sábado, 31 de março de 2018

ACEDIA de ANDRÉ COELHO - Obra vencedora do concurso "Toma lá 500 paus e faz uma BD!" (2015) nomeado para Nomeado Melhor álbum e Desenho no Central Comics



Acedia é o novo livro de André Coelho e na realidade é o seu verdadeiro primeiro livro a solo - os outros livros foram colaborações como, por exemplo, o caso de Terminal Tower com Manuel João Neto...

Acedia é um romance gráfico que foi o vencedor do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD deste ano e junta-se a uma série de livros da Chili Com Carne que resultam dos resultados desse concurso onde vamos encontrar O Cuidado dos Pássaros / The Care of Birds (vencedor de 2013) de Francisco Sousa LoboAskar, O General de Dileydi Florez e O Subtraído à Vista de Filipe Felizardo.

Um livro que consegue estabelecer um equilíbrio entre experimentação e tradição na banda desenhada estabelecendo um paradoxo entre a sua energia criativa com o ambiente mórbido da narrativa. Especulamos que a personagem do livro seja um alter-ego do autor e que alguns episódios sejam autobiográficos mas na essência estamos no domínio da ficção - ou da auto-ficção?

Sinopse: Um homem, Daniel, sofre de distorções na sua percepção visual devido a um corpo estranho alojado algures na cavidade ocular. Apesar da insistência das notificações hospitalares para dar início aos seus tratamentos, ele vê-se confrontado com a hipótese das suas alucinações estarem a proporcionar-lhe uma fuga para uma nova percepção da realidade. Daniel terá que optar entre encarar a sua doença como um sinal evidente da sua mortalidade ou como uma intensificação da vida.


Eis algumas páginas da obra:


104p. (muito) preto e branco 18x24,5cm, 500 exemplares

O concurso 500 paus tem o apoio IPDJ e de todos os associados da Chili Com Carne.

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PVP: 10€ (50% desconto para associados e jornalistas) à venda na loja em linha da Chili Com Carne e nas lojas BdMania, Mundo Fantasma, Letra Livre, Linha de Sombra, El Pep, Tigre de Papel, Artes & Letras, Fatbottom Books (Barcelona), Tasca MastaiMOBUtopia, Bertrand, Black Mamba, Ugra Press, Purple RoseRastilhoLAC (Lagos) e Matéria Prima. E não na FNAC...

Historial Lançado no dia 6 de Outubro 2016 no Lounge Lisboa com actuações dos Smell & Quim e Rasalasad vs shhh... ... entrevista ao autor e editor na revista Umbigo ... apresentação no North Dissonant Voices 2017 no Black Mamba ...


André Coelho nasceu em 1984 em Vila Nova de Gaia, onde reside. Tem vindo a desenvolver o seu trabalho como ilustrador no âmbito do Rock, Punk, Metal e música experimental, criando capas de discos, merchandising e cartazes.

Paralelamente faz edições de pouco ou nenhum sucesso através da Latrina do Chifrudo, editora que mantém com Sara Gomes, na qual edita fanzines e discos. Tem vindo a trabalhar regularmente com a Witchcraft Hardware e com a Malignant Records. Entre várias bandas que fez parte destacam-se os Sektor 304 e Profan. Têm participado nas várias antologias da Chili Com Carne com desenho, BD e textos e em exposições pelo Reino Unido, Finlândia, Suécia, EUA, Espanha, Itália, Portugal e Brasil.

A sua estreia monográfica foi com Terminal Tower, em 2014, em parceria com Manuel João Neto. Neste mesmo ano, os originais do livro foram mostrados no Festival de BD de Beja, Amplifest (Porto) e no Treviso Comics Fest.

Bibliografia: SWR Chronicles (SWR; 2014), Terminal Tower c/ Manuel João Neto (Chili Com Carne; 2014), Sepultura dos Pais c/ David Soares (Kingpin; 2014) e Evan Parker - X Jazz (c/ prefácio de Rui Eduardo Paes, Chili Com Carne + Thisco; 2015) Colectivos: MASSIVE (Chili Com Carne; 2010), Destruição (Chili Com Carne; 2010), Subsídios para MMMNNNRRRG #1 (MMMNNNRRRG, 2010), Futuro Primitivo (Chili Com Carne; 2011), É de noite que faço as perguntas c/ David Soares et al. (Saída de Emergência, 2011), Inverno (Mesinha de Cabeceira #23, Chili Com Carne; 2012), Antibothis, vol.4 (Chili Com Carne + Thisco; 2012), "a" maiúsculo com círculo à volta c/ Rui Eduardo Paes et al (Chili Com Carne + Thisco; 2013), Zona de Desconforto (Chili Com Carne; 2014), PostApokalyps (AltCom, Suécia; 2014), Quadradinhos : Looks in Portuguese Comics (Treviso Comics Fest + MiMiSol + Chili Com Carne, Itália; 2014) e Altar Mutante #3 (Espanha, 2015).


