quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Música para Antropomorfos

Fábio Zimbres
Monstro + Voodoo; 2006

A ideia de juntar dois produtos culturais num só projecto não é nova. Nem quando esses produtos são um livro de bd e um disco de rock - e como chama atenção as editoras envolvidas, juntar duas das formas culturais mais populares do século XX que são marginalizadas pela "Alta Cultura" como é a bd e o rock. O que é curioso nesta edição, foi o desenvolvimento do trabalho entre duas entidades sobre uma mesma raiz - ou será antes raízes? Os Mechanics fizeram uma base instrumental, o autor Fábio Zimbres criou conceitos, um universo para eles e depois cada um foi para o seu lado: Zimbres fez bd's (com títulos), os Mechanics criaram as letras (em inglês), títulos para as músicas (que não coincidem com os títulos das bd's!) e finalizaram as gravações.
As bd's de Fábio Zimbres são a selvagaria de sempre graças ao seu traço da tradição "ratty" de Gary Panther ou dos "esquadrões da morte" Fort Thunder. Os traços soltos e "errados" não são menos coerentes com as histórias bizarras, aparentemente desconexas entre si. Na realidade as estranhas bd's estão ligadas e são capítulos, sendo Música para Antropomorfos um livro completo e não uma antologia de histórias soltas como uma primeira aproximação ao livro poderá dar a entender. A(s) história(s) incluem golpes palacianos e a porca da política, cidades-robots em conflito, sátira ao mundo da cultura e da edição. Mais não se pode dizer...

domingo, 18 de novembro de 2007

Glömp #7

Boing Being; 2005

Antologia finlandesa (mas com apenas um autor finlandês desta vez) que edita o melhor que se faz de bd no Ocidente pelas novas gerações gráfico-narrativas.
Os nomes não enganam: Tom Gauld, Helge Reumann (o Elvis Studio no Salão Lisboa 2005), Till D. Thomas (na última CriCa), Giacomo Nanni (Canicola), Fréderic Poincelet, ... e ainda bd's inéditas de Isabel Carvalho e Pedro Nora!!! Mais não é preciso escrever, creio.
A impressão do miolo é feita a cores diferentes de caderno a caderno mas sempre a uma cor (azul, verde,etc...).
Um bom livro!
Está escrito em finlandês mas tem legendas em inglês no fim de cada prancha.

sábado, 17 de novembro de 2007

25 Disegni

Squaz / Paper Resistance
Donna Bavosa + Inguine + Modo Infoshop; 2005

Três entidades uniram esforços para publicar um livro que junta dois ilustradores em cada um deles tem direito a 25 desenhos. A ideia original é da Donna Bavosa (que edita também discos), a Inguine deve surgir porque o Paper Resistance faz parte da casa e a Modo Infoshop é... uma loja! O que deve ajudar imenso a escoar o produto.
Quem for ao site da Donna Bavosa (ou da Modo, já agora) encontrará mais uns dois livros com este conceito de split com 25 desenhos para cada autor.
É uma edição ao mesmo tempo simples de apresentação mas com uma apresentação sólida: papel de boa gramagem, sobrecapa, bem impresso... e claro os trabalhos destes autores são algo muito difícil ignorar.
Squaz lembra Burns e Blanquet - ou ainda o suiço Baladi, recentemente editado em Portugal - talvez seja um tipo de desenho um bocado batido em alguns meandros alternativos. Ainda assim resulta e tem força dadas as temáticas esotéricas-bizarras.
Paper Resistance é um iconoclasta (o Papa com uma metralhadora, um robot saído de um filme Anime no meio de um ritual tradicional japonês, um piloto de aviões com um colete cheio de explosivos) com a escola Situacionista e Punk bem aprendida. O desenho dele é bastante limpo - como se pode ver pela capa aqui ao lado.

