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domingo, 12 de julho de 2026

Melhor disco R💣ck desta década! últimos 10 exemplares na Chili!



𝗘𝘆𝗲𝟭𝟴 é o álbum de estreia de 𝕂𝕣𝕪𝕡𝕥𝕠, o trio de destruição que junta Gon (Zen, Plus Ultra) a Chaka e Martelo (Greengo). 

Co-editado com a Lovers & Lollypops, o disco faz-se acompanhar de uma BD da autoria de Rui Moura. 

à venda na nossa loja em linha, Tinta nos Nervos, BdMania, Linha de Sombra, Mundo Fantasma, Kingpin Books, 
Tigre de Papel, Neat Records, ZDB e Utopia.
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Music CD by Krypto 
+ Comix + Poster by Rui Moura 
Inspired by the raw and psychedelic sound of the Krypto, as well as their lyrics, the comic book complements and explores an acid and timeless universe. 
Guided between rituals and the occult, transporting the psyche through endless mazes. 
 Co-released with Lovers & Lollypops

BUY at our online shop or at Quimby's (USA), Modo (Italy) and Le Mont en L'Air (Paris)




Sabe mais o diabo por ser velho do que por ser diabo e os Krypto, na estreia Eye18, mostram que sabem desta poda como ninguém. Oito malhas que nos recordam um tempo que já não volta, que piscam o olho ao passado sem nunca soarem saudosistas e que aproveitam para resgatar todo aquele balanço que a música de e com peso parece, por vezes, ter esquecido.

Não sabemos quem teve esta ideia, mas por nós mereceria uma medalha. Juntar aquele que é, sem dúvida alguma, o melhor e mais alucinado vocalista que este país viu nascer (um título que, por mérito próprio, exibe desde meados da década de noventa com os Zen e recentemente renovado na insanidade dos Plus Ultra) aos Greengo, provavelmente a maior força propulsora que a Invicta viu nascer por entre baforadas carregadas de intenção e acidez. Gon encontra no baixo de Martelo e na bateria de Chaka as carruagens de fogo ideais para se lançar numa infindável lista de diatribes sobre isolação, alienação, corrupção, o vazio consumista deslumbrado com a tecnologia ou a cultura empresarial.

É brutalista o som que nos despejam em cima e, apesar de um ou outro laivo psicadélico, impossível de acorrentar, numa viagem que se refugia na atitude primitiva, natural e pura de quem tem o dom de nos deixar num estado cataléptico. Música que exige ressonância e espaço para ser sentida, que cresce em urgência no espírito carbonário com que nos obriga a uma reflexão sobre a vida sem regras e responsabilidades hipócritas.

Rejeitemos a ideia de que temos de nos tornar num ideal, um camarada devoto do pensamento único, distante de sermos um indivíduo e não apenas parte de uma tribo. If we moved in next door to you, your lawn would die, palavras de Lemmy que se aplicam na perfeição a este Eye18, disco em trepidação constante pelo vazio insaciável, com sede de sobreviver e uma vontade que nos deixa atordoados, encanecidos, amortalhados, mas também num alerta constante e eufórico provocado pela privação de sono e sonho que a música dos Krypto teima em nos inflingir ao longo dos seus 23 minutos.

 O disco transforma-se numa banda desenhada da autoria de Rui Moura e inspirada no som bruto e psicadélico dos Krypto, bem como nas suas letras, a banda desenhada complementa e explora um universo ácido e atemporal. Guiado entre rituais e o oculto, transportando a psique por labirintos infinitos.




Historial: 

Lançado a 16 e 17 de Janeiro 2020, respectivamente, no Porto (Maus Hábitos) e em Lisboa (Musicbox), na abertura de Petbrick
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Feedback:

I hope I get to see Krypto!
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Moura imerge no som de Eye18 dos Krypto para nos apresentar um mundo interior de insatisfação, revolta, contestação e… sonho! Mas desiluda-se quem julgue que a BD terá um final feliz
Bandas Desenhadas

(...) entrada numa pista de aceleração, onde não se sabe quando se vai perder o controlo da velocidade.
 Acordes de Quintas

Psicadelia profundamente evocativa (...) animada por noise por uma crua acidez (...) até o corpo não aguentar mais.
8/10
Loud

artigo na Loud! (primeira Loud! online e free, meus queridos-coronas!)

