segunda-feira, 30 de março de 2026

Vamos vos apresentar à Família - na STET


Família

de

Júlia Barata

.

9º volume da Colecção RUBI.

232p A5 2 cores + capas duplas 1 cor + sobrecapa 2 cores 

+ oferta de zine Umas amigas limitado a 100 exemplares (esgotado)


Disponível na nossa loja em linha e nas lojas Kingpin Books, Linha de Sombra, Matéria Prima, Snob, STET, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Vida Portuguesa, ZDB, Greta, Cult (Lisboa), Cassandra, Mundo Fantasma, Socorro (Porto) e Velhotes (Vila Nova de Gaia). E TFM (Frankfurt) e Língua nos Dentes




página de Umas Amigas

Depois de uma vida nómada - com paragens em Lisboa, Porto, Maputo, Barcelona e Roterdão, Júlia Barata, arquiteta e artista gráfica, estacionou em Buenos Aires há 11 anos, depois de uma mudança agitada que ilustra no livro Gravidez (Tigre de Papel; 2017).

Família, que poderia ler-se como uma sequela de Gravidez, reflete sobre a construção e desconstrução de um núcleo familiar, entre registos de autobiografia e autoficção. Ainda assim, existe uma coerência narrativa nesta obra que descreve os ziguezagues emocionais de uma mulher num período de mudança, de uma mãe e esposa que precisa de fugir da família que formou.

A pujança artística de Barata está aqui a galope. Relata pequenos "slice-of-lifes" com ar fofinho num diário Moleskine, bem ao sabor de muita da produção contemporânea infantilizada que se vê por aí. No entanto, ao contrário do que se espera, esses momentos inócuos servem para serem trucidados por uma angustiante representação de uma depressão.

Nada é simples por aqui. O tom minimalista dos desenhos é realmente uma interpretação sem filtros, sem moral e sem pedagogia. Se uma família é vista em geral como um espaço uniforme, nesta Família luta-se para que a liberdade individual seja tão respeitada como o compromisso institucional. Será (ainda) possível?


 
Disponível na loja em linha da Chili Com Carne e nas lojas Kingpin, Linha de Sombra, Matéria Prima, Snob, Tinta nos Nervos e Tigre de Papel.




Feedback

(...) o seu novo livro Família, que dizem as más-línguas que foi a razão da “BD Porcalhota” ter bloqueado a Chili Com Carne no seu certame de BD para rapazes e velhadas…
 
 (...) Júlia Barata deposita nelas questões mais transversais sobre papéis sociais, sobre ser mulher, relacionamentos, depressão e desejo, numa abordagem punk, feminista e livre. (...)

li o livro Família (...) e adorei aquilo tudo, o desenho, a maneira gira como não faz quadrados, as estórias, o fio da narrativa, as situações...  o uso do vermelho no desenho... TUDO! SETE ESTRELAS, MESMO!!
Rafael Dionísio (via email)
- Sete Estrelas!?
- Em cinco!
 
Fantástico trabalho de grande fôlego (...)
Jornal de Letras

Esta é uma banda desenhada de contornos (ou antes, sem contornos) invulgares, onde os desenhos seguem livres pela página. Aqui não há pranchas, tiras ou vinhetas que os separem e os contenham, pois o movimento é transmitido pela sobreposição sequencial de desenhos. Se foi das novelas gráficas que me mais me cativou nos últimos tempos não é só por culpa dos balões vomitados pela boca das personagens, mas também ajudou.
 

 

Historial

Lançamento no 21/12/2024 na Tinta nos Nervos com presença da artista e uma exposição de originais - patente até 18 de Janeiro 2025.

...

Entrevista no jornal O Despertar

...

artigo no Público / Ípsilon


Cartas Inglesas na STET


Está disponível na Snob, Tigre de Papel, Kingpin, Linha de Sombra, Mundo Fantasma, Tinta nos Nervos, Fundação Eça de Queiroz, ZDB, STET, Matéria Prima, Vida PortuguesaCult, Socorro e BdMania. 
 
 E claro, na nossa loja em linha!!! 



64p 16,5x23cm a uma cor, capa a uma cor.


O novo livro de Francisco Sousa Lobo colige 14 ensaios visuais planeados entre Londres e Tormes (graças ao apoio de uma residência literária da Fundação Eça de Queiroz), e desenhados em Tormes. Eles variam entre a observação social (e nisto conversam com as Cartas de Inglaterra de Eça), a digressão poética e a autobiografia. São a prova de uma vida dividida entre Portugal e a Inglaterra, e do que acontece nesse espaço.






Cartas Inglesas foram feitas graças ao apoio da uma bolsa de residência literária Eça de Queiroz, fruto de uma parceria entre a Imprensa Nacional - Casa da Moeda, a Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e a Fundação Eça de Queiroz.




HISTORIAL




FEEDBACK

(...) autor ímpar no panorama da banda desenhada portuguesa, dedicado ourives de narrativas visuais onde a abordagem autobiográfica, a deriva poética e uma certa ideia de memória como construção se cruzam exemplarmente. Cartas Inglesas reúne catorze ensaios visuais cuja construção foi decorrendo entre Londres, onde o autor vive, e Tormes, sede da Fundação Eça de Queirós, lugar onde Sousa Lobo passou algum tempo em residência literária e que ajudou a convocar as queirosianas Cartas de Inglaterra, livro com o qual esta banda desenhada dialoga profundamente.


