quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Música caseira

Quando soube que os The Dirty Coal Train iam participar no CD Punk Comix pensei "olha mais uns garageiros tristes, ainda por cima vou ter de os aturar um dia destes"... Mal sabia eu que já tinha conhecido o simpático casal Reverend Jess e Conchita Coltrane (hum... Coal Train? I get it!) e que em conversa na Dona Edite iria comprar o EP 7" Weird (Zip-a-dee-doo-dah; 2015)... O que me convenceu foi pelo facto de me terem dito que este disco foi gravado em casa e ter percebido que havia da parte destes Coltranes sujos uma profunda ética DIY. O vinil é branco virgem e tem seis temas que soam naturalmente ao espectro Garage/Blues/Surf mas pelo lo-fi e falta de dogmatismo pelos cânones dos géneros revelam ser mais interessantes do que a média "retro" de que já não cu que aguente. Este pode ser um bom disco para se começar a apreciar a banda... Nice to meet you!

A k7 Música testada em animais (Baby Yoga; 2016) do Banana Metalúrgica é um retomar de insanidade musical em Portugal que há muito se perdeu com os Kromleqs - e retomado timidamente pelos nado-mortos dos Go Suck a Fuck... Num país de gente séria, poseur e/ou beta - as opções não são muitas nem muito boas - é saudável ouvir música psicótica, se desculparem o contra-senso. Isto para além que uma capa com uma pila/vagina a ejacular e com duas bolas vermelhas sci-fi são sempre uma vantagem contra qualquer capa "photoshopada" ou com ilustrações da modinha. Entre Nurse With Wound com dificuldades e MMP dado ao MDMA, são 11 temas absurdos que desfilam perante ouvidos cépticos. De asséptico isto não tem nada, foi uma boa descoberta nesse grande evento que foi o Zinefest Pt.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Tempo da Geração Espontânea / ÚLTIMOS EXEMPLARES




O Tempo da Geração Espontânea
[novo romance]
de Rafael Dionísio

Sinopse : Este livro Atravessa o arco temporal de fins do século XIX até aos anos oitenta do século XX. No entrelaçar da vida de algumas personagens estalam as contradições do colonialismo, da esquerda, da revolução e da vida depois disso. É um retrato de uma certa geração que nasceu em Angola e que cresceu dentro do regime, na posição de estarem contra ele, e das dificuldades e adaptações que sofreram para se manterem à tona, cada um à sua maneira. É uma obra de um maior fôlego narratológico, sendo, simultaneamente um romance histórico e uma reflexão sobre Portugal. Mas tudo isto a la Dionísio, como é evidente.

356 p. 21x14,5 cm, edição brochada, capa a cores
ISBN: 978-989-8363-26-8
Capa de David Campos
Design de Rudolfo

à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na El Pep, Artes & Letras, Letra Livre, Bertrand, FNAC, LAC, Pó dos Livros, Linha de Sombra, Matéria Prima e Utopia...

Historial: lançamento brasileiro e universal n'A Bolha (Rio de Janeiro) ... lançamento lisboeta na IV Feira Morta por Pedro Madeira, nos Estúdios Adamastor ...

Feedback: pretexto para reflectir sobre colonialismo, esquerda e revolução e pós-revolução I

Errata online aqui







Sobre o autor: nasceu em 1971 e é sobretudo escritor. Presente desde a primeira hora na Chili Com Carne publicou seis livros nesta Associação. Começou a publicar pequenos textos no já há que tempos extinto DN Jovem. Durante os anos 90 participou com textos em publicações alternativas como a Ópio, Número, Utopia, Bíblia,... Participou em diversas exposições de artes plásticas e durante um pequeno período escreveu recensões na revista Os meus livros. Auto-editou dois fanzines de poesia, refúgios e alguns slides, numa altura em que se ainda não tinha decidido definitivamente pela narrativa. Continua a publicar textos em publicações como Nicotina ou Flanzine.
Andou a estudar para engenheiro no Técnico e, depois, para arquitecto na Faculdade de Arquitectura de Lisboa tendo desistido a meio dos dois cursos. Também estudou Desenho no Ar.Co e houve uma época em que quis ser artista plástico, tendo pintado bastantes quadros e destruído muitos deles. Entretanto atinou com os estudos e enveredou por Estudos Portugueses, na Nova, onde tirou sucessivamente, licenciatura, mestrado e doutoramento em Crítica Textual estando aos papéis do Ernesto de Sousa.
É monitor de cursos de Escrita Criativa, especialmente vocacionados para a narrativa. Em 2014, com os Stealing Orchestra fez um EP que foi recebido com boas criticas pela imprensa.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Feliz Natalixo! Porque o Natalixo é quando um homem quer!



Mesinha de Cabeceira #27 : Special XXXmas : Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno de Nunsky

Publicado pela MMMNNNRRRG ... 44 páginas a cores 16x23cm

PVP: 9,5€ (30% desconto para sócios da CCC) à venda na loja em linha da Chili Com Carne, El Pep, BdMania, Artes & Letras, Letra Livre, Mundo Fantasma, Matéria Prima, VaultQuimby's (Chicago), Linha de Sombra, Purple Rose, Dead Head Comics (Edimburgo), Seite Books (Los Angeles), Bar Irreal, UtopiaBlack Mamba.


