sábado, 21 de maio de 2022

Vai ficar uma brasa... que vai ser preciso beber cerveja!!


30 anos é muita idade para um fanzine!!

Suspeitamos até que possamos ficar xéxés. No entanto o Mesinha de Cabeceira sabe o que faz - é a vantagem dos mutantes. Criado por Marcos Farrajota e Pedro Brito em 1992, já foi de tudo, fotocópia barata, perzines de Farrajota, serigrafia, alto, baixo, agrafado, brochado, grosso, fininho, graphzine, antologia e muitos trabalhos a solo, indo desde o infame norte-americano Mike Diana até ao cometa Nunsky

Desde o ano passado que este título lembrou-se de voltar às bases, publicando monográficos de novos talentos, projectando-os prá praça pública. Foi o que aconteceu com André Ferreira e Alexandra Saldanha. Agora, de uma assentada só, e aproveitando a sobrevivente e sexta edição da Raia, lançámos dois títulos. 

E não poderiam ser mais diferentes entre eles.




O número 31 é do jovem Marco Gomes (Hamburgo; 1995) que começa uma série de BD, Cerveja Depressão, com uma história intitulada Das Schwarze Lock (trad.: O Buraco Negro). Cerveja Depressão é um mergulho nas fantasias perversas e depressões que andam de mão em mão com o fundo de cada garrafa, copo ou lata (para os menos refinados) do qual tanto usufruímos para nos adormecer da realidade por uns breves momentos, mas que nos atira para um vazio sem fim. Das Schwarze Loch é uma aventura num mundo embriagado criado na sua própria mente onde é obrigado a enfrentar dos seus mais profundos medos. O ritmo é alucinante e faz de Marco um potencial autor a conquistar os mercados do mundo. 

Força, meu!

O número 32 é o regresso maroto de André Ruivo (Lisboa; 1977) à Chili Com Carne (lembram-se do Mystery Park?) e ao Mesinha de Cabeceira onde colaborou entre 2003 e 2005. Hot é também é um regresso do Mesinha ao formato graphzine, apesar de uma mini-BD aqui metida! Este molho de desenhos cheios de rabiosques, pilinhas e maminhas prova que o sexo em 2022 pode ainda a ser divertido e amoroso. Chuac!




Entretanto a Tinta nos Nervos disse sobre o HOT: explorando o modo como os corpos e os sexos (todos e tantos) podem ser tão lúdicos como o Lego. Apenas para vacinados! E a cores!  E a Sara Figueiredo Costa no Livros para atravessar a semana escreveu: A edição #32 do Mesinha de Cabeceira, publicação polimorfa que já foi fanzine fotocopiado na velha escola e encadernação com lombada, de autoria individual ou colectiva, é assinada por André Ruivo. Hot é um livrinho onde a nudez, a intimidade e o sexo se mostram em linhas claras e cores saturadas, sempre com um olhar terno, atento aos pequenos gestos da comunicação e do toque. Um homem e uma mulher compõem o par que entra nesta dança do desejo, ambos munidos de um corpo que se revela sem vergonhas e de uma vontade de chegar ao outro que implica diálogo e negociação com vista ao prazer. Como sempre, as imagens e as pequenas narrativas que se vão estruturando nascem de desenhos falsamente simples, uma linha que define a forma e manchas de cor que lhe dão contraste, textura e movimento, guardando-se em cada composição um manancial de sentidos, pequenos pormenores sobre o modo como nos relacionamos, como pensamos, como podemos perder-nos em tantos “ses” e “porquês”, como o humor é também uma partilha. Por entre a nudez explícita e o sexo sem cortinas para disfarçá-lo, Hot é um livro delicado e muito perspicaz sobre o desejo e as suas esquinas e também sobre como nos encontramos a nós mesmos/as quando nos perdemos num corpo alheio. 

E o Bandas Desenhadas sobre a "cerveja": Com um ritmo desenfreado, quase como se fosse um sucedâneo de Tex Avery, Marco apresenta-nos uma imaginativa e divertida viagem, revelando um autor que merece toda a nossa atenção...

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Hot encontra-se na Kingpin, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Alquimia e ZDB.
E a "Cerveja" está na BdMania, Kingpin, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Universal Tongue, Alquimia e ZDB.

Se não quiser mexer o rabo é comprar AQUI.

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