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sexta-feira, 11 de abril de 2025

Life Is a Simple Mess ... ultimos exemplares ... até porque a Cleanfeed berrou ...




Como as obras deste livro tornam claro, a pureza, no seu lado mais extremo, quer venha da subtracção de elementos ou da negação do contexto, é uma experiência rara. Em interacção com a simplicidade e o turbilhão, esta experiência dá-nos acesso a partes escondidas da nossa mente que contribuem para o equilíbrio, a cor e a forma como nos imaginamos a nós próprios. E tudo isto justifica e realça a nossa humanidade. É assim que Nate Wooley, autor dos textos presentes no livro Life is a simple Mess, procura exprimir o sentimento de total perplexidade e verdade que as obras de Travassos nos transmitem.

Página a página, a surpresa supera-se a si própria, a partir de um imaginário sem limites onde tudo e nada se conjugam em pensamentos que abrem o cérebro para realidades paralelas, numa perfeita comunhão entre design e física quântica. Explorando a união ou a fricção entre elementos díspares e uma crueza ou crueldade que nos atravessa a todos em algum momento da vida, Travassos apresenta, em Life is a Simple Mess, uma selecção de obras gráficas - que reflectem o seu maior investimento de trabalho da última década, dedicado essencialmente à editora Clean Feed e Shhpuma e ao festival Rescaldo.

Do livro fazem também parte trabalhos para outras editoras como a americana Sunnyside ou a alemã Why Play Jazz, bem como algumas imagens inéditas criadas especialmente para o efeito. 

O livro contém ainda um CD com 7 temas, 5 inéditos e 2 previamente editados, de onde fazem parte algumas das mais sólidas bandas de Travassos, tais como Pão, Big Bold Back Bone ou Pinkdraft entre outras relíquias.

Edição CHILI COM CARNE em colaboração com a SHHPUMA (rip). Encontra-se à venda na BdMania, Mundo Fantasma, Tigre de Papel, Utopia, Matéria Prima, Louie Louie, Linha de Sombra, Neat Records, La Bamba, You to You e 4/Quarti...





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Historial: 

 livro lançado no dia 4 de Agosto de 2017 no Jazz em Agosto na Fundação Calouste Gulbenkian após o concerto de Larry Ochs com The Fictive Five com os autores Travassos e Nate Wooley presentes 

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Festa em Setembro no Damas para lançar a coisa sem a educação institucional do Jazz em Agosto, está prometida uma DJ Battle entre Marcos Farrajota (editor) e Travassos, aceitam-se apostas!!! 

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Reportagens no Público e P3 

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Sobre os autores:

Travassos é um artista multifacetado, que se exprime sobretudo a partir do design, da ilustração e da música. Colabora há mais de 10 anos com a editora Clean Feed / Trem Azul, sendo o seu principal designer, para além de ser o mentor e criador da editora Shhpuma e do Festival Rescaldo. Actualmente já soma cerca de 400 capas de discos de músicos como Evan Parker, Mats Gustafsson, Pharoah Sanders, Peter Brotzmann, Ken Vandermark, Craig Taborn, Steve Lehman, Fred Frith, Peter Evans, Louis Sclavis, Paal-Nilssen Love, Joe Mcphee, Rob Mazurek, Jamie Saft, Wadada Leo Smith ou Bernardo Sassetti, entre outros.Recebeu já vários prémios de onde se destacam: “Ciudades Futuras” BCD – Barcelona Centro de Diseño; "Bombay Sapphire" CPD – Centro Português de Design; “MAD” - Concurso Jovens Criadores ; Best cover artwork 2008, 2009, 2010 pelo All About Jazz New York ou “Notable album covers of 2015” por Dave Hall. Já viu os seus trabalhos expostos na Experimenta Design, Cankarjev dom Ljubljana, Faculdade de Arquitectura do Porto, Universidade de Aveiro ou no BCD - Barcelona Centro de Diseño.

Nate Wooley é um dos mais aclamados e requisitados trompetistas da actualidade. É um músico transversal que tanto se movimenta nos meandros do Jazz clássico ou contemporâneo, bem como nas franjas mais ousada da experimentação. Para além de músico, Wooley desenvolveu paralelamente um reconhecido percurso na escrita, entre ensaios, poesia minimal e outros textos. Nascido nos EUA, começou a tocar trompete profissionalmente com o seu pai, um saxofonista de orquestras, com 13 anos. O tempo passado em Oregon, a sua terra natal, instigou no músico uma estética musical que influenciou toda a música por si criada nos últimos 20 anos, sobretudo a sua abordagem ao trompete.

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FEEDBACK

The Clean Feed and Shhpuma labels continues to expand and evolve, allowing us to look beyond the music and deal with other the visual aspects provided inside this impressive 64 page book. Yes, there is a CD of music/sounds which is found inside this 64 page book of assorted drawings, collages and minimal texts by Nate Wooley. Sonic specialist Travassos appeared on a few recent CDs from Clean Feed stable: Pão and Big Bold Black Bone. The disc here features Travassos playing with both of these projects as well as other assorted musicians. Travassos plays tapes, amplified objects, analogue electronics and crackle box. (...)  The often mesmerizing sound of Travassos’ electronics permeates this entire disc without him ever soloing but creating a variety of haunting scenes. The book also evokes similar mysterious images which work perfectly with the music on the disc. Another triumph for the fine folks at Shhpuma   
Bruce Lee Gallanter, Downtown Music Gallery

A fascinating book of artwork from Clean Feed visual designer and electronic improviser Travassos, with perceptive text from Nate Wooley punctuating the imagery (...)  

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Life is a simple Mess @ Le Mont en L'Air (Paris)