(...) as experiências em Inglaterra enquanto estudante, artista, docente, cidadão, emigrante, utente do sistema de saúde, português, europeu, crente cristão, leitor de filosofia. Todos estes círculos com relações entre si nem sempre necessariamente concêntricas, mas criando uma ideia fantasmática de alargar o escopo a cada capítulo. (...) As observações que faz são súbitas e iluminadoras (mas de uma maneira à la Bergson, em que é a revelação repentina do obscurecimento humano em que participamos que mais importa). Sofre num mesmo nível. Poder-se-ia dizer que é a canga do cristianismo. Poderíamos dizer que é tão-somente a condição da “compaixão” (termo discutido). Eu diria que é a consciência de não termos alguma vez saído do rés-do-chão.



Deserto e Nuvem [edição regular] disponível na STET

1 claustro vazio em Évora
1 ordem católica de silêncio e solidão
1 inquérito espiritual
2 livros num só 
20 cartas sem resposta 
Muitas visitas do autor em dúvida
 
+

uma reedição
uma edição regular
4 novas páginas de intodução
 


 A LowCCCost é a nossa colecção mais mediatizada, premiada, com sucesso de crítica e público. Assim foi inevitável reeditarmos o "livro-duplo" Deserto e Nuvem de Francisco Sousa Lobo, originalmente lançado em 2017. 

Verdadeiro marco teológico que regista os últimos sopros da vida monástica dos monges cartuxos no Convento de Évora. Passado pouco tempo estes emigraram para Barcelona, mais próximos do IKEA e da praia. 

É também um verdadeiro marco na BD portuguesa por ter ganho os "Jedis da Bedófilia", isto é, os prémios dos principais eventos de BD em Portugal mas também surpreendendo noutras áreas como a do Design pelo seu aspecto "duplo" ("split") com um acabamento em acordeão a segurar ambos os livros. De um lado Deserto sobre a visita de Lobo ao convento e de outro Nuvem que ilustra 20 cartas sem resposta endereçadas a um monge cartuxo. 

Esta nova edição, que lhe chamamos de "regular" porque é uma encadernação brochada, lê-se em primeiro a BD Deserto seguida pela Nuvem e inclui, antes, uma BD (inédita) de introdução (de quatro páginas) do autor. Daí a inclusão de "e" entre os "dois livros", já não é opção ler um ou ler o outro em primeiro... 





 





Sexto volume da colecção LowCCCost editado por Marcos Farrajota com arranjo gráfico de Joana Pires e publicado pela Chili Com Carne.

192 páginas a 2 cores, 16,5x23cm, capa a 2 cores

Disponível na nossa loja virtual e na BdMania, Kingpin Books, Linha de Sombra, Matéria Prima, Snob, SocorroSTET, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, A Vida Portuguesa, Utopia e ZDB.








+

HISTORIAL


Edição original lançada na Feira do Livro de Lisboa em 2017. 
...
Nova edição lançada no dia 11 de Abril de 2024 na exposição Paper Wraps Rock na galeria da escola Ar.Co., em Xabregas com a presença do autor (que reside em Inglaterra)
...
Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal
... 
Prémio Nacional para Melhor Álbum Português e Melhor Argumento pela BD Amadora 2017 
...
Melhor Álbum e Melhor Argumento nos Galardões Comic Con 2017
...
Escolhas de 2017 no Expresso
...
Melhores de 2017 no Máquina de Escrever
...
Melhores 2017 no La Cárcel de Papel
...
Best Comics of 2017 in Paul Gravett site
...
apresentação no Festival Literário de Berlim de 2018
...
exposição retrospectiva na BD Amadora 2018
...
Obra seleccionada para Best Book Design From All Over the World, da Stiftung Buchkunst, no âmbito do Prémio Design do Livro 2018 + exposição na Torre do Tombo (entre 14/11 e 31/12/18)
...
artigo sobre Cartuxos e o livro no Diário de Notícias
...
participação na exposição e catálogo Viagem ao Invisível (2019) coordenado por Luís Santiago Baptista e Maria Rita Pais





Deserto e Nuvem são obras de longo curso que examinam a forma de vida na Cartuxa de Évora, onde alguns monges resistem aos costumes do mundo, em absoluto silêncio e solidão. Serve este exame de pretexto para focar a própria natureza da fé humana, do apego às coisas do mundo, do que nos faz sentido. 

Deserto é composto de uma única narrativa centrada numa semana passada junto a Scala Coeli (escada do céu), que é como se chama a Cartuxa de Évora. É um livro quase jornalístico. 

Nuvem é composto de 20 cartas endereçadas a um monge cartuxo, e pode ser lido como uma resistência contra ambos os extremos que circundam a fé – o extremo que sabe que Deus não existe, e o extremo que se contenta com absurdos.

+

Francisco Sousa Lobo (1973, Lisboa) vive em Londres desde 2005. Faz BD desde 1980. Estudou e praticou arquitectura durante dez anos. Agora trabalha em artes plásticas e banda desenhada, e não distingue já bem entre as duas coisas. Expõe em Inglaterra e Portugal. Estuda a nível de doutoramento (arte) em Goldsmiths College. Participou em vários jornais universitários, no Público e na Art Review. Também publica nas áreas da crítica artística e estética. 

