quarta-feira, 29 de abril de 2026

TARWAR - comemorando um ano do "apagão"!!!


Novo livro do polémico Ilan Manouach, sendo que este Tarwar é CoCo (Conceptual Comics) no estilo mais clássico deste artista transmedia.

Tarwar explora um património global de Banda Desenhada através de tecnologia de Visão por Computador para procurar um elemento visual muito especial: a vinheta preta

Eis um "código da BD" que podemos encontrar em todo o tipo de BD, regiões e contextos culturais mais variados tornando-se até numa imagem icónica - mesmo que o seu significado seja um oximoro porque representa o nada e a obscuridade. Vinhetas pretas não representam apenas a noite ou a escuridão, funcionam numa narrativa como um momento de introspeção ou de suspense.

Tarwar é composto apenas por vinhetas pretas mostrando como a BD criou uma linguagem que transcende fronteiras geográficas, culturais e até estilísticas. Eis um puro desaire estético!


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Projecto co-editado com a Echo Chamber, 5eme Couche, Nero, Lystrisng e Inkpress

165 x 240 mm 120p a cores, brochado

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Está disponível na nossa loja em linha e na Matéria Prima, Mundo Fantasma, Socorro (Porto), It's a Book, Kingpin, Linha de Sombra, STET e Tinta nos Nervos (Lisboa).


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entrevista no The Comics Journal

Melhores de 2025 no The Comics Journal


segunda-feira, 27 de abril de 2026

Lento, profundo e duro na Larvae




Companheiros da Penumbra é um livro gigantesco, lançado em Outubro de 2022, que marcou o regresso de Nunsky à Banda Desenhada, desta vez, em modo de memória flutuante para relatar um período específico de uma tribo específica no Porto. Falamos da cena Gótica dos anos 90 em envolvia sobretudo as festas no Heaven's. 

Todas estas pessoas, com um ou outro nome, existiram, sonharam e viveram num Porto “podre”, sombra caricatural de uma cidade europeia, que sonhava com a promessa do novo milénio. Filhos bastardos de um tempo menos distante do aos olhos românticos parecia, de uma Northampton ou Londres ida e de uma Los Angeles decadente que nunca existiu senão nas mentes dos rejeitados que vomitou para as margens da história. 

Empregados de mesa e armazém que ao cair da noite – qual Bruce Wayne – se transformavam em Lordes Vitorianos, meninas confusas que queimavam na “má vida” o grito que os seus pais acreditavam investir numa educação de excelência, adolescentes que encontravam na escuridão da noite o manto protetor para as suas angustias e a garantia de um alter-ego suficientemente forte para resistir à porrada da vida, esbarrando-se com adultos com síndrome de Peter Pan, que reforçavam obstinadamente o universo de fantasia, rejeitando, com um magnânimo pirete o que comumente reconhecemos como “mundo real”.




Artista premiado pelo Festival da Amadora em 2015 com o romance histórico Erzsébet, desde 2016 que preparava este extenso retrato de uma época entesada. Voltou assim à BD Amadora, em 2022, originais de Nunsky para serem admirados - e falamos a sério tal é o rigor das suas pranchas, acrescentada com uma habitual exagerada cenografia. 

Em 2024, os originais giraram na Mundo Fantasma reabrindo a sua galeria entre Fevereiro e Março. A exposição está entretanto no Forum Maia até 16 de Junho.


São 300 páginas a preto e branco, 19x26cm, capa a 2 cores com badanas

O livrão esgotou a sua primeira impressão mas cá canta uma nova na nossa loja em linha 
e agora deverão encontrar os últimos exemplares da primeira misturados com a segunda na Snob, Tigre de Papel, ZDB, BdMania, Linha de Sombra, Neat Records, Matéria Prima, Cult, Kingpin Books, Universal Tongue, Matéria Prima, Socorro, Utopia, FNAC, Mundo Fantasma, Vida Portuguesa, Larvae, VelhotesLouie Louie Porto, Equilibrium MusicPiranha!








Mais títulos do autor: 
88 (Mesinha de Cabeceira #13, Chili Com Carne; 1997)
Erzsébet (Chili Com Carne; 2014) com edição brasileira na Zarabatana
Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno (MMMNNNRRRG; 2015) com edição em inglês
Espero chegar em breve (MMMNNNRRRG; 2016)



Feedback

(...) parabéns pela edição dos Companheiros da Penumbra. O livro é muito bom, um trabalho de fôlego coerente, sincero, com coração e realismo de um tempo e atitude, nada comum neste "mercado" lusitano. Uma enorme surpresa positiva para mim, mesmo conhecendo bem o trabalho do Nunsky. 
André Lemos (via email)

