Vale dos Vencidos (2ª ed.) de José Smith Vargas - na Língua nos Dentes
![]() |
| Ufa! |
![]() |
| Ufa! |
Posted by
MMMNNNRRRG
at
11:46:00
0
comments
Labels: 500 paus, Colecção CCC, joana pires, josé smith vargas, marcos farrajota, miguel caldas
O novo número do Mesinha de Cabeceira com a BD 2125 de Matilde Basto - do mítico Casal de Santa Luzia (MdC #34) - é o divertido regresso de Matilde com esta BD intitulada feita para a mostra virtual do Story Tellers (em Benfica). Modesto panfleto que ironiza o convívio entre duas espécies lisboetas, os humanos e as baratas, Homos e Blattae, all together now!!
Posted by
MMMNNNRRRG
at
14:19:00
0
comments
Labels: eventos, matilde basto, Mesinha de Cabeceira, rudolfo
![]() |
| foto de Rodolfo Mariano |
Referido sem crítica - porque a pobreza grassa na BD portuguesa - no jornal Jornal de Letras, o que diz muito da barriga burguesa do seu "crítico"...
22 Setembro 2025: BD de Hetamoé no projecto Story Tellers no Parque Silva Porto, Benfica, Lisboa
Posted by
MMMNNNRRRG
at
11:58:00
0
comments
Labels: amanda baeza, andré lemos, andré pereira, bruno borges, cátia serrão, gonçalo duarte, hetamoe, lucas almeida, marcos farrajota, mariana pita, Pedro Burgos, rudolfo, rui moura, THISCOvery CCChannel
Curioso foi quem não assinou a tal carta: Catarina Valente - directora do maior certame de BD no país sendo que maior não quer dizer melhor - e Luís Louro que comemorou 40 anos de carreira, tendo sido este ano galardoado com várias medalhinhas do aparelho - é um autor perfeito para o sistema, especialmente de Direita, que quer espectáculo e inconsciência política. Realço um facto para não diabolizar os direitinhas em exclusivo, afinal a "gerigonça de Esquerda" não mexeu uma palha para que Fernando Relvas não morresse na miséria...
É claro que o Louro nunca se sujeitou às Bolsas porque exige unhas que ele não tem, tudo bem, desculpa-se o idiotita, agora a Directora da BD Amadora estar ausente só mostra que, ou é uma menina bem comportada ou é ignorante - ou as duas coisas, porque não? Ambas personalidades gostam de se distanciar da maralha, armados em aristocratas da treta e são bons exemplos das contradições da BD portuguesa. Louro vende pouco mais do que qualquer outro autor português de BD (ou até menos se pensarmos que a Chili Com Carne tem reeditado vários títulos nos últimos anos) e a BD Amadora desde a saída de seu director Nelson Dona tem piorado na programação e no relacionamento com os actores da cena da BD. Apesar disso, ambos sabem usar os seus passados históricos para alavancar facilmente os seus nomes neste meio em que falta referência, reflexão e crítica. Ambos estão cada vez mais distantes do que se escreve nos jornais - como foi a capa do Ílpsilon / Público de 26 de Setembro - ou na TV - programa Pessoas que Desenham a Liberdade (RTP 2) de António Jorge Gonçalves que entrevistou vários artistas gráficos como José Feitor, Ana Margarida Matos, Ana Biscaia, João Fazenda, Amanda Baeza,... - ou do que se mostra em eventos como o WC/BD (que acabou este ano), Story Tellers, Flexágono (Festival Fólio, Óbidos) ou a Miragem que foi sem dúvida o evento do ano em relação à BD!
Comecemos por aí, a Miragem foi mais do que um mero mercado de edições independentes - que aliás proliferam pelo país: Autónoma (Almada), FLIFA, Raia, Parangona (Lisboa), Feira da Alegria, Mercado do Contra, Perímetro (Porto), Festival de BD e Fanzines de Alpiarça, Feira do Livro de Arte (Coimbra) e FLOP (Açores). Teve workshops, conversas incisivas (invés das punheteiras que acontecem nos festivais de BD), apresentou espetáculos que misturavam desenho e música - sem ser aquelas xaropadas dos "concertos desenhados" -, e apresentou a exposição Ponto Ponto Ponto que ultrapassava a mera prancha na parede. Durante dois dias de Maio, sob a batuta do colectivo A Goteira, na Biblioteca de Marvila, a civilização reapareceu na BD portuguesa. Uma ilusão, claro, antes e depois, a merda foi omnipresente.
Ainda assim o Festival de Beja recebeu Ana Margarida Matos e Amanda Baeza (finalmente!), a Tinta nos Nervos teve exposições de Miguel Rocha, Diniz Conefrey, Alexandre Piçarra e Beatriz Brajal - estes dois últimos no âmbito dos concursos Toma lá 500 paus e faz uma BD! de 2024 e 2025 respectivamente. A Bedeteca do Porto organizou a colectiva Próximos Capítulos com trabalhos de Carlos Pinheiro, Daniel Silvestre, Marco Mendes, Nuno Sousa e Sofia Neto.
Foi um ano pobre na internacionalização mas Ana Margarida Matos, Hetamoé e Ivo Puiupo participaram na antologia letã š! e Mao fez um mini kuš!. Matos e Bruno Borges participaram na revista eslovena Stripburger - aliás, o Bruno já faz parte da casa! O livro Andrómeda do Zé Burnay teve uma edição em Espanha pela Mondo Cane e o Mangusto de Joana Mosi voltou ao Canadá mas agora em língua inglesa - o livro originalmente apareceu primeiro lá em francês e em 2023. Também as participações em eventos internacionais foram mais reduzidos mas a Chili Com Carne esteve no Crack (salvo seja) em Roma e Viñetas desde o Atlântico n'A Corunha, Francisco Sousa Lobo na Feira do Livro de Leipzig, Burnay no Graf (Barcelona), Gonçalo Duarte, André Pereira e Bia Kosta no Autobán (A Corunha) e Ana Margarida esteve por Bruxelas na BD Comic Strip e na residência do Camões (salvo seja). Pedro Moura também foi ao Texas num projecto universitário com a š!, que ajudou a coordenar.