Picture book by Travassos + audio CD


Life is a Simple Mess presents us with an imaginary journey divided into three stages: “Life is Simple”, “Life is a Mess” and “Mish-Mash” where simple and complex forms co-exist in a natural and complementary way. Along the way the texts of Nate Wooley are giving clues and Revelations for a possible interpretation of this symbiotic scenario of the real-unreal.
Can illustrations or graphics survive to the context for which they were created for? Yes, they can, as it is a wonderful example the book Life is a Simple Mess by Travassos. What we can see in these pages was originally destined by its author for record covers released by the labels Clean Feed, Shhpuma, Sunnyside and Why Play Jazz or for the promotion of the music festival Rescaldo, of which he is the programmer, but here it all gains a second existence. Without the name of a musician or a group, without a title and without the logo of a discographic company on a specific album, each piece shows itself without the rationalizing caution of an imagetic translation of the impressions provoked by music. It’s like if the images free themselves not only from its purpose but also its cause, eventually finding in its inner force their justification and their significance, even considering the inherent undefinition in the effort not to determine our individual interpretations.
Travassos’ world sums – and usually on the same visual composition – elements from several sources. One of them is a reiterated naturalist perspective, with flowers and birds protagonizing a number of visions which transforms our reality in an alien fantasy, and that simply because the act of representation always result in a recriation (a modification) of the original. Another one offers us an understanding of the human figure owing everything to comics, and prefering a pop iconography to the centuries of Beaux-Arts’ body stylizations, though treated with a formal essentialism that plays with familiarity (a house is a house is a house) and not with strangeness, in a sort of minimalist conversion of surrealism.
Music doesn’t disappear completely from this visionaryism turned autonomous. The texts on the book never refer to it, but they were written by a musician, the trumpeter and free improviser Nate Wooley, and the invitation given to him says much about it. The publication is also complemented by music on CD, with a compilation of tracks, the most part of them unreleased, of bands having Travassos as a member in his parallel activity as sound artist, like Pão, Big Bold Back Bone and Pinkdraft. In consequence, Life is a Simple Mess leaves music to return to it. In the middle of that journey, the also manipulator of electronic audio devices finds his full identity as visual artist, a necessary condition to relate himself less obviously, less literally, with music. And that’s very, very interesting.
Published by CHILI COM CARNE with SHHPUMA - You may buy it in both sites and for now in Neurotitan (Berlin), Quimby's (Chicago), Desert Island (New York), Modo (Bologna), Le Mont en L'Air (Paris) and loads of places in Lisbon and Porto...
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Historial: released in 4th August 2017 at Jazz em Agosto Fest / Fundação Calouste Gulbenkian after a Larry Ochs + The Fictive Five gig ... 



FEEDBACK

The Clean Feed and Shhpuma labels continues to expand and evolve, allowing us to look beyond the music and deal with other the visual aspects provided inside this impressive 64 page book. Yes, there is a CD of music/sounds which is found inside this 64 page book of assorted drawings, collages and minimal texts by Nate Wooley. Sonic specialist Travassos appeared on a few recent CDs from Clean Feed stable: Pão and Big Bold Black Bone. The disc here features Travassos playing with both of these projects as well as other assorted musicians. Travassos plays tapes, amplified objects, analogue electronics and crackle box. (...)  The often mesmerizing sound of Travassos’ electronics permeates this entire disc without him ever soloing but creating a variety of haunting scenes. The book also evokes similar mysterious images which work perfectly with the music on the disc. Another triumph for the fine folks at Shhpuma  - Bruce Lee Gallanter, Downtown Music Gallery

A fascinating book of artwork from Clean Feed visual designer and electronic improviser Travassos, with perceptive text from Nate Wooley punctuating the imagery (...) - SquidCo

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing

Faz parte dos prazeres maiores de ser editor, além de lançar livros bonitos pró mundo, é receber uma vez ou outra uns mimos dos artistas editados ou associados. Foi o que me aconteceu no mês passado. O Nate Wooley esteve no Jazz em Agosto e foi lançado o Life is a simple mess de Travassos onde ele participa com um texto. No lançamento do livro ofereceu-me este Seven Storey Mountain V (Pleasure of the Text; 2016), um registo ao vivo de uma massa improvisada de Noise por um batalhão de músicos sobretudo de metais / sopro. Imaginem se Ligeti e Xenakis tivessem voltado do mundo dos mortos com uma fanfarra muito muito mas muito chateada. Os quase 50 minutos são de magia sonora que só quebra quando ouvimos aplausos da audiência no final do disco e que é nos diz que infelizmente voltámos à realidade. O que parece ao calhas nesta "random music" (como é gozada a cena Improv) acaba por fazer sentido na progressão da música incluindo até "o-quer-que-seja-o-instrumento-em-agonia" que aparece no minuto 30 para a frente. Disco sólido! Sólido ou sórdido!?

Com nome de banda Rock, nada mais oposto. Big Bold Back Bone e o seu In search of the emerging species (Shhpuma; 2017) é realmente banda sonora para o fundo do mar cheio de criaturas com ar assustador e fluorescente. É um disco mesmo muito má "trip", na linha de Pão e outros projectos de Travassos - tal como se pode ter uma ideia holística  do seu trabalho no CD que acompanha o Life is a simple mess. Ah! sim, a capa também vem no livro em grande que bem merece!
Ao contrário do disco de Wooley, a música "random" é aqui assumida e é mais difícil de situarmos a narração - os guinchos de ratos a partir do minuto 12 já não vêm tarde? Já não saltámos do porão e não devíamos estar em apneia nesse minuto em concreto? Ah! O Luís Lopes entra nisto! Afastar este disco de crianças e animais...

Por fim, e provando que se há editora portuguesa atenta ao mundo essa é a Shhpuma, eis Bibrax de Raphael Vanoli, um CD de nove peças de guitarra hiper-amplificada, tanto que ao que parece Vanoli basta soprar nas cordas que obtém logo música. Esta atitude artística é inspiradora, mais que a música imaginamos logo novos horizontes musicais ou situações de acidente - olha alguém a subir ao palco dele num concerto, sacar da guitarra para tocar uma malha de Immortal e deixar a audiência surda para sempre? Mas esqueçam lá isso, a música aqui é frágil e "sunset", como se fosse um avatar de Durutti Column cagasse para ritmos, vozes e Pop. É música de sofá... e ao vivo, se o Travassos ("boss" da Shhpuma) deixar-me entrar depois de ler esta resenha. Vá lá, eu juro que não sei tocar Immortal!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing

A Shhpuma lança actualmente a melhor música "toing toing" neste canto europeu, daquela pica-miolos buéda intelectual e de outros abusadores. Por exemplo, não se percebe o conceito a 100% do que a artista Helen Mirra e o músico Ernst Karel fizeram para o CD Maps of Parallels 41º and 49ºN (2014).
Sabe-se que por cada pedaço de terra ou rio ou floresta por onde passam (num risco paralelo) substituíram esses elementos por sons de guitarra, baixo e geradores, numa espécie de "dronaria" ambiental - esta música era a banda sonora de uma instalação de Mirra em 2002 num museu norte-americano. O resultado é um agradável "toing toing" que não irrita, pelo contrário até induz a uma viagem qualquer, não definida dada a simplicidade da edição, sob o ponto de vista visual (onde está a peça ou a instalação representada?) ou textual (uma explicação maior do trabalho?). Que mitrice editorial para tão boa "não-música"...