Nunsky (1972) é um criador nortenho que só participou neste zine, o Mesinha de Cabeceira. Assina o número treze por inteiro, um número comemorativo dos 5 anos de existência do zine e editado pela Associação Chili Com Carne. Essa banda desenhada intitulada 88 pode ser considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD underground portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...

Em 2014 o regresso deste autor foi feito com o romance gráfico Erzsébet (Chili Com Carne), 144 páginas que regista a brutalidade da Erzsébet Bathory, a infame condessa húngara que assassinou centenas de jovens na demanda da eterna juventude. O livro venceu o Melhor Desenho do Festival de BD da Amadora em 2015 e terá uma edição no Brasil pela Zarabatana Books.

Em 2015 Nunsky apresenta-nos este Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno... verdadeiro deboche gráfico anti-cristão para quem curte bandas de Hair Metal de Los Angeles dos 80, fãs distópicos do RanXerox e revivalistas da heroína. A MMMNNNRRRG nunca deseja "Feliz Natal" aos seus amigos mas com a Nadja até... ehhh





Historial: lançado no dia 17 de Dezembro 2015 no Lounge Bar com o concerto da banda canadiana Nadja, organizado pela Associação Terapêutica do Ruído.

Feedback: A 32.ª publicação da MMMNNNRRRG é a mutável Mesinha de Cabeceira #27, desta vez subintitulada XXXmas Special. Na verdade, é uma obra a solo de Nunsky, intitulada Nadja – Ninfeta Virgem do Inferno. Esta trindade é transposta no design de Joana Pires, com a capa a evocar duplamente o fanzine com 24 anos de existência e a banda desenhada de Nadja (...) Após o registo a preto e branco de Erzsébet, que galardoou Nunsky com o Prémio Nacional de Banda Desenhada Amadora BD 2015 de Melhor Desenho para Álbum Português, o autor regressa a uma temática demoníaca – desta feita mais expressa que evocada – mas com uma palete de cores, cujos tons saturarão a visão dos mais incautos. Nuno Sousa ... a um só tempo, pesada e leve, séria e cómica, fresca e desesperante. (...) Existem traços de alguma soberba crença na mundividência católica e a associada crença no Demo. Tratar-se-á este Nadja de um tortuoso panfleto de um Católico atormentado por gostar dos discos dos Slayer e Iron Maiden e querer ver realizadas as suas capas? Uma homenagem a todo um historial de comics de séries Z? (...) Nadja é um bafejo de hálito quente e cerveja quente. Pedro Moura ... O especial de Natal assinado por Nunsky não terá estado entre as oferendas mais populares da quadra, mas vale a pena não o perder mesmo depois disso. Numa banda desenhada onde se cruzam o hardrock metálico-meloso dos anos 90, um fascínio adolescente por satanismos e uma estética onde a sexualidade explícita e o kitsch se misturam sem remorso, Nunsky volta a confirmar por que é que o seu trabalho há-de ser sempre uma surpresa renovada. Blimunda ... Merci pour ton envoi satanique Bertoyas ... es una marcianada muy divertida. Cuando Marcos Farrajota me explicó su contenido, me dijo que se parecía a la obra de Benjamin Marra, y en cierta forma estoy de acuerdo con él: se trata de una apropiación del material de serie Z más casposo, del terror barato y descerebrado que mezcla erotismo soft con invocaciones a Satán, grupos heavies e internados para niñas. (...) Nadja, una cría de doce años, se mete una droga chunga con su novio, Franz, y acaba en el infierno, donde Satán le ofrece un pacto: la enviará de vuelta a la Tierra con «supernatural satanic powers», y por cada alma que lleve a la perdición, podrá pasar un día con su amado Franz. The Watcher and the Tower



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Brouhaha do Erzsébet:

Muito boa BD, me inspira para criar logotipos - Lord of The Logos

Erzsébet, o livro, é o relato implícito, emudecido, de um receio: o de que a morte escape definitivamente ao controlo masculino. Afinal, é a morte que conduz cada um e todos os passos da humanidade, tal e qual como vem anunciando a estética gótica em todas as suas formas. Nunsky recorda-nos isso mesmo com esta edição… - Rui Eduardo Paes

Consegue ter aquele espírito dos filmes do Jess Franco e afins, em que por vezes é mais importante a iconografia e a imposição de elementos simbólicos / esotéricos ou fragmentos de actos violentos e ritualizados (como as mãos nas facas ou as perfurações e golpes) do que termos uma continuidade explicita e lógica da narrativa, o que cria toda uma tensão e insanidade ao longo do livro e de que há forças maiores do que a nossas a operar naquele espaço. André Coelho

o romântico está presente antes na sua dimensão histórica e o trágico se aproxima do monstruoso. - Pedro Moura





sábado, 24 de dezembro de 2016

Natalixo b.s.o.