O livro está muito bom e é um óptimo apanhado de uma certa atmosfera que se perdeu neste Porto gentrificado e de papelão, cheio de patetices circenses e tourist-trapsClaro que fico com o coração cheio (...) ao reconhecer (literalmente ou por associação) algumas personagens, locais, modus operandi do underground, imbróglios amorosos, conflitos, mitificações e delírios inerentes ao "tribalismo", etc... Capta-se o arco em que a fantasia teen atinge o um pico criativo e anímico para se desvanecer como o fumo de qualquer concerto rock. Mas este é já um mundo perdido e que o Nunsky conseguiu captar muito bem sem o bafejar com melancolias e sem que o leitor sinta que está perante um relicário. Mais uma vez, a arte do Nunsky é incrível, e acho que a par do Erzsébet, este é o seu melhor trabalho gráfico. (...) Em termos narrativos, há algo que por vezes parece meio encravado, como se os episódios que compõem a história fossem cortados e colados de forma abrupta. No entanto, consigo encontrar um certo charme nisso, tornando tudo mais rude e por vezes confuso (num sentido positivamente estético - como uma parede com múltiplos cartazes sobrepostos ou um fanzine realizado nas franjas entre "corte e cola" e o "photoshop").
Só uma nota: creio que o Yura que aparece a dançar no Heaven's é o famoso "Iur" que o Gustavo Costa gravou para o projecto Derrame Sanguineo, cujas faixas foram publicadas num split com Sektor 304 (...) Nunca o conheci, mas conta-se que ele era o "freak com cabelo à Blixa" e que vagueava pelo Porto com a cara pintada de dourado. Era um dos alvos perfeitos para os skins. Existe o mito que ele queria montar um projecto de música experimental em que iria amplificar lâminas de barbear montadas verticalmente numa caixa e largaria centopeias lá para dentro. Mas mitos são mitos e bocas dizem o que dizem. 
PS - (...) agora é que liguei os pontos!!! A última faixa desse split é com o João e o baterista dos Martyrium (AHAHA) nas percussões!
André Coelho (via email)  

Este livro é uma viagem de comboio fantasma com destino à nostalgia. O texto está incrível e o desenho está lá em cima ao pé dos melhores.
Rodolfo Mariano (via email)

blá blá blá de tótós

Companheiros da penumbra é um marco significativo da produção contemporânea de banda desenhada, sobretudo de um registo realista, e plenamente ancorado na realidade portuguesa – o que não implica menos potencialidade de espelhar outras experiências distintas. No panorama actual, em que a esmagadora maioria da produção roça sempre um qualquer campo do fantasioso, do género, ou até mesmo de fórmulas escapistas, muitas vezes até pouco buriladas e medíocres, um livro desta natureza sobressai sobremaneira. Não iria ao ponto de o o chamar “jornalístico”, “antropológico”, “documental”, mas há sem dúvida elementos desses registos presentes ao longo desta narrativa. Esse ancoramento está presente não apenas através dos muitos momentos de referencialidade, mas com a vivência da cidade do Porto e os movimentos espaciais, a magnífica escrita com diálogos vívidos, variados e verdadeiros, as personalidades acabadas das personagens, e até o cunho tão específico que Nunsky consegue criar com os rostos de tantas personagens/pessoas. (...) No entanto, uma das vantagens de Companheiros sobre todos esses modelos é que não se entrega a nenhum exercício facilitista com uma intriga melodramática, lamechas ou de crise central. Há um plot, sim, mas simples. Há uma história de amor, há um road movie, há um conflito entre amigos, há uma missão a cumprir, há mesmo uma morte. Mas pela sua fluidez e estranha calmia de execução, em que um episódio flui para o próximo, não tanto na cadeia aristotélica de causa e consequência, mas na inevitabilidade do tempo, o que sobressai é mais um ambiente, que recorda uma “fase”, imaginamos, da vida dos dois jovens protagonistas, Paulo “Nunsky” e Alex “Hipnos”. Com efeito, o autor opta muito menos por elementos dramáticos e conflitos reconhecíveis como tal, de uma maneira flagrante – por hipótese, um conflito com os pais, uma decisão fulcral de vida, uma adição fatal, um crime espantoso –, do que uma espécie de testemunho, quase de mera afirmação, do sucedido nessa tal fase.

(...) o discurso visual e narrativo de Nunsky faz desta cena um espaço onde a memória se convoca como espaço de resistência, mas também de solidariedade, partilha de afectos e barricada protectora contra uma sociedade consumista que, confirmamos agora, já se desenhava com ímpeto nessa década final do século XX e é hoje a regra num Porto gentrificado como quase todas as grandes cidades europeias.

Companheiros da Penumbra conduz-nos por um tempo, um lugar e um universo específicos. Magistral retrato de época em BD, vai mais além.

