terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Malmö Kebab Party ~ últimos 50 exemplares



Malmö Kebab Party é um volume especial da colecção LowCCCost e conta as aventuras e desventuras de cinco autores de BD que foram até ao festival AltCom, em Malmö (Suécia) apresentar as antologias QCDA, nomeadamente Afonso Ferreira, Amanda Baeza, Hetamoé, Rudolfo e Sofia Neto.

É que para além de ser uma cidade com uma dieta rica à base de kebabs, Malmö mostrou-se habitat natural para um senhor ananás muito simpático, desenhos rasgados, psicadelia, BDs do ALF, e afogamento de mágoas via consumo de álcool. Spektakulära!!
...
Esta colecção de livros de viagens da Associação Chili Com Carne é dirigida "a quem gosta de viajar sem apanhar transportes e gastar dinheiro" e já contou como foi uma turnê punk-mas-com livros por uma "Europa aborrecida", seis meses de David Campos na Guiné-Bissau e viver fora de Portugal...
...

A edição em parceria com a Ruru Comix é limitada a 300 exemplares - 150 exemplares são da CCC com prioridade para os sócios.

Livro / zine impresso em Offset, 20p. 23 x 16 cm p/b, capa a cores com badanas.

à venda na loja em linha da Chili Com Carne 
e na Mundo Fantasma, Artes & Letras, Palavra de ViajanteMatéria PrimaEl PepLinha de Sombra, Letra LivreBdManiaTasca Mastai e Pó dos Livros
...
exemplos de imagens aqui
...
Historial: festas lisboetas simultâneas de lançamento com unDJ FarraJ no Bartô e DJ Nobita no Lounge (22/05/15) ... Nomeado Melhor Fanzine na BD Amadora 2015

...
Feedback: 

Sem grandes alongamentos, não ficamos com uma impressão forte do que realmente aconteceu em Malmö; porém, ficamos a conhecer um bocado melhor a química desta equipa e a forma como gostam de se expressar através da Banda-Desenhada. É bom descobrir novos autores de BD que mostram esta energia e vontade em partilhar o seu trabalho. Lamenta-se é o desaparecimento, a dada altura, desse mítico ananás que se encontra na capa, claramente o herói de toda esta história. Gabriel Martins in Deus Me Livro 

Malmö Kebab Party é uma pequena publicação que reúne como que os “relatórios de viagem”, de quatro páginas cada, dos cinco artistas já publicados nas antologia QDCA, da Chili Com Carne, pela ocasião da sua visita colectiva a um festival de banda desenhada em Malmö, na Suécia. (...) À la Rashomon, podemos ler cada uma destas histórias, mais ou menos coincidentes, e criar uma imagem mais alargada que une as pontas soltas, se acreditarmos que estas confissões autobiográficas correspondem a uma realidade qualquer. Mas a compreensão dessa realidade nem sequer é o mais importante em MKP, mas sim estudar com atenção as formas como cada autor e autora exploram a limitação do formato para os máximos efeitos expressivos, e compreender também como cada um deles vai ao âmago das suas próprias linguagens. 
Pedro Moura in Ler BD 

é uma publicação sui generis. Não tem aparentemente grandes parecenças com a sua mãe (a coleção QCDA), é adotada oficiosamente pela tia (a colecção LowCCCost), distingue-se facilmente dos seus primos, e a guarda partilhada pertence à avó (Associação Chili Com Carne) e a outrém (RuruComix), sendo este último corpo não estranho mas parte integrante da mãe. Ou qualquer coisa de semelhante, visto não sermos versados em parentescos...
Nuno Sousa

Askar, o General na It's a Book


A Chili Com Carne sempre que se aproxima da América do Sul para justificar a sua denominação gastronómica acaba sempre por ser uma acção associada à El Pep. Foi assim com a antologia luso-brasileira Seitan Seitan Scum e é assim com o livro de BD Askar, o General, estreia da Dileydi Florez, autora natural da Colômbia. O  livro foi lançado na El Pep Store & Gallery [Lx Factory, Alcântara], no dia 4 de Abril de 2015, contou com a presença da autora e uma exposição de originais.

Florez (1990) é ilustradora e designer, estudou Design no IADE-U e Ilustração Artística na Universidade de Évora. Em 2013/14 foi bolseira e finalista do curso de Ilustração e Banda desenhada no Ar.Co. Actualmente vive e trabalha em Lisboa. Esta sua primeira obra de banda desenhada é inspirada em iluminuras persas e gravuras japonesas, e é um prelúdio para um álbum ilustrado (por publicar).

O trabalho concorreu ao Toma lá 500 paus e faz uma BD! e apesar de não ter ganho, a sua qualidade gráfica convenceu a Chili com Carne a publicar o livro, enquanto se espera pelas obras vencedoras e a nova edição do concurso para este ano.

32p. 21x27cm p/b, capa a duas cores
ISBN: 978-989-8363-31-2
500 exemplares
Apoio do IPDJ

PVP: 6€ (50% desconto para sócios CCC, lojas e jornalistas) à venda na loja em linha da CCC, na El Pep, Tasca Mastai, Artes & Letras, Letra Livre, Linha de Sombra, Pó dos Livros, 1359, B Shop (CCB), Fat Bottom Books, FNAC, Mundo Fantasma, Bertrand, Matéria PrimaBdMania, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, Lx), Utopia, It's a book e LAC.