 Na Chili Com Carne participou nas antologias Mesinha de Cabeceira, Zona de Desconforto e Pentângulo. Em 2013, o seu livro The Dying Draughtsman – O Desenhador Defunto inaugurou o romance gráfico na Chili. Em 2015 é lançado The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros, romance gráfico vencedor do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! e que já viu edição em Espanha e França. Em 2021 é lançado Gente Remota, um romance gráfico que toca nas feridas colonialistas portuguesas, trabalho ficcionado a partir de entrevistas com quatro ex-veteranos da guerra colonial. O seu mais recente livro, Cartas Inglesas, colige 14 ensaios visuais planeados entre Londres e Tormes (graças ao apoio de uma residência literária da Fundação Eça de Queiroz), e desenhados em Tormes.





... 

FEEDBACK
 

No caminho que levou a Deserto/ Nuvem, que se pressente longo e hesitante (a vários níveis), Sousa Lobo tenta construir pontes frágeis entre estes vários aspectos, como o harmónio de cartão que une os livros. E, sobretudo, procura acreditar nelas. Para além do fascínio com a vida e opções dos cartuxos, e os paralelos que o autor estabelece com a sua arte, este é sobretudo um catálogo de dúvidas sem resposta. Como se duas obras semi-falhadas ou incompletas se resgatassem e engrandecessem mutuamente pela união enquanto gémeas siamesas invertidas; o onirismo poético de uma elevando-se na realidade de um Alentejo moribundo e sem rumo da outra; a qual, por sua vez, ancora a anterior. Na sua construção inclassificável este é um excepcional trabalho de Francisco Sousa Lobo, com elogios extensíveis à Chili Com Carne. Seria uma pena se (como os trabalhos de autores como António Jorge Gonçalves, Tiago Manuel ou Diniz Conefrey) não passasse bem para lá do universo da banda desenhada e dos seus rituais.
João Ramalho Santos in Jornal de Letras

(...) Livro que "pode ser lido como uma resistência contra ambos os extremos que circundam a fé", por um lado o "que sabe que Deus não existe" e o "extremo que se contenta com absurdos".
Nuno Galopim in Expresso

(...) a mais fascinante experiência de leitura de banda desenhada deste ano.
There is no doubt that Lobo’s obsessive and proficient output is even more surprising for both its aesthetic and philosophical commitment. I’ve argued elsewhere that Lobo’s overall project touches an incredibly original and complicated autobiographical or auto-fictional project, but this double book (two titles, Desert and Cloud, bound back-to-back) ticks all the boxes of a straightforward autobiography. Lobo spent some time visiting Évora’s Carthusian Monastery of Santa Maria Scala Coeli, with the goal of creating a sort of ‘live’ comic project. Based on his observations, talks and theological discussions with the monks, Deserto explores issues such as isolation, silence and the relationship with God, which genuinely concern Lobo as an anxious, suffering Catholic artist (a pleonasm, I’m certain). Nuvem, on the other hand, takes the shape of short letters, addressing the history of the order and this monastery, as well as some of the concerns mentioned above. One half complements the other, reinforcing the themes and clearly making them an intrinsic ingredient to the artist’s recurrent obsessions.
Deserto/ Nuvem es realmente una maravilla de Sousa Lobo -¡qué difícil, un cómic sobre la espiritualidad!- y también una maravilla de edición. Os felicito! 
Max (Peter Pank, Bardin, Vapor) por email

Todos os anos vou como um peregrino ao Festival de BD da Amadora (que este ano foi entre 26 de Outubro e 11 de Novembro) para completar colecções, comprar novidades ou descobrir antiguidades, mas desta vez saí de lá mais surpreendido do que o costume com um livro: não levei só heróis habituais como o Corto Maltese, o Árabe do Futuro ou um Paul Auster no saco das compras, mas também monges de clausura visitados por um autor português com raízes no Alentejo que vive em Londres e tem dúvidas existenciais sobre Deus e a religião: Deserto/ Nuvem (editora Chili com Carne) é uma novela gráfica original. Primeiro, porque é dois livros num só, que começam em cada uma da capas, ou melhor, em cada uma das contracapas: Deserto é sobre as visitas do autor, Francisco Sousa Lobo, ao Convento da Cartuxa, e a relação com os poucos e velhos monges com votos de silêncio que ainda lá vivem; Nuvem dá forma a 20 cartas de carácter sobretudo filosófico enviadas a um monge cartuxo; a ligá-los, uma planta desdobrável do convento dá ao livro uma textura de velho incunábulo, de lombada cosida à mão. É um belo objecto.
Mas não só. Sousa Lobo leva-nos em visita aos claustros, aos hábitos dos monges, à rotina e à perplexidade: seja-se religioso ou não, aquelas vidas suprimidas pelo silêncio naqueles espaços deixam-nos incrédulos. Abdicam do humano em favor do etéreo?, questiona o desenhador (e arquitecto) numa das cartas. O próprio autor está em cima do muro entre os crentes e os não crentes, mas tenta compreender o ponto de vista dos enclausurados e exprime um assombro perante aquela resiliência e desistência da vida comum: Há uma nuvem entre mim e os monges, uma admiração profunda deste lado, escreve. Francisco Sousa Lobo ganhou o prémio para o Melhor Álbum Português de BD em 2018. Percebe-se porquê. É merecido.

