quarta-feira, 31 de maio de 2017

terça-feira, 30 de maio de 2017

QCDAs nas Austrálias...





Crazy aussies! 
Nosso amigo Fikaris continua a divulgar os nossos livros no outro lado do hemisfério!
Thanks, pal!

domingo, 28 de maio de 2017

Um Turbo prá Sofia...

Foi o ano mais secante do Festival de BD de Beja, talvez por culpa de uma programção sem risco e subjugada ao mercado nacional, que (boas notícias) cada vez edita mais mas (más notícias) publica obras para crianças, jovens tótós, lolitas-wannabes e velhos "bedófilos". Surpresa agradável que perdoa a seca, o único livro que trouxe de lá: Bizarras (col. Toupeira #10, Bedeteca de Beja; 2017) de Sofia Neto.
Colecção que continua a colecção Lx Comics (da Bedeteca de Lisboa), a Toupeira modestamente tem sido um palco para novos autores e neste número mostra o trabalho mais consistente de Sofia Neto até agora, apesar das boas experiências com os títulos publicados pela Mundo Fantasma. A autora já tem uns 27 anos, idade para ter mais do que juízo, mas ainda procura uma voz própria. Acredito que rapidamente dará um salto, tem dado livro para livro. Formada em BD em Angoulême, ela têm técnica e formação para fazer o que lhe apetecer, topa-se isso pelo total domínio narrativo, o problema é que ainda não estebeleceu os temas de abordagem para a criação de uma Obra. O que faz o trabalho de Sofia ultrapassar muitos autores actuais que ainda não se decidiram entre trabalho comercial ou artístico, é que o seu desenho é expressivo, uma enorme vantagem sem dúvida, mesmo que um dia faça um trabalho qualquer de encomenda tipo "A História do Bill Gates".
Bizarras é uma compilação de várias BDs de duas páginas sem palavras - excepto a última BD - que não tendo ligações entre elas, lêem-se todas de seguida, sem respirar, porque não há títulos ou separadores. Não sei se a autora e/ou editores pensaram nisto conscientemente mas a leitura é bastante musculada porque inicialmente pensa-se que as personagens que desfilam nas várias situações terão alguma ligação. As BDs mostram cenas quotidianas, em esquemas de compensação psicológica, que podem ser patéticas como fatais. Apesar dos ritmos narrativos perfeitos e legibilidade gráfica das BDs, elas deixam sempre o trago de mistério insolúvel, que tem sido a marca principal do trabalho de Sofia. Já a última história próxima de um humor Fluide Glacial ou Jueves, é "gira" mas mancha o que foi feito anteriormente - culpa do uso de texto ou a ideia em si? Certeza absoluta, ela não deixa marcas para dúvidas, mata o "mistério" e torna-se numa vulgar laracha. Tirando a última BD, as outras tem uma figuração elástica que lembra Æon Flux (a série de animação, não o filme idiota) mas essa influência assumida não incomoda de todo, o que incomoda são as pessoas representadas, esse "o Inferno são os outros"...

MUSCLECHOO - SIDE STORY FILE 001 - TRUMP CARD @ Ler BD



After finding an underwater base at Water Moon Sigma 14-B, Musclechoo goes inside and loses contact with Iris and then it starts to get really weird…

Musclechoo makes a comeback on a new book drawn between August 2014 and December 2016. For fans of Fort ThunderGhost in the Shell and Trading Card Games.
80 pages. 16x21cm. Offset printing. Perfect bound. 333 copies. Co-published by Chili Com Carne and Ruru ComixSupported by IPDJ.

Buy @ Chili Com Carne online shop, Ruru Comix, Letra LivreBdMania, Linha de Sombra, Tasca Mastai, Artes & Letras, Blau (Fac. Arquitectura de Lx), Tigre de Papel, Mundo Fantasma, Utopia, Fatbottom Books, Le Monte-en-l'air, Black Mamba, Inc, Pó dos Livros, Matéria PrimaMOB and Bertrand. Soon @ Matéria Prima,...