Exemplos de páginas do livro:





Feedback: (...)  composição majestosa (...) Sara Figueiredo Costa in Blimunda ... Obra seleccionada para a Ilustração Portuguesa 2016 ... Nomeada para Melhor Publicação Independente e Melhor Desenho Central Comics 2016

domingo, 29 de janeiro de 2017

ccc@feira.morta.na.smup


Só vamos estar no dia 29 / DOMINGO - porque é um dia morto!

levamos um livro que pensavam estar morto do Francisco Sousa Lobo convenientemente intitulado 
...
we shit you not

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Niilismo infantil e Feudalismo pobre

Serviu este fim-de-semana para passar pela Utopia e apanhar algumas peças underground portuenses como este Niilismo para "crianças", um "livro" (no sentido in-folio da coisa porque na verdade são uma dúzia de páginas A5 fotocopiadas) "para colorir e jogar". O tema é óbvio e bem-vindo num mundo governado pelas piores figuras alguma vez imaginadas. Mais! como dizem e subscrevo: a História não se resume ao que está escrito nos livros escolares e ao que os professores debitam, então achamos que este zine pode ser mais um contributo para descobrir acontecimentos, personagens e ideias que a escola não apresenta. A forma é ir pelo mundo da criançada com subversão, só é pena é que tudo seja mau, desde os desenhos (safa-se um poster nas páginas centrais) ao grafismo e a falta de conteúdos ou seriedade. É pena mas é isto o anarquismo português, uma brincadeira de crianças sem consequências feita por gajos incapazes de envolver a comunidade criativa para dar brio às tuas produções. Caramba, será assim tão difícil um anarquista encontrar um artista gráfico? Que triste...


Hip-Hop á Barão é uma pequena fanzine que tem como principal objectivo divulgar um pouco desta arte que é o HipHop, do ponto de vista de quem a aprecia!! Dizem eles no seu "fezesbook"... ehm, pois é isso o que é um fanzine, pá! «
A5 fotocopiado com artigos que vão aos quatro elementos do Hip Hop mas mesmo assim não consegue deixar de ser graficamente pobre - desnecessariamente, diga-se, se aborda o Graffiti, certo? Fazer um fanzine de texto (e alguma imagem) impresso em papel sobre uma cultura urbana em 2016 é obra! Bem sabemos que a Internet substitui tudo o que está aqui redigido e mostrado, há que ser mais audaz e/ou focado em algo que valha a pena publicar e que a 'net não o consiga fazer melhor senão fica-se na redundância do "disclaimer" acima reproduzido. Se até os anarquistas conseguem fazer isso com o poster central de Niilismo para "crianças", não há razões para um "hip-hoper" não saber também! Confirma-se que a nobiliária 'tuga é pobre e pelintra...

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

I Like Your Art Much / últimos 15 exemplares


Francisco Sousa Lobo fez um livro de banda desenhada sobre o trabalho de Hugo Canoilas
Chama-se I Like Your Art Much, é um trabalho singular de simbiose entre banda desenhada e artes plásticas, tem 44 páginas, e foi lançado em Dundee (Escócia) no dia 5 de Março de 2015 na sala principal da Cooper Gallery
.
As galerias de Hugo Canoilas, a Associação Chili Com Carne e a Universidade de Goldsmiths apoiam o projecto
.
O projecto foi seleccionado pela Bloomberg New Cotemporaries - De mais de 1600 candidaturas de alunos das escolas de arte do Reino Unido, o júri dos Bloomberg New Contemporaries escolheu 37 artistas. O júri é composto por Simon Starling, Jessie Flood-Paddock e Hurvin Anderson. Os artistas escolhidos são ora estudantes ora recém formados de cursos de artes plásticas.

Normalmente não são aceites candidaturas de artes gráficas, comunicação ou ilustração e BD. I LIke Your Art Much é uma excepção. A exposição esteve patente em várias galerias de Nottingham e ao Institute of Contemporary Art, em Londres.
.
Vieram 78 exemplares para Portugal deste livro redigido em inglês
acessíveis EXCLUSIVAMENTE no site da Chili Com Carne 
(prioridade para os sócios da CCC)
.




Francisco Sousa Lobo has a new comic book coming out, on the work of artist Hugo Canoilas
.
It's called I Like Your Art Much, it's in English and printed in the UK, has 44 pages, and was released on the 5th of March 2015 at the Cooper Galley in Dundee, Scotland, with an exhibition - both exhibition and book form a singular symbiosis between comics and fine art
.
Hugo Canoilas' galleries, Goldsmiths University of London and Associação Chili Com Carne supported the project.

domingo, 22 de janeiro de 2017

O ANDAR DE CIMA - The Upper Room in The Watcher and The Tower


Uma co-edição da Chili Com Carne com a Faculdade de Ciências e Tecnologia e a escola Ar.Co.
~
Uma Banda Desenhada de Francisco Sousa Lobo baseada na palestra A Modulação da Tomada de Decisão: Pode o cérebro ser influenciado? ocorrida em Maio de 2014 e com as participações de Miguel Esteves Cardoso, José Manuel Pereira de Almeida, Alexandre Castro Caldas e Nuno Artur Silva.
~
20p. 21x27cm impressas a castanho, capa a duas cores.
ISBN: 978-989-8363-28-2
edição em português com legendas em inglês
~

new comix by Francisco Sousa Lobo (from The Dying Draughtman fame) inspired in a congress about neurology, in Portuguese with English subtitles. It's about the brain and about a conference on decision that took place at Universidade Nova in Lisbon. It's not institutionaley didactic comics, it's straightforward fiction.