Eu não estou mesmo nada a par de como anda o panorama da bd nacional, mas este gajo está a um nível que apanhei poucas vezes por cá. Tenho ideia que no contexto local, é mesmo muito raro apanhar um volume destes, em que há a mesma coesão quer a nível narrativo quer gráfico do principio ao fim. (...) Na parte da narrativa, li uns comentários/ críticas (...) que malhavam um bocado na construção da narrativa, no sentido de haver cortes abruptos, etc... Não senti nada disso. Os saltos e interrupções que acontecem fazem todo o sentido na forma como a história é contada a través de memórias pessoais e de recordações maisou menos dispersas, embora sempre a seguir uma suposta linha cronológica. É absolutamente fantástico revisitar o porto do final dos 90s/ principios de 2000. (os bares da ribeira e o cubo à pinha, o luso…)
F.Q. (via email)

(...) Desengane-se quem pensa que este é um livro de nicho, pensado para quem andou pelas noites góticas ou pela música de Bauhaus ou Love and Rockets. Companheiros da Penumbra é uma ode às partilhas intensas da juventude, e não necessariamente da juventude gótica. Por trás das roupas negras, dos adereços e dos ambientes existencialistas marcados por um determinado tipo de música, o que lemos nestas pranchas é universal, não se fecha numa qualquer tribo, ainda que a linguagem partilhada dessa tribo ajude a definir o enredo e a estruturar o seu desenvolvimento. Por outro lado, há neste livro uma presença tão forte da cidade do Porto que impossível assumir a geografia apenas como um elemento narrativo; na verdade, o Porto é aqui mais do que cenário, uma espécie de seiva que dá configuração a estas vivências e aos episódios lembrados. E tal como o grupo de personagens no centro da história, também a cidade é uma memória que se convoca como parte de uma construção identitária, e não tanto como uma nostalgia. Toda a narrativa de Companheiros da Penumbra assenta nesse gesto de olhar o passado, não com o olhar do saudosismo mais plano, mas como parte integrante do que se foi construindo – com as lembranças, as festas, as descobertas e as dores que se foram acumulando – e que agora é também presente, ainda que as roupas pretas e os adereços soturnos tenham ficado esquecidos nas gavetas.

(...) obriga a uma leitura atenta e activa. (...) Em mãos menos capazes, este livro facilmente resvalaria para um relato nostálgico de um tempo que já lá vai: nas de Nunsky, ele canta; em tons lúgubres e sinistros, mas carregados de uma força e alegria que vai para além daquelas catacumbas.
André Pereira in A Batalha

Banda Desenhada ou Novela Gráfica? Da ou De Penumbra? Traço genial!

(...) Novela gráfica sobre a tribo gótica do Porto. As aventuras, sobretudo noctívagas como convém, as amizades que se engendram em torno da música, os 1001 esquemas dos donos do bar, o traçadinho e a Ribeira, descampados e casas abandonadas.

2ª impressão do livro em Setembro 2023, ou seja, mais 666 exemplares!!!

nomeado para Melhor Obra Portuguesa pela BD Amadora 2023

Já li o Nunsky!!! É bom, é competente, e é, sem dúvida, entertaining. Entra-se facilmente naquilo e, tudo ponderado, acaba por resistir à pergunta (que me fiz a mim mesmo algumas vezes): “porque é que eu estou a ler trezentas páginas de bebedeiras e góticalhices foleiras da província?” A escrita é boa, é fluída e é competente. (---) No fim do dia, uma boa leitura. Uma boa obra!!
RG por email

Entrevista no portal Central Comics

(...) Nunsky retrata-nos o lugar de uma forma extremamente verosímil e pareceu-me sempre ter o cuidado em não magoar em vão, sem querer ferir as pessoas à sua volta e isso é muito à Porto. Por contradição.

(...) É desse tempo, em que podíamos ser músicos, editores, organizadores de espectáculos, estilistas, realizadores de cinema, autores de banda desenhada, sem ter de gastar uma vida em cada uma dessas vocações, que nos fala esta banda desenhada ímpar. Anos feitos de conspirações à mesa do café, sessões de cinema em casa de amigos, palcos improvisados em casas de alterne, incursões ao Portugal “real”, excessos e amores suspirados, conquistas e derrotas amargas. Mesmo para quem não se entregou às trevas da nação gótica, mas abraçou uma qualquer tribo urbana, Companheiros da Penumbra é um local perfeitamente reconhecível, nostalgicamente familiar.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Miti Mota ao vivo e a cores!!!


Inaugura a exposição da Amanda Baeza - homónima do título do seu último livro -, bem recheada com os originais do Miti Mota, cerâmica e outras surpresas ! É no 25 de Abril a partir das 17h na Tinta nos Nervos.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Zinada


Foi um fim-de-semana simpático na Autónoma, para pelo menos para recarregar de novidades de fanzines e afins. O Borrão já tinha saído antes do evento mas como estavam lá, começo por aí... Já saíram dois números deste fanzine - mas por alguma razão esotérica as duas editoras, Matilde Feitor e Emília Silva, preferem tratar a publicação por "revista" - que é um esforço das duas responsáveis introduzirem BD na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, passando pela estratégia de raposa de convidar os artistas que andam por lá, fazerem uma BD mesmo que a maioria não saiba que basta duas imagens em sequência que já é BD. Os resultados são peças poéticas, experimentais, não-canónicas ou mundanas que se esquecem passado pouco tempo mas dada a urgência do projecto interessam ler e pegar nesta "revista" impressa em papel colorido, formato A5, preço simpático e ao que parece com regularidade mensal até um dia que não. Destaco os trabalhos de João Salvador, Pedro Costa e a BD da Emília no segundo número - deu um salto, sente-se confiança... Um destaque especial para o inventivo índice! Que raposinhas!!


Houve o reencontro feliz com a Pats no certame da outra margem e eis o segundo número do seu zine Sortido, onde publica as BDs curtas que vai produzindo. Esta autora é actualmente a única a a segurar o porta-estandarte na BD portuguesa de contar boas histórias com "bés e capeça", naquela fina linha entre o quotidiano mais aborrecido e o mágico inesperado - como um "blind date" entre uma mulher e um carro... 
A tradição "alternativa" dos anos 90 está toda aqui, algures entre Julie Doucet e Renée French, em que se pode comparar a estes nomes monstruosos porque as BDs de Pats estão muito bem alicerçadas com o seu grafismo assertivo - a página ao lado confirma isso. 
Claro que seria mais interessante ler estas BDs em português e (é bater no ceguinho, bem sei disso, Pats!) que a bizarria gráfica dos olhos das suas personagens (que a autora defende como o seu estilo identificador gráfico de forma aguerrida) não incomodasse a fruição geral da leitura. Vale todo o dinheiro dado menos a capa que poderia ter um coche mais de oomph!

Ia escrevendo que era preciso um gringo cinquentão em Portugal para nos ensinar o que é um "fanzine", se o André Coelho ainda há pouco tempo não o tinha demonstrado com o Katabasis.

The Heavy Helium Groove publicou This is The Night Mail, fanzine dedicado ao Black Metal, Death, Noise e (Art) Brut com entrevistas a bandas como Beherit, Caixão (ligado ao fanzine The Fall of The Idol) ou Nuclear Death - pela pessoa de Lori Bravo, que foi para mim a grande revelação nestas páginas. Além disso também é entrevistado o André Lemos (curiosamente tal como aconteceu no Katabasis!) e o Rudolfo / Gekiga Warlord. Grande conclusão do dia: é preciso ser os fanzines de música a entrevistarem os artistas gráficos!

E ainda há uma BD goyesca do João Carola e as fantásticas "falsas-gravuras" de Minhothropic... Tudo isto num formato A5 com pinta de livro para pitosgas. Impecável e necessário!





Por falar no Lemos - a entrevista no Night Mail começava justamente por causa dos seus Opuntia Books - saíram mais dois volumes desta colecção gráfica, a saber S/.GAMZA de Francisco Amorim e Azul de Terra de ZMB

O primeiro é um anti-formalista com panca por um orientalismo em grande estado de decomposição - e que também faz música degenerada. O segundo já é conhecido no Opuntia - este é o seu terceiro título? Quarto! - e desta vez a temática aproxima-se de universos fantásticos e torturantes, de alguma forma a lembrar Samir + Miguel...

O que impressiona sempre é a dedicação de Lemos enquanto o produtor que suja as mãos a criar estes livrinhos de assertiva qualidade editorial, sempre com detalhes e rigor, incluindo cortes e diferenças de papeis, transformando estes graphzines numa referência para qualquer um que diz gostar de papel. Não há maquinetas electrónicas que substituam estas publicações analógicas!

Por fim, e porque uma pessoa não vive só de bonecada e música, a Contracapa publicou um novo livro de poesia de A. Dasilva O., uma antologia intitulada de E a poesia dá à luz uma bússola louca. Não será hoje nem amanhã que escreverei algo sobre isto, fica só o apontamento para o poeta mais escatológico da praça, é sempre um prazer... Mão Morta e Sereias já há muito tempo que o deviam ter musicado, enfim...

sábado, 18 de abril de 2026

Caminhando Com Samuel /// NOVA EDIÇÃO (mais bonita, nova capa, mais páginas) / últimos 3 exemplares!!!