Depois de uns discos virtuais e umas k7s este é a primeira vez que um disco de AtilA sai imediatamente em CD e em LP (para 2017) como se fosse quase o seu primeiro disco "oficial" - só V é que depois de sair em k7 é que depois foi lançado em CD.
Body (Dissociated + Hið Myrka Man; 2016) é um disco algo estranho ao que AtilA habitou com IV e V, não que tenha ficado mais suave ou menos Dark, nada disso... Apenas ficou mais sofisticado e complexo, menos bruto, o que lhe dá menos impacto nas primeiras audições e quem sabe até desilusão aos fãs mais primários. Tal como o "artwork" do disco é feito de nus artísticos também o som é mais dado a uma pose coreográfica e um ambiente controlado. Ironia dos destinos, para um disco intitulado de "corpo" este será o disco menos físico de AtilA. Dupla ironia é que um corpo humano é daquelas coisas mais sujas que há no Universo, segrega ranhocas ilimitadas e liberta gases inesperados que é coisa estúpida, isso é o que este disco não faz...

A Chili tem 5 exemplares deste disco a preço de pré-lançamento. Prioridade para sócios. O Natalixo é para esquecer com música que limpe as cabeças...

sábado, 17 de dezembro de 2016

ccc@dona.edite.03


Lá estaremos até porque a MMMNNNRRRG lança um fanzine de um associado nosso...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Mucomorphia #1


Se tivesse de fazer as listas dos melhores do ano, este primeiro número do zine de Filipe Felizardo merecia estar no Top 3 de Melhores Fanzines de BD ao lado do Outro Mundo Ultra Tumba de Rudolfo Mariano e A Day de Mariana Pita... Com a ligeira vantagem de que editorialmente Mucomorphia é um desafio como poucos nos dias de hoje. Tal como o Gato Mariano (raios, o Mariano #1 devia estar também nesse Top 5 e o catano!) também eu não faço listas de zines no final de ano...
Pretende-se serializado, tiragem ilimitada (yes! é d'omem!!!) e é uma publicação smörgåsbord do output desta área de criação de Felizardo, não esquecendo que ele é mais conhecido por músico mas também como artista plástico e fotógrafo. Nestas páginas também está incluído a construção do seu próximo romance gráfico, A Conference of Stones and Things Previous. Muito mais solto do que em O Subtraído à Vista não deixa de estar também muito mais rigoroso no plano técnico. De resto tal como na música e outras áreas de intervenção de Felizardo, há processos de pesquisa que se vão metamorfoseando num plano cosmogónico que nem toda a gente está a fim de lá entrar. Azar! Título a acompanhar esperando o seu editor cartas à antiga [R. dos Douradores, 202, 5ºD, 1100-208 Lisboa] para uma secção de leitores (ó que belo gesto anacrónico que desejo que corra bem!) e encomendas à séc. XXI [ardo.zilef@gmail.com].

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Acedia - press release



Acedia it's the new graphic novel by André Coelho actually his true first solo book - Terminal Tower was a collaboration with Manuel João Neto... This book manages to strike a balance between experimentation and tradition in the "comics" field by establishing a paradox between the creative energy and the morbid atmosphere of the narrative. It can be speculated that the main character is an alter ego of the author or that some episodes should be autobiographical... but let's establish that we are in the realm of selffiction.

Acedia is this year the winner project of a graphic novel contest - Toma lá 500 paus e faz uma BD - promoted by Chili Com Carne. Other titles resulting from this contest includes The Care of Birds (2013 winner) by Francisco Sousa Lobo to be published in Spain next year, Askar, O General by Dileydi Florez and That which is Subtracted from Sight by Filipe Felizardo.





Sinopsis: Due to a strange body housed somewhere in his eye socket, Daniel suffers from perceptual deformations. Although the insistance on the urgency of medical treatments, he becomes confronted with the chance given by these hallucinations to escape towards a new perception of reality. Daniel will have to choose between facing his illness as a sign of his own mortality or accept it as life intensifier. 




Some pages:


104p., black and white, 18x24,5cm, 500 copies

Contest supported by IPDJ and all Chili Com Carne members.

Buy at Chili Com Carne online store and Fatbottom Books (Barcelona)... Soon at Neurotitan and other stores...

History Released October 2016 at Lounge Lisboa with live-acts of Smell & Quim and Rasalasad vs shhh... ...


André Coelho (b.1984, Portugal) is an Oporto based illustrator and comic book author. For 10 years he has developed fanzines, short stories and four graphic novels to date, as well as posters, record covers, merchandising and other graphics for different music scenes. This includes Amplifest, SWR Barroselas Metalfest, Lovers & Lollypops, Witchcraft Hardware and the American Industrial label Malignant Records, among many others. 

In 2016 he was awarded with the first prize of “Toma lá 500 Paus” comic book competition and was part of the Amadora Comics Festival 2014 award winning anthology Zona de Desconforto. His work ranges from traditional drawing or painting techniques and mediums to collage and digital manipulation. 

Besides Portugal, his work has been exhibited in several countries such as Brazil, Sweden, United Kingdom, United States of America, Italy or Spain.