Feedback: 
Se (...) Livros de bonecos é que é a vossa cena. Pois bem, não percas tempo. A Chili Com Carne acaba de editar a nova BD de Rudolfo, Trump Card. É o primeiro livro a solo do autor e nele encontram a sua personagem fétiche, Musclechoo, embrenhado numa aventura bem esquisitinha. Como vocês gostam. Ambos os dois. Seus tarados!Vice Portugal 
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I already read Musclechoo and liked it. Actually I loved drawings and characters in it. Do you have any idea is it possible to find earlier zines? (...) there is some kind of collection coming but still. I fancy to own those original zines. They are looking really good in photos google found. - Marko Turunen
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Trump card was some good shit indeed... A total teenage action comic fantasy. The violent/gore bits are the best, for real. Those stiff action panels are awesome. Idk if that was the idea, but those moments felt a lot like Prison Pit. - Héctor Cimbrón ... Trump Card ganha uma desenvoltura diferente (...) foi totalmente improvisado na sua “escrita” e “desenho preparatório” (...) uma espécie de mistura de Magic the Gathering, Pokemon, MMORPGs e sabe Deus Nosso Senhor mais o quê numa sopa tão pouco credível como certamente satírica. Com efeito, é difícil não ver em Trump Card um exercício de deboche sarcástico em torno de toda uma linha de cultura popular, de Star Trek a novos jogos digitais, mas ao mesmo tempo mostrando algum gosto por essa mesma cultura. (...) Apesar do título ter tudo a ver como o jogo de cartas, e aparecer uma espécie de “tirano sapo” obcecado com sexo, não deixa de haver uma ideia de explorar a actualidade política internacional. Mas ir por aí é como patinar num sabão em chão de mármore. Todo o cuidado é pouco e equilíbrio, nenhum. Uma espécie de Image dos pobres, em que a verve daquela editora norte-americana em revisitar e revitalizar toda uma série de géneros clássicos, mas com os instrumentos imediatos e de pêlo da venta do punk (8-bit breakcore, entenda-se) zinesco, Musclechoo deve estar mesmo para ficar. Deus nos acuda. - Pedro Moura - Ler BD

Amore di lontano


Fixem este nome: Martoz! Ele é a nova sensação na BD italiana e há razões para isso... Tem sido editado livros dele plenos de páginas coloridas, de desenho vivo, espectacular e "cubista". O seu novo livro, lançado o ano passado, tem cerca de 280 páginas que enchem o olho, contando a história do cavaleiro Antares em cruzada religiosa e sexual, viajando no tempo - idas e voltas do Medieval ao contemporâneo - e criando uma epopeia impossível. 
Apesar da cor e a distância dos temas, eis um livro que volta a colocar a Canicola em forma. Editora originalmente criada como um colectivo de autores de Bolonha que publicavam uma antologia entretanto transformou-se numa editora de BD que apesar de um percalço ou outro manteve a sua identidade original intacta mesmo ao mudar radicalmente de modus operandiAmore di lontano é "Canicola" pura, ou seja, calorenta, bafienta, labiríntica, vanguardista e suada, capaz de baralhar as hormonas do Eros e Thanatos. 

sábado, 27 de maio de 2017

Série Postal


Que fazer com doze postais em que estão publicadas BDs? Envia-se aos amigos ou guarda-se na colecção caseira? É daqueles dramas, sem dúvida, especialmente quando temos BDs do Pedro Franz (imagem), Paula Puiupo, Taís Koshino, Manzana, Bárbara Malagoli ou Marian Paraízo... Instigados pelo sítio em linha Vitralizado cada mês sai um novo postal - eu já tenho todos e deveria manter segredo, como se tal coisa fosse possível em 2017 - o lote separa-se pela BD tradicional com o eterno sabor brasileiro do humor e pela BD mais experimental e visual - ou seja todos os autoras, e sobretudo autoras, que me dei ao trabalho de referir. Este é o grupo vencedor a todos os níveis, afinal um postal cheio de quadradinhos não é das coisas mais bonitas de se ver. O Franz e a Puiupo souberam dar a volta ao formatinho, ele com texto politizado e ambos com o uso acertado de uma cor só. Se calhar vou guardar estes e enviar os outros postais por correio! Hum... piadinha: o que sentirá a Taís se lhe enviar o seu próprio postal?

