domingo, 15 de novembro de 2015

FUZZ, she said #02



O fuzz é quente, uma entoação naturalmente tropical da guitarra que está para o rock como as partículas de água para o ar que respiramos. Que o digam os Boogarins, os Cave Story ou The Sunflowers, que juntam esforços e abordagens na compilação Fuzz, She Said 2. Nada melhor do que um concerto destas três bandas para capitalizar a nossa próxima fita magnética preferida. No dia 15 de Novembro, até as temperaturas serão amplificadas.

A LOVERS & LOLLyPOPS REGRESSA em PARCERIA COM A CHILI COM CARNE PARA PRODUZIR FUZZ, SHE SAID UM SPLIT EM K7 TUDO ENROLADO NO "ARTWORK" DO ANDRÉ Pereira. AS K7S ESTARÃO DISPONÍVEIS NO DIA 15 DE novembro NO CONCERTO (OU ATRAVÉS DA L&L) OU BREVEMENTE PELA CHILI COM CARNE (20% DESCONTO PARA SÓCIOS).

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology (exposição na Mundo Fantasma até 13 Novembro)



Marcos Farrajota (Lisboa; 1973) trabalha na Bedeteca de Lisboa desde 2000. Faz BD e fanzines desde 1992 quando criou com o Pedro Brito o zine mutante Mesinha de Cabeceira que ainda hoje edita. Criou a editora MMMNNNRRRG "só para gente bruta" em 2000 mas antes fundou a Associação Chili Com Carne em 1995.

Participou em vários fanzines, jornais, revistas e livros com BDs ou artigos sobre cultura DIY e BD pelo mundo fora. Criou a série Loverboy com desenhos de João Fazenda. Tem feito capas e cartazes para bandas punks e afins. Organizou ou fez parte de organização de vários eventos como a Feira Laica, bem como acções de formação, colóquios, rádio e "unDJing". Participou em várias exposições de BD colectivas como o Zalão de Danda Besenhada na ZDB (2000) ou Tinta nos Nervos na Colecção-Museu Berardo (2011) bem como em festivais como Xornadas de Ourense, Salão do Porto, Salão Lisboa, Komikazen em Ravenna e BD Amadora.

Exposições individuais só houve uma, Auto de Fé(rrajota) na Biblioteca da Universidade de Aveiro (1998), e é por isso que o autor aceitou com muito prazer o desafio de mostrar originais seus na galeria da loja Mundo Fantasma inaugurada no dia 10 de Outubro e patente até 13 de Novembro.

A acompanhar e de título homónimo será lançado o livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology. Tal como os seus livros anteriores, Noitadas, Deprês e Bubas (2008) e Talento Local (2010) ambos pela Chili Com Carne, este novo livro reúne mais BDs autobiográficas suas dispersas em várias publicações desde 2010, incluindo o livro do DVD do 15º Steel Warriors Rebellion Barroselas Metalfest.

à última da hora...


A Garagem escreve sobre Farrajota e a sua exposição na Mundo Fantasma que acaba... hoje!

Assumindo-se a tentativa e erro como parte do processo criativo, consegue-se seguir em frente sem grandes preocupações quanto a possíveis catalogações estéticas. “... descobri que desenho é o que você quiser fazer dele e a qualidade não está na perfeição da cópia da realidade.” afirma acertadamente Fábio Zimbres, autor brasileiro que serviu de referência a toda uma geração de criadores contemporâneos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Agradecimentos públicos

fotos: Ondina Pires


Serve este "post" para a Associação Chili Com Carne e os autores representados na exposição Zona de Desconforto agradecerem ao Festival de BD da Amadora pela oportunidade de termos participado activamente neste evento - que correu bastante bem na parte que nos toca com várias pessoas felizes em encontrar as nossas edições, algumas pela primeira vez...

Como os eventos (ou instituições) fazem-se geralmente com pessoas (e não com máquinas burocráticas) fica aqui o nosso agradecimento ao Nelson Dona, director do festival, e à sua equipa, Emanuel Ribeiro, Ana Taipas e o sempre-fixe Bruno Gomes.

sábado, 7 de novembro de 2015

Zona de Desconforto ESGOTADO /// originais em exposição na BD Amadora 2015


Livro do ano passado da nossa colecção de livros de viagem para quem gosta de viajar sem apanhar transportes e gastar dinheiro, a LowCCCost.

Zona de Desconforto é uma recolha de relatos de autores de Banda Desenhada que foram estudar ou trabalhar para fora de Portugal
...

Os autores apesar de terem sido "obrigados" a trabalharem em registo autobiográfico para relatarem as suas experiências, que vão da leve piada do choque cultural às reflexões profundas e intimistas, ainda assim o estilo pessoal de cada autor não foi prejudicado.

Organizado por ordem cronológica, o livro começa com André Coelho, que estudou em Barcelona, em 2006, e expõe as questões nacionalistas catalãs, mas a experiência similar de Amanda Baeza no País Basco (estudou em Bilbao, em 2010) é mostrada de uma forma oposta e "leftfield".

Holanda vai ser uma coincidência de país para a "globe trotter" Christina Casnellie (em 2006) e um ano mais tarde, José Smith Vargas, maior é a coincidência é que  ambos desmontam a sociedade holandesa e a "pan-ibérica".

Londres também é uma "coincidência" para encontramos Ondina Pires (ex-Pop Dell'Arte, ex-The Great Lesbian Show) entre 2008 e 2010, e Francisco Sousa Lobo (vencedor do concurso "500 paus") entre 2010 e 2013, que usam "comic relief" q.b. para contar a depressão que se sente na capital inglesa, e no caso de Lobo esta sua BD é uma "companion" para o badalado romance gráfico O Desenhador Defunto. Mas antes, David Campos complementando a sua experiência da Guiné-Bissau (relatada no Kassumai) visita o resort  de Cap Skirring (Senegal) em 2007 para alertar-nos da exploração não só de recursos económicos mas também sexuais de África.

Em 2013 ainda temos as instrospecções políticas de Tiago Baptista em Berlim, durante uma residência artística; e mais extremas as deslocações sul-americanas de Júlia Tovar para Buenos Aires, decidida a criar a sua família, e com alguma ponta de ironia Daniel Lopes mostra o Brasil como o "futuro", na sua recente visita profissional, como académico.

Esta edição foi coordenada por Marcos Farrajota, frustrado e impotente em testemunhar a emigração, em alguns casos forçada, dos seus amigos e conhecidos à procura de melhores condições de vida, num país que deixa um filha-da-puta de um político alarvar bitaites de que "o melhor que os jovens portugueses têm a fazer é emigrar".

O livro não tem uma "agenda política" porque deixa que o relato de cada autor siga o seu rumo, com saldo positivo ou negativo, deixando ao leitor a interpretação que desejar.

Longe de nós impormos seja o que for...

...

Arranjo gráfico: Joana Pires; Capa de João Fazenda; Apoios do IPDJ, Alt Com / Tusen Serier

...
talvez ainda encontrem exemplares nas lojas Palavra de Viajante, El Pep, Mundo Fantasma e LAC.

...
Historial: lançado na Palavra de Viajante, a livraria mais bonita de Lisboa a 5 de Abril de 2014 ... vencedor do Melhor Álbum Português pela BD Amadora 2014 ... uma das melhores "graphic novels" portuguesas de 2014 segundo Pedro Moura no sítio de Paul Gravett ... na lista do Melhor de 2014 pela loja Matéria Prima ... Vencedor de Melhor Obra Curta (Berlim de Tiago Baptista) pelos Prémios Central Comics 2015... exposição na BD Amadora 2015 ... 

...
Feedback: Grande edição! Podes dizer ao Sousa Lobo que graças a ele voltei a acreditar na BD portuguesa. Que estouro. André Coelho (por e-mail 04/04/14) ... já li o livro, falta o Francisco que guardei para o fim, gostei bastante, é bom os trabalhos serem tão diferentes, acho que as histórias conseguem mesmo levar-nos para outros tempos e espaços geográficos, fizeram-me sentir mesmo fora daqui e todas as problemáticas que isso acarreta, não que sentisse um profundo envolvimento mas consegui deslocar-me... isso é bom. como se de estória em estória saltasse de cidade em cidade. Depois vou ler a história do Francisco e reler tudo de seguida a ver como é... Tiago Baptista (por e-mail 04/04/14) ... 'Tá bem apanhado, o título. Li num parque rodeado de turistas, a pensar que ia compensar a sensação "Portugal, Inatel da Europa". Não tenho a certeza, e parece que apanhei a sensação turística no obverso. O Lobo, se calhar porque parece ter mais espaço que os outros, apanha bem a coisa 'tuga: é como rir de alguém que tem um problema sério. Fora isso acho que o livro caiu ao chão quando li a história dele, de tão pesada que era. O género autobiográfico é fodido e em vez de heróis ficaram os episódios. O Baptista e o Coelho parece que quiseram meter lá os heróis em vez deles. A Amanda Baeza é um pequeno ovni... já tinha falado com ela sobre este bolo basco pesadíssimo, que estou a pensar fazer um dia. Outros, tendo estilos que me pareceram familiares, não retive tanto. Curti algumas piadas da história da Tovar, e se já vi a cena de estar nu noutro lado, ri na mesma quando vi. Fixe o traço do Campos e a deambulação anti-Club Med. Fiquei a saber o que é um flessenlikker e vou ver se arranjo um, para poupar uns trocos e viajar mais. Astromanta (por e-mail 17/04/14) nice book, is an architecture/city sketchbook of tales Valério Bindi do Crack Festival (e-mail 20/04/14) ... Os autores destas histórias a vermelho, nada inocente, seguramente, poderão usar diferentes intensidades dessa leitura dupla. Podemos lê-las como pequenos apontamentos autobiográficos ou impressões do “lá fora”, mas perder-se-ia parte do seu poder colectivo. Mas é na sua conjunção, e no seu gesto editorial total, que percebemos a responsabilidade assumida na identificação do desconforto apontado. Pedro Moura / Ler BD ... Dez autores com registos muito distintos criam uma harmonia que já vai sendo regra nos livros colectivos da editora e que deve mais à mundividência partilhada do que qualquer esforço de homogeneização. (...) tem algo de antologia de BD contemporâena, mas a sua verdaderira vocação é a de dar a ver / ler o mundo estilhaçado que nos coube Sara Figueiredo Costa / Expresso ... De facto todas as histórias de Zona de desconforto trabalham a percepção que qualquer grau de segurança está a um passo de ser exposto quando se dá um passo no desconhecido, mesmo um desconhecido próximo. E para abordar o mundo é necessário cada vez mais dar esse passo. JL ...



André Coelho

David Campos

Francisco Sousa Lobo

Amanda Baeza

Tiago Baptista

Daniel Lopes


Kutucomix


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

100 Barulhos

Bruno Lisboa
2015

Um Artista sofre! Um Artista sofre porque tem de aguentar com os outros... E os outros pode ser a xungaria - ou "gunas" no Porto ou ainda "boys" - que anda por aí.
Bruno Lisboa lembrou-se de apontar "momentos altos" desta sub-cultura porque deve sofrer com ela. Se calhar já levou com um bulldog nos cornos ou se calhar já lhes comprou ganza mitrada, como havemos de saber?
É pena que sabe a pouco - esta malta jovem faz uma meia-dúzia de páginas e publica logo! -, não é profundo, os estereótipos dos bacanos são evidentes e estilizados com o grafismo desengonçado e abonecado de Lisboa - trabalho gráfico interessante, diga-se.
Sempre é melhor retratar esta miséria humana do que as conices da classe média mas o que eu queria era ver o Lisboa a oferecer este zine A5 a um guna à sério e ver o que aconteceria. Isso sim teria piada...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Destruição ou bandas desenhadas sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010 / ESGOTADO


antologia de BD ... volume 10 da Colecção CCC ... projecto coordenado por Marcos Farrajota ... com as participações de José Smith, Ana Biscaia, Rudolfo, Rui Madeira, Afonso Ferreira, Rodolfo Brito, Chico, David Campos, Sílvia Rodrigues, Uganda Lebre, Christina Casnellie, Bárbara Fonseca, Gonçalo Duarte, André Coelho com Sara Gomes e Ricardo Martins com Iuri Landolt ... capa e design: Margarida Borges
...
96p. 16,5x23cm a duas cores, capa a cores
500 exemplares
ISBN: 978-989-8363-02-2

apoios da Câmara Municipal de Cascais e Hülülülü
...

talvez ainda existam exemplares à venda na BdMania, Neurotitan, Mundo Fantasma, Rastilho, Orbital e Linha de Sombra.
...

Historial: lançado no Pequeno é bom (Ago'10) ... nomeada para Melhor Publicação Nacional e Melhor Obra Curta (Espaço/ Tempo de David Campos) nos Troféus Central Comics 2011

Feedback: A minha história na "Destruição" preferida foi a última - achei-a mais autêntica da toda a antologia. Gostei tambem da parte visual da 8 em 54529745,010 e, apesar de ser principalmente pop, a história com o Papa Parkinson (heh heh). Gostei como o livro foi impresso, com cor de laranja adicional!! Jakob Klemencic ... perfeitamente fabuloso! A selecção é excelente, o “acabamento” e aspecto gráfico são brilhantes… e é uma “novidade” face às “antologias de ilustração” (de que estou cansado e acho que não servem para nada!). A fazer lembrar que estas coisas ainda podem ser muito boas! Rafael Gouveia ... uma "espécie de editorial" por Marcos Farrajota no blogue da CCC ... As qualidades são várias, repetimos. E é essa amplitude, variedade, forças, diferença, e até indiferença para com as expectativas de salvação, que tornam esta – e outras – antologia um acto nada destrutivo mas bem pelo contrário contribuidor a um panorama cada vez maior e rico. Pedro Moura / Ler BD ... Who thought Portuguese comic books were dead? Chili Com Carne proves this is wrong Zoot... uma radiografia à novíssima banda desenhada de autor. Digamos, para situar os incautos, que se este fosse um volume de poesia, continuaria a vender pouco, mas teria honras de aparição nos suplementos culturais numa tentativa de aferir os mais recentes rasgos da criatividade nacional. Sendo banda desenhada, não chegará a tanto, mas quem quiser fazer o exercício por si não sairá defraudado. Reflexões sobre o presente, entre o poder dos media e o entretenimento como realidade, delírios político-futuristas envolvendo o Papa e nazis tresloucados, instantâneos do quotidiano ou distopias marcadas por pestes e pragas de vária ordem, as narrativas desta Destruição oscilam entre a estética mais crua do fanzine despreocupado e a procura de um rigor (da mise en pâge à estrutura narrativa, passando pelo traço e pela composição) que equipara este volume ao que de mais interessante se vai produzindo pelo mundo no que à bd diz respeito. Entre as influências mais óbvias (Charles Burns ou Mike Diana) e a definição de caminhos seguros, esta antologia podia ser uma mensagem contra a esperança no futuro – e queria sê-lo, cumprindo a herança punk e fanzinesca onde se inscreve – mas acaba por ser uma bolsa de oxigénio na modorra de um mercado que arrisca pouco, ganhando menos. Sara Figueiredo Costa in Ler ... 96 páginas para ponernos al día de lo que se cuece en el país de Cristiano. ¿Ah? ¿Qué no te gusta el futbol? Pues las páginas de esta antología es como una patada a los mismísima entrepierna (en caso de que seas sensible a las contunciones en esa zona corporal, claro). A destacar el trabajo apocalíptico de Afonso Ferreira, anfetamínico de Ricardo Martins y Ruben Landolt, las páginas de Uganda Lebre y las de Rui Madeira (...) y la espectacular portada de Margarida Borges. Martin Lam López in Bolido de Fuego

exemplos de páginas de Rudolfo da Silva, André Coelho, David Campos, José Smith, Uganda Lebre e Rui Madeira:


(a segunda cor deste livro é laranja, aqui são colocados os ficheiros originais enviados pelos autores)

sábado, 31 de outubro de 2015

SemConsenso. Banda desenhada, ilustração e política


Inaugura no Sábado, às 16h, no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, a exposição SemConsenso. Banda desenhada, ilustração e política, comissariada por Pedro Moura.

Trata-se de uma mostra de trabalhos que compreenderá banda desenhada publicada em livros, jornais, revistas, publicações de vário cariz, assim como ilustrações editoriais, cartoons, e outros objectos menos comuns que, de uma forma ou outra, “abrem um novo espaço da política” (…). É uma constelação que não tem respostas nem pretende seguir os caminhos já trilhados ou pré-preparados para a “discussão séria”. Bem pelo contrário, são colocadas muitas perguntas. 

Esta exposição contará com a presença de trabalhos dos seguintes autores, de forma mais alargada ou mais concentrada: Alice Geirinhas, Álvaro Santos, Amanda Baeza, António Jorge Gonçalves, Bruno Borges, Carlos Pinheiro, Cristina Sampaio, Daniel Seabra Lopes, João Fazenda, José Feitor, José Smith Vargas, Jucifer, Marco Mendes, Marcos Farrajota, Marriette Tosel, Miguel Carneiro, Miguel Rocha, Nuno Saraiva, Nuno Sousa, Pepedelrey, Tiago Baptista e ainda mural de Pepedelrey & André Lemos.

Jucifer e Tiago Baptista


Zona de Desconforto à mostra...
Cristina Sampaio nas casas de banho do museu