Nova edição do livro de bd de Tommi Musturi
pela MMMNNNRRRG

Tommi Musturi é um dos autores mais importantes na Finlândia, e também como dinamizador da BD. Já visitou várias vezes Portugal: Salão Lisboa 2005, na Feira Laica 2009 na Bedeteca de Lisboa, onde estava patente a exposição da antologia GlömpX, que participou como autor, comissariou e editou, Festival de BD de Beja (2014), Mundo Fantasma, BD Amadora e Tinta nos Nervos. Também já publicou em Portugal na revista Quadrado e no Mesinha de Cabeceira, tendo já um certo culto à sua volta.

Caminhando com Samuel é um livro universal porque a BD é muda (sem palavras), colorida e tão atraente que atinge vários quadrantes de público: o público infantil (embora haja um episódio sangrento), o adulto (que terá trips metafísicas), os colecionadores e os generalistas, os cromos da BD, da ilustração e do street-art (todos irão aprender com a técnica de Musturi), e até os "peter-pans" dos toys terão tesão - é uma promessa séria porque na MMMNNNRRRG sempre fomos muito sérios!
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160p. a cores, 21x21cm, capa dura
com marcador de fita
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PVP : 20€ à venda na loja em linha da Chili Com Carne, Mundo Fantasma, Matéria Prima, ZDB, Tigre de PapelUniversal TongueUtopia, Tinta nos Nervos, Kingpin Books e It's a Book.

exemplos de páginas :




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Historial:

obra seleccionada para a Bedeteca Ideal 
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nomeado para Melhor Álbum, Melhor Desenho e Melhor Argumento Estrangeiro para os Prémios Central Comics 
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Feedback: 
é muito bom o livro - vou precisar de outro livro porque ofereci o meu 
Travassos (Cleanfeed, Shhhpuma)

um dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos
Sara Figueiredo Costa / Expresso 

(...) não necessita que se diga muito sobre ela. E não é por ser uma bd muda. Nesta edição excelente da Mmmnnnrrrg é uma obra que precisa sobretudo de ser saboreada. Ao som ritmado dos passos 

Dos gelos da Finlândia chega a saga psicadélica do pequeno gnomo Samuel. É a mais relevante edição de BD produzida em território nacional este ano. 
João Chambel (Heróis da Literatura Portuguesa)

But Samuel is not the ultimate Godhead, as we have seen; he is played by a higher hand: Samuel is not just any puppet, he is THE puppet, a perfect in-between character, a mirror of both God and us.

I have been looking at the Musturi comic every day since I got it, so beautiful and imaginary!
Christopher Webster (Malus)

Gramei o Samuel. BD contemplativa. é um equilíbrio bem subtil entre o desenho clínico, o abstraccionismo da história e o uso das cores. Fiquei curioso com a continuação: a recompensa do final acaba por não ser o mais importante aqui (...)
B Fachada

sexta-feira, 17 de abril de 2026

ccc@autónoma#5


 

Hoje não (2ª edição) com nova capa!!



Eis que saiu a segunda edição de 

Hoje não 
de 
Ana Margarida Matos 

- as "sete diferenças":  menos páginas e nova capa com uma bela fotografia tirada por Diana Laneiro -


é o 22º volume da Colecção CCC com o ISBN: 978-989-8363-47-3,  de 500 exemplares, com 112p 16,5x23cm p/b, edição brochada e colada no verso.



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Correndo por fora do habitual corredor da comiseração autobiográfica - tão frequente na chamada BD alternativa - as bandas desenhadas da Ana Margarida Matos surpreendem-me pela densidade e liberdade conceptual.

Há em Hoje não um rigor gráfico virtuosamente obsessivo e um uso exaustivo das palavras, que me captura dentro de páginas-labirinto. Como se a autora me obrigasse a permanecer neste espaço claustrofóbico tanto tempo quanto aquele que investiu para desenhar aquela página. Mas a fluidez e originalidade das suas soluções narrativas deixam-me desarmado, vulnerável ao correr do tempo, cúmplice dos seus dias. Percorro as páginas como num jogo de xadrez, tentando antecipar jogadas e surpreendendo-me com os desenlaces. Xeque-mate. 

António Jorge Gonçalves

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Ana Margarida Matos (1999) cresceu no Montijo mas entretanto como não gosta muito de touradas fugiu para Almada. Estudou Design Gráfico na Escola Artística António Arroio e licenciou-se em Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. 

Em 2019 lançou o seu primeiro zine Passe Social através do selo editorial Erva Daninha e participou na antologia Querosene publicada pela Chili Com Carne bem como em várias antologias internacionais, a saber: Kus! (Letónia), Stripburger (Eslovénia) e Soñario (Espanha).