gostei bastante, tanto da parte gráfica como da música. É uma jarda pré-apocalíptica de respeito, em jeito de cuspidela raivosa (contra a máquina?). A música I Saw fez-me lembrar os Young Gods... Quanto ao grafismo, se toda a música viesse assim tão bem embrulhada, não me importava nada de voltar a comprar CDs. Parabéns a todos pela edição!
Nunsky (por email)
 
O Rui Gon podia estar numa banda de NY Hardcore ou de Nu Metal e seria o melhor do mundo. Zen, Plus Ultra e agora Krypto nada se parece com nada, o som de cada banda sempre foi original e nunca houve três bandas destas no mundo. Em palco é gajo para bater o Iggy Pop nem seja porque com aquele corpinho e calções de guna do Porto pronto prá porrada parece um sátiro pronto para fornicar com tudo e todos. O resto da banda é capaz de ter o pior guarda-fatos e frequentarem o pior barbeiro da história do Rock mas, sinceramente: fuck it! O que sempre se quis do Rock é que fosse feio, sujo e mau! Os putos estúpidos da linha que estavam cá fora perderam o concerto da vida deles.
M.F. 3.11.24





terça-feira, 5 de maio de 2026

MASSA CRITICA /// na Utopia


 
Pergunta, que espécie de antologia de Banda Desenhada poderá entrar na colecção THISCOvery CCChannel? Talvez se encontre uma resposta aqui! 

Exacto! 

Numa preocupação constante de falta de obras de referência em Portugal - e apesar de alguns títulos sobre bd que já publicámos nesta colecção, como a Maga ou The Reading Gaze (de Domingos Isabelinho) - qualquer oportunidade é boa para arrancar pelo menos testemunhos sobre BD pelos artistas. Por exemplo, quando o australiano Michael Fikaris quis fazer uma antologia de bd portuguesa e australiana, foi convencido a pedir trabalhos sobre bd aos artistas convidados. A antologia Opposights saiu em 2021, e os resultados dos portugueses eram surpreendentes! Tinha de publicar-se em Portugal ou em português! Pouco importava se seria um livro pequeno! 

Felizmente, foi crescendo porque fomos encontrando sempre mais alguém que mostrava interesse em participar. Muito sinceramente, valia e valeu a pena esperar mais um bocadinho até que o artista entregasse o trabalho. 

 Bocadinho a bocadinho, já lá vão uns três anos para esta montanha parir este rato. Rato? Ratazana, isto é para picar!!! Cinzentinhos, bazem!

foto de Rodolfo Mariano


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128p p/b 16,5x23cm, capa a 2 cores. Editado por Marcos Farrajota. Publicado pela Chili Com Carne e Thisco. Capa e Design feito pelo Rei da BD Portuguesa!!
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disponível na nossa loja em linha e na Almedina, BdMania, Kingpin Books, Linha de Sombra, Matéria Prima, Snob, Socorro, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB (Lisboa), Cassandra, Mundo Fantasma, Utopia (Porto) e Velhotes (VN Gaia). E na Eventual (Espanha) e TFM (Alemanha).
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Tabela de conteúdos:

Editorial Arrivista (texto) por Marcos Farrajota

EXPERIÊNCIA
A cena por Amanda Baeza
(sobre feiras e estratégias) por Mariana Pita
Comic Trips por Rui Moura
(uma autobiografia sobre a sua relação com a BD) por Bruno Borges
(a primeira parte do livro "No tempo em que os meus medos falavam") por Miguel Ferreira

FORMA
Shapes found in Comics por Cátia Serrão
(sobre o vício da tinta da china, em inglês devido ao "punchline" intraduzível) por Pedro Burgos
Estudo do meio por André Lemos
Subtextual nihilism por Hetamoé

ENSAIO
Porquê BD? por André Pereira
Consciência Sequencial por Rodolfo Mariano
Breve e imprecisa História da Cienfuegos Press por Gonçalo Duarte
Melanina & a BD portuguesa no século XXI por Miguel Santos
O Hábito fez um monstro! por Lucas Almeida
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Feedback:

Ontem já estive a ler parte do livro à noite. Grande editorial arrivista! Já estava entusiasmado para ver o livro e agora que o tenho nas mãos fico ainda mais contente por ter participado. As histórias que li rendem bué e é um livro que parece sair na altura certa, com todas as discussões que me têm chegado aos ouvidos (sobre a BD ser um "género", sobre a "novela gráfica", sobre a falta de consciência história da BD PT...). Também me ocorreu que, no género de "BD a falar dela própria", e ao contrário do que se faz por aí, é um livro que dá destaque às vozes de autores e não de editores, o que me parece relevante no contexto actual. Enfim, considerações superficiais, mas genuinamente entusiasmadas; deixo a profundidade de reflexão para as várias histórias do Massa Crítica.
André Pereira (via email)

A Massa 'tava óptima!
David Campos (via email)

Excelente BD a do Miguel Santos na Massa Crítica.
André Oliveira (via email)

(...) A brincadeira começou na Austrália, (...) em que eu já participei com mais alguns artistas portugueses e de lá. Não fazia ideia que iriam querer publicar a versão portuguesa, que junta mais uns quantos nomes e é mais específica sobre a cena local - ou seja, portuguesa. Cada vez me faz mais confusão falar de arte ou bd portuguesa, ou sequer de Portugal, já que trazem o tema à conversa; ou mesmo de banda desenhada, por oposição a outras disciplinas ou circunscrita no seu meio. (...) Ainda assim, gostei muito do livro (...) Revejo-me naquilo, conheço a maior parte dos assuntos e as pessoas; para além de que me deu bastante gozo fazer a minha parte. E, claro, é com certeza um material de estudo necessário e interessante para quem vem depois para fazer a BD. O design do livro é do Rudolfo e está altamente!


Antologia de banda desenhada que eleva a BD portuguesa a patamares de distinção Raramente um livro de banda desenhada em Portugal consegue captar ao mesmo tempo a energia de um movimento artístico pulsante e a reflexão exigente sobre o próprio meio. Massa Crítica, antologia (...) consegue exatamente isso. (...) Do ponto de vista formal, editorial e estético, Massa Crítica é uma obra de afirmação. (...) As categorias de conteúdo — Experiência, Forma, Ensaio — indicam por si um ambicioso cruzamento entre autobiografia artística, teoria, crítica e prática. Por exemplo, (...) Porquê BD? de André Pereira, não só enriquecem o panorama teórico da BD portuguesa como oferecem leituras íntimas, pessoais, que reforçam a autenticidade do todo. Num panorama editorial em que por vezes se privilegiam fórmulas seguras ou estéticas de apelo imediato, Massa Crítica ergue-se como contraponto valioso: desafia, provoca, estimula. Não se contenta em apenas registar o que já existe; procura interrogar, abrir novas emoções, lançar pontes entre o meio e quem o consome. E faz isso de dentro, por quem vive a banda desenhada. (...) É um manifesto — artístico, intelectual, cultural — e uma prova concreta de que a banda desenhada portuguesa tem mais de onde extrair matéria, alma e espessura. Quem se interessa por BD, ou por cultura contemporânea que pensa para lá da superfície, vai encontrar aqui um livro obrigatório. A capa de Massa Crítica: manifesto visual da BD independente portuguesa Num mercado editorial onde muitas vezes a capa é pensada apenas como chamariz de consumo rápido, Massa Crítica apresenta-se com uma solução gráfica ousada, concebida por Rudolfo, que funciona como verdadeiro manifesto visual. O fundo magenta saturado contrasta de forma vibrante com as letras e figuras em amarelo, criando uma tensão cromática que prende o olhar e impõe presença. As formas orgânicas — meio tipográficas, meio escultóricas — evocam tanto o gesto manual como a experimentação plástica digital, transmitindo uma energia bruta, viva e indomável. Não há aqui a busca por uma “beleza polida”, mas antes a afirmação da autenticidade e da radicalidade criativa que caracteriza a Chili Com Carne. (...)
Paulo Pereira para um JL extinto

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Historial

14 de Dezembro 2024: primeira apresentação na Socorro, Porto, com a presença do editor Marcos Farrajota e o artista Rui Moura. no âmbito do Culturismo Hardcore II, o maior evento de nicho Pop!

11 de Janeiro 2025: lançamento oficial na Tinta nos Nervos, com presença do editor Marcos Farrajota e dos artistas Amanda Baeza, André Pereira, Hetamoé e Miguel Santos.