Selected English bibliography: SWR Chronicles (SWR; 2014), Terminal Tower w/ Manuel João Neto (Chili Com Carne; 2014), Evan Parker - X Jazz (c/ prefácio de Rui Eduardo Paes, Chili Com Carne + Thisco; 2015) Colective books: MASSIVE (Chili Com Carne; 2010), Destruição (Chili Com Carne; 2010), Futuro Primitivo (Chili Com Carne; 2011), Inverno (Mesinha de Cabeceira #23, Chili Com Carne; 2012), Antibothis, vol.4 (Chili Com Carne + Thisco; 2012), PostApokalyps (AltCom, Suécia; 2014), Quadradinhos : Looks in Portuguese Comics (Treviso Comics Fest + MiMiSol + Chili Com Carne, Itália; 2014).



domingo, 11 de dezembro de 2016

Diz Mantra

Continua a série de edições de Rasalasad em colaboração com algum cromo deste planeta. Desta vez é com o francês Amantra e em formato mini-CD - as outras edições foram em k7. Infelizmente pela negativa continua o grafismo pobre que se tem pautado desde sempre e o que é mais infeliz é que a Thisco tem escolhido formatos e embalagens bem giras que permitiriam ter "algo mais" (seja lá isso que quer dizer) a acompanhar o objecto.
Resta-nos a música que é de qualidade, "mash-up" de guitarra em registo drone com um "ambient" em sintonia. E quem espera ficar em posição fetal engane-se, a "coisa" começa com ruído e só depois é que acalma (spoiler sorry!), o que não deixa de fascinar para apenas 19 minutos de música desta rodelinha perfeitinha intitulada de Thisturbia!

sábado, 10 de dezembro de 2016

Pipocas Botox Neve Doce

Ricas edições que me chegaram recentemente! Tudo graças ao facto das capas serem feitas pelo Camarada Uránio! Esse monstrinho da colagem bling bling sci-fi moino-mutante! Felizmente a música é bem fixe e pode-se falar dela, ufa...

DW Robertson é a nova personagem de Ergo Phizmiz, um reconhecido ilusionista sonoro que trabalhou com People Like Us, por exemplo. Disco Carousel, vol. 1 é a sua estreia e foi lançado numa pequena editora inglesa, a Discrepant. A segunda coisa mais bonita deste disco depois da capa (claro) é a contra-capa que, à antiga, tem uma sinopse do que se propõe a rodela deste mini-LP. E é música mecânica levada in extremis, apenas porque dizem que esta é a forma de entretenimento mais gratificante de sempre, infelizmente abandonada pelo machismo da electricidade e pelo euro-dance. Eis a alavanca vinilica para isso mudar!

A dupla k7 Samboia Kanguick é mais atinada e cerebral, como os portugueses preferem. O músico é português embora Gonzo soe a marreta anglo-saxónico. Sem sabermos quais os nomes dos temas nem que ordem seguir, é pegar numa das k7 e siga para bingo, ou melhor para "memórias distorcidas da infância & sonhos inventados", diz muito bem a parte detrás da embalagem. Realmente um gajo perde-se a ouvir estes quatro lados das k7s, entre frases cortadas e ambientes oníricos, sem saber muito bem o que pensar. Ao mesmo tempo a música tem corpo presente para quem espera adormecer a ouvir isto. Um corpo de Cristo V.A.L.I.S. que não poder ser ignorado, não foi assim na infância? [Não sabe/ Não responde]

A Discrepant é distribuída pela Matéria-Prima, que já reabriu o seu espaço físico no Porto mas não é uma loja aberta ao público. Infelizmente vai ser preciso agora bater à porta, tipo segredinho da cidade do loúcóst... Mas porquê!?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Keep it boring, make it fast!

Com a web 0.2 e a revolução digital, a produção de informação aumentou que é coisa doida, numa escala inacreditável que não tem equivalente à explosão DIY do Punk nos anos 70 e décadas seguintes. Eis-nos numa Aldeia Global em que todos produzem e consomem conteúdos em simultâneo, sem pensamento crítico e moral - essa é feita pelos Padrecos da 'Net que nos tiram fotos de mamas (com ou sem cancro) do "fezesbook".
Há documentários de tudo, sobre queijo ou a vida sexual dos rinocerontes ou sobre o punk português como é o caso deste Bastardos: Trajetos do Punk português (1977-2014) produzido pelo projecto KISMIF. Todos acabam por ter o mesmo apelo e qualidade estética quando a máxima é "filma-se, edita-se, mete-se na 'net e tá feito".
É positivo que a informação apareça e no caso do punk português que vivia de obscuridade, é de salutar qualquer tipo de iniciativa. Só que ficamos por aqui no que diz a Bastardos, os agentes que se envolveram em fazer Punk sucedem em filmagens em locais feios e sem imaginação, a maior parte é do Norte (abaixo de Lisboa nem se fala!), com discurso fragmentado e pouca ou nenhuma documentação visual a ser mostrada. E quando mostrada é de forma tão fria que nem dá para perceber os artefactos. Ah! E sempre tudo centrado na música, como se o Punk se reduzisse a isso... Felizmente Joe Corré recentemente relembrou-nos que não, que a música não tinha nada haver com o Punk! Cheers, mate!
Este tipo de produção poderia vir de um amador, o que tudo lhe seria perdoado mas infelizmente este documentário veio do meio académico, onde deveria haver mais rigor e discurso, sobretudo de quem se está a tornar (em teoria, ó dupla ironia) na referência sobre o assunto. Nem o Sid Vicious era inocente nem o KISMIF o é. Entre pontos de avaliação pró CV e subsídios da praxe, o que vale é apenas fazer por fazer para que essa máquina de pontinhos e dinheiro não pare.
De resto, a edição em DVD (2015) com as chancelas da Chaosphere, Raging Planet e Zerowork é de uma pobreza atroz, em o que safa ainda é a capa do Esgar Acelerado (espero que tenha sido pago!) porque de resto é isso, uma rodela dentro de uma caixa de DVD. Pelo conteúdo ou pelo objecto o que se pode resumir é que Bastardos não é o "livro branco" do Punk português, é apenas uma marca branca.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Demónios