Obrigado à Camarada Silveira que me deu a conhecer esta boa iniciativa, que pode ser seguida aqui.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

ccc@festival.de.beja


Vamos estar lá, ao que parece... com o unDJ MMMNNNRRRG! E colaboradores nossos vão ter lá exposições individuais, a saber o Jorge Coelho (que é mais agente do Capitalismo do que a CCCp) e a super-Sofia Neto.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Metalada entalada


O regresso dos Sacred Sin é motivo de alegria para qualquer metaleiro 'tuga que se preze. Esta é a banda barulhenta que teve mais momentos de glória desde os inícios dos anos 90. Nessa década nada era fácil para quem curtia som pesado e esta banda fez carreira sem as foleirices góticas (cóf, cóf) explorando Thrash / Death Metal. Andou a hibernar de vez em quando neste milénio e volta com o explosivo Grotesque Destructo Art (Chaosphere; 2017), um CD tradicional que não avança nem uma pontinha para a evolução do sub-género musical. Até volta a atrás com uma podre versão de Comandos dos V12 (outra instituição metaleira nacional que preferia não escrever) ou com o instrumental Sounds of Despair, uma cavalgada que de desesperante nada tem (não se percebe o título!) que soa a trashy-glitch primordial. Este primitivismo é logo visto no artwork do disco de tão inapto que parece que ainda estamos em 1997 a aprender ainda a fazer grafismo para estas pequenas embalagens destas coisas chamadas de CD - o vinil tinha "morrido", certo? Come on Chaosphere!? Não nos podes dar esta bomboca e depois deixar descuidarem os Sacred Sin!!!
Os melhores momentos do disco são Euthanize it e The Sentinel que começam lentos justificando as práticas dos títulos para depois desdobrarem-se em orgias de solos típicos deste tipo de som. Aliás, após The Sentinel não vale a pena ouvir o resto do disco, ou seja, nem o tema-título do álbum que é um "death wishful thinking" sem sentido nem a tal versão de V12. Baaaaaaaaaaaaaaza!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Caldas morning...



A visita "matinal-anual" de ontem ao Comunicar:Design foi mais produtivo que nos outros últimos anos. Vim de lá com três livrinhos de autor... zines? Sei lá, "fanzines" e "zines" nas Caldas nunca pegou como se testemunha num texto meu perdido no Quadrado #5 (3ª série, Bedeteca de Lisboa; Jun'03). Há produção mas não há promoção nem vontade de sair para fora, pelo menos foi o que me sempre pareceu. A crítica que teço é que os "fanzines" obrigatoriamente são publicações e como a palavra "publicações" significa é para dar-se a conhecer ao público. Ou é pelas tenras idades ou por serem da província, nas Caldas divulgar as edições lá feitas nunca foi uma prioridade. A razão por existirem estes objectos é criar Arte para mostrar aos colegas apenas... Talvez eu tenha demorado a reconhecer isto e que esta situação não é um maldade nenhuma per se. Apenas sinto frustração de saber que existem estes livrinhos fechados e que nunca saberei da sua beleza.

No Comunicar:design é ainda mais real a falta de "comunicação", os stands apresentam-se com os nomes dos autores/editores quase todos a soar nomes de empresas de comércio, infelizmente alguns a roçar o foleiro. Já se sabe, quando se é jovem além de odiarmos os nosso nome oficial também dá para inventar pseudónimos parvos como Kevin Claro ou Bina Tangerina (!?). Isto pode servir para quem faz autocolantes, cartazes e outras bugigangas (boooooring!) com o objectivo de fazer mais tarde murais para bairros de pobres e edifícios para especulação imobiliária ou intervenções do kitsch & do gamanço como a Joana Vasconcelos. No entanto esta lógica empresarial não se coordena com a realidade do mundo da edição ou da arte. Foi bom ver que há por ali pequenos germes prontos a contaminar e mudar o mercadito do Comunicar, espero que pró ano haja mais livros e fanzines!

O Claro (aka João Gastão) fez um livro de BD em serigrafia com pintura de manchas, ou seja, muito trabalhinho à mão como ele bem refere na contra-capa. Já conhecia os trabalhos publicados porque estiveram a concurso nos "500 paus". São BDs exercícios de estilo e de narração que encontraram o que andavam à procura: micro-edição, edição manual, intimidade e tactilidade, características que não encaixavam no que se propõe os 500 Paus. Claro auto-editou o Acorda e Ão (é mesmo isso, um livro em acordeão) e fez muito bem este belo objecto cor-de-rosa! Embora se coloque a questão porque não fez antes um folioscópio dada a animação destas mundanas vinhetas?