Currents & Riptides (Shhpuma; 2016) de André Gonçalves ao princípio irrita um cochinho mas depois entra e desabrocha numa flor - sim porque o "toing toing" não precisa de ser sempre uma porra desagradável.
Há algo de (No Pussyfooting) aqui sem ser uma comparação directa às técnicas de composição de Eno e Fripp. Só um cheirinho... talvez com Propofol porque estamos em Portugal onde tudo é mais calmo. Cheio de detalhes e intervenções inesperadas, estamos perante uma natureza morta da Era da Electricidade, Informação e dos Insectos. Esta seria a música de fazer o amor no universo de Vós, Luminosos e Elevados Anjos de William T. Vollmann.



Mas se querem má-onda e bater mal eis que saiu a k7 Pestmortum (Harvest of Death; 2016) dos Funebrüm, que me tentaram vender como "Funeral Doom mas é o que vais sentir quando voltas da morte e estás num caixão"... Jesus! Quem quer isso!? Esta malta não leu o Contra os cristãos de Celso!? Mortos são mortos, não há volta a dar! Nem com intervenção divina um gajo quer estar consciente num corpo decomposto! São 80 minutos de música, 40m de cada lado. O lado A lembra sun0))) se estes tivessem bateria marcial - o que é estranho porque num funeral não se espera "headbaging" - ou ainda os "nossos" Desire sem a parte da telenovela. O lado B é um drone mais irritante que o "loop" estúpido de (Let's talk) Physical dos Revolting Cocks. Este drone já se encontrava submerso no lado A mas no B é omnipresente quase sem intervenções por cima dele. É um desespero tal ouvir o labo B, tal como ninguém quer ser cristão... Porque raios um gajo se submete a esta tortura? Se Lou Reed criou o Heavy Metal também sabemos que também ele o matou em 1975 com o seu Metal Machine Music. Claro que metaleiros só conhecem o Reed daquela merda que ele fez com os Metallica e não se espera que fiquem envergonhados de os comparar a coisas já feitas há 40 anos.
Já o pessoal do Jazz esperava-se um bocado mais de bom gosto e que não tentassem vender tretas com paleio espectacular como a estreia de ROJI, o CD The Hundred Headed Women (Shhpuma; 2016). Mandam um "name-dropping" de tudo o que é fixe da cultura contemporânea para vender aquilo que é apenas mais Free Jazz chato. Falam em Metal, Punk, Mick Harris, PIL, sunn0))), Lars von Triers e até usam o título de um dos primeiros romances gráficos da História - A mulher 100 cabeças de Max Ernst - para nada, nem chega a ser "toing toing". Que pretensão, go away!

Em compensação recebi o CD Flip side (of Sophism) (G33G; 2012) inesperado pica-miolos para quem espera as "pastiches" de Pascal Comelade, conhecido pela sua música feita com instrumentos que são brinquedos. Como é um disco com Richard Pinhas, a coisa muda de figura.
Realmente começa com um piano de Comelade mas cedo a música evolui para caminhos tortuosos, cheios de silvas, plantas com picos e bichos que zumbem sadicamente em frequências indesejáveis. Volta meia volta, mudam de registo a meio para nos fazerem perder o "name-dropping": Noise? Improv? Prog? Gótico? Drone? No Wave? Who cares, é tão bom como o "artwork" do maiorquino Lluís Juncosa.

sábado, 31 de dezembro de 2022

Brand New You're Retro


Que nome para "banda" - ou será "one-man-band"? Moon-Liters / Millennium Development Goals... Fuque duque! "No wave post jazz rock noise" seria o rótulo para a coisa e ainda faltaria algo mais a dizer. Eis um CD bizarro em 2021 pela Shhpuma mas que podia ter sido editado ontem tal é a santa javardice pós-moderna dos temas que poderia ser James Chance and the Contortions como God is My Co-Pilot, RTX, Flaming Lips e Biota. Em Nerve Agent! ouve-se tudo isto sem o ser realmente, os temas longos (média de 8 minutos) são auto-mutantes, modificam-se como um "teenager" estimulado com açúcar, videojogos e pornografia barata. No fundo era o que a Cafetra gostaria de ter feito... mas isso agora... 
De relembrar que os discos da Shhpuma são de salutar pela qualidade e pelo ar fresco. Bem que precisamos deste caso raro editorial. Bom Ano Novo!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Nós gostamos da Trem Azul!


Se há casa comercial em Lisboa que merece todo o nosso apoio pelo excelente trabalho na Cultura desta treta de capital europeia, essa casa chama-se Trem Azul Jazz Store! Espera as coisas estão a mudar! Leiam o e-mail que recebemos: É com prazer e orgulho que anunciamos a abertura do nosso bar. A Trem Azul Record Shop Bar irá funcionar de segunda a quarta, das 14h às 19h30 e de quinta a sábado, das 14h às 2h, no espaço da loja da Rua do Alecrim, 21 A.

Com 12 anos de existência, a Clean Feed, a editora internacional de jazz que esteve na origem da Trem Azul, viu nascer há nove anos, uma loja de discos nessa morada, casa mãe também da Shhpuma, editora subsidiária da Clean Feed que promove e "celebra a heterogeneidade e a criatividade que actualmente se vivem no campo da música em Portugal.

Desde então a Trem Azul foi evoluindo passo a passo: de uma loja aberta ao longo do dia passou a um espaço onde foram ocasionalmente apresentados exposições e concertos ao final do dia e à noite.

Agora, após quase uma década, a Trem Azul anuncia uma nova fase para esta casa: a Trem Azul Record Shop Bar, tal como a loja, de âmbito musical variado e com propostas regulares escolhidas criteriosamente. Este será, sem dúvida, um espaço que marcará a noite lisboeta com uma programação musical ousada e sem compromissos. Um espaço que sentimos que faz falta em Lisboa.

Na sexta 29, dia oficial da abertura, sobem ao palco, às 21h30, TIMESPINE, com Adriana Sá, Tó Trips, um dos dois membros de Dead Combo, e John Klima, cujo álbum a Shhpuma lança nesse mesmo dia. Às 23h chega da Noruega o LANA TRIO com Andreas Wildhagen, Kjetil Jerve e Henrik Munkeby Nørstebø.

Neste mesmo dia vamos ainda revelar uma intervenção no espaço pelos artistas visuais André Lemos, Ana Menezes e Amanda Baeza, preparada especialmente para esta inauguração. Por fim, continua a exposição de Bernardo Rodrigues, RENÉ vs NÁNÁ.

A inauguração marca também o começo de uma promoção de 15% de desconto, em todos os discos, que se estende até ao final de 2013.