Como já deviam saber aqui na Chili Com Carne adoramos o murciano Magius - tanto que ajudamos a sua visita à Santa Terra do Metal este ano. Tem dois novos zines, como sempre A5 capa a cores, títulos autónomos, caramba, são zines ou "chapbooks"?

America infelizmente não trata directamente do tramposo novo presidente dos EUA como a capa promete. A história que é contada é influenciada pelo Gangues de Nova York (2002) de Martin Scorsese mas por analogia inconsciente chega intacta de racismo, violência, xenofobia e corrupção. Do século XIX para o XXI, eis uma América "devoluída" ou "involuída" que Magius tão bem contrasta entre capa e miolo.

Ehieh é um bacanal mitológico do Génesis cristão com as divindades Sumérias com uma narração tão fluída como as de Larry Gonick ou David B., nomes que surgem também pelo esforço cosmográfico - nesse caso deveria-se meter ao barulho também o Rodolfo Mariano, porque não?

De resto, Magius é um obcecado pela sua terra natal, a Múrcia, ao ponto de de ter feito umas cartas Tarot com temas da região. Quem as tiver terá um futuro mais glorioso e acertado certamente! Com o Tarot não se brinca!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O Subtraído à Vista / That Which is Subtracted from Sight [metade da edição esgotada]




O Subtraído à vista é o livro de estreia para as massas do músico e artista visual Filipe Felizardo, composto por prosa, banda desenhada e recortes de investigação patafísica.

É um livro que estuda a natureza das imagens visuais e as presunções da percepção - do ponto de vista particular de um homem cego, uma criança albina presa numa caverna com uma avestruz, e uma colecção de outros animais cujo olhar nos ensina algo sobre o que não se vê.

O livro inclui a participação de Carlos Gaspar (ilustrações) no primeiro capítulo. Edição bilingue com legendas em inglês.

Comprising prose, comics and entries of pataphysical investigation, That which is Subtracted from Sightthis first book of Filipe Felizardo studies the nature of visual images and the presumptions of perception - from the exquisite points of view of a blind man, an albino child stuck in a cave with an ostrich, and a collection of other animals whose sight teaches us something about what is not seen.

The book includes English subtitles.

500 ex.; 72p. 21x27cm p/b
ISBN: 978-989-8363-37-4

Este é o segundo livro publicado no âmbito do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! mais uma vez não é um trabalho vencedor mas sem dúvida merecedor de publicação.

PVP: 10€ (50% desconto para sócios da CCC, lojas e jornalistas)
à venda na loja virtual da Chili Com CarneEl Pep, Letra Livre, BdMania, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, Lx), Tasca Mastai, Artes & LetrasMatéria Prima, Mundo Fantasma, Pó dos Livros, Inc, Stet, LAC, Linha de Sombra, FNAC, Bertrand, Utopia...

Historial: Lançamento com exposição de originais na El Pep no dia 8 de Agosto 2015 e Festa no Damas ...

exemplos de páginas:


domingo, 4 de dezembro de 2016

LOVE HOLE / last copies...



After almost two years of being serialized in LODAÇAL COMIX, and shocking some readers with it’s ego-tripping-misogyny-homophobia-hate-fueled character Josh, Afonso Ferreira's LOVE HOLE gets a disgusting treatment and is compiled into a book.
This is a Chili Com Carne and Ruru Comix co-edition, the 6th volume of Mercantologia collection, dedicated to reprinting lost material from the zine world. Supported by IPDJ 

IN ENGLISH
Two color cover + one (red) color 48pages. 
Offset edition of 666 copies. 
ISBN: 78-989-8363-17-6

It can be purchased in CCC online store, Ediciones Valientes (Spain), Matéria PrimaMundo FantasmaNeurotitan (Berlin), Fábrica FeaturesArtes & LetrasLetra Livre, Ugra Press (Brazil), BdManiaQuimby's (Chicago), LAC (Lagos), La Central (Spain), Sarvilevyt (Lahti), Fatbottom Books (Barcelona), Orbital (London), Purple RoseDead Head (Edinburgh) and Seite Books (Los Angeles).

feedback: 
Afonso Ferreira é sem dúvida um dos mais talentosos, e estranhos, autores nacionais. 
André Azevedo / BD no Sotão 

Love Hole is pretty crazy shit (...) The style is pretty cool, too! 

I really enjoyed Love Hole. Great artist! 

