1 livro 1 disco 1 zine (2)
No cômputo geral é Industrial, sendo Thir mais próximo de experimentação electrónica a lembrar os saudosos tempos da Thisco, à procura do "fantasma da máquina", como escreveu Rui Eduardo Paes num Bestiário, enquanto que Death Posture é mais funcional num Dark Tekno que seria uma bela dança se houvesse pistas de dança para esta música em Portugal - existem? Duvido... Não impressionam apesar da qualidade do som, composição e produção mas sobretudo sabe a pouco, são apenas quatro temas apenas nem dá para atropelar ninguém, conscientemente ou não, ao ouvir a k7 no carro... I want more!!!
São duas histórias cada uma numa parte do livro, The Great Hierarchy é uma cosmogonia surreal e sexualizada, que só iremos perceber - ah, esqueci-me ambas BDs são de continuação, ou melhor divididas em 6 capítulos ou seja o Doghead irá ter 6 volumes - se tem pernas (e/ou pénis e/ou vagina) para andar depois de lermos esta "introdução". Longe da tontice do Suckle e a meio caminho do Crumple - embora este fosse uma ficção especulativa feminista. L'architecte já é outro animal completamente diferente, passa-se nos anos 70 em Nova Scotia (onde o artista nasceu) e mete uma trama com um edifício brutalista na narração. Uma personagem feminina voluptuosa leva-me logo a pensar que isto está na linha das tensões psico-sexuais do erótico Ripple mas cheira-me que isto vai dar em algo entre o Hitchcock ou o recém-falecido Lynch. Promete!!
O traço de Cooper está excelente, sempre com detalhes excessivos em matéria de vegetais e ovais, usando traços a duas cores. A editora é francesa mas está a publicar sobretudo artistas não-PCs norte-americanos e japoneses mas também o "nosso" Carlos Carcassa... Ou seja os livros estão para o pseudo-esperanto do inglês.
Por falar em "pseudo-esperanto", não será a BD sem palavras essa oportunidade de comunicação universal? Duvido muito porque o desenho, ou melhor, as representações pictóricas e as culturas nunca são uniformes, por exemplo, um quadrado com uma porta e janela (mais quadrado dentro do quadrado) e um telhado que é um triângulo não quererá dizer casa para algumas culturas em que estas não se assemelham a nada disso... Os dois números do ano passado da revista eslovena Stripburger foram "mudos", ou seja, publicaram BD sem palavras. Internacionalista como sempre encontramos vários nomes de toda a parte do planeta. O número 84 em especial tem uma boa selecção de BDs, bastante impressionantes como já não acontecia a algum tempo, em que destaco o português Bruno Borges, os alemães Alexandra Rügler, Andy Leuenberger, Lili Gaigal e Nadine Redlich (também autora da divertida capa), o belga Simon De Waepenaere, o grande gringo Peter Kuper e os franceses Nicolas Presl e Gary Colin.Sendo um número especial, o tradicional "suplemento tradutor para inglês que costuma acompanhar a revista desta vez inclui o índice, a ficha técnica e um artigo sobre o mestre da BD muda Jim Woodring. Um grande número!!!
A revista encontra-se distribuída em Portugal na livraria Tinta nos Nervos e a colecção completa da publicação pode ser consultada no acervo da Bedeteca de Lisboa.
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