24 Fevereiro 2025: conferência "Melanina e a BD Portuguesa no século XXI" por Miguel Santos @ Sala 8.2.12 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Referido sem crítica - porque a pobreza grassa na BD portuguesa - no jornal Jornal de Letras, o que diz muito da barriga burguesa do seu "crítico"...

 22 Setembro 2025: BD de Hetamoé no projecto Story Tellers no Parque Silva Porto, Benfica, Lisboa



sexta-feira, 7 de abril de 2023

E de repente... (relatório 2022 sobre zines e edição independente)

Iá! Voltou tudo ao "normal"... mas com vingança! Outra vez as ruas cheias de turistas borregos a comerem no chão a comida que compraram no Pingo Doce - até os porcos no curral tem mais dignidade. Talões de papel enormes. Plástico por todo o lado e em todos os produtos. Parabéns, mundo da fantasia e afins. Tudo voltou ao normal e para pior. Espera, houve um "up-grade"!! As tão procuradas máscaras  de 2020 agora esvoaçam em arbustos, na rua ou no raio que o parta... Vão se foder!


Comemorações?

Um associado nosso, o Erradiador, lembrou-se de que este seria o ano para comemorar os 50 de existência de fanzines de BD em Portugal. não sei se os fanzines quererão um reconhecimento assim institucional mas mesmo que o quisessem deparam-se com dois problemas, o primeiro é que as instituições que tem acervos de fanzines em 2022 ou estavam em obras (Bedeteca de Lisboa) ou em estado Zombie (a Fanzinoteca Geraldes Lino na Amadora funciona? Nunca se ouve falar dela!) mas o problema mais grave é que na realidade já não há fanzines de BD em Portugal. Como assim?

O problema já vem antes da crise do Covid, poucos serão os títulos que se apresentam como uma publicação colectiva. Basta verificar isso nos nomes dos participantes das feiras "indies", é só nomes próprios de "artistas", nada de Olho do Cu (uma excepção à regra e que continua a bombar!) ou algum nome de um projecto editorial. De acordo com este individualismo e com a crise da falta de eventos durante os dois anos da pandemia, parece que ainda há menos publicações físicas do que antes.

Fizeram-se 30 anos do Mesinha de Cabeceira mas como é de BD não teve direito a livro de memórias ou festinhas como aconteceu com a SPH / Thisco. Ninguém quer saber de BD neste país... Seja como for, em 2021 tinha-me decidido de voltar às raízes das tiragens reduzidas (80 a 100 exemplares) para retirar trabalhos das gavetas de malta que já teria idade para ter juízo ou os verdinhos da cena. Destaco os últimos que foram boas lufadas de ar fresco: Alexandra Saldanha, Ângela Cardinhos, Matilde Basto, Luís Barreto e Rodrigo Villalba. Espero voltar a vê-los noutras aventuras agora que já aprenderam a editar!

A Oficina Arara também fez "10 + 2 anos" com um livro cheio de luxo mas com pouco interesse, uma oportunidade perdida para mostrar documentos dos seus eventos, viagens, produção e exposições. Entraram textos mas tudo pouco explicativo do que é (realmente) ou que foi este colectivo gráfico. Se esperam que alguém edite uma monografia quando forem velhinhos, é melhor esquecer, embora tenha sido um ano fora do comum na edição de obras de referência. Geralmente é neste relatório que se percebe que é raríssimo haver publicações sobre BD, e muito menos no sector privado porque "não se vendem", tendo de ser as instituições a editar catálogos para solidificar a História da BD portuguesa. Só que já nem isso existe porque desde 2015 que o Festival da Amadora não o faz, por exemplo. 

Em 2022 saiu pela Universidade de Leuven (Bélgica) Visualising Small Traumas : Contemporary Portuguese Comics at the Intersection of Everyday Trauma, um ensaio sobre BD portuguesa contemporânea e o trauma do quotidiano, tese de doutoramento de Pedro Moura. Logo a seguir The Reading Gaze :  "My" comics de Domingos Isabelinho - finalmente um livro deste lúcido crítico! Ambos livros foram redigidos em inglês, um porque é o Esperanto da academia, o outro porque ninguém quer saber de BD em Portugal - e é verdade que a grande maioria das vendas foram para pessoas dos EUA, Inglaterra, Itália, etc... Houve três livros ligados à "SHeITa" que foi um esbanjar de dinheiro da UE e escritos por cromos velhos colecionadores de "bêdê". Um dos livros faz revisionismo do que já estava feito pela Bedeteca de Lisboa, outro "homenageando" o passado de forma bacoca e por fim outro a entrevistar os autores de BD portugueses menos interessantes de sempre. Haja dinheiro...