Feedback: 
Livro curto, Acédia é o primeiro trabalho de longo fôlego a solo de André Coelho que se apresenta como uma narrativa coerente, e não colecção de desenhos ou improviso em torno de um tema. Novela concentrada, negra, lacónica, a escrita de Coelho espelha-se em todos os elementos que compõem a narrativa e é necessário ler a sua forma e superfície para libertar os seus significados. Tal qual o tema proposto, há uma realidade que nos é apresentada mas cujo desvendamento se associa à percepção do leitor e poderá mesmo ser intransmissível. 
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Os livros de André Coelho lêem-se como murros no estômago, e este não é excepção. Obra a solo, o poder narrativo de Coelho não é diluído pelos argumentos de outros autores. O murro é mais forte. O carácter duro do grafismo, entre o experimental e o clássico, com um traço ao mesmo tempo rude e elegante, misturando estéticas, recorrendo à mistura de iconografias entre imagética técnica e desenho Intergalatic Robot 
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recomendado pela Vice Portugal 
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Nomeado para Melhor Publicação Nacional e Desenho nos Troféus Central Comics 2017


sexta-feira, 30 de março de 2018

Mundos em Segunda Mão - Volume 2


Mundos em Segunda Mão, volume 2
por
Aleksandar Zograf

Mais um volume cheio de crónicas em BDs publicadas originalmente na revista Vreme, na Sérvia, e depois um pouco por todo o lado. Com prefácio e "CineKomix" de Edgar Pêra

recomenda-se (...) vale a pena conhecer o universo único deste autor, da arqueologia da cultura popular a entrevistas com artistas contemporâneos, passando pela análise de estranhos (mas reveladores) objetos encontrados em feiras da ladra e alfarrabistas por toda a Europa. Jornal de Letras

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Em português, traduções por Sara Figueiredo Costa, Marcos Farrajota e Manuel João Neto. Legendagem DTP e design por Joana Pires.
68p. 16,5x22,5cm a cores.
500 exemplares.

Historial: lançamento na SNOB (Guimarães), 19 de Dezembro 2015, com uma conversa entre Manuel João Neto (tradutor, co-autor de Terminal Tower) e Marcos Farrajota (editor) e projecção de "cinekomixes" de Edgar Pêra ... lançamento lisboeta no dia 22 de Março 2016na sala Luís de Pina da Cinemateca com as presenças de Marcos Farrajota (editor) e Edgar Pêra (que assinou o prefácio e os "cinekómix" do livro) e a exibição do filme On the quest for… Beograd Underground (Espanha / Sérvia; 2012) de Muriel Buzarra. ...

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PVP: 13€ (30% desconto para sócios da CCC) à venda na loja em linha da CCC e ainda na Artes & Letras, Mundo FantasmaMatéria PrimaLetra Livre, Bertrand, Linha de Sombra, Blau (Fac. Arquitectura de Lx), Tasca MastaiTigre de PapelUtopiaBlack MambaRastilhoLAC (Lagos) e Palavra de Viajante.

Atenção: as BDs de Zograf não tem continuação, o que significa que ler este volume implique ler o anterior - que ainda está disponível aqui.


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Excerto do prefácio de Edgar Pêra: 

Conheci o Aleksandar Zograf há 10 anos. Soube que vinha a Portugal e, como forma de o conhecer, fiz–lhe uma entrevista em formato BD para o jornal Público. Falámos sobre a importância do universo onírico e do estado hipnagógico na sua obra e também da sua vida enquanto Saša Rakezić, vivendo sob os bombardeamentos da NATO. 

(...)

Tal como as antigas colunas gráficas de “Ripley’s Believe it or not”/“Sabia que?”, estes Mundos em Segunda Mão compõem um mosaico de curiosidades interessantíssimas, que tem tanto de geral como de particular. É um universo de conhecimento partilhado. Este segundo volume prossegue a caminhada do pioneiro, com algumas diferenças e excepções. Todas as sequências – quer sejam sobre o Cinema 3D de província ou sobre os campos de concentração – merecem sempre as mesmas duas páginas. Mas, perto do fim do livro, Zograf dedica cinco capítulos a um caderno diário perdido num alfarrabista de rua: com A História de Radoslav coloca-se ao serviço de um desconhecido e homenageia-o narrando excertos da sua vida. São estórias recheadíssimas de peripécias, que por si só dariam um grande romance. Por se tratar de uma adaptação é aparentemente a sequência que mais se aproxima da banda desenhada dita convencional. Mas o seu final abrupto obriga o leitor a regressar ao ambiente de descoberta meteórica do resto do livro. 

(...) 

Estes Mundos em Segunda Mão são afinal mundos em primeiríssima mão, passam sempre pela subjectividade do autor, pelo seu olhar e pelo critério de selecção das narrativas a ilustrar, resultado de uma compulsão para transformar as suas observações e experiências em sequências ilustradas. A vida é revelada sob o prisma da sua arte: pormenores excêntricos merecem atenção triplicada, memórias secundárias são reactivadas. Olhamos para o real sob um ângulo singular. Sem olhar para o umbigo, sem proselitismos, sem querer dar lições de vida, Zograf ensina-nos a olhar para ela de outra forma.


Historial: Lançado no dia 21 de Novembro 2015 na Feira Morta com apresentação por Marcos Farrajota (editor) e projecções de "cinekomixes" de Edgar Pêra... Apresentação na livraria Snob (Guimarães) a 19 de Dezembro por Manuel João Neto e Marcos Farrajota e projecção de "cinekomixes" de Edgar Pêra ...

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Feedback: Zograf ilustra um passado histórico e pictórico que me interessa muitíssimo, seja a recordar episódios de guerra, os bombardeamentos na sua cidade natal, a apresentar os "tesouros" que invariavelmente descobre em feiras de rua ou a contar episódios de infância, passados no seu país, que me parece tão parecido e tão diferente do meu. André Oliveira ... Este volume dá continuidade ao peculiar método de escrita de Zograf, que o aliará a autores como Bill Griffith, David Greenberg ou David Collier: autores que, em vez de criarem imensos blocos de reportagens ou explorações monumentais de um tema (o que podem igualmente fazer), concentram a maior parte do seu trabalho em curtos ensaios ou “artigos” em torno de notícias, eventos, personagens ou aspectos da realidade humana que não parecem possuir qualquer importância para a transformação das sociedades. (...) Como explica de modo perfeito o prólogo de Edgar Pêra, estas “notículas” fazem-nos lembrar as rubricas Ripley’s believe or not. Breves mas intensas, o modo como Zograf as parece “cortar” sem qualquer tipo de crescendo ou resolução emocional apenas as torna ainda mais inquietantes, promissoras e fantasmáticas. Pedro Moura

quinta-feira, 29 de março de 2018

Espero chegar em breve na Kingpin Books e Ugra Press



Novo número (#28) do zine Mesinha de Cabeceira e outra vez com o Nunsky!!!