...
à venda aqui e em breve nas melhores livrarias como na El Pep, Letra Livre, Artes & Letras, Mundo Fantasma, BdMania, Bertrand, FNAC, LAC, Linha de Sombra, Utopia, Pó dos LivrosMatéria Prima e Black Mamba... / buy here or at Orbital (London) and  Quimby's (Chicago)







Feedback : 

O autor experimenta diversas soluções para as suas pranchas e revela maestria nas transições entre as vinhetas, sendo extremamente proficiente na enorme quantidade de informação que, também como música de fundo, transmite ao leitor nas poucas páginas que constituem a obra. Aliás, esta aparente (...) simplicidade é um dos grandes trunfos desta banda desenhada, perante o complexo tema que aborda. Mais uma vez, Francisco Sousa Lobo brinda-nos com uma BD que figurará certamente entre as mais conceituadas listas do que melhor se produziu este ano em banda desenhada no nosso país. 
... 
Un racconto a fumetti insolito da un autore portoghese, creato in occasione di un convegno di neurologia. Il segno scarno e il montaggio ipnotico di Francisco Sousa Lobo riescono a conferire inquietante esattezza a una storia che parla di cervello, paranoia, solitudine e Fado. 
Andrea Bruno na sua escolha de últimas cinco melhores leituras de BD para o Fumettologia 
... 
N’O Andar de Cima, claro, o protagonista tem que ser velho o suficiente para ter sido apanhado pelos fachos, mas Lobo nasceu em 73. Pode não ser ele. Mas é ele, ainda que tangencialmente. De lembrar que, por exemplo, a história de Zona de Desconforto é autobiográfica a nu, espécie de Art School Confidential com menos tiques e a ir mais fundo: dois dedos de conversa sobre o doutoramento na Goldsmiths e um historial de depressão com um surto psicótico. Não é por acaso que isto nos põe desconfortáveis — ver um gajo desbobinar-se numa bd não é pêra doce —, e somos quase forçados a concluir que aí sim, foda-se, o gajo viveu para contá-la, isto é que é bd. Tanto ele como nós sabemos que não é bem assim, daí as tangentes e as reviravoltas, porque narrar-se é mais do que uma estratégia argumentativa em banda desenhada; é uma estratégia identitária também. João Machado / Clube de Leitura Gráfica 
... 
Resenha sobre O andar de cima e outros trabalhos de FSL no Ler BD de Pedro Moura 
... 
nomeado como Melhor Argumento e Melhor Publicação Nacional pelos Prémios Central Comics 2015 
...
 un cómic en bitono en el que Sousa Lobo presenta a un hombre que escribe un monólogo que se desarrolla durante todo el cuaderno, en el que profundiza en los temas recurrentes del autor: la identidad, el proceso del pensamiento, y los recovecos de la mente. Es un discurso conexo pero complejo, en el que mezcla a Shakespeare con la neurociencia y que también toca cuestiones interesantes, como la imaginación y su contacto con la alucinación. Se trata de un monólogo de loco —o por lo menos de obsesivo / compulsivo— de raíz muy literaria, pero que Sousa Lobo desarrolla con recursos puramente gráficos, gracias a un dibujo sencillo y al uso de símbolos recurrentes.

El título no corresponder


Martín López Lam
Ed. Valientes; 2016

O que é este livro? Uma residência artística, um livro de viagens, prosa poética (esse "big no no" para quem diz gostar de BD), tudo isto em trilingue (castelhano, italiano e inglês) e quadricromia. Durante o ano de 2016 Lam esteve em Roma ao abrigo de uma residência da Real Academia espanhola e criou este livro que junta todas as obsessões do século XXI como o movimento eterno, o coleccionismo e catalogação, o "random", o "object trouvé" e o "remix". Conta mais do que parece à primeira vista e primeira leitura. Quem conhece Roma sabe que é uma cidade que precisava de ser terraplanada para ter um novo começo - outra obsessão tosca do século XXI, já agora - e para esquecer todas as ruínas dos monumentos que fomentam o seu incrível caos urbano. É uma cidade de tropeções, labirintos, acidentes, anacronismos, sujidade e esconderijos, onde nada funciona e pouco parece interessar à primeira vista para quem a percorre tal é o espírito romano tão prático como nos tempos em que crucificaram o Porto Nazareno.
Fantasmas a vermelho, urina amarela, azuis arquitectónicos e verdes para as ervas que se confundem com os entulhos são as propostas de Lam para uma cidade que não dorme nem deixa dormir, onde tudo é histérico e exausto. El título no corresponder é o epitáfio que Roma merece. Ámen.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

ccc@north.dissonant.voices


A Associação Chili Com Carne irá subir à Invicta nos dias 20 e 21 de Janeiro para presenciar as actuações ao vivo de agrupamentos musicais de grande calibre nos serões da Feira Medieval Vozes Nortenhas Dissonantes onde encontremos prestações do Grupo Folclórico de S. Pedro de Souto, Guau Das Tongas, Grupo Folclórico de Tregosa, Átila e a Cindy, Rancho de Correlhã, Gruta da Tendinha, Isabel Silvestre interpreta "Pronúncia do Norte", PN . HE . TA, Grupo Etnográfico de Areosa, entre muitas outras surpresas de sabor regional como:





um "bife e grelha"  com André Coelho sobre o seu Acedia o lançamento falhado de um livro trumpiano de Rudolfo da Maia no restaurante de pitéus vegetarianos Mamba Preta.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Fezesbook RIP

A Associação Chili Com Carne anuncia a desistência da página “fezesbook”. Criada a conta em 2010 pelo Camarada Silas e mantida nos últimos anos pelo Camarada Campos, nos seus seis anos de existência mostrou-se nada útil - e por grau de importância:

1) não se vendeu nenhum livro directamente pelo seu anúncio na página (ou pelos que tenhamos percebido);

2) só apareceram maluquinhos e/ou poetas a sugerirem propostas merdosas;

3) o famoso “like” era colocado sempre que publicávamos faits divers ou notícias inventadas (houve algumas, quem não topou, azar, o historial já foi para o galheiro) ou, ainda mais estranho e que vale um pensamento, quando anunciávamos que um livro nosso tinha sido laureado ou noticiado nos grandes media oficiais. Sabemos bem que as pessoas querem dar os parabéns pelos feitos mas parece que as pessoas celebram algo quando é reconhecido apenas de forma institucional e/ou assimilado na lógica repugnante de “star system”.