No ano de 2021 ganhou o concurso Toma Lá 500 Paus e Faz Uma BD promovido pela Chili Com Carne com o projeto Hoje Não que entretanto teve direito a uma versão norte-americana, pela Fieldmouse Press, e uma segunda edição portuguesa.



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Com um novo confinamento a chegar, este livro é um registo diário entre 16 de Janeiro e 26 de Junho de 2021, com a premissa da autora não voltar a perder a noção do tempo, documentando tudo e qualquer coisa que aconteça no dia e resumindo o mais importante em apenas cinco linhas. 

Cada página corresponde a um dia onde se capturam os limites da identidade pessoal num momento tão atípico na história da nossa existência, através das rotinas diárias, das crises existenciais e do que se vê na sociedade.

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disponível na nossa loja em linha e também na BdMania, Kingpin, Linha de Sombra, Snob, Tigre de Papel, Livraria das Insurgentes, Socorro, STET, Tinta nos Nervos, Greta, Velhotes e Vida PortuguesaE na Eventual (Valência) e TFM (Frankfurt).

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Historial: 

obra vencedora do concurso interno Toma lá 500 paus e faz uma BD! 2020 ... a única exposição relevante na BD Amadora 2021 ... entrevista na TSF ... lançamento oficial no dia 27 de Novembro 2020 na Tinta nos Nervos com participação do psicólogo Vasco Oliveira ... apresentação no Museu Bordalo Pinheiro, 12 Dezembro, 15h, com Marcos Farrajota ... entrevista no Todas as palavras ... edição norte-americana pela Fieldmouse Press em 2023 ... segunda edição com nova capa em 2024 ... artigo no Público / Ípsilon ... participação no programa Pessoas que Desenham Liberdade (RTP 2)

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Feedback

Hoje Não é um diário da autora criado durante seis meses de 2021, durante um dos confinamentos desencadeados pela pandemia da Covid 19 em Portugal. Exercício de construção de uma rotina de atenção do quotidiano, e modo de organização do trabalho, da saúde e da comunicação humana, este livro reformula as estratégias da banda desenhada ao mesmo tempo que relança questões de identidade, sobre a criação artística e sobre a responsabilidade de sermos cidadãos numa sociedade. Verdadeiro processo em fabricação à medida que se faz, explorando variações internas, ritornellos gráficos, desdobramentos e atenções atomizadas, Matos criou um dos mais interpelantes objectos da banda desenhada portuguesa dos últimos  tempos. 
Pedro Moura in newsletter da Tinta nos Nervos



(...) está bem esgaaaaalhaduuu!


(...) A pandemia, o sentimento de estar preso num mesmo lugar, num mesmo dia, imposto pela perda de elementos referenciais distintivos, ansiedade em relação ao futuro académico e profissional (a voz que nos fala é a de uma estudante a terminar a licenciatura em Belas Artes), indagações/apontamentos sobre a natureza da arte, a procura e formação de uma entidade artística, o registo de uma dieta que a minha sensibilidade vegetariana não pode deixar de reprovar, estes são os temas encenados para nós no espaço confinado de cada página. (...)


Um dos melhores livros de 2021 segundo o Expresso



41 livros favoritos 2021 d'Observador


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(...) a exposição mais conseguida do Festival Amadora BD (...) e merece loas enquanto revelação de 2021. 
Jornal de Letras

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(...) escapa a todos lugares-comuns do "diário da quarentena" (...)
Sara Figueiredo Costa in Expresso
5 estrelas

(...) Os ensaios de auto-retrato ou o hiperpreenchimento da página, dando a ideia da restrição rotineira da vida num pequeno espaço, são outros bons momentos desta narrativa por imagens e texto. É aqui, porém, que as coisas se complicam: impregnadíssimo pelo ar do tempo – seria estranho se assim não fosse –, e pela ausência de referências; apenas má televisão, de que é crítica, mas não chega. Melhor quando se projecta no que está fora: o rapaz imigrante do metro, o vizinho que passeia o cão. Há, no entanto, personalidade e substância – o resto virá com o tempo.