Edição Nunsky Comics com o apoio da MMMNNNRRRG
44p. p/b, 16x23cm
ed. brochada, capa a cores em cartolina texturada

Já está disponível na nossa loja em linha e na BdMania, Linha de Sombra, Artes & LetrasMundo Fantasma, Tigre de Papel, MOB, Bertrand, FNAC, Bar Irreal, Tasca Mastai, UtopiaMatéria PrimaRastilhoLAC (Lagos), Kingpin Books, Ugra Press e Black Mamba...

Nunsky (1972) é um criador nortenho que só participou no Mesinha de Cabeceira. Assinou o número treze com 88 considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...

Desde 2014 que este autor regressou à BD e com toda a força: primeiro com Erzsébet sobre a infame condessa húngara que assassinou centenas de jovens na demanda da eterna juventude, e em 2015 com Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno, verdadeiro deboche gráfico entre o Hair Metal de L.A. dos 80 e a distopia do RanXerox.

Agora apresenta este um belo trabalho sobre um homem que recupera consciência do seu sono criogénico a bordo de uma nave especial. A Inteligência Artificial não consegue reparar o problema e Kemmings vê-se obrigado a manter-se acordado mas fisicamente paralisado durante dez anos da travessia sideral. Como a maior parte da obra de Philip K. Dick (1928-82), este conto questiona o que é ser humano e o que é a realidade.





Feedback 

O isolamento criativo dos autores, mesmo numa cena incipiente como a portuguesa, poderá dar francos frutos. Num curto período, o elusivo Nunsky, que havia apresentado uma fulgurante mas fugaz novela com 88 (...) há 20 anos, regressou para apresentar toda uma bateria de trabalhos acabados, coesos, densos, inteligentes e graficamente vincados, cada qual com a sua própria personalidade de humor, género, tradição, e exigência de leitura. (...) Apesar do tema ser claramente a do cerne que torna um ser humano tal coisa, isto é, a teia da identidade, a verdade é que as implicações filosóficas mais tipificadas de Dick não deixam de se fazer sentir imediatamente. (...) A adaptação do conto pelo autor português é fiel, precisa, quase extrema, quase ipsis verbis, mesmo, (...) Apesar dos desenhos de Nunsky serem reconhecíveis como tal, com a sua austera e sólida figuração, notar-se-á de forma evidente que a assinatura do traço acompanha um registo distinto daquele de Erzsébet e de Nadja, seguindo métodos de artes-finais particulares. O uso de linhas paralelas para marcar as sombras, a oscilação entre momentos melodramáticos, de poses estáticas e construções simbólicas – a recorrente apresentação simultânea do rosto de Kemmings tal qual no seu semi-sono criogénico e a sua consciência interna acordada (usada de forma excelente e retro-psicadélica na capa) - , faz recordar muitas das assinaturas clássicas que emergiram nos comics de terror e de ficção científica da EC Comics (...) Em 41 pranchas, a densidade intelectual de Dick (chamar isto de “ficção científica” somente é falhar o alvo) e expressiva de Nunsky unem-se para apresentar uma soberba novela. 
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Melhores livros de BD de 2016: Nunsky é cada vez menos um cometa na BD nacional, (...) afirmando-se como um dos mais relevantes autores no panorama nacional. Que se mantenha sempre presente. 
Gabriel Martins in Deus Me Livro
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(...) A obra é uma deliciosa inversão da IA perseguidora, trocando os papéis: quem inflige o terror é o protagonista a si mesmo. (...) Nunsky demonstra, uma vez mais, a sua qualidade, ao adaptar-se ao estilo e exigências da história, com uma cuidada estruturação da narrativa e uma adaptação de estilo. Nos momentos em que isso é exigido, o autor dança entre a sombra e a luz, num equilíbrio que já o caracterizava na adaptação da depravação de Erzsébet (...) Este autor português consegue a proeza de justificar o seu regresso, insistindo em ser um dos melhores a trabalhar na 9.ª Arte. 
Acho que Acho
... Nunsky trabalha de forma brilhante, com o traço grosso e o uso do negro a iluminarem com as suas qualidades opressivas
João Ramalho Santos in Jornal de Letras
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Nomeado Melhor Álbum, Argumento e Desenho no Comic Con 2017
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Nomeado Melhor Álbum, Argumento e Desenho nos Troféus Central Comics 2017

quarta-feira, 28 de março de 2018

Australopitecno


Não sei como anda o Porto mas a música Electrónica voltou a Lisboa, depois anos de secura com o fade out dos camaradas Thisco. Além das damas Jejuno e BLEID que meteram a qualidade num patamar de alto nível, andam para aí mais uns rapazolas a fazer bleeps e tzzzz-tzzzz. No entanto o que achei mais interessante até agora foi o Oströl, que pelo menos cheira menos a anacrónico e parece ter mais vida do que o normal neste país onde a Cultura adora ser estática e preguiçosa. O CD-R Austral Sounds (Rotten \\ Fresh; 2018) mostra isso tudo, capaz de percorrer o Illbient de cortar-à-faca, arabismos gamados pós-"coolonialistas", techno IDM pós-industrial e qualquer coisa mais que me tenha esquecido. Sons para surfar no sofá, topam? Um dos discos do ano SE aquelas damas não derem mais cartas entretanto...
De resto, olhos postos na editora Rotten \\ Fresh que apesar das suas edições precárias e modestas, poderão construir um catálogo de referência para o futuro - como aconteceu com a Symbiose, Thisco, Marvellous Tone, etc.. Isto se houver... Futuro, digo, esse lugar que a Electrónica projecta sempre para sair de lá destroçada.