Esta história mistura vários géneros, mas acima de tudo é uma desvariada combinação de ficção científica, horror gore, slacker e pornografia humorística. (...) os eventos em catadupa, encadeados de forma quase mecânica, lançam-no em novas acções cada vez mais absurdas e estrambólicas, envolvendo pickles de partes de corpo humano, canibalismo, e monstruosidades capilares com habilidades psicocinética. Mas acima de tudo, o que está no centro da história é uma fantasia sobre o desdobramento de si-mesmo, com vários graus de variação, e a experimentação sexual que isso poderia implicar. Fôssemos adeptos de psicanálise biografista barata, haveria algo a dizer sobre essas fantasias acabarem por abordar uma espécie de homofobia que não vela assim tanto o seu próprio homoerotismo, o que é revelador tanto do humor como do tormentoso que Love Hole provoca. 

 En ese aspecto el texto brilla por una estética amable con la que el autor juega para hacer un texto escabroso sobre los recovecos de la degradación humana, porque Love Hole no deja de ser un viaje a lo que el protagonista cree que es humillante. 

Publicação controversa, Love Hole foi acusado de homofobia (...) e mal lida por gente que tinha obrigação de saber comportar-se. Para rolar com a bola, Love Hole, ao deslindar peripécias dum gajo que tem oportunidade de se foder a si próprio, era literalmente homofóbico. Atenção que o Oxford Dictionary acabou recentemente com a distinção entre literal e figurativo, tão corrupto é o uso que fazemos dos dois termos. Literalmente homofóbico quer dizer que enfrentava a coisa de frente, e punha em cena um fantasma do heterossexual, enquanto ria de barriga cheia. 

Fucking awesome 
Monad
  ...

Historial : exposição na Purple Rose Erotic Shop em 2013 ... trabalho escolhido para a exposição de BD portuguesa em Treviso 2014 ...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

ccc@zine.fest.pt


Lá estaremos... nos dias 2 e 3 de Dezembro!

Dia 2, às 19h temos conversa Help me please! com Marcos Farrajota, moderador (Chili Com Carne), João Pedro Azul (Flanzine), André Pereira (Clube do Inferno), Sofia Neto e Marco Mendes ( Carne & Osso) e Rudolfo (Ruru Comix e zine Lodaçal Comix) sobre A edição de trabalhos colectivos versus a explosão das publicações monográficas na produção contemporânea de edição independente.

+ info aqui

domingo, 27 de novembro de 2016

A Pureza da Língua Portuguesa


Desculpem lá qualquer coisinha...


Este ano não há Maga e pensava que não faria o Relatório Anual de Fanzines e Edição Independente de BD portuguesa de 2015... Porquê? Porque depois de voltado a escrever e a publicar no "formato papel" já não há tesão prá 'net. MAS como entretanto falei com as editoras do Portuguese Small Press Yearbook e estava ontem presente na Feira Morta o novo volume do PSPY com o meu texto acompanhadas pelas mordazes ilustrações de Mariana Pita. Yes! Mesmo tendo passado um ano - estas coisas de relatórios devem sair é logo no final do ano ou no início do ano novo - ainda assim faz sentido, viva o papel!!! Ide lá comprar o anuário que é melhor que lixar os olhinhos no ecrã...

sábado, 26 de novembro de 2016

Split-tape Black Taiga + BLEID / METADE ESGOTADA



Talvez a MMMNNNRRRG tenha de mudar o slogan da editora de "só para gente bruta" para "só para gente muda" porque voltou a fazer uma split-tape, outra vez com Black Taiga e desta vez com essa "beata do beat" que é a BLEID!


Black Taiga é o encontro entre um congolês e um português, um foi para a gélida Irlanda mas nunca abandonou o calor africano, o outro queimou-se em Setúbal. Com EPs em linha e em k7 este projecto teve um feedback de sectores inesperados da aldeia Global:

Yes yours it's doom-kuduro but stil pretty core. I like it, nice one!!! ;) 
DJ Balli (Sonic Belligeranza, AAA, Antibothis, autor de Apocalypso Disco)

parece-me Jibóia se tivesse mergulhado num banho de ansiolíticos.!!!! já percebi! Throes + The Shine? Será? Não me acredito 
Fúa (Lovers & Lollipops, Milhões de Festa)

Top das 10 Melhores Cassetes Nacionais pela revista Arte Sonora

Cumbia Rebajada from hell? 

O dito cujo é como que o cruzamento do doom metal satânico escandinavo com o kuduro de Angola, tudo decorrendo muuuuuuuuuuito leeeeeeentameeeeeeeente, com peso de hipopótamo alimentado a papas de sarrabulho. Não se tinham lembrado da possibilidade de tal… como dizer… convergência geocultural, pois não? (...) os Black Taiga, projecto que envolve gente do Congo, de Portugal e da Irlanda (não, não participam suecos nem angolanos). Este ouve-se como se um disco em vinil de 45 rotações fosse passado em 33: até as vozes se arrastam, cavernosas. 



BLEID surgiu em 2015, é um projecto de música digital residente num computador. Com o intuito de percorrer as diversas linguagens nas quais a música electrónica se tem vindo a desenvolver nos últimos anos - como o footwork, o techno, o afrobeat, o IDM - procura explorar diferentes sonoridades a velocidades improváveis numa miscelânea ritmada e esquizofrénica.