As its pages get us further along, we are forced to question, who is it who lives in our homes? what makes our days mean something? Who gets to question what it means to be? A beautiful, splippery work which defies easy description and leaves yoy turning it over in your head long after it's finished. 
Bhanu Pratap sobre a edição norte-americana





Eis uma reedição que se impunha, ou não estivéssemos perante um dos trabalhos mais disruptivos da banda desenhada portuguesa dos últimos anos. (...) Afirmando-se como um diário, facilmente se lê este livro como um ensaio sobre a inevitável existência simultânea dessas duas categorias, fundidas numa só, essa ideia de espaço-tempo como um continuum a que os físicos dedicam o pensamento e que aqui se declina nas suas muitas variações quotidianas, confirmando que em cada existência há tantas curvas quânticas e buracos negros como no Universo que não sabemos como apreender.

domingo, 12 de abril de 2026

Tommi Musturi @ Cinekomix

Já tinha sido mostrado no Doc Lisboa em 2022 mas agora passou na RTP2, o Cinekomix de Edgar Pêra com o Tommi Musturi entrevistado

 


Os livros ainda disponíveis de Musturi estão aqui e aproveitamos para anunciar que em 2027 sairá o terceiro volume do Samuel!!!

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Artificial Social


A minha excitação de saber que passadas duas décadas ia haver finalmente e outra vez um fanzine dedicado à reflexão sobre a Banda Desenhada, tornou-se inversamente proporcional à desilusão da sua leitura. Acho o Artifício #1 (Goteira; Mar'26) tão desapontante que esta resenha podia já estar acabada com apenas com estas duas frases. No entanto, dado ao excesso de solipsismo e fofura das autorias da publicação, acho que explicarei porquê...

Quem escreve no Artifício já são pessoas maiores, vacinadas, com mais de 25 anos - tirando a Emília Silva (mas que frequenta o ensino universitário) - e por isso tem a obrigação de serem mais críticas e exigentes em relação a tudo que escrevam. Ora o que se tem nas mãos é um "diário de uma adolescente" que não diz por quem está apaixonada com medo que o diário vá parar às mãos erradas. Por exemplo, o facto da BDteca de Viseu ser um depósito de livros de um "bedófilo" que usa um espaço público para ter lá a sua colecção intocável (os leitores não podem fazer empréstimo domiciliário) passa ao lado da Biakosta que prefere falar do pequeno almoço do hotel quando esteve presente no Encontro Nacional de Bedetecas, em Viseu no Maio passado. Os nomes da Chili Com Carne (e outras editoras? quais?), a minha pessoa (apesar de ter sido retratado) e a do italiano Andrea Bruno não são referidas na "BD-ensaio" de Emília Silva apesar de ela nos aludir, porquê? Não é questão de ego que reclamo aqui a minha identificação ou dos meus projectos que estou envolvido (Chili) ou dos meus amigos (o Andrea) mas se Silva quer comunicar, divulgar e expandir para as pessoas fora deste meio que "não é tão grande como lhe parecia" (as palavras são dela) então porque não refere ipso facto o que é o quê ou quem é quem? 

O que é que interessa o orçamento do evento Miragem descrito pela Amargo? Que eu saiba a Goteira não roubou dinheiro (ao contrário do que deve ter acontecido com os três anos de obras da Bedeteca de Lisboa pela Junta dos Olivais) para estar a fazer estas contas públicas. Nem é o dinheiro que faz com que os artistas ou os organizadores DIY deixem de fazer coisas, especialmente porque neste meio existe solidariedade e respeito pelos pares - o dinheiro não traz felicidade, é o que se diz por aí, agora, discutir ideias e criticar trabalho isso sim, trás mais-valia para a cabeça. Por isso, em contrapartida à aula de contabilidade, ficou de fora a possibilidade dela descrever a excelente programação que a Goteira fez nesse evento. Não saberemos quão importante foi ver as performances do Luís Barreto ou da Mariana Pita, como eles fizeram o interface entre BD e música e como isso foi de longe mais divertido e interessante que aquelas punhetas dos desenhos ao vivo com bandinha a tocar que se vê em Angoulême ou em Beja. zzzzzzzzzzzzzzzzzzz E quem é a "Rosa" e o "Marcos", doce Amargo? "Amiguinhos" que vos arranjaram guita? Ou dois profissionais que tem apelidos e que já fizeram programação importante neste país e lá fora que vos convidaram para fazer o melhor evento de BD autoral de 2025? Ou achas que já toda a gente sabe quem eles são? Serão os leitores da Artifício exclusivamente gajos da BD que sabem de tudo deste gueto cultural ou são potenciais novos leitores sem vícios? Ou as editoras deste fanzine invocarão a desculpa é que com um dedinho no "smartphone" ficas logo a saber o que não se escreveu correctamente no fanzine? Nenhuma das opções me parecem saudáveis a qualquer nível. 

Da Ucrânia onde Ana Margarida Matos esteve - "sim, ainda se pensa em BD e ilustração em plena invasão" - nada se transmite de lá: organizações, situações ou artistas para conhecermos a realidade deste país invadido. A Matos foi mesmo lá? Até fico desconfiado se não é "fake news"... Por alguma vergonha alheia não conseguiu escrever alguma coisa horrível que sentiu lá? Se não tem essa desculpa então deixou a malta da cena gráfica ucraniana ao abandono, o que me parece desonesto, pobre e egoísta. O texto da Rita Mota é igualmente inútil mas fiquei a saber que trabalho deverei colocar numa parede húmida... 

Dyscomica seria o escritor que poderia fazer mais contacto com o "exterior" (leitores que não sabem quem é o Farrajota ou a Barreto, por exemplo) ao escrever pequenas resenhas sobre livros de BD (quase todos eles bons) mas esqueceu-se dos nomes das editoras (um marco de qualidade para quem não tem referências!), anos de publicação (os livros serão geração espontânea ou intemporais?), uma dica sobre onde arranjar os livros (ou esta gente consome tudo da Amazon sem um pingo de consciência social?),... e é imperdoável que alguém escreva sobre o Imai Arata sem referir que o seu segundo livro que foi publicado em Portugal. Novamente, não é por ser edição da Chili Com Carne (com a Sendai) que chamo a atenção a isto mas porque é um autor desconhecido (até no Japão) e não é todos os dias que autores fora do sistema comercial são publicados em Portugal - se até o Chester Brown alguma vez fosse publicado cá pela Levoir acho que ia até fazer um stencil a dizer "Leiam Chester Brown" e bombá-lo por Lisboa inteira para comemorar isso.

Os textos em geral lembram-me o que a Joana Mosi escrevia o seu "blogue" - Estante da Mosi - em 2014 ou coisa que o valha. Era uma escrita simples de uma miúda universitária mas que deveria ser a única da sua geração a fazê-lo, a única a escrever sobre a sua descoberta de livros de BD ou assuntos relacionados - como as ordinárias Comic Cons - e se o conteúdo não era o mais relevante do universo, era importante o acto em si! Isto porque as pessoas deixaram de escrever (ou saber escrever?) quando veio o fenómeno das "redes sociais" que ao contrário da época das blogosfera, é muito mais visual (geralmente partilham-se fotos, vídeos, cartons ou mini-BDs) e menos intelectual, não só porque não se escreve tanto como está viciado com os seus polegares-para-cima e corações de apoio. Seja como for, a Mosi apagou esse seu "blogspot" há poucos anos, se calhar, para não sentir "cringe" (que moderno usar este termo, hein!?) do seu passado "literário". "Coisa-Cringe" que as "Goteiras" não vão poder fazer ao terem tido esta coragem inabalável (e de tirar o chapéu!) de publicar em papel, por isso, isto só irá desaparecer quando o último exemplar arder no Inverno Nuclear! 

Todos os conteúdos parecem feitos por adolescentes mimados - como foi a Mosi há 10 anos atrás e antes dela outras pessoas na 'net ou em papel - em que tudo é fantástico ou fascinante o que descrevem, tudo é maravilhoso e tudo é feito em torno dos autores dos próprios textos - mas sem a piada do jornalismo gonzo. Parece que o mundo não existe apesar de terem ido à Alemanha, Ucrânia, Itália e Bélgica. O relato mais sensato e que ainda se aprende algo será a da Rita Torres sobre o festival Snail Eye em Leipzig. Obrigado!

Terá esta geração sido educada a ouvir aquele Hip Hop Xunga em que os MCs fartam-se de referir milhares de inimigos nas letras que lhes vão roubar as rimas mas que na realidade não é verdade, eles apenas não existem... é só para o estilo!? Isto foi-me confirmado por um rapper do Porto, o Ex-Peão. Estarão com medo de escrever sobre as coisas negativas? Ou terem uma opinião assertiva que ofenda alguém? Não se preocupem, minhas caras, num meio tão ignorante como o da BD, rapidamente farão inimigos! Não é preciso mutilar o intelecto ou o sentido crítico, a xungaria irá vos aparecer mais dia menos dia! De certeza que já há uns idiotas que não curtem as BDs da Goteira & cia... 

Este número inaugural foi pensado como um especial "BD fora das páginas" e prometia. Não é pelos seus "relatores" afunilarem-se em experiências muito próximas da sua própria autoria - este fanzine poderia ser intitulado de "Relatório Anual d'A Goteira 2025", pode soar a irónico mas não haveria nenhum mal se assim se chamasse, foi um ano importante para este colectivo portuense. Mas escrevia, não é por centrarem-se em si que o conteúdo tenha de ser mau ou uma perda de tempo, pelo contrário, é importante registrar esses momentos mas é preciso pensar mais sobre eles, ser mais profundo do que o brilho do écran.

Nitidamente que o Artifício ficou aquém do seu potencial por falta de experiência de escrita impressa. Espero pelo segundo número ainda com fervor porque acredito nas pessoas envolvidas mas vai ser dura a espera dos próximos seis meses!