No sábado 30 a Trem Azul acolhe o 10.º aniversário da portuense Crónica Electrónica com as actuações de @c e de Eosin e um Dj set de Pedro Tudela.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Não resisti os 30 minutos...



Albatre : A Descent into the Maelström (Shhpuma / Clean Feed; 2013)
Deskarga Etílika : ContamiNation (Death Exclamations; 2011)

Duas descargas de energia que me vieram parar às mãos no último fim-de-semana do Festival Rescaldo, embora foi num concerto dos Lost Gorbachevs numa sociedade recreativa nos Anjos que arranjei o disco de Deskarga Etílika. Lembrou-me de ouvir o primeiro deles (de 2003) e inclusive ter visto um ou dois concertos da banda tendo ficado impressionado com as suas prestações ao vivo. Continua a ser uma boa banda D-Beat / Crust mas falta o segundo vocalista com aquela voz Grind vampiresca para dar dinâmica à música, que por natureza é repetitiva. Ao que parece os Deskarga acabaram em 2008 mas isso não impediu de se editar este segundo disco com uma capa e grafismo muito fixe desenhado do baterista Múmia.
Os Albatre também picam os miolos com barulheira mas estes são um trio de jazzcore residente em Roterdão (terra do camarada Marcel Ruijters) em que dois dos elementos são portugueses. Talvez pelo baterista não ser português é que a banda faça música agressiva ao ponto de ser a primeira edição da Shhpuma que a música não é... espumante. Tocaram na primeira noite do Festival Rescaldo mostrando coesão e poder de fogo que se repete em disco.
Doi ouvir estes CDs! Felizmente ambos tiveram o bom senso de só gravarem mais ou menos meia-hora de música... o corpo e a mente não aguentariam mais tempo de agressão!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

2006 é que foi!

O que aconteceu em 2006? Alguns dos melhores álbuns foram feitos nesse ano, ou melhor, foram editados os álbuns de maior ruptura Pop/Rock em Portugal... Dúvidas? O Ex-Peão (mega-bomba!), Buraka Som Sistema (finalmente o reencontro africano), Nigga Poison (grandes malhetes!), FlorCaveira (na fase Panque Roque do Senhor, antes das banhadas cantautorais posteriores) e ainda no outro lado do cérebro ainda houve a excelente estreia de Most People Are Trained to be Bored e o visceral Limb Shop dos Mèchanosphère. Neste saco de 2006 (e para o lado esquerdo) ponham ainda os Jazz Iguanas, sff.
Banda de "falso Jazz", que de alguma forma vai fazer contacto com os Lounge Lizards, formado por membros de Mão Morta e que editaram um álbum homónimo pela Cobra nesse mesmo Ano do Senhor de Dois Mil e Seis. Apoia-se em Electrónica que não passa por batidas xunguitas mas antes por pequenas abstrações com cheiro a Jazz, Prog e qualquer coisa que tenha sintetizadores avariados. São 14 erros informáticos a serem suportados por um Jazz tradicionalmente parvinho mas que resulta em mais de meia-hora de falso wallpaper e de falso chill out, tipo prenda-envenenada. Uma verdadeira surpresa vinda da máquina do tempo!

E por falar de Most People Are Trained to be Bored (projecto de Gustavo Costa) eis que ele volta aos álbuns com Radialstereometric (Sonoscopia; 2012). É um disco mais radical que a estreia, e radical não significa ser mais barulhento, muito pelo contrário, a exploração sonora (que já se pode falar como género per se) atravessa por mais espaço/tempo, mais minúcia e menos ritmo, ambientes mais detalhados e claro uma dor de cabeça a meio, ou melhor, uma dor de ouvidos, pelos 8 minutos de feedback / som branco ou lá o que é do último tema, que dá título ao álbum. Por causa dos oito minutos desse tema nunca mais deverei ouvir o disco... Hum... afinal sempre é mais barulhento ou extremo que outro? Não sabe / não responde.
Entretanto Gustavo com mais "dois monstros brancos" (e agora todos fazem parte de Sektor 304 mas já lá iremos) são os Radial Chao Opera que lançaram o segundo disco Dve Két (Sonoscopia; 2012), que engana à primeira audição, pensa-se em Most People (...) nem que seja pelas embalagens partilharem um formato comum. Mas pouco a pouco as diferenças emergem, RCO pretende ser uma recolha de música do mundo falsa, provavelmente situada numa praia cheia de lixo entre o Bali e o Mali. Talvez soa melhor do que a esta reles descrição... Sim é música do mundo mas para o Xamã fazer o Upload Sagrado e não para o ritual de acasalamento entre os jovens da tribo, claro!

Eis a surpresa deste ano: os portugueses Sektor 304 e o projecto francês Le Syndicat juntaram-se para fazer o LP Geometry Of Chromonium Skin (Rotorelief; 2013). Antes demais não é um "split-album" na tentativa da banda nova (os Sektor) ganhar público com o velhinho (Syndicat), ou vice-versa, como acontece com muitos discos chatos que andam por aí. É antes um disco de fusão de ideias entre dois projectos de música Industrial em que perdem as suas identidades para criarem uma obra. Se Sektor 304 tem vindo a criar uma discografia de qualidade em que mostra que a recuperação do estilo Industrial não passa por meros revivalismos, este é mais um exemplo do que se pode fazer algo excitante sem se cristalizar. É um disco que o corpo não vai ser moído pelas batidas tribais da chapa metálica e berbequim na caveira. A cabeça é que vai andar à roda pela viagem nos labiríntos sonoros que nos oferecem dentro de cada das cinco faixas. Exemplar!!! Resta dizer que a encarnação dos Sektor neste disco inclui os actuais quatro elementos e duas vozes, uma masculina e uma feminina. Para heresia maior, como é um LP podemos meter em rotações mais rápidas e o disco ganha um groove porreiro! E por favor, oiçam isto em vinil, o som ganha espaço e profundidade que não se consegue em digital!

O mesmo acontece com o disco de estreia de Surya Exp Duo, Trigunam (Lovers & Lollipops; 2012) para que o psicadelismo nos invada. Pela capa já perceberam que a viagem é para os anos 70 e para a Alemanha do Rock, e apesar de estéticamente tudo nos transportar para algo que já foi feito - que geralmente é o meu ponto de raiva contra os discos que são réplicas de outros passados - há algo de vivo e estranho neste ao ponto de não ficar irritado com ele. Muito pelo contrário gosto de o ouvir. Talvez seja porque nunca ouvi Tangerine Dream ou Amon Düül assim tanto como isso. Ou Ravi Shankar e outras freaquices que a costeleta de Punk besta proibia. Nada como ficar velhote para ganhar o terceiro ouvido - mas não o de Sterlac! Meu, até pela capa retro-horrível tenho simpatia!