Mas houve mais, uma entrevista a Robert Crumb e Aline Kominsky-Crumb (talvez a última pois a artista iria falecer no final do ano) na revista do Expresso, uma entrevista "cinekomix" impressa a Will Eisner (1917-2005) por Edgar Pêra na revista Argumento e houve vários artigos sobre Artur Varela (1937-2017) na revista Flauta de Luz. 

Importante referir a revista sobre ilustração Aguça que também tem um bocado de BD nas suas páginas, creio que é a primeira vez que surge um projecto em Portugal deste género. 

Outra situação inédita e ainda o Pêra, foram exibidas na grande tela, no Doc Lisboa, três entrevistas "Cinekomix" em que encontramos José Carlos Fernandes e o finlandês Tommi Musturi.

Outro inédito e que tinha potencial se não fosse dar em esquemas de flatulência, buzinadelas e outros efeitos circenses, o programa de rádio Pranchas e Balões que promove mediocridade sempre que pode na Antena 1.

Houve um volume dedicada à obra gráfica de Mário Henrique-Leiria (1923-80) na colecção dedicada à sua obra completa, pela E-Primatur, nela encontramos mais uma BDs deste escritor surrealista. Sem ser BD mas obrigatório para qualquer desenhador ou editor de BD eis que apareceu um Compêndio Cantiano, pela Barbara Says..., ou seja, outro monográfico dedicado ao obscuro-mas-brilhante Paulo de Cantos (1892-1979). 

E por fim, um documento importantíssimo para quem não percebeu a excelência do trabalho na BD pela parte de João Paulo Cotrim (1965-2021): Foi quase um prazer. Este livro reúne um conjunto de textos de Cotrim nas várias áreas visuais que se mexia / incentivava / pesquisava / publicava, ou seja, um animado bordel de cartoon, ilustração, BD, pintura, filme de animação e mais qualquer coisa. De importância máxima no livro são os verbetes redigidos pelo designer Jorge Silva, para quem não teve idade (ou que teve mas foi burro) de conhecer a revista Lx Comics e o catálogo ou a programação da Bedeteca de Lisboa.


Portuguese Contemporary Comics

Moi, HELLsínquia!!
Foi assim que a revista finlandesa de BD Kuti mostrou os trabalhos de Amanda Baeza, Ana Biscaia, Sara Boiça, Pedro Burgos, Ema Gaspar, Hetamoé, Daniel Lima, Ana Maçã, Tiago Manuel, Rodolfo Mariano, Rui Moura, Ricardo Paião Oliveira, André Ruivo, Rudolfo, Alexandra Saldanha e Cátia Serrão, num número dedicado à BD portuguesa. Foi lançado no Festival de BD de Helsínquia onde estiveram Rudolfo e Hetamoé como convidados especiais do evento.

Com o regresso dos festivais internacionais, o David Campos foi ao Festival de Varsóvia, Ana Margarida Matos ao Festival de Hamburgo, Gonçalo Duarte, Rui Moura e André Pereira ao Crack (Roma), onde também estiveram a Oficina Arara, que por sua vez tiveram uma exposição dos seus 12 anos em digressão por Marselha e Belgrado.

Ana Margarida Matos participou no número comemorativo da revista eslovena Stripburger (30 anos!), Miguel Santos na sueca C'est Bon, Dileydi Florez e Mao na letã Kuš!, que também editou os mini-kuš da Joana Mosi e Pedro Burgos. Ana Maçã e Simão Simões participaram no fanzine Amorcito #3 da Galiza. 

Em língua castelhana saíram os livros Abolição do Trabalho de Bob Black e Bruno Borges em Espanha, Terminal Tower de Manuel João Neto e André Coelho na Colómbia e Família de Júlia Barata na Argentina e Espanha - para quando uma edição portuguesa deste último?


Turismo rápido

Chloé Wary passou pelo Festival de Beja, na Amadora nem me lembra quem foi lá mas pelo menos foi menos festa da mangueira do que no ano passado! Mais interessante e como aconteceu nos "anos covid" foi a Tinta nos Nervos que apostou em exposições e presenças de artistas estrangeiros, em 2022 visitaram o galego Oscar Raña e o australiano Michael Fikaris.

Houve relâmpagos porque é malta do "rock'n'roll"! Passaram a 180 à hora as bandas Los Caballos de Düsseldorf (com Olaf Ladousse) por Lisboa e os Lightning Bolt (com Brian Chippendale) por Braga e Lisboa. Alguém pediu autógrafos a estes músicos-artistas?


Eventos públicos

Foi o regresso à normalidade: duas Raias e um M.A.L. em Lisboa, e um Perímetro no Porto.

Fora do baralho, aconteceu uma "BD 24h" na "Nova" (Carcavelos) organizada por dois autores estrangeiros residentes em Portugal, o turco Utku Yavaşça e o italiano Nicola Lonzi. Foram parar aquela escola de porcos capitalistas por só terem encontrado este sítio como um espaço aberto 24h - os tempos mudaram mesmo, porque em 1997, havia o espaço Ágora onde fiz também esta "performance" com o Rafael Gouveia... Para a próxima a ver se é no Desterro!!

O projecto Story Tellers, que está num parque em Benfica, disponibiliza BDs através de um "QR code", sendo que na selecção de Inverno tiveram conteúdo inédito envolvendo novos artistas, a saber: Alexandra Saldanha, Ângela Cardinhos, Inês Louro, Luís Barreto, Marco Gomes, Mina Anguelova, Rodolfo Mariano e Tomás Ribeiro.

O evento mais sentimental foi com certeza o EnCOTRIM na Livraria Verney (Oeiras) mas com um programa completo para todos envolta da memória de João Paulo Cotrim que nos deixou em 2021.

De referir ainda exposições várias, dentro dos festivais sobressaíram o Rodolfo Mariano e o inglês, residente em Serpa, Andrew Smith em Beja e o Nunsky na Amadora. O resto foi aquele deserto "bedófilo" com falta de programação para os tempos que vivemos. Para encontrar contemporaneidade é preciso procurar outras paragens como na Sirigaita onde foi comemorado os 10 anos da série Mapa Borrado, ou seja, as BDs de José Smith Vargas no jornal Mapa; ou ver um trabalho do João Sobral no Teatro Luís de Camões, a explicar o Dinheiro às crianças. Na "ilustração" tanto houve uma força 100% DIY com A fome e outras frieiras de José Feitor no Espaço Correntes, algo intermédio com Miguel Carneiro na Galeria Verão e a onda institucional com Mattia Denisse na Culturgest.


Por fim, e o que interessa, as edições!

Francisco Sousa Lobo acabou a publicação Palácio, de forma bizarra, já sem ser ele a editar mas a Tinta nos Nervos, com problemas técnicos de impressão e a um preço inexplicável - embora já toda a gente sabe que o papel subiu de preço, ou se preferirem tudo aumentou de preço como é típico nas crises capitalistas, onde os porcos fingem escassez e provocam especulação. 

Em compensação, também inexplicável mas de tão barata que é e para o livro que é, Na Prisão do japonês Kazuichi Hanawa, pela Sendai. Leitura obrigatória para quem sonha com um Japão "kiduxo"! Num mercado saturado de merda, são editoras assim que fazem diferença. A construção do catálogo desta editora está a ser fascinante, sendo sempre uma surpresa feliz cada vez que é anunciado um novo título. Outro com a mesma pinta de surpresa será a Magma Bruta que embora esteja no nível da edição limitada - devido à impressão em riografia. Este projecto entretanto instalou-se em Portugal e publicou o primeiro capítulo de Dew Beaded Fingers - que há de ser um livro maior - da Amanda Baeza, belo regresso!

O problema do mercado de BD português não é do lixo comercial per se, o problema é esse lixo nem é o mais óbvio. Saíram e saem todos os meses, álbuns inexplicáveis que lembra os anos 80: BD pedagógicas ou adaptações literárias e históricas... que estranho, com a Wikipedia acho que podemos saber quem foram os bastardos do Mao ou do Churchill. Precisamos de ler BD-sem-sal sobre eles? Outra situação do mercado de 2022, bués de Mangas de 5ª divisão para enganar os putos. Que triste...