O Espelho de Mogli na Archi Books (livraria da Faculdade de Arquitectura de Lisboa)



   
         
                                      

O Espelho de Mogli
Por

26º volume da MMMNNNRRRG
ISBN: 978-989-97304-7-2
56p a 2 cores, 25x30cm
500 exemplares

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ATENÇÃO:
este livro é muito frágil, devido a esse factor terá uma distribuição extremamente limitada sendo que metade da edição já se encontra esgotada.

à venda na loja em linha da Chili Com Carne, Mundo Fantasma, Archi Books (Fac. de Arquitectura de Lisboa), Artes & LetrasMatéria Prima, Tasca Mastai, BdManiaLACLinha de SombraUtopiaLouvre Michaelense e Nova Livraria Francesa

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Olivier Schrauwen não deixa nunca de me inspirar. É o autor mais original que encontro desde Ben Katchor e Chris Ware. - Art Spiegelman 

Pegando no Livro da Selva de Rudyard Kipling, quer dizer, apenas no cenário e o nome da personagem, Olivier Schrauwen apresenta-nos uma tragicomédia entre o encontro de um símio e um menino selvagem, numa Banda Desenhada que não usa palavras e que emprega estéticas gráficas com cheiros do passado sem que isso afecte o seu real valor contemporâneo que faz dele, segundo muitos especialistas como é um dos cinco autores de banda desenhada de vanguarda mais importantes no panorama mundial actual...

O autor flamengo emprega espelhos deformados para reflectir sobre o papel do Homem no Mundo e a fina fronteira que separa o homem do animal.

Este livro é um "remake" com um novo tratamento das cores, aumento de páginas e de formato, de um livro saído em 2011 que foi seleccionado para os Prémios do Festival de BD de Angoulême.




Feedback : 
Schrauwen tem já um passado na àrea da animação, da ilustração e da banda desenhada. Alguns dos seus trabalhos - que partem das premissas da escola da "linha clara" mas vão bem mais além destas -, são hoje clássicos contemporâneos que receberam aplausos por parte dos seus pares, críticos, leitores ou estudantes de design e de escolas de arte. 
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 ¿Cómo llamamos a esto? Como género, quiero decir. ¿Comedia primitivista? Da lo mismo, claro. Es una historia que precisamente por ser muda pude profundizar en una pulsión preverbal, que podría definirnos: son pocas las especies animales que pueden reconocer su reflejo en el espejo, y ser conscientes, por tanto, de su propia identidad. Vida, muerte, sexo e identidad: Mowgli en el espejo trata todos esos temas presentes en la ficción desde sus inicios pero consigue un contraste tan violento como acostumbra al abordarlo desde la vanguardia más radical y el estilo de dibujo más inhumano del que es capaz. 
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Se hoje vivemos no “futuro negro" e só visitamos o passado enquanto nostalgia, a única solução é restituir os dois tempos e comunicar com eles. A banda desenhada é perfeita para isso e Schrauwen um acertado porta-bandeira. 
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O oráculo de Delfos continha duas lições inscritas no seu portal: “conhece-te a ti mesmo” e “nada em excesso”. Será possível que o auto-conhecimento também poderá ter um excesso? Será esse excesso aquele atingido por Mogli? Eis uma possível interpretação de um exercício visual, narrativo, estrutural mas também filosófico, na banda desenhada, magnífico da parte deste autor.  
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O espelho do Mogli, é muito triste. muito bom! As cores são incríveis também.
Tiago Baptista (por e-mail) 
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 um objecto notável 
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é lindo de morrer 
Goran Titol 
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  o lançamento mais relevante de 2014
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é sensacional
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Melhores do Ano 2015 (através da edição inglesa) segundo Paul Gravett  
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  Com um conjunto de obras internacionalmente reconhecidas inéditas no nosso país, a primeira obra de Olivier Schrauwen publicada em Portugal em nada o envergonha, tendo sido incluída na Sélection Officielle a concurso no Festival d’Angoulême 2012. Trata-se de uma banda desenhada muda mui livremente baseada no personagem d’O Livro da Selva de Rudyard Kipling, onde é narrada uma tragicomédia com laivos de fantasia sobre o encontro do nosso selvagem com um símio. Mais que uma aventura, cria-se uma desventura obsessiva na procura de família e constituição de uma família que, aparentemente, se revelará não tão importante assim… 
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ANARCO-QUEER? QUEERCORE! no LAR / LAC (Lagos)


O livro mais f.o.d.i.d.o. de 2016!!!

ANARCO-QUEER? QUEERC0RE!
de 

Uma edição 
CHILI COM CARNE / THISCO
com ilustrações e grafismos de Bráulio Amado, Astromanta, Hetamoé, Joana Estrela, Joana Pires e Rudolfo e capa de Carles G.O.D.

O queercore foi-se esvaziando nos últimos anos, apesar da existência de novas bolsas de liberdade, apesar dos sinais de que a hecatombe do capitalismo pode mesmo acontecer e apesar do nomadismo dos sexos. Muito de bom foi produzido no impulso de enfiar os dedos em lugares quentes e húmidos, mas não será pouco? O hardcore queer ainda resiste, mas resiste porque está na defensiva, porque está fraco. É como se tivesse sido geneticamente programado para falhar. Mas quando ouvimos um estridente feedback dos Apostles e dos Nervous Gender tudo, absolutamente tudo, parece possível… Vamos acreditar que sim, OK?


