intrafamiliar ou de vizinhança patente nas séries americanas de e para gente sentada. Por vezes há expedições ao “lá fora”, fantasmático, esparsamente povoado por polícias, parolos, e normalóides. Megg e Mogg, com duplos “gs” para não infringir os direitos do casal bruxa-gato que protagonizava uma série infantil dos anos 70, vivem numa interminável stasis que não se percebe se é determinada pela longa depressão de Megg, se pela falta de elegibilidade de Mogg no centro de emprego. Partilham casa com o Mocho, um idiota normativo que insiste em “levantar-se cedo para ir trabalhar”, “poupar dinheiro”, ou “arranjar uma namorada”, logo, alvo de humilhações rituais. (...) Face ao tradicional pindérico do calão traduzido, usa português corriqueiro e sabujo, uma linguagem fluída que regionaliza o original, um ersatz tipo Dragonball Z. (...)

Obra seleccionada na Bedeteca Ideal

é fixe, pá não estava à espera. estou mais acostumado a histórias dessas em animação, não em BD. e de certo modo, isto faz-me lembrar os anos 90...
Miguel Santos (Ermal)

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Sobre o autor:


Simon Hanselmann (Lauceston, 1981) nasceu na Tasmânia e passou a sua infância e adolescência num dos  sítios de maior taxa de criminalidade da Austrália. O seu pai era motoqueiro e a mãe toxicodependente que efectuava pequenos furtos e vivia da segurança social para sustentar a sua criança. Também é sabido que roubada livros da Fantagraphics Books da biblioteca para o seu filho.

Aos 8 anos, Simon começou a fazer BD mas na sua juventude passou por várias terapias de combate à ansiedade e depressão, acabando por consumir álcool e drogas psicotrópicas em grande quantidade. Saiu de casa da mãe em 2001 e viajou pelo mundo estabelecendo-se actualmente nos EUA com a sua mulher. Antes disso Simon casou-se com a BD - não é erro nosso, ele casou-se mesmo com a BD numa convenção! É conhecido pela sua inclinação para o transvestismo aparecendo publicamente vestido de mulher, muitas vezes de Megg, a bruxa da série Megg, Mogg e Mocho.

Foi esta série que lhe trouxe fama à escala global ao ponto de até ser publicado em Portugal! Há quem diga que é uma mistura de Todd Solondz, Peter Bagge e Os Simpsons. Apesar da predominância humorística da série, ela é compensada várias vezes com estados emocionais do autor, admitindo usá-la como terapia pessoal.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Pornografia para intelectuais / HOJE é LIVRO do DIA na Feira do Livro de LISBOA (stand Chili com Carne - D28)



Uma antologia sob a curadoria de microworkers

 HARVESTED de Ilan Manouach é baseado em conteúdos encontrados, uma selecção arbitrária de filmes adultos. Foi inteiramente criado por um conjunto orquestrado e bem afinado de rotinas planeadas, scripts da web e tarefas baseadas na inteligência de enxame. O material deste livro foi reunido por um grupo descentralizado de parceiros e foi filtrado por uma população anónima de “microworkers”.

O livro naturalmente tornou-se numa co-produção com vários editores, a saber: MMMNNNRRRG (Portugal), Forlaens (Dinamarca), Hálice Hálas (Suiça), La Cinquième Couche (Bélgica), Topovoros (Grécia), Fortepressa (Itália), Ediciones Valientes (Espanha), Pachiclon (México) e Bitterkomix (África do Sul).

Mais de dois mil filmes adultos foram colhidos em grandes quantidades de sítios em linha p2p directamente para um servidor. Seguindo dois scripts diferentes, os primeiros 10 minutos dos vídeos foram despedaçados em milhares de imagens de baixa resolução no formato JPG à espera de serem filtradas. Este lote de imagens foi submetido a serviços de crowdsourcing que permitem coordenar inteligência humana aplicada a tarefas que os computadores ainda não conseguem fazer. Um grupo seleccionado de “microworkers” foram recrutados para filtrarem estas milhares de imagens de acordo com uma instrução conscientemente vaga: se nelas apresentavam ou não arte contemporânea.

Esta “Colheita” mostra-nos à superfície quinhentas obras de arte encontradas em casas, estúdios, cenários de filme e outras heterotopias da indústria de filmes adultos. Se esta antologia dá importância a um contexto de história da arte de uma indústria específica, ela também se posiciona simbolicamente na necessidade em activar uma visão periférica no que toca às práticas escopofílicas.

Se as pinturas do IKEA são penetrantemente dominantes, podem-se encontrar trabalhos de mestres modernos como um rapinanço de Fernand Leger, um desconhecido Joan Miró, Castelo e Sol de Paul Klee mas também obras contemporâneas como Quote, 1964, uma impressão de Robert Rauschenberg, uma série de pinturas de Mark Rothko, School of Fontainebleau de Cy Twombly e até algumas réplicas de Frank Stella e Lucio Fontana.







à venda na "shop" da Chili Com Carne e nas lojas ZDB, Linha de Sombra (Cinemateca), XYZ Books, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Nova Livraria Francesa, Tigre de PapelUtopiaStet, Tasca Mastai, Snob, Jazz Messengers, Alquimia e FNAC.


Feedback: 

A pornografia normalmente é uma coisa aborrecida e repetitiva - apoiada pelo Vaticano. Neste caso ao procurar a "arte contemporânea" nas fotografias tudo se transforma, cada fotografia acaba por se transformar em arte, que belas composições com mamas e pilas, mas onde as mamas e as pilas não são mais do que um dos elementos destas belas composições! 
Goran Titol (via e-mail) 
... 
um interessante livro, cínico q/b no seu ponto de partida. Espero que esgote para continuares a encheres as nossas prateleiras de livros. 
Paulo Mendes (via e-mail)
... 
Altamente! 
Benjamin Brejon dos Mécanosphère (via e-mail)
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Livre tout d’arrière-plan, livre d’art dissimulé dans un livre de cul. La fameuse idée qui devient livre. Pour la faire exister. Et une fois chose faite, du livre, que vit-on? toujours la même perplexité. Ni vraiment bon ni vraiment nul, une expérience éditoriale de plus pour Ilan dont je me prends quand même à rêver qu’il revienne à la bande dessinée, discipline dans laquelle il est infiniment plus singulier que dans celui dit de l’art contemporain (typologies évidemment purement sociales : la bande dessinée EST un art contemporain). En gros: je suis perplexe.
DU9


Acabei há poucos dias de ver o Harvested - é muito fixe, acho que peca apenas por algumas (muitas talvez) páginas não terem "arte contemporânea" mas antes porcarias emolduradas tipo Ikea. Mas talvez fosse mesmo essa a ideia do autor - pôr tudo no mesmo saco. De qualquer forma é muito fixe, porque é um passatempo andar em cada página à procura da "arte" ao mesmo tempo que levas com tudo o resto que é bastante diversificado e por isso bastante rico também.
Sara e André - Claim to fame


Sobre o autor:


Artista complexo e activista underground, o grego Ilan Manouach (1980) licenciou-se em Bruxelas em Belas Artes tendo feito até hoje uma carreira diversificada em conteúdos e conceitos, a começar pela sua extensa bibliografia e discografia - para além disso é músico caso a imagem ainda deixe dúvidas...

É o autor responsável pelo livro Harvested, editado em Portugal pela MMMNNNRRRG, que lançou para o mundo o conceito de "pornografia para intelectuais". A maioria dos livros tem sido publicados pela editora belga 5e Couche, desde 2003 com Les lieux et les choses qui entouraient les gens désormais que não passou despercebido logo pela crítica. A lógica dos seus livros é uma simbiose entre a BD e a Arte Contemporânea, não faltando le scandale e as polémicas sendo que a mais conhecida será a impressão "pirata" de Katz - livro que substitui as cabeças de todas as personagens de Maus de Art Spiegelman por gatos, tendo como desenlace a destruição física do livro por ordem judicial.

No último Festival de BD de Angoulême apresentou o Shapereader, uma BD baseada em impressão tridimensional para leitores cegos.

Participou em exposições colectivas na Bedeteca de Lisboa e no Festival de BD da Amadora, para além de ter sido publicado os livros A vara do açucar da meia noite e nos bordos dos peixes (Opuntia books; 2008) e Variações sobre o anjo da história : ensaio de Walter Benjamin inspirado por Angelus Novus (um desenho de Paul Klee) (Montesinos; 2012), este último com texto de Pedro Moura. Também participou na antologia de desenho MASSIVE (Chili Com Carne; 2010).

Em Portugal Manouach já nos visitou várias vezes como músico e artista - da última vez no Festival de BD de Beja mas em Maio de 2016 veio como músico para concertos em parceria com Jonas Kocher, com o projecto Exhaustion, desenvolvido com o objectivo de explorar as possibilidades de permutações seguindo a estratégia da exaustão como necessidade de validação. O seu jogo instrumental é construído numa arquitectura mental onde são exploradas as relações horizontais / verticais, densidades / drones, tensão / aborrecimento, numa relação bi-polar elástica que expande a linguagem da livre improvisação até ao limite.

Nódoa Negra na Insurgentes


Projecto vencedor da edição deste ano do concurso interno, Toma lá 500 paus e faz uma BD (2018), a antologia Nódoa Negra reúne as participações de doze autoras: Bárbara Lopes, Cecília SilveiraDileydi FlorezHetamoé, Inês Caria, Inês Cóias, Marta Monteiro, Mosi, Patrícia Guimarães, Sara Figueiredo Costa, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro.

No nosso imaginário a Dor pertence ao campo físico, neste pensamento associamos sempre o nosso corpo a um estado de dor físico e facilmente nós esquecemos que existem vários níveis de dor, entre eles, a dor emocional/ psicológica, que por sua vez, ocupa o mesmo peso que a dor sentida fisicamente. Assim, partindo da vontade de trabalhar a plasticidade da temática da dor e de querer perceber os vários entendimentos ao seu respeito, foram convidadas onze artistas e uma escritora, que partilham a paixão pelo desenho, a banda desenhada e a ilustração, para que através do seu olhar e desenho/ escrita, reflectissem sobre a dor. Ao longo da antologia, será perceptível que cada artista tento tido como ponto de partida a temática geral da dor, escolheu desenvolver graficamente uma dor específica: do parto, do confronto com o outro, dor menstrual, de amar, da solidão, de esconder a dor, da ausência, do luto, do crescimento, de alma...

NN

Curiosamente e historicamente esta poderá ser a primeira antologia de autoras coordenado exclusivamente por autoras. Isto é, apesar de alguns números especiais de revistas, fanzines ou livros de "BDs no feminino" que apareceram nos anos 90 (G.A.S.P. ou Azul BD3) e no novo milénio (Quadrado #3 / 3ª série, Allgirl'zine e QCDA #2000) estas publicações não foram organizadas pelas próprias autoras como acontece no presente projecto vencedor.

NN

19º volume da Colecção CCC. 138p. p/b, 16x23cm, capa a cores, edição brochada. Coordenação, design e capa por Dileydi Florez. Contra-capa: Marta Monteiro. Projecto apoiado pelo IPDJ
In Portuguese with English translation. 

NN

Historial: 
lançamento no dia 18 de Outubro 2018 na ZDB com exposição de originais e apresentação por Catarina Cardoso (Portuguese Small Press Yearbook) ... Apresentação na BD Amadora 2018 dia 10 de Novembro, com presença de algumas das autoras seguido de sessão de autógrafos... nomeado para Prémio de BD Alternativa no Festival de BD de Angoulême 2019 ... artigo de Pedro Moura na Mundo Crítico com BD sobre o livro por Dileydi Florez ... exposição no Festival de BD de Beja de 29 Maio a 16 Junho 2019 ...

O livro está disponível na loja em linha da Chili Com Carne e na Tigre de Papel, Linha de Sombra, Sirigaita, BdMania, Tasca Mastai, Matéria Prima, Utopia, ZDB, Mundo Fantasma, Kingpin BooksStet, Bertrand, Snob, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), A Vida Portuguesa, Tinta nos Nervos, Insurgentes e Fábrica Features.
BUY @ Le Mont-en-L'air (Paris), Neurotitan (Berlin), Quimby's (Chicago), Ugra Press (Brazil)

NN

Feedback:

um livro-barómetro no feminino sobre a dor
Amanda Ribeiro in P3 / Público

O título é duro (...)
João Morales in Time Out (Lisboa)

ontem li o Nódoa Negra. é tão bonito que até dói, meu. a história da Patrícia Guimarães é incrível. parabéns! 
Francisco C. (por e-mail)

São testemunhos no feminino, são força, são ruído, são rasgos de agitação num panorama - ainda - pouco dado a movimentos bruscos. A primeira antologia totalmente construída por autoras em Portugal é muito mais do que uma afirmação, é a casa de uma intimidade que fende tabus e nos mostra que a existência inevitavelmente dói.
Tiago Neto in Vogue Portugal

Um livro sobre dores que desenham e escrevem num mais difíceis exercícios...
Inês Fonseca Santos in Todas as Palavras (RTP)

Tive conhecimento desta edição enquanto folheava um dos últimos números da Vogue. Como a recepção do livro na imprensa também passava pelo P3, Time Out e por um programa de TV apresentado por uma das tipas do Câmara Clara, tudo indicava que se tratava de mais um livro do ano. São só autoras a fazer este livro e ao que parece esta ideia surgiu da Dileydi Florez, que há uns anos tinha desenhado o Askar, o General, em tempos em que a associação Chili Com Carne estava imbuída por um espírito de masculinidade militar. Mas isso foi lá atrás, agora a associação pugna diariamente pelos direitos dos mais fragilizados pela ideologia dominante no tardo-capitalismo: entre essas figuras encontra-se a mulher. A premissa para o livro é interessante e tem um importante significado político: não há espaço na edição de banda desenhada para mulheres, por isso é preciso arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Quando estamos à espera que a bd da organizadora deste volume seja, então, um grande manifesto feminista, eis que termina com dois enormes paradoxos: primeiro, ao escrever que se alguém tiver uma vida mais consciente está a dar um passo para sofrer menos, Florez parece estar a preparar uma sólida carreira como autora de manuais de auto-ajuda; segundo, a bd termina com o salvamento da mulher frágil pelo seu príncipe encantado, desvirtuando a ideia da autonomia feminina. No entanto levanta um problema importante que será transversal a todo o livro: o corpo e a sua vulnerabilidade. (...) Mas o sofrimento também se revela de outras formas e é aqui que o livro se transcende (...) é também o sufoco provocado pelo assédio doméstico que acompanha o crescimento da futura «dona-de-casa» - eufemismo para «escrava da família patriarcal», se puxar do meu jargão a transbordar de ideologia. É este o tema dos «Bons costumes», de Sílvia Rodrigues. A Nódoa negra beneficia ainda de uma multiplicidade de linguagens gráficas, destacando-se a manga da Hetamoé e a arte bruta da Inez Caria (...) há ainda a contribuição da Susa Monteiro, que me parece estar cheia de referências eruditas à arte contemporânea, ou então mostra apenas a tristeza profunda de um tenista que não consegue jogar ténis contra um cavalo. A fechar o livro, a Patrícia Guimarães colabora com a melhor bd do volume, não só porque ataca o importantíssimo tema da apatia provocada pela rotina quotidiana, como estiliza a narrativa num daqueles puzzles de deslizar peças, como que a dizer que a efemeridade da arrumação é mera ilusão e que o próprio caos é só mais um episódio da organização da vidinha. Mas a vida é só pathos? Não: a Cecília Silveira diz que também há espaço para minetes e para fisting com luvas de boxe, como que a lembrar que o sexo falocêntrico é também uma forma de violência e de exercício de poder sobre o corpo feminino.
Russo in A Batalha

(...) o muito interessante Nódoa Negra.
Jornal de Letras

NN

Ficam aqui algumas páginas:

Bibliografia das autoras na Chili Com Carne: 
MASSIVE (2009) c/ Marta Monteiro
Destruição ou BDs sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010 (2010) c/ Sílvia Rodrigues
Boring Europa (2011) c/ Sílvia Rodrigues
Futuro Primitivo (2011) c/ Inês Cóias, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro
Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno (2012) c/ Sílvia Rodrigues
QCDA #2000 (2014) c/ Hetamoé e Sílvia Rodrigues
- Askar, o General (2015) de Dileydi Florez
Malmö Kebab Party (2015) c/ Hetamoé
QCDI #3000 (2015) c/ Hetamoé
Maga : Colecção de ensaios sobre Banda Desenhada e afins (2015) c/ Hetamoé
Lisboa é very very Typical (2015) c/ Dileydi Florez
- Anarco-Queer? Queercore! (2016) de Rui Eduardo Paes, c/ Hetamoé
- Pentângulo #1 (2018) c/ Cecília Silveira e Dileydi Florez

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Whaaaaaaaat?


Cartas da Amanda Baeza numa apresentação japonesa... Ainda estão disponíveis na Feira do Livro de Lisboa! E algumas lojas...

Mundos em Segunda Mão - Volume 2 / LIVRO DO DIA DA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA


Mundos em Segunda Mão, volume 2
por
Aleksandar Zograf

Mais um volume cheio de crónicas em BDs publicadas originalmente na revista Vreme, na Sérvia, e depois um pouco por todo o lado. Com prefácio e "CineKomix" de Edgar Pêra

recomenda-se (...) vale a pena conhecer o universo único deste autor, da arqueologia da cultura popular a entrevistas com artistas contemporâneos, passando pela análise de estranhos (mas reveladores) objetos encontrados em feiras da ladra e alfarrabistas por toda a Europa. Jornal de Letras

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Em português, traduções por Sara Figueiredo Costa, Marcos Farrajota e Manuel João Neto. Legendagem DTP e design por Joana Pires.
68p. 16,5x22,5cm a cores.
500 exemplares.

Historial: lançamento na SNOB (Guimarães), 19 de Dezembro 2015, com uma conversa entre Manuel João Neto (tradutor, co-autor de Terminal Tower) e Marcos Farrajota (editor) e projecção de "cinekomixes" de Edgar Pêra ... lançamento lisboeta no dia 22 de Março 2016na sala Luís de Pina da Cinemateca com as presenças de Marcos Farrajota (editor) e Edgar Pêra (que assinou o prefácio e os "cinekómix" do livro) e a exibição do filme On the quest for… Beograd Underground (Espanha / Sérvia; 2012) de Muriel Buzarra. ...

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à venda na loja em linha da CCC e ainda na Mundo FantasmaMatéria Prima, ZDB, Linha de Sombra, Tasca MastaiTigre de PapelUtopiaRastilho e Palavra de Viajante.

Atenção: as BDs de Zograf não tem continuação, o que significa que ler este volume implique ler o anterior - que ainda está disponível aqui.


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Excerto do prefácio de Edgar Pêra: 

Conheci o Aleksandar Zograf há 10 anos. Soube que vinha a Portugal e, como forma de o conhecer, fiz–lhe uma entrevista em formato BD para o jornal Público. Falámos sobre a importância do universo onírico e do estado hipnagógico na sua obra e também da sua vida enquanto Saša Rakezić, vivendo sob os bombardeamentos da NATO. 

(...)

Tal como as antigas colunas gráficas de “Ripley’s Believe it or not”/“Sabia que?”, estes Mundos em Segunda Mão compõem um mosaico de curiosidades interessantíssimas, que tem tanto de geral como de particular. É um universo de conhecimento partilhado. Este segundo volume prossegue a caminhada do pioneiro, com algumas diferenças e excepções. Todas as sequências – quer sejam sobre o Cinema 3D de província ou sobre os campos de concentração – merecem sempre as mesmas duas páginas. Mas, perto do fim do livro, Zograf dedica cinco capítulos a um caderno diário perdido num alfarrabista de rua: com A História de Radoslav coloca-se ao serviço de um desconhecido e homenageia-o narrando excertos da sua vida. São estórias recheadíssimas de peripécias, que por si só dariam um grande romance. Por se tratar de uma adaptação é aparentemente a sequência que mais se aproxima da banda desenhada dita convencional. Mas o seu final abrupto obriga o leitor a regressar ao ambiente de descoberta meteórica do resto do livro. 

(...) 

Estes Mundos em Segunda Mão são afinal mundos em primeiríssima mão, passam sempre pela subjectividade do autor, pelo seu olhar e pelo critério de selecção das narrativas a ilustrar, resultado de uma compulsão para transformar as suas observações e experiências em sequências ilustradas. A vida é revelada sob o prisma da sua arte: pormenores excêntricos merecem atenção triplicada, memórias secundárias são reactivadas. Olhamos para o real sob um ângulo singular. Sem olhar para o umbigo, sem proselitismos, sem querer dar lições de vida, Zograf ensina-nos a olhar para ela de outra forma.


Historial: Lançado no dia 21 de Novembro 2015 na Feira Morta com apresentação por Marcos Farrajota (editor) e projecções de "cinekomixes" de Edgar Pêra... Apresentação na livraria Snob (Guimarães) a 19 de Dezembro por Manuel João Neto e Marcos Farrajota e projecção de "cinekomixes" de Edgar Pêra ...

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Feedback: 
  Zograf ilustra um passado histórico e pictórico que me interessa muitíssimo, seja a recordar episódios de guerra, os bombardeamentos na sua cidade natal, a apresentar os "tesouros" que invariavelmente descobre em feiras de rua ou a contar episódios de infância, passados no seu país, que me parece tão parecido e tão diferente do meu. 
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Este volume dá continuidade ao peculiar método de escrita de Zograf, que o aliará a autores como Bill Griffith, David Greenberg ou David Collier: autores que, em vez de criarem imensos blocos de reportagens ou explorações monumentais de um tema (o que podem igualmente fazer), concentram a maior parte do seu trabalho em curtos ensaios ou “artigos” em torno de notícias, eventos, personagens ou aspectos da realidade humana que não parecem possuir qualquer importância para a transformação das sociedades. (...) Como explica de modo perfeito o prólogo de Edgar Pêra, estas “notículas” fazem-nos lembrar as rubricas Ripley’s believe or not. Breves mas intensas, o modo como Zograf as parece “cortar” sem qualquer tipo de crescendo ou resolução emocional apenas as torna ainda mais inquietantes, promissoras e fantasmáticas. 
Pedro Moura

Garantidamente que o Sérvio entra directo na tertúlia, visão livre e sem rodeios, autêntico um elixir cerebral. Não conhecia, obrigado pela partilha de outros mundos, o de todos. (...) Tripante!
Era Uma Vez Um Tímpano (via email)

sábado, 3 de setembro de 2022

Lúcidos, Sãos e Determinados marcham para o FIM!


O novo Mesinha de Cabeceira do Luís Barreto compila as melhores BDs da sua série para a gen ZDanny & Arby

São episódios do quotidiano urbano-depressivo das pequenas cidades, com referências musicais, freak outs e humor de janado, garantimos pelo menos uma (1) expiração forte pelo nariz durante a leitura e pelo menos uma (1) aproximação da página à cara para tentar perceber “mas que raio é que este gajo desenhou aqui?” 

 Co-edição Associação Chili Carne e Culectivo Feira, limitada a meros 80 exemplares por falta de papel nas gráficas, mesmo assim são 40 páginas em papel amarelo, capa a cores, um luxito que vai desaparecer enquanto o diabo esfrega o olho!

Estes "Lúcidos" é o número 35 do Mesinha que ao comemorar os seus 30 anos de existência fez um "back to basics" que não se subscreve apenas em fazer "small press" mas sobretudo publicar futuros grandes autores de BD!

E já agora, um entusiasta comenta: Foda-se, finalmente uma BD que homenageia a única banda portuguesa merecedora de homenagem,... os Repórter Estrábico! - unDJ MMMNNNRRRG dixit.

ESGOTADO
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FEEDBACK:

Já li o zine do Luís Barreto e curti bastante. De facto, está próximo do Hanselmann, numa vinheta até apanhei lá uma referência ao Werewolf Jones (seria mesmo?)... Mas acaba por assumir uma linguagem própria e coerente com o discurso e interesses do próprio autor. Ok, estão lá as drogas, as questões woke e afins da actualidade e tudo mais... Mas ainda assim não olho para isto como pastiche do outro mas como algo que me deu gozo ler por si só e gostava de ler mais. As referências musicais e as letras das músicas integradas na BD são mesmo uma novidade e achei isso muito fixe. Muito bem. Espero ver mais cenas dele dentro deste universo, histórias maiores talvez... Com mais investimento na parte gráfica (ou não, como ele quiser)...
André Oliveira (via email)

É o Simon de Santo Tirso!
Marte
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Sobre o autor: Luís Barreto (Porto; 1997) vive em Santo Tirso e trabalha num armazém. Tem um mestrado em Tradução sendo portanto um auto-didacta na música e BD, áreas por onde se expressa artisticamente. A sua banda O Triunfo dos Acéfalos já passou no Portugal Fashion (!), o disco OX foi considerado um dos 50 melhores discos portugueses do ano 2020 por uma revista espanhola (!!) e tocaram na primeira Marcha LGBT de Esposende (!!!). No número de Setembro sai a sua colaboração na secção Será a caneta mais poderosa que a espada? no Monde Diplomatique pt, novamente usando Danny & Arby, a virem-se com os "Apanhados da TVI".

Não sabemos como mas vamos a isto também com a feira do livro a decorrer (ufa)

 


à FEIA.2 - remember? E ainda ao "Motel":