O contrário também é verdade. Tirando a presença do espanhol Miguel Ángel Martin na LouriBD e do grego-belga Ilan Manouach na Casa do Comum, não houve mais ninguém estrangeiro interessante para nos visitar, a não ser versões baratas da Marjane Satrapi e outros sucedâneos que se publicam neste mercado sem rasgo e amorfo que até já enjoa de tanto livro do Junji Ito. Finalmente publicou-se o Alack Sinner de Muñoz & Sampayo - se ignoramos o jornal Lobo Mau em... 1979 - pela Devir, que reeditou também o Silêncio de Didier Còmes (1942-2013) outra vez a preto e branco e é assim que deve ser impresso! Na colecção 25 Imagens a Levoir e o Público assaltaram à descarada as bolsas dos leitores, apesar dos bons nomes dos participantes: Tardi, Thomas Ott, Nina Bunjevac e Joe Pinelli - lembram-se quando a Polvo era boa em... 2002? Sobra Flash Point de Imai Irata, uma parceria da Chili Com Carne e Sendai, um autor japonês com teor político, como tal, desconhecido e desafiante. Ficámos à espera do HP de Guido Buzzelli (1927-92) com argumento de Alexis Kostandi, pela Escorpião Azul, anunciado em Março mas que só sairá agora em Janeiro de 2026.
Dentro do atrasos na Chili somos culpados de não cumprir as datas redondas, a reedição da comemoração dos dez anos da edição original da Plana Press (e finalmente em português) de Propaganda de Joana Estrela não foi em 2024 mas este ano. Tal como reedição de Mr. Burroughs de David Soares e Pedro Nora não foi feita este ano - para comemorar os 25 anos da edição original da Círculo de Abuso - mas sairá em 2026. A nível de reedições ainda de assinalar a colecção da série Pós-Tugal de Diogo Barros, em formato zine auto-editado - e aproveitando a deixa, houve uma nova página da série n'A Batalha : Jornal de Expressão Anarquista.
Soares regressou com desenhos de Sónia Oliveira com o livro Atrahasis, pela Kingpin,tal como a revista Umbra (OK boomer!), o projecto Magma Bruta com How to kiss a crying man da ex-jugoslava residente no Canadá Andrea Laukic, o "Gato Mariano" aos zines (para comemorar 10 anos de existência), Filipe Felizardo com o Bestiário dos Rios e Sim Mau com o zine Super Mum. Continuou a colecção O Filme da Minha Vida, o jornal Carne Para Canhão, os zines Mesinha de Cabeceira e Olho do Cu e títulos vários de Gonçalo Duarte e Samir Karimo. Começou o zine Enfarta-Brutos sob batuta de Tetrateles. Não sendo BD, é de se referir sempre as gráficas Imprensa Canalha, Noturno Azul e Opuntia Books. Destaques para as edições de autor de Pats - especialmente o título Sortido - e claro o Rei da BD Rudolfo da Silva que fez uma obra-prima intitulada Fusão Dimensional na sua Palpable Press, e que trata da gunaficação da realidade. É o livro do ano!!! É por isso que este "post" abre com a imagem da capa do Fusão, dah!
Giro foi falar com a Pats na Autónoma, em que no seu mini-zine Eye-volution publica uma BD-ensaio sobre o seu estilo gráfico. Estava sem óculos quando estava a comprar o zine e vi algures numa vinheta referências aos grandes monstros da BOA BD: Julie Doucet, Robert Crumb, Lynda Barry, Jim Woodring, e...
- Espera não estou a ver bem este, quem é este?
- Rory Hayes...
- O quê? [além de começar a ficar pitosga também começo a ficar surdo ou não perceber inglês, cóf cóf cóf]
- Rory Hayes!
- Ah!!!!!! Mas... isto são tudo excelentes referências!! Como conheces esta gente toda? Os teus pais tinham uma boa "bedeteca" em casa?
- Não, descobri na 'net...
- A sério!? Parabéns! Tiveste uma sorte no teu algoritmo!!!
"Sorte"! Num país em que as editoras não publicam livros de referência - ou se publicam é vómito absoluto como se viu com os livros da Escorpião e Polvo deste ano (sobre a carreira do Louro, as leituras e escritas inócuas do evangelista Pedro Cleto e algo sobre da série Astérix relacionado com Portugal, WTF!?) - alguém conseguir "sair da linha" e encontrar os verdadeiros e grandes artistas que também raramente se publicam cá é mesmo um "random" do caneco! Esta autora não ter ficado nas "mangacadas" ou nos "comics" dos fachos gringos, é mesmo algo de agradecer à entidade divina da "Sorte"! Resta saber o que Pats irá fazer com este maná de informação de futuro, se conseguirá alguma vez algo poderoso e original. O Sortido, colectânea de comix curtos, aponta já para aí. Que ela invista mais e melhor em 2026 é tudo o que lhe peço!