Comprei a "versão mitra" de Sea of trees da Bina Tangerina (a sério, como é que se chama a autora? é a Sabina!) cuja a edição original era em gravura - cujo preço será proibitivo para alunos e professores sem cheta. A versão barata é uma edição de intimista que parece um missal profano em capas pretas e duras que carregam dois acordeões de imagens em sequências ilustradas que evocam esoterismos maçónicos de fim-de-semana. É inexplicável a atracção que este livrinho produz...

Por fim, o Ros (a sério!? Ros!?) fez o mini-comix Exclamação Arroba & Asterisco todo giro e existencialista, uma BD que é um desabafado de um estudante universitário e que revela humor inteligente - raro numa Era de Bestas de Batinas. Sabe a pouco e queria ver/ler mais, Ros, vá lá, tens mais do que potencial para maiores criações, muda é esse pseudónimo tótó!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Subsídios para MMMNNNRRRG #1 na Nouvelle Livrarie Française

o primeiro fanzine de Art Brut português!!!


Editado por Marcos Farrajota e Joana Pires têm as colaborações de João Bragança (editor do extinto zine Succedâneo), João Mascarenhas (Stealing Orchestra e You Are Not Stealing Records), A.C.P., Manuel Correia, Jucifer, Jakob Klemencic (Eslovénia, ligado à Stripburger), Latrina do Chifrudo, Pakito Bolino (do Le Dernier Cri), uns putos se Sesimbra e Rafael Dionísio para tratar dos seguintes temas: Caretos de Podence, Kurents (da Eslovénia), Moliceiros da Ria de Aveiro, Franklin, o jardim da família F***, Match de Catch à Vielsam, Raw Vision, Metal e Deusa Loira apaixonada por Cradle of Filth 2006.
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São 128p. 13x20cm a cores, 2 capas diferentes (uma para metaleiros, outra para pessoas normais).
A tiragem foi de apenas 300 exemplares que estão disponíveis na shop online da CCC, Fábrica Features, Casa da AchadaMatéria Prima, Letra Livre, NeurotitanStaalplaatXYZ BooksTigre de PapelBooks & Records Megastore by Largo, N.L.F. e FNAC.
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Historial : versão online lançada a 21 de Julho 2010 ... versão física lançada Janeiro 2011 ...
Feedback : muito interessante publicação, com um artigo bem pertinente e divertido sobre a nossa exposição “Onde Mora o Franklim?” Museu de Etnologia ...

Exemplos de páginas:

ccc@comunicar:design.2017


como já aconteceu no passado vamos lá espreitar as novas produções das Caldas... 
Atenção: só estaremos no dia 23 de manhã!

+ info aqui

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O Presidente Drógado apresenta Quatro Dramas de Faca e Alguidar



Este Sábado que passou, finalmente saiu um disco - um vinilo 12" gravado de um só lado - que marca não só o regresso da saudosa Imprensa Canalha como o do Presidente Drógado a edições decentes, isto para quem tem feito uma carreira fonográfica de CD-Rs pobrezitos (excepção prá edição da Burning Desire). Escrevi "edições decentes"? Meus caros, esta edição é a razão porque se compra discos em vinilo.
'Tá Top! É bem capaz de ser a melhor edição em vinilo em Portugal nesta década ou milénio, já não digo melhor edição fonográfica porque ninguém até hoje bateu as edições da Matarroa desenhadas pelo designer Chemega. Capa em serigrafia, textos explicativos da enorme saga de três anos que demorou para sair o disco - o problema principal, é que com a moda do vinilo, as fábricas de discos estão a ignorar os pedidos de editoras mais pequenas.
Baseado num caderno antigo do século XIX descoberto pelo João Bragança (Succedâneo) que contava uma estória de drama e crime, foi dado o mote para uma pequena recolha im-popular de "murder ballads" em que o Drógado é perito. As gravações vão de 2008 a 2015 e inclui excelentes participações de Patrícia Filipe (com quem partilham o projecto Come-se a Pele), Filipe Felizardo e Rita Braga - que várias vezes apareceu marciana em concertos e gravações do Drógado.
Advertência aos fãs agarrados: as músicas do Drógado neste disco são "dark" e mais trágicas que cómicas, o que poderá fazer algum choque a quem espera apanhar letras irónicas sobre o consumo de estupefacientes ou os clichés da vida contida de Rock'n'Roll deste Lou Reed de Linda-A-Velha. Há um tom de seriedade que casa com o grafismo do disco em perfeição. O simples facto de se colocar o disco na aparelhagem e ouví-lo à medida que se consulta os textos percebe-se que estamos num mundo Pop em estado de "slow food", há que apreciar isto com calma e gosto. Há o espectro "trash" que paira no disco, claro, afinal falamos de baladas populares e que até são descobertas literalmente no lixo mas é daquele "trash" que foi transformado em luxuo e será guardado para sempre nas prateleiras dos doze polegadas...
Parabéns Zé!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

The Dying Draughtsman --- LAST COPIES


The Dying Draughtsman
by
Francisco Sousa Lobo

Sinopsis: Francisco Koppens has a dying profession, a dying religion, lives in a dying home and has dying thoughts. He is a Portuguese architectural draughtsman living in London who believes he is destined to commit suicide. He talks to his wife but she doesn’t answer back. He does erotic comics as a private compulsion, only to cover them with black ink at the end. He ends up with black monochromes which he then tears to bits. The sign of the monochrome as self censorship permeates Koppens’ life. He visits endless art exhibitions, only to be smitten by dread and doubt. We follow him from depression to psychosis, and then back to a sort of starting point.

The Dying Draughtsman could be described as a fictive construction built on real, personal events lived through the life of the author.

Francisco Sousa Lobo does comics, fine art and writing, and lives in London. The Dying Draughtsman is his first graphic novel.

Critical reception: Chosen as part of the 10 best books of 2013 by Sara Figueiredo Costa, in the newspaper Expresso ... Francisco Sousa Lobo's production is inclined towards forms of comics internal interrogation, especially in their narrative form. An excellent bookPedro Moura in Ler BD ... If Duchamp de-contextualized and re-contextualized his works through the use of photography, Sousa Lobo does it now through comics - Gabriel Martins in Rua de Baixo ... Unpredictable and haunting, stimulating and engaging - Paul Gravett ... Perfect symbiosis between art and writingAndré Coelho ... One of the best books of the yearDavid Campos ... I really like it, it reminds a part of the world of Sammy Harkham and a touch of Theo Ellsworth (for the story). - Nicolas Grivel ... One of Best Portuguese Comics 2013 by Pedro Moura in Paul Gravett site ... It seems that comics finally provide Koppens, and his creator Lobo, with the style and method to write that postponed suicide note, as the remarkable graphic novel The Dying Draughtsman - Paul Gravett in Art Review ... thanks again for The Dying Draughtsman! Not an easy read... a bit too close for comfort, as they say... but very well told. Marcel Ruijters ... Pero más allá de eso parece, sobre todo, una obra de autodescubrimiento a través de la ficción. Francisco, el protagonista, vive en una permanente insatisfacción. No entiende el arte de galería, no consigue avanzar en su cómic —cada página acaba siendo un bloque de viñetas en negro que tiene que romper y tirar—, su mujer no le habla desde hace diez años y en el trabajo están a punto de despedirle. El monólogo interior nos revela a un hombre extraño, religioso, con dificultades para socializar, nervioso y desconfiado. (...) Hay algo contemplativo que recuerda a ciertos mangas, y, de hecho, el mismo Sousa Lobo menciona una hipotética visita a una convención de Tsuge que no puede interpretarse más que como una inspiración. Ciertos recursos gráficos subrayan la pérdida de contacto con la realidad de Francisco, pero como parte de un tono gráfico tan neutro, todo se consigue de un modo muy sutil y orgánico. Hay un momento en el que nos damos cuenta de que no podemos estar seguros de que todo lo que hemos leído que otras personas le han dicho a Francisco sea cierto, porque, al verlo todo a través de él, es imposible separar su paranoia de la realidad; de hecho, la realidad no existe en este tebeo. En ese momento reevaluamos toda la lectura, y es entonces cuando este cómic alcanza su verdadera altura. Se trata de una reflexión sobre la mediocridad, las aspiraciones frustradas de artista y la locura como una etiqueta social. Lo que para todo el mundo es una alucinación, para Francisco es una sólida realidad. The Watcher and The Tower ...

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Design: Joana Pires 128p. 16,5x23 cm two colour
500 copies
ISBN 978-9898363-22-0

Book released in Galerie Kamm, Berlin ... Auto-Critical Comix in Art Review ... Exhibition of originals in Treviso Comics Festival ...

You can buy this book at our site (free postage for EU) and at Quimby's (Chicago), Gosh Comics (London), Orbital (London), Lambiek (Amsterdam), La Central (Spain), Neurotitan (Berlin) and Seite Books (Los Angeles)

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Here's some pages:

terça-feira, 16 de maio de 2017

QCDA #1000 [ÚLTIMOS EXEMPLARES]


Zé BurnayRudolfoAndré Pereira Afonso Ferreira fazem BD em Portugal (LOL). Cansados de andar por aí cada um para seu lado, a editar a sua cena em formatos betinhos, os Quatro Chavalos Do APOPcalipse decidiram reunir-se sob a benção da editora Chili Com Carne para uma antologia de BD à séria, em que cada um faz mais uma vez o que lhe dá na real gana, mas desta vez em glorioso formato A3.

Falamos do QCDA#1000, claro, que reúne quatro histórias de quatro páginas cada, com um alcance de temáticas que vai desde a prevenção do acne existencialista ao comentário da sociedade mágico-equestre contemporânea, passando pela exploração das várias correntes de arquitectura necromântica e pela análise comportamental de altas patentes do exército quando confrontadas com criaturas lendárias.




Historial : este COMIX/zine/XXL foi lançado no Angoumerde Fuck Off 2014 e em Portugal no Festival Rescaldo ... exposição de originais no Anicomics 2014 ... Nomeado para Melhor Obra Curta (de André Pereira) pelos Prémios Central Comics 2015 ...
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Capa a cores + 16p. impressas a roxo no formato A3
Design: Rudolfo
ISBN: 978-989-8363-23-7
Apoio do IPDJ e Wormgod  
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À venda na nossa loja online e nas lojas Fatbottom Books (Barcelona), BdMania, Artes & Letras, El Pep (Porto), Pó dos LivrosMundo Fantasma (Porto), LAC (Lagos), Letra Livre e Black Mamba.
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Feedback : uma óptima iniciativa que se devia repetir, regularmente. Faz favor. Planeta Satélite ...

Pelo amor da tia...

Pá, a sério, Panelak!? É que já não se faz piadas destas em 2017... Por acaso o Sto. Wikipedia diz-me que "panelák" é uma palavra checa para habitação social do tempo soviético e deve ser por isso que este projecto tem esse nome - é que soa a tal. E a panelas! A terceira faixa a guitarra soa a panelas a serem batidas e não há nada a fazer!
Os instrumentos reais são guitarra e laptop que são abusados por um músico de Leeds - agora residente em Lisboa. Músico Noise / Improv está apto a sobreviver ao mundo pós-web 0.2 com todos os seus excessos digitais e respectivos glitches. Tal como peluche da capa que parece ter óculos especiais para ver unicórnios fluorescentes na verdade ele está a ver a um carrossel com falta de óleo, a ranger de zumbidos que dão dores-de-cabeça, porra, sei lá, acho que vou vomitar algo em RGB...
Isto é um ambiente doente de quem bebeu vodka barata e jurou nunca mais beber e fumar na vida mas como não cumpriu a promessa vê-se agora arrependido e indefeso, sem conseguir desligar o "play" da aparelhagem. Este CD-R homónimo de 2013 (da Augurosakuson) é uma coisa doente de se ouvir e espero que nunca mais se grave nada assim! Thanks mate!

Entretanto... comprei o CD de Corman intitulado The Corman Film School (Sinais; 2013), verdadeira meia-hora de tortura sonora não pelo ruído mas pela inaptidão da banda, verdadeira "Cafetra do Metal" - ou Crap Metal como assume a banda.
Os músicos são uns "não-músicos" desajeitados como o famoso realizador de filmes de série B Roger Corman era quando era pobrezinho e independente. Entesados pelo imaginário "B", os Corman tocam Hard 'n' Heavy dos primórdios em que os fantasmas de Black Sabbath ou Pentagram assombram as gravações. Ensaíaram, gravaram e lançaram o disco tudo em puro espírito DIY, atitude Punk afastado da subcultura Metal cada vez mais armada em Diva.
A voz lembra a do Nunsky quando este tinha os The ID's mas isso pouco importa porque ninguém os ouviu nos finais dos anos 90. As semelhanças não ficam por aqui por causa da fixação mútua pelo "B". Nesta espiral de auto-nostalgia, o CD soa-me a essas k7s dos The ID's, ou seja, negras e lo-fi com sentimento, apesar do bedum do "kitsch". A capa está na mesma linha estética, tanto que foi graças a esta imagem tão insólita e maravilhosamente amadora em 2017 que o disco me chamou a atenção na prateleira do Metal na Glam-O-Rama. É linda! Incluindo a contra-capa e "artwork" do livrinho do CD. Ninguém já faz coisas assim...

QCDA #1000 [LAST COPIES]


Zé Burnay, Rudolfo, André Pereira and Afonso Ferreira are the 4 most active brats from the new Portuguese breed of Comix authors! Yup! They make comics in Portugal (lol).

Tired of wandering around, self-publishing their stuff in puny formats, the Four Horsemen of the APOPcalypse have decided to unite, under the blessing of Chili Com Carne, for a real comics anthology in which they do what they please (as always), but this time in glorious A3 size.

We’re talking about QCDA#1000, of course, that collects four stories of four pages each, with a thematic reach that spreads from existencialist acne prevention to social commentary on the contemporary magical-equestrian society, while also exploring several varieties of necromantic architecture and analyzing the behavior of certain high-ranked officers of the army when confronted with legendary creatures of lore.


This GIANT/size/COMIX/zine was released in Angoumerde Fuck Off 2014 and in Portugal it will be released at Festival Rescaldo.

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Full colour cover + 16 pages A3 format
Design: Rudolfo
ISBN: 978-989-8363-23-7
Supported by IPDJ and Wormgod  

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Orders in our online shop and in some good stores like Fatbottom Books (Barcelona), Lambiek (Amsterdam), Ediciones Valientes (Spain), La Central (Madrid), Neurotitan (Berlin), Orbital (London), Quimby's (Chicago), Seite Books (Los Angeles)...

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Feedback : I quite enjoyed the QCDA book! Marcel Ruijters (by e-mail)... QCDA project, really cool, love it, huge weird hard to place in your bookshelf but great style and pure comics juice Alberto Corradi (by e-mail)





quinta-feira, 11 de maio de 2017

Os Meus 21 Tormentos (7)


O que raios está a fazer um coelho na nossa exposição?


Ainda penso no Tremor... Serve este "post" para publicitar a história do "Coelho Falé" que o topei logo no segundo dia do Festival mas foi através do Camarada Majung que o conheci e falei ele.

Filipe Falé é um músico português que sofre de afasia causada por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e que esteve no Tremor numa acção prevista para festivais musicais europeus para sensibilizar para os riscos e o impacto desta doença.

Falé, de 37 anos, vive há 10 anos no Reino Unido, mas foi em Portugal que sofreu o AVC, em Julho de 2016, provocado por uma dissecção da carótida, a artéria que leva o sangue à cabeça. "Pensa-se que pode ter sido provocada por um excesso de esforço e pressão sanguínea, enquanto 'berrava' num concerto no Barreiro. O meu irmão, que estava afónico, pediu para que o substituísse num dos seus concertos", contou à agência Lusa. Na altura não sentiu nada de anormal, mas no dia seguinte começaram sintomas como dores de cabeça, perda da voz e atordoamento, o que o fez ir a um hospital no Algarve, de onde é natural. 

O AVC só foi diagnosticado várias horas depois e após pedir assistência num segundo hospital, de onde saiu a sofrer de afasia, que se reflecte na perda ou alteração da capacidade de falar ou de compreender a linguagem escrita ou falada. "Tenho o lado direito afectado, coisas tipo a boca descaída, um olho preguiçoso, mexer o braço, destreza com a mão, movimentos com a perna, mas estou no bom caminho para uma recuperação total. Não se sabe é quando", descreveu Filipe Falé, numa entrevista escrita devido às dificuldades de comunicação. À medida que se tem vindo a ajustar à nova condição, o português lançou em Janeiro uma campanha de financiamento colectivo para produzir um filme, em que quer partilhar a sua história e mostrar o esforço para recuperar através da música. 

O plano é ir a três festivais entre Abril e Junho, o primeiro dos quais o Tremor, em São Miguel, nos Açores, seguido por festivais na Holanda e Espanha, onde se vai apresentar como um jovem vítima de AVC e afasia para tentar sensibilizar artistas e público para estas patologias. 

A forma como vai interagir (...) determinado em chamar a atenção (...): "Tenho umas ideias, tipo estar vestido de coelho e as pessoas, intrigadas, perguntarem 'Porque é que estás vestido de coelho?'". Filipe Falé tem encontrado inspiração em vários outros projectos de vítimas de AVC, como o jornalista da BBC Andrew Marr, que voltou ao trabalho em frente às câmaras com sequelas físicas visíveis e que, num documentário, referiu como rejeitou a autocompaixão. "Precisava de dar sentido a tudo isto que se estava a passar comigo", disse o português, que espera que o seu filme inspire outros e ajude a promover a relação entre a neuroplastia, a capacidade de o cérebro de ajustar e compensar as falhas e perda de funções, e a música. "A música permite que a neuroplastia opere sem limites! No filme 'Alive Inside', doentes com Alzheimer ganham vida quando escutam um iPod. É fabuloso", considerou. 

E é isto... por isso, se apanharem algum gajo vestido de coelho num festival vão lá falar com ele, nem é uma estúpida despedida de solteiro nem uma promoção de venda de telemóveis ou chocolates.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Cinzas : metade da edição esgotada



Cinzas
de
Olivier Schrauwen

Uma co-edição MMMNNNRRRG e Mundo Fantasma.
56p 16,5x22cm agrafadas
Edição limitada de 4 x 75 exemplares (impressão a risografia em Teal, Blue, Fluo ou Burgundy)
Em português, tradução de Marcos Farrajota.
Design e impressão: José Rui Fernandes / Duo Dsgn

Sinopse: Cinzas de Olivier Schrauwen conta a história verídica do seu rapto por extraterrestres em Berlim, cidade onde habita há algum tempo. Sendo autor de banda desenhada, O. Schrauwen não encontrou outra forma de relatar a experiência do que através de uma BD de edição tosca e desajeitada, mas pungente na honestidade dos detalhes, descritos da melhor forma que os conseguiu recordar. Esta edição da MMMNNNRRRG e Mundo Fantasma, também ela tosca e desajeitada, tenta traduzir essa experiência de uma forma palpável.

à venda na loja em linha da Chili Com CarneMundo FantasmaNova Livraria FrancesaLinha de Sombra e Tasca Mastai.

Livro realizado no âmbito da visita do autor a 14 de Novembro de 2015 na inauguração da exposição Olá, o meu nome é O. Schrauwen.









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À semelhança de O Espelho de Mogli, Schrauwen continua a ter o dom de nos fazer rir, reflectir e intimidar ao mesmo tempo. Aqui, os sentimentos e o corpo humano voltam a ser explorados, sem qualquer tipo de pudor ou restrição, numa amálgama entre humor, erotismo e repulsa. Se, à primeira vista, Cinzas parece tratar-se apenas de uma forma de parodiar os relatos sobre raptos alienígenas, convém reforçar que não é o caso. Schrauwen tem sempre algo de valor a transmitir nestes delírios, e é na razão por detrás destes raptos que o autor se volta a debruçar sobre a identidade do Homem, numa forçosa auto-reflexão que todos deveríamos fazer. Gabriel Martins in Deus me livro 
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é um relato aparentemente com aspecto tosco e desajeitado mas que, na sua essência, é tudo menos isso. Melhores do Ano pela Deus Me Livro 
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A leitura destas transformações materiais entre uma edição e outra revelar-se-iam produtivas. Afinal de contas, a francesa segue um esquema limitado de cores que mima aquilo que é dito no livro – o rapto por alienígenas conhecidos como “cinzas” – mas a portuguesa oferece uma dimensão acrescida que alimenta o grau de alucinação proposto. Aquela, com uma capa convencional, apresenta todo o relato de um modo mais comportado e previsível, ao passo que esta parece sublinhar uma espécie de urgência e intimidade no que é recontando. Pedro Moura in Ler BD 
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Melhor Publicação Independente pela Central Comics 2016
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Nomeado para Melhor Fanzine (wtf!?) pela BD Amadora 2016