Por fim, Joana Sá tem um novo disco, outra vez pela Shhpuma, um álbum a solo intitulado de Elogio da Desordem / In praise of disorder. Um trabalho magnífico de piano semi-preparado e outros instrumentos todos tocados por Sá, em que peca pela inclusão de textos de Gonçalo M. Tavares (ei! M ponto de quê?) recitados por Rosinda Costa que não adiantam em nada e soam a teatro da sarjeta e da depressão, e ainda pela performance das sirenes (Satie já foi, please!) que são estridentes, irritantes e kitsch. Estas duas manchas transformam a intensidade do trabalho numa paródia à Spike Jones que se fosse a intenção tudo bem, o humor nunca fez mal a ninguém, mas não sendo o caso, é apenas rídiculo e anacrónico. Por falar nisso, se este ano existe uma embalagem para CD que seja triste, então é esta! De quatro anos para cá apareceu em Portugal uma moda saloia pelos "livros de artistas",  das "edições limitadas" e do uso de métodos antigos e manuais de impressão (serigrafia, tipografia, gravura, etc...) e quem os produz julga que só pelo facto de se usar estas técnicas isso já justifica a qualidade da obra, o valor do trabalho ou do objecto. Infelizmente a maior parte da produção destes produtos gráficos são nulos (a grande excepção são os livros do André Lemos!) e a embalagem deste disco é mais uma monumental enrabanço dos "objectos únicos e manuais". Sinceramente era preferivel ter uma capa "clean" e industrial das produções Clean Feed / Shhpuma que esta bagunça produzida pel'O Homem do Saco... mas... e daí? Qual é mesmo o título deste CD?

Bom acho que vou ouvir umas batidas xunguitas que já chega de tanto toing toing toing toing toing toing!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Fezesbook


Apesar da bíblia fatalista (redundância, qualquer texto sagrado é fatalista) Retromania de Simon Reynolds insistir na impossibilidade de novas revoluções na música e que assistimos a mera combinações e fusões de estilos de música devido à enorme mediateca que o século XX e XXI criou. Pode ser até verdade mas talvez fosse altura de assumir o "mutant dancefloor" (cito DJ Balli) como o denominador comum e/ou unificador que pode trazer à baila projectos tão diferentes em coordenadas geográficas, estéticas, sonoras e logísticas como Putan Club, Sly & Familly Drone, The Ex com Getachew Mekuria, Golden Teacher, Älforjs, 10 000 Russos, Albatre, Kufuki, Bernardo Devlin, HHY & Macumbas, Sektor 304 / Le Syndicat (o disco), Jazz Iguanas, DJ V/A, Lace Bows...
Ontem apareceu mais um grupo para meter neste saco de incongruências, apareceu é como quem diz, vi eu ontem um concerto dos noruegueses Ich Bin N!ntendo - e que vão tocar nos próximo 3 dias pelo país, Milhões incluído. Imaginem uns putos a lembrar The Fall mas com a segurança técnica de quem veio do Free/Noise/Improv, ou seja, fazem um post-punk tão certeiro mesmo quando passaram o tempo inteiro a improvisar... Vê-los a tocar é o "must", cheios de trejeitos do Rock mas com a energia necessária para não deixar ninguém indiferente - o baixo deles é letal! Em disco parece mais histérico e rápido do que ao vivo mas admito que ainda não tive tempo para respirar e pensar muito no assunto. Ah! falo de Lykke lançado pela portuguesa Shhpuma. Mas ide aos concertos primeiro... depois falamos.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Carcaças do Metal



Delírios (2009) é um split-CD de Crystalline Darkness e Pestilência editado pela War Arts, uma editora portuguesa de Black Metal. Para quem acha que o Black é Cradle of Filth (o antigo que ainda era de endurance) esquece-se que existe mais de 50 sombras de pretos neste sub-género musical. Por exemplo, os "black metaleiros" preferem chamar ao seu lado lunar de "avantgarde" que é que ambas bandas praticam. Ambas querem escrever o poema espera - bandas? Aí está, a figura de misantropo que é alimentada pelo Black, oferece a oportunidade de se cagar para bandas e ser um só gajo (muito chateado) a fazer o seu projecto do principio ao fim... Ou ainda convida um amigo lá prá cave para tocar a bateria porque ninguém pode ser multi-instrumentista e tocar bem todos os instrumentos, né? Mais estranho de ser um True Black Metal é pensar que são estes tipos que usam mais artefactos teatrais para fazer espectáculo ao vivo e é o que acontece aqui, estamos num "happening" de dano psicológico que só nos resta assistir. Talvez por isso que metam algures na embalagem do CD a divertida inscrição "total fucking apathy". Aja paciência para estes jovens...



Já a banda Nuklear Goat e a sua estreia Genocidal Storm (2012) pela mesma editora vem da tradição do punk necrófilo, bateria sempre a abrir e tudo o mais "in your face". É música agressiva para cristãos bem comportados e já que falo nisso, as letras tem todos os clichés para ofender os adoradores do porco nazareno desde berrarem o número famoso "666" à referência "porco cristão", o que é sempre uma mais-valia e nunca é tarde demais para relembrar mesmo que haja mais de 666 discos de Black a dizerem o mesmo - alguém está a contá-los? O 666º disco será o melhor deles todos? Eis uma pergunta teórica que alguém deveria responder! Mais vai ler The Rainbow (1915) de D.H. Lawrence (1885-1930) que é muito mais herético mas o disco tem pedalada e é fixe para chatear os vizinhos!



Mais irritante é Vaee Solis em estreia com Adversarial Light (Signal Rex; 2015) porque a vocalista Sophia faz os vocais mais tenebrosos algumas vez feitos na Lusitânia (não acredito que escrevi isto!). Há quem diga que ela soa que está a morrer e temos de tomar isso como um elogio se esta malta faz música com sabor metalizado. Entretanto saiu agora mesmo à coisa de uma hora, um "disco" (em linha apenas?) de remisturas que é melhor que o original porque a parte instrumental foge ao estilo batido Doom/Sludge da banda. Entre as misturas estão cromos pesados como AtilA e o André Coelho (dos extintos Sektor 304 e vencedor dos 500 paus!). Relembro que ainda temos promos deste disco para quem comprar livros nossos "satânicos" ou q.b.