Fechando aqui a secção da referência: a Agenda Cultural do Porto deu tempo de antena ao Rudolfo e Goteira num especial BD (melhor que o paspalho do Gross na Agenda de Lisboa em 2021), reeditou-se o meu texto-metade-de-livro Punk Comix com actualizações e foi feita uma mostra no Festival de Alpiarça, editou-se também um texto da minha intervenção sobre BD do BIG de 2023 no catálogo deste ano (que espero a quem o ler lhe ajude a encontrar novos caminhos na BD), Mosi foi entrevistada no sítio em linha inglês Broken Frontier, publicam-se textos e resenhas no jornal Carne Para Canhão, continua o trabalho de recuperação da imprensa underground nacional no blogue My Nation Underground e por fim houve umas entrevistas em linha com Rodolfo Mariano (por causa d'O Filme da Minha Vida) e Diniz Conefrey por causa da exposição retrospectiva na BD Amadora, curada por António Jorge Gonçalves, na Galeria Artur Bual. Foi o ano Conefrey sem dúvida, ainda se acrescenta mais duas exposições, uma Lisboa na já referida Tinta nos Nervos e outra na Bedeteca do Porto, ambas no âmbito do seu último livro Estância do Sino Coberto, pela Quarto de Jade. Uma verdadeira comemoração de carreira que não merece medalhas histéricas mas serenidade artística.
Por fim, os que desapareceram em 2025. Logo em Janeiro faleceu Arlindo Fagundes, figura mais conhecida pela olaria ou pela ilustração, no entanto foi dos poucos autores portugueses a publicar um livro de BD nos anos 80 e talvez o único a abordar temas contemporâneos ou sobre a realidade portuguesa em formato de livro - claro que havia mais autores, como Relvas, com estes temas mas eram publicados nos jornais (que se deitam fora depois da leitura) ou nos fanzines (difíceis de encontrar). Era um Comunista convicto, não teve direito a condecorações, embora a Biblioteca Municipal de Alcântara tenha feito uma boa exposição retrospectiva da sua obra, entre Maio e Junho. Faleceram autores de peso como norte-americano Jules Feiffer - que mudou a escrita da BD - e egípcio-francês Édika - um badalhoco de peso. Menos conhecido e mais gráfico que narrativo, também faleceu o francês Y5/P5 que influenciou a malta d'A Vaca que veio do Espaço nos anos 80 quando passou por Lisboa. Longe da BD mas que puserem os seus dedos uma vez ou outra nela, morreu o realizador David Lynch e o pintor Eduardo Batarda, cujos respectivos cão raivoso e "pinguim cego" ainda são monumentos por tratar. O jazzman e amigo Sei Miguel também nos deixou. Não fez BD mas algumas imagens que queriam ser isso, publicadas em 2017 pelo Homem do Saco / Marmita Gigante, sobretudo mostrou que gostar de BD é saber ser exigente e crítico, coisa que os agentes que trabalham na cena não o são...
Que 2026 seja melhor! Bom Ano Novo!
Marcos Farrajota
![]() |
| desenho de Pats in Eye-volution |
Posted by
MMMNNNRRRG
at
10:51:00
0
comments
Labels: marcos farrajota, serviço público
BDs sobre Lisboa daqui a 100 anos irão reflectir mais o que se vive agora do que daqui a cem anos - especialmente agora que acontece as eleições autárquicas no meio do lixo do turismo.
Eis o que a partir de hoje poderão ver BDs nos QR Codes das pequenas esculturas do artista Fulviet, no Parque Silva Porto (Benfica, Lisboa) no âmbito do projecto Story Tellers.
Ao que parece a BD Subtextual Nihilism da Hetamoé - publicada originalmente na coletânea Opposights em 2021 na Austrália e mais recentemente na nossa Massa Crítica) lançou o mote para este tema com a sua visão pós-apocalíptica-moe do mercado da BD independente.
Rodolfo Mariano mostra a passagem do tempo pelas casas habitadas por espíritos com o seu estilo visual que encaixa algures entre a iluminura, o heavy metal e o cartoon de domingo.
A questão dos “verdadeiros habitantes” da cidade de Lisboa é explorada por Matilde Basto, que nos mostra o mundo pelos olhos de dois grupos que lutam pelo seu lugar nesta cidade que já não lhes pertence.
Por fim, Tomás Ribeiro traz-nos de volta ao sci-fi com Idade da Pedra, um leilão futurista pela última pedra da calçada lisboeta.
Posted by
MMMNNNRRRG
at
15:36:00
0
comments
Labels: eventos, hetamoe, matilde basto, rodolfo mariano, tomás ribeiro
Comecemos por um pequeno acto de coragem, uma singela mas acutilante BD digital de Tiago da Bernarda com o seu habitual Gato Mariano e Bruninho (és o maior!) publicado seu instagram sobre a guerra em Gaza - aliás, um outro Bruno até explica que o desenho ainda é arma contra a estupidez e controlo digital - uma vez que a falta de coragem grassa pelo mundo, com medo de perder a sua continha de rede social.
Os últimos anos do mercado de BD em Portugal tem sido um avalanche de mediocridade porque a BD - ops! perdão, a "novela gráfica" - está na moda. Lá fora o mesmo acontece, claro mas há muito mais oferta (e melhor), até porque foi uma construção de várias forças e de décadas de trabalho que permitiu que agora a BD seja omnipresente em qualquer "nicho de mercado" e que tenha oferta para "todos os gostos".
Cá não foi assim nem os resultados serão os mesmo. As editoras profissionais generalistas são absolutamente ignorantes nesta área, publicam as cenouras que os agentes literários internacionais lhes abanam: adaptações literárias em primeiro plano, seguida de biografias ou adaptações históricas, e por fim, "Manga" da sexta divisão e feito por ocidentais medíocres... aliás, tudo o que foi referido, tirando uma excepção ao outra, é perfeitamente medíocre! De realçar, apesar de ser um livro menor na sua carreira, O Segredo da Força Sobre-Humana de Alison Bechdel, graficamente pouco atraente e com algumas piadas parvinhas que estragam o peso autobiográfico da obra, não deixa de ser interessante ver a Relógio D'Água a sair do seu próprio catálogo imundo de adaptações literárias que criou ao começar a publicar "novelas gráficas".