à venda na CCC (20% desconto para associados)

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A marcha portuense da Laica, primeiro movimento

Cartaz de Nuno de Sousa

Todas as manhãs meteorologistas proverbiais aproveitam o horário nobre do seu tempo de antena para divulgar previsões rigorosamente calculadas: Céu pouco nublado ou limpo em todo território, probabilidade de formação de neblinas ou nevoeiros matinais… Dia sim, dia sim. O povo suspira e encolhe-se enquanto aquece as mãos numa chávena de café. Sai-se para a rua. Tarde de chuva, a Península inteira a chorar.Entretanto… Artistas e operários gráficos aproveitam a ressaca do verão de S. Martinho para fazer arrumações na casa. Caprichos domésticos raros de testemunhar aos quais adicionaram algumas gotas concentradas de êxtase colectivo. Desta conjugação invulgar de circunstâncias resultou uma exposição compartilhada do melhor e do pior que têm desenvolvido nas áreas das Artes Plásticas, Ilustração e Banda-Desenhada. Algumas migalhas do quotidiano e a mesma alarvidade boémia de meia tigela, travestida de discurso contestatário que vem fidelizando públicos de norte a sul de Portugal. Filhos de uma mãe com bom gosto, prometem invadir o espaço do Maus-Hábitos e abrir o livro para as crónicas do costume, as comichões de rotina e os bate-pé paraolímpicos que povoam a cultura subterrânea e fazem o gosto popular. - Texto de Miguel Carneiro

«Se cá nevasse fazia-se cá ski»
Exposição de artes gráficas integrada na Feira Laica no Porto
De 15 de Novembro a 23 de Dezembro
Maus Hábitos
Rua Passos Manuel, 178, 4
Porto

Trabalhos de Marco Mendes, Miguel Carneiro, José Feitor, André Lemos, João Maio Pinto, Nuno de Sousa, Carlos Pinheiro, Ana Torrie, Janus, Zé Cardoso, Mauro Cerqueira, Filipe Abranches, Rosa Baptista, Jucifer e Lucas Almeida.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A Brasileira com Cem

No dia dez de Novembro, pelas dezoito horas, no café A Brasileira em Braga, será apresentado o fanzine “A Brasileira com Cem”.

Com o propósito da comemoração do centenário da Brasileira, um grupo de frequentadores do café, tomou a iniciativa de lhe prestar um tributo, de uma forma alternativa e mais genuína. O desafio consistiu em realizar um trabalho até duas páginas, que poderia ser em forma de texto(s), fotografia(s), desenho(s), banda desenhada, etc., sobre o que a Brasileira representava para cada um, tendo como objectivo compor um possível retrato do café, pela altura do seu centésimo aniversário.
A resposta surgiu através de vinte e cinco trabalhos originais e heterogéneos, que são agora apresentados em formato de fanzine colectivo. Testemunho de uma forma peculiar de sentir a Brasileira, que ultrapassa a normal relação existente, num qualquer espaço comercial.

A preceder a apresentação do fanzine, está prevista a colaboração do Sindicato da Poesia, com a leitura de textos alusivos a cafés.
(ilustração "O melhor café é o da Araci..." de Helena Carneiro)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Beja poetry comics crew

Já lá foram alguns meses desde a terceira edição do (actual) melhor festival de bd português, o de Beja, e claro que agora todos andam com o pito aos saltos com as inesperadas novidades editorais que estão a sair na BD Porcalhota, mas a vida não dá para tudo, e só agora consegui divulgar as edições da Bedeteca de Beja, a saber, os terceiros volumes de Venham +5 (zine) e da colecção Toupeira (comic-book / mini-álbum na tradição da Lx Comics) com La Bellête. Mas mais vale tarde do que nunca.
No primeiro caso, houve uma redução de formato e de páginas, o que favoreceu os trabalhos (quanto maior o formato mais expostas ficam as deficiências gráficas) embora neste número a qualidade geral das bd's publicadas tenha subido. Aparecem alguns convidados, resultado da actividade do festival, como Pedro Rocha Nogueira e o espanhol Fritz. A revista encontra-se num ponto novo de partida, compromisso de promover os talentos locais e de editar bd de autores mais coesos. A poesia reina por estas páginas e pelos vistos os portugueses adoram poesia ao ponto que a Porcalhota deu um "Pacóvio& Grilinho" (Melhor Zine 2007).
Tal como reina em La Bellête, segundo livro de Pedro Rocha Nogueira - o primeiro tinha sido o Lx Comics, Dumb Angel (dumb me). Do primeiro para o segundo o autor refina o grafismo, aumentando-lhe a complexidade do traço, mais texturas e mais contrastes. O texto continua hermético e quase que cosmogónico mas sente-se melhorias imensas - realmente a Lx Comics servia a sua funçaõ de "primeiro livro".
[E ontem saíu o novo número do Venham +5, desta vez com colaborações estrangeiras de Alain Corbel, Alex Uyeno e Kike Benloch. É capaz de ser o melhor número deste zine e é de destacar a bd de Carlos Páscoa!]