A Chili ficará pelo seu bom e velho blogue e com o seu sítio oficial onde não há interacção da treta. Se houver comunicação entre nós e outros é porque houve realmente um esforço real de ambas partes e não porque é fácil gastar energia eléctrica com mais um clique fútil e preguiçoso. Num mundo hiper-sofisticado pedimos, sem nenhuma sombra de ironia, que nos contactem da forma mais antiquada - cartas é que é!

Simbolicamente é porque estão mesmo interessados em dizer algo. Na prática não estão a atirar o barro à parede para ver se ele pega… Estas acções não são atomização ou de fechar em copas, é apenas ecologia real e social.

Por fim, vamos-nos apercebendo que o "fezes" é uma rede social que só vive de escândalos impulsionados pela moral dos cabrões dos "gringos", ou seja, promove uma verdadeira Censura dos outros tempos que nada nos interessam, já para não dizer que ajuda a eleger fachos.

Adios!

Inflamação Buffa


A estreia de Rancid Opera com o mini-LP Azionismo Bolognese in Rap (Sonic Belligeranza; 2016) é outro tiro de 2016 que bem perfurar intacto até 2017 para arrebentar a cabeça de alguém - salvo seja. O nosso Camarada Balli voltou a fazer das suas para combater o ennui europeu e a melhor forma de o fazer é reunir os amigos amantes de Alta Cultura capazes ao mesmo tempo de amar a vérmina. Aliás, a Ópera e o giallo são coisas tão italianas como pasta e pizza que até estranho nunca se terem cruzado, teve de ser uma linguagem pós-moderna como o Rap Horrorcore, que os Rancid Opera praticam, para fazer o arranjinho sonoro-genético alla marcia! Descansem quem desatina com o italiano, o libretto do vinil reproduz "em inglês-esperanto" as líricas mash-up deste projecto crítico ao Bel Canto. 
Ao vivo há quem cague de fininho pela intensidade da performance e a encenação dos seus actores MC PavaRotten, MC DominGORE e MC CarreAXE. Quem assistiu diz que parece mesmo uma ópera, só que vinda direitinha d'Inferno de Dante. Talvez pelo uso das máscaras e pela imaginação violenta que Rancid Opera está para o Hip Hop como Faxed Head está para o Black Metal... Assai!

Erzsébet



Erzsébet de Nunsky ... 17º volume da Colecção CCC editado por Marcos Farrajota. Design por Joana Pires. Capa por Nunsky. 144p p/b 16,5x23cm, capa a cores. 500 ex. ISBN: 978-989-8363-24-4

Sinopse: Erzsébet Bathory, a infame condessa húngara contemporânea de Shakespeare, ao contrário deste, incarnou como poucos o lado negro e animalesco do ser humano. São-lhe atribuídos centenas de crimes inomináveis que lhe grangearam alcunhas como "Tigreza de Csejthe" ou "Condessa sanguinária" e que a colocam no mesmo lendário patamar de bestas humanas como Gilles De Rais ou Vlad, o Impalador. Por detrás do seu rosto pálido, de olhar impassível e melancólico ocultava-se o próprio demónio, Ördög.

PVP: 15€ (desconto 50% para sócios CCC, lojas e jornalistas), à venda na loja em linha da CCC, Mundo Fantasma, El Pep, Artes & Letras, Pó dos Livros, Matéria Prima, Letra Livre, BdMania, FNAC, Bertrand, Vault, LAC, Linha de Sombra, Utopia, Black Mamba...









o autor: Nunsky é um criador nortenho que só participou no zine Mesinha de Cabeceira. Assina o número treze por inteiro, um número comemorativo dos 5 anos de existência do zine e editado pela Associação Chili Com Carne. Essa banda desenhada intitulada 88 pode ser considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD underground portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...


Feedback: 
Muito boa BD, me inspira para criar logotipos 
Lord of The Logos (via e-mail) 
... 
Erzsébet, o livro, é o relato implícito, emudecido, de um receio: o de que a morte escape definitivamente ao controlo masculino. Afinal, é a morte que conduz cada um e todos os passos da humanidade, tal e qual como vem anunciando a estética gótica em todas as suas formas. Nunsky recorda-nos isso mesmo com esta edição
... 
Erzsebet é um grande livro. Consegue ter aquele espírito dos filmes do Jess Franco e afins, em que por vezes é mais importante a iconografia e a imposição de elementos simbólicos / esotéricos ou fragmentos de actos violentos e ritualizados (como as mãos nas facas ou as perfurações e golpes) do que termos uma continuidade explicita e lógica da narrativa, o que cria toda uma tensão e insanidade ao longo do livro e de que há forças maiores do que a nossas a operar naquele espaço. 
André Coelho (por e-mail) 
...
o romântico está presente antes na sua dimensão histórica e o trágico se aproxima do monstruoso. Pedro Moura / Ler BD 
... 
Para todos aqueles que apreciam uma viagem pelas profundezas negras do coração dos Homens, este é sem dúvida um livro a explorar, aliás, uma das publicações mais interessantes do ano passado 
...
Acabei de ler esta versão e perdoem-me, não posso evitar um sorrisinho complacente - então somos nós os amadores "alternativos"? A "nossa" condessa pode não ser nenhuma obra prima, mas é, modéstia à parte, um trabalho bem mais sério e sólido que a pobre caricatura da renomada Glenat. A única coisa que gostei foi a técnica gráfica (nem tanto os bonecos). GO CHILI! ÉS O NOSSO ORGULHO! P.N. (por e-mail)
 ... 
Nomeado para Melhor Álbum Português e Melhor Argumento e vencedor de Melhor Desenho na BD Amadora 2015 
... 
Nomeado para Melhor Álbum PortuguêsMelhor Desenho no Comicon 2015 
... 
Existe verdadeira loucura e terror nas caras e paredes pintadas de sombras e escuridão. Uma das obras essenciais na BD de 2015 a ser comprada e lida as vezes que aguentarem, porque a história de Erzsébet Bathory não é para os fracos de coração e de estômago.
Acho que Acho 
... 
Erzsebét (with English subtitles) is the biography of the infamous early 17th century Hungarian princess mass-murderer, Elizabeth Báthory, a.k.a. “The Blood Countess”. The author weaves history and fantasy into a dense portrait of the character and her deeds, creating thus a classic take on the genre of horror comics. Adapting his stark, thick lines – akin to wood-engraving, to an extent - to sober composition work and a contained palette, close to artists such as Michael Kupperman or Igor Haufbauer, the book is less dynamic and fast-paced than hieratic, taut and austere. A complete biography that focuses on the emergence of Elizabeth’s very “dark side”, one could argue that Erzsebét is also a study about evil and salvation, class divides and how madness is often the key to escape desperation.
Best Graphic Novels 2015 (Portugal) by Pedro Moura in Paul Gravett site
...
Primeiro livro da Chili Com Carne com edição estrangeira, a ser lançado no Brasil pela Zarabatana Books em 2017