Os editores especializados, tem conhecimento e "savoir-faire" mas o seu mau-gosto e pensamento reacionário, fez que ignorassem artistas que rotulavam de "alternativos" - ou pior ainda: basta ser "artista", que é palavra feia no meio bedófilo! - e que ficaram grandes nos últimos anos, ou seja, agora custam mais caro de quando eram "alternativos" e menos acessíveis como pessoas para criar relações entre autor e editor. É óbvio que se for a primeira vez que se publica um livro da Julie Doucet ou do Adrian Tomine, custará vendê-los ao público português que não os conhece - isto deveria estar entre aspas, pois há muita gente que conhece estes autores porque compram edições noutras línguas! Será mais fácil editar um Tardi - e foi das poucas coisas de jeito que saíram no ano passado, falo de Elise e os novos Partisans, com Dominique Grange, pela Ala dos Livros - do que o Yvan Alagbé. Isto apesar de todos os autores aqui referidos terem passado por Portugal, em presença física e com exposições de grandes festivais de BD... Também é fácil à Devir publicar Junji Ito, Naoki Urasawa ou Taiyo Matsumoto, quando até os putos da província tem t-shirts deles ou já viram os Animes na 'net, do que publicar os irmãos Tsuge. Gostamos destes autores, claro, mas falta audácia.
É neste caldo de inconsistência que se circula, por cá. Mas há mais inconsistências, mesmo no meio "alternativo"...
Internacional
A Chili Com Carne esteve no Festival de Angoulême, Autobán (A Corunha) e Fexti (Badajoz). A Magma Bruta no Graf de Barcelona e a Oficina Arara no Novo Doba (Belgrado). Parece que todos se baldaram ao Crack (Roma), talvez porque vieram de lá doentes em 2022?
Franciso Sousa Lobo participou na revista finlandesa Kuti e na letã Kuš!, nesta última também entrou o Ivo Puiupo. Na colecção mini kuš! dessa mesma editora, saíram os livrinhos de Ana Margarida Matos e João Fazenda. Pela Eslovénia, comemorando os 30 anos da revista Stripburger, participaram Bruno Borges e Filipe Abranches na antologia Dirty Thirty. Matos e Sofia Neto entraram no fanzine espanhol Soñario e Ana Maçã no dreamzine #2, ambos do projecto ElMonstruoDeColoresNoTieneBoca. Amanda Baeza voltou em forma internacional estando na antologia suiça «autre chose» com a "creme de la creme" da BD mundial e ainda no fanzine Amorcito da Galiza. Foi de lá também que veio o álbum Zeca Afonso – A balada do desterro, com texto da galega Teresa Moure e desenhos da portuguesa Maria João Worm. O livro foi publicado pela Acentral Folque, da Galiza, e a Tradisom, de Portugal, assim sim vale a pena fazer projectos internacionais. AngueSângue de Daniel Lima teve edição em português pela Chili Com Carne e em inglês pela Kuš!. Lima também viu a sua página do Le Monde Diplomatique - edição alemã - de 2018 compilada em Die große Salatschüssel des Lebens, pela Reprodukt, ou seja outra antologia "creme de la creme", diga-se de passagem! Borges continua com a Abolição do Trabalho, de Bob Black, a conquistar mundo, desta vez nos EUA pela Floating World.
Nesta mesma editora que começou publicar a obra do primeiro grande artista de BD, o italiano Guido Buzzelli (1927-92) e Domingos Isabelinho entregou um texto introdutório para o primeiro volume. Não foi o único português a fazer trabalho de referência, Leonardo de Sá que investigou a passagem por Portugal do autor francês de BD "collabo" André Daix (1901-76) no livro Dans l’Ombre du Professeur Nimbus por Antoine Sausverd, pela P.L.G.
Visita ao zoo
Com programações cada vez mais fracas, os festivais de BD não tem trazido artistas estrangeiros que possa referir aqui, só o habitual putedo bedófilo, ficando as excepções (que confirmam a regra) para as espanholas Anabel Colazo (em Beja) e Mayte Alvarado (Amadora). Tem sido a Tinta nos Nervos a arriscar, como aliás, já é uma verdade há 3 anos, tendo trazido para exposições o finlandês Marko Turunen e o bom gringo Christopher Sperandio. De referir a passagem do editor da Floating World, Jason Levian também por lá, para apresentar o livro do Borges acima referido.
De resto, os nómadas em Lisboa tornou-se num fenómeno que não pode ser ignorado. Vários são os autores que passam por cá, ora ficam uns tempitos em residências artísticas, por exemplo, como o suíço Yves Hänggi que fez duas exposições em Lisboa, ora assentam os arraias e até começam por publicar livros como a irlandesa Rayne Booth ou o turco Utku Yavaşça que está a desenhar uma divertida BD num fanzine de "expats" (é assim que se escreve?) chamado Ble$$ed. Alguns já cá estão cá há anos e são gajos grandes como o francês Hervé di Rosa que teve uma exposição no MAAT com uma confusa data de final de exposição. O romeno Nicolae Negura, também residente há anos por Lisboa, participou no projecto Histórias de 89 no obscuro Instituto Cultural Romeno em Lisboa. E não esquecendo ainda o cromo norte-americano Flynn Kinney que meteu cenas tugas nos "melhores do ano" do fanzine Bubbles. Obrigado!