E depois, em Portugal, está tudo ainda em aberto, continua-se sem edições de obras maiores ou de artistas de alta craveira. A extinta colecção Novela Gráfica (que de ano para ano ia piorando), fez um bom trabalho ao finalmente publicar, em livro, artistas como Max, Baudoin, Crumb ou Seth. Mas porque não a Julie Doucet que ganhou em 2022 o prémio principal do Festival de Angoulême? Não, nem pensarm preferiram publicar duas vezes o idiota do Bastien Vivés, que foi cancelado pelo mesmo certame,... Fabuloso não?

Há sempre livros curiosos apesar de tudo, ou seja, nem tudo é estúpido. Com orgulho digo que ainda bem que existe a Chili Com Carne que é capaz de editar peças delicadas compiladas em Sinapses do Ivo Puiupo, seja, um tijolo de 300 páginas sobre o Porto "gógó" dos anos 90 como o Companheiros da Penumbra de Nunsky - o grande regresso de 2022. Também houve novos livros de Marco Mendes (pela Turbina), Diniz Conefrey (Quarto de Jade), Miguel Rocha, do espanhol Miguel Angel Martin e duas reedições, uma de Max Ernst (Sistema Solar) e o Palestina de Joe Sacco, pela Tigre de Papel, que é um desastre gráfico. Mais uma vez, haja dinheiro...

Houve dois bons números da colecção Toupeira da Bedeteca de Beja, as já referidas surpresas, Andrew Smith e Rodolfo Mariano. Regressou O Filme da Minha Vida com um de António Jorge Gonçalves, o zine Invasão, ligado ao Marco Gomes que auto-editou um livro, Lethal Dose com BDs que adaptam letras e bandas Metal / Hardcore. Houve Opuntias Books à barda e o André Pereira fez um zine, 5-color Good Stuff.


Iá!


E como sempre são os "indies" os inovadores, estando a Inteligência Artificial na boca do povo, eis que foi um ano de experiências. Dois argumentistas usaram a coisa, Pedro Moura com uma curta na revista Cais e Mário Freitas com um "comic-book", A Polaroid em branco. A artista Hetamoé usou na referida Kuti e a Chili Com Carne ajudou na edição do monstruoso Fastwalkers (imagem ao lado) de Ilan Manouach.


RIP

Justin Green, o pai da autobiografia. Miguel Gallardo, vida loca na democracia espanhola. A referida Aline e Diane Noomin, mulheres corajosas do underground comix. Kevin O'Neill, um gozão! José Ruy, um senhor que marca o fim de uma Era da BD portuguesa.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Massa crítica?




Nestes anos estranhos de Covid só percebi em Junho deste ano que a antologia de BD Opposights pela Silent Army finalmente saiu. Junta nas suas páginas autores portugueses e australianos a tratarem das suas experiências com o meio da BD. Da parte portuguesa estão artistas fantásticos como a Amanda Baeza (que fez também a capa) ou a Hetamoé - hilariante a sua BD, parte com tudo!!!!!!!

Entretanto o editor e artista gráfico Michael Fikaris teve uma exposição inaugurada este Sábado na Tinta nos Nervos e tivemos uma conversa... e... foi o "high five" de missão cumprida!




Da minha parte ajudei o Fikaris na selecção e pelos vistos fui recompensado aparecendo nas BDs do Rui Moura e da Mariana Pita.



Se o Rui mostra uma homenagem porque lhe foi parar uma CriCa nos tempos do saudoso Milhões de Festa, já a Pita trata-me como se fosse um maluquinho. É merecido! Mas o melhor dela é algures na BD que mete o fofinho a dizer isto: Curators for a zine fair? What the f**k is this? Talvez a cena mais brilhante alguma vez escrita na BD portuguesa!!! Quem achasse que a Pita era só fofuras, fiquem então a saber que ela sabe dar uma doses de realidade crítica assim nas entrelinhas.

Por fim, mandar vir este livro da Austrália é uma dor de cabeça de guita e de burocracia - as alfândegas portuguesas deveriam entrar numa BD da Cátia Serrão ou do Pedro Burgos, por exemplo... Se calhar fazia-se uma edição portuguesa disto, não?



sábado, 3 de dezembro de 2022

Conversa com Michael Fikaris


O grande Michael Fikaris regressa a Portugal desta vez na Tinta nos Nervos. 

Este artista multidisciplinar australiano baseado em Melbourne, Fikaris desenvolve o seu trabalho gráfico sobretudo nos campos da banda desenhada, das artes de impressão e da pintura, cruzando temáticas como a segurança sanitária e a natureza. A exposição Out There que reúne um conjunto substancial de trabalhos originais e múltiplos surge na Tinta nos Nervos por ocasião da passagem do artista por Lisboa para uma conversa com Marcos Farrajota este Sábado às 16h, a propósito do lançamento do livro SRY not sorry, pela editora e nossa parceira letã Küs.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Agradecimentos à BD Amadora 2017

A Chili Com Carne agradece publicamente ao Festival de BD da Amadora de 2017 por nos ter acolhido e por continuar a dar-nos prémios, epá!  Mostrando que há, sem dúvida, uma vontade deste festival em chegar ao público que não seja dos habituais "bedófilos" reaccionários.

Aproveitamos também as presenças do australiano Michael Fikaris e o brasileiro Alex Vieira (da Prego) em Portugal para apresentações públicas dos seus projectos. Obrigado a ambos. E também à Sílvia Rodrigues, Clube do Inferno e Sapata Press por terem aparecido com os seus zines...

Recuerdos dos dias passados:

...é o rap! Fikaris e Farrajota numa "battle" porcalhota

Fikaris e as fikarettes!

Vendendo a Alma ao comercialismo bacoco! Ga-ga-ga-ga...

Thanks Fikaris for the wonderful time in the Festival and outside the festival!!!




Garfield, o fofinho cínico com a Dama Fofura Mariana Pita... YEAH!!!!


Pato & Xavier a fazerem merda no autógrafos...

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

ccc@amadora.2017



Este ano a Associação Chili Com Carne está representada na BD Amadora com um stand  dividido com a MMMNNNRRRG tal como tem acontecido nos últimos dois anos. 

Infelizmente mais uma vez não conseguimos ter um espaço digno para receber fanzines e outros editores independentes, sendo que só conseguiremos representar os zines da Ruru Comix, livros do Serrote e as serigrafias do Mike Goes West. Consultem o CCCalendário (a primeira lista à vossa direita deste blogue) para saberem os dias que lá estaremos... 

Contem com a bela exposição sobre a antologia dos anos 70 - REVISÃO, cujos últimos exemplares estarão à venda!!! -, apresentação do livro Santa Camarão de Xavier Almeida com Pato Bravo (B Fachada) no dia 12 de Novembro às 17h e sessões de autógrafos de Amanda Baeza (29 Out), Tiago Baptista (4 Nov), Mariana Pita (5 Nov) e Xavier Almeida e Pato Bravo (12 Nov), sempre às 18h. 

Por fim, oferecemos uma ajudinha aos nossos camaradas do Hemisfério Sul para apresentarem os seus projectos no festival. Apontem na agenda: o australiano Michael Fikaris (1 Nov, às 16h30) e o brasileiro Alex Vieira (5 Nov, às 15h30) que apresentará o novo Prego (edição fudida) que tem um trabalho do Manuel Pereira.

hooo-ey!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Relatório pró Mariano #2 sai na quinta-Feira!

Fikaris admirado com a edição portuguesa de Megg, Mogg & Mocho, Farrajota alegre com o livro do australiano e a fofura em pessoa a promover o seu Mariano. Algures em 2016.

O Relatório Anual de Fanzines e Edição Independente de BD portuguesa de 2016 vai ser publicado este ano no fanzine Mariano #2 (um projecto único em Portugal, diga-se) que sai no dia 1 de Junho no Estrela Decadente (Lisboa). 

Depois de publicar os últimos dois relatórios no Maga e no Portuguese Small Press Yearbook continuo a preferir o "formato papel" para este texto, nada a fazer... Para este ano, o texto é ilustrado com desenhos sacado ao caderno de esboços do Rodolfo Mariano. Obrigado por tudo, ó dois Marianos! 

PS - gosto da cor salmão em papel para impressão!

rabiscos de Rodolfo Mariano



terça-feira, 30 de maio de 2017

QCDAs nas Austrálias...





Crazy aussies! 
Nosso amigo Fikaris continua a divulgar os nossos livros no outro lado do hemisfério!
Thanks, pal!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

ccc@silent.army




Here's a lil' party we can't attend. But if we were in Australia that week we wouldn't miss it!
It's a release party of the QCDA collection, mates!
Ó-bri-gá-dou Captain Fikaris!