PVP: 10€ à venda no sítio da Chili Com Carne, Linha de Sombra, Letra Livre, Artes & Letras, MOB, Glam-O-Rama, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Flur, Tasca Mastai, FNAC, El Pep, Bertrand, Tigre de Papel, UtopiaBlack Mamba, XYZ / A Ilha, Tortuga (Disgraça), Purple RoseRastilhoLAR / LAC (Lagos), Ugra Press (Brasil) e Matéria Prima.


ilustração de Astromanta

Historial: entrevista no Bodyspace ... lançamentos a 8 de Abril no MOB 9 de Abril de 2016 na SMUP com apresentações de Daniel Lourenço (Lóbula; poeta, activista queer) e João Rolo (A Lata Music, Música Alternativa; divulgador de rock independente), com mostra de videos de bandas queercore (Nervous Gender, Super 8 Cum Shot, Limp Wrist, The Gloryholes, Shitting Glitter, Lesbians on Ecstasy, Hidden Cameras, The Clicks), DJ sets de Pussybilly (MOB) e Lóbula (SMUP) e concerto de Vaiaapraia e as Rainhas do Baile (SMUP) ... artigo n'Observador ... artigo na Time Out ... reacção de José Smith Vargas ao artigo da Time Out in Mapa Borrado (secção de BD do jornal Mapa)
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Feedback:
parabéns pela edição do queercore, está alta objecto, o livro!
Bernardo Álvares (dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, Zarabatana,  Älforjs)

Quase a acabar de ler e foi, sem dúvida, uma agradável surpresa (...) empolgante de ler. A verdade é que aguça a curiosidade e a vontade de saber mais. (...) Daqueles livros que nos fazem olhar para as coisas com outro olhar e em diferentes perspectivas. Aconselho vivamente!
Margarida Azevedo (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova)

Característica fundamental deste livro é o próprio formato físico e a sua paginação atípica, que se aproxima do formato “fanzine”. Numa escolha estética pouco comum (e exemplificativa do espírito rebelde do livro), cada capítulo é paginado e ilustrado por um artista nacional diferente (...) Este é um documento atípico que pode interessar a curiosos que queiram descobrir um universo musical pouco explorado. 
Nuno Catarino in Bodyspace

Bandas como Gay For Johnny Depp (...) ou Tribe 8 entre outras, são retratadas numa narrativa húmida e sem preconceitos.
Luís Rattus in Loud!

sábado, 24 de março de 2018

(Re-)vaginização do Jazz


24 SÁBADO 14h - 15h 
JAZZ E GÉNERO UMA CONVERSA ABERTA 
Conservatório Nacional - Salão Grande 
Com Beatriz Nunes (cantora e investigadora) e Rui Eduardo Paes (crítico) 

Falar de género é, necessariamente, falar da instituição do patriarcado e de como esta determina o funcionamento de uma sociedade moldada pela masculinidade. O movimento We Have Voice vem repor essa antiga condição do jazz, nas suas reivindicações de englobamento e não-discriminação. Será que estamos a viver o início de uma (re-)vaginização e (re-)queerização do jazz ou trata-se apenas de ruído de fundo?

Uma conversa que inclui um texto do REP que sairá no seu próximo livro a editar por nós este ano. Vai ser bom!

sexta-feira, 23 de março de 2018

analogue 8bit frankenstein meets poltergeist playstation WTF?


to be released APRIL 2018!!!

work-in-progress de RUDOLFO, that krazy kid... now grown up... kind of...


grave-back-cover-yard

DONE!! MONDAY the book will arrive! YEAH!!!

terça-feira, 20 de março de 2018

Putain!


Prometeram e não cumpriram, aliás, há muitas bandas assim, que dizem que não irão gravar nada e depois aparece um disco... Os Putan Club merecem a incongruência seja qual for o motivo do lançamento do LP Les Filles de Mai (Toten Schwan; 2017) porque esta banda nunca está em casa, perde tempo em visitar os "niggers" da Europa (Lydia Lunch dixit no Sábado passado) e metem-se pelos desertos africanos e asiáticos com o mesmo respeito (ou mais) que teriam por qualquer outro público e ser humano. Esta banda incorpora os ideiais anarquistas e libertários, feministas e solidários, ecológicos e autónomos como poucas ou nenhumas bandas o serão e farão.
Os temas são os mesmos de vários edições CD-R que a banda costumava levar nas suas tournês infinitas - um dos temas, aliás, apareceu no CD do Punk Comix - por isso, tenho pouco a declarar aqui sobre o seu Rock Industrial, cheio de velocidade punk e techno pós-aldeia global. O certo é que agora ouve-se tudo com mais clareza e o som está mais límpido do que um ficheiro mp3. É um grande disco, é uma grande festa.

domingo, 18 de março de 2018

MUSCLECHOO - SIDE STORY FILE 001 - TRUMP CARD /// LAST COPIES!!!!



After finding an underwater base at Water Moon Sigma 14-B, Musclechoo goes inside and loses contact with Iris and then it starts to get really weird…

Musclechoo makes a comeback on a new book drawn between August 2014 and December 2016. For fans of Fort ThunderGhost in the Shell and Trading Card Games.
80 pages. 16x21cm. Offset printing. Perfect bound. 333 copies. Co-published by Chili Com Carne and Ruru ComixSupported by IPDJ.


Feedback: 
Se (...) Livros de bonecos é que é a vossa cena. Pois bem, não percas tempo. A Chili Com Carne acaba de editar a nova BD de Rudolfo, Trump Card. É o primeiro livro a solo do autor e nele encontram a sua personagem fétiche, Musclechoo, embrenhado numa aventura bem esquisitinha. Como vocês gostam. Ambos os dois. Seus tarados!Vice Portugal 
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I already read Musclechoo and liked it. Actually I loved drawings and characters in it. Do you have any idea is it possible to find earlier zines? (...) there is some kind of collection coming but still. I fancy to own those original zines. They are looking really good in photos google found. - Marko Turunen
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Trump card was some good shit indeed... A total teenage action comic fantasy. The violent/ gore bits are the best, for real. Those stiff action panels are awesome. Idk if that was the idea, but those moments felt a lot like Prison Pit. - Héctor Cimbrón ...
Trump Card ganha uma desenvoltura diferente (...) foi totalmente improvisado na sua “escrita” e “desenho preparatório” (...) uma espécie de mistura de Magic the Gathering, Pokemon, MMORPGs e sabe Deus Nosso Senhor mais o quê numa sopa tão pouco credível como certamente satírica. Com efeito, é difícil não ver em Trump Card um exercício de deboche sarcástico em torno de toda uma linha de cultura popular, de Star Trek a novos jogos digitais, mas ao mesmo tempo mostrando algum gosto por essa mesma cultura. (...) Apesar do título ter tudo a ver como o jogo de cartas, e aparecer uma espécie de “tirano sapo” obcecado com sexo, não deixa de haver uma ideia de explorar a actualidade política internacional. Mas ir por aí é como patinar num sabão em chão de mármore. Todo o cuidado é pouco e equilíbrio, nenhum. Uma espécie de Image dos pobres, em que a verve daquela editora norte-americana em revisitar e revitalizar toda uma série de géneros clássicos, mas com os instrumentos imediatos e de pêlo da venta do punk (8-bit breakcore, entenda-se) zinesco, Musclechoo deve estar mesmo para ficar. Deus nos acuda. - Pedro Moura - Ler BD
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Nomeado para Melhor Álbum de autor português em língua estrangeira pela BD Amadora 2017
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sábado, 17 de março de 2018

ccc@Feira.Morta.na.SMUP


Uau, que antecedência que estão a anunciar a Morta! Muito bem! Vamos lá, claro!!!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Askar, o General /// últimos 20 exemplares


A Chili Com Carne sempre que se aproxima da América do Sul para justificar a sua denominação gastronómica acaba sempre por ser uma acção associada à El Pep. Foi assim com a antologia luso-brasileira Seitan Seitan Scum e é assim com o livro de BD Askar, o General, estreia da Dileydi Florez, autora natural da Colômbia. O  livro foi lançado na El Pep Store & Gallery [Lx Factory, Alcântara], no dia 4 de Abril de 2015, contou com a presença da autora e uma exposição de originais.

Florez (1990) é ilustradora e designer, estudou Design no IADE e Ilustração Artística na Universidade de Évora. Em 2013/14 foi bolseira e finalista do curso de Ilustração e Banda desenhada no Ar.Co. Actualmente vive e trabalha em Lisboa. Esta sua primeira obra de banda desenhada é inspirada em iluminuras persas e gravuras japonesas, e é um prelúdio para um álbum ilustrado (por publicar). O trabalho concorreu ao Toma lá 500 paus e faz uma BD! e apesar de não ter ganho, a sua qualidade gráfica convenceu a Chili com Carne a publicar o livro.

32p. 21x27cm p/b, capa a duas cores - ISBN: 978-989-8363-31-2 - 500 exemplares - Apoio do IPDJ

à venda na loja em linha da CCC, na Tasca Mastai, Artes & LetrasLinha de SombraFat Bottom Books, FNAC, Mundo Fantasma, Bertrand, Matéria PrimaBdManiaUtopiaLouvre MichaelenseLAC e Tigre de Papel.

Exemplos de páginas do livro:





Feedback: 
(...) composição majestosa (...) 
Sara Figueiredo Costa in Blimunda 
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Obra seleccionada para a Ilustração Portuguesa 2016
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Nomeada para Melhor Publicação Independente e Melhor Desenho Central Comics 2016 
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Obra seleccionada para o concurso Jovens Criadores 2016
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terça-feira, 13 de março de 2018

LISBOA é VERY VERY TYPICAL ::::: ESGOTADA tal como a cidade!




Lisboa é Very Very Typical

experiências de quem estudou ou trabalhou em Lisboa

1 Capital europeia / 12 autores estrangeiros / 9 países / 3 continentes

Nesta colecção para quem gosta de "viajar sem apanhar transportes e gastar dinheiro" já se deram muitas voltas, da Europa aborrecida à Guiné-Bissau. Pela primeira vez, vira-se para o umbigo e viaja por Portugal, ou melhor... por Lisboa!

Todas as nossas antologias nascem de ideias puras mas por serem tão ingénuas acabam sempre erráticas... Não nos estamos a queixar antes pelo contrário, glorificamos o erro! A culpa é da "espanhola do caralho" que nos foi impingida para entrar na Zona de Desconforto, colectânea de autores de BD portugueses que contavam as suas experiências no estrangeiro enquanto estudantes ou trabalhadores. Begoña Claveria seria um contra-ponto, uma estrangeira a comentar Portugal, uma ideia com piada mas que não coube nesse volume e a sua BD ficou em águas de bacalhau...

Passado um ano e dado ao sucesso que obtivemos com Zona de Desconforto, pensamos que seria um bom desafio juntar estrangeiros que vivem ou viveram em Portugal. Plano arriscado! Há assim tantos autores que tenham passado por cá? E que queiram arriscar a fazer uma BD?

Há! E muitos! Ao ponto de alguns não terem deixado de dar notícias - temos muita pena dos autores africanos que nos deixaram na mão... Outros apareceram e sem papas na língua. De três continentes diferentes e com experiências variadas, muitas em volta das questões laborais portuguesas, eis Lisboa é Very Very Typical.

Lisboa!? Não era para ser sobre Portugal? É coincidência mas a verdade é que todas as BDs tem a capital como centro geográfico dando razão ao que se diz que "o resto é paisagem"! Talvez de futuro tenhamos de fazer uma antologia sobre estrangeiros no Porto ou Alentejo, até lá fiquem com as visões de Anica Govedarica (Croácia), Taís Koshino (Brasil), Elias Taño (Espanha), Alejandro Levacov (Argentina), BNK TNK (Japão), Martina Manya (Espanha), Aude Barrio (Suiça), Nicolae Negura (Roménia), Dileydi Florez (Colômbia), Alain Corbel (França) e Téo Pitella (Brasil). A capa é da responsabilidade do alemão Lars Henkel - autor que já estudou também em Lisboa e chegou a participar na Feira Laica.

Historial: mostra de originais do livro na BD Amadora 2015 ... Festa de lançamento no dia 29 de Outubro na Zaratan organizada pela 1359 com unDJ MMMNNNRRRG ...

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136p a verde branco, 8p p/b 16,5x23cm, capa a cores com badanas
sem ISBN porque a APEL pretende humilhar os pequenos editores
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Últimos exemplares talvez ainda na Mundo Fantasma, Bertrand e Palavra de Viajante.

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Feedback:

Depois de Zona de Desconforto, livro que reunia bandas desenhadas de vários autores portugueses vivendo no estrangeiro, o novo volume colectivo editado pela Chili Com Carne junta autores estrangeiros que vivem em Lisboa. O propósito é o mesmo: dar espaço à reflexão sobre as experiências individuais, as pequenas histórias, as expectativas, potenciando uma leitura mais ampla sobre como é ser-se estrangeiro numa cidade (e logo numa que cada vez mais se promove como destino de sonho para turistas) nos dias que correm. 
Blimunda 
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Uma Lisboa posta à mesa pelos atípicos (...) é uma obra de arte e em simultâneo o relato na primeira voz o que é ser-se estranho num lugar tão típico. 
Dif 
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Com várias antologias originais de banda desenhada no currículo (...) a Chili Com Carne tem sabido rodear-se de alguns dos mais prometedores autores de banda desenhada, muitas vezes apostando em principiantes, sempre sem ceder no capítulo da qualidade e da vontade de experimentar caminhos a partir da linguagem da banda desenhada. (...) Com um título como este, o livro arrisca-se a aliciar turistas para uma suposta cidade que, afinal, não cabe nestas páginas. Apesar disso, Marcos Farrajota acredita que Lisboa É Very Very Typical não deixa de ser um cartão de visita da capital, sobretudo para quem não ande à procura de tuk-tuks, tascas gourmet e casas de fado com preços astronomicamente inflacionados: “Não é um diário de viagem ou um daqueles livros de esboços chatos. Quase nunca se vê a cidade, mas daí, qual o problema disso? São as pessoas que fazem as cidades e não os monumentos e museus. Se calhar até é um livro de despedida da Lisboa anacrónica e do século XX para uma nova, menos romântica, provavelmente...” Menos romântica, mas com espaço para gente que se descobre estrangeira apesar de falar a mesma língua, como na história de Téo Pitella, infiltrações inevitáveis nos prédios antigos, a despertarem a bronquite e a narrativa de Alejandro Levacov, casas que desaparecem e voltam a erguer-se à medida que alguém precisa de as habitar, na história de Taís Koshino. 
Páragrafo 
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cria um rosto real, tangível, endereçado que nos permite entrar em diálogo imediato com o que está a ser discutido. Não se procura nenhum tipo de concordância imediata, mas antes uma compreensão dessa mesma perspectiva. Assim, a Lisboa ou Portugal que emerge destes retratos pode revelar-se menos gloriosa do que muitas vezes “nós” pintamos. Em segundo lugar, essas mesmas discussões não têm uma tonalidade pedagógica e institucionalizada – lá está, supostamente objectiva. Reforçando o aspecto dialogal. 
Pedro Moura / Ler BD
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(...) título brincalhão com que se apresenta um livro coligindo bandas desenhadas da autoria de artistas estrangeiros - homens e mulheres - que estiveram, ou ainda permanecem em Portugal, e que escolheram Lisboa para simples passagem ou mesmo fixação. É exactamente o caso da pintora Nina Govedarica, que veio da Croácia visitar Portugal em 1998, escolheu Lisboa, cidade de que gostou de imediato, aqui conheceu Fernando Relvas, casaram, e ficou a morar com ele na Amadora. Assim, quando o editor Marcos Farrajota da Chili Com Carne teve a ideia (bem interessante) de convidar artistas estrangeiros, de passagem ou a viver em Lisboa, a transformarem em banda desenhada as suas impressões sobre a Mui Nobre e Sempre Leal cidade, Nina aceitou o desafio, ela que nunca fizera BD (...) além de provar ter invulgar capacidade ilustrativa, demonstrou um fino sentido crítico em relação aos lisboetas (extensível aos portugueses em geral), gozando, por exemplo, com o significado que é dado à palavra amanhã, sempre muito variável, tanto pode querer dizer para a semana, no próximo mês, para o ano, ou mesmo nunca.
Geraldes Lino

Artigo na Gazeta das Caldas
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Apesar dos riscos inerentes a uma recolha, de todas as (boas) propostas coletivas da editora Chili Com Carne esta é talvez a mais conseguida de todas, e um excelente livro que vale a pena levar aos olhos enquanto espelho.
sobre os autores:

Aude Barrio (1985, França)… a mãe é suiça e o pai português. Vive e trabalha entre Genebra e Lisboa. Faz parte da editora Hécatombe (que já esteve presente numa Feira Laica e exposição na Matéria Prima) e participou em várias antologias como Un Fanzine carré ou Turkey Comics (The Hoochie Coochie). Em 2014, realizou o seu primeiro livro a solo Petit Lapiin Chouin Chouiiin e inaugurou Zonas de Habitabilidade, colecção de BDs "à quatro mãos" com Barbara Meuli, em 2015.

Begoña Claveria (Lleida, 1982) Graduada em Design Gráfico pela Escola de Disseny i Art (Barcelona), fez também uma pós-graduação em ilustração pela mesma escola. Entre 2005 e 2009 trabalhou como designer e ilustradora colaborando com vários ateliers. Em 2009 mudou-se para Lisboa onde realizou um estágio com a PVK Editions e em 2010 começou a trabalhar na Ivity Brand Corp. Actualmente trabalha em regime de part-time nesta firma e colabora habitualmente em projectos no âmbito da edição e da ilustração. Publicou seu primeiro livro de desenhos em 2014 Vous avez de la biére? Non, juste le whiskey bérbère pela Senhora do Monte, editora que ajudou a fundar com Anafaia Supico e Nuno Barroso.

Alain Corbel (Bretanha, França, 1965) viveu em lugares tão diferente como Bruxelas, Marselha, na Gasconha, em Lisboa e Baltimore. É conhecido como ilustrador e colaborou com muitos autores portugueses. É também autor de BDs, escreve, faz fotografias e sestas com muito gosto. Desde 2000, e a seguir o projecto de livro Ilhas de fogo (ACEP; 2002), viajou regularmente nos países africanos de língua portuguesa, assim como em Timor-Leste, onde organiza oficinas de ilustração e escrita. É é professor no departamento de Ilustração do Maryland Institute College of Art (EUA) e é também o coordenador do programa Unspoiled Africa.

Dileydi Florez ( Bogotá, 1990) É ilustradora e Designer. Estudou Design no IADE e Ilustração Artística na Universidade de Évora. Em 2013/14 foi bolseira e finalista do curso de Ilustração e BD no Ar.Co. Actualmente vive e trabalha em Lisboa. A sua primeira obra de BD Askar, o General (Chili Com Carne; 2015) é inspirada em iluminuras persas e gravuras japonesas.

Anica Nina Govedarica (Zagreg; 1971) Estudou Belas-Artes em Zagreb durante quatro anos, desde 1997 que se dedica às artes plásticas e participou em numerosas exposições individuais e colectivas em Portugal, Croácia e Inglaterra. Esta é a sua primeira experiência em BD.

Taís Koshino (Brasília, 1992) é estudante de Comunicação Social com habilitação em audiovisual na Universidade de Brasília, tendo feito programa de intercâmbio na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. É co-fundadora do selo editorial Piqui, criado em 2011, com mais de dez publicações e participações em feiras nacionais e internacionais.

Alejandro Levacov (Buenos Aires; 1973) Três anos depois de nascer começou a Ditadura mais sangrenta do seu país. Desde então já passaram 14 Presidentes por este país (4 deles ditadores), mega-desvalorizações e uma bancarrota. A história recente argentina exemplifica a capacidade de improvisação e sobrevivência que caracteriza os seus habitantes. Emigrou para a Europa em 2002 (pós "corralito") morando em Barcelona, Lisboa, Maputo e Porto e trabalhando como Designer, ilustrador, cozinheiro, modelo, actor… Retornou ao seu país em 2013 com Júlia Tovar – ver Zona de Desconforto (Chili Com Carne; 2014) vivendo os dois (três!) em Buenos Aires.

Martina Manyà (Barcelona, 1983) estudou nas Belas Artes de Barcelona. No início de 2006 muda-se para Lisboa, para fazer um Erasmus, e desde então não conseguiu deixar Portugal. Tirou o curso de Ilustração e BD no Arco e actualmente vive e trabalha entre as duas cidades.

Nicolae Negura (Vaslui; 1987) é um ilustrador e artista romeno que desde há alguns anos tem feito de Lisboa a sua casa e fonte de inspiração. Gosta de utilizar cores fortes e garridas mesmo quando aborda temáticas mais depressivas . Outra fonte de inspiração é a BD vintage, que define completamente o seu traço.

Téo Pitella (1985) tirou o curso de Design Gráfico na Universidade Federal do Paraná, Gravura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná e é Mestre em Arte Multimédia com especialização em Fotografia na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Actualmente dirige o projecto editorial 1359, onde trabalha com Risografia e edições de autor. Já realizou exposições no Brasil, Portugal, França, Moçambique e EUA. Tem experiência em fotografia editorial produzindo material para edições de diversas revistas e jornais.

BNK TNK (1976; Tóquio) chegou a Portugal em 2005 com um diploma em arte do vidro (TAMA - Universidade de Arte em Tóquio) e um amor por todas as coisas relacionadas à luz e reflexos. Rapidamente apaixonou-se pela luz de Lisboa e, consequentemente, decidiu ficar e completar a sua formação, tirando um curso avançado de Artes Plásticas no Ar.Co. Foi um passo natural combinar o conhecimento adquirido e sua grande paixão por culturas orientais - tanto o lado artístico e espiritual a fim de desenvolver diferentes formas de artes cénicas, sempre inspirados na natureza e no seu interior e os fluxos de energia exteriores. Desde esse momento tem realizado inúmeras intervenções, espectáculos e performances a solo e em colaboração com diversas instituições, passando por países como Itália, Japão e Portugal.

Elías Taño (1983) é desenhador e editor ocasional na cidade de "Violência" desde 2004. Dedica o seu tempo a andar para cima e para baixo com livros e outras coisas, viajando sobretudo pelas penínsulas europeias (a italiana e a ibérica) e por outros lugares do sul do mundo com a companhia de teatro-político Atirohecho. O seu grafismo tem fins políticos e de insurreição e trabalha em cartazes sobre os muros da cidade de forma totalmente anónima. Edita desde 2011, a revista Arròs Negre. Trabalha em serigrafia num edifício em ruínas que partilha com um escritor das ruas e um indigente napolitano.