Eventos
Acontecimentos houve muitos, o habitual mercado de edições independentes que cada vez são mais feiras de cartazes - e infelizmente o antídoto que era o M.A.L. não sobreviveu para 2023. Trata-se de uma verdadeira gentrificação das publicações. Quando este tipo de eventos apareceu em Portugal, chamavam-se "Feiras de Fanzines" nos finais dos anos 90, ao longo da primeira década do novo milénio, devido à democratização dos meios de produção ligados à impressão, acrescentou-se "edição independente" de forma a entrar livros de autor, livros de artista, micro-edições e livros com distribuição restrita. Nos últimos 10 anos parece que os eventos de "edição independente" são uma feira de Carcavelos com imagens chatas e redundantes, onde pessoas (clientes) vão comprar serigrafias e afins para decorar os seus A.L. ou salas amarelas ou cozinhas azuis, sei lá... Houve a Raia, Parangona (Lisboa), Alegria, Perímetro (Porto) e Autónoma (duas edições em Cacilhas no abandonado Ponto de Encontro, justamente onde apareceu das primeiras "Feiras de Fanzines"!). Em Alpiarça fez-se um simpático Festival de BD e Fanzines. A Chili participou em mais umas feiras de outros temas: Feia (Música), Livro Anarquista, Livro de Arte (em Coimbra, imaginem isso!), Festival Rescaldo e Matiné Fetra. De realçar, pela negativa e como primeiras manifestações de "zinewashing" a "rip-off" Stolen Goods em que na sua própria sede, a organização pedia 75 euros por mesa aos seus participantes - tendo uma série de estrangeiros caído na esparrela (e alguns portugueses); e a Direita monga cabotina da Junta de Freguesia de Arroios organizou a segunda FLIFA em que participaram VIPS de merda e um bosta de um facho.
Continuou a instalação Story Tellers no Parque Silva Porto (Benfica, Lisboa) com quatro conteúdos diferentes tal como as estações do ano e apareceu o ciclo Ilustraboom WC/BD na antiga casa de banho pública do Jardim Camilo Castelo Branco (Lisboa) com exposições mensais, das quais destacam-se as da Joana Mosi e Zé Burnay por trabalharam sobre o espaço e não terem colocado apenas pranchas nas paredes. Em Óbidos continua a mostra anual Flexágono, no festival In-Fólio, organizado por Pedro Moura. Em Torres Novas, na Biblioteca Municipal, fez-me uma exposição sobre os 50 anos do fanzine Impulso, seja lá o que isso tenha sido. Na Biblioteca Nacional, ainda a recuperar os atrasos do covid, comemora-se os 100 anos do ABCzinho (1921). Mais importante é a recuperação de trabalhos de Artur Varela (1937-2017) numa exposição na ZDB. Houve exposições da Rosa Baptista (aka Rroze Selavy) para inaugurar a Casa do Comum no Bairro Alto (que inclui livraria e onde foram feitas as feiras anarquista e Parangona) e este escriba teve uma expo-guerrilha em Guimarães, Ganza Metal, graças à malta da Magma Bruta, onde foram recuperadas peças do Zalão de Danda Besenhada (2000) e do Mistério da Cultura (2007).
O mais importante de 2023 e onde o futuro se constrói foi Memórias Artificiais do Rei da BD portuguesa, Rudolfo, que mostrou originais de BD, tocou música e mostrou o seu videojogo (que mete BD) num armazém no Porto, em Junho, um dia antes da Feira da Alegria. Que alguém tenha olhos na majestade!
Publicações finalmente!
Não! Cada vez existe menos fanzines ou zines, não sei se é da crise que se vive, individualismo do neo-liberalismo que se vive ou apenas falta de tempo mas quase não se encontram projectos e artistas novos. Quase deixa de fazer sentido escrever este relatório. Só se justifica porque há sempre projectos independentes com qualidade para relembrar os mais incautos. Este ano a maior surpresa foi o caso da Associação de Estudantes da Faculdade de Belas-Artes do Porto que fizeram o Coisas feias em Belas Artes, um fanzine em formato A5 catita com montes de BDs politizadas sobre a degradação do ensino superior em Portugal mas também sobre a tomada de consciência de como a cultura e o associativismo são importantes – prova dada pela qualidade da organização da Associação ao produzir a Feira da Alegria! Destaque especial para o autor Pedro Evangelho.
Na continuidade de projectos eis que houve mais volumes do Bomba Zine, O Filme da Minha Vida, Bancar0ta, Fosso (José Feitor), Mesinha de Cabeceira, Olho do cu, Opuntia Books (desenho) e Umbra. A Chili Com Carne, Magma Bruta e Sendai continuam de boa saúde a publicar o melhor da BD "artística".
Regressou o divertido fanzine É fartar vilanagem, tal como os artistas João Carola, André Coelho, Dois Vês e Rafael Gouveia voltaram às lides da auto-edição. O mesmo para o colectivo MASSACRE que logo no início do ano com um livro de algum investimento, falo do The End of Madoka Machina de André Pereira.
Os destaques vão para os projectos fora de comum, tudo da Chili e associados, modéstia à parte: Where's the ground? da banda Rock Unsafe Space Garden, pela Discos de Platão, em que a música, a BD (de Alexandra Saldanha) e os espetáculos ao vivo parecem unos num caleidoscópio psicadélico. O jornal Carne para Canhão da Chili, só com um número ainda, que pretende chegar a públicos mais alargados por ser gratuito, inspirado noutros projectos passados como o finlandês Kuti. E o grande Vale dos Vencidos, obra de 11 anos de trabalho de José Smith Vargas, um "tour de force", com alguns laivos inéditos de composição editorial do livro mas sobretudo um marco histórico na BD portuguesa, pela complexidade narrativa e a temática das destruições das cidades que tanto nos aflige.