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Nos jardins de Neuromancer


Sorry Stars (Ed. de autor; 2016) é um LP de Van Ayres candidato a ser o disco de 2017 em Portugal caso não tivesse saído em Outubro de 2016, sendo que andou a sua comercialização andou a ser arrastada até hoje devido a um ligeiro erro de impressão da capa. Este é daqueles discos que me faz sair da letargia de escrever sobre música neste blogue (ou no Mesinha de Cabeceira) porque Ayres tem essa capacidade de iluminar caminhos sejam eles sonoros, gráficos e narrativos - alguém ainda se lembra da bomba que foi Lençóis Felizes?
De vez em quando, seja um Mr. Burroughs (Círculo de Abuso; 2000) ou os discos de Allen Halloween dou-me conta que as melhores criações artísticas não vem obviamente nem dos meios oficiais nem da "cafetrice" das famílias "indies" mas das margens ainda mais à margem, aquela que obriga a 100% de independência e que o autor tem de pegar o boi pelos cornos. Sorry stars é uma fotografia desta década - por alguma razão que todo o grafismo do disco é feito de imagens fotográficas - em que a Electrónica balança de trás para a frente, de passados épicos do Techno e House para relaxados ambientes cyber, fazendo sínteses Hegelianas e outras manobras retro-futuristas. Um bocado como os panhonhas da Hyperdub fazem mas sem o cinismo da falta de futuro ou o excesso de depressão urbanística. Surpresa, Ayres qual Enya dos Bijagós diz-nos que que há mais coisas na vida nem que seja um temporário bling bling pós-freakista que custa a engolir para os existencialistas desiludidos que andam praí.
O som em vinil está gigantesco, em que o Rabu Mazda (um Cafetra boy que costuma actuar com Ayres ao vivo) deve ser o grande responsável para clareza e pujança da produção sonora. Sim, é daquelas coisas que se tem ouvir com o espaço do analógico. Na compressão do digital o som passa ao estatuto de pila frouxa após uma banhoca na praia em Janeiro.

PS - O disco em rotações mais rápidas também é bom, isso é raro acontecer nos discos. Foram avisados!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

manual prático de uso da CCC (6/6) : projectos

Desenhos de André Ruivo in CapitãoCriCa Ilustrada (2005)
Sendo uma associação sem fins lucrativos e perfeitamente legalizada, a Chili Com Carne de dois em dois anos elege uma nova Direcção que põe em marcha os planos que são apresentados na Assembleia Geral - ou seja segundo a vontade dos associados que se apresentam nesta reunião.

Geralmente a Chili Com Carne publica projectos de novos autores mas sobretudo de trabalhos que desafiam a modorra literária e artística. Procuramos a hibridação de estilos e talvez por isso que dá prioridade a livros colectivos como aliás está tão bem registado desde 2001 com o seminal Mutate & Survive, passando pelo extremamente bem-sucedido MASSIVE (2010), pelo "omnívoro" Futuro Primitivo, e ainda em projectos especiais como a digressão europeia Boring Europa ou a antologia Lisboa é very very typical. O que não impede de publicar livros "a solo" de autores que temos muito orgulho como Nunsky, Rafael Dionísio, Marcos Farrajota, André Ruivo, Ondina Pires, Francisco Sousa Lobo, Rui Eduardo Paes, Nuno Rebocho, Lucas Almeida, Afonso Ferreira, Filipe Felizardo, Dileydi Florez, André Coelho, David Campos...

Não sendo a Chili Com Carne uma editora profissional ou comercial, como é óbvio não nadamos em dinheiro mas quando fazemos livros é porque queremos e inventamos formas de financiar o projecto! Dependemos das quotas dos associados, subsídios do estado mitra e das vendas, tudo isto permite ir trabalhando com algum desafogo mesmo que implique sacrifícios pessoais para fazer livros quase a custo zero - tirando a gráfica, raramente os autores, designers, tradutores e editores são remunerados nos projectos. Tentamos fazer parcerias com outros editores para amortizar custos de impressão, armazenagem e partilhar know-how tal como já fizemos com a Bicicleta, El Pep, Faca Monstro, MMMNNNRRRG, The Inspector Cheese Adventures, Thisco, You Are Not Stealing Records e a nível internacional com os festivais Alt Com (Suécia) e Crack (Itália) e o colectivo Stripburger (Eslovénia).

Actualmente a Direcção é oficialmente composta por Margarida Borges, Marcos Farrajota, Afonso Ferreira, Amanda Baeza e Rudolfo, havendo mais seis elementos da Associação que funcionam como consultores nas decisões da Direcção. Gostamos de ser desafiados no entanto nem vale a pena tentar se não tiver capacidade de autocrítica, perceber em que mundo é que está (dica grátis, espreite a Internet no seu melhor e no seu pior!) e se não conhecer bem o nosso catálogo, não vale a pena tentar meter o seu trabalho à força.

Já agora, se encontrarem o nosso nome em directórios de editoras (o que permite pessoas enviarem propostas ridículas sem verem para onde estão a enviar), façam um favor, tentem apagar o nosso nome, não queremos ser massacrados por desesperados!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

manual prático de uso da CCC (5/6) : difusão

vinheta de BD de João Chambel in Mutate & Survive (2001)
A Chili Com Carne é uma associação sem fins lucrativos e isso explica a vontade de ser colaborativo e não competitivo. Tentamos que a nossa acção não se feche em nós próprios, tarefa nada fácil quando o “tempo = dinheiro” não é muito para os associados mais activos, que agem numa base de voluntariado.

Daí que para promover ideias de DIY fazemos isto:

- Feiras de fanzines e edições independentes. Desde 1995 que organizamos ou participamos nelas, nacionais ou estrangeiras, dos primórdios Encontros CCC à mítica Feira do Fanzine de Almada, do saudoso Salão Lisboa ao não menos saudoso Samizdata Club, do frio de Helsínquia ao blasfemo Crack, destacamos a Feira Laica que co-organizamos durante 8 anos / 21 edições. Não é só porque as livrarias barram os livros como os nossos que fazemos os “nossos próprios” eventos mas também porque é uma hipótese de confrontar públicos inesperados para levá-los à leitura e ao acesso de edição diferente do super-mercado. Quem espera em concertos Punk, Metal, Electrónica, Noise, etc… encontrar livros?

- Distribuição de artigos de outros editores, associados ou não. Costuma-se dizer que uma mão lava a outra a não ser que se seja maneta, se a distribuição e promoção de material “alternativo” é um problema para todos, a CCC tenta com permutas de material que nós e os outros cheguem a mais pessoas. Essa distribuição é feita na venda online, em caixotes de miscelânea nos eventos que participamos e quando se justifica colocando mesmo em lojas – geralmente são livros que justifiquem o esforço logístico (MMMNNNRRRG, Tinta nos Nervos / Colecção Berardo, Barbara Says…, Montesinos, Stripburger) e não zines frágeis porque para dizer a verdade não há lojas para esse tipo de objectos nos dias que correm.

- Divulgação de eventos e edições de outras entidades. Uma mão ajuda a outra, com ou sem genitália à mistura, e como não acreditamos em segredos nem em génios, a Chili abre o jogo, ajudando outros editores com contactos de lojas, feiras e gráficas. Os sócios podem alimentar ESTE BLOGUE (é por isso que mal se inscrevem recebem um misterioso convite do Blogger!) com informação relevante da cultura independente: resenhas críticas a zines, livros, discos, etc…, divulgação de eventos, “scene reports”, o que quiserem desde que não metam publicidade ao último disco de Sonic Youth ou do Tom Waits, que são artistas independentes mas que não precisam de nós como é óbvio... Alguns "posts" são posteriormente apagados quando são eventos que não tenhamos ligação passem de validade (ex. uma exposição individual de um ilustrador) ou publicidade pura e dura (um "post" sobre um zine mas sem qualquer espécie de reflexão crítica). Isto porque o blogue não pretende ser uma base de dados de tudo do que acontece por aí até porque há sítios actualmente mais indicados para isso como a Tipo.Pt (zines e livros de artistas) ou Under Review (música portuguesa).

Por fim, um caso prático, se o associado for um autor de uma publicação e quer que a CCC ajude a distribuir a sua edição, deve agir da seguinte forma.
1) escrever à Direcção da CCC para estabelecer um preço, desconto para sócios (se possível) e forma de entrega de exemplares;
2) colocar um “post” no blogue da CCC a promover a sua edição;
3) e esperamos por encomendas...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

manual prático de uso da CCC (4/6) : bibliodiversidade

ilustração original de Jucifer (2009)
Quando escrevemos que os nossos livros têm qualidade para serem oferecidos a amig@s normais, namorad@s anormais, a elementos da família disfuncional e outros animais racionais no "post" anterior não estávamos a brincar! É que a Associação Chili Com Carne tem tanto interesse pela Banda Desenhada como um cão pelo Reagan - esse porco nazi foi cremado ou ainda há ossadas?

Apesar de termos uma apetência para a ilustração, desenho e BD, a Chili Com Carne NÃO É uma editora de BD! Gostamos tanto dela como gostamos de música ou literatura, e gostamos ainda mais de cruzar estas diferentes áreas entre si - porque pensam que nos chamamos de Chili Com Carne?

Por isso se procura temas africanos podem encontrar no nosso catálogo (e da MMMNNNRRRG) os romances de Nuno Rebocho e de Rafael Dionísio ou o livro de BD de David Campos! Se for música temos o Rui Eduardo Paes, se for cinema temos a Ondina Pires, viagens a colecção LowCCCost, desenho o André Ruivo, autobiografia o Marcos Farrajota, reportagem o grande Aleksandar Zograf, ficção o Afonso Ferreira, auto-ficção o Francisco Sousa Lobo, humor o Loverboy, erótica o Grupo Empíreo, arte e cultura temos as antologias Antibothis, Subsídios... Sim temos isso tudo com vários cruzamentos possíveis!

Querem livros pequenos? Conhecem o Paris Morreu (em formato A6)? Livros grandes? Que tal AcontorcionistA : Calendário (A3)? Capa dura? Malus... Disco em vinil? Çuta Kebab & Party (10")...  DVD? 15th SWR (c/ uma BD-reportagem incluída)!!! Serigrafias? Por favor...
E para o irmão de 5 anos? Ele vai tripar com o Caminhando com Samuel!
E para a sogra de 76 anos? Ela vai tripar com o Caminhando com Samuel!
E a prima gótica drogada? Neuro-Trip...
E assim para aprender inglês? Destruição, Desenhador Defunto,... Livros de BD em inglês com legendas em português. Aprende-se mais a ler algo que se gosta do que a seguir a cartilha, não?
E livros premiados porque só ofereço Qualidade aos meus amigos?
(Que pedante!)
Olha tens o Já não há maçãs no Paraíso (TITAN 2009) ou o Revisão: Bandas Desenhadas dos anos 70 (Festival da Amadora 2016)???
E malta famosa há? Sim, já editamos o Mike Diana, João Fazenda, João Maio Pinto, Pedro Brito, Ondina Pires (dos Pop Dell'Arte, The Great Lesbian Show), Nuno Rebocho, Tommi Musturi, Marte, Igor Hofbauer, Fernando Ribeiro (Moonspell), Jarboe (Swans), Aleksandar Zograf, André Lemos, Pedro Zamith, Rui Eduardo Paes, Vadge Moore, Jorge Coelho,...
E novos autores?
(Que chato)
Montes deles pá!!! E alguns começam a dar nas vistas: Rudolfo, Zé Burnay, André Coelho, Amanda Baeza,...
Há alguma coisa que vocês não tenham? Sim!!! Só não temos livros de culinária, auto-ajuda e de gatinhos... mas estamos a pensar em fazer isso mas à nossa maneira, claro!

Se a Chili Com Carne não for a melhor forma de comprar as melhores prendas aos preços mais baixos (se for associado, claro) então é que a TUA timidez esqueceu-se que não precisas de ter uma relação fria com o sistema automático da loja online mas podes fazer perguntas-imediatamente-respondidas pelo e-mail da CCC para saber mais sobre as nossas edições. Também podes frequentar eventos em que participamos (ver a coluna à direita no blogue intitulada de CCCalendário) para ver in loco o que editamos.

Não temos nenhum interesse, ao contrário das editoras comerciais, de vender "gato por lebre". É verdade que os nossos livros todos eles são muito diferentes entre si porque trabalhamos com AUTORES e não com robots, putas ou fantasmas. A diversidade de estilos e a oferta artística poderá criar alguma confusão aos leitores que muitas vezes querem "mais do mesmo" MAS connosco não funciona assim, pedimos desculpas pelo incómodo...

domingo, 8 de janeiro de 2017

manual prático de uso da CCC (3/6) : os famosos 50% que agora são 30%...

desenho de João Fazenda para a CriCaClássica
Alguém disse uma vez: a Chili é o contrário das outras organizações que começam com grandes vantagens e depois começam a tirá-las ao longo dos anos.

Esperemos continuar assim por muito tempo, e cremos que a razão por terem dito deve-se ao facto que oferecíamos até 2016, 50% de desconto aos nossos associados sobre o nosso catálogo. Era um acto generoso muito simples na realidade, preferíamos "oferecer" metade do dinheiro da venda do livro a um leitor-associado do que a um distribuidor! Nem sempre foi assim, o trabalho da Witloof, uma editora que distribuiu os nossos livros entre 2000 e 2004, foi exemplar. Só que tal como muitas editoras e distribuidoras nos últimos anos, a Witloof fechou as portas e entre 2004 e 2014 não conseguimos nenhuma distribuidora que fosse fiável (é conhecido por elas não pagarem a editores pequenos) ou que aceitassem os nossos livros porque a BD é um "bicho-papão" no mercado livreiro - e a "BD de autor" ainda é vista de forma ainda mais marginal!

Em 2010 tivemos uma péssima experiência com a Great Point / Papiro / Buk, uma empresa de "vanity press", ou seja, uma editora que só publica autores se estes lhes pagarem os custos da produção do seu próprio livro! Claro que não queríamos que eles que nos editassem - isso nós sabemos fazer bem! - mas usar os seus serviços de distribuição. Resultado: tivemos de os processar para pagarem logo a primeira factura emitida. Foi um processo humilhante que se prolongou até 2012. Neste panorama deprimente achámos que mais valia que fossem os associados a "distribuirem" as nossas edições. Se os associados podem comprar os nossos livros a preços tão baratos, o resultado seria que teríamos os associados a comprar mais livros do que o seu normal consumo individual e isso compensaria não ter uma distribuidora comercial criando um circuito autónomo. Simples! Claro que sabemos que a vida anda complicada, e não queremos doutrinar ninguém, mas o que na realidade que pedimos dos sócios é que comprem livros à CCC, MUITOS livros! Ehm... muitos exemplares do mesmo título! Dentro das vossas possibilidades, claro!

Sabemos que os nossos livros têm qualidade para serem oferecidos a amig@s normais, namorad@s anormais, a elementos da família disfuncional e outros animais racionais. A ideia é que adquiram livros nossos em deterioramento a compras às grandes editoras que foderam (não há outro termo, desculpem) o mercado livreiro. Alimentar o sistema de edição actual pensando que estão a fazer algo de positivo pela cultura ou pelos autores é uma ilusão! O livro é o objecto mais importante criado pelo Homem e está a ser mal-tratado neste último quartel. Se acham isto exagerado, e porque não queremos que pensem que somos solipsistas a impingir-vos algo, consultem O Negócio dos Livros : como os grandes grupos económicos decidem o que lemos, de André Schiffrin editado pela Letra Livre. E depois falamos, desta vez sem palavrões...

Entretanto, desde 2014 que temos uma distribuidora oficial - a Europress - e apesar da boa (normal?) experiência com ela, algo tem mudado internamente no modelo económico da Chili, o que significa que manter os 50% de descontos nos nossos títulos não poderia continuar. E desde dia 4 de Fevereiro de 2017 que tivemos de baixar o desconto para 30% para que se possa sobreviver no meio livreiro. Mesmo assim o desconto continua ser excelente e não parece que o primeiro parágrafo deixe de ser verdade...

sábado, 7 de janeiro de 2017

manual prático de uso da CCC (2/6) : edições esgotadas

Ilustração de Nunsky para o esgotado Chili Bean
E quando um livro da Chili Com Carne esgota porque fica tão caro? É para ser mitra ganancioso como aquela gente dos livros de artista!?

Nope! É verdade que aumentamos sempre o preço de uma edição prestes a esgotar a partir dos últimos 10 ou 20 exemplares mas a razão é que queremos que esses últimos exemplares sejam adquiridos por quem quer mesmo e não para um consumidor tarado qualquer que nem sabe o que está a comprar... E é verdade que também é para capitalizar um pouco mais com esses últimos exemplares porque os nossos livros se pagam as despesas de impressão, raramente fazem muito lucro - já para não falar da falta de remuneração dos autores e editores...

Mas se venderam tudo não era de reeditar?

O que acontece é que sendo uma estrutura pequena como a nossa não temos capacidade para reedição porque significa voltar a investir dinheiro num projecto em deterioramento de outros novos. Significa também ter que arranjar mais tempo e espaço para armazenar livros. O que poderiam perguntar é porque uma editora profissional não pega nos nossos livros esgotados e nesses autores que deram provas de sucesso?

O que sobra depois de acabar uma tiragem?

Tentamos que o livro ainda assim não "morra" totalmente e colocamos em formato digital (PDF) grátis para ser descarregado ou lido no nosso site ou na plataforma issuu.com e claro há sempre os arquivos públicos ou privados que tiveram o cuidado em nos dar guarida. A Biblioteca Nacional é obrigada a tal (é por isso que existe a figura do Depósito Legal, não é à toa que eles tem o super-raro MASSIVE!!!) mas podem encontrar a maior parte do nosso catálogo na Bedeteca de Beja e nas BLX (são 15 bibliotecas de Lisboa em que destacamos o acervo da Bedeteca de Lisboa por questões óbvias!), em bibliotecas de faculdades como o ISMAT (Portimão), a Faculdade de Belas Artes do PortoFaculdade de Letras do Porto (projecto Keep it Simple Make it Fast), em galerias como a Perve (Casa da Liberdade) ou projectos sociais como uma biblioteca em Oeiras promovida pela SANEST. E claro, como os estrangeiros não são nada parvos, também estamos na Fanzinoteca de Poitiers (França) e na Bedeteca de Estocolmo, por exemplo...

Há sempre hipóteses de encontrar ainda em algumas lojas os títulos esgotados, ou porque há um cuidado extremo em ter sempre tudo acessível como faz a inacreditável Mundo Fantasma, ou porque os exemplares são metidos em catacumbas-caixotes-máquinas-do-tempo como acontece com a BdMania ou Mongorhead. É de ir lá perguntar se ainda têm o Sourball Prodigy!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

manual prático de uso da CCC (1/6) : portes grátis



Vinheta de BD de Marcos Farrajota in Cru #49



Com as campanhas especiais (atenção que o sócio nº 200 está para breve!!!) que fizemos e com o concurso dos 500 paus entraram muitos novos sócios, muitos sem percebem muito bem o funcionamento da Chili Com Carne. Este é o primeiro de seis "posts" sobre questões práticas na CCC, começando com o tema que é quase o dia-a-dia de quem dirige a associação, os correios! Mais especificamente os portes grátis da encomendas das nossas edições!

A Chili Com Carne assume-se como um veículo para a promoção da leitura e para além de fazer já descontos escandalosamente bons aos seus sócios também NÃO COBRA PORTES no envio de livros - sendo que exigimos apenas que as encomendas tenham um valor mínimo de 5 euros em Portugal e 15 euros para a UE (ver coluna esquerda da shop). Porquê?

1) porque é uma seca andar a pesar livros e fazer continhas às gramas de papel impresso - o trabalho na CCC é voluntário por isso não temos tempo a perder;

2) porque os CTT praticam uma taxa reduzida para envio de livros que tornam os custos de envio mínimos mesmo para a nossa pequena estrutura - esperemos que a privatização desta empresa que faz um excelente serviço público não destrua esta taxa que pode ser usada por todos que queiram enviar livros, editores ou não - ler a última BD deste livro, sff.

Por isso, para quem não vive em grandes centros urbanos, como Lisboa ou Porto, para aceder a boas livrarias (ou que aceitem os nossos livros) o que propomos é um elogio à preguiça do século XXI! Basta usar o computador que em poucos dias os livros aparecem em casa! Não precisa de sair de casa para ir ao Fórum [nome da terra] à procura da Bertrand ou FNAC com o risco de ser tentado por mais um livro de Vampiros eróticos ou uma autobiografia de um político escrita por um "ghostwriter".

Por fim, não estamos a imitar a Amazon! Já fazíamos isto antes da Amazon ter sido inventada e ao contrário desta besta capitalista, não ambicionamos destruir as livrarias nem ter uma sede social em Luxemburgo para fugir aos impostos. Tenham também isso em conta!