...
2 EPs:

- Cristão Casmurro de Black Taiga : três temas de puro Doomduro produzidos por Walt Thisney + um remix inédito e exclusivo desta edição por Bleid

- Voltan de Bleid : um tema de Techno-não-canónico de 23 minutos

edição limitada a 66 cópias.
46m de música.
cartonila vermelha com dois autocolantes impressos em vinilo.
artwork de unDJ MMMNNNRRRG (BT) e Neuro (Bleid)
embalagem por Joana Pires

PVP: 6,66€ (portes incluídos)
disponível exclusivamente na loja em linha da Chili Com Carne 


Historial: lançada no dia 10 de Março no Damas com actuações de Bleid, DJ Balli e unDJ MMMNNNRRRG ... 

Feedback: sim tenho em rotação em casa! Ainda ontem estava a ouvir a cena. - Scúru Fitchádu ... 

Neo World Disorder

BD do cartaz de Marco Mendes


Intervenientes: Rui Eduardo Paes, Hetamoé, Joana Tomé e Ana Cristina Álvares

Esta mesa-redonda integra-se num ciclo de encontros, sessões académicas e mesas-redondas dedicadas à discussão de um número de noções e conceitos associados à esfera do político tal como expressos e elaborados pela banda desenhada. No caso presente, investigadores académicos e artistas de banda desenhada focarão questões de género e da representação do corpo nesta disciplina artística. 

No mesmo dia e seguinte:


facebook.com/events/1090525321064669

Lá estaremos nos dois eventos...

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Estivemos no III Mercado de Música Independente

Tal como já fomos à primeira edição, regressamos a este Mercado de Música Independente na companhia da nossa parceira Thisco, com a qual dividimos a mesa...

Havia poucos concertos atraentes nesta edição, coisas terríveis como os conichas dos Ghosthunt - ou Ghostkunt como passou a ser conhecido nesse dia. O mais ousado ou com atitude foi Scúru Fitchádu, projecto que era impossível de perceber o sonoro real devido à péssima acústica do espaço mas agora que se ouve bem no bandcamp soa a Death Grips a tocarem Funáná!!!

A nível de editoras de música havia uma boa oferta e foi um gastar de dinheiro... Em 2016 a fita magnética é o formato de eleição para se editar música longe do Pop/Rock chato. Seja Harsh Noise (Aló Narcolepsia!) e Metal (Olá Signal Rex!) que sempre mantiveram-se neste formato, a k7 tem dado para outros lados como a música Electrónica e Hip Hop (olé Marvellous Tone!). Entre as editoras mais simpáticas do evento estavam os madeirenses da Casa Amarela que lhes saquei o último exemplo da split'tape Liminal / Aires (pela checa Genot Center) ficando os gajos com menos material na mesa, foi mesmo má onda minha! Ambient / Noise / Field Recording com dinâmica o suficiente para se perceber que ainda se podem fazer coisas sem ser do mesmo. O mesmo não se pode dizer de Twistedfreak e Dragão Inkomodo que não percebi o que era a auto-edição (do Twistedfreak) devido a um confuso design mas entretanto já me disseram que o lado A é um set feito para a Rádio Quântica e ouve-se bem, com um fio vaporwave que gamou o que tinha a gamar ao Zamia Lehmanni e aos Ferraros. Do outro lado é um split com o Dragão Inkomodo e parece um bocado Big Beat à Fatboy Slim mas sem dinâmica. Mais vale ir ouvir Cannibal Corpse! E por falar em Gore,... As imagens do CD Khmer Rouge Survivors : They will kill you, if you cry (Glitterbeat) distribuído pela Megamúsiva em Portugal, mostra como como as capas do pessoal do Harsh Noise são uns meninos! O CD faz uma apanhado de música tradicional que sobreviveu aos Khmer Rouge, uma das maiores forças genocidas que existiu neste planeta em que bastava alguém usar óculos escuros para ser considerado intelectual e como tal abatido, tal era demência destes animais do Camboja. Música que vive de fantasmas e o desconforto de sentirmos "voyeurs" ("écouteurs"?) desta tragédia gigantesca...

Depois disso, o que pensar então de O Mundo Vai Acabar   por evoluir (Aros Art + Big Factory + Fábrica do Som; 2013) de Kapataz? Ou pior, de Lo-fi Hipster Trip (Meifumado; 2015) de Corona?

O primeiro caso é gunaria das Fontainhas (Porto), bairro que irá ser gentrificado quando menos se esperar, o granda bossa do Kapataz sabe disso? Deveria pensar no futuro invés de falar dos seus "beefs" (fictícios? reais? Who cares!?) com os "boys" e o seu amor incondicional com o Hip Hop (grandes beats neste álbum!!!). Pouco mais se aprende aqui como 99% da produção de Hip Hop 'tuga, como sempre, os seus protagonistas não sabem ser realmente sinceros (biográficos) à realidade envolvente - pecadilho que aliás que sofre toda a cultura portuguesa. Kapataz destaca-se do rebanho de padrecos com o seu flow nortenho fodido mas acaba quando os 48 minutos do CD acabam.