Referências
Depois das palhaçadas d'A SHeITa do ano passado, que apesar disso, ainda são úteis q.b., para pelo menos cartografar a BD portuguesa deste milénio, 2023 foi deserto outra vez nesta área. Apareceu uma simples brochura de Bibliografia de Banda Desenhada de Ficção especulativa Portuguesa por Marco Fraga da Silva, editada pela Associação Tentáculo. A Tinta da China para redimir dos desastres ecológicos do passado (Melo & su muchacho) reeditou os Cartoons de João Abel Manta. A Arte do Autor publicou mais uma BD sobre a vida de Edgar P. Jacobs, numa eterna bedófilia feita por uns gajos franco-belgas que nobody gives a shit! A revista sobre ilustração Aguça sacou o número três e apesar de ainda não ter visto nem lido, só os nomes aguçam o apetite: Amanda Baeza, João Sobral, Mariana Pita, Sara Boiça e Sofia Neto. E a mais "boring art magazine ever" Umbigo teve uma frikice qualquer que metia o acervo da Bedeteca Nacional [sic] da Amadora a ser discutido pelo Tiago Baptista num artigo. O que vale é que o Baptista é sólido...
Vencedor do ano, o blogue My Nation Underground do nosso associado "Erradiador" que todos os dias coloca um "post" (ou mais que um) de um fanzine da sua colecção - essencialmente de BD - criando um puzle e compendio deste tipo de publicações. Quem for de ano a ano poderá ter uma imagem mais nítida do que foi ou é a cena dos zines (e edição independente) em Portugal. Como diziam os outros: clap clap clap!
Tristezas não pagam dívidas
2023 foi um retrocesso civilizacional, não só pelas guerras, por exemplo, mas também pelo tratamento xenófobo que a Câmara Municipal da Amadora infligiu à artista luso-chilena Amanda Baeza, que não mereceu celebrar o 25 de Abril com a instituição. Tal mereceu boicote de um certo público ao Festival de BD, embora, não havia nada para esse público ir lá ver - tirando a exposição do Smith Vargas, claro.
De referir ainda a triste morte aos 60 anos do norte-americano Joe Matt, um caso in extremis de como o uso da autobiografia pode secar a vida de um artista. Matt era tão viciado em pornografia, tal como era tão pornográfico na forma como deitava para fora a sua vida nas BDs autobiográficas, sob o título de Peepshow. O seu falecimento deveu-se à falta de dinheiro para tratar da sua saúde.
Quem não é anarquista que tire as conclusões que quiser sobre estes dois casos...
Posted by
MMMNNNRRRG
at
18:47:00
2
comments
Labels: bruno borges, marcos farrajota, serviço público, tiago da bernarda
Lendo QR codes no Parque Silva Porto, em Benfica, poderão recuperar a estreia desta secção com Francisco Sousa Lobo - quase uma introdução para o seu novo livro Cartas Inglesas -, seguido de André Coelho com Manuel João Neto, Amanda Baeza, Hetamoé, Ana Biscaia, André Lemos, a artista convidada Cátia Serrão e o misterioso 40 Ladrões que fez recentemente um Mesinha de Cabeceira.
As BDs vão estar disponíveis a partir do dia 21 de Junho até o dia 21 de Setembro.
Posted by
MMMNNNRRRG
at
13:04:00
0
comments
Labels: amanda baeza, andré coelho, andré lemos, eventos, francisco sousa lobo, hetamoe, manuel joão neto, Será a caneta mais poderosa do que a espada?
Iá! Voltou tudo ao "normal"... mas com vingança! Outra vez as ruas cheias de turistas borregos a comerem no chão a comida que compraram no Pingo Doce - até os porcos no curral tem mais dignidade. Talões de papel enormes. Plástico por todo o lado e em todos os produtos. Parabéns, mundo da fantasia e afins. Tudo voltou ao normal e para pior. Espera, houve um "up-grade"!! As tão procuradas máscaras de 2020 agora esvoaçam em arbustos, na rua ou no raio que o parta... Vão se foder!
Comemorações?
Um associado nosso, o Erradiador, lembrou-se de que este seria o ano para comemorar os 50 de existência de fanzines de BD em Portugal. não sei se os fanzines quererão um reconhecimento assim institucional mas mesmo que o quisessem deparam-se com dois problemas, o primeiro é que as instituições que tem acervos de fanzines em 2022 ou estavam em obras (Bedeteca de Lisboa) ou em estado Zombie (a Fanzinoteca Geraldes Lino na Amadora funciona? Nunca se ouve falar dela!) mas o problema mais grave é que na realidade já não há fanzines de BD em Portugal. Como assim?
O problema já vem antes da crise do Covid, poucos serão os títulos que se apresentam como uma publicação colectiva. Basta verificar isso nos nomes dos participantes das feiras "indies", é só nomes próprios de "artistas", nada de Olho do Cu (uma excepção à regra e que continua a bombar!) ou algum nome de um projecto editorial. De acordo com este individualismo e com a crise da falta de eventos durante os dois anos da pandemia, parece que ainda há menos publicações físicas do que antes.
Fizeram-se 30 anos do Mesinha de Cabeceira mas como é de BD não teve direito a livro de memórias ou festinhas como aconteceu com a SPH / Thisco. Ninguém quer saber de BD neste país... Seja como for, em 2021 tinha-me decidido de voltar às raízes das tiragens reduzidas (80 a 100 exemplares) para retirar trabalhos das gavetas de malta que já teria idade para ter juízo ou os verdinhos da cena. Destaco os últimos que foram boas lufadas de ar fresco: Alexandra Saldanha, Ângela Cardinhos, Matilde Basto, Luís Barreto e Rodrigo Villalba. Espero voltar a vê-los noutras aventuras agora que já aprenderam a editar!A Oficina Arara também fez "10 + 2 anos" com um livro cheio de luxo mas com pouco interesse, uma oportunidade perdida para mostrar documentos dos seus eventos, viagens, produção e exposições. Entraram textos mas tudo pouco explicativo do que é (realmente) ou que foi este colectivo gráfico. Se esperam que alguém edite uma monografia quando forem velhinhos, é melhor esquecer, embora tenha sido um ano fora do comum na edição de obras de referência. Geralmente é neste relatório que se percebe que é raríssimo haver publicações sobre BD, e muito menos no sector privado porque "não se vendem", tendo de ser as instituições a editar catálogos para solidificar a História da BD portuguesa. Só que já nem isso existe porque desde 2015 que o Festival da Amadora não o faz, por exemplo.
Em 2022 saiu pela Universidade de Leuven (Bélgica) Visualising Small Traumas : Contemporary Portuguese Comics at the Intersection of Everyday Trauma, um ensaio sobre BD portuguesa contemporânea e o trauma do quotidiano, tese de doutoramento de Pedro Moura. Logo a seguir The Reading Gaze : "My" comics de Domingos Isabelinho - finalmente um livro deste lúcido crítico! Ambos livros foram redigidos em inglês, um porque é o Esperanto da academia, o outro porque ninguém quer saber de BD em Portugal - e é verdade que a grande maioria das vendas foram para pessoas dos EUA, Inglaterra, Itália, etc... Houve três livros ligados à "SHeITa" que foi um esbanjar de dinheiro da UE e escritos por cromos velhos colecionadores de "bêdê". Um dos livros faz revisionismo do que já estava feito pela Bedeteca de Lisboa, outro "homenageando" o passado de forma bacoca e por fim outro a entrevistar os autores de BD portugueses menos interessantes de sempre. Haja dinheiro...
Mas houve mais, uma entrevista a Robert Crumb e Aline Kominsky-Crumb (talvez a última pois a artista iria falecer no final do ano) na revista do Expresso, uma entrevista "cinekomix" impressa a Will Eisner (1917-2005) por Edgar Pêra na revista Argumento e houve vários artigos sobre Artur Varela (1937-2017) na revista Flauta de Luz.
Importante referir a revista sobre ilustração Aguça que também tem um bocado de BD nas suas páginas, creio que é a primeira vez que surge um projecto em Portugal deste género.
Outra situação inédita e ainda o Pêra, foram exibidas na grande tela, no Doc Lisboa, três entrevistas "Cinekomix" em que encontramos José Carlos Fernandes e o finlandês Tommi Musturi.
Outro inédito e que tinha potencial se não fosse dar em esquemas de flatulência, buzinadelas e outros efeitos circenses, o programa de rádio Pranchas e Balões que promove mediocridade sempre que pode na Antena 1.
Houve um volume dedicada à obra gráfica de Mário Henrique-Leiria (1923-80) na colecção dedicada à sua obra completa, pela E-Primatur, nela encontramos mais uma BDs deste escritor surrealista. Sem ser BD mas obrigatório para qualquer desenhador ou editor de BD eis que apareceu um Compêndio Cantiano, pela Barbara Says..., ou seja, outro monográfico dedicado ao obscuro-mas-brilhante Paulo de Cantos (1892-1979).
E por fim, um documento importantíssimo para quem não percebeu a excelência do trabalho na BD pela parte de João Paulo Cotrim (1965-2021): Foi quase um prazer. Este livro reúne um conjunto de textos de Cotrim nas várias áreas visuais que se mexia / incentivava / pesquisava / publicava, ou seja, um animado bordel de cartoon, ilustração, BD, pintura, filme de animação e mais qualquer coisa. De importância máxima no livro são os verbetes redigidos pelo designer Jorge Silva, para quem não teve idade (ou que teve mas foi burro) de conhecer a revista Lx Comics e o catálogo ou a programação da Bedeteca de Lisboa.
Portuguese Contemporary Comics
![]() |
| Moi, HELLsínquia!! |
Com o regresso dos festivais internacionais, o David Campos foi ao Festival de Varsóvia, Ana Margarida Matos ao Festival de Hamburgo, Gonçalo Duarte, Rui Moura e André Pereira ao Crack (Roma), onde também estiveram a Oficina Arara, que por sua vez tiveram uma exposição dos seus 12 anos em digressão por Marselha e Belgrado.
Ana Margarida Matos participou no número comemorativo da revista eslovena Stripburger (30 anos!), Miguel Santos na sueca C'est Bon, Dileydi Florez e Mao na letã Kuš!, que também editou os mini-kuš da Joana Mosi e Pedro Burgos. Ana Maçã e Simão Simões participaram no fanzine Amorcito #3 da Galiza.
Em língua castelhana saíram os livros Abolição do Trabalho de Bob Black e Bruno Borges em Espanha, Terminal Tower de Manuel João Neto e André Coelho na Colómbia e Família de Júlia Barata na Argentina e Espanha - para quando uma edição portuguesa deste último?
Turismo rápido
Chloé Wary passou pelo Festival de Beja, na Amadora nem me lembra quem foi lá mas pelo menos foi menos festa da mangueira do que no ano passado! Mais interessante e como aconteceu nos "anos covid" foi a Tinta nos Nervos que apostou em exposições e presenças de artistas estrangeiros, em 2022 visitaram o galego Oscar Raña e o australiano Michael Fikaris.
Houve relâmpagos porque é malta do "rock'n'roll"! Passaram a 180 à hora as bandas Los Caballos de Düsseldorf (com Olaf Ladousse) por Lisboa e os Lightning Bolt (com Brian Chippendale) por Braga e Lisboa. Alguém pediu autógrafos a estes músicos-artistas?
Eventos públicos
Foi o regresso à normalidade: duas Raias e um M.A.L. em Lisboa, e um Perímetro no Porto.
Fora do baralho, aconteceu uma "BD 24h" na "Nova" (Carcavelos) organizada por dois autores estrangeiros residentes em Portugal, o turco Utku Yavaşça e o italiano Nicola Lonzi. Foram parar aquela escola de porcos capitalistas por só terem encontrado este sítio como um espaço aberto 24h - os tempos mudaram mesmo, porque em 1997, havia o espaço Ágora onde fiz também esta "performance" com o Rafael Gouveia... Para a próxima a ver se é no Desterro!!
O projecto Story Tellers, que está num parque em Benfica, disponibiliza BDs através de um "QR code", sendo que na selecção de Inverno tiveram conteúdo inédito envolvendo novos artistas, a saber: Alexandra Saldanha, Ângela Cardinhos, Inês Louro, Luís Barreto, Marco Gomes, Mina Anguelova, Rodolfo Mariano e Tomás Ribeiro.
O evento mais sentimental foi com certeza o EnCOTRIM na Livraria Verney (Oeiras) mas com um programa completo para todos envolta da memória de João Paulo Cotrim que nos deixou em 2021.
De referir ainda exposições várias, dentro dos festivais sobressaíram o Rodolfo Mariano e o inglês, residente em Serpa, Andrew Smith em Beja e o Nunsky na Amadora. O resto foi aquele deserto "bedófilo" com falta de programação para os tempos que vivemos. Para encontrar contemporaneidade é preciso procurar outras paragens como na Sirigaita onde foi comemorado os 10 anos da série Mapa Borrado, ou seja, as BDs de José Smith Vargas no jornal Mapa; ou ver um trabalho do João Sobral no Teatro Luís de Camões, a explicar o Dinheiro às crianças. Na "ilustração" tanto houve uma força 100% DIY com A fome e outras frieiras de José Feitor no Espaço Correntes, algo intermédio com Miguel Carneiro na Galeria Verão e a onda institucional com Mattia Denisse na Culturgest.
Por fim, e o que interessa, as edições!
Francisco Sousa Lobo acabou a publicação Palácio, de forma bizarra, já sem ser ele a editar mas a Tinta nos Nervos, com problemas técnicos de impressão e a um preço inexplicável - embora já toda a gente sabe que o papel subiu de preço, ou se preferirem tudo aumentou de preço como é típico nas crises capitalistas, onde os porcos fingem escassez e provocam especulação.
Em compensação, também inexplicável mas de tão barata que é e para o livro que é, Na Prisão do japonês Kazuichi Hanawa, pela Sendai. Leitura obrigatória para quem sonha com um Japão "kiduxo"! Num mercado saturado de merda, são editoras assim que fazem diferença. A construção do catálogo desta editora está a ser fascinante, sendo sempre uma surpresa feliz cada vez que é anunciado um novo título. Outro com a mesma pinta de surpresa será a Magma Bruta que embora esteja no nível da edição limitada - devido à impressão em riografia. Este projecto entretanto instalou-se em Portugal e publicou o primeiro capítulo de Dew Beaded Fingers - que há de ser um livro maior - da Amanda Baeza, belo regresso!
O problema do mercado de BD português não é do lixo comercial per se, o problema é esse lixo nem é o mais óbvio. Saíram e saem todos os meses, álbuns inexplicáveis que lembra os anos 80: BD pedagógicas ou adaptações literárias e históricas... que estranho, com a Wikipedia acho que podemos saber quem foram os bastardos do Mao ou do Churchill. Precisamos de ler BD-sem-sal sobre eles? Outra situação do mercado de 2022, bués de Mangas de 5ª divisão para enganar os putos. Que triste...
E depois, em Portugal, está tudo ainda em aberto, continua-se sem edições de obras maiores ou de artistas de alta craveira. A extinta colecção Novela Gráfica (que de ano para ano ia piorando), fez um bom trabalho ao finalmente publicar, em livro, artistas como Max, Baudoin, Crumb ou Seth. Mas porque não a Julie Doucet que ganhou em 2022 o prémio principal do Festival de Angoulême? Não, nem pensarm preferiram publicar duas vezes o idiota do Bastien Vivés, que foi cancelado pelo mesmo certame,... Fabuloso não?
Há sempre livros curiosos apesar de tudo, ou seja, nem tudo é estúpido. Com orgulho digo que ainda bem que existe a Chili Com Carne que é capaz de editar peças delicadas compiladas em Sinapses do Ivo Puiupo, seja, um tijolo de 300 páginas sobre o Porto "gógó" dos anos 90 como o Companheiros da Penumbra de Nunsky - o grande regresso de 2022. Também houve novos livros de Marco Mendes (pela Turbina), Diniz Conefrey (Quarto de Jade), Miguel Rocha, do espanhol Miguel Angel Martin e duas reedições, uma de Max Ernst (Sistema Solar) e o Palestina de Joe Sacco, pela Tigre de Papel, que é um desastre gráfico. Mais uma vez, haja dinheiro...Houve dois bons números da colecção Toupeira da Bedeteca de Beja, as já referidas surpresas, Andrew Smith e Rodolfo Mariano. Regressou O Filme da Minha Vida com um de António Jorge Gonçalves, o zine Invasão, ligado ao Marco Gomes que auto-editou um livro, Lethal Dose com BDs que adaptam letras e bandas Metal / Hardcore. Houve Opuntias Books à barda e o André Pereira fez um zine, 5-color Good Stuff.
Iá!
RIP
Justin Green, o pai da autobiografia. Miguel Gallardo, vida loca na democracia espanhola. A referida Aline e Diane Noomin, mulheres corajosas do underground comix. Kevin O'Neill, um gozão! José Ruy, um senhor que marca o fim de uma Era da BD portuguesa.
Posted by
MMMNNNRRRG
at
15:22:00
0
comments
Labels: ângela cardinhos, hetamoe, marcos farrajota, serviço público, zines