sábado, 3 de novembro de 2007

O projecto de fecundar a lua #1

Auto-edição; Jul'07


É difícil encontrar bd mais secreta e sem defesas do que estas de Janus e Marco Mendes. Não apenas por se tratar de uma obra fora dos circuitos, sistemas, rotinas, escolas, etc, mas principalmente porque ela não parece existir na aproximação a nenhum pensamento conhecido nem dá mostras de se render a qualquer dos habituais discursos com efes e erres e pontos nos is para sobreviver ou sentir-se sustentada. O que a segura é, dá ideia, outra coisa completamente diferente. A sua pura vontade, desejo ou loucura - esse seu imperfeito, inconveniente e tão esquisito porque-sim.
Bd's no reverso de caixas de cartão, embalagens, pedaços rasgados, o avesso do lixo. Porquê? Porque "a vida está cara", porque era o que estava "mais à mão", porque sim. Esta é uma bd negra, negra, negra, em que a ingenuidade de bonecos com bocas grandes (bidimensionais e vagamente totémicos) se mistura com a violência dos mais poderosos fantasmas do sexo e da morte. Uma bd de dualidades e oposições - positivo e negativo, frente e verso, fíguração e não -que não é nada óbvia ou "binária" no tempo do seu olhar. Pelo contrário, atravessa-a uma duração fluida e espessa que lembra o tempo dos pesadelos. Nas bd's de Janus e Marco Mendes há só o corpo do erotismo e o corpo do terror - nela a vida reduz-se, amplifícada, a isso, recusando tudo o resto. Os outros, as palavras. A ilusão, a tralha sentimental.
Mas isto, se é possível (e é: é esse o espanto!), no modo leve e cheio de graça desta arte-porque-sim.

[ehm, como não me apetecia escrever, saquei um texto de um catálogo de pintura com um texto de um escritor qualquer famoso, substitui pintura por bd e o nome do pintor pelos do Janus e Marco Mendes... não que faça muito sentido mas que se lixe! O zine é fixe porque-sim ao contrário do texto e a pintura dos outros que eram uma bela merda. Pedidos devem ser feitos aos gajos d'A Mula enquanto o Mendes não enviar uns exemplares para vender na CCC]

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Amanhã é dia de trabalho, caragu!

os editores a mostrar en primeira mão a embalagem e disco, it's fun to have fun...

Dino Felipe: "is sleeping" (Marvellous Tone; 2007)

A Marvellous Tone, editora DIY portuense de música electrónica, regressou à actividade e pela primeira vez com um lançamento de um projecto estrangeiro. Dino Meira, digo, Dino Felipe é um gajo do Equador que arrasta lixo sonoro ao longo de uma hora sem nos deixar dormir dado à desprogramação onírica de sons Noise e Glitch. Esquizofrénico e irritante até ao fim, o disco vai deambulando a um passo zombificante tal quando um tipo está a tentar dormir e afinal descobre que está com insónias. Este músico está a dar-nos uma tanga, Dino Felipe não está a dormir, não senhor, estão acordado e obriga-nos a ficarmos acordados com ele, o filho-da-puta! Mais uma excelente embalagem em serigrafia, e obviamente uma edição limitada... um mimo de objecto! Ou será antes um maldito pesadelo?

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

ccc@bdporcalhota2007

Alguns títulos da CCC e associados (El Pep, Imprensa Canalha e MMMNNNRRRG) estarão disponíveis no eternamente imaturo Festival de BD da Amadora 2007 através do stand comercial da livraria Dr. Kartoon.
Na compra de qualquer título das editoras mencionadas, oferta do fanzine A Mosca #4 (uma raridade fanzinista dos anos 90 ou o melhor zine nacional nos idos anos 90). É um número especial de autores brasileiros, com Fábio Zimbes como editor convidado. Já agora a única de jeito para ver neste festival são mesmo os originais de Zimbres (e comparsas da exposição "dividir para curtir" ou isso). Ainda assim, valerá a pena o esforço? Sei lá...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Italianati noizi, due

Fotos da exposição internacional e colectiva "European Comics Cartography" no Museo Nazionale de Ravenna, por Filipe Abranches. + umas do Filipe aqui e dos romenos-locos do Hardcomix aqui.