Em banda desenhada?


136 páginas de BDs curtas de Francisco Sousa Lobo, criadas desde 2004 até este ano.
Algumas são inéditas outras já publicadas, muitas em publicações estrangeiras, que assim são publicadas em português pela primeira vez. Algumas BDs são a preto e branco, outras tem mais uma cor e algumas são a cores. O formato é aquele típico do nosso catálogo: 16,5x23cm

Disponível na nossa loja em linha, BdMania, Tigre de Papel, Linha de Sombra, Mundo Fantasma, Nouvelle Librarie Française, Snob, Matéria PrimaKingpin BooksUtopiaSTET, A Vida Portuguesa e Língua nos Dentes.


A Sara Figueiredo Costa assina um prefácio que aqui transcrevemos parte:

Diz-nos a física quântica que o tempo não existe, pelo menos do modo cronológico, arrumado e em sucessão, o modo como o conseguimos ver e sentir. E diz-nos que tempo e espaço se relacionam de tal modo que serão, juntos, uma categoria única de descrição do que nos rodeia, uma ferramenta funcional para obtermos respostas tão precisas quanto o universo permite sobre si próprio. A física quântica não é fácil de perceber para a maioria da humanidade e é frequente que outras linguagens nos deixem intuir respostas que, não sendo mais claras, são mais facilmente apreendidas pela intuição. As histórias curtas de Francisco Sousa Lobo não falam de física quântica, cultivando as perguntas com muito mais dedicação do que qualquer resposta, mas talvez por isso mesmo sejam uma espécie de mapa possível para certas declinações do mundo, não as que descrevem o cosmos, mas as que envolvem o indivíduo, esse lugar estranho e inóspito onde o espaço-tempo tantas vezes ameaça desintegrar-se. 

(...) O desconforto que muitas das histórias reunidas neste volume criam no leitor não nasce tanto do desamparo encenado em cada prancha, ou da possibilidade de alguns ou muitos reconhecimentos emocionais, mas talvez do contraste provocado pela procura de uma racionalidade, um gesto narrativo e visual que transforme a matéria das histórias nas histórias em si. É esse o esforço que se descobre em cada história, e é esse o percurso que estrutura esta primeira narrativa do livro, de certo modo, uma antecipação certeira das que se lhe seguem. (...) Não é preciso mergulhar na física quântica quando temos à mão a nossa própria cabeça, o nosso próprio corpo e o lastro imenso de memórias e vivências que confirmam, a cada momento, que estamos sempre em presença efectiva de muitos momentos e que aquilo a que chamamos passado talvez seja, por inconveniente que soe, o nosso presente constante.

 E como bem descreve o Bandas Desenhadas: Pequenos Problemas é o livro mais recente de Francisco Sousa Lobo. Editado na série Mercantologia da Chili Com Carne, dedicada à reedição de “material perdido”, compila 15 bandas desenhadas curtas do autor, produzidas entre 2005 e 2018. Existindo algumas BD inéditas, as restantes foram editadas em publicações portuguesas ou estrangeiras, nomeadamente a Nyx, a Nocturnal, š! #20: Desassossego, Art Review, Mesinha de Cabeceira, Crumbs, Quadradinhos: Sguardi sul Fumetto Portoghese, Performance Research, Zona de Desconforto, Preto no Branco #4, Próximo Futuro e Jornal Universitário. As BD estrangeiras apresentam-se pela primeira vez em língua portuguesa.


FEEDBACK: 

Muito bom, o pequenos problemas do FSL. Parabéns ao autor e à Chili Com Carne. 
E.O.M. (por e-mail)

(...) «O problema Francisco era um problema de culpa.» Ora, a culpa inventa retroactivamente o pecado. Por isso, o retorno continuado para esse «país chamado infância» que surge em tantas destas bandas desenhadas, em que se busca aquietação, se procura respostas ou se tenta compreender o que se passou de errado. Voltar ao sítio do crime original para encontrar provas. «Voltei à infância e descobri falsos traumas». Que até poderiam ser tranquilizadores, se os conseguíssemos contrabandear como causas, explicações, desculpas. Nunca saramos da infância, temos aqui a prova nesta «intacta ferida» latejante. Só que as dores que permanecem não são produto de um acidente, um azar ou um desvio; são apenas a própria vida que acontece e a infância que passa, o desapontamento, a desilusão e o desespero que equivalem a crescermos em anos. Tantas destas bandas desenhadas remetem para esse passado, unicamente para atestarem que este exercício da autobiografia, mais do que um ato masoquista, toma os contornos de uma aldrabice, um fingimento. «A banda desenhada era uma doença». Por um «interesse doentio pelo desenho», se revela então uma inclinação para o «lado do mal» ou, por extenso, para «a literatura, a arte, e tudo o que há de mais nocivo e infértil nesta terra de deus desconhecido». Valha-nos, porém, que a banda desenhada pode ser paradoxalmente a terapia com que se recupera o poiso para a razão, ou que se usa para (auto-)representa rum «eu» liquefeito pela psicose ou que soçobra diante da enormidade da tarefa de viver.
é que é um verdadeiro livro de auto-ajuda, no sentido em que me poupa andar é procura de todas. As histórias foram produzidas entre 2004 e 2018, reunindo mais de 10 anos de trabalho. É muito interessante encontrar aqui muitas reflexões que surgiriam mais tarde no futuro e em obras mais longas de Sousa Lobo, onde ele continuou a explorar os temas de família, religião e importância da arte, além da descrição de certos episódios relacionados o colapso psicótico do autor, que desencadeou o famoso Desenhador Defunto. É realmente um privilégio a maneira como Sousa Lobo é tão aberto e honesto sobre esse momento difícil, tendo sempre algo novo a acrescentar, uma camada extra para compartilhar connosco.

domingo, 29 de março de 2026

Flash Point - versão Chili Com Carne - na Cult


10º volume da RUBI, a melhor colecção de Romances Gráficos em Portugal!

Co-edição com a Sendai - a versão da Chili Com Carne é limitada a 200 cópias e está à venda AQUI e na Cult, Linha de Sombra, Tigre de Papel, Snob, ZDB (Lisboa), Cassandra, Matéria Prima, Mundo FantasmaSocorroUtopia (Porto) e Velhotes (VN Gaia). E ainda da Língua nos Dentes...


..........................................................................

Num dia quente de Verão, uma jovem japonesa deixa de ir à escola. Como uma piada inofensiva, ela e o marido desempregado da sua irmã começam a fazer vídeos parvos no Instagram, gerando milhões de visualizações. Quando ela aparece nas fotografias num comício do Shinzo Abe, a diversão toma um rumo completamente surreal e assustador. Como se sabe, a 8 de Julho de 2022, o ex-primeiro ministro é morto a tiro... . Na era da pós-verdade ela é logo envolvida em teorias da conspiração e como símbolo da extrema-direita.

Flash Point de Imai Arata atreve-se a tratar um assunto tabu, evitado por todos menos o mais corajoso dos artistas japoneses.

Na verdade, este livro é sintomático do problema da Banda Desenhada em tratar dos dias que correm, sempre preferiu escrever sobre o passado ou desenhar o futuro, fazendo impressionantes reconstituições históricas (Bourgeon, Tardi ou Nunsky) ou projecções (quase sempre) distópicas (Moebius, Geof Darrow ou Katsuhiro Otomo). O presente é que é um problema, especialmente com as bulhas ideológicas que o mundo está a viver. Se calhar sempre foi assim mas agora parecem bater-nos mesmo à nossa porta diariamente, graças às redes sociais. Também é verdade que em cada época da História há temas que são tabu ou que sejam mal acolhidos - basta lembrar as lutas ecológicas dos anos 60 e 70, em que o grande público não simpatizava e que agora, que o planeta prepara-se para dar o grande peido, toda a gente é "ecologista". 

É de salientar a enorme coragem de Arata de comentar temas que são tabu no Japão, um país que até tem um sistema político democrático mas com uma lista infinita de assuntos que não se tratam... No aclamado mangá F criou uma realidade paralela pós-Fukushima com um imaginário envolta do horroroso Daesh. O livro só teve edição profissional no EUA. Pelo Japão foram apenas impressos 300 exemplares, distribuídos de forma "underground", isto é, num circuito progressista do mundo das artes - a BD estava associada a uma exposição com o colectivo Chaos*Lounge - e pouco mais. Numa entrevista Arata diz que talvez umas pessoas de Fukushima também tenham tido acesso, tornando a publicação "mítica", uma vez que no Japão nenhuma editora teria coragem de publicá-la. 

Neste livro Arata decidiu pegar em vários temas actuais como o fascínio tóxico das redes sociais, a grande renúncia (The Great Resignation em inglês), as invasões populares aos locais de poder (que entretanto o Trump "legalizou"!), as tentativas e (poucas) concretizações de assassinatos de políticos - diziam os Stealing Orchestra que De um Tiro à Socapa nem o Papa escapa mas só Abe Shinzo é que bateu as botas até agora...; já para não falar das Teorias da Conspiração (a maior de todas é que não revelaram a maior delas todas: porque raios tem sido eleitos como presidentes os burgessos com os piores penteados de sempre, WTF!?), a pós-verdade e a subida da extrema-direita à escala global.

Não se deixem enganar pelo ar pateta-pop deste mangá. Por detrás da sua estética comercial, o leitor vai ter comida para o cérebro, na melhor tradição de quem pratica a sátira.



 
Imai Arata (1992) é dos poucos artistas engajado politicamente e independentes nos dias de hoje no Japão. Desde 2009 que faz vídeos, animação, instalações e banda desenhada num estilo de pseudo-reportagem, explorando temas como os sem-abrigo, a imigração e refugiados - mas também temas mais leves como o romance e o quotidiano. O seu mangá mais conhecido é F (2015), publicado profissionalmente apenas em inglês pela Glacier Bay Books, em 2021, que explora uma distopia numa realidade paralela após o evento do desastre nuclear de Fukushima. Este novo livro, Flash Point (2023), é uma sátira política sobre redes sociais e o assassinato de Shinzo Abe, vencedor do Prémio Shunji Enomoto do 5º Prémio de Mangás organizado pela torch comics e obtendo várias referências nas listas de final de ano das publicações especializadas japonesas.


FEEDBACK

Ontem li o Flashpoint entre duas viagens de comboio. Parecia um maluquinho a rir-me sozinho com o quão bizarro o livro é. As referências à fauna cibernética japonesa (é universal) estão muito bem sacadas. Fora o comentário político surrealista, claro. Ajudou-me a sobreviver a mais um dia (...) Mas a que custo?!
Rudolfo (via email)


Fez-me lembrar a atmosfera sufocante no Japão durante a pandemia do coronavírus e as informações confusas na altura do assassinato do ex-primeiro-ministro Abe Shinzo. Ainda existem teorias da conspiração sobre a vacina, e o partido anti-vacina já conquistaram vários lugares no parlamento. A maioria dos japoneses é passiva e não costuma realizar manifestações ou algo do género. No entanto, durante a pandemia do coronavírus, houve pessoas que fizeram declarações inflamatórias.
(...) um manga muito interessante. Gostei da mistura de realidade e ficção.
Naoko T. (via email)

terça-feira, 24 de março de 2026

bla bla bla


 

Nódoa Negra - ESGOTADO


Projecto vencedor da edição de 2018 do concurso interno, Toma lá 500 paus e faz uma BD (2018), a antologia Nódoa Negra reúne as participações de doze autoras: Bárbara Lopes, Cecília Silveira, Dileydi FlorezHetamoé, Inês Caria, Inês Cóias, Marta Monteiro, Mosi, Patrícia Guimarães, Sara Figueiredo Costa, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro.

No nosso imaginário a Dor pertence ao campo físico, neste pensamento associamos sempre o nosso corpo a um estado de dor físico e facilmente nós esquecemos que existem vários níveis de dor, entre eles, a dor emocional/ psicológica, que por sua vez, ocupa o mesmo peso que a dor sentida fisicamente. Assim, partindo da vontade de trabalhar a plasticidade da temática da dor e de querer perceber os vários entendimentos ao seu respeito, foram convidadas onze artistas e uma escritora, que partilham a paixão pelo desenho, a banda desenhada e a ilustração, para que através do seu olhar e desenho/ escrita, reflectissem sobre a dor. Ao longo da antologia, será perceptível que cada artista tento tido como ponto de partida a temática geral da dor, escolheu desenvolver graficamente uma dor específica: do parto, do confronto com o outro, dor menstrual, de amar, da solidão, de esconder a dor, da ausência, do luto, do crescimento, de alma...

NN

Curiosamente e historicamente esta poderá ser a primeira antologia de autoras coordenado exclusivamente por autoras. Isto é, apesar de alguns números especiais de revistas, fanzines ou livros de "BDs no feminino" que apareceram nos anos 90 (G.A.S.P. ou Azul BD3) e no novo milénio (Quadrado #3 / 3ª série, Allgirl'zine e QCDA #2000) estas publicações não foram organizadas pelas próprias autoras como acontece no presente projecto vencedor.

NN

19º volume da Colecção CCC. 138p. p/b, 16x23cm, capa a cores, edição brochada. Coordenação, design e capa por Dileydi Florez. Contra-capa: Marta Monteiro. Projecto apoiado pelo IPDJ
In Portuguese with English translation. 

NN

Historial: 
lançamento no dia 18 de Outubro 2018 na ZDB com exposição de originais e apresentação por Catarina Cardoso (Portuguese Small Press Yearbook

Apresentação na BD Amadora 2018 dia 10 de Novembro, com presença de algumas das autoras seguido de sessão de autógrafos
 
 
artigo de Pedro Moura na Mundo Crítico com BD sobre o livro por Dileydi Florez 

exposição no Festival de BD de Beja de 29 Maio a 16 Junho 2019 



NN

O livro está ESGOTADO mas ainda pode ser que se encontre na Tigre de Papel, Linha de Sombra, BdMania, Greta, Matéria Prima, ZDB, Mundo Fantasma, Kingpin BooksStetSnob, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Tinta nos Nervos e Insurgentes.

BUY @ Le Mont-en-L'air (Paris), Quimby's (Chicago) and Ugra Press (Brazil)

NN

Feedback:

um livro-barómetro no feminino sobre a dor
Amanda Ribeiro in P3 / Público

O título é duro (...)
João Morales in Time Out (Lisboa)

ontem li o Nódoa Negra. é tão bonito que até dói, meu. a história da Patrícia Guimarães é incrível. parabéns! 
Francisco C. (por e-mail)

São testemunhos no feminino, são força, são ruído, são rasgos de agitação num panorama - ainda - pouco dado a movimentos bruscos. A primeira antologia totalmente construída por autoras em Portugal é muito mais do que uma afirmação, é a casa de uma intimidade que fende tabus e nos mostra que a existência inevitavelmente dói.
Tiago Neto in Vogue Portugal

Um livro sobre dores que desenham e escrevem num mais difíceis exercícios...
Inês Fonseca Santos in Todas as Palavras (RTP)

Tive conhecimento desta edição enquanto folheava um dos últimos números da Vogue. Como a recepção do livro na imprensa também passava pelo P3, Time Out e por um programa de TV apresentado por uma das tipas do Câmara Clara, tudo indicava que se tratava de mais um livro do ano. São só autoras a fazer este livro e ao que parece esta ideia surgiu da Dileydi Florez, que há uns anos tinha desenhado o Askar, o General, em tempos em que a associação Chili Com Carne estava imbuída por um espírito de masculinidade militar. Mas isso foi lá atrás, agora a associação pugna diariamente pelos direitos dos mais fragilizados pela ideologia dominante no tardo-capitalismo: entre essas figuras encontra-se a mulher. A premissa para o livro é interessante e tem um importante significado político: não há espaço na edição de banda desenhada para mulheres, por isso é preciso arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Quando estamos à espera que a bd da organizadora deste volume seja, então, um grande manifesto feminista, eis que termina com dois enormes paradoxos: primeiro, ao escrever que se alguém tiver uma vida mais consciente está a dar um passo para sofrer menos, Florez parece estar a preparar uma sólida carreira como autora de manuais de auto-ajuda; segundo, a bd termina com o salvamento da mulher frágil pelo seu príncipe encantado, desvirtuando a ideia da autonomia feminina. No entanto levanta um problema importante que será transversal a todo o livro: o corpo e a sua vulnerabilidade. (...) Mas o sofrimento também se revela de outras formas e é aqui que o livro se transcende (...) é também o sufoco provocado pelo assédio doméstico que acompanha o crescimento da futura «dona-de-casa» - eufemismo para «escrava da família patriarcal», se puxar do meu jargão a transbordar de ideologia. É este o tema dos «Bons costumes», de Sílvia Rodrigues. A Nódoa negra beneficia ainda de uma multiplicidade de linguagens gráficas, destacando-se a manga da Hetamoé e a arte bruta da Inez Caria (...) há ainda a contribuição da Susa Monteiro, que me parece estar cheia de referências eruditas à arte contemporânea, ou então mostra apenas a tristeza profunda de um tenista que não consegue jogar ténis contra um cavalo. A fechar o livro, a Patrícia Guimarães colabora com a melhor bd do volume, não só porque ataca o importantíssimo tema da apatia provocada pela rotina quotidiana, como estiliza a narrativa num daqueles puzzles de deslizar peças, como que a dizer que a efemeridade da arrumação é mera ilusão e que o próprio caos é só mais um episódio da organização da vidinha. Mas a vida é só pathos? Não: a Cecília Silveira diz que também há espaço para minetes e para fisting com luvas de boxe, como que a lembrar que o sexo falocêntrico é também uma forma de violência e de exercício de poder sobre o corpo feminino.
Russo in A Batalha

(...) o muito interessante Nódoa Negra.
Jornal de Letras

NN




Bibliografia das autoras na Chili Com Carne: 
MASSIVE (2009) c/ Marta Monteiro
Destruição ou BDs sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010 (2010) c/ Sílvia Rodrigues
Boring Europa (2011) c/ Sílvia Rodrigues
Futuro Primitivo (2011) c/ Inês Cóias, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro
Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno (2012) c/ Sílvia Rodrigues
QCDA #2000 (2014) c/ Hetamoé e Sílvia Rodrigues
- Askar, o General (2015) de Dileydi Florez
Malmö Kebab Party (2015) c/ Hetamoé
QCDI #3000 (2015) c/ Hetamoé
Maga : Colecção de ensaios sobre Banda Desenhada e afins (2015) c/ Hetamoé
Lisboa é very very Typical (2015) c/ Dileydi Florez
- Anarco-Queer? Queercore! (2016) de Rui Eduardo Paes, c/ Hetamoé
- Pentângulo #1 (2018) c/ Cecília Silveira e Dileydi Florez

segunda-feira, 23 de março de 2026

Espero chegar em breve / últimos 20 exemplares



Número 28 do zine Mesinha de Cabeceira outra vez com o Nunsky!!!

Edição Nunsky Comics com o apoio da MMMNNNRRRG
44p. p/b, 16x23cm
ed. brochada, capa a cores em cartolina texturada


Nunsky (1972) é um criador nortenho que só participou no Mesinha de Cabeceira. Assinou o número treze com 88 considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...

Desde 2014 que este autor regressou à BD e com toda a força: primeiro com Erzsébet sobre a infame condessa húngara que assassinou centenas de jovens na demanda da eterna juventude, e em 2015 com Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno, verdadeiro deboche gráfico entre o Hair Metal de L.A. dos 80 e a distopia do RanXerox.

Agora apresenta este um belo trabalho sobre um homem que recupera consciência do seu sono criogénico a bordo de uma nave especial. A Inteligência Artificial não consegue reparar o problema e Kemmings vê-se obrigado a manter-se acordado mas fisicamente paralisado durante dez anos da travessia sideral. Como a maior parte da obra de Philip K. Dick (1928-82), este conto questiona o que é ser humano e o que é a realidade.



Feedback 

O isolamento criativo dos autores, mesmo numa cena incipiente como a portuguesa, poderá dar francos frutos. Num curto período, o elusivo Nunsky, que havia apresentado uma fulgurante mas fugaz novela com 88 (...) há 20 anos, regressou para apresentar toda uma bateria de trabalhos acabados, coesos, densos, inteligentes e graficamente vincados, cada qual com a sua própria personalidade de humor, género, tradição, e exigência de leitura. (...) Apesar do tema ser claramente a do cerne que torna um ser humano tal coisa, isto é, a teia da identidade, a verdade é que as implicações filosóficas mais tipificadas de Dick não deixam de se fazer sentir imediatamente. (...) A adaptação do conto pelo autor português é fiel, precisa, quase extrema, quase ipsis verbis, mesmo, (...) Apesar dos desenhos de Nunsky serem reconhecíveis como tal, com a sua austera e sólida figuração, notar-se-á de forma evidente que a assinatura do traço acompanha um registo distinto daquele de Erzsébet e de Nadja, seguindo métodos de artes-finais particulares. O uso de linhas paralelas para marcar as sombras, a oscilação entre momentos melodramáticos, de poses estáticas e construções simbólicas – a recorrente apresentação simultânea do rosto de Kemmings tal qual no seu semi-sono criogénico e a sua consciência interna acordada (usada de forma excelente e retro-psicadélica na capa) - , faz recordar muitas das assinaturas clássicas que emergiram nos comics de terror e de ficção científica da EC Comics (...) Em 41 pranchas, a densidade intelectual de Dick (chamar isto de “ficção científica” somente é falhar o alvo) e expressiva de Nunsky unem-se para apresentar uma soberba novela. 
...
Melhores livros de BD de 2016: Nunsky é cada vez menos um cometa na BD nacional, (...) afirmando-se como um dos mais relevantes autores no panorama nacional. Que se mantenha sempre presente. 
Gabriel Martins in Deus Me Livro
...
(...) A obra é uma deliciosa inversão da IA perseguidora, trocando os papéis: quem inflige o terror é o protagonista a si mesmo. (...) Nunsky demonstra, uma vez mais, a sua qualidade, ao adaptar-se ao estilo e exigências da história, com uma cuidada estruturação da narrativa e uma adaptação de estilo. Nos momentos em que isso é exigido, o autor dança entre a sombra e a luz, num equilíbrio que já o caracterizava na adaptação da depravação de Erzsébet (...) Este autor português consegue a proeza de justificar o seu regresso, insistindo em ser um dos melhores a trabalhar na 9.ª Arte. 
Acho que Acho
...
Nunsky trabalha de forma brilhante, com o traço grosso e o uso do negro a iluminarem com as suas qualidades opressivas
Jornal de Letras
...
Nomeado Melhor Álbum, Argumento e Desenho no Comic Con 2017
...
Nomeado Melhor Álbum, Argumento e Desenho nos Troféus Central Comics 2017
...
Por onde anda este (bom) autor? (...) Ah, gostei também bastante da capa (incluindo a textura do papel).
Jorge Ferraz (por email)

quarta-feira, 11 de março de 2026

Anders Nilsen : Chicago, Comics and Life (2 vol., 2022-25)



Acompanho o trabalho do norte-americano Anders Nilsen desde o zine Big Questions que era vendido numa loja de discos e BDs no Bairro Alto, a Eklet - por uns tempos parecia que Lisboa ia ser civilizada. No Sábado passado, na Tinta nos Nervos apanhei dois perzines do artista, fazendo autobiografia em prosa, o primeiro sobre a sua estadia em Chicago entre 1999 e 2012, e o segundo focado no restaurante Lula onde trabalhava como cozinheiro e como curador da galeria. Não pensem os poseurs que isto é chique ou "que giro"... Estamos nos EUA a vida não é fácil e isso significa trabalhar à séria (na cozinha e noutros dias a fazer BD) não é para fazer CV na ZDB ou no Damas. 

Nilsen reflecte sobre a sua vida neste período quando entrou para a universidade, numa altura que a BD (ainda) era completamente descurada no ensino. Para sustentar-se trabalhava como cozinheiro. Decide ser um "dropout" (alguém que decide abandonar o ensino superior), consciente que os cursos de Arte são armadilhas em que os estudantes acumulam uma dívida enorme, e ao contrário de outras profissionais (médico, advogado, etc...) que conseguem pagá-la ao fim de poucos anos, no caso de um artista (com sorte) consegue ter uma carreira 10 anos depois do final de curso e pagar a dívida - os merdas de Direita que querem privatizar tudo acham bem ficar escravo deste sistema infernal, claro, boa sorte estúpidos! Este pensamento sobre as possibilidades reais da carreira não me parece, apesar das diferenças, muito fora do comum em Portugal mas há outro ponto que ele toca que podemos ver também por cá, que é quem frequenta os cursos de Arte serão sempre classes favorecidas e que estas não tem nenhuma empatia com os que vivem abaixo deles na pirâmide social. Não que a Arte tenha de ser política, panfletária ou social mas a vibração que a Arte tem sobre nós, não é feita de certeza por pessoas que estão bem ou com probleminhas do 1º Mundo - não haveria Grindcore se o mundo não fosse uma merda, certo? Nilsen, preferiu portanto dedicar-se aos zines de BD autopublicando e preparando-se para fazer uma rede de pessoas que gostassem do seu trabalho. Até chegou a Portugal pelos vistos, e aqui este escriba não desiste de acompanhar os seus excelentes livros como a actual série Tongues. Bem jogado!

Os zine vão relatando também como Nilsen vai-se se inserindo na cena conhecendo Chris Ware, Jeffrey Brown, John Porcellino ou a loja Quimby's, até lhe aparecer a sua primeira encomenda por Chris Oliveros quando este geria a importante Drawn & Quarterly. Espera-se por mais volumes desta publicação, é bom os artistas escreverem as suas memórias sinceras para que não se criem mitificações idiotas e desnecessárias.