O segundo caso, acaba quando limpar a "pen USB" e lá meter música lá à séria como The Soft Pink Truth ou Plus Ultra... Hip Hop cómico que avacalha sem pica, conceito tão mole como uma alheira negra, mais valia não ter sabido que isto existia. Comprei o "disco" porque é uma embalagem de comprimidos com a música, fotos e vídeos dentro de uma "pen" - que parece mesmo um comprimido. E a edição ainda dá direito a uma bula médica! Excelente edição, música de merda! Mas tal como se pode desgravar uma k7 também se pode meter outra música (ou outros ficheiros) nesta "pen", no fundo no fundo, acho que comprei apenas uma "pen" e uma boa ideia de embalagem... Valeu, "Cagona"!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Troubled Sleep #3


O Troubled Sleep voltou e mais forte do que nunca! 112 páginas impressas em offset cheias de entrevistas a depravados caucasianos, alguns deles conhecidos nossos como o destruidor GX Juppiter-Larsen / The Haters ou o infame Mike Diana - que relembra o Furacão Mitra e de que eu fiquei, nessa altura, com inveja de ele ter visto as melhores bandas do mundo nos anos 90... É mesmo doido! De doidos é saber que há uma grande relação entre o Black Metal português e o da Tasmânia - meu, de repente tudo vêm de lá? Há também entrevistas a editores de zines (Down & Out) e mais um artista visual (Kiddiepunk), sempre sob um fundo de colagens típico de cultura fanzine. Só isso dá uma atmosfera à leitura da publicação. Viva a poluição visual! Vamos todos morrer!

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Suecas em cuecas

Quando a revista sueca Det Grymma Svärdet (Lystring; 2013) decidiu fazer o número 16 em formato k7, ou seja, com música, o humor negro seco sueco manteve-se como marca registrada da publicação, só mudou a forma de o expor. Pelos vistos veio ao de cima a ideia de gozar com as compilações Noise dos White House e a sua editora Susan Lawly, que se dedicavam à "música extrema" (Noise) produzida em África, na Rússia e por mulheres. Música extrema da Suécia poderia ser o quê? Que tal gaijas a fazerem noise e afins? E invés de ter as "pin-ups de bonecas partidas" do Trevor Brown que tal ter antes gajos nesse mesmo fetichismo médico? E mais umas fotos de homens de boxeurs e perucas parvas?
A k7 de plástico vermelho é metida numa caixa a lembrar as de cartuchos de jogos de computador e dá nas vistas, especialmente pela provocação gráfica. Passado 20 anos desde essas compilações pela Susan Lawly, realmente a nossa cultura evoluiu e diversificou as suas propostas estéticas... A música da k7 é mais experimental do que Noise, mais electrónica - que nos dias de hoje podemos encontrar em Portugal com a grande Jejuno, por exemplo - sendo as faixas com mais presença as de Miriam Kaukosalo (vozes processadas) e Yo Ameba (Noise na linha de Pan sonic).

No número anterior também havia uma k7, Summercamp 2013, a acompanhar a revista editada em modo normal (formato livro), dedicada a Lisa Carver / Suckdog. Colectânea de vários músicos, não-músicos, artistas e "pranksters" (pelos vistos os "snobs" de Estocolmo prestam-se a isso) a celebraram aquela que será das poucas mulheres que praticou cultura de choque antes desta ficar institucionalizada ao ponto de até se conseguir eleger um presidente dos EUA como o "trompas"... Lisa fez (punk?)rock perigoso, ao ponto da Courtney Love parecer uma corista virgem de igreja. Também é sabido que levou nas trombas do porco nazi do Boyd Rice e talvez tenha dado nas trombas no javardo do Costes... Não que fantasie com nada disto.
A k7 junta temas de ou dedicadas a Carver, tipo Pop indie feminino frágil com sabor agridoce a violência doméstica ao gajo a contar piadas porcas em sueco com risos enlatados. Não convence para ir aprender a língua de Pär Lagerkvist, no entanto parece que todos devem ter-se divertido neste projecto e isso é transmitido mesmo para os não-suecos.

O não-gaja-mas-doido-o-suficiente-para-assinar-como-tal Melanie is Demented lançou em Outubro o seu novo álbum, We split up searching for you. Lançar é quem diz porque falamos de ficheiros em linha para o Spotify - e sim esta coisa ao lado é a "capa"...
O que distingue dos outros discos anteriores é que é mais "poppy" e "fácil" ao mesmo tempo que é mais intimista. Segundo o músico, em troca de e-mails pessoais, disse-me que as tournês que tem feito incluindo a nossa Ibérica, impressionaram-no (não sei como ao certo) mas que isso justifica as músicas novas terem sido compostas para serem mais fáceis de tocar ao vivo. São realmente menos "estúdio", topa-se desde a primeira audição...
Simplicidade não significa parvoíce e MiD continua a ser um génio Pop/Rock capaz de "earworms" que não nos irritam ao contrário das putas da Rádio Comercial, por exemplo. Mago que tritura tudo do que foi feito nos espectros Rock, Electro e Hip Hop, MiD cria o seu melodrama sonoro muito próprio, tal como uns Blur ou David Bowie. Tanto que o que se pode dizer de A psychiatrist why? Raggamuffin de/para alienados? Espero que chegue ao Top 10 em qualquer lado...

Já agora e porque se falou de putas, eis uma música para as Três Grandes Putas que alinharam em dar prémios à Disney: