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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ontem, a festa dos 20 anos da Chili Com Carne foi mesmo a partir!

Ontem foi festão!!!! Contratamos os egípcios E.E.K. e DJ Quesadilla para comemorar os 20 anos reais da Associação Chili Com Carne na Galeria ZDB, de que desde já agradecemos profundamente pela excelente recepção, e também temos de declarar um agradecimento enorme aos músicos que foram maravilhosos! Os dois bateristas e o gajo dos teclados mostraram o que é música neste país de pichas-moles e como sempre o Quesadilla não perdoa no pé de dança!

Apareceu muita gente, muitos sócios da Chili, desde o Camarada Fonfon ao Jibóia, tal como estavam também também presentes alguns VIPs (very important punks) como os artistas Walt Thisney, João Fonte Santa, Brick Duna, Daniel Dias, makearevolution, Max Tilmann e Xavier Almeida - que se fez sócio, é o 163! E músicos como o gajo de Acid Acid, Allen Halloween, dois "bros" de Black Taiga e a Ana (ex-Baton Rouge e outros mil projectos). E claro muitas flausinas, "bichas-da-coca", freak chics que compõe a fauna de uma noite habitual da ZDB.

Obrigado a todos que apareceram e ainda mais a todos os apoiantes desta associação única em Portugal. Nestes 20 anos conseguimos bom amigos em ambientes hostis ao nosso programa editorial e artístico. A todos os artistas, autores, bibliotecas, críticos, doidos, editores, empresas, escolas, fanzines, festivais, galerias, impressores, instituições, jornalistas, lojas, museus, músicos, okupas, organizações, programadores e web-people que nos tem apoiado: o nosso grande abraço!

É isso, chega de cenas lamechas!


foto: A. Kiala
PS - Ei! E o "boss" da ZDB, o Natxo, ainda ofereceu champagne aos sócios da "Txili"! Gracias!

PPS - Temos recebido algumas queixas de alguns sócios e amigos de não terem recebido os convites para esta festa "pública-secreta". Foi provavelmente por causa de uns problemas com o servidor que não receberam, lamentamos o sucedido mas em 2017 podemos comemorar mais 20 anos - desta vez os "oficiais" porque só a 22 de Abril de 1997 é que um Notário se dignou a aceitar o nosso pedido de formação de associação... tempos estranhos aqueles, os anos 90!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Milhões de Pilas

Correu bem melhor do que se estava à espera... ou então, não! O público do Milhões de Festa não é o mesmo público-escumalha da Zambujeira ou o público-pseudo-alternativo dos outros festivais grandes de Rock. E compraram montes de livros, zines e discos,... A aposta foi ganha, se calhar nem havia uma aposta para fazer!

Chegamos na Sexta-Feira e ainda vimos esse monstro dançante Otto Von Schirach que compensou tudo antes e depois do festival. Quem não o conhece e dança a música deste tipo é parvo e merece morrer!!! Ainda houve nessa noite bandas revivalistas para todos os gostos sendo o melhor momento no meio disso o encontro em palco das duas bandas míticas lá da terra de Barcelos, os La La La Resonance (ex-membros dos The Astonishing Urbana Fall, uma das poucas boas coisas que aconteceram em Portugal nos anos 90) e os Black Bombaim. Foi uma espécie de "jam ensaiado" intergeracional porreiro que ao menos não soava a mofo ou a retro. Otto arrasou e não haverá mais nada de memorável dessa noite.

No Sábado à tarde, montamos as mesas perto do palco Taina, gerido pela Dedos Biónicos, e obtivemos um excelente contacto com o público. Um público que era pendular entre o Taina e o palco da Piscina - que não visitamos porque não podiamos deixar o posto,  perdendo assim o grande "ex-libris" do Milhões e pior ainda, os Surya Exp Duo. A música no Taina pareceu a mais coerente do Festival porque focava em Rock e em Rock apenas, algum mais prá esquerda do cérebro outro mais convencional. Por exemplo, foi fixe ver que os Quartet of Woath são bons ao vivo apesar de serem insuportavelmente limpinhos em disco.

Barcelos pareceu ser uma cidade simpático e realmente o Milhões merece o estatuto do festival mais "cool" do país. O nível de stress é zero mesmo quando nos recintos estamos cercados por seguranças com pinta de militares frustrados - eles queriam era estar a defender-nos de Espanha ou de Marrocos (ou da Alemanha Nazi-Kapital) mas não... têm de ficar ali a aturar malta e a ouvir a batucada voodoo dos HHY & The Macumbas! Pobres diabos!

Por falar nisso, esta banda do Porto foi o melhor que aconteceu na programação mal enjorcada de Sábado, em que o pior de tudo foi a quebra total que um tal Dam Mantle trouxe. Man! Ibiza às 22h? Enganei-me no festival? Onde estão as gajas de saltos-altos bêbadas prontas para serem violadas por gajos de camisas brancas de alças? Vai haver "racing" daqui um bocado? Fuck!!! Que enorme monte de esterco! Felizmente houve EyeHateGod nessa noite, os seminais Sludgers! Embora, novamente essa noite tenha sido um suplício para passá-la, incluíndo a banda do camarada João Maio Pinto, baixista nos Loosers - banda que mais uma vez mudou de estilo e forma e tudo mais. Além do nosso querido ilustrador, parece que fazem parte da banda uma figurinha negra mítica qualquer (falaram-me que esteve metido com os Funkadelic?) e o Fernando Cunha dos Relfins e Desistência (?). Tudo chato nessa noite, sabe-se lá porquê... Acho que foi mesmo falta de tomates para colocar os nacionais Macumbas a tocarem à noite e não às 20h com quase ninguém no recinto. Os Macumbas estavam bem oleados, com pica para bater em congas e afins e teriam dado boas alucinações a quem já estivesse nos estados narco-qualquer-coisa habituais nesta vida de festivais de verão. Teriamos tido fantásticos pesadelos com os tipos se tivesse acabado a noite com as batucadas e Dub deste colectivo de simpáticos "weirdos".

Por causa de nulidades como Octa Push tivemos de beber imenso para ir prá tenda para encontrar um Domingo cinzento, chuvoso, que insistia no mau-tempo e que não nos deixou montar a banca porque, como bem sabem, livros e água não combinam em nada. E com isto nem livros nem Jibóia Experience que prometia ser algo nessa noite. Voltamos para casa, a pensar que Deus ficou chateado com os EyeHateGod...


O mercado de edições independentes que organizamos até teve novidades editoriais. O primeiro e simultaneamente era lançado na inauguração da excelente exposição Lixo Futuro, é o Musclechoo, vol. 1 (Ruru Comix; 2013) do Rudolfo. Quem se lembra do primeiro número desta coisa? E porque não é o número dois? Deve ser cena de putos... E é mesmo, a personagem é um misto teenage-wet-dream de Rambo e Picatchu - quem adulto gostaria de ver os dois num só? Diversão pura de javardar com a cultura Pop, Muschechoo é feito em cima do joelho embora a lambideza de Rudolfo comece a aparecer a meio deste novo volume. Excelente produção esta edição! E adivinhem porque chamei este "post" de "milhões de pilas"? Só lendo!  Encomendem antes que esgote!


E se o Rudolfo estava no Porto, apareceu-nos o Artur Escarlate com dois mini-zines seus, o Portátil / Volátil (cheio de vaginas) e o Segredo (cheio de... pilas!)... Porquê? Não faço mínima ideia, e tenho "mix fellings" sobre isto... Por um lado desenhos de orgãos genitais parece nos dias de hoje um tema tão chocante ou importante como desenhar elefantes ou ganchos de cabelos mas sobretudo é que sabe a pouco, duas ou três páginas A4 dobradas a fazerem A6, presas com elásticos fazem os zines. Truque engenhoso que nos obriga a abrir cada folha para descobrir cartazes pouco interessantes. Aliás, graficamente, os zines são podres (sujos) a dar uma ar amador de virgem embora Escarlate (é o verdadeiro nome do autor?) dê a entender que é um garanhão da tinta, a julgar pelos seus sítios em linha. O resultado é xoninhas com ou sem xoxotas. Porquê? (porquê? tudo)

 Por fim é de referir a K7 - desculpem, split-k7!!! - de Cangarra e dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS. Edição deste ano pela A Giant Fern, apesar de estar anunciado a um ano prá Feira Laica, só agora saiu em Julho. São 15 minutos para cada lado, para cada uma destas duas bandas mais activas do Noise Rock português. É curioso que são duas bandas bastante diferentes, em parte por causa do seu número de elementos. Os 2sci são mutantes, acho que só há dois elementos que estão "sempre lá" (nos milhares de concertos e nos registos áudio) mas nesta k7 aparecem com mais cinco músicos. A banda toda ela é nervosinha e volátil, quase nipónica e perto da demência, ao contrário de Cangarra que é um duo estável e racional, guitarra e bateria (a cargo do nosso Ricardo Martins) que preferem um psicadélico paisagistico cheio de detalhes para descobrir. Duas bandas, uma prá orgia, outra prá nicotina pós-coito, pelos vistos. Ah! o "artwork" da K7 foi feito pelo Ricardo e pela Margarida Borges, e impresso em risografia, a impressão que molha os designers dos dias de hoje com menos de 30 anos...

terça-feira, 2 de abril de 2013

Putos estúpidos!


v/a : Mixtape 1  (Coronado; 2012)

Caramba, ainda há pouco tempo falava das vaidades vinílicas (mal-)editadas e vêm este colectivo de músicos fazer algo parecido mas desta vez com uma K7! Com uma k7, boy!!!! Não é novidade haver K7s em que só está gravado um dos lados - o que ao contrário do vinil, não é um problema, grava-se outra coisa qualquer desse lado virgem e iupi! Viva a reciclagem! Neste caso, os dois lados até estão gravados mas cada lado não chega nem a metade da fita... Mais um mistério dos editores portugueses. Vamos lá à música!
A ideia da K7 como "mix-tape" do colectivo têm piada, não é bem uma mix-tape como se faz no Hip Hop mas antes uma colectânea em que várias bandas fazem versões de músicas uma das outras. Jibóia versiona Lydia's Sleep, estes fazem RA, RA faz Saur, Saur Cangarra, Cangarra Equations, Equations Jibóia... e só fugindo a esta fita de Möbius ou a esta magnética Ouroboros se preferirem, ninguém quer saber dos E.G.B.O. e eles vingam-se fazendo "cover" de Papaya! Na essência o que temos é o Techno-Allah de Jibóia, math-post-emocores psicadélicos com o resto das bandas, e tá tudo joía! Nada de perturbante ou manhoso que irrite. Chato é que demora uma eternidade as partes da fita sem som... Porra, acho que vou gravar faixas de Die Antwoord ou qualquer outra coisa para completar a k7.
Eu que passo a tentar convencer os meus amigos trintões / quarentões reaccionários a defender que os putos de hoje não são estúpidos, vejo-me a dar-lhes razão desta vez!!! Porra, mais vale ouvir isto no bandcamp! Se não fosse a capa / embalagem do "nosso" Afonso Ferreira não sei o que seria desta k7 cá em casa!

sábado, 16 de março de 2013

Lado B? Mas que lado b?



A Tree of Signs : Salt
Capitão Fantasma  : Canção do Carrasco 
(Chaosphere + Raging Planet; 2012)




Jíbóia (Lovers & Lollypops; 2012)

Eis três discos cuja única coisa que partilham é o facto de serem editados em vinil e ocuparem apenas uma das faces do disco... sim, é isso mesmo, só há um "lado A" ou se preferirem, uma vez que deixa de fazer sentido escrever "lado a e b", o que há é um "lado gravado" e outro não.

Na Era do Bandcamp para que raios quer uma banda ser lançado por uma editora fonográfica? Uma editora para gravar quando qualquer música consegue gravar em casa? Para lançar discos que não se vendem? Para lançar discos de poucos exemplares para meia-dúzia de fetichistas de discos físicos? O Bandcamp permite as bandas colocarem música para se ouvir gratuitamente, para descarregar gratuitamente ou não, e já agora ainda se pode vender objectos físicos (discos em vinil ou CD). Teoricamente ter uma editora pouco interessa às bandas nos dias de hoje no entanto! No entanto muitas das bandas underground pagam aos editores para as lançar - não sei se é aqui algum dos casos, acho que não acontece com nenhuma delas - isto porque uma editora ajuda naquilo que os artistas não sabem ou são incapazes de fazer, que é promover e distribuir o seu próprio disco.

O que significa que nos dias de hoje, o trabalho de um "editor" esteja em risco de desaparecer porque não pode fazer lá grande coisa quando é a própria banda que lhe está a financiar a empresa (quem vai mandar numa situação destas? quem paga a conta afinal?) e porque os artistas não parecem saber "editar" o seu trabalho. Esta última questão é mais ou menos grave, significa que os músicos ou artistas não conseguem ter uma visão do que deve "sair" ou "entrar" no seu trabalho quando exposto publicamente, ou não tem confiança em si próprios para arriscar no formato certo ao qual a sua música deveria se materializar.

Se incluirmos as restrições orçamentais - convenhamos que nem a banda nem a editora sejam ricas - vamos assistir a estas deformidades que temos aqui presentes. Gravar um disco em vinil porque é "cool", é uma espécie de vaidade - "o vinil voltou" é o chavão que se aplica. O que é lamentável é que estas bandas não tiverem nem coragem nem vontade de fazer a coisa como deve ser, como por exemplo editar os discos de 10" (que é mais caro que fazer um maxi de 12" mas muito mais sexy! Vide Çuta Kebab & Party) ou fazer mais músicas para ter dois lados, ou convidar outra banda para fazer um split. Na produção musical portuguesa vive-se um estranho e renovado solipsismo e confusão mesmo que se vivam estes tempos da crise eterna do "fim dos discos" e da crise económica. Adiante!

A Tree of Signs tem elementos ligados ao Black Metal português (Corpus Christii, Mother of Hydra) mas deixaram isso na prateleira para fazer um disco de Doom assim "soft", em formato de power trio com voz feminina que também toca orgão - soa mal escrever isto assim, bem sei. A gravação é limpinha como um cu de gatinho depois de lambido pelo próprio. Somos levados para um Heavy clássico que prefere ser ritualista do que demoníaco, talvez por isso que temos um meio-LP de cerca de 24m justamente para não interropermos a cerimónia para mudar de lado, né?

No segundo caso há ainda mais mitrice, além de só termos um lado gravado de um single 7", ainda para mais temos apenas um tema seguido pela sua versão instrumental - teoricamante para quem quiser fazer Rock'n'Karaoke. A capa é preto e branco sem atrair muito mas o vinil é vermelho sanguinário q.b. Tema Rock'n'Roll com laivos de Surf como sempre muito bem feito por estes veteranos que é impossível apontar defeitos. O disco serve para alimentar o culto envolta da banda... Acho que vou comprar um leitor mp3 depois disto!

Jibóia é a revelação de 2012! E será de 2013 agora que há finalmente disco! Depois de ter tocado em toda a sala de espectáculos, bares, teatrinhos e espaços exóticos (hoje toca num restaurante Kebab no Porto!!! vão vê-lo CARAGU!!!), finalmente saiu o maldito disco - verdadeira saga exaustiva para o encantador de serpentes Óscar da Silva. Jibóia é um "one-man-band" que usa guitarras digna do Rock turco e beats sujos de um Omar Souleyman (embora num dos temas vêm à cabeça o House manhoso do Cães de Crómio, tema Techno dos Mão Morta do álbum Vénus em Chamas). É portanto um verdadeiro apetitoso caldeirão da Aldeia Global que merecia uma capa decente e um Lado A. Vale pela música, o objecto temos tantas dúvidas como os outros acima referidos, shame on the nigga...