Nagual (Shhpuma; 2015) pode até ser um título pretensioso mas é um disco que muito punk e metaleiro alguma vez conseguiram fazer. Os Albatre mostram que o Jazz mais ardente não precisa de ser "música aleatória" (usando palavras de um amigo meu) a disparar contra tudo e todos, na maior parte das vezes sem os músicos ouvirem os seus parceiros - bem vale a pena ler o graphzine Evan Parker - X Jazz. O trio luso-alemão residente em Roterdão têm uma direcção rítmica bem definida para que o Alto Saxofone possa berrar à vontade e para que tudo soe a uma bomba detonada. Este segundo disco é um LP que permite a capa do Travassos (fundador da editora e designer da Cleanfeed) finalmente tenha o impacto visual que já merecia - para quando um livro com as suas ilustrações?

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Toing Toing Toing Toing Toing Toing



Parque : The Earworm Versions (Shhpuma / Clean Feed; 2013)
Zul Zelub : Ultimaton (Plancton; 2012)

O disco de Parque é o registo áudio de três performances na Culturgest em 2008 ligadas às instalações de Ricardo Jacinto, autor que se divide entre a música e a escultura. O que ouvimos aqui é electroacústica formada de restos mortais de Jazz partilhados com as tais instalações de Jacinto - que são vidros suspensos. Os vários músicos interagem / improvisam com os sons gerados pelos vidros, o que pode soar a algo mais extravagante do que realmente é. De forma generalizada, e sobretudo devido ao texto recitado em Os, esta música desorienta-nos como se tivessemos sido despejados para o Solaris de Andrei Tarkovsky.
A Plancton tem um ritmo demorado e espaçado no tempo mas cada vez que edita um CD há razões de celebração e curiosidade, uma vez que esta editora tem feito um excelente trabalho de reedição de música electrónica experimental portuguesa. Desta vez o projecto contemplado à recuperação é Zul Zelub -já aqui comentado. Não tenho nada a acrescentar ao comentário, excepto que sendo este disco de estúdio, o som está mais apurado e é também mais agressivo os ruídos concretos e electrónicos de Jonas Runa... No disco da Clean Feed, era o piano de Jorge Lima Barreto que tinha protagonismo, aqui menos. Um disco mais duro este...

Merci ao AOZ pelo disco de Zul Zelub, que tem uma fotografia sua do Barreto.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Não resisti ao mash-up



 Joana Sá & Luís José Martins : Almost a Song  (Shhpuma / Clean Feed ; 2013)
Thormethor : Dissolved in Absurd  (Glam-O-Rama + Chaosphere + Raging Planet ; 2012) 

Há tanta música neste planeta que nem temos tempo para ouvi-la como deve ser, da minha parte assume mesmo isso, muitas vezes meto dois discos a tocarem ao mesmo tempo. De vez enquando dão mash-ups porreiros como é o caso destes dois!!!
Thormethor é uma das bandas portuguesas seminais do Death Metal, ou pelo menos a primeira a gravar oficialmente – sem ser demo-tapes – em disco. Recentemente, o Luis Lamelas decidiu fazer o seu sonho de Peter Pan e recuperar uma série de bandas de Metal para vinil – um bocado como já tinha acontecido com o Rock dos anos 50/60 e o Prog nos últimos anos. Dito e feito, já saíram os dos Thormethor e dos Moonspell (quando estes eram barulhentos do Black e não os pussys que são agora do Goth). 4 temas retirados em formato maxi 12” mostram que os Thormethor eram mais do que uma banda Death portuguesa – um feito tão extraordinário como ser a primeira banda dubstep do Luxemburgo – mas uma banda com ideias e força (o rótulo Death Prog fica-lhes bem!), em que claro sentimos influências de Sepultura e de Carcass, man, estávamos em 1990! Os gajos na altura devem ter pago um balúrdio na Bimotor para ouvir o LP Beneath the remains, por exemplo... Boa (re)edição!!!
Um dos temas dos Thormenthor tem um pianito xunga como "Intro" o que vai dar muito bem com o CD da Sá e do Martins. Estes tocam uma série de instrumentos mas com prominência para o piano e guitarra clássica, e se esperam daqui a calmaria típica dos portugueses ou Indie Rock dos Pinhead Society (Sá fez parte) ou algum terror Deolinda (Martins faz parte), esqueçam. As peças invocam música de câmara cheia de silêncios e reflexão só que… de repente entra em drones barulhentos que estragam o ramalhete estético todo – e ainda bem! Um mimo este disco, um mimo!
De resto, é pô-lo a tocar, passados alguns minutos é de por o de Thormethor ao mesmo tempo – talvez um bocadinho mais alto que o de Sá & Martins. Acaba o lado A, devagar se muda para o lado B até acabar. O de Thormethor acaba mais cedo e o de Sá & Martins dão o “Outro” necessário... perfeito!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Anarchist Xmas gift: "Gilles Deleuze and the Poisoning of Beethoven"

Chili Com Carne is looking for foreigner publishers for the following book: "a" maiúsculo com círculo à volta - or is you prefer: Caps "a" with circle around. 




It's a book about music and anarchy written by renowed music critic Rui Eduardo Paes (or REP, his friendly acronym) and illustrated by various Chili Com Carne artists: Joana Pires, Marcos Farrajota, André Coelho, Jucifer, Bráulio Amado (also Designer of the book), José Feitor, David Campos, Daniel Lopes, André Lemos, João Chambel and Ana Menezes.


Often, and in a few cases if not abusively, Punk is identified with Anarchism. In another music areas, there's the usual analogies of the so-called "free-improvisation" with libertarian principles, even if some of the players are musicians with political and social perspectives influenced by Marxist currents such as the Trotzkism and Maoism. There are more connections between music and Anarchy that meets the eye and that's what this short book of Rui Eduardo Paes will reveal... In it, REP lists the music of norwadays like jazz, improvisation, pop-rock, noise or experimental electronics. Daniel Carter, Lê Quan Ninh, John Cage, Fela Kuti, Frank Zappa, Thom York (Radiohead) and Nicolas Collins are some of the figures portrayed by his analytical writing with philosophical dimension, often with humor and provocative thoughts has this essayist and editor of the online magazine jazz.pt is known for. Among the topics covered throughout the ten chapters widely illustrated are the occult, spirituality, science, science fiction, technology, love and sex, with reference to authors as Robert Anton Wilson, Hakim Bey, Murray Bookchin, Starhawk and Ursula K. Le Guin.



About the author: 

Rui Eduardo Paes is a rare example of something rare: a journalist whose work is as essential and informative as it is well-researched and passionate. - Dan Warburton (Wire, Paris Transatlantic)

Music critic and writer free-lancer. Chief-editor of the jazz and improvised music online magazine JAZZ.PT, after six years of editions in paper. Artistic director of the festival Jazz no Parque, produced by Serralves Foundation. Author of nine books about music mixed with multimedia, politics and queer theory. Collaborative work with Culturgest and the recording labels Clean Feed and Shhpuma. Co-founder, with Carlos "Zíngaro", of the artists association Granular, and member of its direction for 11 years, until 2013. Co-founder of the Ernesto de Sousa Fellowship (Experimental Intermedia Foundation / Luso-American Foundation / Calouste Gulbenkian Foundation) and member of its permanent jury for 20 years, until the last edition in 2013. Former assessor of the ACARTE Service / Calouste Gulbenkian Foundation's board of directors.


This is the first chapter, "Gilles Deleuze and the posining of Beethoven", translated in English:

We are experiencing interesting times in the history of anarchist thinking. The avant-garde in this field has gained the designation of Post-Anarchism due to having internalised contemporary critical reflections such as those proposed by philosophers in the post-structuralist school, in particular Gilles Deleuze and Michel Foucault.

At a time when Anarchy no longer needs to be adverse to the divine, when we may encounter a flourishing Christian anarchist movement, defending the return to a savage state, and an anarchist Paganism, with incursions into Shamanism and ritual recourse to narcotic substances, these “new persons” (as the Russian Nihilists of the late 19th and early 20th centuries first got identified with the term surviving to identify their intellectual descendants) have delighted in the discovery of occultism and all its speculative potentials.

There is thus the clear pleasure that Christian Kerslake found in one of the first texts written by Deleuze, published in 1946, when the author was just 21 years of age. This represents the preface to an obscure book written by a physician and occultist in the Romantic period, of whom we today hear so little reference, one Johann Malfatti de Montereggio, an Austrian of Italian origins.

“Mathesis: Studies on Anarchy and the Hierarchy of Knowledge” provides the title to this introduction, immediately leading to the suspicion of something other than a prior anarchist influence on the French philosopher. While the term mathesis universalis was advanced by the rationalist Descartes in order to designate a science capable of explaining everything, we may nevertheless be certain that its justifications prove platonic, theological and esoteric and it was within this scope that Malfatti applied the term.

What the author wrote and what Deleuze himself considered of “Mathesis” in this prose illuminates many aspects of his later work Anti-Oedipus, co-authored with Félix Guattari, such as the essay Difference and Repetition and the concept of a «body without organs».

The fact remains that Gilles Deleuze would never again mention Malfatti irrespective of applying the idea of mathesis in his essays on numerous different occasions. Furthermore, he did not authorise the republishing of any of the writings from his youth and a motive explaining the surprise of Kerslake. Those had remained safeguarded from the majority of readers.

Indeed, Malfatti ended up playing an important role in the secret societies of European occultism of the 19th century, among the Martinists, Rosicrucians, Freemasons, Illuminati and Theosophists. As a physician, he was a follower of the methods advocated by John Brown: all the therapies involved the administration of drugs such as opium, arsenic, camphor, wine or cinchona from Peru. It was not then rare to find, in the General Hospital of Vienna, patients in extremely advanced states of drunkenness, stumbling along the corridors or lying, prostrate in their beds…

Previously a theologian, Brown turned towards medicine after having cured the gout he suffered from through the consumption of opium. He put into practice with his patients the theory that the human organism functions through a combination of external and internal stimuli with the symptoms of any disease caused by imbalances in them. Recourse to opium simultaneously functioned as a stimulant and a relaxant for the excitability of the body.

For somebody with a contemporary perspective, this might appear strange. However, we need to take into account how two centuries ago psychotropic substances were perceived as the best of panaceas and commercially freely available and subject to prescription…

Not even the circumstances of their patients dying along the way, whether through the lack of any more effective cure or through an overdose, demotivated Brown and Malfatti from using those drugs and, as the chronicles testify, both displayed behaviours typical to drug addicts. Indeed, still furthermore, the latter became the clinic of preference for princes and the bourgeois. And also by artists: his name is now best recognised as the physician to the composer Ludwig van Beethoven than for any of his other activities. Still better: as the physician who killed Beethoven.

However, we shall get there soon enough… For the meanwhile, we need to be aware that the understanding prevailing in that period was very different to that kind of moral judgement we might hand down today. According to Schelling, the father of the then emerging natürphilosophie and also an inveterate smoker of Chinese pipes, Brown «was the first to understand the uniquely genuine principles of all the theories of organic nature». For example, those of «somnambulism» and «animal magnetism», which official medicine would later let fall by the wayside.

The «artificial fireworks» adopted by Malfatti to stimulate the «bodies without organs» has experienced the longevity that we know and encountered other defenders in philosophies of more recent influence, such as the psychedelics Timothy Leary and Terence McKenna, both, to a greater or lesser extent influenced by the anarchist movements and, hence, by Romantic occultism. Gilles Deleuze counts himself as among those radical thinkers that engaged in experiments with drugs and thus joining a list that stretches back to the post-Marxist Walter Benjamin and the anarchist Ernst Jünger in the final years of his life.

The orientalism of Leary and McKenna in the years between the 1960s and the 1980s was already present in Malfatti over the course of the years between 1790 and 1800, plunging into Hindu mysticism like few other of his contemporaries and from which he derived the notion of a «hidden anatomy» ordered according to polarities, powers and plans. Mathematical factors but from an incredibly old, stretching back millennia, metaphysical mathematics.

The name Malfatti would prove the delight of the hirsute bearded nihilists in their intentionally dirty clothing who, later, would not rule out any means to assassinate the czar of proud Russia. In every language, such is translatable as «Bad Deed» or «Badly Intentioned». Much gets discussed around what really did happen. Might the enlightened doctor have planned the death of Beethoven by poisoning, raising the dosage of arsenic in the potions he would prepare him? Might this not have been a simple accident even if foreseeable with such a dangerous medication? Might it even have been the composer himself who exaggerated in the quantities ingested?

What nevertheless remains certain is that mathesis took the life of Beethoven. He, at least so it would seem, was not actually infirm; he did however need some kind of stimulation in order to compose and this was the role played by the occultist physician. Arsenic contains aphrodisiac properties and these, when turned away from the act of sex, thus when sublimated or “transcendentalised”, generate a recognised creative potential. Beethoven was stimulated up to a level of absolute non-excitability. In a certainway, he was symbolically deposed from his conditions of genius.

The great irony to this story, which has Gilles Deleuze as its mediator, stems from how another great name in music, the Zen anarchist John Cage, sustained his entire musical theory on the negation of Beethoven. His affirmation that the latter «was wrong» has become proverbial. And he was wrong, in his opinion, because Beethoven defined sections of a composition by harmonic means and Cage not only spurned any relevance to harmony but also had a personal incapacity to deal with it.

Knowing the affinities between Post-Anarchism and science fiction as well as the fantastic literature of writers like William Burroughs, we have here all of the ingredients to imagine how Malfatti de Montereggio was mandated by a Deleuze turned time traveller through magical means, on the occasion of his death in 1995, to exterminate the person responsible for the authoritarianism of harmony in music, Beethoven. Consider how this would have made feasible the existence of a Satie, of a Webern and, of course, the inventor of the prepared piano…

The secret imposed by the post-structuralist thinker as regards his intellectual interconnections with the Italian born pre-nihilist of Vienna might, in this context, be interpreted as indicating complicity in a crime. It now remains to identify just who was the brains behind this Anarcho-esotericism driven conspiracy. Hakim Bey? For all of the consequences that we might wish to draw from this, the most mediatic of post-anarchists does have a criminal record. He is a publicly assumed paedophile.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Eu quero que o Fado se foda! (mas os portugueses são mesmo uns deprimidos)

Recentemente a Clean Feed reeditou Estilhaços de Steve Lacy (1934-2004), primeiro disco de Jazz editado em Portugal. O quinteto do saxofonista norte-americano inclui Irene Aebi que toca violoncelo e manipula um rádio. É Fevereiro de 1972 Ano do Senhor e a primeira coisa que Aebi apanha é logo um programa religioso do espectro radiofónico nacional, o que mostra muito o que era o nosso país - ou aquilo que ele ainda é passadas xxx gerações após o 25 de Abril. Tenho eu 38 anos e continuo sem perceber porque este país é tão parado em quer que seja... Nas artes é sintomático: o cinema de animação que não se mexe, o cinema do Oliveira paradinho, idem idem aspas aspas prá dança, rock e BD... Tudo sempre estático, como se houvesse uma preguiça genética de 500 anos de exploração colonial. Ou então é porque ainda temos medo da PIDE (hoje, da ASAE) nos caia em cima por acelararmos demasiado o passo.

Não que as edições que daqui escrevo mais abaixo sejam más por serem "paradas" - na verdade estão cheio de dinâmicas - mas na essência são projectos experimentais, e experimental em Portugal significa "calmo", sem fazer "barulho" ou agredir o ouvinte. Até na Pop/Rock isto acontece, daí que os géneros preferidos em Portugal sempre foram as chachadas dos Indie Rock, Post-Rock, Goth Metal e agora Post Metal, Drone Metal,... tudo muito triste e calmo de preferência, mostrando que Salazar-depois-de-Salazar conseguiu que o Fado fosse o melhor exemplo do nosso fascismo triunfante...

O mês passado apareceu uma nova editora de música experimental, a Shhpuma, orientada pelo fantástico Sr. Travassos e impulsionada pela Clean Feed / Trem Azul. A estratégia é editar discos que não cabiam nas balizas do Free / Jazz da Clean Feed, assegurando que toda uma nova geração de músicos (sobretudo improvisadores) portugueses não ficassem esquecidos por falta de registos fonográficos - como aliás, é bastante vulgar neste canto europeu. O nome não deixa ficar dúvidas que será uma catálogo de música sem "beats" e movimento, claro está! Shh... nada de levantar a voz!

A primeira edição - são CDs meus senhores, são CDs - é Guitar Soli for the Moa and the Frog de Filipe Felizardo, terceiro disco deste jovem guitarrista que não tenho dúvidas que foi umas das muitas vítimas que sucumbiram a ouvir o regresso dos Earth com Hex; Or Printing in the Infernal Method (Southern Lord; 2005). Felizardo cria uma paisagem Americana que foi extremamente bem gravada numa peça (história?) de 46 minutos. Para além de Earth somos também levados para Dead Man Walking de Neil Young (a musicar o filme de Jim Jarmusch) sem que estas comparações feitas sejam maléficas ou castradoras. Felizardo livrou-se de pedais de "loops" e vozes telúricas e exigiu mais à guitarra enquanto instrumento. Com esta exigência Felizardo provou que terá muitas cartas (de Saloon?) para dar no futuro. Um músico para observar os seus próximos passos!

O segundo disco é a estreia dos Pão, encontro improvável de três músicos: Travassos (que organiza o Festival Rescaldo), Tiago Sousa e Pedro Sousa - sem relações familiares conhecidas. O primeiro usa maquinaria (circuit-bending, fitas magnéticas, etc...), o segundo tecla e o terceiro sopra sax. Nada que junte isto a nenhuma formação clássica de Jazz ou outro género. Improvisam, montam estruturas melódicas (dentro do que se pode considerar melódico para quem usa sons ásperos e ruídosos numa veia ambiental "pós-industrial"), sempre à beira do silêncio e contenção como bons portugueses que são. Aqui nunca há explosões e euforias como acontece sempre na cena Improv / Free. Há desabrochares imprevistos como é normal no crescimento biológico das plantas trepadeiras - a capa é ilustrativa do som. Só não se percebe porque raios arranjaram um nome tão estúpido como Pão... Se fosse "Desabrochar" soaria muito melhor.

Claro quando chegamos a ao disco de Heu{s-k}ach & Pedro Sousa, intitulado I know not what tomorrow will bring (Resting Bell; 2011), em que é quase impossível não comparar a Pão - porque o Pedro Sousa também participa com o seus sax sussurado, porque também é um trio e porque há semelhanças no som. Só que a diferença é que nesta parceria, uma das partes é estrangeira (um duo suiço), logo é mais barulhenta que os portugueses. Não que haja aqui situações espásmicas e estriónicas, pelo contrário continuamos tal como em Pão na experimentação improvisada criadora mais de ambientes do que funções físicas mas é verdade é que esta gente estrangeira toca uma "beca" mais alto que os Pão de Portugal, ponto final. Não que isso seja um ponto em favor mas mostra como nós somos...

Por fim Forever & One Day (ed. de autor; 2012) de Jorge Amador é um exercício de 24h editado em CD-R. 24h para tocar e gravar (para além de realizar as imagens do livrinho do disco) no espírito da improvisação sem acrescentos ou diminuições de edição e pós-produção.
Loops e electrónicas longe de serem lineares acompanham uma guitarra lunar... Mais conhecido como ilustrador, este "amador da música" mostra uma face oculta sem envergonhar. Com toques de psicadelismo e "dronice" que se entrelaçam bem, acabam por provocar algum cansaço por ser demasiado extenso - não fazemos as 24 horas com o Jorge nos cerca de 70m de disco mas é quase... Missão cumprida?